O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 08 de Março de 2015

Nós acreditamos, Senhor,

que Tu estás no templo,

mas cremos que estás mais ainda

em cada pessoa.

 

O verdadeiro culto

não está ligado a um lugar.

O verdadeiro culto é uma Pessoa,

és Tu, Senhor.

 

É em Ti que adoramos o Pai,

em espírito e verdade.

 

Mas também Te encontramos no Templo.

Por isso queremos que esta seja uma casa de oração.

 

Na casa de oração

deve haver respeito, silêncio,

um ambiente propício para escutar a Tua voz

e acolher a Tua presença.

 

Tu, Senhor, ficaste triste

pelo comportamento de muitos no Templo de Jerusalém.

Até fizeste um chicote de cordas pa expulsar os vendilhões.

 

O zelo pela casa do Pai devorava-Te, Senhor.

Tu não feriste ninguém.

Apenas marcaste uma posição firme

na defesa da dignidade da Casa de Deus.

 

Que nós saibamos respeitar

este lugar sagrado.

 

Que aqui escutemos a Tua Palavra.

Que nos sintamos bem conTigo.

 

E que saiamos daqui mais inundados com o Teu amor e a Tua Paz,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:16

Somos íncolas do tempo, mas habitamos desde sempre a eternidade.

Milan Kundera percebeu: «Existe uma parte de nós que vive fora do tempo».

No fundo, é no tempo que vamos construindo o edifício que se chama eternidade!

publicado por Theosfera às 08:52

A. A Páscoa e o Baptismo

  1. Neste terceiro Domingo da Quaresma, os catecúmenos começam a fazer os chamados «escrutínios» em ordem ao Baptismo, na Vigília Pascal. A este propósito, é bom não esquecer que a estruturação do tempo da Quaresma está muito ligada não só à celebração da Páscoa, mas também à celebração do Baptismo.

O Baptismo é um sacramento genuinamente pascal e a Páscoa — pode dizer-se — é um acontecimento verdadeiramente baptismal. De facto, no Baptismo existe uma «peshah», isto é, uma passagem, uma páscoa. No Baptismo, também nós passamos da morte à vida. Na Páscoa, Cristo vence a morte que é o pecado. Na Páscoa, Cristo dá a vida para que nós tenhamos vida (cf. Jo 10, 10).

 

  1. A partir do século III e para responder à necessidade de preparar devidamente o Baptismo, começou a ser estruturado o tempo da Quaresma. Como se depreende da própria palavra, com os escrutínios pretende-se conferir as disposições dos que se preparam para o Baptismo. É nesse sentido que, ao longo de três domingos, a comunidade ajuda os catecúmenos a «escrutinar» a sua debilidade e, ao mesmo tempo, a sua disponibilidade para receber a vida nova de Cristo.

    A finalidade destes escrutínios é, portanto, purificar os corações, conseguir um sério conhecimento de si mesmo e promover a vontade de seguir, fielmente, a Cristo. Estes escrutínios são feitos aos que são baptizados na idade adulta e às crianças em idade escolar que ainda não estão baptizadas.

 

B. Jesus é a vida nova no temp(l)o novo

 

3. Percebe-se, portanto, que a liturgia deste terceiro Domingo da Quaresma nos apresente Jesus como a vida nova: Jesus é a vida nova figurada no templo novo. Todos os templos caem — e o Templo de Jerusalém caiu pelo ano 70 —, só o novo templo Jesus prevalece. O templo material é, pois, uma evocação do templo espiritual que é Jesus e que devemos ser nós em Jesus (cf. 1Cor 3, 17). O novo templo inaugura um novo culto que pode obviamente fazer-se no templo material, mas que, em si mesmo, não está dependente de qualquer lugar. O novo culto não é um lugar, mas uma pessoa. Neste sentido, o definitivo culto não ocorre necessariamente em Garizim, em Jerusalém ou em Roma, mas «em espírito e verdade»(Jo 4, 23).

No entanto, Jesus respeita o tempo material e até fica seriamente incomodado com a falta de respeito que existe dentro do Templo. Com efeito, Jesus não veio destruir, mas aperfeiçoar — e, nessa medida, cumprir — o antigo (cf. Mt 5, 17). O zelo pela Casa do Pai devora-O (cf. Jo 2, 17). Pelo que não consente que se transforme a Casa do Pai numa casa de comércio (cf. Jo 2, 16). É por isso que não hesita em fazer um chicote de cordas para expulsar os vendedores e os cambistas, derrubando mesas e espalhando trocos pelo chão (cf. Jo 2, 15).

 

  1. Trata-se de um episódio que aparece na «secção introdutória» do Evangelho de S. João (cf. Jo 1,19-3,36). A cena ocorre no Templo de Jerusalém, construído por Herodes para agradar aos judeus. A construção iniciou-se em 19 a.C. e ficou praticamente concluída no ano 9 d.C., embora os trabalhos só tivessem sido dados por finalizados em 63 d.C.. Uma vez que os judeus dizem que o Templo estava a ser construído há 46 anos (cf. Jo 2, 20), então, fazendo as contas, este episódio ocorreu no ano 27 d.C..

Por coincidência, estávamos a poucos dias da Páscoa judaica, uma época em que grandes multidões se concentravam em Jerusalém. Só para se ter uma ideia da capacidade de mobilização que esta festa tinha, refira-se que Jerusalém, que teria à volta de 55.000 habitantes, chegava a atrair cerca de 125.000 peregrinos por altura da Páscoa.

 

C. O novo temp(l)o é indestrutível

 

5. No Templo sacrificavam-se à volta de 18.000 cordeiros, destinados à celebração pascal. Daí que o comércio relacionado com o Templo tivesse um aumento exponencial. Três semanas antes da Páscoa, começava a emissão de licenças para a instalação dos postos comerciais. O dinheiro arrecadado com a emissão dessas licenças revertia para o sumo sacerdote. Vendiam-se os animais para os sacrifícios e vários outros produtos destinados à liturgia do Templo. Havia, também, as tendas para os cambistas trocarem as moedas romanas correntes por moedas judaicas. É que os tributos dos fiéis para o Templo eram pagos em moeda judaica, pois não era permitido que moedas com a efígie de imperadores pagãos conspurcassem o tesouro do Templo.

Este comércio constituía uma mais-valia para a cidade e sustentava a nobreza sacerdotal, o clero e os empregados do Templo. Não admira, pois, que os chefes judaicos ficassem indignados com a atitude de Jesus, que os desafia a destruir aquele templo, garantindo que Ele, em três dias, o reedificaria (cf. Jo 2, 19).

 

  1. Só que Jesus não Se referia ao templo de pedra (cf. Jo 2, 20), mas ao templo do Seu corpo (cf. Jo 2, 219. No fundo, Jesus desafia os líderes que O questionam a suprimirem o templo que é Ele próprio, assegurando que, três dias depois, esse Templo estará outra vez erguido. O novo templo que é Jesus será indestrutível. Nada nem ninguém o poderão destruir. Jesus alude, evidentemente, à Sua ressurreição (cf. Jo 2, 22). A ressurreição certifica que Jesus vem de Deus e que a Sua actuação é a actuação de Deus.

É, sem dúvida, notável que Jesus Se apresente como o novo templo. Haja em vista que o Templo representava, para os judeus, a residência de Deus, o lugar onde Deus Se tornava presente no meio do Seu Povo. Sucede que, agora e a partir de agora, o lugar onde Deus reside é Jesus. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o Seu amor e a Sua vida.

 

D. Aquele que nos traz Deus, Aquele que nos leva para Deus

 

7. Jesus é o lugar de encontro entre o homem e Deus. É Jesus quem nos traz Deus, é Jesus quem nos leva até Deus. Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e manifesta-lhes o Seu amor, apontando-lhes caminhos de salvação. Consequentemente, somos convidados a olhar para Jesus e a descobrir no Seu Evangelho a proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.

Tenhamos presente que contemplar significa, na sua raiz etimológica, estar no templo. Contemplar é, pois, estar no novo — e definitivo — templo que é Jesus. Contemplar é estar com Deus em Jesus.

 

  1. Ao longo da história, o próprio Deus foi preparando o Seu povo para acolher a Sua proposta de vida. Já no Antigo Testamento, Deus aparece como libertador (cf. Êx 20, 2). Os Seus mandamentos são propostas de liberdade que reclamam, da nossa parte, respostas em liberdade. Trata-se de um conjunto de referências que devem orientar a nossa caminhada pela vida. São indicações que dizem respeito às duas dimensões fundamentais da nossa existência: a nossa relação com Deus e a nossa relação com os irmãos.

Os mandamentos pretendem ajudar-nos a deixar a escravidão do egoísmo, da auto-suficiência, da injustiça, do comodismo, das paixões e de todas as formas de exploração. Os mandamentos mostram — e cabalmente demonstram — que Deus está no centro da nossa vida e o ser humano deve estar no coração da nossa vida. Deus é o centro e, como disse S. João Paulo II, o homem é o caminho. Amando a Deus, amaremos a pessoa humana. Amando cada pessoa humana, estaremos a amar a Deus.

 

E. Uma loucura sábia

 

9. A lógica de Deus é totalmente diferente da nossa. É a lógica do Logos, a lógica do Verbo feito carne (cf. Jo 1, 14) Na Segunda Leitura, S. Paulo sugere-nos uma conversão à lógica de Deus, que é a lógica da Cruz. Na Cruz, tudo se desfaz e tudo se refaz. Desfaz-se uma lógica meramente proporcional, que leva a compensar quem faz bem e a castigar quem faz mal. Na Cruz, Deus age de modo diferente, diria oposto.

Deus faz o bem porque é bom e porque, como tal, não pode deixar de fazer o bem. Por isso, envia o Seu Filho para dar a vida por todos, independentemente dos seus merecimentos. Isto é considerado loucura («moria) e até demência («mania»), como nos vai dizer S. Justino.

 

  1. A lógica de Deus, que é a única lógica que salva, não é a lógica do poder, da riqueza ou da condição social, mas a lógica do amor total, do amor desmedido, até às últimas consequências. Muitos acham que tudo isto é pouco, que tudo isto é louco, mas é esta loucura que nos torna salvos. Simone Weil achava que é preciso ser louco para dizer a verdade. Foi talvez por isso que alguns, em tempos, confessavam: «Por Cristo me tornei louco para que menos tolo seja o mundo»!

Esta loucura é mais sábia que toda a sabedoria e esta fraqueza é mais forte que toda a força (cf. 1Cor 1, 25). É por isso que nós celebramos a Ressurreição, mas o nosso símbolo continua a ser a Cruz. É a Cruz que nos identifica como cristãos. A Ressurreição não anula a Cruz, mas dá sentido à Cruz. Aquele que dá a vida é o que volta à vida. A Cruz está sempre a ensinar-nos que é quando mais damos que mais temos. A Cruz está sempre a mostrar-nos que é quando nos damos inteiramente que nos reencontramos totalmente!

publicado por Theosfera às 08:14

Hoje, 08 de Março (Terceiro Domingo da Quaresma), é dia de S. João de Deus, padroeiro dos doentes e moribundos e protector dos enfermeiros católicos e respectivas associações.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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