O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 09 de Junho de 2014

O nosso problema é que andamos muito armados.

Quando não temos armas na mão, não faltam armas na língua.

Há palavras que ferem mais que as próprias armas.

Daí a oração do Papa, ontem: «Senhor, desarma a nossa língua e as nossas mãos».

Não menos a nossa língua do que as nossas mãos!

publicado por Theosfera às 10:54

Do lado de cá, não estão contentes com o estado da república.

Do lado de lá, estão descontentes com a situação da monarquia.

Os portugueses não parecem querer a monarquia.

Os espanhóis mostram querer a república.

No fundo, toda a Ibéria está saturada do poder!

publicado por Theosfera às 10:44

A Copa está a chegar. O Mundial apresta-se para começar.

Uma anestesia global paira sobre o planeta.

Muitos desligam do real. Mas a realidade não desliga.

A vida continua!

publicado por Theosfera às 10:37

Problemas.

Uns criam-nos.

Outros agravam-nos.

Muitos escondem-nos.

Quem os resolve?

publicado por Theosfera às 10:33

A palavra é importante, mas não é tudo.

A palavra dos lábios é nada se não lhe suceder a palavra da vida.

O Padre António Vieira denunciou: «Todos os que na matéria de Portugal se governaram pelo discurso erraram e se perderam».

Palavra sempre. Mas só palavras nunca!

publicado por Theosfera às 10:27

Hoje, 09 de Junho, é dia de Sto. Efrém, S. José de Anchieta e Sta. Ana Maria Taígi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:02

Domingo, 08 de Junho de 2014

O Pentecostes é a festa do Espírito Santo, Aquele que vem quando os apóstolos estão unidos, em oração.

O Espírito é a surpresa, o alento, a esperança. O Espírito é a definitiva transgressão das evidências.

O Espírito é a vitória sobre o medo. O Espírito é aquele que tudo alterifica.

É no Espírito que se alicerca a nossa espera, a nossa esperança.

publicado por Theosfera às 14:15

Espírito Santo de Deus,

Espírito do Pai e do Filho,

Espírito da Igreja,

Espírito do mundo,

nós Te louvamos e agradecemos

por tantos dons.

 

Obrigado pelo dom da sabedoria.

Obrigado pelo dom do entendimento.

Obrigado pelo dom da ciência.

 

Obrigado pelo dom do conselho.

Obrigado pelo dom da fortaleza

Obrigado pelo dom da piedade.

Obrigado pelo dom do temor de Deus.

 

Obrigado pela beleza de cada dia.

Obrigado pela bondade de tantos corações.

Obrigado pela verdade de tantas palavras.

 

Obrigado também pelos silêncios.

Obrigado ainda pela esperança.

Obrigado pela oração.

 

Obrigado por cada manhã.

Obrigado por cada encontro.

Obrigado por cada pessoa.

 

Tu que habitaste o seio de Maria,

habita o nosso coração,

transforma-nos por dentro

e muda-nos a partir do fundo.

 

Faz deste mundo um mundo novo.

Vem recriar a nossa humanidade.

Que este mundo seja um povo de amigos,

um povo de irmãos.

 

Que estejamos cada vez mais fortalecidos para a missão.

Que nunca nos esqueçamos de dar testemunho.

 

Dá-nos sempre o Teu Espírito,

a respiração da nossa vida,

o vento da nossa jornada.

 

Que sejamos outros,

que aspiremos e aspiremos paz,

em Teu nome,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:18

Neste dia do Pentecostes, importa começar por uma correcção.

O Espírito não é alienante; é integrador. Não desvia; alenta.

O Espírito é alento e alimento.

No Espírito, não estamos fora de nada, mas dentro de tudo. 

Tal como os cristãos de antanho, é preciso sair. É preciso sair de nós. Para entrar dentro dos outros.

É por isso que a Bíblia apresenta o Espírito como vento e como pomba.

O Espírito não é manipulável. Sopra quando quer. Voa por onde quer!

publicado por Theosfera às 08:35

É um erro desprezar a história, o seu conteúdo e os seus ensinamentos.

Cervantes já tinha exortado: «A história é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro».

Quem despreza o passado acaba por cair sempre nele!

publicado por Theosfera às 08:13

Hoje, 08 de Junho (Solenidade do Pentecostes e último dia do tempo pascal), é dia de Sta. Maria do Divino Coração, Sta. Quitéria, Sta. Marinha, S. Carlos Spínola, S. Tiago Berthieu, Sto. Ambrósio Fernandes, S. Leão Mangin e seus companheiros mártires e S. Rudolfo Acquaviva e seus companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 01:23

O Pentecostes é a festa do Espírito Santo, Aquele que vem quando os apóstolos estão unidos, em oração.

O Espírito é a surpresa, o alento, a esperança. O Espírito é a definitiva transgressão das evidências.

O Espírito é a vitória sobre o medo. O Espírito é aquele que tudo alterifica.

É no Espírito que se alicerca a nossa espera, a nossa esperança.

publicado por Theosfera às 00:56

Sábado, 07 de Junho de 2014

A atenção não pode ser um exclusivo no conflito.

O padre António Vieira anotou: «Como é necessária a vigilância na guerra, é também preciso maior cuidado na paz».

Sem dúvida.

Sem esse cuidado na paz, o perigo de voltar a guerra é grande. Enorme!

publicado por Theosfera às 09:31

Hoje, 07 de Junho, é dia de Sta. Ana de S. Bartolomeu e de Sto. António Maria Gianelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 06 de Junho de 2014

Celebramos, hoje, o princípio do fim de uma guerra.
Estaremos, hoje, no fim do princípio de uma outra guerra?
Espero que não. Mas há quem receie que sim!

publicado por Theosfera às 10:09

Uma criança é uma pessoa. Ponto.

Uma criança não é um adulto pequeno.
Mas um adulto deveria ser uma criança grande. Grande não em tamanho, mas em dignidade, em rectidão.

O adulto é (devia ser) a criança que ganha maturidade, mas sem perder a inocência!

publicado por Theosfera às 10:02

Haja coerência. Se não for muita, pelo menos que haja coerência q.b.

É que quando nuns casos se defende o cumprimentos das leis e noutros se postula a alteração das leis, não se pode falar de coerência.

Só se pode falar de...conveniência!

publicado por Theosfera às 09:54

Os grandes também brincam. E, por vezes, brincam com as pessoas, com os mais pequenos.

Mas raramente se saem bem dessa actividade lúdica.

Como reconheceu Balzac, «os grandes erram sempre ao brincar com os seus inferiores. A brincadeira é um jogo e um jogo pressupõe igualdade».

Era bom que se pensasse nisto. Enquanto é tempo!

publicado por Theosfera às 09:50

Como todos os portugueses, ficarei contente se a Selecção conseguir um bom resultado. Mas apenas isso.

Nada mudará se Portugal ganhar. Nada se alterará se Portugal perder.

O desenvolvimento do país depende do nosso esforço e não dos caprichos de uma bola!

publicado por Theosfera às 05:48

Hoje, 06 de Junho, é dia de S. Norberto, S. Marcelino Champagnat e S. Filipe, diácono.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 05 de Junho de 2014

Quem é mais ateu? Quem mais nega Deus? O descrente que se assume? Ou o crente que se presume?

 

Não será que o ateísmo dos ateus, no fundo, é mais uma denúncia de muitos crentes em Deus do que uma negação do Deus dos crentes?

 

Quando se contesta a presença pública da fé será que há um incómodo perante Deus ou um desencanto diante do contra-testemunho dos crentes?

 

E, desse modo, não poderá ser o ateísmo uma busca de autenticidade? Não poderão estar, portanto, muitos ateus mais próximos de Deus?

 

Não serão as suas perguntas mais consistentes que as nossas respostas?

 

Quantos serão os crentes que se alojam no coração de quem se diz ateu?

 

E quantos serão os ateus que se escondem no íntimo de quem se diz crente?

 

Admiro os primeiros. Temo os segundos.

publicado por Theosfera às 11:01

Uma frase de Bismark que mantém plena (e flagrante) actualidade: «Um grande estado não pode ser governado com base nas opiniões de um partido».

Antes os contributos de vários partidos que as disputas entre facções de um mesmo partido.

Raymond Aron exarou o essencial quando escreveu que «a democracia é obra comum de partidos rivais».

A rivalidade não pode impedir a confluência e pode fomentar o desenvolvimento.

Entre partidos diferentes é possível haver convergência. Já dentro do mesmo partido é frequente surgirem inimizades.

Todos são necessários para tudo!

publicado por Theosfera às 10:46

Sou republicano por uma questão de princípio, mas reconheço o valor da monarquia.

Entendo que todo o poder deve emanar do povo, mas, muitas vezes, os mecanismos da eleição obscurecem o respectivo desempenho.

A demagogia é o vício que salta mais à vista. Para se obter o poder, recorre-se a tudo. Falta, por vezes, um certo aprumo, uma certa transcendência, um certo mistério.

A autoridade deve estar perto do povo, mas não se deve vulgarizar. A monarquia inglesa (por contraste, por exemplo, com a espanhola) cultiva uma proximidade distante e uma distância próxima.

A rainha aparece, acena, mas quase não fala, nem dá entrevistas.

Esta elevação (feita de silêncio e discrição) oferece uma estética que se diferencia do ruído ensurdecedor a que estamos habituados!
publicado por Theosfera às 10:43

Habitualmente, estas efemérides assinalam aquilo que está em causa.

 

O Dia Mundial do Ambiente chama a atenção para o nosso (des)cuidado para com a natureza.

 

Nos últimos tempos, tem havido sobejos intentos de uma Teologia ecológica.

 

A partir da criação, há elementos de sobra para um crente se empenhar activamente na promoção de uma cultura de respeito para com a totalidade da obra de Deus.

 

Jürgen Moltmann, por exemplo, mobiliza-nos para a urgência de uma ética da reconciliação com Deus, com os homens e com a criação.

 

Haja em vista, desde logo, uma evidência: por cada vitória do Homem contra a natureza, surge uma revolta da natureza contra o Homem.

 

É que Deus perdoa sempre, o Homem perdoa às vezes, mas a natureza não perdoa nunca.

 

Ela sente-se. Estrebucha. Estremece. E revolta-se.

 

Saibamos, pois, respeitá-la e promovamos um ambiente são, harmonioso, sereno e pacificante.

publicado por Theosfera às 00:24

Hoje, 05 de Junho, é dia de S. Bonifácio e S. Doroteu, o Moço.

Refira-se que S. Bonifácio era inglês e foi o grande cristianizador da Alemanha.

Fez suas as (fortes) palavras de S. Gregório, apelando aos pastores para não serem «cães mudos nem sentinelas silenciosas».

O silêncio da escuta tem de desaguar na palavra corajosa e habitada pela esperança.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 04 de Junho de 2014

Há distinções para tudo.

Campanile dividia a humanidade «em duas categorias: aqueles que se levantam tarde e aqueles que se levantam cedo».

É claro que esta distinção é simétrica de uma outra: aquela que divide a mesma humanidade entre os que se deitam tarde e os que se deitam cedo.

Só que há também quem se deite tarde e se levante cedo. E quem se deite cedo e se levante tarde.

Dizem que Einstein dormia dez horas por noite e, «last but not least», não dispensava a sesta.

Enfim, todos somos iguais na diferença.

A diferença, afinal, é aquilo que mais nos une?

publicado por Theosfera às 11:23

Custa muito suportar a dor.

Mas, coisa estranha, a dor passada é sempre menor que a dor presente.

Cioran reconhecia: «O limite de cada dor é uma dor maior».

O que se sofre é sempre mais penoso do que o que se sofreu!

publicado por Theosfera às 11:18

Dizia Aragon, talvez desalentado, que «a vida é um viajante que deixa a sua capa arrastar atrás de si, para que lhe apague o sinal dos passos».

Mas há passos que não passam. Há passos que ninguém consegue apagar!

publicado por Theosfera às 11:11

Um dos maiores paradoxos da existência é as pessoas pacíficas serem arrastadas pela violência dos agressivos.

William Ralph Inge, com alguma ironia, observou: «Não adianta os cordeiros declararem-se vegetarianos enquanto o lobo tiver uma opinião diferente».

O violento não é selectivo.

Despeja a sua violência sobre todos. Talvez mais depressa até sobre os mais pacíficos.

É a vida!

publicado por Theosfera às 10:31

O nome signfica Praça da Paz Celestial (Tiananmen), mas, há 25 anos (4 de Junho de 1989) foi palco de um dos massacres mais sangrentos da História Contemporânea.

Naqueles dias, gritava-se justiça e pedia-se liberdade.

Os tanques apareceram. Mais de 500 pessoas morreram.

A prosperidade chegou, mas a justiça e a liberdade continuam ausentes.

Até quando?

publicado por Theosfera às 00:23

Hoje, 04 de Junho, é dia de S. Tiago de Viterbo, S. Pedro de Verona, Sta Clotilde e S. Francisco Caracciolo.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:21

Terça-feira, 03 de Junho de 2014

1. À primeira vista, os dualismos são estimulantes porque distinguem. Mas tornam-se perigosos já que, quase sempre, opõem.

O maior perigo ocorre precisamente quando o dualismo confunde distinção com oposição.

 

2. Não falta quem estabeleça uma relação (quase) dualista entre Maria e Cristo.

O ponto de partida é inatacável: nada pode ofuscar a centralidade de Cristo. Só que a consequência é totalmente indefensável: o louvor a Maria poria em causa essa mesma centralidade de Cristo.

 

3. Há até quem atinja o escrúpulo de ressalvar que somos «cristãos» e não «mariãos»!

Sucede que a experiência demonstra que uma subalternização de Maria não redunda numa maior concentração em Cristo.

 

4. Concretizando, não se relaciona mais com Cristo quem se relaciona menos com Maria.

A história certifica exactamente o oposto: quem está perto de Maria não está longe de Cristo. O próprio Cristo esteve não só perto de Maria como esteve dentro de Maria.

 

5. É bom não esquecer que Maria, além de discípula, foi receptáculo de Cristo.

Aliás, como poderia afastar de Cristo quem contém Cristo?

 

6. Não admira, pois, que Hans Urs von Balthasar descreva Maria como «cálice do Verbo» e «primeiro sacrário da história».

Em síntese, pode dizer-se que Maria é a primeira cristã, uma cristã antes do próprio Cristianismo.

 

7. Os melhores educadores da fé, os santos, nunca tiveram dúvidas.

S. Luís de Montfort notava que por Maria se chega a Jesus. E, mais recentemente, S. João Paulo II proclamou: «Se dizes “Maria”, Ela repete: “Deus”».

 

8. É por isso que, como bem observou Joseph Ratzinger, «a Igreja abandona qualquer coisa que lhe foi confiada quando não louva Maria».

Seria bom que, mesmo fora do mês de Maio, o Terço se fizesse ouvir em vigílias e outros momentos de oração.

 

9. Há quem lembre que o Terço não é a única oração. Mas há quem esqueça que o Terço também é oração. Ainda por cima, uma oração sábia e simples, profunda e popular.

Ela faz correr pelos nossos lábios (e escorrer pela nossa vida) os mistérios de Cristo.

 

10. O Terço não dificulta nada e facilita tudo. Pode ser mesmo a melhor preparação para a Eucaristia, a oração mariana por excelência.

Sim, porque, como reparou Madre Teresa de Calcutá, aquela que foi o «primeiro altar ofereceu o Seu Corpo para formar o Corpo de Deus»!

publicado por Theosfera às 11:49

Quem vai para a vida pública não tem de pensar apenas na missão que se propõe realizar.

Tem de ponderar também (e bastante) a exposição que vai ter e os ataques que (inevitavelmente) irá receber.

Estou certo de que, muitas vezes, este duplo factor condiciona muitos e acaba por afastar muitos dos nossos melhores valores.

Dir-se-á que são as regras do jogo. E é verdade que já Henri Truman avisava: «Se não suportas o calor, evita a cozinha».

Mas reconheçamos que a «temperatura da cozinha» pode aumentar desmedidamente e tornar impossível o acesso.

Urge introduzir moderação e (sobretudo) decência na vida pública!

publicado por Theosfera às 10:06

A 3 de Junho de 1963, falecia, em Roma, o Papa bom, João XXIII.

 

Nasci e cresci a ouvir falar deste Homem.

 

Minha querida Mãe estava sempre a invocar o nome desta figura enorme da Igreja e da Humanidade.

 

Quem acompanhou a sua trajectória e leu os seus escritos ficou sempre com esta impressão: João XXIII era indulgente com os outros e exigente consigo mesmo.

 

 

O seu lema, extraído de Barónio, era «obediência e paz».

 

Escrevia em 1947: «Em casa, tudo vai bem. A paciência ajuda-me nos meus defeitos e nas minhas imperfeições e dos que trabalham comigo. O meu temperamento e a minha educação ajudam-me no exercício da amabilidade para com todos, da indulgência, da cortesia e da paciência. Não me afastarei deste caminho».

 

Reencontrar João XXIII é sempre um conforto que nunca cansa: «Não há nada mais excelente que a bondade. A inteligência humana pode procurar outros dons eminentes, mas nenhum deles se pode comparar à bondade».

 

E, atenção, «o exercício da bondade pode sofrer oposição, mas acaba sempre por vencer porque a bondade é amor e o amor tudo vence».

publicado por Theosfera às 00:58

1. Apesar do sol, parecem sombrios os tempos que vivemos.

 

E é nestas alturas que mais sentimos a falta não tanto de ideias como de testemunhas. De pessoas de bem. De exemplos que resplandeçam como faróis.

 

Não há dúvida de que o mundo sente mais a ausência de testemunhas do que de mestres.

 

A vacuidade que se apoderou da hora presente não está, em primeira instância, nos conhecimentos. Está, acima de tudo, nos comportamentos.

 

É o vazio que, tingido pelo fútil, faz com que nem o trágico nos pareça tão trágico.

 

 

2. Até o trágico se vai tornando trivial, envolvente. Também ele é afectado pela ditadura da banalidade.

 

Habituamo-nos aos incêndios no Verão e às cheias no Inverno. Já não nos espantam os números da violência doméstica nem os dados da criminalidade.

 

Altera-se a legislação, mas não se muda a vida. Tudo escorre na direcção de um abismo que nem o mais optimista é capaz de suster.

 

No meio desta turbulência, os «heróis» (com umas aspas muito grandes) que fazemos desfilar são os que mostram tudo e não revelam nada.

 

Ficamos deslumbrados com as suas casas, com as suas roupas, com os seus casamentos e separações. Quase sem darmos por isso, somos arrastados pelo vazio que veiculam.

 

 

3. Não é a primeira vez que vivemos épocas destas.

 

Hannah Arendt recorda-nos que «a história já conheceu muitos períodos de tempos sombrios».

 

São tempos em que «a realidade é camuflada pelos discursos e pelo palavreado de quase todos os discursos oficiais que, ininterruptamente e com as mais engenhosas variantes, vão arranjando explicações para todos os factos desagradáveis».

 

As sombras chegam aos tempos «pelo discurso que não revela aquilo que é, preferindo esconder-se debaixo do tapete, e pelas exortações que, a pretexto de defender velhas verdades, degradam toda a verdade, convertendo-a numa trivialidade sem sentido».

 

 

4. Mas, mesmo (diria sobretudo) nestes tempos, «temos o direito de esperar uma luz. É bem possível que essa luz não venha tanto das teorias e dos conceitos como da chama incerta, vacilante e, muitas vezes, ténue, que alguns homens e mulheres conseguem alimentar em quase todas as circunstâncias».

 

A própria Hannah Arendt oferece-nos dez luzeiros em forma de vidas alentadoras para a nossa vida.

 

 

5. Uma dessas vidas é a do Papa João XXIII, que a filósofa judia descreve como sendo «um cristão no trono de S. Pedro».

 

Curiosa a reacção de uma criada de servir aquando da morte do Pontífice: «Minha senhora, este papa era um verdadeiro cristão. Como é que isso foi possível? Como pôde um verdadeiro cristão sentar-se no trono de S. Pedro? Ninguém se terá apercebido de quem ele era?»

 

 

6. Há, obviamente, um exagero e até alguma injustiça. Os papas dos últimos séculos mostraram ser cristãos de fibra, até à medula do seu ser.

 

Mas não deixa de ser sintomática a reacção de uma pessoa simples.

 

Na sua maneira de ver, alguém que irradiava o espírito de Cristo não teria grandes condições de ascender naquilo a que, impropriamente, se chama carreira.

 

 

7. Sabemos que a bondade de João XXIII lhe trouxe não poucos dissabores. Às vezes, a incompreensão acendeu-se dentro da própria Igreja.

 

Não era em vão, porém, que um dos seus lemas era precisamente «sofrer e ser desprezado como Cristo».

 

João XXIII tornou-se uma figura querida porque assumiu, sem o menor constrangimento, o espírito de Jesus.

 

Para ele, todos, incluindo os ateus, eram filhos e irmãos. A justiça sempre o preocupou e mobilizou.

 

Conta-se que, um dia, terá perguntado a um trabalhador como ia a sua vida. Ele respondeu que ia mal. Então, o Papa garantiu que ia tratar do assunto.

 

Houve, no entanto, quem objectasse que, aumentando o salário aos trabalhadores, teria de haver um corte nas obras de caridade.

 

Resposta pronta do Pontífice: «Então é o que teremos de fazer. Porque a justiça está antes da caridade».

 

 

8. São estas atitudes que definem uma vida. E fazem com que as pessoas que as tomam brilhem. Mesmo nas sombras. Sobretudo nas sombras.

publicado por Theosfera às 00:05

Hoje, 03 de Junho, é dia de Sto. Ovídio, S. Carlos Lwanga e seus companheiros mártires, Sto. Isaac de Córdova, S. Juan Diego e S. João grande.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 02 de Junho de 2014

A vida dos portugueses parece irremediavelmente afectada por este paralelismo assimptótico.

Os portugueses vivem cada vez mais tempo, mas com cada vez menos saúde.

A qualidade não enturma com a quantidade.

Será que vivendo menos, haveria maior saúde?

Obviamente, os estudos são omissos a este respeito.

Viver mais tem de ser um sintoma de viver melhor!

publicado por Theosfera às 10:53

A vida, no seu ensinamento, tem-me dito muita coisa. Por exemplo, que importa estar mais atento à linguagem da vida do que à linguagem dos lábios.

Aliás, já Demófilo, general da Grécia Antiga, recomendava: «Presta confiança às acções dos homens, não ao que eles dizem».

Nem sempre.

Mas, muitas vezes, o melhor é tapar os ouvidos e abrir os olhos!

publicado por Theosfera às 10:34

Hoje, 02 de Junho, é dia de Sta. Blandina, S. Potino, Sto. Erasmo, S. Pedro, S. Marcelino e S. Félix de Nicósia.

Refira-se que Sta. Blandina é considerada padroeira da mocidade feminina.

E Sto. Erasmo é invocado contra as tempestades, contra as cólicas, contra as doenças intestinais das crianças e contra as dores de parto.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 01 de Junho de 2014

Era para ser uma despedida,

mas tornou-se a continuação de um encontro.

 

A Tua Ascensão, Senhor,

não é um adeus,

é uma presença eterna,

um encontro constante.

 

Tu não deixaste o Pai quando vieste nós.

Não nos deixas a nós quando voltas para o Pai.

 

Tu és sempre a presença de Deus junto dos homens

e a presença dos homens junto de Deus.

 

Tu não queres que fiquemos a olhar para o Céu.

O que Tu queres, Senhor, é que,

na Terra,

comecemos a construir o Céu.

 

«O Céu existe mesmo»!

O Céu existe já na Terra

quando fazemos o bem,

quando dizemos a verdade,

quando trabalhamos pela justiça,

quando espalhamos a paz.

 

«O Céu existe mesmo»!

O Céu és Tu, Senhor,

O Céu é a Tua e nossa Mãe.

E o Céu podemos ser nós,

se nos respeitarmos como pessoas

e se nos unirmos e amarmos como irmãos.

 

«O Céu existe mesmo»!

E tudo pode ser diferente

e tudo pode ser melhor.

Se agirmos em Teu nome,

um novo começo será sempre possível.

 

«O Céu existe mesmo»!

As trevas não hão-de vencer.

O mal não há-de triunfar.

O egoísmo não há-de persistir.

 

«O Céu existe mesmo!»

As crianças hão-de cantar.

Os velhinhos hão-de sorrir.

E as mãos serão dadas.

 

«O Céu existe mesmo!»

Nós temos a certeza

e não deixaremos de ter a esperança.

As nuvens podem cair.

Mas o sol há-de sempre brilhar.

O sol que é fonte de luz.

O sol que ilumina sempre.

O sol que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:36

Não sou, por natureza, muito dado a comemorações. Muitas vezes, estas escondem e escamoteiam o que se passam fora delas. E que, habitualmente, não é muito salutar.

 

Neste dia mundial da criança, é importante que se pense no que urge fazer para com as crianças em cada dia.

 

É o futuro da sociedade que está em jogo.

 

Elas precisam de coisas. Mas necessitam, antes de mais, de presença, de acompanhamento, de afecto.

 

Dostoiésvky, ao achar que «o amor é mestre», apelava: «Amai sobretudo as crianças porque, como os anjos, estão isentas de pecado e vivem para a purificação dos nossos corações e como que são um guia para nós. Desgraçado de quem ofenda uma criança».

 

As crianças são mestres. Ensinam muito. Mostram, particularmente, que há muito de puro que não deveria desaparecer.

 

Jesus verberava quem escandalizasse uma criança.

 

Os maus exemplos ficam alojados no seu íntimo. As condutas exemplares ficarão também depositadas no seu coração.

 

As crianças merecem o melhor. Porque, como dizia o poeta, elas são o melhor. O melhor do mundo. O melhor de nós.

 

Só é verdadeiramente adulto quem nunca deixar de ser totalmente criança!

publicado por Theosfera às 09:53

A infância é linda. Mas a velhice não deixa de ser bela.

O fulcro da beleza está na profundidade.

John Donne achava até que «nenhuma beleza primaveril ou estival tem a graça que vi num rosto outonal».

No fundo e como dizia Aristófanes, «os velhos são duas vezes crianças»!

publicado por Theosfera às 08:54

No Parlamento Europeu, haverá 130 deputados contra a Europa.

Em 751 não é muito. Mas convenhamos que é bastante.

Como estamos a lidar com este sinal?

A Europa está a estimular a solidariedade entre todos ou apenas a almofadar os interesses de alguns?

Creio que Matteo Renzi pôs o dedo na ferida excruciante destes tempos: «Se a Europa me explica como é que se deve pescar um peixe-espada, mas não me diz nada sobre como salvar um imigrante que se afoga, alguma coisa está a correr mal».

Alguma dúvida?

publicado por Theosfera às 08:47

Ficou mais claro, nas eleições, aquilo que as pessoas não querem do que aquilo que as pessoas desejam.

Dois terços da população não querem nenhum partido.

E, se olharmos para alguns países, uma grande parte parte do eleitorado parece não querer sobretudo os partidos tradicionais.

Quanto mais novo, mais apelativo? Há sinais de saturação e sintomas de precipitação.

Acima de tudo, urge reflectir e inflectir. Até porque o novo depressa passa a antigo!

publicado por Theosfera às 08:34

Muito se tem falado, por estes dias, do direito ao esquecimento.

Acontece que aquilo que se quer esquecer é aquilo que mais é lembrado.

A melhor maneira de esquecer é nem sequer nos lembrarmos do que gostaríamos de esquecer.

Mas será possível?

O esquecimento da memória é selectivo. Está sempre a ser assediado pela memória do esquecimento!

publicado por Theosfera às 08:20

O sucesso não está no resultado.

O sucesso está (ou devia estar) no esforço.

O sucesso não está no que se consegue, mas no que se tenta.

Winston Churchill assinalou: «Sucesso não é final. Falhar não é fatal; é a coragem para continuar que conta».

Enfim, o sucesso não está na meta, mas no caminho.

publicado por Theosfera às 08:10

Hoje, 01 de Junho (Solenidade da Ascensão do Senhor e Dia Mundial das Comunicações Sociais), é dia de S. Justino e Sto. Aníbal Maria di Francia.

Um santo e abençoado pascal dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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