O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2014

1. Este é um dia importante para Portugal e, embora pouca gente o saiba, também para Lamego.

Restaurada a independência, D. João IV organizou uma embaixada ao Vaticano. Queria que o Papa o reconhecesse como rei.
Nada melhor que colocar um clérigo à frente de tal embaixada. E quem foi o escolhido?

Não foi o bispo de Lisboa, nem do Porto, nem de Braga, nem de Coimbra, nem de Évora. O escolhido, por sinal, até nasceu em Évora, mas era bispo de Lamego!

Curiosamente, tinha sido proposto para o episcopado pela corte espanhola, em 1635. Mas, apesar disso, as suas convicções patrióticas deviam ser bem conhecidas.

D. Miguel foi chamado a Lisboa logo a 8 de Janeiro de 1641 para chefiar a referida missão diplomática com o título de «embaixador extraordinário».

O rei admirava-o não só pelo seu saber, mas também «pela sua delicadeza natural» e, repare-se, «pelo facto de residir continuamente na sua igreja de Lamego». O que, naqueles tempos, não era habitual.

É claro que esta era uma missão deveras melindrosa. Sabia-se que os representantes de Espanha iriam fazer tudo para impedir a audiência papal.

Por isso, o rei já se contentava com um encontro privado. A audiência pública poderia esperar.


2. A partida ocorreu a 15 de Abril. Em Paris, o Núncio Apostólico rescusou-se a receber a delegação portuguesa. Não era bom augúrio, mas nem isso foi motivo para desistir.

D. Miguel chegou a Roma a 20 de Novembro, sete meses depois de ter saído de Lisboa, recebendo escolta pontifícia porque constava que os espanhóis já mobilizavam pessoal e armas.

O Papa Urbano VIII esteve a par de todas as movimentações, mas nunca chegou a satisfazer as pretensões portuguesas.

A Espanha moveu as suas influências e conseguiu que o Sumo Pontífice não recebesse D. Miguel: nem como embaixador nem sequer como bispo!

O máximo que conseguiu, depois de muita insistência, foi uma recepção pelas portas secretas. Mas isso foi rejeitado pelo bispo de Lamego.

Como refere Gonçalves da Costa, a Espanha «moveu uma verdadeira guerra diplomática enviando à cúria pontifícia longos e sucessivos memoriais contra o direito de D. João IV, libelos que os portugueses procuravam rebater pelo mesmo processo».

 

3. Assim se foi passando o tempo. Concretamente, o ano de 1642 foi todo passado em Roma, com diligências portuguesas e obstáculos espanhóis. Estes não olharam a meios e, a 20 de Agosto, organizaram mesmo um atentado contra D. Miguel, que regressava de uma ceia em casa do embaixador francês.

O bispo de Lamego não foi atingido. Conseguiu chegar à sua residência. Mas do confronto resultaram vários mortos: cinco do lado português e oito do lado espanhol!
D. João IV, que era cristão devoto, ficou ressentido e determinou que, se até 20 de Novembro (quando se completava um ano de permanência em Roma), o Papa não recebesse D. Miguel, este regressaria a Portugal.
Desiludido e exausto, abandonou Roma a 20 de Dezembro de 1642. O Papa nem a bênção apostólica deu ao representante do monarca português.
A missão não teve o resultado desejado, mas D. Miguel não deixou de ter o reconhecimento devido. D. João IV ficou-lhe sempre grato e quis nomeá-lo arcebispo de Évora. Só que o Papa (uma vez mais!) não atendeu o seu pedido.
Mas ele também faleceu pouco depois, a 3 de Janeiro de 1644. Morreu porventura desapontado com o que se passou em Roma, mas certamente reconfortado por ter servido o seu país.
 
4. Lamego não o esqueceu. A sua figura está imortalizada em frente ao Museu, que, como se sabe, foi, durante muito tempo, a Casa Episcopal.
O monumento foi inaugurado em 1951 e é uma obra do escultor madeirense Francisco Franco.
Quem por ali passar terá oportunidade de evocar alguém que tinha Portugal no nome e no coração. E que fez tudo para que o país fosse reconhecido no mundo.
Eis um grande ensinamento para o presente. Eis uma preciosa lição para o futuro.
publicado por Theosfera às 19:24

Tenha, ao longo deste dia, atitudes sãs, atitudes chãs, pacíficas e pacificantes.

Encha-se de Deus. Mostre Deus na Sua vida.

Espraie Deus em forma de cortesia, em forma de urbanidade, em forma de delicadeza, em forma de esperança.

Deus está no pormenor. Não Se desencontre d'Ele.

Deus está em si e no seu próximo. Deixe-se abraçar por Ele!

publicado por Theosfera às 09:38

  1. Por hábito, fico sempre retraído diante do «diz», do «diz que diz». Assusta-me quem baseia a sua conduta no mero «diz».

Um quarto dos jovens «diz» que fumar haxixe não faz mal. Quinze por cento dos jovens «diz» que é normal conduzir após beber três cervejas. Eles bem podem «dizer». Mas uma coisa não deixa de fazer mal por muito que se diga que faz bem. A ilusão não impede o livre curso da realidade. O que é mal alguma vez fará bem?

 

  1. Eis o grande companheiro de jornada na viagem que fazemos pelo tempo: o erro.

É ele que nos acompanha, mesmo quando o pretendemos afastar. Acompanha-nos quando andamos desprevenidos. E não deixa de nos visitar até quando nos sentimos precavidos.

 

  1. Luc de Clapiers era mesmo de opinião que «ninguém está mais sujeito ao erro do que aquele que só age depois de ter reflectido». Mas, ao menos, esse ainda saberá que erra.

Quem reflecte, pode errar. Mas quem não reflecte, erra com certeza. E, pior, nem se apercebe do erro.

 

  1. Necessário é pensar. Fundamental (e cada vez mais urgente) é repensar o que se tem pensado.

É bom encher salas e praças. Mas é melhor preencher a vida. Há praças que estão cheias. Mas as pessoas, que as enchem, sentem-se vazias. Não basta trazer as pessoas para o centro. É prioritário ir ao encontro das pessoas nas periferias. Muita coisa se entende nos lugares. Mas tudo se decide na pessoa. Em cada pessoa.

 

  1. Nesta vida, tudo é relacional. Neste mundo, tudo é relativo: as vitórias e também as derrotas. Aliás, já Charles de Montalembert sentenciava: «Nunca se é tão vencedor nem tão vencido como imaginamos».

É por isso que admiro quem conserva a humildade e a magnanimidade na hora da vitória. E continua a estender a mão a todos. Porque todos são necessários para edificar a grande obra humana: o bem comum.

 

  1. Convencer não pode ser um movimento em sentido único. Tem de haver abertura, reciprocidade. No fundo, quando se pretende convencer, não é para atrair para si, mas para a verdade. E é por isso que a vontade de convencer tem de ser simétrica à disponibilidade para ser convencido.

Philiph Chesterfield anotou: «Se queres convencer os outros, deves parecer pronto a ser convencido». Convencer é não aceitar vencer sozinho, sobre os outros ou contra os outros.

 

  1. Não procure a novidade. Procure a autenticidade. Terêncio reconheceu que «não se diz nada que já não tenha sido dito».

A novidade nem sempre é autêntica. Mas a autenticidade nunca deixa de ser nova. E inovadora.

 

  1. São mais de 28 mil os idosos que vivem sozinhos. Isto é o que dizem os estudos. Mas serão, seguramente, muitos mais os que vivem sós.

Às vezes, a solidão que mais dói é aquela que temos no meio de muita gente, no meio de certa gente.Não há solidão apenas no isolamento. Também há solidão no meio da multidão.

 

  1. A frieza e a indiferença magoam tanto como o abandono. Não deixemos que a sociedade seja uma amálgama.

Façamos tudo para que a humanidade possa ser uma família. Sem preferidos nem preteridos.

 

  1. Àquilo que desejamos chegamos tarde ou, por vezes, nunca. Àquilo que tememos acabamos por chegar rapidamente.

O Padre António Vieira assim o notou: «A muitos lugares chegamos tarde e com dificuldade; ao último chegamos depressa e facilmente». A vida é uma viagem a ritmo muito acelerado!

 

 

publicado por Theosfera às 09:28

Tenho pena, muita pena, que a questão dos feriados esteja a ser tratada de um modo tão superficial.

Subjugados pela «razão tecnocrática» e pela «razão económica», esquecemos a «razão simbólica».

Um dia não é só uma sequência de 24 horas.

Acresce que um dia celebrativo nem sequer é um dia laboralmente improdutivo.

Por outro lado, os feriados não são, que se saiba, propriedade de ninguém.

Daqui a uns tempos, far-se-á o devido balanço. Uma decisão destas resolverá algum problema?

Economicamente, não estaremos mais ricos. Culturalmente, é possível que estejamos muito mais pobres!

publicado por Theosfera às 09:23

Hoje fazia 96 anos o Bispo que me ordenou e que tantas saudades me deixou.

O senhor D. António de Castro Xavier Monteiro nasceu em S. João de Airão (Guimarães) a 1 de Dezembro de 1918.

Entrou em Lamego em 1972, vindo do Patriarcado de Lisboa, e aqui esteve até à morte, ocorrida a 13 de Agosto de 2000.

Diz Elie Wiesel que «esquecer é rejeitar».

Seria imperdoável esquecer quem nunca nos esqueceu.

O senhor D. António tinha presença de pastor, palavra de mestre e olhar de pai.

publicado por Theosfera às 00:47

Hoje, 01 de Dezembro, é dia da Bem-Aventurada Maria Clara, de Sto. Edmundo, S. Roberto, Sta. Maria Clementine Anuarite e Sto. Elói.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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