O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 09 de Setembro de 2014

Penso muito na situação dos idosos. E dói-me ver o modo como muitos são olhados e tratados.

Distantes parecem ser os tempos de Cícero (e não só), em que a antiguidade era, verdadeiramente, um posto.

Chateaubriand já deu conta nos idos de Novecentos: «Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, é um peso».

Parece-me, porém, que não é só a velhice que é um peso; é a pessoa, é o outro.

Estamos muito «ego-sentados». Urge sair de nós!

publicado por Theosfera às 10:42

Educação.

Eis algo de que muito se fala e que, infelizmente, pouco se vê. Karl Kraus já se lamentava: «Educação é aquilo que a maior parte das pessoas recebe, muitos transmitem e poucos possuem».

Não falo na etiqueta nem nos salamaleques.

Neste momento, nem penso em grandes máximos. Limitar-me-ia até a falar da educação pela negativa.

A educação inclui muita coisa. Mas o que não inclui certamente é a falta de respeito, a humilhação dos outros, a linguagem ofensiva e desbragada.

O povo simples pode não ser muito culto nem demasiado polido, mas é educado. 

Aprendamos com os simples. E nunca humilhemos os humildes.

publicado por Theosfera às 10:35

Hoje, 09 de Setembro, é dia de S. Pedro Claver, S. Tiago Laval e Sta. Serafina.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:50

Segunda-feira, 08 de Setembro de 2014

Hoje é dia de Natal. É dia do Natal da Mãe. É o começo do Natal do Filho. É o prenúncio do Natal para todos nós, Seus filhos. Feliz Natal, então, para vós. Para cada um de vós. Para todos vós.

A Eucaristia é o permanente advento e o eterno Natal. É um sacramento trinitário. É um sacramento cristológico. É um sacramento pascal. É um sacramento eclesial. E é também um sacramento mariano.

Em Belém, Maria foi berço. Na Eucaristia, Maria é sacrário. Em Belém e na Eucaristia, Maria é dádiva, Maria é dom. Em Belém e na Eucaristia, Maria dá-nos o Seu Filho. Maria é toda de Deus. E por isso aqui vindes ao Seu encontro. Maria é toda vossa. E por isso Ela aqui vem ao vosso encontro.

Ao longo de nove dias, aqui estivemos, manhã cedo, a rezar, a cantar, a louvar, a pedir, a chorar. Procurámos preparar não só a festa deste dia, mas também ganhar forças para a vivência de cada dia.

Desta vez, fizemos uma viagem pelos Dez Mandamentos: «Com Maria, um mandamento por dia». A Lei Nova, inaugurada em Jesus, não constitui a anulação da Lei Antiga, coroada e plenitudizada por Jesus. Daí que o Concílio diga que nos salvamos por três vias: pela Fé, pelo Baptismo e pelos Dez Mandamentos!

De ano para ano sentimos que a novena é a alma da festa, o coração da festa. Ainda noite, e tanta gente a testemunhar a chegada do dia, do grande e eterno dia: Jesus!

Tanta gente à volta da Mãe celebrando os mistérios do Seu Filho! Dir-se-ia que aquele clarão avistado pelo bispo D. Durando foi uma inspiração.

Os séculos têm-no confirmado: não se conhece a cidade sem subir este monte, sem rezar neste monte.

É neste monte de Sto. Estêvão que uma luz se acende. É neste monte que muitas luzes brilham. É a luz de Jesus, uma luz oferecida pela Mãe de Jesus. É essa luz que ilumina tanta gente, ainda noite, a caminho do Santuário.

Não há mar só de água. Há um mar, muito maior, de fé e de amor. É um mar que corre a montante e que desagua na Casa da Mãe.

O que aqui se passa não é para vir nos jornais; é para estar na vida, na vida de todos.

Nove dias depois, é grande o cansaço. Mas é maior a fé. E enorme o amor. A fé e o amor vencem o cansaço Basta saber, como todo este povo sabe, que, no colo de Nossa Senhora dos Remédios, há um lugar especial para cada um, para cada um destes Seus filhos!

publicado por Theosfera às 12:00

Este é o monte onde Deus desce até nós. Este é o monte onde nós subimos até Deus.

Este é o lugar onde o grande se sente pequeno e onde o pequeno se torna grande.

 

Este é o lugar onde o distante se torna próximo.

Este é o lugar onde as palavras se calam e o silêncio fala.

 

Este é o lugar onde os olhos brilham, a voz soluça e o coração sorri.

Este é o lugar onde a Mãe nos embala, nos acaricia, nos abraça e acalenta.

 

Este é o lugar onde nos sentimos sempre filhos. Este é o lugar onde recebemos o beijo da Mãe.

Este é o lugar donde nunca saímos, mesmo quando temos de o deixar.

Este é o lugar onde a turbulência se acalma e uma suave luz se acende.

 

Esta é uma nascente de esperança que paira sobre as ondas alteradas do desespero.

Esta é a foz de um grande rio. De um rio que desagua num imenso mar de paz.

 

Este é, verdadeiramente, um lugar sem nome.

Este é o lugar onde se gravam todos os nomes.

 

Mas este é também o lugar com o mais belo nome.

Este é o lugar chamado Mãe.

 

Mãe é o lugar que não cabe em nenhum lugar.

Mãe é maior que todos os lugares.

Porém, sendo tão grande, basta-lhe o lugar mais pequeno do mundo para a fazer feliz: o coração dos seus filhos!

publicado por Theosfera às 01:36

E eis que chegámos ao dia de Natal.

Sim. Eis-nos chegados ao Natal de Maria, ao Natal da Mãe.

O caminho de 8 de Setembro a 25 de Dezembro mimetiza o caminho de Maria até Jesus.

O Natal começa hoje.

Feliz Natal desde já. Feliz Natal para sempre.

A Mãe nasceu. Para fazer nascer o Filho.

Ela faz anos. E somos nós que recebemos o presente, o melhor presente: Jesus!

publicado por Theosfera às 00:31

Nós Te adoramos, Senhor Jesus,

na manhã deste dia,

dia dos anos da Tua Mãe.

 

É Ela que nos traz ao Teu encontro.

É Ela que nos embala como Te embalou a Ti,

em Belém e em Nazaré.

 

Obrigado, Jesus, pela Tua Mãe.

Obrigado, Mãe, pelo Teu Filho.

 

Cada um de nós transporta tantos pedidos.

Cada um de nós é um peregrino do Teu amor e mendigo da Tua paz.

 

Neste dia de alegria,

sabemos, Mãe, que o teu olhar é ainda mais belo,

embora também um pouco mais triste.

 

Estás triste, Mãe,

por causa da injustiça.

 

Estás triste, Mãe,

porque muitos dos Teus filhos vivem na pobreza,

porque não têm pão, nem casa, nem trabalho, nem esperança.

 

Estás triste, Mãe,

porque a mensagem de Teu Filho não é acolhida.

 

Estás triste, Mãe,

porque há quem seja delicado com os grandes e incorrecto com os pequenos, os simples e os pobres.

 

Estás triste, Mãe,

porque ainda há muitas perseguições no mundo

e bastantes incompreensões dentro da própria Igreja.

 

Nossa Senhora,

dá-nos o remédio para a nossa doença,

especialmente para a nossa pior doença, que é a superficialidade e o egoísmo.

 

Nossa Senhora dos Remédios,

concede-nos as graças que Te pedimos.

 

Enxuga as nossas lágrimas,

aquece o nosso coração.

Que a nossa vida se transforme.

 

Que não queiramos fazer a nossa vontade,

mas apenas (e sempre) a vontade de Teu Filho.

 

Que na nossa língua só haja amor,

que no nosso olhar só haja paz.

 

Neste dia dos Teus anos,

afinal, nós é que recebemos o presente,

o melhor presente que é Teu Filho Jesus.

 

Recebe, Mãe, os nossos parabéns,

os nossos humildes parabéns,

entoados não com os lábios, mas com o nosso coração agradecido.

 

Parabéns, Maria!

Parabéns, Senhora!

Parabéns, Mãe!

publicado por Theosfera às 00:12

Hoje, 08 de Setembro, é dia do Natal de Nossa Senhora (em Lamego, Nossa Senhora dos Remédios) e S. Frederico Ozanam.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 07 de Setembro de 2014

A. Cada pessoa é bastante, mas não é o bastante

1. Confesso que nunca gostei de ouvir chamar a alguém «deficiente». Tal (des)qualificativo pressupõe que, por contraste, haja quem seja «suficiente». Mas haverá alguém verdadeiramente «suficiente»? Haverá quem seja «suficiente» para nascer, para receber educação e saúde? Cada pessoa é bastante, mas não é o bastante. Nenhuma pessoa se basta a si mesma.

Não faltará quem se considere «auto-suficiente», isto é, quem se considere «suficiente» em si mesmo, por si mesmo. Acontece que a experiência está sempre a mostrar que todos nós somos seres incompletos e, nessa medida, carentes e insuficientes. Sozinhos, nada conseguimos. Precisamos dos outros para nascer, para crescer, para receber educação e saúde. Se não houvesse tu, haveria eu?

Dá, porém, a impressão de que, amiúde, esquecemos esta verdade elementar e este dado absolutamente pertinente. Comportamo-nos como se não precisássemos de ninguém, como se por nós conseguíssemos tudo. É uma pretensão desmedida e descabida. É uma falsidade. É um embuste e uma ilusão. Cada um de nós é único, mas nenhum de nós é o único.

A nossa identidade e autonomia não podem funcionar como pretexto para cortar laços com os outros. Pelo contrário, a nossa identidade e autonomia constituem o alicerce do relacionamento com os outros. Como diria a (outrora) muito conhecida composição de António Macedo, sozinhos não somos nada, «juntos temos o mundo na mão».

 

2. Sozinhos, nem sequer nos conhecemos. O povo até diz que «ninguém é bom juiz em causa própria». E se o fundamental objectivo do conhecimento é cada um conhecer-se a si mesmo, a vida mostra que é sempre necessário que alguém no-lo recorde.

Com efeito, o oráculo de Delfos é visto como um imperativo divino lançado ao homem: «Conhece-te a ti mesmo». É Deus que diz ao homem para se conhecer. Fica a sensação de que, não havendo tal apelo, o homem tem dificuldade em conhecer-se. O Salmo 35 (v. 10) proclama que só na luz de Deus encontramos a luz. Só em Deus nos conhecemos verdadeiramente. Daí que o salmista nos convide a escutar a voz de Deus e a não Lhe fechar o coração (cf. Sal 94, 7-8).

É no mesmo sentido que o Concílio Vaticano II sustentou que só Jesus Cristo, Deus feito homem, revela o homem ao homem. Como observou Karl Rahner, «Cristo é a resposta total à pergunta total»: à pergunta total sobre Deus e à pergunta total sobre o homem. Por conseguinte, se queremos saber quem é Deus, a resposta é Cristo; se queremos saber quem é o homem, a resposta é Cristo; em suma, se queremos saber o que deve ser cada um de nós, a resposta é Cristo. Em Cristo, sentimo-nos perto de Deus e do que Deus é para nós.

 

B. O amor faz bem até àquele que faz (o) mal

3. Isolados, todos tropeçamos no erro e — o que é pior —dificilmente notamos que erramos. Muitas vezes, dois olhos não chegam. São necessários os olhos dos outros para reconhecermos a nossa fragilidade e para podermos assumir os nossos limites. No fundo, fazemos parte de um grande todo para o qual o contributo de cada um é indispensável.

Eis o que todos sabemos. E eis o que, não obstante, parece que esquecemos com espantosa facilidade. É preciso ter muita coragem para dizer a alguém que errou. E é necessário possuir muita humildade para receber a advertência e reconhecer o erro que possa ter sido cometido.

O que Deus espera de nós é este sentido do outro, é esta preocupação pelo outro, é esta solidariedade para com o outro, enfim, é esta responsabilidade pelo outro. Trata-se de perceber que viver é sempre com+viver e existir é sempre co+existir. A convivência e a coexistência hão-de ocorrer não sob o signo do controlo e do domínio, mas sob a égide do cuidado, da comunhão, da entreajuda.

 

4. Ao contrário do que possamos presumir, nós, cidadãos (e, ainda mais, cidadãos com fé), não temos créditos, só temos débitos, só temos dívidas. O que somos devemo-lo a tantos: desde logo, a Deus; depois, aos nossos pais e, no fundo, a todos os membros da sociedade.

E porque estamos em dívida, devemos ser dádiva. Saldamos a nossa dívida sendo dádiva. Saldamos a nossa dívida pela dádiva do amor. Daí a exortação de S. Paulo: «Não tenhais qualquer dívida a ninguém senão de vos amardes uns aos outros»(Rom 13, 8). Só o amor é capaz de saldar as nossas dívidas. E é por isso que, como nota o mesmo S. Paulo, «quem ama o próximo cumpre a Lei»(Rom 13, 8).

Na sua sabedoria simples — e na sua simplicidade sábia —, o povo diz que «amor com amor se paga». Mas, mesmo que não haja amor para connosco, há-de haver sempre amor a partir de nós. Ou, melhor, a partir de Deus em nós. Pois quando há autenticamente amor, não somos nós que amamos; é Deus que ama através de nós. S. Paulo adverte que o amor é «o pleno cumprimento da Lei»(Rom 8, 10). O amor não faz mal (cf. Rom 8, 10). O amor faz bem até àquele que faz (o) mal.

 

C. Somos responsáveis por nós e corresponsáveis pelos outros

5. O amor consiste, como é evidente, em oferecer o bem. E consiste também, como é óbvio, em afastar do mal. Cada um de nós foi colocado na vida como o profeta foi colocado em Israel: como «sentinela»(Ez 33, 7). De acordo com Isaías, a função da sentinela é anunciar a chegada da manhã no meio da escuridão da noite (cf. Is 21, 11-12). Ser sentinela não é ser polícia. Ajudar não é policiar nem controlar, é acompanhar: é acompanhar a vida dos outros.

Comentando a afirmação de Ezequiel, S. Gregório Magno recorda que «a sentinela está sempre num lugar alto, a fim de perscrutar tudo o que possa vir ao longe». Este lugar alto não é um lugar distante. Trata-se de uma altura que amplia a visão. Trata-se, portanto, de uma altura que aproxima. Esta altura onde se encontra a sentinela é o Evangelho.

É a partir do Evangelho que devemos olhar para a nossa vida e para a vida dos nossos irmãos. É a partir do Evangelho que nos tornamos responsáveis pela nossa existência e corresponsáveis pela existência dos nossos irmãos. É, enfim, o Evangelho que nos oferece a «medida alta da vida cristã», de que nos falava S. João Paulo II.

É fácil perceber, assim, que todos nós somos chamados a ser sentinelas e todos precisamos de alguém que seja sentinela para nós. Às vezes, olhamos mas não vemos; outras vezes, vemos mas não reparamos; e, outras vezes ainda, reparamos, mas parece que ignoramos.

Bem poetava Sophia: «Vemos, ouvimos e lemos; não podemos ignorar». Não podemos ignorar, de facto, que o mal nos tenta, que o mal nos assedia, que o mal nos assalta. É elementar. Anunciar o bem implica denunciar o mal. Não pensemos que o mal dos outros não nos afecta. Estamos entrelaçados, embora, frequentemente, nos comportemos como deslaçados. A história dos outros é também a nossa história. Já, na antiguidade, o reconhecia Terêncio: «Sou homem, nada do que é humano me é estranho».

 

6. O mal por omissão não é menos grave que o mal por acção. Deus não exige resultados, mas pede esforço, pede que nos esforcemos. Que nos esforcemos connosco e com os outros. O mal devemos evitar, mas de quem faz o mal não podemos fugir. Quem faz o mal continua a ser nosso irmão, um irmão em perigo, por isso mais necessitado de apoio e ainda mais carecido de auxílio.

Não chega ser recto em si, é preciso ser correcto para com os outros, correcto em tudo, correcto sempre. A correcção do mal é uma superior demonstração de solidariedade, de respeito, de amizade. Incorrecto é ver o mal e deixar que o mal alastre pela pessoa e devore a pessoa. Mal é ver o mal e não fazer nada. Mal é ser indiferente diante do mal. A indiferença é, decididamente, o oitavo pecado capital e, seguramente, não o menos grave.

Nunca devemos falar mal, mas, muitas vezes, somos obrigados a falar do mal. Devemos falar do mal com quem o cometeu e não falar de quem o praticou. Aqui, a forma é tão importante como o conteúdo. O Evangelho é claro: «Se teu irmão te ofender, vai repreendê-lo a sós»(Mt 18, 15). Este é o primeiro — e decisivo — passo: falar com a pessoa e não falar da pessoa.

Sucede que este passo exige uma demorada e profunda conversão. Não só hoje, mas sobretudo hoje, há uma grande tentação para falar dos outros, para falar mal dos outros. Não temos em conta que grave não é só roubar coisas. Grave é também roubar o bom nome, a boa fama, a boa reputação.

Acresce que, neste campo, nem sequer se acautela a possível veracidade das acusações. Tanto se publicita o que é verdadeiro como se difunde o que é falso. Tudo está na praça pública: a verdade, mas também a mentira; a realidade, mas também a aparência; os factos, mas também a suspeita. E o mais preocupante é que os mais culpados, muitas vezes, são os mais protegidos e os mais inocentes acabam por ser os mais expostos.

 

D. O que nós não conseguimos, Deus o conseguirá em nós

7. É sumamente perturbador o clima de intriga — a que não falta a difamação nem a calúnia — que prospera no mundo e que nem a Igreja deixa de fora. Sim, a Igreja que Paulo VI queria «perita em humanidade», também se deixa arrastar por fortes vendavais de desumanidade.

Ainda recentemente, o Papa Francisco notou que as nossas paróquias, ´«chamadas a ser lugares de partilha e comunhão, infelizmente aparecem marcadas por invejas, ciúmes, antipatias». E anteriormente já avisara, numa linguagem chã e bem perceptível, que «os mexericos, a inveja e os ciúmes não poderão nunca levar-nos à concórdia, à harmonia e à paz».

Quando não podemos dizer bem de alguém, o melhor é não dizer nada. Só que, por absurdo que pareça, as pessoas parecem consumir mais a má notícia do que a boa notícia. A boa notícia não vende, só a má notícia rende. E o pior é que nem as mais elementares cautelas se tomam. A mais leve suspeita é tida, por muitos, como verdade indiscutível. No limite, confunde-se transparência com puro exibicionismo. São muitos os que dizem ser frontais, mas o que são é exibicionistas. Passam a vida — e gastam o tempo — a exibir hipotéticos feitos seus e supostos defeitos dos outros. Hoje em dia, não falta quem ache que deve mostrar tudo e falar de todos. Para nosso pesar, há quem só se sinta bem a dizer mal.

Já o Padre Manuel Antunes intuía que somos mais dominados pelo negativo do que pelo positivo, mais pelos nossos defeitos do que pelas nossas qualidades, mais pelos defeitos das nossas qualidades do que pelas qualidades dos nossos defeitos. Mas será assim que conseguiremos vencer o mal e combater a maldade?

 

8. Tomemos, pois, a sério a exortação de Esopo, que, já em tempos remotos, observava que o homem tem uma boca e dois ouvidos: para falar menos e ouvir mais. Deste modo, não falemos mal dos outros e procuremos ouvir melhor o eco do bem que vem dos outros.

Façamos uma limpeza aos nossos lábios, aos nossos ouvidos, às nossas leituras, às nossas conversas, às nossas redes sociais. Procuremos estar mais com os outros em vez de falar tanto dos outros. Troquemos a maledicência pela beneficência. Fazer bem sempre, falar mal nunca. Não enterremos as pessoas no mal. Falemos do mal com as pessoas, mas nunca falemos mal das pessoas.

Se não conseguirmos fazer a correcção fraterna em privado, peçamos — como preceitua o Evangelho (cf. Mt 18, 16) — a ajuda de mais alguém, mas sempre discretamente, sempre com recato. Se nem assim for possível, confiemos o caso à Igreja, que deve ser sempre a casa da verdade e a morada do amor. Sobretudo em Igreja, dediquemo-nos à oração. «Se dois de vós, sobre a terra, juntarem as suas vozes para pedirem seja o que for, hão-de obtê-lo de Meu Pai que está nos Céus. Pois onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, Eu aí estarei no meio deles»(Mt 18, 19-20).

Façamos oração em comunidade e procuremos superar os problemas em comunidade. O que nós não conseguimos, Deus o conseguirá connosco, por nós. Deus é o nosso maior aliado na luta contra o mal. Com Ele, o mal não nos vencerá. Com Ele, o mal será vencido por nós!

publicado por Theosfera às 13:19

Aquele clarão foi uma inspiração.

O clarão que D. Durando avistou naquele monte era uma premonição e funcionou como uma luz.

Os séculos têm-no confirmado: não se conhece a cidade sem subir àquele monte.

É no monte de Sto. Estêvão que uma luz se acende. É naquele monte que muitas luzes brilham. É a luz da Mãe, é a luz de Jesus.

É essa luz que ilumina tanta gente, ainda noite, a caminho do Santuário. E é na noite que a luz brilha, que a luz irradia.

Não há mar só de água. Há um mar muito maior de fé e de amor. É um mar que corre a montante e que desagua na Casa da Mãe.

O que ali se passa não é para vir nos jornais; é para estar na vida, na vida de todos.

Nove dias depois, é grande o cansaço. Mas é maior a fé. E enorme a saudade. 

Só que a Mãe está sempre à espera.

No colo de Nossa Senhora dos Remédios, há um lugar especial para cada um destes Seus filhos!

publicado por Theosfera às 09:16

O dia sucede à noite. O futuro vem depois do presente.

O presente é dominado pela escuridão?

Já Teógnis de Mégara pressentia que «as trevas escondem o acontecimento futuro».

O parto do futuro faz-se, quase sempre, no friso doloroso das trevas!

publicado por Theosfera às 09:01

Senhor Jesus,

Nós Te louvamos no começo deste dia

e no início de um tempo que, conTigo, queremos que seja novo.

 

Agradecemos o dom da vida

e pedimos-Te pela saúde, pela paz e pela justiça entre todos.

 

Agradecemos especialmente

o dom de Tua Mãe,

que nos deste como nossa Mãe também.

 

Ela é, para nós, a Senhora dos Remédios,

a senhora da Luz em tempos de escuridão,

a senhora da Esperança em tempos de desespero,

a senhora da Alegria em tempos de tristeza,

a senhora da Fé em tempos de descrença.

 

Adoramos, Senhor, a Tua presença eucarística

e louvamos-Te no Teu primeiro Sacrário que foi o ventre de Tua Mãe.

 

Acompanha-nos, Senhor, nesta oração da manhã

e ajuda-nos a viver na Tua presença ao longo do resto do dia.

 

Que cada passo que dermos

possa ser uma irradiação do Teu amor e da Tua (infinita) paz!

publicado por Theosfera às 06:00

Hoje, 07 de Setembro (XXIII Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Vicente de Santo António e S. Clodoaldo.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 06 de Setembro de 2014

Cavamos distâncias quando ficamos tolhidos. Rasgamos horizontes quando estamos unidos.

A unidade leva-nos a estar perto até de quem possa estar longe no espaço.

Nos «tempos fracturados» em que vivemos (a expressão é de Erich Hobsbawn), precisamos de desfazer muros e de refazer pontes.

Tanto mais que, como bem salienta D. António Couto, «somos mais belos quando estamos mais perto»!

publicado por Theosfera às 12:30

Muito questionamos a acção de alguns. Mas não nos devíamos preocupar mais com a inacção de tantos?

O Padre António Vieira, sempre conspícuo nas suas formulações, avisou-nos: «Pelo que fizeram, se hão-de condenar muitos; pelo que não fizeram, todos».

O eventual erro da acção é mais meritório que o comodismo calculista da omissão!

publicado por Theosfera às 11:44

É, hoje em dia, uma arte pouco (ou mesmo nada) valorizada: a arte de ser delicado.

Pelo contrário, parece que a indelicadeza faz fortuna e obtém faustos proveitos.

Falta uma certa aristocracia no porte, uma subtileza no falar, uma afabilidade no trato.

Às vezes, dá a impressão de que ser rude e soez é um trunfo.

A vida é feita de pequenas coisas e lamento que algumas dessas (pequenas) coisas se estejam a perder.

João de Araújo Correia, há mais de 50 anos, assinalou a morte de «um homem que, durante mais de 80 anos, exerceu a delicada arte de ser delicado».

Naquele tempo, pessoas assim eram uma preciosidade.

Hoje tornaram-se, além de uma preciosidade, uma raridade. À beira da extinção?

publicado por Theosfera às 02:55

Hoje, 06 de Setembro, é dia de Sto. Eleutério e S. Magno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 05 de Setembro de 2014

Sonhar não é tudo. Mas é o princípio de tudo. E diria que é o essencial para tudo.

O sonho não conseguirá tudo. Mas sem sonho é que não se consegue nada.

Por isso, mesmo que não vejamos meios de concretizar o sonho, não desistamos de sonhar.

Os mais belos sonhos podem ser quando temos os olhos fechados. Mas os sonhos mais importantes ocorrem quando temos os olhos (bem) abertos.

É nessa altura que a realidade entra em nós: não apenas a realidade que é, mas também a realidade que pode (vir a) ser.

A sugestão maior de Richard Attenborough ia nessa direcção: «O que posso sugerir aos mais jovens é que nunca desistam dos seus sonhos. Um dia, o sonho mistura-se com a vontade e torna-se realidade».

Todo o que bem que nascer em nós há-de perdurar para além de nós!

publicado por Theosfera às 13:38

Não é apenas aquele não tem que rouba a quem possui.

Muitas vezes, o pior roubo é quando aquele que possui rouba a quem nada tem. O supérfluo de muitos é o necessário de tantos.

A propriedade é, sem dúvida, um direito, mas não pode ser encarado como um absoluto.

O que em algumas casas sobeja em muitos lares pode faltar.

O que se tem não é só para guardar. Deve ser também para repartir.

O melhor que se pode ter é o que se divide, o que se multiplica, o que se reparte!

publicado por Theosfera às 10:34

Na vida, temos de aspirar a tudo e de estar preparados para tudo.

Temos de fazer o melhor e de estar preparados para o pior.

Dizia Benjamin Franklin que «o ganho é transitório e incerto; mas, durante a vida, a despesa é constante e certa».

Quando damos, perdemos algo como é óbvio. Mas sempre que nos damos, ganhamos sempre. E ganhamos todos!

publicado por Theosfera às 09:30

Hoje, 05 de Setembro, é dia da Bem-Aventurada Madre Teresa de Calcutá, S. Bertino e S. Vitorino.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 04:49

Faz, hoje, 17 anos que morreu Madre Teresa de Calcutá.

 

Sofria do coração. O seu coração sofria o sofrimento dos outros.

 

Teve sempre uma percepção muito aguda das prioridades.

 

Cristo aparecia-lhe nos mais pobres de entre os pobres.

 

Era aí que ela O encontrava. Por isso, dizia «não ter muito tempo a perder com visitas a santuários».

 

Aos sacerdotes teve a ousadia de reclamar o essencial. De terço na mão, pediu-lhes para falarem de Cristo.

 

Percorreu o mundo. Não conheceu fronteiras. O amor, para ela, foi sempre universal, ilimitado.

 

O amor é para todos. É para sempre.

publicado por Theosfera às 03:53

Quinta-feira, 04 de Setembro de 2014

Há quem defenda que o orgulho é sinal de personalidade forte.

Mas também não falta quem pense que o orgulho pode ser sintoma de personalidade imatura.

Ouçamos Clarice Lispector: «Orgulho não é pecado, pelo menos tão grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, e, com todo o atraso que o erro dá à vida, faz perder muito tempo».

Dá que pensar, sem dúvida!

publicado por Theosfera às 20:45

Quando se viaja, vai-se conhecendo.

Quando viajamos pelo espaço, vamos conhecendo lugares.

Quando viajamos pelo tempo, vamos conhecendo épocas. E este conhecimento regista inevitáveis diferenças.

Recordo tempos em que se calavam muitas mágoas. Estamos num tempo em que publicita todo e qualquer sentimento, todo e qualquer ressentimento.

Sinal de transparência? Talvez. Falta de autodomínio? Possivelmente também.

Maria, Mãe de Jesus, não era de muitas falas. Preferia tudo guardar no Seu coração (cf. Lc 2, 19). Seria menos sincera por isso?

Não diria com Balzac que «quanto mais criticamos, menos amamos». Mas creio que algum comedimento faz falta.

Há muito ruído a troar pelos ares. Os lábios devem estar cansados de tanto protestar. Podem ser até protestos justos. Mas a alma já não aguenta tanta palavra.

A saturação está nos limites!

publicado por Theosfera às 18:55

1. A cidade saúda a Senhora. A Senhora sorri à cidade. É festa.

Sente-se um caos harmonioso que rompe, por momentos, com a rotina de um quotidiano quase sempre torturante.

 

2. O ambiente, à nossa volta, ressuma festa. Já não estou tão seguro de que o ambiente no nosso interior irradie igual contentamento.

Nota-se vida na festa. Só é pena que nem sempre haja festa na vida.

 

3. É bonito ver as pessoas com ar festivo. E é muito belo e comovente encontrá-las a caminho do Santuário, visitando a Mãe, acompanhando a Mãe, chorando na companhia da Mãe!

Vão visitar a Senhora dos Remédios. Mas quem nega que, lá no fundo, vão à procura dos remédios da Senhora? Sim, dos remédios que mais ninguém consegue preceituar. Dos remédios que os lábios não ousam publicitar. Dos remédios para o desconforto, para a desventura, para o desespero. Dos remédios para a doença de tantas vidas sem (aparente) sentido nem horizonte.

 

4. As pessoas olham. As pessoas fitam. As pessoas calam.

Sabem — e sentem — que aquela imagem tem vida e emite paz. Sabem — e sentem — que naquele lugar se assiste a uma espécie de transfiguração. Por isso vêm de longe e vêm a pé. Com sacrifício, com devoção, com muito amor, os degraus são transpostos.

 

5. No peregrino palpita a ânsia de, «ao cabo daquela longa escadaria, encontrar a promessa da salvação, ou a esperança». Isto até o descrente José Saramago notou. A propósito, haverá alguém que, lá no fundo, não seja crente?

É aí, no Santuário, que todos se acham verdadeiramente em Lamego.

 

6. Não é preciso muita publicidade nem grandes promoções. As festas estão na alma do povo.

A vida não é só o que se racionaliza. Como dizia sabiamente Xavier Zubiri, «o que vale na vida não são os dotes que se tem, mas o que sai do coração».

 

7. O coração de Lamego quase rebenta de emoção durante as festas. É fundamental, contudo, que o clima de fraternidade perdure e o espírito de amizade se estenda ao resto do ano.

Temos de pedir à Senhora, quando por todos passar no próximo dia 8, que dulcifique os nossos sentidos e serene os nossos impulsos.

 

8. A Senhora dos Remédios é também — e com enorme propriedade — a Senhora da Paz.

Uma cidade em festa tem de permanecer uma cidade em paz. Alguém contestará que a paz é a melhor festa?

 

9. Urge optimizar a dimensão transfiguradora da festa…para lá dos dias da festa. Aprendamos, então, a estender a mão, a saudar o irmão, a derreter o gelo, a restaurar a confiança.

A Senhora dos Remédios vela pela sua cidade todo o ano. Porque é que a cidade não há-de aplicar os remédios da Senhora a vida inteira?

 

10. Aquela imagem, que tanto nos diz, não é para trazer apenas nas nossas ruas. É para trazer sobretudo nos nossos corações. Na procissão, vamos todos, atrás dela, na mesma direcção. Porque é que não havemos de ir, com ela, à procura de um mesmo rumo?

A cidade está em festa. Que a cidade fique em paz.Festas felizes. Festas com paz. Festas com Deus. E com a Mãe!

 

 

publicado por Theosfera às 11:25

Se não queremos que as chamas alastrem, não atiraremos lenha para a fogueira.

«Mutatis mutandis», se queremos que a guerra termine, seria de esperar que as armas fossem retiradas. Ou que, pelo menos, não fossem distribuídas.

Espanta, por isso, ler que estamos a assistir à distribuição de armas.

Armas com armas se combatem? Só sei que há muitas vidas que se preparam para serem destroçadas!

publicado por Theosfera às 10:29

Não é entusiasmante, mas é a verdade.

Estamos ligados por mares alterados de desentendimento.

Rudyard Kipling já o notara: «Somos todos ilhas que gritam mentiras umas às outras através de mares de desentendimento».

É pena que assim seja. Será possível religar estas «ilhas» humanas, transformando-as em «oceanos» de diálogo e paz?

publicado por Theosfera às 09:16

Mons. Eduardo António Russo foi um homem de dedicação extrema e generosidade ilimitada.

Nunca regateou esforços, trabalhando até ao último dia e entregando-se até ao derradeiro instante.

No trato com os sacerdotes era afável, recto e verdadeiro. Teve como objectivo prioritário ajudá-los na sua acção pastoral e auxiliá-los nas mais diversas questões que lhes surgiam.

Devoto de Nossa Senhora dos Remédios, foi d’Ela um fiel servidor. O serviço entusiasmava-o e mobilizava-o por dentro e por fora.

Morreu há sete anos. Nasceu há 85 anos. Completam-se neste dia 4 de Setembro!

publicado por Theosfera às 09:09

Hoje, 04 de Setembro, é dia de Nossa Senhora da Consolação, S. Moisés, Sta. Rosa de Viterbo, Sta. Rosália e Sta. Maria de Santa Cecília Romana.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 03 de Setembro de 2014

Cada um de nós foi colocado na vida como o profeta foi colocado em Israel: como «sentinela»(Ez 33, 7).

De acordo com Isaías, a função da sentinela é anunciar a chegada da manhã no meio da escuridão da noite (cf. Is 21, 11-12).

Ser sentinela não é ser polícia. Ajudar não é policiar nem controlar, é acompanhar: é acompanhar a vida dos outros.

Comentando a afirmação de Ezequiel, S. Gregório Magno recorda que «a sentinela está sempre num lugar alto, a fim de perscrutar tudo o que possa vir ao longe».

Este lugar alto não é um lugar distante. Trata-se de uma altura que amplia a visão. Trata-se, portanto, de uma altura que aproxima.

Esta altura onde se encontra a sentinela é o Evangelho. É a partir do Evangelho que devemos olhar para a nossa vida e para a vida dos nossos irmãos. É a partir do Evangelho que nos tornamos responsáveis pela nossa existência e corresponsáveis pela existência dos nossos irmãos.

É, enfim, o Evangelho que nos oferece a «medida alta da vida cristã», de que nos falava S. João Paulo II.

publicado por Theosfera às 22:36

Fascinantes são estes tempos. Fascinantes, mas também perigosos.

Estamos marcados pelo pensamento único. Há quem proponha, como alternativa, o pensamento duplo.

Bastará? Penso no velho ditado judaico: «Se apenas tens duas alternativas, então escolhe a terceira».

O três é, de facto, «a conta que Deus fez».

O três é o número de Deus porque o três integra, ao mesmo tempo, a identidade, a diferença e a pluralidade.

O pensamento único é perigoso. O pensamento que confronta pode não bastar.

É preciso mais. É necessário muito melhor!

publicado por Theosfera às 21:57

Um óptimo conselho da óptima Regra Pastoral do não menos óptimo S. Gregório Magno: quanto mais se desce ao encontro das fragilidades dos pobres, mais se sobe ao cume das virtudes.

Todo o livro, aliás, é de uma actualidade impressionante não obstante a quantidade de anos que o exorna.

Recomenda ele que se ponha um pouco de severidade na doçura, mas que se coloque também um pouco de doçura na severidade. 

Conduzir os outros só para quem for humilde, serviçal. Daí a necessidade do silêncio profundo e da palavra útil.

publicado por Theosfera às 21:39

Quem quiser seguir seriamente Jesus Cristo sabe que tem de contar com dois tipos de adversidade: com ataques e com seduções.

Aqueles são duros, mas são facilmente identificáveis. Estes tornam-se, aparentemente, aliciantes, mas, no fundo, são mais perigosos.

Isto, aliás, vem desde sempre. O Apocalipse fala da mulher que se prepara para ser mãe e, logo a seguir, do dragão que se prepara para devorar o filho assim que nasça.

S. Gregório Magno, nos célebres Comentários sobre o livro de Job, alude a isso mesmo. E recomenda: em relação aos ataques, «e preciso responder com o escudo da paciência; relativamente às seduções, urge responder com os dardos da verdade».

publicado por Theosfera às 21:36

Neste dia de S. Gregório Magno, faz bem meditar nas recomendações ínsitas na sua famosa Regra Pastoral.

O pastor não pode ser um gestor. Para ser testemunha no exterior tem de deixar transformar o seu interior. Está aqui, aliás, a maior carência e, nessa medida também, a mais gritante urgência.

Diz S. Gregório: «É necessário que o pastor seja puro nos seus pensamentos, inatacável nas suas obras, discreto no silêncio, proveitoso nas palavras, compreensivo para com todos, que se entregue à contemplação, que seja companheiro dos bons de uma forma humilde, firme na justiça contra os vícios. Importa que a ocupação das coisas exteriores não diminua o cuidado com as interiores e que estas não o impeçam de ver as exteriores».

publicado por Theosfera às 21:34

Palavras de S. Gregório Magno, que sempre me impressionaram: «Para a messe, que é grande, os trabalhadores são poucos, o que não podemos referir sem tristeza; porque, embora haja quem ouça a boa nova, falta quem a pregue. De facto o mundo está cheio de sacerdotes, mas muito raramente se encontra um operário na messe de Deus. É verdade que recebemos o ministério sacerdotal, mas não cumprimos as obrigações do cargo».

publicado por Theosfera às 21:33

À semelhança de Gregório Magno, já todos nos arrependemos de ter calado quando deveríamos falar e de ter falado quando nos deveríamos calar.

 Post factum, sabemos melhor. Mas não há dúvida de que o silêncio pode ser tão eficaz como a palavra. Perceber a sua oportunidade é o segredo da sabedoria.

publicado por Theosfera às 21:26

Muitos bispos ilustres da Igreja antiga, como Sto. Agostinho, colocavam-se na missão como «servos dos servos de Deus». Desde S. Gregório Magno, foi assim que até os Papas começaram a ser definir-se a si próprios.

Quanto maior é a responsabilidade e mais alta é a missão, mais vincada é a consciência de que se é servidor.

Trata-se, aliás, de uma ressonância epifânica do convite imperativo de Jesus: «Quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se servo de todos» (Mc 10, 43).

publicado por Theosfera às 21:22

Cristo era para todos, mas privilegiava a companhia dos pobres, dos simples e dos pequenos.

Foi, aliás, em conformidade com este espírito que S. Gregório Magno revelou, no século VI, uma preocupação social que atingia o escrúpulo.

Fazia questão de ter uma lista dos pobres de Roma, enviando-lhes alimento e outras provisões.

Mas o mais tocante é, sem dúvida, saber que, todos os dias, doze pobres da cidade comiam à sua mesa, à mesa do Papa!

Toda a razão tem S. Gregório: «Quanto mais se desce ao encontro das fragilidades dos pobres, mais se sobe ao cume das virtudes».

Não esqueçamos jamais o pobre. É imperioso estar com ele para estar em Cristo. Se Ele nos enriqueceu com a Sua pobreza (cf. 2Cor 8, 9), amemos o Senhor no Sacramento do Pobre (sacramentum Pauperis).

Deus está vivo nos pobres, nos esquecidos, nos explorados, nas vítimas da injustiça!

publicado por Theosfera às 21:16

Há quem esteja farto. Não farto de comer. Mas farto de trabalhar ou farto de não ter trabalho.

Há quem esteja farto das pessoas, farto da vida.

Gandhi também se confessou farto, «farto de ódio».

De facto, já chega de ódio.

Demos uma oportunidade a nós mesmos, a tanto bem que Deus depositou em nós!

publicado por Theosfera às 10:51

Hoje, 03 de Setembro, é dia de S. Gregório Magno e S. Remáculo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 02 de Setembro de 2014

1. Lamego é conhecida sobretudo por uma cor, por um acontecimento, por um produto e por uma imagem.

São quatro painéis que projectam a cidade para lá da cidade. E que, devidamente optimizados, podem cativar investimento e acrescentar riqueza.

 

2. A cor de Lamego é o verde: o verde que desce do monte de Sto. Estêvão, o verde que bordeja as avenidas.

João de Araújo Correia, escultor de palavras com ressonâncias telúricas, anotou: «Lamego é uma cidade verde, feita de quietude e de silêncio».

 

3. A quietude já não será a mesma. E o silêncio também vai sendo engolido pelo frenesim do ruído e pela turbulência da ansiedade.

Não obstante, ainda se respira alguma serenidade nesta urbe desgastada pelos séculos, mas não vencida pelo tempo.

 

4. O acontecimento pode não ter ocorrido, mas nunca deixou de povoar a lembrança.

As primeiras cortes de Portugal serão — para todo o sempre — as Cortes de Lamego. Mesmo que tenha sido um evento irreal, este é um activo real, indelevelmente associado à cidade.

 

5. A Lamego não faltam produtos de qualidade. É o caso da famosa bola e da deliciosa gastronomia.

Mas o produto que mais avulta é, sem dúvida, o vinho.

 

6. Ele até pode ser celebrizado como «Vinho do Porto», mas a sua produção expande o sabor do Douro inteiro.

Em inúmeras mesas do planeta, a marca Lamego salta à vista e aconchega o paladar.

 

7. Fecunda é a vinha que nos oferece este vinho.

Seja tratado ou espumante, é um vinho sempre generoso. Porque generosa é a gente que desta vinha nos faz chegar este vinho.

 

8. Mas o que surge mais directamente acoplado a Lamego é uma imagem.

Para muitos, dizer Lamego é dizer Nossa Senhora dos Remédios.

 

9. Trata-se praticamente de um epónimo. Quando, fora de Lamego, se pensa em Lamego, a primeira imagem que desponta é a Senhora dos Remédios.

Ela não precisa de publicidade. Pelo contrário, é Ela que faz publicidade à própria cidade. Ela é a senhora da cidade, vista, por sua vez, como a cidade da Senhora.

 

10. A Senhora dos Remédios atrai gente de todo o mundo até Lamego. É ela quem mais transporta Lamego pelo mundo.

Onde estiver uma imagem da Senhora, aí estará o nome da cidade. Ela é o rosto de Lamego. E o Seu rosto deixa rasto!

publicado por Theosfera às 11:01

Afinal, queremos uma fé que nos agrade ou que nos ajude?

Chesterton não hesitava na resposta: «Nós, na verdade, não queremos uma religião que esteja certa quando nós estamos certos. O que queremos é uma religião que esteja certa quando nós estamos errados».

Nem sempre é possível agradar. É sempre necessário servir!

publicado por Theosfera às 10:03

Diz a experiência que os extremos tocam-se e os contrários atraem-se.

O medo, por vezes, enturma com a fúria.

Bertrand Russell notou que «o medo colectivo estimula o instinto de rebanho e tende a provocar a fúria para com aqueles que não são vistos como membros do rebanho».

Afinal, quando aprenderemos a acolher o diferente?

publicado por Theosfera às 09:45

Segunda-feira, 01 de Setembro de 2014

Hoje, 01 de Setembro, é dia de S. Miguel Ghébré e Sta. Margarida de Riéti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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