O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 20 de Setembro de 2014

As grandes obras nem sempre contam com grandes ajudas.

Às vezes, até contam com grandes oposições.

O problema é quando se desiste.

A obra, se é grande, deve vencer todas as oposições.

Como advertia Henry Ford, «quando tudo parecer estar contra si, lembre-se de que o avião levanta voo contra o vento, não a favor»!

publicado por Theosfera às 12:21

Nem nós somos só nós. Os outros são parte de nós.

O que a experiência diz a ciência atesta.

Estudo recente sustenta que a população europeia resulta de um cruzamento entre caçadores-recolectores, agricultores vindos do Próximo Oriente e povos vindos do norte da Eurásia.

Tudo isto terá acontecido há cerca de sete mil anos.

O que está no nosso código genético devia estar na nossa vivência: abertos a todos, fechados a ninguém!

publicado por Theosfera às 12:07

Há quem se coloque na defesa.

Há quem viva sobretudo para não perder. Há, no fundo, quem siga a máxima de Ernest Hemingway: «O homem nunca se deve pôr em posição de perder o que não pode dar ao luxo de perder».

É curioso que Jesus não segue esta recomendação nem sugere este conselho.

Para Jesus, só ganha quem se dispõe a perder.

Só quem esbanja felicidade consegue ser feliz!

publicado por Theosfera às 12:00

 

Hoje, 20 de Setembro, é dia de Sto. André Kim Taegon, S. Paulo Chong Hassan e seus Companheiros mártires, Sto. Eustáquio e Sta. Teopista, e S. José María Yarres Pales.

Um santo e abençoado dia para todos!

 

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Queria que pensasse em alguém que veio ter consigo, com todos nós. Apareceu no mundo na mais absoluta humildade e no mais comovente despojamento. Não teve palácios, não ambicionou poder nem coleccionou glórias humanas.

Preocupou-Se somente com os outros. Foi alguém muito humano, tão humano que só podia ser (também) divino. Ensinou-nos a magna lição da bondade e deixou-nos, como imperativo indelével, o mandamento do amor.

Ele veio para ficar. Ele foi de ontem, é de hoje e será de sempre. Não perde actualidade. Está no seu coração, na nossa vida, no nosso mundo, no nosso tempo.

Já sabe de quem se trata. É Ele mesmo. É de Jesus que lhe falo. Mas o Seu nome é também o seu nome. Ele nasceu há dois mil anos. Numa noite muito fria. Numa noite muito bela. Ele continua, porém, a renascer. Permanece na nossa história. E habita na nossa vida. Na sua também.

publicado por Theosfera às 15:29

O «Glória a Deus» foi entoado nas alturas. Mas o Natal mostra-nos que o lugar de Deus também é a terra, o homem e particularmente o homem pobre.

De facto e como notou Bento XVI, em Jesus Cristo, «Deus não só Se fez homem como Se fez homem pobre».

Jesus já dissipara todas as dúvidas: «Tudo o que fizerdes ao mais pequeno dos Meus irmãos é a Mim que o fazeis» (Mt 25, 40).
publicado por Theosfera às 15:27

Hoje, 19 de Setembro, é dia de S. Januário, Sto. Afonso de Orozco, Sta. Emília Rodat e S. Francisco Maria de Comporosso.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:38

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Os povos são como as pessoas. É natural que, à medida que o tempo corre, anseiem pela independência.

Mas esse é um desejo que, embora legítimo, dificilmente se materializa.

Paul Verlaine confessava: «A independência foi sempre o meu desejo, mas a dependência foi sempre o meu destino».

No fundo, a nossa independência está na capacidade de escolher as dependências que queremos.

Hoje, a Escócia escolhe entre uma dependência directa de Londres ou de Bruxelas.

O efeito cascata pode continuar e levantar um problema.

A União Europeia é uma união de Estados. Se estes começam balcanizar-se, estaremos no limiar de outra coisa.

Pressinto que, mesmo ganhando o «não», os militantes do «sim» não vão desistir.

Um tempo novo se anuncia. Será um tempo diferente? Que seja um tempo melhor!

publicado por Theosfera às 10:46

Hoje, 18 de Setembro, é dia de S. José de Cupertino e S. João Masías.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

805 milhões de pessoas passam fome. Nesta nossa aldeia, neste nosso mundo.

Há dinheiro para matar a vida. Não haverá dinheiro para matar a fome?

publicado por Theosfera às 10:41

A escolha do seleccionador é a prioridade, mas não é a única urgência.

A selecção não é apenas um agregado de jogadores. Uma selecção deve ser uma equipa.

Mas como conseguir que a selecção seja uma equipa se os jogadores se encontram tão poucas vezes

A única solução é que os jogadores tenham um mínimo de rotinas nos clubes onde jogam.

Portugal foi longe em 1966 porque a maioria dos jogadores actuava nos principais clubes: a defesa era do Sporting e o ataque do Benfica. Em 1984, a base era sobretudo o F.C. Porto e o Benfica.

Agora, vem praticamente um jogador de cada clube.

Os principais clubes portugueses estão a tapar as possbilidades de afirmação aos jogadores portugueses.

Exemplos: o onze inicial do Benfica ontem só tinha um jogador português (Eliseu), o onze previsível do F.C. Porto para hoje só tem um jogador português (Rúben Neves). Assim, vai ser difícil.

Honra ao Vitória de Guimarães, que foi aos escalões inferiores recrutar jogadores que praticamente ninguém conhecia. Para espanto de todos, vai em primeiro lugar.

A falta de dinheiro espicaça o engenho. Em vez de investir milhões lá fora, investiu «cêntimos» cá dentro e os resultados estão à vista.

Para meditar!

publicado por Theosfera às 10:34

Criou a semana de trabalho de 40 horas. Instituiu as férias pagas. Promoveu a actividade sindical.

E, no fim, foi preso.

O destino de Léon Blum sinaliza a ingratidão dos povos para com os seus melhores!

publicado por Theosfera às 10:22

Achava Confúcio que «é fácil ser rico sem ser arrogante». Mas também não é difícil combinar a riqueza com a arrogância.

Acrescentava o sábio que «não era tão fácil ser pobre sem murmurar». Mas tenho para mim que muitos pobres já nem murmurar conseguem.

A pobreza dói muito e tira bastante: o alimento e até a voz!

publicado por Theosfera às 10:17

Fim de Verão e já tempo de Outono.

É o Verão a despedir-se ou será já o Outono a antecipar-se?

Nada disto é anormal.

Mas, decididamente, o melhor é não fazer previsões. Diziam que, ante as temperaturas amenas de Julho e Agosto, o calor iria apertar em Setembro e Outubro.

Para já, nada disso.

Os incêndios foram em menor número. Afinal, nem tudo se perde quando a temperatura cai!

publicado por Theosfera às 10:11

Hoje, 17 de Setembro, é dia de S. Roberto Belarmino, Sta. Hildegarda, Sto. Alberto de Jerusalém e Impressão das Chagas de S. Francisco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

1. São muitos os lugares-comuns que, hoje em dia, se despejam sobre as pessoas.

Muitas vezes, não sabemos a sua origem nem queremos saber o seu fundamento. Enfim, são palavras e expressões que quase todos repetem e quase ninguém questiona.

 

2. Pensemos na novidade, por exemplo.

Para a maioria, o novo é que vale, o novo é que conta. Tudo o que não seja novo é olhado com sobranceria e posto de lado.

 

3. O problema é que esta idolatria do novo não se limita aos objectos. Ela aplica-se também — e cada vez mais — às pessoas.

A cada instante, tropeçamos com objectos descartados. E, a cada passo, encontramos pessoas abandonadas.

 

4. Se repararmos, porém, nem o novo parece ser tão novo assim. À neofilia de muitos vai-se sobrepondo a neofobia de tantos.

Há, de facto, uma certa novidade que não é nova. É uma novidade que alguns encontraram quando eram novos. É uma novidade que, por isso, já tem muitos anos.

 

5. Sempre foi apanágio da juventude estar na dianteira.

Espantoso é notar como a novidade dos mais novos mal corresponde à novidade dos menos novos.

 

6. Os mais novos de ontem encontraram a novidade na ruptura com o passado.

Muitos dos mais novos de hoje tendem a encontrar a novidade na recuperação do passado.

 

7. Para muitos, a novidade de há muitos séculos é mais inovadora que a novidade de há uns anos. Eis um sinal. Será uma tendência?

Acresce que os jovens de hoje não se consideram reaccionários. Reaccionários serão, segundo eles, os jovens de outrora. Até o seu progressismo é visto como «retrógrado».

 

8. É perigoso etiquetar este movimento como conservador ou ultramontano. Antes de mais, há que estar atento, não quebrando elos e não desfazendo eventuais pontes.

Em vez da pressa do rótulo, há que optar pela urgência do encontro e pela inteligência da escuta.

 

9. Não fujamos à novidade, mas evitemos idolatrar o novo.

A diferença não pode ser vista como uma ameaça. Tem de ser encarada como um alerta. Afinal, também podemos aprender com aqueles a quem ensinamos.

 

10. É preciso voltar ao caminho. É necessário não desistir da procura.

Essencial é que se mantenha o respeito e não se cortem as interligações. Já chega de muros. E até é possível que ninguém esteja totalmente errado!

publicado por Theosfera às 11:10

Na altura, não se previa. Mas a emergência da União Europeia veio abrir uma pulsão secessionista em muitas regiões.

Se há desencanto com o país, há sempre a alternativa europeia. Em vez de lidar directamente com o país, lida-se directamente com a Europa.

Nesta altura, questiona-se se a Escócia deseja continuar no Reino Unido. Mas ninguém põe em causa que a Escócia continuará a fazer parte da União Europeia.

Só que os problemas não ficarão todos resolvidos. Por cada problema que se resolve, há uma cascata de problemas que se desencadeiam!

publicado por Theosfera às 09:55

É essencial ser honesto. Mas não é fácil ser honesto.

Há quem reduza a honestidade às palavras. Mas, como sempre, é a vida que faz a triagem.

O panorama não é, de facto, animador.

Já dizia William Shakespeare que «ser honesto, tal como o mundo está, é ser um homem escolhido entre dez mil». Isto, anote-se, no século XVII.

Há muitas pressões para violar a honestidade. Quase sempre em surdina. Mas o que palpita em surdina depressa se expande na praça pública.

Nem toda a riqueza é honesta. Mas toda a honestidade é rica, sumamente rica!

publicado por Theosfera às 09:44

Jesus curava tocando nas pessoas deixando-se tocar pelas pessoas.

Ele foi sempre muito afectuoso para com as crianças e as pessoas simples.

No Antigo Testamento, fala-se das entranhas comovidas (rahamim) de Deus.

Deus é apresentado como um Pai que nos ama com um amor de Mãe.

Se nós somos a imagem e a semelhança de Deus, como é que podemos agir de modo diferente?

publicado por Theosfera às 09:38

O Bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas, manifestou-se, há já cinco anos, contra os gastos excessivos nas festas religiosas do Verão, lembrando que o país atravessava uma grave crise económica.

Alertava o prelado paxjuliano: «Há festas em que os espectáculos de luxo e caros, o fogo-de-artifício e as decorações são um atentado contra quem vive no limiar da pobreza».

É claro que as festas têm um efeito de compensação e de alternativa. Mas não poderá ser o carácter festivo ornado com o manto da simplicidade?

Além de ser um sinal do mais elementar bom-senso, será um sintoma de percepção do essencial: a maior homenagem aos santos é fazer o que mais lhes agrada.

E o que mais agrada aos santos é, sem sombra de dúvida, a simplicidade, a nobre simplicidade.

publicado por Theosfera às 09:18

Nicolau Copérnico sustentou, com uma segurança afiançada pela experiência, que a ciência é filha da verdade, não da autoridade.

Tudo está bem quando a autoridade se submete aos ditames da verdade. Tudo se complica — e de que maneira! — quando a verdade é subjugada pelo arbítrio da autoridade.

publicado por Theosfera às 09:17

Já dizia S. Cipriano que «ninguém pode ter Deus por Pai se não tiver a Igreja por Mãe».

E, de uma forma brilhante, Henri de Lubac previne-nos: «Não nos jactemos de que, situando-nos fora da Igreja, podemos permanecer na "sociedade de Cristo". Pelo contrário, devemos dizer a nós mesmos com Sto. Agostinho: "Para viver do Espírito de Cristo, é preciso viver no Seu Corpo"».

publicado por Theosfera às 09:13

A oração que Jesus nos ensina é uma poderosa vacina contra a egolatria que nos afecta.

Já Cipriano de Cartago, teólogo antigo, notava: «Não dizemos "Pai Meu, que estais nos Céus" nem "Dá-me o meu pão de cada dia".

A nossa oração, mesmo a mais pessoal, é sempre pública e comunitária».

publicado por Theosfera às 09:11

Cipriano de Cartago tinha certezas: «Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja por Mãe».

Pacheco Pereira parece não alimentar dúvidas: «Quanto mais perto da Igreja, mais longe de Deus».

Muitos séculos separam estas afirmações. E uma distância intransponível aparenta irreconciliá-las.

Um pensa sobretudo no que a Igreja é. Outro repara apenas no que a Igreja (não poucas vezes) parece!

publicado por Theosfera às 09:10

Em relação a Deus, não se preocupe com a retórica.

Não procure elaborar discursos ou articular palavras em alta voz.

Como observou S. Cipriano, «Deus ouve mais o coração do que as palavras».

Fale-Lhe com a vida. Abra-Lhe o seu ser.

Mesmo só, não se sentirá só. A sua solidão estará sempre habitada.

Por Ele!

publicado por Theosfera às 09:08

Hoje, 16 de Setembro, é dia de S. Cornélio e S. Cipriano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Por muito que se tente, nem tudo se consegue esconder.

Jesus sentenciou: «Não há nada oculto que não venha a descobrir-se» (Lc 12, 2).

E, séculos antes, o Buda também já tinha reparado: «Três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade».

A verdade é que decide.

Podemos não querer vê-la. Mas ela acaba sempre por se mostrar!

publicado por Theosfera às 09:57

Entre a saúde e a doença a diferença é total, mas é fronteira é (muito) ténue.

Pascal notou que «quando estamos de boa saúde, admiramo-nos de como seria possível estarmos doentes».

Mas quando estamos doentes, admiramo-nos como foi possível estarmos, durante tanto tempo, com saúde!

publicado por Theosfera às 09:47

Senhor Jesus, ajuda-me no meu trabalho.

Sê o meu Mestre e a minha Luz.

 

Eu dou o meu esforço,

dá-me a Tua inspiração.

Ajuda-me a estar atento e a ser concentrado.

 

Não Te peço para ser o melhor,

só Te peço que me ajudes a dar o meu melhor,

a trabalhar todos os dias.

 

Que eu não queira competir com ninguém

e que esteja disponível para ajudar os que mais precisam.

 

Que eu seja humilde, que nunca me envaideça,

que nunca me deslumbre no êxito,

nem me deixe abater na adversidade.

 

Que eu nunca desista.

Que eu acredite sempre.

 

Que eu aprenda a ciência e a técnica,

mas que não esqueça que o mais importante é a bondade, a solidariedade e o amor.

Que eu seja sempre uma pessoa de bem.

 

Ilumina, Senhor, o meu entendimento

e transforma o meu coração.

 

Dá-me um entendimento para compreender o mundo

e um coração capaz de amar os que nele vivem!

publicado por Theosfera às 09:16

Hoje é dia de Nossa Senhora das Dores. Das Suas. Das dores de Seu Filho. Das dores de todos os seus filhos. Que somos nós.

 

É bom saber que há quem faça suas as nossas dores. É comovente sentir que há quem chore as nossas lágrimas.

 

Mãe dos pobres e dos humildes, até quando continuarás mergulhada em pranto?

publicado por Theosfera às 06:00

Hoje, 15 de Setembro, é dia de Nossa Senhora das Dores, S. Rolando e S. Paulo Manna.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:59

Domingo, 14 de Setembro de 2014

 A. A festa não é excepção, mas a regra

1. Está a terminar a época das festas e, no entanto, continuamos em festa. Não é a festa dos foguetes e das farras, mas a festa do sorriso, a festa do abraço, a festa da amizade, a festa da partilha, a festa do encontro: do encontro com Cristo e do encontro entre todos em Cristo.

Um cristão nunca deixa de estar em festa. Ao contrário do que é usual pensar-se, a festa, para o cristão, não é excepção (embora seja sempre excepcional); é a regra. A festa está sempre a acontecer. É uma festa simples, é uma festa bela. As festas mais simples são sempre as mais belas.

Para muitos, a festa é sobretudo interrupção e excesso. A festa será o que interrompe o ritmo da vida e o que rompe a cadência do quotidiano. Porque a vida costuma ser triste, a festa costuma ser alegre. Porque o quotidiano costuma ser feito de escassez, a festa costuma ser feita de excessos. Curiosamente, para o cristão, a festa também é tecida de excessos. Não de excessos de comida ou de bebida, de excessos de gastos ou de consumo. A festa cristã é tecida de excessos, sim, mas de excessos de doação, de excessos de simplicidade, de excessos de amor.

 

2. Em Cristo, Deus mostrou-Se excessivo, sumamente excessivo. Como refere o Evangelho deste dia, «Deus amou de tal modo o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo o homem que acredita n’Ele não se perca, mas tenha a vida eterna»(Jo 3, 16). Ninguém é capaz de amar assim. Diria que é preciso ser Deus para amar assim — tão excessivamente, tão desmedidamente — o homem.

Deus não tem amor, o que pressuporia ter igualmente algo que não amor. O homem tem amor, mas também desamor, mas também não-amor, mas também egoísmo, mas também ódio. Deus não. Deus não tem amor. Como proclama enfaticamente S. João, «Deus é amor»(1 Jo 4, 8.16). Ou, como insistia François Varillon, «Deus não é senão amor».

B. A festa das festas

3. A festa cristã é a celebração deste excesso, deste excesso de amor. E tal celebração ocorre não apenas uma vez por ano, mas todos os domingos e até todos os dias. Pois sempre que se celebra a Eucaristia, estamos a tornar sacramentalmente presente este excesso de dom, este excesso de amor. Por conseguinte, não há festa só nos dias de festa. Para o cristão, todos os dias são de festa. A festa está no tempo para estar sobretudo na vida que se vive no tempo.

O ponto alto de uma festa cristã não é a procissão, é a Eucaristia. A Eucaristia é a essência. A procissão não é a essência, é uma consequência. A procissão tanto pode ser realizada como preparação para a Eucaristia como pode ser promovida como um seguimento da Eucaristia. O significado é o mesmo: do tempo peregrinamos até ao templo, do templo peregrinamos até ao tempo.

A Eucaristia torna presente o mistério pascal como, aliás, a assembleia reconhece após a consagração: «Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, proclamamos a Vossa Ressurreição; vinde, Senhor Jesus». É um mistério que celebramos no templo para testemunhar na nossa peregrinação pelo tempo. De certa forma, a Missa não tem fim. Após a celebração sacramental, tem início a celebração existencial da Eucaristia. Em suma, termina a Missa, começa a Missão.

 

4. A Eucaristia é, pois, uma festa, a festa das festas. Mas é bom não esquecer que se trata de uma festa que celebra um drama: o drama de uma morte, o drama da Cruz. Eis, porém, que um paradoxo nos visita e uma perplexidade nos assalta. Como é possível fazer festa à volta de um instrumento de dor e de um espaço de morte? Não haverá aqui alguma dose de masoquismo?

A Cruz, com efeito, não goza de boa reputação. Como lembra S. Paulo, os antigos consideravam «maldito» aquele que fosse morto no madeiro (cf. Gál 3, 13). Achava-se que os mortos na cruz nem depois da morte tinham descanso: andariam a vaguear pelo mundo à maneira de fantasmas. Daí que os romanos não crucificassem os seus cidadãos condenados. Só crucificavam os não-romanos. Compreende-se, assim, que Jesus e S. Pedro tenham sido crucificados e que S. Paulo não tenha sido crucificado, mas decapitado. É que Jesus e S. Pedro não tinham a cidadania romana e S. Paulo tinha.

C. Até a morte é vencida pelo amor

5. Muita gente mostrava dificuldade em aceitar que alguém divino pudesse ser morto e, muito pior, morto na Cruz. São bem conhecidas as alegações de Celso e as objecções de Clóvis, que depois viria a converter-se. S. Paulo escreve aos coríntios que a Cruz era vista como loucura («moria) (cf. 1 Cor 1, 18). Um pouco mais tarde, S. Justino vai mais longe e diz que a Cruz era apontada como sinal de demência («mania»). 

Como vemos, a tudo Se sujeitou Jesus. A tudo foi submetido Jesus. Por amor, Ele morreu e morreu nas condições mais humilhantes. Como refere o hino da Carta de S. Paulo aos Filipenses, Jesus «humilhou-Se a Si mesmo, obedecendo até à morte, e morte de Cruz»(Fil 2, 8). E, de facto, não podia haver humilhação maior. Grande humilhação já é a condenação à morte. Suprema humilhação é a condenação à morte na Cruz.

 

6. Acontece que Jesus Cristo tudo transforma. Ele transforma a vida e transforma a própria morte. Com Ele, já nem sequer a morte é o fim. Como assinalou Hans Urs von Balthasar, Cristo inaugura «o fim sem fim». A morte de Cristo é uma morte morticida, uma morte que mata a própria morte. É neste sentido que o lugar onde Ele morre se torna lugar de afirmação suprema da vida.

Daí a pertinente pergunta de S. Paulo: «Ó morte, onde está a tua vitória?»(1Cor 15, 55). A morte é forte — cruelmente forte — mas, como já salientava o livro do Cântico dos Cânticos, «o amor é mais forte que a própria morte»(Ct 8, 6). Uma vida doada por amor tudo vence; até a morte é vencida. Como iremos ouvir no prefácio da Oração Eucarística, na Cruz está a salvação, pois «donde veio a morte daí ressurgiu a vida e aquele que venceu na árvore do paraíso foi vencido na árvore da Cruz».

Na Cruz, até a morte foi derrotada. Mas, para ser derrotada, teve de ser assumida. Enorme lição, esta. Não é fugindo dos problemas que se resolvem os problemas. Como já notava S. Gregório de Nazianzo, «o que não é assumido não é salvo». Na Cruz, Jesus assume a morte. Na Cruz, Jesus vence a morte.  Daí que a festa de hoje seja também conhecida como festa da «Cruz gloriosa» ou da «preciosa Cruz, portadora de Vida».

 

D. Adoramos o Cristo da Cruz e a Cruz de Cristo

7. A Cruz tem uma importância muito grande na vida de cada um de nós. Friedrich Schiller até chamou ao Cristianismo «a religião da Cruz». Um dia por ano, na Sexta-Feira Santa, adoramos a Cruz de Cristo. Em cada dia da nossa vida, somos convidados a adorar o Cristo da Cruz. A Exaltação da Santa Cruz acaba por ser a exaltação do Crucificado, d’Aquele que deu a vida por nós na Cruz.

A Cruz de Jesus Cristo terá sido encontrada a 3 de Maio de 326 por Sta. Helena, mãe do imperador Constantino, durante uma peregrinação a Jerusalém. Uma parte dessa Cruz encontra-se na Igreja de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma. Daí que no ocidente se tenha difundido muito a festa que comemora a descoberta (em latim «inventio») da Santa Cruz a 3 de Maio. E, em muitas terras, ainda existem festas de Santa Cruz nessa data.

Entretanto, no preciso local da descoberta, foi construída a Basílica do Santo Sepulcro. Esta basílica foi dedicada em 335, com uma parte da Cruz em exposição. A 13 de Setembro ocorreu a dedicação e a Cruz foi colocada em exposição no dia 14. As peregrinações, como sabemos por exemplo por Etérea, começaram a atrair multidões de todo o lado. Por todo o mundo depressa se espalharam relíquias da Cruz e as comunidades cristãs gostavam de reproduzir a parte que possuíam do santo madeiro: o «santo lenho».

Esta festa passou a todo o oriente e também ao ocidente, tendo chegado a Roma no século VII. Após o Concílio Vaticano II, as festas de 3 de Maio e de 14 de Setembro foram unificadas numa única, precisamente naquela que ocorre neste dia.

E. A Cruz não ficou (apenas) em Jerusalém

8. Sabemos, pela história e por experiência, que a Cruz não está só em Jerusalém e em Roma. A Cruz mantém-se presente em toda a humanidade. A Cruz está por toda a parte não apenas como monumento nem tão-pouco como ornamento. A Cruz continua activa em tantas vidas crucificadas. A Cruz tem não só uma actualização sacramental, na Eucaristia, mas também uma actualização histórica e uma actualização vivencial, na existência de tantas pessoas.

Cristo continua a dar a vida em tantos que são condenados pela injustiça que grassa na terra e pela perseguição que persiste no mundo. Como esquecer a cruz dos que morrem à fome, dos que morrem sem tecto, dos que morrem sem assistência médica? E como teimar em ignorar a cruz dos que morrem por causa da fé e, concretamente, por causa de Cristo?

Há cristãos que estão a ser mortos só pelo facto de serem cristãos. Para nosso pesar — e, muitas vezes, com a nossa indiferença —, em apenas dois dias, 500 mil pessoas (a maioria cristãs) foram obrigadas a abandonar Mossul sem poderem levar nada e sem terem possibilidade de regressar. Muitas casas têm sido marcadas com a letra «nun», a primeira da palavra «Nazareno», o que significa que as alternativas são: abandonar a fé cristã, fugir ou ser morto!

 

9. O século XXI tem sido um século de mártires. Tantos que dão tanto em condições tão dificultadas. E tantos que dão tão pouco em condições, apesar de tudo, bem menos difíceis. É certo que, neste nosso ocidente, as condições para o testemunho da fé também não são propriamente fáceis. Mas, pelo menos, ainda sobra alguma liberdade. Estaremos dispostos a oferecê-la pelo Evangelho?

Não é possível viver sem cruz. Mas também não é impossível viver feliz com a Cruz. Como lembrava Karl Rahner, «quem escolhe, escolhe a Cruz». Não se pode seguir Jesus sem levar a Cruz com Jesus. Se procurarmos um Cristo sem Cruz, podemos ser surpreendidos com uma cruz sem Cristo. E, aí, o peso será tremendamente maior, totalmente insuportável. O povo diz — e diz muito bem — que a cruz partilhada é menos pesada. Quando aceitamos partilhar a Cruz de Cristo, sentimos que Ele já aceitou, primeiro, partilhar a nossa Cruz.

Que todos vós, meus queridos irmãos, sintais alívio junto d’Aquele cujo jugo é suave e cuja carga é leve (cf. Mt 11, 30). Não tenhais medo de fazer vossa a Cruz de Jesus, pois Ele já fez Sua a vossa cruz. Ele é o nosso Cireneu. É Ele que carrega a nossa cruz, a nossa cruz de cada dia. Não sobrecarreguemos a cruz dos outros. E ajudemos a transportar a cruz aos outros!

publicado por Theosfera às 19:34

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado por seres Tu:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:22

Queremos resultados, mas não cuidamos do esforço.

Uma construção depende dos alicerces.

Já dizia Walter Scott: «Construímos estátuas de neve e choramos ao ver que derretem»!

publicado por Theosfera às 08:55

Nunca se deve falar mal. Ponto.

Mas nem sempre se pode evitar falar do mal.

A fronteira é muito ténue, sem dúvida.

Como falar do mal sem falar de quem o cometeu? Procurando falar com ele mesmo. Afinal, a correcção fraterna é uma forma de caridade.

Mas, às vezes, não resulta. Há quem não aceite.

O caminho entre a verdade e a caridade é estreito. Mas tem de ser trilhado. Sem apagar a verdade e sem ofender a caridade!

publicado por Theosfera às 08:16

Hoje, 14 de Setembro, é dia da Exaltação da Sta. Cruz e de S. Materno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 13 de Setembro de 2014

Somos responsáveis por nós e corresponsáveis pelos outros.

A nossa corresponsabilidade não pode, porém, substituir a responsabilidade dos outros.

A nossa corresponsabilidade pode esbarrar na vontade.

Temos de fazer tudo o que pudermos para ajudar. Mas se alguém não quiser ser ajudado, a nossa corresponsabalidade está cumprida.

Há uma coisa que não podemos: viver em vez dos outros.

Uma coisa é ajudar os outros a viver, outra coisa é viver em lugar dos outros.

Já dizia John Heywood: «Um homem pode muito bem levar um cavalo até à água, mas não pode obrigá-lo a bebê-la contra a sua vontade»!

publicado por Theosfera às 12:03

Somos donos do que calamos e escravos do que dizemos.

A palavra dada deve ser honrada.

Daí que Napoleão tenha avisado que «a melhor maneira de manter a sua palavra é não a dar».

Diria que não será a melhor, mas a mais segura.

É importante dar a palavra. E honrar a palavra dada!

publicado por Theosfera às 11:50

Padre Francisco, Padre Antonino, Padre Fernando, Padre Luís, Padre Duarte, Padre Antero, Padre Alberto, Padre Soares, Padre António, Padre Pedro, Padre João.

Tanto quanto a minha memória alcança, foram estes 11 os padres que nasceram na minha querida terra natal: São João de Fontoura.

Já só falta partir um para não restar nenhum!

É a vida. É a morte.

Mas tenho a certeza de que o divino convite vai voltar a passar por lá. E há-de voltar a haver um sim!

publicado por Theosfera às 11:42

Um dia, tudo acaba. Ou, melhor, um dia tudo se transforma.

 

E, nessa transformação, algo permanece, mesmo que tudo aparente mudar.

 

Afinal, começamos a morrer antes de morrer. Mas sabemos que havemos de viver mesmo depois da morte.

 

Um dia, vamos ter de nos separar. Custa sempre a separação. Mas temos de estar preparados, precavidos, serenos.

 

Parafraseando S. João Crisóstomo, diria que onde eu estiver, estarão também todos os meus amigos.

 

Ainda que estejamos em lugares distantes, «continuaremos sempre unidos».

 

Nada, nem a morte, «poderá separar-nos». A alma sobrevive: «A minha alma recordar-se-á sempre do meu povo».

 

Como recordava o mesmo santo, «a minha pátria e a minha família sois vós».

 

Em toda a parte nos reencontraremos. Vós «sois a minha luz, uma luz mais brilhante que a luz do dia».

 

A luz que a amizade acende nunca se apagará!
publicado por Theosfera às 03:36

Muito fraca é a violência, apesar da força que ela usa.

Benedetto Croce sinalizou o essencial: «A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora».

Era bom que se pensasse mais na violência antes de agir com violência.

Era importante que se apurasse se algo de bom resultou da violência. É que nem a violência consegue vencer a violência.

Como notou S. João Crisóstomo, «a violência não se vence com a violência, mas com a mansidão».

No fundo, a mansidão é mais forte que a mais violenta força. E que a mais forte violência!

publicado por Theosfera às 00:35

Hoje, 13 de Setembro, é dia de S. João Crisóstomo, Sto. Amado e Sta. Maria de Jesús López de Rivas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Irritar nunca vale a pena.

É um puro desperdício, um desperdício de tempo e de energias.

A irritação nada resolve.

Como recomendava Fernando Pessoa, «a única atitude digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio».

É urgente treinar a moderação!

publicado por Theosfera às 14:04

Não é o mundo que tem uma dívida para com os cristãos. Os cristãos é que têm uma dívida para com o mundo: a dívida do amor, da verdade, da salvação.

Jesus enviou-nos para o mundo.

Não regateemos um contributo, por modesto que seja, para que os que nele vivam sejam (um pouco mais) felizes.

 

publicado por Theosfera às 10:42

Saber falar é uma arte. Saber calar é uma virtude.

O problema é discernir as intervenções pela palavra e pelo silêncio.

É que, a bem dizer, estamos sempre a comunicar.

Mesmo quando nos recusamos a falar, há uma mensagem que passa: a da recusa.

Não são apenas os lábios que comunicam. É todo o tecido do ser pessoal que se revela.

O Homem é, estruturalmente, um ser falante, um ser comunicante.

publicado por Theosfera às 10:40

O problema do cidadão não é com a esquerda, não é com a direita; é com o poder.

É com o poder transformado em finalidade em vez de instrumento de serviço.

Por isso, criticar a direita não significa necessariamente ser de esquerda do mesmo modo que censurar a esquerda não induz obrigatoriamente que se seja de direita.

No poder, as diferenças esbatem-se. O discurso mantém as tonalidades. Mas a acção deixa o mesmo halo de desencanto.

Um pouco de humildade seria necessário na política. Na vida.

publicado por Theosfera às 10:36

Na sepultura de um convento austríaco foi encontrada a seguinte inscrição: P.P.P.. Apenas.

Procurando decifrar a mensagem, chegou-se à conclusão de que o percurso do tumulado tinha sido o seguinte:

 

Piper peperit pecuniam (a pimenta gerou dinheiro).

 

Pecunia peperit pompam (o dinheiro gerou a pompa).

 

Pompa peperit paupertatem (a pompa gerou pobreza).

 

Paupertas peperit pietatem (a pobreza gerou a piedade).

 

Todos os caminhos vão (mesmo) dar a Deus. Até os mais improváveis. O importante é que não estacionemos nas etapas. O fundamental é que visemos a meta.

publicado por Theosfera às 10:28

Hoje, 12 de Setembro, é dia do Santíssimo Nome de Maria, Sto. Apolinário Franco, S. Tomás de Zumárraga e seus Companheiros mártires, Sta. Maria Vitória Forláni e Sta. Maria de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:04

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Os melhores jogadores portugueses jogam ao lado dos melhores jogadores do mundo.

Como é óbvio, nem sempre os melhores estão bem. Nem sempre os melhores ganham. Toda a gente entende isso.

Percebe-se, portanto, que a Selecção possa perder com a Alemanha, a Espanha, o Brasil, a Holanda, etc.

Já se percebe menos que Portugal perca com a Albânia ou empate com o Chipre.

Os jogadores portugueses são muito melhores, embora não seja inabitual as melhores equipas perderem com equipas (consideradas) inferiores.

Ainda há dias, o Manchester United perdeu (e por 0-4) com uma equipa do terceiro escalão inglês.

O problema que se tem acentuado em Portugal é que, de há uns tempos para cá, a Selecção parece não jogar com as outras selecções, mas contra si mesma.

Os jogadores portugueses como que estão tolhidos, encolhidos. Parecem jogar contra si próprios: contra os seus medos e contra as suas expectativas.

É preciso libertar o talento.

A derrota pode surgir. Mas o que não há-de desaparecer é a alegria de jogar!

publicado por Theosfera às 19:18

1. Não foi a 11 de Setembro que o mundo mudou. Mas foi a 11 de Setembro que o mundo acordou para a mudança. Aqueles trágicos estrondos funcionaram como detonadores da presença de uma nova realidade.

E foi assim que tomámos consciência de que entrámos não apenas num outro tempo, mas também num outro mundo.

 

2. A despesa da guerra contra o terrorismo arruinou os Estados Unidos. E a vontade de justiça depressa degenerou em sede de vingança. Os ofendidos acabaram por reproduzir o comportamento dos ofensores.

À falência económica somou-se, pois, a decadência moral. Resultado: a resposta à violência consistiu num acréscimo de violência e num decréscimo da segurança. Não estávamos seguros em 2001. Estaremos mais seguros hoje?

 

3. A mudança para a qual o mundo acordou pode ser sinalizada na queda do Muro de Berlim e naquilo que ela significou. O adversário deixou de ser visível e localizado. Passou a ser ignoto e a estar em parte incerta, ou seja, em toda a parte.

Esta situação é mais perigosa. O risco já não vem de um estado, nem de um exército. Em último caso, vem do coração humano.
Uma única pessoa pode destruir a humanidade.

 

4. Uma das (muitas) coisas que o 11 de Setembro inaugurou foi uma percepção terrível. O terrorismo é como a morte: acaba sempre por acontecer. Só não sabemos quando.

Daí que o pessimismo aparente ser mais inteligente que o optimismo. Leva-nos a contar com o pior e a tentar retardar os factos. Mas estes, de uma forma ou de outra, acabarão por sobrevir.

 

5. Neste momento, mesmo quando não há combates, o mundo sente-se em guerra. Mesmo quando não existem ataques, a humanidade sente-se na necessidade de se defender.

Até 2001, sabia-se onde morava o inimigo. Agora, não sabemos onde ele se encontra. Nem o lugar do próximo atentado. Nem qual é o seu alvo. Que, aliás, pode ser qualquer um de nós.

 

6. O terrorismo global inaugurou uma era paradoxal. Qualquer atentado pode ser visto em directo.

Os seus autores é que permanecem invisíveis. Outrora, anunciava-se o início dos combates. Hoje, os atentados só são conhecidos depois de ocorrerem e de terem contabilizado muitas vítimas.

 

7. Ninguém diga, por isso, que estava preparado ou que tinha soluções para estes problemas. O que veio depois do 11 de Setembro atesta que, por vezes, as soluções agravam os próprios problemas.

Quando se fala da necessidade de fazer justiça, na prática o que se pretende é imitar quem comete a injustiça. Acha-se que, respondendo ao mal com o mal, a justiça fica reposta. Mas, na verdade, é somente a violência que cresce.

 

8. A violência só desaparecerá com a introdução de uma cultura da não-violência.

Jesus foi, por vezes, mal recebido em certas terras. Nessa altura, não litigava. Ia para outro lugar. Gandhi, que muito admirava Jesus, recomenda o mesmo: seguir em frente.

 

9. Os séculos, aprendemos com Eric Hobsbawn, não se contam apenas por datas. Contam-se sobretudo pelos acontecimentos que os balizam. O século XX terminou, em 1989, com o desmoronamento daquilo que o tinha iniciado em 1917: a Revolução Russa.

 

10. O século XXI terá começado em 2001. Nele, as guerras já não opõem apenas povos. As guerras podem ser de uma pessoa ou de um grupo contra a humanidade inteira.

Entraremos no século XXII quando a civilização vencer a barbárie. Bastarão cem anos para lá chegarmos?

publicado por Theosfera às 11:32

Nada se faz sem o contributo de cada um. Nada de bom se consegue sem a contribuição de todos.

Albert Einstein notou: «Nada de verdadeiramente valioso pode ser alcançado a não ser através da cooperação altruísta de vários indivíduos».

Realço o qualificativo «altruísta».

Não basta, de facto, cooperar. É fundamental cooperar pensando nos outros, pensando em todos!

publicado por Theosfera às 10:35

Não sei se são fenómenos pontuais e passageiros, se são uma tendência que se impõe.

Os países estão a partir-se. Olhe-se para a antiga União Soviética.

Muitos países surgiram. Mas dentro de alguns países outros países parecem emergir.

O Reino Unido nunca quis unir-se muito à Europa. Agora é a Escócia que também parece não querer continuar unida ao Reino Unido.

Os povos não parecem querer aglomerar-se por países. As pessoas não parecem querer pertencer a um país, mas um mundo.

A cultura mundo, de que fala Lipovetsky, vai-se impondo. A vida decide-se cada vez mais no plano local e no plano global.

Um novo mundo está a nascer?

publicado por Theosfera às 10:35

Ronald Wright acorda-nos para o essencial e ajuda-nos a excitar não o medo, mas a lucidez e a solidariedade.
No dia 11 de Setembro de 2001 morreram 3 mil pessoas. Todos chorámos por elas.

Mas, diariamente, morrem 25 mil pessoas por causa da água contaminada. Todos os anos, 20 milhões de crianças ficam deficientes por causa da subnutrição. Que fazemos por elas?
Por outro lado, se queremos mesmo superar (e não agravar) o terrorismo, é preciso ir não apenas aos seus sintomas, mas sobretudo às suas causas.

«A violência é criada pela injustiça, pela pobreza, pela desigualdade. É claro que a barriga cheia e uma atenção imparcial não são suficientes para deter um fanático, mas reduzem grandemente o número daqueles que se tornam fanáticos».

publicado por Theosfera às 01:59

Faz hoje treze anos que as torres caíram e muita gente morreu.

Todos nós lamentámos o que aconteceu.

Mas, depois do 11 de Setembro, muita morte foi semeada e muito sangue continuou a ser derramado.

Quem chora os mortos no Iraque, no Afeganistão, na Espanha e na Inglaterra?

A descivilização (feliz expressão cunhada por Jack London) parece ter vindo para ficar.

Quando compreenderemos que o ódio não resolve, a vingança não surte e o rancor não soluciona?

Só no perdão está a salvação.

É o que o Senhor Jesus nos recorda no Evangelho.

E é também o testemunho que nos vem de um antigo presidente norte-americano (Abrhaam Lincolm), que defendia o seguinte: «A melhor maneira de eliminar um inimigo é transformá-lo em amigo».

Quando deixaremos de seguir a Lei de Talião? Quando nos converteremos à Lei de Cristo?

Dois mil anos não são suficientes?

publicado por Theosfera às 00:57

Hoje, 11 de Setembro, é dia de S. Jacinto, S. Proto e S. João Gabriel Perboyre.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Debater deixou de ser dialogar. Debater é sobretudo bater.

A preocupação não é tanto apresentar os melhores argumentos, mas assestar os maiores ataques.

A alternativa não é fácil. Fugir ao debate é visto como fraqueza. Participar no debate é expor-se ao ataque.

A solução passa por atacar? É o que muitos acham. Os debates tornaram-se mais reactivos do que pró-activos.

Os participantes estão mais preocupados consigo do que com o país.

Albert Camus achava sinal de lucidez substituir «o diálogo pelo comunicado». Não é tão exaltante. Pode ser que seja mais esclarecedor.

Um debate tem de ser mais que um combate!

publicado por Theosfera às 10:40

‎10 de Setembro não é só a véspera do 11 de Setembro, uma data tingida pela tragédia.

Faz hoje 50 anos que foi assinado o prefácio de um dos livros mais marcantes do último século: «Teologia da Esperança».

Nele, o teólogo luterano Jurgen Moltmann entra em diálogo com as principais correntes do pensamento e assinala um horizonte mobilizador para o presente.

Belos, sem dúvida, esses anos 60. Quero crer que as janelas então abertas não se fecharam de vez.

publicado por Theosfera às 04:52

Faz hoje 36 anos que foi proferida uma das frases mais espantosas de sempre.

Foi, de facto, a 10 de Setembro de 1978 que o Papa João Paulo I (que viria a morrer a 29 desse mesmo mês) disse que «Deus é Pai e, ainda mais, Mãe»!

Para o «Papa do Sorriso», Deus não faz mal, não castiga. «Só quer fazer-nos bem a todos».

É por isso que «Deus tem os Seus olhos abertos, mesmo quando nos parece que é de noite» Acrescentaria: «Sobretudo quando nos parece que é de noite»!

publicado por Theosfera às 03:45

Hoje, 10 de Setembro, é dia de S. Nicolau de Tolentino, S. Francisco Gárate e Sta. Pulquéria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 09 de Setembro de 2014

Há pessoas que parecem ter um problema com a realidade. Custa-lhes aceitar as coisas como são.

Com os povos aparenta suceder o mesmo.

Então, agora, que estamos cada vez mais interdependentes, é que surge a vontade de se tornar independente?

Nunca fomos tão dependentes como hoje. Nunca houve tantos países (formalmente) independentes como hoje.

Há uma necessidade de lutarmos contra as evidências. Mas não adianta. As coisas são como são!

publicado por Theosfera às 10:47

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