O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 29 de Março de 2015

Dos 677 versículos do Evangelho de S. Marcos, 119 foram proclamados na Eucaristia deste Domingo de Ramos.

Impressiona que, num texto tão longo, Jesus fale tão pouco.

Mas o silêncio de Jesus possui uma eloquência assombrosa.

Jesus é o Verbo que fala muito de um modo não-verbal.

O silêncio de Jesus, entrecortado por palavras pertinentes, é bastante sonoro.

É um silêncio que faz falar os gestos, que faz falar a dignidade, que faz falar a paz, que faz falar o sangue.

Poderemos continuar sonolentos?

publicado por Theosfera às 21:10

Enquanto Jesus orava, os Seus amigos dormiam. Enquanto Jesus sofria, muitos dos Seus amigos fugiam.

Acontece que este sono e esta fuga estão longe de ser pretéritos.

Há uma sonolência teimosa e uma fuga persistente, a tentar-nos sempre.

Muitas vezes, andamos sonolentos em relação ao que se passa e a fugir ao que ocorre.

Jesus, hoje, continua a sofrer em tantas pessoas que sofrem. E nós continuamos sonolentos ou, então, a fugir.

O calculismo, os interesses ou a autodefesa justificam muita coisa.

Atenção: a história de Jesus não foi, continua a ser.

O sono e a fuga dos discípulos também não foram, continuam a ser.

Quem está disposto (como Maria, como Madalena, como João e mais alguns) a permanecer até ao fim?

publicado por Theosfera às 20:53

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado por seres Tu:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:28

A necessidade conduz-nos ao desconforto do risco, mas também nos transporta à possibilidade da vitória.

Francois Villon reparou: «A necessidade leva as pessoas ao engano e a fome os lobos a sair do arvoredo».

Arriscamos porque necessitamos. E podemos vencer porque arriscamos.

Afinal, nem tudo é sombrio nas sombras!

publicado por Theosfera às 08:57

Será que a facilidade rima sempre com a felicidade?

Engana-se quem pensa que a facilidade é um arrimo na vida.

Clarice Lispector notou: «Como é bom o instante de precisar que antecede o instante de se ter. Mas ter facilmente, não. Porque essa aparente facilidade cansa».

A facilidade banaliza, vulgariza e, quase sempre, esvazia.

Lutar por alguma coisa valoriza (e de que maneira!) essa coisa.

Eberhard Jungel tinha razão: : «Quanto maiores são as dificuldades, tanto maiores são as possibilidades».

Ousar o impossível é o maior desafio que nos podem fazer.

Podemos perder. Mas não ficamos perdidos enquanto não desistimos!

publicado por Theosfera às 08:51

Estas são palavras vindas do século XIX: «Sejam quais forem os fenómenos inesperados que o futuro nos reserva, Jesus não será ultrapassado. O seu culto rejuvenescer-se-á constantemente; o seu sofrimento enternecerá os corações mais bondosos; todos os séculos proclamarão que entre os filhos dos homens nunca nasceu um maior do que Jesus».

Ernest Renan estava certo.

Jesus é cada vez mais actual. E está cada vez mais activo!

publicado por Theosfera às 08:30

Quem abdica do bom por causa do óptimo arrisca-se a ficar sem o bom e sem o óptimo.

Já Mathurin Régnier alertava que «quem muito quer escolher fica com o pior».

É que quem muito quer escolher, às vezes, não escolhe nada.

Fundamental é, em cada momento, decidir em consciência.

E quando pensamos no melhor para os outros acabamos por não ser prejudicados.

O melhor para os outros nunca é o pior para nós!

publicado por Theosfera às 07:57

Será que já nos apercebemos de que, como lembra subtilmente Timothy Radcliffe, o primeiro cristão a ir para o céu foi um ladrão?

 

É claro que, desde o princípio, não foi fácil aceitar isto. Segundo um poema siríaco muito antigo, houve um anjo que tentou impedir que o bom ladrão entrasse no céu!

 

Só que Aquele que veio chamar os pecadores (cf. Mc 2, 17) não iria deixar ninguém de lado, muito menos «aqueles cujas vidas são um caos».

 

A virtude não é a ausência de falhas nem a isenção de erros. Ela assenta num esforço de autocrítica. E configura uma permanente tentativa de superação.

 

A virtude não exclui a falha. Inclui, sim, o recomeço após todas as falhas.
publicado por Theosfera às 03:03

Era bom que se meditasse no processo de Jesus.

 

Foi entregue por inveja (cf. Mt 27, 18).

 

Pilatos fez tudo para O poupar. Só que as pressões do poder religioso, as ameaças de denúncia em Roma e a pressão de uma multidão ligada aos funcionários do Templo ditaram o veredicto.

 

Pilatos nada tinha contra Jesus, mas entre a defesa de um inocente e a preservação do seu lugar, a opção foi óbvia.

 

A desordem pública não seria bem vista em Roma. No entanto, seis anos mais tarde, viria a perder o lugar, como nos diz Flávio Josefo.

 

Já a «oclocracia» é a coisa mais volátil que existe. As multidões dão para tudo e para o seu contrário. Variam tão rapidamente como o vento!
publicado por Theosfera às 02:00

Esta é uma semana que reclama, sobretudo, interioridade, recolhimento.

 

Há uma densidade muito grande e um apelo muito fundo que nenhuma palavra conseguirá descrever.

 

O que nos é oferecido não pertence ao enigma, mas pertence ao mistério.

 

Isto significa que o quadro que nos surge não é inatingível, mas também não é manipulável.

 

Esta é, porém, a tentação, o peirasmós de sempre.

 

O Cristianismo deve ser a única religião em que o Fundador é um mártir e morre como um abandonado.

 

A Sua proximidade com Deus não impede que experimente toda a amargura do drama humano.

 

Divino, a partir de Cristo, não é, pois, a distância ontologicamente intransponível entre Deus e o Homem. Divino não é tanto o poder infinito, a imortalidade ou a imutabilidade.

 

Divina é esta humanidade sem freio, é esta franqueza sem constrangimentos, é este amor sem vacilação, é esta entrega sem limites.

 

Não é quando nos distanciamos do humano que nos aproximamos de Deus. É quando aterramos na sua maior profundidade que tocamos o divino.

 

Para Deus sobe-se descendo. Foi das profundidades da terra que Jesus irrompeu para Deus.

 

Há atitudes que se atribuem a Deus que são demasiado humanas. Não passam de projecções. O castigo, a vingança e uma justiça sem misericórdia não honram a transcendência. São excessivamente imanentes.

 

Já o humano tão puramente humano (tão inteiramente humano!) de Jesus é uma respiração divina, um enclave da eternidade pelas inclementes estradas do tempo.

 

O desfecho de toda esta meditação não pode ser apenas o anúncio. A Páscoa não é só para proclamar. É, acima de tudo, uma oportunidade para melhor viver.

 

Há um convite que fica. O caminho de Jesus não é tanto para ser explicado. É, sem dúvida, para ser conhecido. E é tão fascinante conhecer Jesus. O mais aliciante, contudo, é procurar viver.

 

Jesus é uma lição sem fim. Lição que não vem de qualquer cátedra, mas que tem a argamassa de uma vida tão humanamente cheia.

 

Haverá algo mais divino que esta humanidade de Jesus?

publicado por Theosfera às 00:56

Hoje, 29 de Março (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor), é dia de Sto. Eustásio, Sta. Paula Gambara, Sto. Agostinho de Spínola, S. Manuel Domingos Sol, Sta. Teresa do Menino Jesus (mártir), Sta. Maria do Pilar e Sta. Maria dos Anjos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

mais sobre mim
pesquisar
 
Março 2015
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6
7

8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro