O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Hoje, 18 de Novembro, é dia da Dedicação das Basílicas de S. Pedro e S. Paulo, Sta. Carolina Kózka, Sto. Odo de Cluny, S. Domingos Jorge, Sta. Isabel Fernandes, Sto. Inácio e Sta. Salomé de Cracóvia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

A Escatologia trata das «eschata» e do «eschaton». Ela transita entre as coisas últimas e o último.

As coisas últimas são os novíssimos: morte, juízo, inferno ou paraíso.

O último é uma pessoa (Jesus Cristo) ligada a um acontecimento (a Salvação) e a uma atitude (a Esperança).

É fundamental preparar as coisas últimas a partir do último. Por isso é que, como advertia Moltmann, a Escatologia consiste também numa meditação sobre a esperança.

E daí que a Escatologia não deva vir no fim, devendo figurar desde o princípio.

Toda a mensagem cristã é escatológica. Caminhamos para as coisas últimas vivendo sob a inspiração do último.

Deste modo, a Escatologia constitui um poderoso impulso para a transformação do presente.

O presente tem de ser a imagem e a antecipação do futuro. É a partir do futuro que vivemos. Do futuro que não sucede ao presente, mas do futuro que o transforma, que o preenche, que o plenitudiza.

E quanto ao fim do mundo?

Há um mundo que deve ter fim: o mundo do egoísmo, o mundo da injustiça, o mundo da austeridade, o mundo da mentira.

A esse mundo cabe-nos a nós pôr fim. Quanto antes!

publicado por Theosfera às 23:40

Ainda não começou o Advento e já se fala no Natal. E nem sequer é nas igrejas. É sobretudo nas lojas comerciais.

Apesar da crise, continuamos afogados no consumismo. Mas se já há sinais de Natal no exterior, faltam sinais de Natal no interior.

É no interior que Cristo renasce para nós e que nós renascemos para Ele.

Será Natal todos os dias quando, em cada dia, deixarmos que o amor de Jesus aconteça em nós. E, por nós, contagie a humanidade!

publicado por Theosfera às 23:36

O poder não devia ser exercido pelos poderosos, mas pelos humildes, pelos pobres, pelos homens de paz.

O poder devia ser entregue a quem revelasse maior pudor diante dele. Deixar-se seduzir pelo poder é muito perigoso. Leva, quase sempre, à ambição de eternização no poder. O poder deve ser transitório, humilde, pudico, pacificante.

Já S. Clemente exortava as autoridades «a exercer o poder que Deus lhes concedeu na paz e na mansidão com piedade».

Que actualidade recobra, hoje, esta admoestação!

publicado por Theosfera às 09:35

 

Ter pouco dinheiro arrasta grandes problemas. Mas ter muito dinheiro não arrastará problemas menores.

John Kenneth Galbrait afirmou que «ser banqueiro é uma carreira da qual ninguém se restabelece completamente».

Não sei. Mas entendo!

 

publicado por Theosfera às 09:26

Hoje, 17 de Novembro, é dia de Sta. Isabel da Hungria, Sta. Filipa Duchesne, Sto. Aniano, Sta. Hilda, S. Gregório de Tours e S. Hugo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:05

Domingo, 16 de Novembro de 2014

Dizem que o mundo está a encolher. Tornou-se uma aldeia, a aldeia global.

Mas nesta pequena aldeia em que se transformou o grande mundo, não basta falar uma língua. Será que basta usar uma linguagem?

A linguagem dos lábios é coisa pouca. Mesmo que todos nos entendamos, nem sempre nos compreendemos.

A linguagem do silêncio, sensível à epifania do gesto, é cada vez mais eloquente! 

publicado por Theosfera às 21:34

O que decide o nosso destino final não é o mero saber. É sobretudo o saber fazer e, mais concretamente, o saber amar.

É por isso que, na pauta para o juízo final, Jesus propõe, como critério supremo, não o amor da ciência, mas a ciência do amor.

A ciência do amor tem o nome de misericórdia.

Segundo Sto. Agostinho, os saudados como «benditos de Meu Pai» são os que usam de misericórdia. Os outros são os que não usam de misericórdia.

A misericórdia é um exercício de amor, mas é igualmente um acto de lucidez. Ela ajuda-nos a perceber que o que repartimos não é nosso; é de Deus.

Se tudo é dom, então importa perceber que damos do que (nos) foi dado.

O referido Sto. Agostinho pergunta a cada um de nós: «De quem é o que dás senão d'Ele? Se desses do que era teu, seria liberalidade, mas porque dás do que é d'Ele, é uma restituição».

É que Deus está no homem, especialmente nos mais pequenos. Tudo o que for feito aos mais pequenos, é feito ao próprio Deus (cf. Mt 25, 40).

Toda a dádiva é, pois, uma restituição.

Afinal, nada é nosso. Tudo é de Deus.

O que passa por nós não deve estacionar (apenas) em nós!

publicado por Theosfera às 21:01

  1. A felicidade é tão bela que parece que acaba depressa. Célebre é a poética confissão de Vinicius de Moraes: «Tristeza não tem fim, felicidade sim».

André Gide propõe uma explicação: «Nada impede mais a felicidade do que a lembrança da felicidade». Parece que a felicidade já foi ou será. Parece que a felicidade mora no passado. Parece que a felicidade está à nossa espera no futuro.

 

  1. O problema é que, entre o passado e o futuro, vamos acumulando eflúvios de infelicidade em cada presente. Talvez porque esperamos demasiado das pessoas e da vida.

A felicidade, aparentemente, nem sempre visita as melhores pessoas. Estas, por vezes, são as que sofrem mais. Mas serão infelizes? Às vezes, a maior felicidade escorre mais pelas lágrimas do que pelo riso.

 

  1. Fazer o bem, mesmo sem ser compensado, pode doer, mas não impede de vencer.

Eu acredito na felicidade em forma de dádiva. Eu creio na felicidade dos que sofrem, dos que dão, dos que se esquecem de si. São os mais felizes. Os únicos felizes. Ainda que o não pareçam.

 

  1. A qualidade não está apenas na perfeição. Está também — e bastante — na empatia.

Dizia Bento Galdós: «As obras mais perfeitas são as que mais incitam, pela sua facilidade aparente, à imitação».

 

  1. Jesus, o Mestre dos mestres, era compreendido por todos, mesmo por aqueles que O increpavam. E continua a ser seguido por muitos.

O que Jesus disse é difícil de cumprir, mas é fácil de compreender. Se os simples entendem, toda a gente compreende.

 

  1. Tempos estranhos, estes. Vivemos uma época de penúria e, ao mesmo tempo, de desperdício.

Catão avisa: «Compra não o que consideras oportuno, mas o que te falta; o supérfluo é caro, mesmo que custe apenas um soldo». O supérfluo de alguns é o essencial para muitos. O que nos sobra não é nosso. É de quem precisa!

 

  1. Governar é uma necessidade. Mandar é uma tentação. O serviço fica obscurecido. A autoridade degenera facilmente em autoritarismo.

Daí a pertinência do conselho de Inácio Dantas: «Se você tiver cargo de chefia, seja respeitoso e dê ordens amistosas. Com isso será obedecido como amigo e respeitado como chefe».

 

  1. Já Hegel notara que quem mais traz a palavra «povo» nos lábios nem sempre é quem mais se preocupa com a situação do povo.

Quando é necessário reclamar alguma coisa com as palavras é porque essa mesma coisa não sobressai na vida. Gandhi disse tudo a este respeito: «Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas, e as que dizem que fizeram as coisas. Tente ficar no primeiro tipo. Há menos competição». E muito mais autenticidade.

 

  1. A democracia não é tudo, mas é essencial para tudo. Os problemas do seu funcionamento não põem em causa a justeza dos seus fundamentos.

Para Einstein, a democracia corporizava o ideal «para que todo o homem seja respeitado e nenhum seja idolatrado». Ninguém é mais que ninguém. Ninguém é menos que ninguém.

 

  1. «Nenhum jovem acredita que um dia morrerá». William Hazlit teve uma percepção subtil.

Quando somos novos, só olhamos para a frente. Não olhamos para o fim. Acontece que o fim também está à (nossa) frente!

 

publicado por Theosfera às 20:42

Cada coisa é mais do que essa coisa.

Em cada palavra encontramos mais do que o seu significado imediato. Viver é de facto ultrapassar-se.

A interpretação é não só uma ciência. Pode ser também uma sensibilidade, uma arte. Há quem consiga extrair de um texto muito mais do que lá se encontra. Ou, para ser mais preciso, muito mais do que muitos lá encontram.

O primeiro livro da Bíblia assinala que «Deus criou o homem e a mulher»(Gén 1, 27).

Um autor desconhecido do século II entende que «o homem é Cristo» e «a mulher é a Igreja».

Como acontece em toda a relação esponsal, também aqui os dois são uma só carne.

A Igreja é formada pela carne do próprio Cristo.

Cristo está sempre a desposar a Igreja. E nunca lhe falta com a Sua permanente fidelidade!

publicado por Theosfera às 20:16

A. Deus confia tudo em nós

  1. Quem tudo arrisca perder, acaba por tudo ganhar. Quem nada arrisca perder, acaba por tudo desperdiçar. Assim se poderia compendiar o Evangelho que, agora mesmo, foi proclamado. Duas atitudes estão em confronto: ousadia e receio, generosidade e egoísmo, disponibilidade para apostar o máximo e resistência a arriscar o mínimo. Quem tudo arrisca, mantém o que tinha e ainda dobra o que possuía. Já quem nada arrisca, acaba por nada conseguir. Não consegue acrescentar e não consegue sequer conservar.

Na vida, nem sempre é este o desfecho. Às vezes, o calculismo compensa. Mas para Deus, é sempre este o resultado. Só recebe quem dá, quem se dá. Deus está do lado de quem aposta tudo e premeia quem arrisca sempre. Jesus tanto elogia o que obteve dois como o que alcançou cinco. Só censurou o que enterrou um. Jesus não exige que consigamos muito; o que Ele quer é que demos tudo, é que nos demos totalmente.

  1. Quando se passeiam por este texto, os nossos olhos fixam-se logo nos talentos. O talento começou por ser uma unidade de peso, usada sobretudo para medir metais preciosos. Por exemplo, na Babilónia, um talento equivalia a 60 quilos. Com o passar do tempo, o valor baixou, situando-se entre 35 e 26 quilos. Mesmo assim, um talento equivalia a 6000 denários. Se pensarmos que o denário era o salário de um dia de trabalho, então concluiremos que um talento — ou seja, 6000 denários — era o equivalente a uma vida inteira de trabalho.

Eis, portanto, o que Deus nos entrega, o que Deus deposita nas nossas mãos. Deus é, sem dúvida, muito pródigo e infinitamente generoso para connosco. Se um único talento equivale a uma vida de trabalho, cinco talentos corresponderão a cinco vidas de actividade. Trata-se, portanto, de um imenso dom, vindo de Deus, e que antecede sempre a nossa acção. Antes da nossa acção está o Deus do dom e o dom de Deus. Deus aposta tanto em nós, Deus confia tudo em nós!

 

B. O que rende não é ir ao Continente

 

3. Jesus não valoriza tanto o resultado como o esforço. O importante é o esforço, a dedicação. Aquilo que Deus nos entrega não é para conservar, mas para repartir. Neste caso, Deus não quer que sejamos conservadores, mas ousados. Temos de ser conservadores em guardar a fé, mas nunca podemos ser conservadores para nos resguardarmos na transmissão da fé. O que Ele nos deu é para ser dado, o que Ele nos doou é para ser doado. O que Ele nos ofereceu não é nosso nem é só para nós. O que Ele nos entregou é para todos.

Acontece que — sublime paradoxo — quanto mais damos, mais recebemos. Trata-se de uma situação em que a divisão anda de mãos dadas com a multiplicação. Quanto mais se divide o que nos foi entregue, mais se multiplica o que nos foi dado. Dir-se-ia que o que rende não é só ir ao Continente; o que verdadeiramente rende é levar o Evangelho às pessoas de todos os continentes! Num lado, o que rende é o consumo e o consequente lucro. Noutro lado, o que rende é a missão e, nessa medida, a felicidade. O consumo até poderá ser reduzido. Mas a fruição será sempre saborosa e muito gratificante. Nada, de facto, é tão gratificante como ajudar a (re)encontrar um sentido para vida.

 

  1. Os dois primeiros servos descritos na parábola não perderam tempo. Partiram logo (cf. Mt 25,15.17). Na missão, não podemos perder tempo. S. Paulo lembra-nos que o «dia do Senhor» chegará de surpresa. Ele diz até que «virá como o ladrão»(1 Tes 5, 2). Todos nós notamos que a vida é breve e o tempo é veloz. No início, o tempo parece que não anda. Depois, notamos que o tempo passa. De seguida, verificamos que o tempo (es)corre. Finalmente, vamos percebendo que o tempo voa. Não podemos ficar à espera da ocasião mais oportuna. É preciso agir — e insistir na acção — mesmo quando parecer inoportuno (cf. 2Tim 4, 2).

A missão não pode esperar, pelo que não nos podemos atrasar. Jesus tem palavras de elogio para quem não se atrasou, para quem não se preocupou com conservar (cf. Mt 25,20.22). Na missão, um cristão não pode ser conservador. Jesus inaugurou um movimento de transformação e legou-nos uma mensagem de mudança. Ele não veio para que tudo fique na mesma. Ele veio — e continua a vir — para que tudo seja diferente, para que tudo possa ser melhor. Eis uma tarefa que está muito longe de ser dada por concluída. Não podemos, pois, estacionar no já dito ou insistir no já conseguido.

 

C. Deus é (muito) mais forte que o medo

 

5. O que Deus nos confiou não é para Lhe ser devolvido no mesmo estado; é para Lhe ser entregue depois de ser partilhado. É verdade que as dificuldades são muitas e os obstáculos parecem infindáveis. O terreno não é facilmente arável e, por vezes, dá sinais de estar minado ou envenenado. Mas há que não desistir. O importante é tentar.

Jesus não repreende o terceiro servo por não conseguido, mas por não ter tentado. Deus não quer que Lhe devolvamos o que nos entregou num estado intacto. Ele até gostará de ver as nossas mãos sujas por termos ido para os terrenos mais enlameados.

 

  1. Às vezes, não tão poucas vezes assim, assemelhamo-nos a este terceiro servo. Convocamos pretextos e alinhamos desculpas. Mau sinal é quando as justificações prevalecem sobre a determinação. Não foi em vão que S. João Paulo II nos pediu para não termos medo. Ele sabia que o medo nos tolhe e nos aprisiona desde o princípio. Já Adão tinha medo de Deus e, por isso, escondia-se d’Ele (Gén 3,10).

O medo assenta num equívoco. Quer Adão, quer este terceiro servo têm uma falsa imagem de Deus, visto como alguém duro que nos policia e está sempre pronto a castigar-nos. Daí que fiquemos paralisados, adormecidos e amortecidos sem perceber que os dons de Deus são despertadores e motivadores. Se o medo está alojado em nós, o Deus que vence o medo também habita dentro de nós. E Deus é muito mais forte do que todos os medos juntos.

 

D. O pior defeito de um apóstolo

 

7. É natural que sintamos um certo medo. Como não ter medo num tempo como este? Mas não é impossível vencer o medo. Como observou Nelson Mandela, ter coragem não é não ter medo; é vencer o medo que se tem. E se tudo podemos em Cristo que nos dá força (cf. Fil 4, 13), como não haveríamos de, com Cristo, vencer o medo?

Os nossos tempos parecem ser medonhos e amedrontadores. Não podemos, porém, ficar afogados em todos estes medos. O cardeal Stephan Wyszynski alertou que «o pior defeito de um apóstolo é o medo. O medo incita a duvidar do Mestre e estrangula o coração e a garganta». Em relação ao medo, é certo que não podemos impedir que ele apareça. Mas podemos impedir que ele nos assalte e nos devore. Mike Horn aconselhava: «Não deixes que o medo seja o assassino dos teus sonhos». Medo é, pois, o que nunca pode ter o seguidor de Jesus Cristo.

 

  1. Aliás, o Evangelho que escutámos é redigido numa altura em que o medo começava a sobrevoar o ambiente entre os cristãos. Algumas divisões e a possibilidade de algumas perseguições desencadeavam algum desalento e não pouca desmotivação. Recorde-se que estávamos no final do século I, aí pela década de 80. Os cristãos, talvez já cansados de esperar a segunda vinda de Jesus, perderam muito do seu entusiasmo inicial. Era preciso, portanto, redespertar a fé, reaquecer o espírito e renovar o compromisso com o Evangelho.

No fundo, o que se insinua é que, ao contrário do que muitos pensavam, o fim dos tempos ainda está muito longe. Ainda falta muito tempo e sobretudo muita missão.

 

E. Não tenhamos medo

 

9. Viver em Cristo é ser ousado. É não deixar correr, é não desistir. Viver em Cristo é nunca começar a desistir e nunca desistir de começar. Na missão, é normal — e até desejável — que percamos alguma coisa. É bom, com efeito, que percamos calculismo, que percamos falsas seguranças, falsas certezas e falsas defesas. Kierkegaard percebeu tudo isto notavelmente: «Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se»! E, depois, só merece ganhar quem está disposto a perder. Já Clarice Lispector confidenciava: «Sinto necessidade de arriscar a minha vida. Só assim vale a pena viver»!

O caminho de Jesus é um caminho de ousadia, um caminho de risco. Jesus segura-nos e defende-nos, mas não nos ilude com falsas seguranças, com falsas certezas nem com falsas defesas.

 

  1. É preciso arriscar. Não tenhamos medo de ser diferentes. Não tenhamos medo de proclamar o que recebemos de Jesus: o Seu Evangelho, a Sua mensagem, a Sua doutrina. Não tenhamos medo, ainda que muitos nos tentem meter medo. Não tenhamos medo de levar Jesus a todos. Não tenhamos medo de rezar. Não tenhamos medo de ajoelhar. Não tenhamos medo de nos confessar. Não tenhamos medo de proclamar o Evangelho de Jesus e a doutrina da Igreja de Jesus. Não tenhamos medo de viver como cristãos. Não tenhamos medo da verdade e da justiça.

Hoje mesmo, 16 de Novembro, faz 25 anos que foram assassinados vários sacerdotes e religiosas em El Salvador pelo crime de, em nome de Jesus, estarem ao lado dos mais desfavorecidos e injustiçados. Mas são vidas assim aquelas a que nem a morte põe fim. Seria mais cómodo ficar quieto. Mas um cristão não é propriamente um quietista. Deus está ao lado dos que se inquietam, dos que inquietam. Guardemos, pois, o Evangelho, mas não nos resguardemos de arriscar tudo pelo Evangelho. Quando arriscamos podemos perder. Mas quando arriscamos tudo pelo Evangelho, nunca nos perderemos!

publicado por Theosfera às 14:43

Tudo sobe para cima.
Tudo caminha para o alto.
Tudo tende para o fim.

 

E, na verdade, o que importa é o fim,
o fim para o qual nos chamas.

 

Tu, Senhor, chamas-nos para a felicidade,
para a alegria, para a justiça, para a paz.

Tu, Senhor, chamas-nos para Ti.

A vida é cheia de sinais.
É importante estar atento a eles.
É fundamental deixarmo-nos guiar por eles.

 

Neste mundo, tudo passa.
Nesta vida, tudo corre.
Neste tempo, tudo avança.
Só a Tua Palavra permanece, Senhor.

 

Obrigado por nos reunires,
por nos congregares,
por nos juntares.

 

De toda a parte Tu chamas,
Tu convocas,
Tu reúnes.

Obrigado, Senhor, pela esperança
e pelo ânimo,
Pelo vigor e pela presença.

 

O importante não é saber a hora do fim.
O fundamental é estar pronto, preparado, disponível.

 

Para Ti, Senhor, o fim não é destruição nem dissolução.
ConTigo, Senhor, o fim é plenitude, realização, felicidade.

Em Ti já sabemos o que nos espera.

Tu, Senhor, és a esperança e a certeza da esperança.

Tu já abriste as portas.
Tu já inauguraste os tempos últimos, os tempos novos.

 

ConTigo nada envelhece.
Em Ti tudo se renova.
Renova sempre a nossa vida,
JESUS!

publicado por Theosfera às 10:34

É sabido que, nestes tempos ruidosos, é muito difícil ouvir.

Mas será que, nestes tempos sombrios, será fácil ver?

Olhar, ainda vamos olhando. Gostamos de olhar para quase tudo. Mas será que vemos verdadeiramente alguma coisa?

Para ver, não basta lançar os olhos. Para ver, é preciso depositar o olhar para captar o que chega aos olhos e se aloja na alma.

A pressa pressiona. A pressa de tudo olhar poderá levar-nos a nada (conseguir) ver!

publicado por Theosfera às 08:14

Há cemitérios para lá dos cemitérios.

Sei que é lúgubre falar disto num dia festa como é cada Domingo. Mas não podemos ignorar o que se passa.

Este ano, já morreram 397 pessoas nas estradas e 32 pessoas já foram assassinadas em casa.

A violência na condução e a violência na família dão que pensar. E penar!

publicado por Theosfera às 08:00

Faz hoje vinte e cinco anos que o reitor da Universidade Centro-Americana foi assassinado juntamente com outros colegas.

O Padre Ignacio Ellacuría foi um dos discípulos dilectos de Zubiri e o primeiro a fazer uma tese de doutoramento sobre a sua obra.

Deixando uma carreira descansada na Europa, foi para a América Latina pugnar pela justiça em nome do Evangelho.

Vidas assim sobrevivem. Mesmo depois da morte.

publicado por Theosfera às 03:43

Hoje, 16 de Novembro (33º Domingo do Tempo Comum), é dia de Nossa Senhora da Saúde, Sta. Margarida da Escócia, Sta. Gertrudes, S. Roque González, Sto. Afonso Rodríguez e S. João del Castillo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 15 de Novembro de 2014

Hoje, 15 de Novembro, é dia de Sto. Alberto Magno, Sta. Madalena Morano e Sta. Maria da Paixão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Não faltam paladinos da liberdade. Mas, pelos vistos, também não falta quem só goste da liberdade para si.

Ludwige Borne estabeleceu aqui a fractura entre o justo e o injusto: «Não há pessoa que não ame a liberdade, mas quem é justo exige-a para todos, quem é injusto, apenas para si mesmo»!

publicado por Theosfera às 09:57

«Quem minha Mãe beija, minha boca adoça».

A tantos que se tornaram presença no dia de ontem, o agradecimento dela e a eterna gratidão minha.

O que foi vertido a ela foi transmitido.

Que o bem que desejo para minha querida Mãe a todos se estenda.

E que a paz de Jesus nos irmane nesta caminhada pelo tempo.

Uma vez mais, muito obrigado!

publicado por Theosfera às 07:26

Grande no saber, na dedicação, na persistência, na fidelidade. Foi um professor marcante e um amigo inexcedível.

Falar com ele era um privilégio. Escutá-lo era uma lição. Permanente.

Nasceu há mais de cem anos. Partiu para o Pai há dez: a 14 de Novembro de 2004.

Mons. Agostinho de Almeida Alves é um nome que não se apaga, uma presença que jamais se ausenta.

publicado por Theosfera às 00:39

Hoje, 14 de Novembro, é dia de S. Nicolau de Tavelic, S. José de Pignatelli e S. Serapião.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Os maiores problemas da humanidade gravitam em torno da posse. As mais violentas disputas giram à volta da propriedade.

Mas, pensando bem, todos nós acabamos por laborar numa ilusão. Porquê tanta insistência no que é nosso se nem nós somos nossos?

Sto. Agostinho, que nasceu neste dia em 354, já perguntava: «Que coisa há mais tua que tu mesmo? E que coisa há menos tua que tu próprio?».

Por sua vez, S. Paulino de Nola (que nasceu um ano depois de Sto. Agostinho e morreu também um ano depois dele) questiona: «Que poderemos considerar como nosso se nós mesmos não somos nossos?»

Tudo seria tão diferente (e, sem dúvida, melhor) se, nos pequenos actos, pensássemos nas grandes questões!

publicado por Theosfera às 20:31

 

Entre uma doença física (legionella) e uma doença cívica (detenções), que sobra da informação desta noite, destes dias?

É certo que que, se está a acontecer, é preciso saber. Mas com tanta insistência?

Porque não se procura o que se está a fazer para combater as doenças físicas e cívicas?

Creio que a informação poderia ser bem mais pró-activa. Era bom que tomasse a iniciativa de perscrutar o que de bom vai acontecendo.

Não é sadio que a comunicação social se limite a ser um espelho da realidade. Não poderia ser um transformador da realidade?

Para termos alguma saúde mental, temos de mudar de canal, de jornal. Ou, então, desligar.

Não é estimulante. Mas pode ser cada vez imperioso!

 

publicado por Theosfera às 20:27

Há sempre uma mão que nos livra da queda.

Há sempre um colo que nos ampara na fraqueza.

Há sempre uma luz que nos mostra o caminho.

A minha Mãe Teresa foi o primeiro espelho da minha (nossa) Mãe Maria.

Pelo que vejo na minha Mãe, posso vislumbrar o que é a nossa Mãe.

Se até Deus quis ter Mãe, como não agradecer o dom da nossa Mãe?

Pode-se ter tudo, mas nada que se compare a uma Mãe.

Mãe é o que fica quando tudo parece passar.

Mãe nunca se reforma. Mãe nunca morre.

Mãe é sempre Mãe. Não só hoje, mas também hoje, obrigado, Mãe!

publicado por Theosfera às 00:06

Quisera compor-te um poema, o mais belo. Quisera obsequiar-te com uma flor, a mais deslumbrante. Quisera oferecer-te um presente, o melhor.

Mas como tudo isto é pouco para o que mereces, deixo-te o meu amor, a minha gratidão, a minha prece. Devolvo-te o meu coração, o coração que me deste, que moldaste.

Parabéns, querida Mãe, pelos teus 85 anos. Obrigado por permaneceres a meu lado. Preciso cada vez mais de ti. Sinto-te cada vez mais forte. E vejo-te sempre linda, sempre pura, sempre jovem, sempre tu, sempre Mãe!

 

publicado por Theosfera às 00:02

Hoje, 13 de Novembro (dia em que nasceu Sto. Agostinho, em 354), é dia de Sto. Estanislau Kostka, Sta. Agostinha Lívia Pietrantoni, S. Diogo de Alcalá, Sto. Homembom, Sto. Eugénio Bossinok e Sto. Artémis Zatti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Nem sempre a companhia apaga a solidão. Às vezes, a companhia agrava a solidão.

E é bem verdade que a solidão a um dói menos que a solidão a dois ou a dois mil.

Frequentemente, a multidão é o palco da mais dolorosa solidão.

Daí que muita gente se defenda. Solidão por solidão, antes aquela que cada um tem na companhia de si mesmo.

Mas o solipsismo existencial também não é solução.

Ainda creio ser possível reactivar o sentido luminoso do encontro entre as pessoas!

publicado por Theosfera às 13:37

A beleza salvará o mundo, dizia Dostoievsky.

Mas quer-me parecer que o mundo, hoje em dia, tem de salvar a beleza.

Dá a impressão de que deixamos de dar a devida atenção ao belo. E, às vezes, até a fealdade é erigida em padrão de beleza.

Kafka reconheceu que «quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece».

É preciso redescobrir a beleza onde ela está e não apenas onde ela parece estar.

É urgente resgatar a beleza que irrompe dos gestos de bondade!

publicado por Theosfera às 13:33

O factor demográfico justifica muito, mas não explica tudo.

É óbvio que, havendo menos população, tenderá a haver menos sacerdotes.

Acontece que já houve épocas em que, com uma população muito menor, havia um número de sacerdotes muito maior.

Actualmente, para uma população de 10 milhões de portugueses, existem menos de 3.000 sacerdotes.

No século XVIII, a população de Portugal era de 3 milhões e o número de sacerdotes ascendia a 200.000! 

Os tempos são outros, como é óbvio.

Mas o factor demográfico não é tudo. Ou seja, não é impossível ter mais sacerdotes a partir de uma população mais reduzida.

Há que não desistir de propor em nome d'Aquele que não desiste de chamar!

publicado por Theosfera às 13:26

  1. A Igreja nasceu pobre e nasceu para ser pobre. Pobre foi o seu Fundador. Pobre foi a maioria dos seus primeiros membros.

Será, porém, que, ao longo dos tempos, a Igreja tem conseguido ser pobre? Será que tem querido ser pobre?

 

  1. Em causa está uma Igreja pobre no sentido de posse moderada de bens.

E pobre no sentido de desapossamento dos bens.

 

  1. O perfil da Igreja dos começos não se distinguia pelo desejo de possuir, mas pela vontade de repartir o que possuía (cf. Act 4, 34).

A pobreza não era uma imposição. Era um imperativo. Ser pobre era, fundamentalmente, tornar-se pobre.

 

  1. Este foi o legado do Mestre. Este foi o testemunho dos que vieram depois do Mestre.

Jesus tornou-Se pobre «para nos enriquecer com a Sua pobreza»(1Cor 8, 9). Era por isso que, entre os cristãos, ninguém considerava seu o que possuía: «tinham tudo em comum»(Act 2, 44).

 

  1. No decurso de todos estes séculos, a pobreza subsistiu sempre como uma interpelação, como a medida alta da vida cristã.

Foram muitos os que perceberam que, em Cristo, Deus fez-Se homem e fez-Se homem pobre.

 

  1. Tão grande foi o apreço pela pobreza que ela chegou a ser alçada à categoria de ideal supremo.

O problema é que, não poucas vezes, foi um ideal pouco real, um ideal quase sem realidade.

 

  1. Houve momentos em que praticamente se atingiu a «quadratura do círculo».

Houve alturas em que, como anotou Kierkegaard, se fazia a apologia da pobreza no meio do luxo e da ostentação.

 

  1. Mais recentemente, entretanto, a Igreja foi dando conta de que, afinal, a riqueza só a empobrecia.

E, pelo contrário, era a pobreza que mais a enriquecia.

 

  1. Neste mês, faz 50 anos que houve um gesto com o maior significado.

Foi a 13 de Novembro de 1964 que Paulo VI depôs a célebre «tiara», símbolo do poder papal, no altar de S. Pedro.

 

  1. «A Igreja — explicou — deve ser pobre e deve aparecer [não parecer] pobre». É claro que se pode fazer muito bem com os bens. Mas a experiência mostra que a excessiva preocupação com os bens impede que com eles se faça o bem.

Não basta, pois, uma Igreja para os pobres. É urgente uma Igreja pobre. Como Jesus!

publicado por Theosfera às 10:00

Edward Schillebeeckx completaria, hoje, a pulcra idade de 100 anos já que nasceu a 12 de Novembro de 1914. Faleceu com 95 anos, em 2009. É possivel que o segredo da sua longevidade esteja na confissão que ele transportou para um dos seus últimos livros: Sou um teólogo feliz.

Nascido em Amberes (Bélgica), entrou para os dominicanos em 1934. Estudou Filosofia e Teologia em Lovaina, no Studium Generale dominicano de Saulchoir e na Sorbonne, onde foi aluno do célebre historiador da Teologia Pierre Dominique Chenu.

Em 1951 doutorou-se em Teologia. Depois do doutoramento com a monumental tese A Economia Sacramental da Salvação, publicada em 1952, ensinou Teologia no convento dos dominicanos de Lovaina e na Universidade de Nimega.

Conselheiro teológico do episcopado holandês, participou no Concílio Vaticano II de forma muito activa. É autor de uma vasta e muito original produção teológica, traduzida em muitas línguas.

Algumas das suas obras: A economia sacramental da salvação (1952); Maria, Mãe da redenção (1954); Cristo, sacramento do encontro com Deus (1958); Deus, futuro do Homem (1965); Mundo e Igreja (1966); Compreensão da fé: interpretação e crítica (1972); Jesus. Uma tentativa de cristologia (1974). Sou um teólogo feliz (1994) e História dos homens, relato de Deus (1995).

publicado por Theosfera às 00:18

Hoje, 12 de Novembro (23º aniversário do massacre de Santa Cruz, em Díli), é dia de S. Josafat de Kuncevicz, S. Teodoro Studita e S. Cristiano e companheiros calmadulenses.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 11 de Novembro de 2014

«A doença, dizia Pérsio Flaco, deve ser combatida ao nascer».

O problema é que, muitas vezes, só damos conta dela quando ela cresce.

O cinismo da doença é que ela surge discreta. Só os seus efeitos costumam ser ruidosos, dolorosos e, muitas vezes, irreversíveis.

Mas haja esperança!

publicado por Theosfera às 09:36

Muitas vezes, não somos o que somos. Acabamos por ser o que os outros fazem de nós.

As conotações sobrepõem-se, frequentemente, à realidade.

Ninguém escapa a esta tendência. Nem sequer os santos.

S. Martinho, celebrado neste dia, é associado às castanhas e ao vinho.

Mas ele é, sobretudo, o homem da solidariedade, da caridade, do amor. Não tanto do amor em forma de palavra. Mas da palavra em forma de amor. O amor é mesmo o maior discurso.

Eis, pois, alguém que soube captar exemplarmente o núcleo do Evangelho: a presença de Cristo no Irmão, no Irmão Pobre.

S. Martinho era pobre e humilde e é como pobre e humilde que entra no reino dos Céus.

publicado por Theosfera às 00:42

Martinho, pobre e humilde, entrou rico no Reino de Deus.

Eis o melhor que poderá ser dito a respeito de alguém.

Foi escrito por Sulpício Severo sobre S. Martinho.

É por isso que hoje há Verão.

Há Verão dentro do coração de quem se dispuser a fazer o mesmo que Martinho fez.

Quem ama e partilha faz destapar o sol da bondade, reaquecendo até os corações mais arrefecidos!

publicado por Theosfera às 00:37

Hoje, 11 de Novembro, é dia de S. Martinho de Tours e de S. Menas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:33

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Em rodapé às comemorações do dia de ontem, ficam imagens de alegria mas também de alguma ansiedade.

O futuro que se acendeu dá sinais de enfraquecer.

Foi belo aquele amanhecer. Mas há sombras que irrompem.

A liberdade não foi degolada, mas está sob ameaça.

Muitos dos que fizeram cair o muro já envelheceram. Mas os que semeiam escuridão também vão envelhecendo.

Creio no sopro luminoso de novas manhãs!

publicado por Theosfera às 09:47

O que ainda nos motiva, nestes dias cinzentos, é que a revolução pacífica não é impossível.

Até quando a ditadura é violenta, a paz consegue triunfar.

Os muros acabam por cair.

A força da persistência acaba por vencer a persistência da força!

publicado por Theosfera às 09:40

Não há dias iguais. Até os que parecem mais rotineiros e monótonos são diferentes.

Marcel Proust apercebeu-se: «Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem».

Nós somos sempre diferentes. De dia para dia, de instante para instante, vamo-nos transformando.

Pelo menos, temos mais tempo atrás de nós.

Que possamos ter muito tempo à nossa frente!

publicado por Theosfera às 09:33

Como em tudo na vida, o êxito na literatura nem sempre depende da qualidade.

Saramago, que sabia do que falava, anotou: «Às vezes, a literatura parece-se com uma operação da Bolsa. As cotizações sobem e descem e muitas vezes só dependem da promoção».

É a lei do mercado que desponta em todo o lado!

publicado por Theosfera às 09:30

Não começamos a nascer quando chegamos ao mundo.

Começamos a nascer quando encontramos um sentido para a nossa vida no mundo.

Também não morremos quando deixamos o mundo.

Começamos a morrer quando desistimos de encontrar um sentido para a nossa vida no mundo.

A este respeito, Goethe foi taxativo: «Uma vida inútil é apenas uma morte prematura».

Não queiramos morrer antes da morte!

publicado por Theosfera às 09:23

Nesta transição de Domingo para segunda-feira sobra talvez o eco da perplexidade que todos sentimos diante da atitude de Jesus.

Ele, que proclamou felizes os pacíficos (cf, Mt 5, 9), aparece-nos de chicote na mão (cf. Jo 2, 15).

Ele, que veio para reunir (cf. Jo 11, 52), surge-nos aqui a expulsar (cf. Jo 2, 15).

Não há contradição, porém. Jesus é coerente e coloca Deus acima de tudo (cf. Jo 2, 17).

Quando a verdade sobre Deus não é respeitada, Ele actua.

Como sabemos, Jesus promoveu a comunhão, mas nem sempre estimulou o consenso. E nunca fugiu do confronto.

A paz de Jesus não é o mesmo que tranquilidade. A paz de Jesus é obra da justiça.

É importante que tomemos a mensagem na totalidade. E que, como faziam os discípulos, acreditemos na Escritura e nas palavras de Jesus (cf. Jo 2, 22). Em todas!

publicado por Theosfera às 00:34

Quem vai à Casa de Deus deve levar Deus para sua casa.

Ou seja, para a sua vida!

publicado por Theosfera às 00:12

Faz hoje sete anos que Bento XVI deixou um apelo à Igreja que peregrina em Portugal. Fê-lo em tons de urgência: «É preciso mudar!». E não se esqueceu de concretizar o âmbito da mudança: a mentalidade e o estilo de organização.

 

Não podemos, pois, continuar na mesma. Há muito a fazer, muito a crescer, muito a rever, muito a alterar. Isto é bom, estimulante. Ninguém pode ficar de fora nem sentir-se à margem já que — adverte o Santo Padre — «todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja».

 

Impõe-se, neste sentido, envolver a totalidade dos membros, fortalecendo os que já estão integrados e indo ao encontro dos que ainda se sentem afastados.

 

A Igreja não pode temer a mudança. Esta encontra-se constitutivamente articulada com o princípio da identidade. A Igreja é divina e é humana. Por paradoxal que possa parecer, é necessário que ela mude para que, nela, resplandeça o que não muda.

 

Na Igreja, não muda a mensagem, mas tem de mudar a linguagem. Não muda o conteúdo, mas tem de mudar a forma. Não muda a prioridade, mas tem de mudar o método. Não muda a disponibilidade, mas tem de mudar a atitude. Neste caso, tem de aumentar a procura, a inquietação.

 

Com efeito, não há fé que não envolva uma procura (saudavelmente) inquietante. Lourdes Pintasilgo percebeu o essencial ao escrever: «A fé é a paz da permanente inquietação».

 

A incessante busca de Deus tem de provocar um incremento da busca do ser humano. Temos de acolher os que estão dentro e temos de ir ao encontro dos que estão fora. Também para eles Cristo veio. Também para eles Cristo não cessa de vir.

 

A Igreja tem de estar onde está Cristo. Cristo está todo em Deus e todo no Homem. É por isso que Cristo seduz, que Cristo atrai. E é por isso também que, como nos dá conta Martín Velasco, alguns ligam a novidade a Cristo e o envelhecimento à Igreja. Ou seja, enquanto Cristo Se renova na vida, a Igreja parece que envelhece no mundo.

 

Algo está mal quando a Igreja se distancia de Cristo. Acima de tudo, porque a identidade da Igreja é Cristo. Para S. Paulo e como nos lembrou Heinrich Schlier, a Igreja é Cristo no Seu (novo) corpo. Se as pessoas têm necessidade de procurar Cristo fora da Igreja é porque alguma coisa não está bem.

 

Urge, portanto, que a Igreja esteja sempre onde esteve/está Cristo: em Deus e no Homem. A espiritualidade e a caridade têm de despontar como a prioridade decisiva, inadiável.

 

Para isso, a Igreja deste novo tempo tem de ser, como alvitrava Ruiz de la Peña, mais orante, mais missionária e mais fraterna. Ou seja, tem de ser mais atenta, mais serva e mais pobre.

 

Jesus Cristo, além de falar de Deus, empenhou-Se em presencializar Deus. Sucede que, como advertia Karl Rahner, ainda somos uma Igreja terrivelmente deficitária em espiritualidade.

 

E tudo se ressente a partir deste défice inicial. Porque nos abrimos pouco à profundidade de Deus, abrimo-nos pouco também à profundidade do mundo. É preciso que a Igreja erga mais a voz para defender os explorados e para assumir a causa dos esquecidos. Precisamos de uma Igreja ao lado dos pobres, dos injustiçados.

 

Deus emerge dos escombros desta sociedade que clama por justiça. É aí que, como observou Fernando Urbina, podemos acolher «a grande voz silenciosa de Deus, esse rumor imenso de que fala S. João da Cruz».

 

Muitas vezes, é preciso sujar as mãos para manter limpo o coração.

publicado por Theosfera às 00:05

Hoje, 10 de Novembro, é dia de S. Leão Magno, Sto. André Avelino e Sta. Natalena.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 09 de Novembro de 2014

A. A Igreja não é uma federação, mas uma comunhão

  1. A Igreja santa é, ao mesmo tempo, única e múltipla. O facto de ser única não a impede de ser múltipla e o facto de ser múltipla não a impede de ser única. Sendo única, ela está presente em toda a parte e está sempre aberta a toda a gente. Por isso, ela é universal e local. Podemos dizer, com muitos teólogos, que pertencemos a uma Igreja de igrejas. Não se trata de uma federação de igrejas, mas da comunhão entre todas elas. Em cada Igreja, está presente toda a Igreja. Cada Igreja é uma realização da inteira Igreja de Cristo. E tendo em conta que a Eucaristia faz a Igreja, então a Eucaristia de cada Igreja torna presente a comunhão de toda a Igreja.

A mesma palavra — Igreja — serve para indicar esta presença simultaneamente universal e local. Tanto se diz «a Igreja» como se pode dizer «a Igreja de Jerusalém», «a Igreja de Corinto» ou «a Igreja de Lamego». Os apóstolos e seus sucessores constituíram a Igreja em toda a terra constituindo igrejas por todo o mundo.

 

  1. Em todas as dioceses, há, por assim dizer, uma sede da unidade. E, dentro dela, encontra-se a cadeira para aquele que, em nome de Cristo, garante a unidade: o Bispo. Tal cadeira tem o nome de cátedra. É por isso que a igreja-sede de uma diocese — com a respectiva cátedra do Bispo — é denominada sé catedral. ( vem de sede e catedral de cátedra). Cada diocese tem um dia para assinalar a dedicação da sua catedral.

Hoje, 09 de Novembro, é o dia da dedicação da catedral da diocese de Roma. Uma vez que o Bispo de Roma é o Papa, entende-se que a dedicação da sua catedral seja assinalada em toda a Igreja. É um sinal de comunhão com a Igreja de Roma e para com o seu Bispo, sucessor de Pedro. Como refere o Concílio Vaticano II, o Bispo de Roma é «o perpétuo e visível fundamento da unidade, não só dos bispos, mas também da multidão dos fiéis». Aliás, já no princípio, Sto. Inácio de Antioquia notava que a Igreja de Roma é aquela que «preside à comunhão universal da caridade». Não admira, portanto, que a sua catedral seja reconhecida como a «mãe de todas as igrejas».

 

B. A catedral do Papa como Bispo de Roma

 

3. Regra geral, estamos habituados a ver o Papa a presidir a grandes celebrações na Basílica de S. Pedro. Mas a igreja do Papa como Bispo de Roma é a Basílica de S. João de Latrão. «Latrão» vem de «Laterano», o nome da família proprietária do terreno e do palácio que o imperador Constantino doou ao Papa Melquíades.

Aí se construiu também uma igreja dedicada ao Santíssimo Salvador. A dedicação terá ocorrido por volta do ano 320. Mais tarde, já no século VII, S. Gregório Magno dedicou esta Basílica aos dois grandes santos com o nome João: S. João Baptista e S. João Evangelista. Entretanto, a origem da actual Basílica de S. João de Latrão remonta a 1646, no pontificando de Inocêncio X, que introduziu alterações que a deixaram com a configuração actual.

 

  1. Foi nesta igreja que se realizaram as sessões de cinco concílios ecuménicos: 1123, 1139, 1179, 1215 e 1517. Daí que eles sejam comummente conhecidos como «Concílios de Latrão» ou «Concílios Lateranenses». Alguns destes concílios abordaram temas muito importantes para a vida da Igreja. Por exemplo, o terceiro Concílio de Latrão, realizado em 1179, estabeleceu as normas para a eleição do Papa por dois terços dos cardeais presentes no conclave. O quarto Concílio de Latrão, ocorrido em 1215, definiu a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus.

Por conseguinte, não espanta que 21 papas lá estejam sepultados. O último pontífice a ser tumulado na Basílica de S. João de Latrão foi o Papa Leão XIII, falecido em 1903.

 

C. A dedicação é uma consagração

 

5. A dedicação de uma igreja é, essencialmente, um acto de consagração. Até ao século III, os cristãos reuniam-se nas suas próprias casas, utilizando a sala mais espaçosa para as celebrações. Alguns desses locais de culto são mencionados no Novo Testamento. Nos Actos dos Apóstolos (20, 7-11), conta-se que S. Paulo presidiu ao culto num terceiro andar, adornado com muitas lâmpadas. Também é tradição certa que S. Pedro se hospedava em Roma em casa do senador Pudente. Ali se juntavam os cristãos para ouvir as suas instruções e receber a Sagrada Eucaristia.

Ao longo do século III, estes aposentos foram crescendo em importância separando-se paulatinamente das outras partes do edifício. A Casa da Igreja (Domus Ecclesiæ) transforma-se assim em Casa de Deus (Domus Dei).

 

  1. Quando, a partir do século IV, os cristãos passaram a construir as suas igrejas de raiz, foram-nas consagrando solenemente, com ritos e textos que se foram desenvolvendo ao longo dos séculos. Foram surgindo também festas anuais, para assinalar a dedicação das igrejas mais significativas.

Ainda hoje se recomenda que as igrejas sejam dedicadas, sobretudo as catedrais e paroquiais. As outras devem ser, pelo menos, benzidas. Os traços característicos da dedicação das igrejas, após a entrada solene com aspersão e a proclamação da Palavra, são as ladainhas, a oração consecratória, a unção do altar e das paredes, a sua incensação e iluminação e, sobretudo, a celebração da Eucaristia. O altar e a igreja só se dedicam a Deus. Mas também podem ser titulares de uma igreja a Virgem ou os Santos, embora as suas imagens não devam estar sobre o altar.

 

D. Da igreja feita de pedras à Igreja feita de pedras vivas

 

7. Tudo isto significa que a igreja é a Casa de Deus, a Casa para Deus e a Casa onde o centro é Deus. Ele é o Santo, o Santíssimo. É por isso que, ao entrar numa igreja, não nos devemos logo sentar. A primeira coisa a fazer deve ser ajoelhar diante do sacrário e adorar o Santíssimo Sacramento. Só depois é que se poderá venerar a imagem de Maria e dos Santos. Infelizmente, porém, vê-se muita gente que passa pelo altar sem o menor sinal de reverência apressando-se a ir para junto das imagens de Nossa Senhora e dos Santos. Não é por mal, mas não está bem. O bem é fazer o que deve ser feito. E, aliás, é isso o que mais agrada a Nossa Senhora e aos Santos.

No texto que acabamos de escutar, vemos como Jesus ficou profundamente enfurecido quando viu que estavam a alterar a finalidade da Casa de Deus. O autor sagrado informa mesmo que Jesus fez um chicote de cordas (cf. Jo 2, 15), tal era a indignação que sentia. E embora não se diga que tenha atingido alguém com tal chicote, não há dúvida de que empregou a máxima força e determinação. Ele não podia aceitar que se transformasse a Casa de Deus numa Casa de Comércio (cf. Jo 2, 16).

 

  1. Aquele Templo é imagem do novo e definitivo Templo que é o próprio Jesus (cf. Jo 2, 19-21). Cada templo é figura do templo que deve ser o discípulo de Jesus. Com efeito, S. Paulo recorda-nos que nós, cristãos, somos «templo de Deus»(1Cor 3, 16). O templo feito de pedras evoca o templo feito de pedras vivas que somos todos nós. A atitude que devemos ter no templo é a atitude que devemos ter para com Deus, para connosco e para com os outros. Poderá essa atitude ser outra coisa que não seja respeito?

Hoje, há a tendência para cada um pensar primordialmente em si e no que é seu, esquecendo os outros e o que é dos outros. Quem entra numa igreja deve pensar na finalidade do lugar que está a pisar. Não deve preocupar-se com os seus interesses, mas com o significado do espaço em que se encontra. Em linha com o exemplo de Jesus, não podemos consentir que se transforme a Casa de Deus numa Casa de Conversa, numa Casa de Eventos ou então numa Praça, num Estádio ou numa Esplanada. É importante respeitar — e fazer respeitar — a Casa de Deus como ela é. A Igreja é para todos, mas não é para tudo. Qualquer um é bem-vindo, mas não para fazer qualquer coisa.

 

E. Devemos estar santamente no lugar santo

 

9. A Casa de Deus não é um destino turístico nem um simples monumento. Os turistas podem vir, desde que compreendam que a Casa de Deus é para fazer experiência de Deus. Quem não pretende fazer tal experiência não pode perturbar quem a deseja realizar. Em síntese, não podemos estar na Casa de Deus como estamos em casa e na rua. A Casa de Deus é diferente, «o templo de Deus é santo». Nele, devemos estar santamente, até para aprendermos a estar santamente na vida. Aliás, profano nem sequer é o contrário de sagrado, mas o que está diante do sagrado. Mesmo na rua, devemos respeitar o carácter sagrado de Deus, o carácter sagrado da pessoa humana e, nessa medida, o carácter sagrado da vida humana.

Temos obrigação de saber que um dos valores fundamentais da convivência é o respeito. Deste respeito não hão-de ficar fora o espaço sagrado e os actos sagrados. Quem tem fé compreenderá com facilidade e quem não tem fé também perceberá sem dificuldade.

 

  1. Sucede que, nos últimos tempos, chega-se a uma igreja e o que avulta é o ruído. A vontade de conversar sobrepõe-se ao direito de meditar. Parece que se pode falar com todos menos com Deus. Parece que se ouve toda a gente, menos a voz de Deus. Isto colide frontalmente com a natureza do lugar e das celebrações que nele decorrem. Não raramente, prevalece a impressão de que a igreja é para tudo, excepto para aquilo que ela existe: rezar. Até parece que o incorrecto tem mais espaço que o correcto. E que o errado encontra maior acolhimento que o certo. Aliás, quem é apontado como estando errado acaba por ser quem tenta corrigir o erro. Apesar de tudo, creio não ser impossível restituir a dignidade aos lugares e a beleza às celebrações para glória de Deus e bem-estar de todos.

Termino com uma sugestão muito concreta. Quando entrarmos numa igreja, olhemos para a frente e olhemos para dentro. Procuremos sentir que Deus está à nossa frente e que Deus Se encontra dentro de nós. Nessa altura, fechemos os lábios e fechemos os olhos. Haveremos de notar que Deus nos vê e nos fala. Deixemo-nos envolver pelo Seu amor. E habitar pela Sua infinita paz!

 

publicado por Theosfera às 13:55

É tanto o que dás, Senhor.

Tudo em Ti é dom, tudo em Ti é dádiva.

 

Tu dás o Pão, Tu dás a Palavra.

Tu és o Pão, Tu és a Palavra,

Pão que alimenta, Palavra que salva.

 

Tu apontas como exemplo uma pobre viúva.

Deu pouco, mas o pouco que tinha era muito, era tudo.

 

Assim és Tu para nós, assim queres Tu de nós.

O que queres não é que demos pouco, não é que demos muito,

mas que demos tudo.

 

Há muita gente que só olha para os grandes.

Mas são os mais pequenos que têm os gestos grandes,

os gestos maiores, os gestos de maior generosidade.

 

Ensina-nos, Senhor, a dividir

e ajuda-nos a saber multiplicar.

 

Afasta de nós todo o fingimento,

toda a duplicidade.

 

Ajuda-nos a sermos autênticos, sinceros, inteiros.

Faz de nós pessoas transparentes e serviçais.

 

Que não olhemos para as aparências nem para a posição social.

Que só queiramos fazer o bem e dizer a verdade.

 

Ajuda-nos a emoldurar a fé com o amor

pois só o amor é digno de fé.

 

Que não disputemos os primeiros lugares

e que saibamos abrir os lugares para os outros.

 

Que não queiramos tudo só para nós.

Que saibamos repartir com quem se aproxima de nós.

 

Que não queiramos convencer com as palavras dos lábios

e que apostemos sobretudo no testemunho de vida.

 

Que não queiramos ser os melhores.

Que aprendamos a dar o nosso melhor.

 

Que tudo em nós não seja só para nós.

Que tudo em nós seja para os outros.

Como os pobres do Evangelho.

Como Tu, JESUS!

publicado por Theosfera às 11:12

1. Parece que foi ontem e já vai fazer vinte e cinco anos. O muro que se afigurava inderrubável afinal desmoronou-se.

 

O poder da vontade finalmente levou a melhor sobre a vontade de poder.

 

Naquele dia 9 de Novembro de 1989, sentimo-nos todos, uma vez mais, berlinenses.

 

Não era apenas um povo, o alemão, que se reunificava. Eram civilizações, desavindas, que se reaproximavam. Eram sonhos, distantes, que se materializavam.

 

O futuro estava ali. Tinha-nos visitado e mostrara vontade de ficar. Se o fim da História é a reconciliação e a paz, a História dava a impressão de ter encontrado o seu fim: o seu fim sonhado, o seu fim chorado, o seu fim sofrido, o seu fim conseguido e celebrado…

 

Mas, ao contrário do que pensavam muitos como Francis Fukuyama, o fim da História não se decreta em momentos de deslumbramento.

 

Depressa nos apercebemos de que a queda do muro constituiu uma realidade que não foi totalmente integrada e um sinal que não foi plenamente acolhido.

 

O muro caiu no exterior. Mas rapidamente outros muros se ergueram no interior: no interior da humanidade, no interior dos povos, no interior das comunidades, no interior das famílias, no interior das pessoas.

 

O adversário, quiçá o inimigo, já não é apenas o outro país. É, muitas vezes, a outra pessoa.

 

Se repararmos, os noticiários inundam-nos tanto com a pequena criminalidade como com os grandes conflitos.

 

O homicídio do vizinho (e, não raramente, do próprio familiar) ocupa tanto espaço como os ataques no Iraque ou os atentados no Paquistão.

 

 

2. O mundo está diferente e, por estranho que pareça, está também mais indiferente.

 

Há um muro crescente — e cada vez menos invisível — entre as pessoas, entre cada pessoa e o resto da sociedade, entre cada pessoa e o resto da humanidade.

 

Que elos de ligação subsistem? Que projectos comuns se mantêm?

 

Sem nos apercebermos, fomo-nos habituando a olhar para o outro como aquele que nos pode passar à frente na escola, como aquele que pode ficar com o nosso emprego, como aquele que pode remover-nos do nosso lugar, da nossa posição.

 

Como escreve Daniel Innerarity, «o estudo da sociedade dá-nos, hoje, a imagem de um campo desestruturado».

 

A sociedade está a deixar de ser uma agregação de pessoas que interagem para passar a ser, cada vez mais, uma federação de interesses que conflituam e, inevitavelmente, colidem.

 

O que há de comum não é um pensamento, um projecto ou um ideal, mas a exclusão, o risco e a simulação. Para Daniel Innerarity, «a centralidade destas dimensões ainda não converteu a sociedade numa coisa irreal, embora o pareça, mas impõe-nos a necessidade de modificar o nosso conceito de realidade».

 

 

3. Mudar sempre foi uma necessidade e impõe-se, crescentemente, como uma urgência.

 

Também este mês faz sete anos que o Papa Bento XVI alertou para esta prioridade.

 

«É preciso mudar!» Foram as palavras que saíram dos lábios do Santo Padre no dia 10 de Novembro de 2007.

 

O desígnio da mudança é transportado pela Igreja de Cristo desde sempre. Não se trata só de reconhecer a mudança. Trata-se, acima de tudo, de corporizar e de oferecer a mudança.

 

A Igreja não pode limitar-se a analisar as mudanças que se operam na realidade do mundo. Ela mesma tem de ser uma proposta de mudança dentro dessa mesma realidade.

 

4. Causa perplexidade verificar que, em Igreja, há quem prefira as mudanças operadas na realidade à mudança trazida pelo Evangelho.

 

Existe uma espécie de resignação perante as mudanças em curso no mundo e uma resistência à mudança proporcionada por Cristo.

 

Só que, ao invés do que se possa julgar, não é assim que melhor se serve as pessoas.

 

O mundo espera da Igreja algo diferente porque sente que a Igreja é portadora de uma diferença. Para dizer o que toda a gente diz e fazer o que toda a gente faz não é preciso haver Igreja.

 

Sucede que, na própria Igreja, se erguem muros. Nem o Papa está livre. Tantas vezes ele é aplaudido. Mas quantas vezes será seguido?
publicado por Theosfera às 10:00

Não há dúvida.

É imperioso estar atento às questões de hoje. Mas é preciso perceber que as questões reclamam respostas.

Quem formula as questões espera uma resposta.

Não basta ser eco do perguntar. É fundamental oferecer um horizonte para responder.

E algo se vai impondo à medida que o tempo passa e a inquietação cresce

As perguntas de hoje tornam cada vez mais pertinentes as respostas de sempre.

Os nossos tempos acalentam uma grande saudade do perene. E transportam uma enorme paixão pelo eterno!

publicado por Theosfera às 08:14

É outro dia. É bom que sejamos outros em cada dia.

Não é o dia que é melhor. Nós é que devemos ser melhores em cada dia.

Saramago apercebeu-se: «Nenhum dia é festivo por já ter nascido assim: seria igualzinho aos outros se não fôssemos nós a fazê-lo diferente».

Seja diferente. Faça diferente este dia!

publicado por Theosfera às 08:06

Hoje, 09 de Novembro, é dia da Dedicação da Basílica de S. João de Latrão (sé catedral do Papa enquanto Bispo de Roma), S. Teodoro e S. Luís Morbióli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 08 de Novembro de 2014

A mentira serve o interesse. Só a verdade serve para a vida.

A opção é clara. Há quem opte pela mentira porque está devorado pelos interesses.

Marguerite Yourcenar confessou: «Nunca temperei a verdade com o condimento da mentira para a tornar mais digerível».

A mentira pode ser sedutora. Mas acaba sempre por ser trituradora.

Nem sequer poupa quem a usa!

publicado por Theosfera às 11:47

Eis o padrão de sucesso segundo Dale Carnegie: «Sucesso é conseguir o que se quer e felicidade é gostar do que se conseguiu».

Muito difícil é conseguir o que se quer. E ainda mais complicado é gostar do que se consegue.

O ser humano vive mesmo atravessado por vendavais de complexidade!

publicado por Theosfera às 11:41

Hoje, dia 8 de Novembro, faz 706 anos que morreu o grande João Duns Escoto, o Doutor Subtil e o Doutor Mariano.

 

João Paulo II considerou-o (juntamente com Adolfo Kolping) como uma das duas torres espirituais da catedral de Colónia (onde está sepultado).

 

O seu pensamento teológico gira em torno de duas grandes afirmações bíblicas: «Eu sou aquele que sou» (Ex 3, 14) e «Deus é amor» (1Jo 4, 8.16).

 

No fundo, para ele, Deus é a suma verdade e a suma bondade. Reconhecer isto é, sem dúvida, conhecer tudo.

publicado por Theosfera às 05:41

Nunca pensemos que está tudo perdido. Até porque, de facto, não está.

Apesar de tudo, há muita coisa maravilhosa a acontecer debaixo do sol.

E nunca percamos de vista que, como lembrava o magno Karl Rahner, «a história da salvação acontece na história do mundo».

João Duns Escoto (faz bem recordá-lo no 706º do seu falecimento) entendia que, «no desenvolvimento da História, cresce sempre a manifestação da verdade».

Por isso é que se tornou um pensador que, vindo do passado, nos põe em tensão face ao futuro. É um verdadeiro promotor da esperança.

publicado por Theosfera às 05:35

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publicado por Theosfera às 00:22

Afinal, é sempre Natal.jpg

... e porque, afinal, é sempre Natal!

publicado por Theosfera às 00:13

Hoje, 08 de Novembro, é dia de S. Carpo, S. Papilo, Sta. Agatónica, Sta. Isabel da Trindade e S. João Duns Escoto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 07 de Novembro de 2014

Hoje em dia, há muito ver e ouvir. Mas há pouco reparar e escutar.

Quase todas as conversas seguem este (estafado) rumo. Depois de um apressado «tá tudo bem?» (já nem tempo parece haver para dizer «está»), lá aparecem as duas inevitáveis perguntas: «já viste isto?» ou «já ouviste a última do... ou da...?»

Acontece que tudo isto é muito fugidio.

Mal reparamos no que vemos. E quase não escutamos o que ouvimos.

E, já agora, praticamente ninguém pergunta: «já leste este livro ou aquele artigo?»

Mas é importante ler: ler o livro e ler a vida!

publicado por Theosfera às 18:59

Mau tempo é quando chove?

Depende. A chuva também é boa, também é necessária.

Boa memória é a que se lembra de tudo?

Também depende. António Lobo Antunes assume: «Tenho uma memória péssima, lembro-me de tudo».

Nem sempre será boa a memória que tudo memoriza.

De facto, grande alívio seria que muita coisa ficasse arrumada na prateleira do esquecimento!

publicado por Theosfera às 10:26

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