O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 29 de Julho de 2014
A pior coisa para um ideal é ser desconhecido. A segunda pior coisa para um ideal (haverá quem se espante) é ser realizado.

Uma pessoa realizada nem sempre é uma pessoa feliz. Nunca, como hoje, se realizaram tantas coisas. E, nunca como hoje, haverá tanta gente infeliz.

Já Schopenhauer deu conta de que a vontade realizada «leva com mais frequência à infelicidade do que à felicidade».

Daí a sua conclusão, lapidar e talvez provocatória: «Nada é tão fatal para um ideal como a sua realização». É que a realização do ideal pode levar à desmobilização.

O ser humano é mesmo paradoxal. A não realização do que se quer leva ao sofrimento. A realização do que se deseja pode levar ao aborrecimento.

O famoso «inconseguimento» será a via? Pelo menos, não será obrigatoriamente um inconseguimento «frustracional».

Definitivamente, somos seres de procura. Nunca podemos estacionar em nenhuma conquista. Há sempre mais para conquistar. Há sempre (muito) mais para percorrer.

Viver é não desistir de procurar!
publicado por Theosfera às 23:45

A ociosidade também pode contaminar o intelecto.

Na cultura-mundo (Lipovetski) em que vivemos, corremos o risco de formatar um pensamento-padrão.

Há estereótipos que se aplicam a tudo. Sem nos apercebermos bem, nós já não dizemos o que pensamos; limitamo-nos a reproduzir o que outros pensam.

Compramos tudo, neste tempo mercantilizado. Também acabamos por comprar «ideias feitas».

Só que as ideias feitas correspondem a sonhos desfeitos.

Procuremos produzir ideias, as nossas. Podem não ser as melhores. Mas serão o nosso melhor para ajudar a transformar o mundo.

Com ideias feitas não haverá vidas refeitas.

Sigamos o nosso caminho. Escutemos o que a vida nos diz. Ouçamos o que o Espírito nos diz na vida.

Em cada dia. Hoje também!

publicado por Theosfera às 11:29

1. No início, era mais o medo que a vontade, era mais o não-ser que o ser.

Confesso que, raciocínio de criança, o que eu mais queria não era tanto ser padre. O que eu mais queria era não ser militar.

 

2. Devo à guerra, coisa estranha, a primeira inclinação pelo sacerdócio.

Eram muitos os soldados que regressavam da guerra colonial directamente para o cemitério.

 

3. As lágrimas daquelas mães desaguavam, em catadupa, pelos meus quatro-cinco anos. «Também tenho de ir para o Ultramar?», perguntava à minha Mãe. «Todos os rapazes têm de ir. Só os padres é que não vão».

Afinal, nem era bem assim. Os padres até tinham de ir, como capelães. Mas fiquei aliviado. E senti um caminho traçado.

 

4. Nem o 25 de Abril alterou os meus planos.

A 10 de Maio de 1974, abri a minha alma numa folha de papel: «Quando for grande, gostava de ser padre. Não gostaria de desobedecer a Deus nem de ser um padre ruim. E gostaria de falar de Deus aos Homens, de ter gosto em fazer o bem e de ajudar os pobres».

 

5. Na altura, era gago profundo.

Os professores, pensando que me ajudavam, convidavam-me a repetir as palavras em que tropeçava até que elas saíssem sem interrupções.

 

6. Cheguei a pensar em ir para um convento. Mas, a pouco e pouco, decidi: um padre não é só para falar; é também — e bastante — para ouvir.

A gaguez, que perdura, foi-se espaçando. Até que deixei de me preocupar com ela.

 

7. O padre não se pertence a si mesmo, pertence a Cristo.

Tudo no padre fica tatuado por Cristo.

 

8. Daí que me considere um alienado. Pertenço a Cristo e, em Cristo, àqueles por quem Ele deu/dá a vida.

Não formei família para poder fazer parte da família de todos.

 

9. Vinte e cinco anos depois, continuo a gostar de ser padre.

Não são alguns desencantos que obscurecem o permanente encantamento pela missão que abracei.

 

10. Em relação ao que escrevi aos nove anos, só corrigiria a entrada. Na altura, queria ser padre quando fosse «grande». Hoje, noto que, quanto mais pequeno for, mais padre serei.

O importante é que Ele, Jesus, cresça e eu diminua (cf. Jo 3, 30). E Ele, Jesus, cresce sobretudo nos mais pequenos (cf. Mt. 25, 40)!

 

publicado por Theosfera às 10:39

O excesso está mais nos olhos que olham do que na coisa olhada.

Já dizia Ortega  y Gasset que «o exagero é sempre a exageração de algo que não o é».

E quando há exagero, pode haver acidente. O exagero de velocidade retira capacidade de equilíbrio perante uma emergência.

Mantenhamos a moderação. E habituemo-nos a ver o que, habitualmente, não se vê!

publicado por Theosfera às 09:48

Gabriel García Marquez dizia que «aquele que não tem memória arranja uma de papel». Ou uma de computador, acrescentaria.

O papel conserva e o computador guarda. Mas se a pessoa não for ao encontro do que lá se encontra, que restará da memória humana?

publicado por Theosfera às 09:43

Sem darmos conta, há quem queira decidir o nosso destino e desenhar até a nossa felicidade.

Uns dizem-nos para irmos lá para fora. Outros apelam para irmos para fora, mas cá dentro. Outros acenam-nos com férias de sonho.

Agostinho da Silva entreviu tudo isto: «Do que precisa o adulto não é de que lhe talhem felicidade ou paz dando-lhe coisas de que ele talvez nem necessite; só precisa de poder escolher o seu destino; o que hoje plenamente lhe impede, excepto para almas de eleição, a obediência económica a outros homens que por aí mesmo se corrompem e corrompem».

Deixem-nos viver. Será pedir muito?

publicado por Theosfera às 09:35

No início de cada ano pastoral, a pergunta que, invariavelmente, se formula é: «Que vamos fazer?».

 

No decurso das várias etapas e nos balanços retrospectivos de fim de ano, a pergunta a que, inevitavelmente, se pretende responder é: «Como avaliar o que acabámos de fazer?».

 

A missão vai-se, assim, circunscrevendo a uma interminável sequência de realizações que, apesar de estimáveis, nos desgastam muito e preenchem pouco. E todos nos vemos, à força de participar em tantas actividades, a resvalar perigosamente para o activismo.

 

Uma insatisfação percorre os espíritos. Sentimos que a dimensão operativa de Marta é necessária, mas notamos que nos falta a dimensão contemplativa de Maria, sua irmã. Jesus não diz que Marta estava errada. Mas não deixou de afirmar que Maria escolheu a melhor parte (cf. Lc 10, 42).

 

O fazer é, pois, importante. O doutor da lei que interpela Jesus sobre o acesso à vida eterna sabe que ele passa pelo fazer: «Que hei-de fazer para possuir a vida eterna?»(Lc 10, 25). E, depois de contar a parábola do Bom Samaritano, Jesus também responde dentro do fazer: ««Faz tu também do mesmo modo»(Lc 10, 37).

 

Como se compreende, não se trata de um fazer pelo fazer. Trata-se, sim, de um fazer completamente habitado pelo ser, neste caso, por um ser habitado pela bondade e pela compaixão.

 

Fazer pelo fazer não passa de obreirismo. Só um fazer inundado pelo ser é portador de uma mensagem, de uma proposta, de um projecto de vida. Daí a advertência de João Paulo II quando, na Novo Millennio Ineunte, ressalvava que o ser prevalece sobre o fazer. O fazer é chamado a ser uma epifania do ser.

 

Damos conta, hoje em dia, de que o nosso ser está desabitado, ferido e continuamente atordoado por uma espiral de coisas sem fim que temos de fazer.

 

A Igreja não é imune a esta propensão. Fazemos acções para as pessoas, mas estamos pouco com as pessoas.

 

Vamos ao encontro com assiduidade, mas não nos deixamos encontrar com frequência. Faz muita falta, na missão, o estar. Desde logo, porque, como alertava Xavier Zubiri, «estar é ser em sentido forte».

 

publicado por Theosfera às 00:47

Para o padre, a prioridade é estar com Cristo.

Aliás, o Evangelho anota que, antes de os enviar em missão, Jesus quis que os Doze andassem com Ele (cf. Mc 3, 14).

Para ser discípulo de Cristo, é preciso ser receptáculo de Cristo.

Parafraseando Sto. Inácio de Antioquia, diria que todo o padre tem de ser «cristóforo», aquele que traz Cristo.

Só quem traz Cristo pode dar Cristo.

publicado por Theosfera às 00:02

Hoje, 29 de Julho, é dia de Sta. Marta, S. Lázaro e Sto. Olavo.

Refira-se que Sta. Marta é invocada como padroeira dos estalajadeiros, hoteleiros, lavadeiras e cozinheiras.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

mais sobre mim
pesquisar
 
Julho 2014
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro