O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 08 de Agosto de 2014

Bom livro não é tanto o que nos faz admirar o autor, mas o que nos permite descobrir uma pessoa.

Era o que já pressentia Pascal: «Ao ver um estilo natural, ficamos surpreendidos e encantados, pois esperávamos ver um autor, e encontramos um homem».

Um livro há-de ser uma «explosão» da alma!

publicado por Theosfera às 10:14

Um livro não traz apenas informações. Um livro é também (e bastante) um despertador de horizontes.

Era o que Jean Rostand pedia: «Peço a um livro que crie em mim a necessidade daquilo que ele me traz».

Um bom livro não se esgota na última página.

A última página de um livro há-de ser a primeira de muitas páginas na vida!

publicado por Theosfera às 10:11

Os objectivos são essenciais. São eles que alentam e alimentam.

Podemos não os atingir, mas são eles que nos espevitam enquanto não os conseguimos alcançar.

Acontece que os meios também contam. Não vale tudo.

É preciso que os meios respeitem. É fundamental que os meios não atropelem.

Georges Braque advogava: «Não é o objectivo que tem interesse, são os meios para o alcançar».

É claro que o objectivo tem interesse. Sem ele não sabemos para onde ir.

Mas os meios não têm menos peso. São eles que mostram a forma como queremos chegar.

E há amostras que assustam!

publicado por Theosfera às 10:07

Quanto mais autêntico, tanto mais verdadeiro e bom.

Fernando Pessoa, pensando na poesia, fez a seguinte clarificação: «O poeta superior diz o que efectivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir».

Definitivamente, a capacidade repousa na autenticidade.

Quem não se deixa aprisionar é quem mais belamente se expressa e manifesta.

O essencial é abrir a alma. É de lá que tudo vai. É para lá que tudo volta!

publicado por Theosfera às 09:56

A audácia de conquistar não garante a conquista, mas, pelo menos, não nos afasta dela.

Já o medo de perder o que se conquistou, e que também não nos assegura nada, pode levar-nos a perder tudo.

Bem dizia Epicuro: «Pelo medo de ter de se contentar com pouco, a maioria dos homens deixa-se levar a actos que aumentam ainda mais esse medo».

De novo se confirma: quem arrisca pode perder, mas quem não arrisca já está perdida.

A vida é dom contínuo e um risco constante. Viver é arriscar!

publicado por Theosfera às 09:48

Um padre não deixa de ser humano e é vital que nunca seja desumano.

Ele não deixa de ser homem quando sobe as escadas para a igreja. E não deixa de ser padre quando desce as escadas da igreja.

Sempre homem, sempre padre.

Um padre deve cultivar sentimentos evitando alimentar ressentimentos.

É óbvio que um padre também se sente, também sofre.

O que o padre nunca deve é fazer sofrer.

O padre deve estar ao lado, não dos causadores do sofrimento, mas das vítimas do sofrimento.

Nem sempre terá respostas que aquietem todas as perguntas, mas deverá ter perguntas que inquietem muitas respostas.

publicado por Theosfera às 00:22

Senhor,
se necessitas de valentes sob o Teu estandarte,
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio,...
aí estão Lourenço e Cecília...

Mas, se por acaso, alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante, de um orgulhoso,
de um cobarde, de um ingrato ou de um impuro,
de um homem cujo coração esteve fechado e cujo rosto foi duro...,
aqui estou eu!
Quando te faltarem os outros, a mim sempre me terás!

 

 

Uma bela oração de Charles Péguy.

publicado por Theosfera às 00:01

Hoje, 08 de Agosto, é dia de S. Domingos (Fundador da Ordem dos Pregadores), 14 Santos Auxiliadores e Sta. Maria Margarida do Sagrado Coração, Fundadora das Irmãs Mínimas do Sagrado Coração.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 07 de Agosto de 2014

Muito se aprende nos hospitais.

Ali há pessoas que olham para os outros como pessoas.

Ali se vêem profissionais muito ocupados que consultam, examinam, receitam e ainda conseguem dizer o nome, alimentar uma conversa e estender a mão.

Ali encontramos vidas que sofrem e que, não obstante, são capazes de oferecer um sorriso.

Ali se concentra muita dor, sem dúvida. Mas ali escorre também muita esperança.

Ali se desvela o que verdadeiramente importa.

De um momento para o outro qualquer um ali pode entrar. Mas, lá dentro, há sempre quem despeje ânimo para aqueles que só pensam em voltar a sair. Com alívio, certamente. Mas, para meu espanto, talvez com saudade do que por lá se vê.

Afinal, tudo é tão pequeno diante da dignidade da pessoa que sofre. E que nos ensina a nunca desistir.

Ali não se fala muito. Há olhares que dizem tudo.

Vêm de dentro. E cavam uma marca imperecível no nosso fundo mais fundo!

publicado por Theosfera às 22:18

Neste dia, faria anos o meu querido amigo (e saudoso conterrâneo) Padre Manuel Pedro de Almeida, prematuramente falecido.

Foi ordenado vinte anos antes de mim, em 1969.

Uma prece e um forte abraço. Remetido à eternidade.

publicado por Theosfera às 11:05

Numa guerra, só os litigantes são diferentes. Os métodos acabam por ser iguais ou muito parecidos.

As semelhanças nos comportamentos retiram legitimidade à reivindicação de uma putativa diferença.

Os que se consideram vítimas acabam também por fazer vítimas.

Não trazem nenhum morto à vida. Não é garantido que protejam alguma vida.

O saldo é eloquente: a guerra multiplica mortos e divide culpas.

O pior é que não selecciona alvos. Nem as crianças são poupadas.

O mais triste é que os que se conhecem (e decidem a guerra) protegem-se. Os que não se conhecem (e nada têm que ver com a guerra) são os que penam, os que pagam, os que morrem.

É claro que, só por si, os programas «fome zero» não eliminam a fome. Mas abrem um caminho e apontam uma direcção.

Porque é que não se pensa seriamente num objectivo «armamento zero»? Se não houvesse armas, a violência não teria instrumentos.

Se querem lutar, lutem contra a fome. Pavoroso é um mundo onde há armas para matar a vida e parece que não há armas para matar a fome!

publicado por Theosfera às 10:33

Será que a competição contribui para o progresso e estimula a felicidade?

Há quem ache que sim. Mas está por provar.

A mentalidade competitiva só cultua os que triunfam. Esquece-se, porém, de apurar a forma como se triunfa.

Muitas vezes, triunfa-se sobre os outros ou até contra os outros.

A competição acaba por ter uma história complexa, em que só avultam os que se chegam à frente.

Decisivo se torna fortalecer a comunhão e a solidariedade.

Para que o importante não seja alguém chegar antes, mas seguirem todos em frente!

publicado por Theosfera às 10:16

Ao longo da vida, o padre vai coligindo muitos apontamentos e coleccionando não poucos desapontamentos.

Nenhum desencanto, porém, obscurecerá o permanente reencantamento pelo Deus do povo e pelo povo de Deus.

Se há decepções, também há consolações.

Se é certo que sentimos longe alguns que considerávamos perto, também é verdade que nos sentimos perto de muitos que julgávamos longe.

publicado por Theosfera às 00:20

Hoje, 07 de Agosto, é dia de S. Sisto II, S. Caetano, Sto. Alberto de Trápani, Sto. Agatângelo de Vêndome e S. Cassiano de Nantes.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 06 de Agosto de 2014

E eis que, à medida que Agosto cresce, o tempo parece que decresce.

A mancha diurna de cada jornada vai-se encolhendo.

A noite visita-nos mais cedo. O sol vai acordando um pouco mais tarde.

Confesso que a companhia deste sopro crepuscular apazigua o espírito e tonifica a vontade.

É como se a natureza estivesse a pedir-nos mais tempo para meditar, para calar, para olhar o que, habitualmente, não é visto: o lado de dentro!

publicado por Theosfera às 20:42

«Varvatar» é uma palavra arménia que significa «decoração com rosas».


Esta era a festa pagã daquele povo no primeiro dia do mês que antecedeu a sua conversão.


S. Gregório, o Iluminador, transformou tal festa numa festa cristã: a festa da Transfiguração.


Na montanha do Tabor, enquanto rezava, Jesus viu o Seu rosto ser transfigurado.


Ouviu-Se a voz do Pai numa nuvem: «Este é o Meu Filho muito amado. Escutai-O».


É isso que tentamos fazer, dia a dia: escutar Jesus. Para nos transfigurarmos n'Ele!
publicado por Theosfera às 10:44

Há quem goste de ser aplaudido. Há quem se delicie quanto os outros concordam com o que dizem.

Não era esse, porém, o sentir de Oscar Wilde.

De um modo talvez provocatório, confessou: «Ah! Não me diga que concorda comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado».

É possível que estivesse certo!

publicado por Theosfera às 10:25

Outrora, a vida das cidades era bem diferente da vida do campo.

Agustina Bessa.Luís estabeleceu essa diferença com grande precisão: «As cidades não são pátrias. É na província que se encontra o carácter e a mística duma nação, e os grandes escritores deixam-se amarrar ao espírito das terras nulas e sensatas a que extraem um brilho que a pedra polida da capital não tem».

Hoje já não será bem assim.

Desde logo, porque os campos, muitos campos, estão a ficar desertos.

E, depois, porque o estilo de vida também já começa a ser agitado.

É preciso correr para a escola, porque na aldeia já não há escola.

É preciso correr para o médico porque em muitas aldeias já não há médico.

Mas pode ser que, com esta nostalgia, o regresso ao campo seja mais apetecível!

publicado por Theosfera às 10:19

Entendia Albert Einstein que «o estudo em geral, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido ficar crianças toda a vida».

Ainda bem.

O nosso problema é pensar que, quando crescemos, não precisamos de procurar.

Isso não é maturidade; é ilusão. Isso não é sabedoria; é arrogância!

publicado por Theosfera às 10:12

É bom ser agradável para toda a gente. Mas é perigoso tentar agradar a todo o custo.

Aliás, Stendhal já prevenira: «Quanto mais agradamos, tanto menos profundamente agradamos».

É um caso em que a quantidade não rima com qualidade.

O melhor é ser autêntico!

publicado por Theosfera às 10:05

Muitos se espantam. Alguns revolucionários de ontem são vistos como conservadores hoje.

Afinal, que terá acontecido? Basta escutá-los e basta escutar.

A revolução, ontem, era vista como transformação. A revolução, hoje, tende a ser vista como mera dissolução.

Transformar é tentar mudar, é tentar melhorar. Mas da dissolução o que fica?

Quando tudo se dissolve, alguma coisa subsistirá?

publicado por Theosfera às 09:59

A transfiguração de Jesus é realidade e é apelo, apelo à nossa própria transfiguração.

 

Não é despiciendo notar que a transfiguração ocorre no âmbito da oração.

 

A oração transfigura, altera, felicita.

 

Deixemo-nos transfigurar. Por Cristo. Com Cristo. Em Cristo.

publicado por Theosfera às 00:46

A moral pode não ser científica. Mas a ciência não pode ser imoral.

Eis o que pensava Jules Poincaré: «Não é possível que exista uma moral científica; mas também não é possível que haja uma ciência imoral».

O problema é que nem sempre a ciência está imune ao assédio da imoralidade. A moral é sempre necessária. E cada vez mais indispensável!

publicado por Theosfera às 00:39

Foi em Hiroshima, em 1945.

Completam-se, hoje, 69 anos do lançamento da primeira bomba atómica.

A segunda guerra caminhava para o fim, mas a paz estava longe de ser garantida.

Ficou demonstrado que o potencial destruidor do Homem é brutalmente forte.

publicado por Theosfera às 00:36

6 de Agosto de 1978. Era Domingo.

Há 36 anos, tinha eu 13, acompanhava meus Pais numa visita pelos campos.

Liguei o pequeno transistor para ouvir uma partida de hóquei em patins.

De repente, a emissão é interrompida. Tinha morrido o Papa.

Paulo VI terminava a sua jornada terrena.

Foi um papa incompreendido, comedido nas atitudes. Mas tinha gestos surpreendentes e palavras profundas.

Finalizou a obra iniciada por João XXIII: o Concílio Vaticano II.

Transportou a Igreja para o nosso tempo.

Sofreu alguns vendavais. Mas ele nunca respondeu com qualquer tempestade.

Manteve sempre um porte sereno, acolhedor, sofrido. E sempre alentador!

publicado por Theosfera às 00:34

Há coisas que um padre pode não entender.

Muitas vezes, nem adianta esgrimir razões. Arriscamo-nos a tropeçar em eventuais «des-razões» nossas e em prováveis «sem-razões» alheias.

No entanto, nunca perde a razão quem mantém a disponibilidade.

De um padre espera-se acção, mas também rectidão, compostura, urbanidade.

Não basta saber nem saber fazer; é fundamental saber estar.

O padre deve mostrar o que é e ser o que mostra.

Pode nem ser muito competente, mas tem de ser uma pessoa decente, em quem se possa confiar.

publicado por Theosfera às 00:18

Hoje, 06 de Agosto, é dia da Transfiguração do Senhor (festa celebrada, em alguns locais, como do Santíssimo Salvador), S. Justo e S. Pastor.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 05 de Agosto de 2014

Não basta ler. É preciso tentar entender o que se lê.

O Padre António Vieira assinalou: «O livro, sendo o mesmo para todos, uns percebem dele muito, outros pouco, outros nada».

Mas, para entender, não chega ter uma inteligência brilhante. É fundamental possuir um coração puro.

Como notou Antoine de Saint-Exupéry, «só se vê bem com o coração»!

publicado por Theosfera às 10:55

1. Afinal, o que é ser padre?

Às vezes, parecem ser tantas as variáveis que até se arriscam a engolir aquela que deveria ser a única constante: Jesus Cristo.

 

2. Toda a gente tem uma noção do que é ser médico, futebolista ou artista. E toda a gente acaba por ter também uma ideia do que é ser padre.

O problema é que essa ideia está longe de ser uniforme ou minimamente concorde. Pela amostra, será uma ideia largamente plurívoca e disforme, talvez potencialmente equívoca.

 

3. São muitas as variáveis que se introduzem na tipologia do padre.

Dir-se-ia que tais variáveis são inevitáveis e podem ser até saudáveis. A questão é saber se poderão ser harmonizáveis.

 

4. O padre é uma espécie de nada em que cabe tudo.

Há padres a fazer coisas muito diferentes. Isso é fonte de admiração e, como é óbvio, é igualmente causa de alguma perplexidade.

 

5. É natural que cada padre incorpore as marcas do tempo em que vive e do lugar onde está.

De um padre é fácil saber para onde vai. De todo o padre é vital que se saiba donde vem.

 

6. Todo o padre vem de Cristo. Todo o padre transporta Cristo.

Todo o padre é chamado a oferecer Cristo e a encaminhar para Cristo.

 

7. Assim sendo, até a maior diversidade não deixará de ser cristiforme.

É Cristo que dá sentido até ao que parece não ter sentido. É em Cristo que conseguimos suportar o próprio insuportável.

 

8. Ser padre começa, pois, por ser um sonho de viver inteiramente em Cristo, de levar Cristo a todas as vidas, de alocar Cristo em todos os corações.

Nem sempre a realidade voa à altura do sonho. É imperioso que o sonho nunca feneça, ainda que as forças possam vir a desfalecer.

 

9. Vinte e cinco anos depois, continuo habitado por este sonho. E disponível para que o sonho não seja apenas sonho.

Não são os obstáculos que farão recuar. Confio numa força maior que todas as forças.

 

10. Cristo não é só ideal. Cristo é — será sempre — o meu real, o meu ideal real, o meu eterno real.

Ele é o ser que me faz ser, mover e comover. Hoje mais do que ontem. E seguramente menos do que amanhã!

publicado por Theosfera às 10:45

A maldade parece que não tem limites. Mas, às vezes, cria ilusões.

A maldade de alguém pode tropeçar numa maldade maior de outro alguém.

Emanuel Wertheimer reconheceu: «A maldade pode muitas vezes sacrificar-se a si mesma: é quando renuncia voluntariamente a uma vantagem pessoal para vantagem de outrem».

O melhor é mesmo não ir por aí. O caminho da maldade é um descaminho!

publicado por Theosfera às 10:35

A palavra não é tudo, mas abre-nos as portas para quase tudo.

Já dizia Clarice Lispector que «a palavra é a isca para pescar o que não é palavra».

A palavra deve olhar para lá de si própria.

Ela deve ser o eco da voz reprimida de muitos injustiçados!

publicado por Theosfera às 10:14

A realidade encolhe-se, muitas vezes, diante das aparências. No fundo, são estas que contam.

É que, muitas vezes, só vemos o que aparece. Falta-nos escutar o que existe.

La Rochefoucauld notou que «o mundo recompensa com mais frequência as aparências de mérito do que o próprio mérito».

Por natureza, o mérito é discreto. Não toca trombetas nem se move à frente dos holofotes.

Nós é que temos de nos habituar a olhar o que, para muitos, é invisível!

publicado por Theosfera às 10:07

Pouca gente saberá, mas as festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios começaram por ser neste dia 5 de Agosto, liturgicamente dedicado a Santa Maria Maior ou Nossa Senhora das Neves.

Entre 1745 e 1777, as festas decorriam neste dia. Só a partir de 1778 começaram a acontecer a 8 de Setembro, solenidade do Nascimento de Nossa Senhora.

Este dia 5 de Agosto era antecedido de uma Novena que, tal como sucede agora, era muito cedo. Aliás, a própria festa de 5 de Agosto decorria entre as 5 e as 6 horas da manhã.

O Santíssimo Sacramento era exposto no peito da imagem de Nossa Senhora dos Remédios, seguindo-se a Missa cantada com sermão. Nessa altura, ainda não havia procissões.

publicado por Theosfera às 05:15

Não existe autarquia ministerial.

O padre não age em seu nome.

Não é gestor de uma carreira nem promotor de interesses.

Não está onde quer, mas onde é preciso.

Daí que tão depressa esteja a chegar como possa estar a partir.

O seu campo de trabalho é o mundo; a sua paixão é a humanidade; a sua única morada é Deus.

publicado por Theosfera às 00:16

Hoje, 05 de Agosto, é dia de Sta. Maria Maior (ou Nossa Senhora das Neves), Sto. Abel de Reims e Sto. Emídio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 04 de Agosto de 2014

Uns parecem melhores do que são.

Outros são melhores do que parecem.

Outros parecem exactamente o que são e ficamos assustados.

E outros são precisamente o que parecem e ficamos profundamente reconhecidos.

A vida vai-se encarregando de fazer a grande triagem e a decisiva selecção!

publicado por Theosfera às 10:14

É inevitável, mas acaba por ser ocioso.

Nas guerras, é como no futebol e na política. As pessoas tomam partido.

Nesta altura, uns estão pelos israelitas, outros estão pelos palestinianos.

Quem terá razão, afinal? Razão? Como é possível alguém ter razão numa contenda que se salda apenas por mortes?

Uns não têm razões para atacar. Outros não têm razões para retaliar. As vítimas não têm razões para ser mortas.

Em nome da decência, só podemos estar de um lado: do lado das vítimas. Dos que já morreram. Dos que irão morrer.

Até quando?

publicado por Theosfera às 10:08

A vontade é um precioso auxílio. Mas pode ser também um perigoso entrave.

Quando se quer, consegue-se muito, apesar das adversidades. Quando não se quer, nada se alcança, ainda que se multipliquem as ajudas.

Já Confúcio tinha reparado: «De nada vale tentar ajudar aqueles que não se ajudam a si mesmos».

Ninguém pode viver em lugar de ninguém. Todos somos únicos.

Muitos vivem ao nosso lado. Mas ninguém vive em vez de nós!

publicado por Theosfera às 09:58

1. Não se pense que os caminhos da santidade são lineares. Não. Também a santidade é feita de altos e baixos, de avanços e recuos, de tropeços e até de traições.


Hoje, venho falar-vos de alguém que morreu há 155 anos (4 de Agosto de 1859).


Era uma pessoa de excepcional bondade, humildade e santidade. Mas todos os obstáculos lhe foram colocados desde o princípio.


O Padre João Maria Vianney, mais conhecido como Cura d’Ars, entrou muito tarde no Seminário e teve muitas dificuldades nos estudos.


Uma vez que o bispo não se encontrava na Diocese, foi enviado à Diocese vizinha, que distava cem quilómetros, para ser ordenado. Fez todo o percurso a pé sob o sol escaldante de Agosto.


Ninguém da família o acompanhou. Regressou novamente a pé!



2. O Santo Cura d'Ars levantava-se de madrugada. Entregava-se à oração das Horas. Celebrava a Eucaristia. Recitava o Rosário. Dava-se à catequese. Permanecia no confessionário.


Penitenciava-se em excesso. Macerou o corpo, privando-se de qualquer conforto.


Primou sempre por uma irrepreensível delicadeza, mesmo diante de quem era pouco delicado para com ele. Nunca querelou com ninguém, nem quando foi acusado de tudo. Manteve sempre a compostura e a serenidade.


Houve quem chegasse a insinuar que o aspecto macerado do seu rosto, fruto de uma penitência constante, se ficaria a dever a uma vida devassada! Mas o Padre João Maria Vianney nunca se deixou abater.



3. O Santo Cura d'Ars amava a pobreza e convivia com os pobres: «Embora manejasse com muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar pelas suas obras sócio-caritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as suas famílias mais indigentes».


Por isso, ele «era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo». Explicava: «O meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada».


Quando se encontrava com as mãos vazias, dizia contente aos pobres que se lhe dirigiam: «Hoje sou pobre como vós, sou um dos vossos».


Ao meio-dia, tomava uma frugalíssima refeição que lhe faziam chegar. Tão frugal era o almoço que, até à uma da tarde, dava para ler a correspondência, para varrer a casa, para dormir um pouco e para visitar alguns doentes.


Pouca gente sabe, mas o Santo Cura d'Ars também foi cónego. Muito a contragosto, diga-se.


Ele aceitou a custo, fazendo questão de vender a indumentária para gastar com os pobres. E não faltou quem a comprasse...oferecendo-a na mesma ao virtuoso sacerdote.


Até para os santos, as distinções são um problema. E também eles nos ensinam como lidar com elas: não reclamá-las, não recusá-las e não usá-las!



4. É bom ter presente que S. João Maria Vianney foi muito incompreendido e bastante atacado. Infelizmente, os seus maiores detractores eram alguns dos seus colegas padres, que não se coibiram, em público ou em privado, de, a seu respeito, tecerem as mais acrimoniosas filípicas.


No fundo, era a inveja por verem os seus paroquianos a correr para Ars. Chamavam-lhe fanático, falso humilde e até vaidoso o consideravam!


Alguns começaram a escrever-lhe cartas anónimas com as insinuações mais soezes: «Dizem que V. Rev.cia é um santo; faria bem em moderar o seu zelo; caso contrário, ver-nos-emos obrigados a chamar a atenção do senhor Bispo».


Um colega recriminara-o, em voz alta, por não ter faixa. Ouvindo a censura, respondeu o Prelado: «O Padre João Maria tem mais valor sem faixa do que muitos com faixa!»


Uma vez, acusaram-no mesmo ao Bispo como sendo louco. Resposta pronta deste: «Como eu desejaria para todo o meu clero um grãozinho dessa loucura!»


O Santo Cura d'Ars foi sempre um paladino da fé e um distribuidor generoso do amor de Deus junto de todos. Nada o venceu. Ninguém o deteve. Deixou-se sempre conduzir pelo Espírito. Morreu esgotado. Faleceu extenuado. Cansado. Mas pleno e plenificante. Vidas assim nunca se apagam!
publicado por Theosfera às 07:01

O padre pode não fazer aquilo de que gosta nem aquilo que os outros apreciam.

Acontece que o seu desígnio não é satisfazer-se a si nem agradar aos outros, mas servir a todos.

Satisfazer e agradar não rimam com servir.

A diaconia não é um exclusivo do diaconado.

O padre serve para viver e vive para servir.

publicado por Theosfera às 00:15

Hoje, 04 de Agosto, é dia de S. João Maria Vianey (St. Cura d'Ars), Sto. Aristarco, Sto. Eleutério de Társia, S. Gonçalo e S. Rúben Estilita.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 03 de Agosto de 2014

Nem a fome, nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem o perigo, nem a espada. Nada disto nos afasta de Cristo.

 

A única coisa que nos pode afastar de Cristo é a falta de compaixão.

 

Jesus era procurado porque as pessoas sabiam que podiam contar com Ele.

 

Ouvimos dizer, neste Domingo, que Jesus se retirou para um local deserto. Mas o deserto não é ruptura. O deserto desperta até uma maior vontade de comunicar. Em hebraico, deserto diz-se midbar, que tanto significa silêncio como eu falo.

 

É por isso que o deserto surge a par da multidão.

 

O deserto não gera indiferença. Pode até intensificar a relação.

 

E o cerne da relação é a compaixão, é o amor.

 

Não é possível agradar a Deus e ignorar os pobres.

 

Não podemos esperar que o Estado faça tudo na solidariedade.

 

Um dos homens mais sábios de sempre, Kant, pagava do seu bolso pensões mensais a várias pessoas.

 

Compreendeu que, para ajudar os outros, Deus não tem outra mesa além da nossa mesa.

 

É esta a lição nunca totalmente apreendida depois de Jesus.

 

Tantas vezes, em nome de Jesus (e de Deus) vivemos nos antípodas da compaixão.

 

Onde não compaixão, não há fé.

 

Sem compaixão, não convencemos ninguém.

publicado por Theosfera às 12:52

Sófocles achava, há muitos séculos, que «as desventuras que mais atingem os homens são aquelas que são escolhidas por eles».

Talvez tenha razão.

Às vezes, as nossas opções traem-nos. Umas vezes, por excesso de ambição. Outras vezes, por falta de determinação.

O importante é ficar à escuta de Deus na história da vida.

Os Seus sussurros são muito subtis. Precisamos de muita atenção para os acolher.

É por isso que Agostinho da Silva recomendava: «Não faças planos para a vida para não estragares os planos que a vida tem para ti».

É necessário não improvisar na vida. Mas é fundamental estar atento à vida. Às surpresas da vida!

publicado por Theosfera às 12:51

Eu Te bendigo, Senhor
com a fragilidade do meu ser
e a debilidade das minhas palavras,
por tantas maravilhas e por tanto amor que semeias no coração de cada homem.



Eu Te bendigo, Senhor
pela simplicidade da Tua presença
e pelo despojamento do Teu estar.



Obrigado é pouco para agradecer,
mas é tudo o que temos para Te bendizer.



Obrigado, pois,
por seres Pão e Paz,
na Missa que celebramos
e na Missão a que nos entregamos.



Obrigado por seres Pão e Paz
num mundo dilacerado pela fome e martirizado pela guerra.



Fome de Ti sempre!
Fome de Pão nunca!



Que o pão nunca falte nas mesas
e que a paz nunca se extinga nos corações.



Que jamais esqueçamos, por isso,
que a Eucaristia nunca termina.



Que possamos compreender que o "ide em paz"
não é despedida, mas envio.



Queremos trazer-Te connosco,
queremos ser sacrários vivos onde todos Te possam encontrar e reconhecer.



Obrigado, Senhor,
por seres Pão e Paz.



Obrigado por nunca faltares à Tua promessa.
Prometeste ficar connosco e connosco estás.

Sacia a nossa sede de verdade e de justiça.

Pedimos-Te pelos mais pequenos, pelos mais pobres e pelos mais desfavorecidos,
pelos mais sacrificados e por aqueles a quem exigem sempre mais sacrifícios.


Ensina-nos, Senhor,
a sermos mais humanos e fraternos.



Que com Maria, Tua e nossa Mãe,
aprendamos a ser Eucaristia para o mundo.



Obrigado, Senhor, por vires sempre connosco.
Leva-nos sempre conTigo,
Conduz-nos sempre para Ti,
para Ti que és a Paz,
JESUS!

publicado por Theosfera às 12:49

Não basta dizer que amanhã é um novo dia.
É fundamental assumir que tentaremos ser novas pessoas no novo dia.
A novidade não está no calendário. Tem de estar na vida.
Uma santa e feliz noite!

publicado por Theosfera às 00:16

Para o padre, até o mais pequeno significante encerra um grande significado.

O padre encontrará sempre Deus.

Mesmo quando parece mais ausente, Ele acaba por estar presente.

Ele está quando muitos se afastam, quando alguns agridem, quando tantos hostilizam.

Podemos não ouvir sempre as Suas respostas, mas Ele nunca deixa de acolher o eco das nossas perguntas.

publicado por Theosfera às 00:13

Hoje, 03 de Agosto (XVIII Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Lídia (padroeira dos tintureiros), S. Nicodemos, S. Gamaliel e S. Pedro de Anâgni.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 02 de Agosto de 2014

Somos assim. Pensamos no que temos e, ainda mais, no que nos falta.

Schopenhauer até achava que «raramente pensamos no que temos, mas sempre no que nos falta».

Somos uns eternos insatisfeitos. Pena que a nossa insatisfação se esgote no ter!

publicado por Theosfera às 09:08

A liberdade não é a ausência de disciplina. A liberdade maior já inclui a disciplina.

Fernando Pessoa assim o notou: «Ser livre não é não ter disciplina, é não precisar de disciplina - ser rítmico e superior»!

publicado por Theosfera às 09:01

A palavra é o retrato da vida.

Molière assim o reconheceu: «A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos. Os pensamentos são retratos das coisas da mesma forma que as palavras são retratos dos nossos pensamentos»!

publicado por Theosfera às 08:59

As pessoas conhecem-se pelas suas expressões: pelas suas palavras e pelos seus actos.

Tudo leva a marca impressiva do autor.

Já Confúcio notava: «Quem não conhece o valor das palavras não saberá conhecer os homens»!

publicado por Theosfera às 08:57

Para o padre, não se trata de sentir que a liberdade está condicionada; trata-se de assumir que até a (sua) liberdade é oferecida.

Por muito paradoxal que pareça, não haverá maior afirmação de liberdade do que o acto de oferecer a liberdade.

E nunca seremos tão livres como quando mergulhamos na nascente da liberdade: Deus.

publicado por Theosfera às 00:11

Hoje, 02 de Agosto, é dia de Nossa Senhora da Porciúncula, Sto. Eusébio de Vercelas. S. Pedro Juliano Eymard, S. João de Rieti, Sta. Joana de Aza, S. Pedro Fabro e Sto. Augusto Czartoryski.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 01 de Agosto de 2014

A coragem não vem da natureza nem da presunção, mas da vontade e da determinação.

Alfred von Tirpitz tinha como máxima: «Se um homem não tiver coragem para fazer uma coisa, deve "querer" tê-l».

Por natureza, somos todos retraídos. Por natureza, tendemos todos a fugir das dificuldades.

Hoje, talvez mais do que nunca, precisamos de coragem.

Muitos dizem tê-la. Poucos mostram tê-la. Todos precisamos de a querer possuir!

publicado por Theosfera às 19:00

Há palavras que incendeiam mais palavras. E há palavras que acendem silêncios.

Para meditar, precisamos de escutar.

Precisamos de ouvir as palavras que o grande silêncio vai depositando no mundo!

publicado por Theosfera às 09:57

O que faz o dinheiro por nós? Muita coisa, certamente.

O que fazemos nós pelo dinheiro? Tanta coisa, seguramente.

Alguns fazem tanto para o ter e nunca o obtêm. Outros nada parecem fazer e parece que já nasceram com ele.

Enfim, Flaubert pôs a questão como desconcertante crueza: «O que o dinheiro faz por nós não compensa o que nós fazemos por ele».

Por muito que seja, é sempre pouco o que o dinheiro tem para dar!

publicado por Theosfera às 09:51

Passamos muito uns pelos outros, mas será que nos encontramos uns com os outros?

Hoje, há muitas palavras gritadas entre nós e poucas palavras acolhidas por nós.

Como bem notou Bruno Forte, o encontro ocorre entre a palavra e o silêncio.

Nos tempos que correm, banalizamos as palavras e tornamo-nos órfãos de silêncio.

Deixemos que o silêncio fale e uma luminosa surpresa caminhará à nossa frente!

publicado por Theosfera às 05:44

Às vezes, muitas vezes, propendemos a achar que o grande mora longe.

Será que a proximidade empequenece?

Mas, no fundo, pequenos são os olhos que não conseguem ver o grande que está à nossa beira.

Manuel Gonçalves da Costa faria hoje, 1 de Agosto, 104 anos.

Ele, que trouxe tantos factos e tanta gente à lembrança, vai sendo atirado para o esquecimento.

A justiça nem sempre é feita aos melhores.

Foi das pessoas mais brilhantes que conheci.

Um mestre. E um grande amigo.

publicado por Theosfera às 00:19

«É uma grande injustiça impor às consciências normas e leis se não pudermos provar claramente que elas são queridas por Deus».

 

Eis a advertência de um santo: Sto. Afonso Maria de Ligório.
publicado por Theosfera às 00:18

Se o discípulo não é superior ao Mestre (cf. Lc 6, 40), é normal que a vida do discípulo esteja decalcada na vida do Mestre.

Torna-se, portanto, compreensível que o padre seja acompanhado pelo (humanamente) incompreensível.

Mas se a Cruz esteve presente na vida de Cristo, como é que poderia estar ausente da vida do padre?

publicado por Theosfera às 00:10

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