O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

1. Não se pense que Deus só está presente na vida daqueles que O confessam. Ele está também — e bastante — no coração dos que O negam.

 

Entre a fé e o ateísmo, há uma simetria na experiência e, ao mesmo tempo, uma assimetria na direcção que ela acaba por tomar.

 

É por isso que Miguel Torga bem pode servir de fonte de inspiração para sintetizar a trajectória (a)teologal de José Saramago: «Deus. O pesadelo dos meus dias. Tive sempre a coragem de O negar, mas nunca a força de O esquecer».

 

Saramago nunca esqueceu Deus. Mesmo (sobretudo?) quando se assumiu como ateu.

 

E o certo é que foi dos escritores que, nos últimos tempos, mais concorreram para a permanência da questão de Deus como questão central na literatura e, mais vastamente, na vida pública.

 

Acerca de Deus, como alertou Xavier Zubiri, o mais difícil não é descobri-Lo; é encobri-Lo.

 

Se quisesse encobrir Deus, o ateu — sublinha Karl Rahner — «não só teria de esperar que essa palavra desaparecesse por completo, mas também deveria contribuir para esse desaparecimento, guardando completo silêncio, abstendo-se inclusive de se declarar ateu».

 

 

2. No fundo, José Saramago não deixava de ser crente. Acreditava que Deus não existe. Poderá alguém garantir mais do que isto?

 

A crença não é um exclusivo da atitude teísta. Ela abrange também (e bastante) a posição ateísta.

 

André Comte-Sponville, que se considera ateu, assegura que o ateu só pode dizer que acredita que Deus não existe.

 

É que, como nota Hans Küng, «se todas as objecções dos ateus tornam questionável a existência de Deus, não chegam, contudo, a tornar inquestionável a Sua não-existência».

 

Xavier Zubiri assinalava que a relação com Deus pode fazer-se pela via da afirmação, pela via da negação e até pela via da indiferença.

 

Nesta diversidade, os pontos de contacto não escasseiam. Miguel de Unamuno percebeu isto muito bem quando rubricou a célebre frase: «Nada nos une tanto como as nossas discordâncias».

 

A indiferença não foi, seguramente, a via seguida por José Saramago.

 

Deus nunca lhe foi indiferente. Pelo contrário, manteve com Ele uma relação intensa, embora tumultuosa.

 

 

3. Para Saramago, o Homem relativamente a Deus é como o murmúrio de uma ausência: «Deus é o silêncio do universo e o ser humano o grito que dá sentido a esse silêncio».

 

Nos Cadernos de Lanzarote, chegou a escrever que «a existência do Homem é o que prova a inexistência de Deus».

 

Mas não há tantos que fazem exactamente a prova do contrário? Não são tantos os que encontram no Homem a maior epifania de Deus?

 

No passado, Gregório de Nissa falava do Homem como «pequeno Deus» e, mais perto de nós, Xavier Zubiri, apontava o ser humano como «maneira finita de ser Deus».

 

Aqui, prova funciona não como evidência, mas como percepção.

 

A discussão jamais estará concluída. Como refere Philippe van den Bosch, «não há qualquer prova racional da inexistência de Deus. Não há senão convicções individuais e pressupostos».

 

 

4. O que há a destacar é a persistência da procura e a insatisfação do encontro que, por sua vez, desencadeia uma nova procura.

 

Nesta inquietação não laboram apenas os que negam. É conhecido o convite de Santo Agostinho: «Procuremos como quem há-de encontrar e encontremos como quem há-de voltar a procurar».

 

O ateu é alguém que não descansa na procura. É inquieto e inquietante. As suas interpelações não anulam a fé. Espevitam-na e ajudam ao seu aprofundamento.

 

Até o ateu mostra que Deus é uma questão humana. Deve ser também uma questão humanizante, fraternizante.

 

Nem sempre é o isso o que se vê. Deus é vítima de tantas imagens desfocadas e de tantos discursos distorcidos.

 

Em qualquer caso, Ele está em todos. Nos que dizem acreditar. E nos que, não dizendo, acabam por não estar longe d’Ele!

publicado por Theosfera às 05:30

Hoje, 18 de Junho, é dia de S. Gregório Barbarigo e Sta. Osana. Refira-se que S. Gregório Barbarigo foi alvo de «canonização equipolente». Ou seja, o povo já o venerava como santo e o Papa acabou por reconhecer esse culto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 17 de Junho de 2014

1. Aí está mais um Mundial para confirmar o que, desde sempre, se suspeitava e o que, desde há muito, se sabia: o futebol é bastante mais que um desporto.

Ele tornou-se também um fenómeno mediático de dimensões invulgares e uma actividade económica de proporções únicas.

 

2. Não deixa de ser sintomático notar como, numa época de crise, a humanidade praticamente se desliga dos problemas para se concentrar nas vicissitudes de uma bola conduzida por 22 homens.

Há poucas ocasiões em que os sentimentos se soltem como no futebol: a alegria, a tristeza, a violência, o patriotismo.

 

3. Existe uma espécie de relação simbiótica entre a bola e a terra.

Não é a terra redonda como a bola? E não é a bola redonda como a terra?

 

4. Dir-se-ia que, por estes dias, uma bola anda à volta da terra e toda a terra anda à volta de uma bola. A anestesia é quase total.

Parece que tudo pára. Parece que só a bola anda. Parece que só a bola nos faz andar. Até o nosso compromisso com a justiça como que amolece nestas alturas.

 

5. Há quem faça do futebol uma ciência e o apresente como algo acabado de sair de um laboratório ou de uma sebenta.

Também não falta quem o emoldure em sumptuosas peças de literatura.

 

6. E, claro, abunda igualmente quem o transfigure numa acção bélica como se de uma guerra se tratasse. Desde logo, a linguagem eleva o futebol ao patamar de uma questão de vida ou de morte.

Daí os feridos. Daí as mortes. E daí as vitórias não só de alguém, mas contra alguém.

 

7. Como não podia deixar de ser, também não escasseia quem encaixe o futebol no universo religioso.

Afinal, o ser humano não passa sem rituais. Se não os faz nas igrejas, não os dispensa nos estádios.

 

8. Há quem faça peregrinações por causa de um jogo. Fala-se da no triunfo.

Aponta-se o clube como uma religião e o estádio ora como uma catedral, ora como um inferno.

 

9. Que este Mundial sirva, sobretudo, para aproximar pessoas e povos.

Se houver serenidade e entreajuda, ninguém perderá mesmo que muitos não vençam.

 

10. No campo, só uma equipa pode ganhar.

Mas, se quisermos, na vida todos poderão sair vencedores!

publicado por Theosfera às 11:58

Nada como um inimigo comum para aproximar desavindos.

O Irão andou em guerra com o Iraque.

O Irão aliou-se ao Iraque contra os Estados Unidos quando estes invadiram o Iraque.

Agora, o Irão pondera aliar-se aos Estados Unidos por causa do novo poder que ameaça instalar-se no Iraque.

E, entretanto, a violência prossegue e as vítimas aumentam.

A dança das alianças não consegue atrair a paz!

publicado por Theosfera às 10:33

«Modus in rebus».

A derrota da selecção é nada, ou coisa muito pouca, diante do drama do desemprego, da tragédia da fome ou do flagelo da guerra.

Os nossos olhos deviam estar mais focados no estado de tantas pessoas do que nos estádios a abarrotar de tanta gente.

Os nossos olhos estão atentos ao que se passa no Brasil. Que não estejam desatentos em relação ao que se vai passando na Ucrânia, no Iraque ou aqui, ao lado!

publicado por Theosfera às 10:24

Foi o calor. Foi o cansaço. Foi o árbitro. Foi a falta de sorte.

Conseguir uma explicação não altera a realidade, mas ameniza a dor.

Já dizia Manuel Vázquez Montalbán: «Dar um nome ao que nos destrói ajuda-nos a defendermo-nos».

Talvez, também, a (re)motivarmo-nos!

publicado por Theosfera às 10:10

Os bons podem ser conhecidos. Mas nem sempre serão reconhecidos.

Muitas vezes, até podem ser penalizados por isso. Por serem bons no que fazem.

A bondade nem sempre compensa. Mas tranquiliza sempre.

A bondade não vive de esquemas. É lisa. É limpa!

publicado por Theosfera às 10:04

Confiemos, mas evitemos depender em demasia de uma pessoa ou de um acontecimento.

Às vezes, esperamos o que nada pode dar nem ninguém pode oferecer.

Então advém a decepção e pode sobrevir a desilusão.

Aguardemos as vitórias, mas preparemo-nos para os fracassos.

Tudo faz parte da vida.

(Lições de uma tarde que era para ser inesquecível, mas que deve ser lembrada. Com o fracasso também se aprende. E muito)!

publicado por Theosfera às 00:17

Hoje, 17 de Junho, é dia de S. Rainério de Pisa, S. Manuel, S. Jobel e Sto. Ismael (mártires), S. Manuel (arcebispo de Adrianópolis) e Sta. Emília de Vialar.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

1. O mais preocupante nem sequer foi a derrota; foi o facto de ter estado sempre muito longe da vitória.
2. O mais penoso não foi tanto Portugal ter jogado mal; foi, pura e simplesmente, não ter jogado. Onze jogadores subiram ao estádio. Mas será que esteve uma equipa em campo?
3. Acontece a todos. E nem os melhores escapam: ter um dia mau, em que nada sai bem.
4. A capacidade está intacta. Os jogadores já mostraram que são capazes de conseguir o máximo. Importa é que sejam também capazes de dar o máximo.
5. É preciso contar com os outros. A Alemanha também tem grandes jogadores e forma sempre grandes equipas: velozes, objectivas e e eficientes. Mas, em capacidade técnica, Portugal não é inferior. Só que, hoje, a Alemanha foi melhor.
6. A arbitragem pode não ter estado num patamar aceitável, mas creio que não foi por aí que Portugal claudicou. E se as questões técnicas nem sempre são controláveis, as questões de comportamento devem ser acauteladas. É possível que nem tenha havido agressão, mas o encosto na cabeça do adversário é um acto que pode ser interpretado como tal. E é nos momentos de aperto que o autodomínio e a educação são mais importantes.
7. Esta mesma selecção foi, há dois anos, às meias-finais do Europeu.
8. Nem tudo está perdido. Só está um pouco mais comprometido e dificultado. Afinal, nos últimos tempos, Portugal só costuma ganhar quando é grande o risco de perder. Nas fases de apuramento, vacilamos com equipas acessíveis. Mas, quando estamos em risco de sermos afastados, a vitória surge. Seja com quem for. Continuará a ser assim?
 9. Não é fácil ser treinador nem jogador. Todos nos sentimenos peritos e em condições de sermos comentadores. Quando se ganha, facilmente aceitamos as opções dos outros. Quando se perde, instintivamente achamos que nós é que estamos certos.
10. Tenhamos pois esperança, mas não alimentemos demasiadas expectativas.  Há uma desmesura e uma elefantíase em torno do futebol Há coisas mais decisivas. E, depois, para nós, portugueses, há sempre uma alternativa. Se Portugal falhar, sempre podemos vibrar com as vitórias do povo-irmão do Brasil!

publicado por Theosfera às 22:40

Nunca é bom entrar em euforia quando tudo corre bem.

E é sempre mau entrar em depressão quando tudo corre mal.

Ainda há mais oportunidades.

Não crucifiquemos ninguém.

Os melhores jogadores portugueses estão ao nível dos melhores jogadores do mundo.

Mas ter o melhor jogador do mundo não garante ter a melhor equipa do mundo.

Cristiano Ronaldo continua a ser o melhor. Mas, pelo que vi, a Alemanha esteve melhor.

A vida continua. O Mundial prossegue.

publicado por Theosfera às 19:16

1. É natural — e saudável — que o país anseie por muitas vitórias no futebol. E é impressionante ver como o futebol consegue excitar o patriotismo: aquém e além-fronteiras.

É igualmente verdade que o futebol deve ser das poucas actividades em que Portugal consegue ombrear com os melhores da Europa e do Mundo. De facto, num país que ocupa os lugares de baixo em quase todos os índices de qualidade, é estimulante registar esta (quase) excepção.

 

2. A ilação a retirar é que, se no futebol é possível chegar longe, no resto não há-de ser impossível atingir o máximo. Importa, porém, que o patriotismo não se exercite apenas no futebol.

Há muitos outros domínios onde os portugueses merecem ser destacados. O problema está na extrema visibilidade do futebol e na excessiva opacidade do resto.

 

3. É por isso que, apesar das compreensíveis expectativas destes dias, temos de perceber que o futebol é importante, mas não é tudo.

E tal como os jogos de sentido único não são galvanizantes, também as notícias com tema (quase) único deixam de ser motivadoras.

 

4. O país pode parar por causa do futebol. Mas a crise não estaciona à porta de um estádio.

Uma vitória pode ajudar a levantar o ânimo. Mas é o (discreto) trabalho de cada dia que há-de reerguer o país.

 

5. O desporto parece sinalizar o triunfo da pressa. Ganha quem chega primeiro. Mas essa é a impressão que passa. Para chegar primeiro é preciso não só talento, mas também paciência.

Correr depressa exige muito treino, muitas horas a correr, muitos anos a corrigir erros. Há breves segundos que são construídos em muitos anos.

 

6. Não é a pressa que vence. Como já dizia Rui Barbosa, «a pressa é inimiga da perfeição, a mãe do tumulto, da incongruência, da irreflexão e do erro».

Não vá com pressa. A obsessão de chegar antes pode levá-lo a nem sequer chegar.

 

7. Alvin Toffler preveniu que os combates do futuro seriam sobretudo os combates da mente. Foi divulgado um estudo pelo qual ficamos a saber que, no desporto, o mental é tão importante como o físico.

As pernas não são mais determinantes que o cérebro. A inteligência é, decididamente, o cerne da competência. E, nessa medida, a chave do êxito.

 

8. É pena, mas a vida mostra que é preciso ter um adversário ou até um inimigo para triunfar.

No desporto, as vitórias de um clube são vistas como derrotas de outro. Os feitos de um político são apontados como fracassos dos outros. Quando perceberemos que é na abertura e na unidade que crescemos?

 

9. O futebol é um desporto, um negócio, uma arte. Mas não é a vida. Ou, melhor, não é tudo na vida. Nem sequer é o mais importante na vida.

Há, pois, que amortecer ânimos e dosear investimentos. Há uma miríade de coisas muito mais prioritárias que o futebol.

 

10. O que é um jogo? Um desporto, sem dúvida. Mas também — e cada vez mais — um negócio. Devia sempre uma arte, uma oportunidade de convívio.

Anatole France dizia que «o jogo é um corpo-a-corpo com o destino». O destino parece ser mais forte. Mas — atenção — nem sempre ganha!

 

 

publicado por Theosfera às 10:06

É bom ser optimista. Mas convém não exagerar na euforia.

Noto que são muitos os que apostam na vitória de Portugal, logo à tarde.

Até Shaheen e Yvonne vaticinam um triunfo português.

Acontece que Shaheen é um camelo e Yvonne é uma vaca, ainda por cima uma vaca alemã. E

m tempos em que é preciso encher horas e horas de informação, é natural que as pessoas se divirtam!

publicado por Theosfera às 09:54

Estamos sempre a ser surpreendidos.

Mesmo na era das tecnologias e das previsões, a surpresa visita-nos.

André Gide, aliás, sublinhou que «o homem sensato é aquele que se surpreende com tudo»!

publicado por Theosfera às 09:45

Há várias formas de matar.

Há duas pelo menos, segundo o Papa. Uma é assassinar. A outra é insultar.

Ambas as mortes são uma forma de eliminar. E a segunda não é sequer menos cruel.

O insulto dá-se ao desplante de deixar o «morto» assistir à sua «morte».

O insulto é uma forma de morte em vida.

Muito cuidado, pois, com o que se diz sobre alguém ou contra alguém!

publicado por Theosfera às 09:38

Hoje, 16 de Junho, é dia de S. Ciro, Sta. Judite e Sta. Lutgarda.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 15 de Junho de 2014

O Pai é o Silêncio. O Filho é a Palavra. O Espírito Santo é o Encontro.

É no Espírito que ocorre o encontro entre o silêncio e a palavra.

Sem o Espírito é só gritaria.

O Espírito não é a soma de nada. É o sumo de tudo.

Enfim, a Trindade não está antes. A Trindade está sempre!

publicado por Theosfera às 23:08

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Porque és Deus,

porque és Pai,

porque és Filho,

porque és Espírito Santo,

porque és amor.

 

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Porque és único, mas não és um.

Porque és mistério, mas não estás longe.

Porque és poderoso, mas também simples e humilde.

 

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Porque és Trindade.

Porque és unidade.

Porque és comunhão.

Porque és vida.

Porque és luz.

Porque és paz.

 

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Maravilhoso é o Teu ser.

Maravilhosa é a Tua doação.

Maravilhosa é a Tua presença.

 

Tu, Senhor, estás no Céu.

Tu, Senhor, estás na Terra.

Tu, Senhor, és o Céu na Terra.

Em cada ser humano, Tu armas a Tua tenda

e constróis uma morada, uma habitação.

 

Obrigado, Deus Pai.

Obrigado, Deus Filho.

Obrigado, Deus Espírito Santo.

Obrigado por tanto.

Obrigado por tudo.

 

Que a nossa atmosfera seja sempre uma teosfera.

Que em cada momento haja uma brisa a respirar a Tua bondade.

Que a nossa vida mostre a Tua vida,

a vida que vem de Ti.

 

Que nunca esqueçamos

que somos baptizados no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

 

Que tudo em nós seja ressonância

desta presença divina pelas estradas do tempo.

 

Obrigado, Santíssima Trindade,

por estares em cada um de nós.

 

Obrigado porque Um de Vós

Se quis tornar um de nós,

de cada um de nós.

 

Obrigado por estares sempre connosco,

na vida e na Palavra feita carne,

na vida do Teu Filho,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:06

Não sou, obviamente, fatalista nem sequer determinista.

Acredito na força da vontade e na energia da liberdade.

Mas há limites que o discernimento devia perceber e que a lucidez deveria saber antecipar.

Já Almeida Garrett prevenia que «o que tem de ser tem muita força».

Não podemos presumir que as coisas são sempre como queremos. Elas são como são, ponto.

É certo que enxergamos as coisas com os nossos olhos. Não temos outros. Mas seria bom que tentássemos olhar as coisas com os óculos da realidade.

Quando pretendemos travar a mudança, é a mudança que nos trava a nós. A mudança não se deixa travar.

Vallespin alertou: «A mudança foi reprimida durante tanto tempo que agora está a rebentar-nos na cara, ignorando os mecanismos de travagem»!

publicado por Theosfera às 08:34

Em vez de estarem focados (e unidos) nos problemas do país, alguns parecem desfocados (e desunidos) em torno dos problemas dos partidos.

E em vez de vermos ideias para as pessoas, o que vemos são pessoas com poucas ideias.

O povo precisa de mais. O povo merece melhor!

publicado por Theosfera às 08:11

Acerca de Deus, calar é uma necessidade, mas pode ser também uma tentação.

É óbvio que não temos recursos para falar de Deus. Qualquer palavra é humana. E o humano não pode dizer o divino. Mas também é verdade que só podemos chegar a Deus a partir de nós, a partir do Homem. Pelo que o impensável tem de ser pensado e o indizível tem de ser dito. Com as suas limitações, sem dúvida, mas também com as suas possibilidades.

O conhecimento de Deus estriba, pois, na vivência. O conceito vem a seguir. Conhece-se na medida em que se vive, se celebra, se adora, se testemunha e se ama. Quanto mais se vive, mais se conhece. O conhecimento vem pela vivência.

A Santíssima Trindade é, como sapientemente lembrava Matias Scheeben, o mysterium stricte dictum. Isto não quer dizer que seja inacessível. Temos acesso a Deus de muitas formas: pela Revelação, pelo Filho de Deus feito Homem, pela Vida, pela Fé, pelo Amor.

Deus está no Amor. Amar a Deus é conhecê-Lo. A melhor forma de conhecê-Lo. O resto virá por acréscimo. Inclusive o próprio conhecimento.

publicado por Theosfera às 06:06

Eis como o nosso tempo está a fazer emergir uma nova «religião», com um único «deus» (o dinheiro) e uma nova «trindade» (com muitas aspas).

Segundo o teólogo Xabier Pikaza, essa «trindade» é composta «pelo Deus-Capital (que não é Pai, mas monstro que tudo devora), pelo Filho-Empresa, que não redime, mas produz bens de consumo ao serviço dos privilegiados do sistema, e pelo Espírito-Mercado, que não é comunhão de amor, mas forma de domínio de uns sobre os outros».

Esta idolatria, que está longe de ser felicitante, não é humanizadora. Desvia-nos de Deus e nem sequer nos recentra no Homem!

publicado por Theosfera às 05:47

Ao abordar a vida intratinitária, Zubiri demarca-se do conceito de pessoa (que, por estar constituído por inteligência, vontade, liberdade e responsabilidade, pode, na sua óptica, levar ao triteísmo) e de subsistência (que, na sua óptica, está muito dependente de pessoa).


Propõe, por isso, suidade, aquilo que constitui formalmente o carácter de uma pessoa. Em Deus, há três suidades realmente distintas, pois o Pai não é Seu da mesma maneira que o é o Filho, etc.. Isto não impede que haja uma compenetração interna na Trindade ao modo de uma circulação da natureza: cada suidade dá de si a outra e as três dão de si uma essência única.
publicado por Theosfera às 04:59

O Evangelho inclui uma frase que, certamente, causa alguma perplexidade. É quando Jesus diz: «O Pai é maior do que Eu» (Jo 14, 28).

 

É que sempre nos ensinaram que nenhuma pessoa da Santíssima Trindade é mais divina que as outras. O subordinacionismo sempre foi combatido pela Igreja.

 

O primeiro concílio ecuménico, ocorrido em Niceia (325), trata precisamente de deixar bem claro que o Filho é da mesma substância que o Pai.

 

Como entender, então, esta afirmação? Não haverá uma contradição?

 

Houve quem falasse do Filho como um segundo Deus ou como uma espécie de Deus de segunda ordem. Foi o caso de Ario.

 

Como entender, então, esta afirmação? Será que o Pai é mesmo maior que o Filho? Como articular esta frase com uma outra: «Eu e o Pai somos um só» (Jo 10, 30)?

Haverá contraste? O Filho é menor ou é igual ao Pai? Digamos que ambas as afirmações estão certas, como é óbvio.
Segundo M.A.Fernando, as «relações entre o Pai e Jesus não podem expressar-se em termos de uma igualdade absoluta, sem qualquer resíduo de diferença. Também não se podem expressar dizendo que o Pai é 'melhor' que o Filho; ou vive-versa, que o Filho é 'melhor' que o Pai, porque carregou sobre as Suas costas com a parte mais dura da redenção; de facto, são muitos hoje os que vêem com mais simpatia a Jesus que o Pai, cuja maneira de tratar o Seu Filho e de governar o mundo os escandaliza.
João não hesitou em dizer na primeira página do seu evangelho que Jesus Cristo é a Palavra que 'já existia no princípio junto do Pai e na qualidade de Deus', mas também não titubeia quando põe na boca de Jesus esta afirmação: 'o Pai é maior que Eu'.
É impensável que o evangelista se tenha esquecido do prólogo quando escrevia 14, 28. Logo não há contradição entre ambas as expressões. Isso quer dizer que o leitor deverá esquecer as conotações de superioridade e inferioridade qualitativa, que acarreta o termo 'maior' na linguagem comum.
Assim, pois a expressão o Pai é maior que Eu significa, antes de tudo, que na origem do mundo e da salvação dos homens há uma pessoa concreta: o Deus que é Pai, por impulsos de amor, comunica a Sua vida eterna aos homens, por Seu Filho, que é também uma pessoa concreta: Jesus de Nazaré, distinto do Pai mas participante da Sua própria vida divina».
Em síntese e de acordo com Mateus-Barreto, o Pai é maior não porque seja mais divino, masporque «n'Ele Jesus tem a Sua origem (1, 32; 3, 13.31; 6, 51), o Pai O consagrou e enviou (10, 36) e tudo o que tem procede do Pai (3, 35; 5, 26s; 17, 1)».
publicado por Theosfera às 03:55

Dizia, avisadamente, Tertuliano: «Deus é único mas não é um».

Se fosse um, seria (só) a solidão.

Se fosse dois, já não haveria solidão, mas prevaleceria (apenas) a diferença.

Acontece que Deus é três.

Sendo três, Deus elimina a solidão e supera a diferença.

Sendo três, Deus é comunhão, conjugação bela e articulação perfeita entre a unidade e a diversidade.

Deus é uma unidade diversa e uma diversidade una.

E se o Homem é imagem e semelhança de Deus, então a melhor maneira de realizar a proximidade com Deus passa pela construção da unidade e pelo respeito da diversidade.

Nada disto é um factum; tudo isto é um fieri.

Sejamos trinitários, triadocêntricos: unidos, amigos, irmãos!

publicado por Theosfera às 01:04

Neste dia da solenidade da Santíssima Trindade, o mistério por excelência, somos, uma vez mais, confrontados com os limites da linguagem.

 

Para falar de Deus, a linguagem parece um estorvo. E, de facto, não é uma estrada muito plana. É, acima de tudo, uma via muito íngreme, acidentada.

 

Fala-se, habitualmente, da Trindade como um sistema de relações (geração, espiração, pericorese, circumincessão, agenesia, etc.).

 

Raimon Pannikar disse a um bispo africano, aflito por não conseguir transpor este discurso para os seus diocesanos, que ele era um homem cheio de sorte. É que, em relação a Deus, é muito mais o que não sabemos do que o que sabemos.

 

Já Tomás de Aquino aludia à miséria das palavras (inopia vocabulorum). Como lembrava alguém, só é possível compreender Deus se não O quisermos explicar. A Teologia será sempre gaga. Só por tímidos balbucios deixará escapar algo do muito que (não) sabe.

 

Para falar de Deus, resta-nos o amor. Agostinho de Tagaste dizia que o Pai é o amante, o Filho o amado e o Espírito Santo o amor. É uma concepção colada à matriz neotestamentária: «Deus é amor» (1Jo 4, 8.16).

 

Entretanto, Mestre Eckhart, com a irreverência mística do seu génio, chega à mesma conclusão usando a linguagem do...riso: «O Pai ri para o Filho e o Filho ri para o Pai, e o riso gera prazer, e o prazer gera alegria, e a alegria gera amor».

 

Sublime! E, sem dúvida, muito comovente!

publicado por Theosfera às 00:35

Hoje, 15 de Junho (Solenidade da Santíssima Trindade), é dia de S. Vito, S. Modesto, Sta. Crescência, Sta. Germana Cousin e Sta. Maria Micaela do Santíssimo Sacramento. 

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 14 de Junho de 2014

Há mortes que fazem viver. E há vidas que fazem morrer.

Até ao fim de Abril, 294 pessoas puseram fim à vida.

Estará a vida a tornar-se inviável?

A resposta dos que partiram não deixa margem para dúvidas.

Urge repor as razões da esperança!

publicado por Theosfera às 11:59

Fragmentar é amputar, é fazer perder os elos.

Os fragmentos tornam-se volteios sem que se consiga captar o sentido.

Dizem que a pós-modernidade é o tempo do fragmento.

O problema é a sinédoque, a propensão para tomar o fragmento pela totalidade. Nem o conhecimento fica de fora.

O segredo do conhecimento é juntar elementos e não estacionar em cada um deles.

Voltando a Kant, diria que «o conhecimento começa com intuições, passa aos conceitos e termina com ideias».

Às vezes, ouve-se propagar ideias que não passam de impulsos momentâneos. No momento seguinte, nem recordações se tornam!

publicado por Theosfera às 11:54

A suspeita é uma forma de preconceito.

Conclui antes de pensar. Proclama antes de ver. Ou, então, aplica a todos o que encontra em alguns.

Hoje em dia, existe uma desconfiança em relação às pessoas que falam pouco e que propendem para a solidão.

Fácil é acoimá-los de associais ou anti-sociais. Eu diria: depende.

Não há uma lei uniforme. Cada ser humano é uma surpresa, até para si.

Há pessoas aparentemente sociáveis que cometem as maiores atrocidades. Há pessoas solitárias que são de um aprumo imaculado e de uma correcção inatacável.

Em síntese, em todos pode haver de tudo.

E, quanto à solidão já reza o ditado: «Homo solus, aut Deus, aut bestia».

Comentando esta afirmação, diz o Padre Manuel Bernardes: «O homem que está só, ou se faz semelhante a Deus, ou a um animal; porque ou ocupa o coração com a presença de Deus em actos pios e meditações santas, e então recebe muito de Deus; ou se deixa levar da natureza, cuidando em coisas inúteis ou perversas, e então se parece com os animais, que ociosos criam malícia. Porém, não entendo que está solitário o homem que estiver com bons livros, porque isto é o mesmo que conversar mudamente com os Varões Santos, ou doutos e discretos, que os compuseram».

Não existe uma linha unidireccional.

Às vezes nunca nos sentimos tão sós como quando estamos acompanhados.

E, outras vezes, nunca nos sentimos tão acompanhados como quando estamos sós!

publicado por Theosfera às 11:38

Se fosse vivo, meu querido Pai faria hoje 111 anos!

 

Meu Pai está vivo. No Céu. Em Deus. Em mim.

 

Como sinto a sua falta!

 

Parabéns, Pai!

publicado por Theosfera às 00:13

Hoje, 14 de Junho, é dia de Sto. Eliseu, Sta. Anastásia, S. Félix, Sta. Digna e Sta. Maria Micaela do Santíssimo Sacramento.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

A selecção segue o exemplo do rei?

Depois de Juan Carlos, chegou a vez da selecção espanhola abdicar?

Ainda é cedo para responder.

Até os melhores claudicam.

Mas esta Holanda está muito forte. Mostra saber bem o que quer. E até onde quer chegar!

publicado por Theosfera às 21:47

Conheço muitas formas de alegria. Mas só me reconheço numa: a seriedade.

A única alegria que vale é a vida séria.

Só a seriedade permanece. Só a seriedade compensa. Só a seriedade alegra.

Tudo o resto são eflúvios passageiros de contentamento que dissimulam vidas tristes!

publicado por Theosfera às 13:28

Não se resigne. Nem desespere.

Como dizia Aga Khan, «a instabilidade é infecciosa, mas a esperança também».

Deixe-se infectar. Pela esperança!

publicado por Theosfera às 10:57

Não têm dúvidas nem medos. Habitam em mil certezas. Conseguem ter charme.

Nunca se arrependem. Raramente procrastinam. São implacáveis. Enganam muito. E, habitualmente, saem-se bem.

São assim os psicopatas. E é mais ou menos assim que os apresenta o estudo de Kevin Dutton.

Atenção. Muitas vezes, o psicopata tem uma aparência civilizada.

Ninguém o identifica como tal. E, muito cuidado, a tendência para o crescimento destes casos é exponencial.

O factor decisivo resulta da combinação entre rapidez e superficialidade. Quanto mais rápido, mais superficial.

O cérebro das pessoas recebe, hoje, tanta informação como um homem da Idade Média em toda a vida.

Não há uma avaliação devida do que se recebe. O aprofundamento é quase nulo.

Vive-se ao ritmo do instante e ao sabor do instinto.

Por outro lado, as referências são outras. Já não são os pais ou os professores. São sobretudo os futebolistas e os artistas. Os ídolos quase afogam os ícones.

O que devia importar era ser decente a todo o custo. Mas o que importa é ser famoso. A qualquer preço.

E o certo é que o acto de um psicopata tem mais audiência do que a vida inteira de um benfeitor.

Ao fim e ao cabo, os psicopatas são uma ameaça para a sociedade. Mas são também uma emanação da sociedade!

publicado por Theosfera às 10:52

Hoje em dia, sabemos tudo o que os outros fazem. Mas saberemos verdadeiramente o que eles são?

Sem a resposta a esta pergunta, é difícil assegurar bases sólidas para uma convivência pacífica.

Desmond Tutu foi claro: «Uma pessoa só é pessoa se reconhecer os outros como pessoas».

A alteridade faz parte da identidade.

Afinal, não somos apenas com os outros. No fundo, todos somos nos outros!

publicado por Theosfera às 10:33

Luminosa é a coerência. Perigosa é a teimosia. Ameaçador é o fanatismo.

O problema é haver quem não distinga. O problema é que muitos fanáticos são excelsados como coerentes enquanto, em nome dessa presumida coerência, massacram a vida dos outros.

Winston Churchill, homem de pensamento (e não só de palavra) sempre afiado, tipificou o fanático com doses de sarcasmo.

Para ele, «fanático é quem está sempre a falar do mesmo tema e não admite mudar de assunto».

Tentando escalpelizar o fenómeno, Oliver Wendell Holmes dissera que «a mente de um fanático é como a pupila do olho: quanto mais luz incide sobre ela, mais ela se irá contrair».

O fanatismo é uma espécie de esforço inglório, de energia desperdiçada.

George Santayana explicou: «O fanatismo consiste em redobrar o próprio esforço quando nos esquecemos do objectivo»!

publicado por Theosfera às 10:18

Hoje é dia de Sto. António. Homem de palavra intrépida e de uma conduta impoluta, posiciona-se como astro maior do firmamento da pregação com substância e sentido.

 

«Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios».

 

Olhemos para a conduta deste Homem.

 

Deixemo-nos interpelar pela palavra da sua vida. Que foi tão eloquente como a palavra dos seus lábios.

publicado por Theosfera às 00:16

Hoje, 13 de Junho, é dia de Sto. António e S. Fândila. Refira-se que Sto. António, que nasceu Fernando, é conhecido como sendo de Lisboa (onde viu a luz do dia) e de Pádua (onde viria a consumar a sua itinerância terrena).

Começou por ser Cónego Regrante de Sto. Agostinho vindo a aderir à Ordem Franciscana. Notabilizou-se como pregador e taumaturgo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

Habituei-me a olhar cada terra como minha pátria. Mas também me acostumei a encarar o Brasil como país-irmão e os espanhóis como nossos irmãos.

Gosto muito do Brasil. Gosto bastante da Espanha. Mas amo imenso Portugal.

Como o Brasil e a Espanha já sabem o que é ser campeão do mundo, era bonito que este fosse o ano de Portugal.

Sabemos que não é fácil. Mas também não ignoramos que só há impossíveis até acontecer!

publicado por Theosfera às 20:54

Será este o Mundial das equipas ou das figuras?

Serão as equipas que se vão impor ou serão as figuras que irão sobressair?

Os últimos mundiais foram conquistados por selecções que se impuseram pela fluidez colectiva: Espanha (2010), Itália (2006) e até Brasil (2002).

Não foi a preponderância de uma grande figura a determinar o título mundial.

Mas já houve mundiais praticamente conquistados por grandes figuras.

Já houve  campeões nitidamente liderados por uma espécie de figura tutelar. Quem não se lembra do Brasil de Pelé, da Argentina de Maradona e até da França de Zidane?

Sem estas referências, aquelas equipas até poderiam ter sido campeãs, mas teria sido muito mais difícil.

Tudo isto faz saltar à tona uma evidência: no futebol há uma interacção entre o colectivo e o individual.

As equipas são importantes para que as figuras brilhem, mas as figuras também são determinantes para que as equipas conquistem.

É fácil divisar o motivo desta breve anotação.

Será este o Mundial da Espanha ou da Alemanha ou será o Mundial de Messi, de Neymar ou de Cristiano Ronaldo?

É claro que a dependência de Portugal em relação a Ronaldo é maior. Mas também me parece que, desta vez, a articulação com o resto da equipa está mais apurada.

Ronaldo é decisivo quando faz e quando impede os outros de fazer. Só a presença dele mobiliza a atenção de meia equipa contrária. E, deste modo, pode haver espaço para outros. Que, não sendo tão bons, também são bons.

E o êxito pode vir (também) daí. Vamos ver!

publicado por Theosfera às 18:55

Na vida, como diz o sábio Coelet, há tempo para tudo: para nascer e para morrer.

Quem nasce fica a saber que, um dia, morre.

Tudo o que começa acaba. A extinção é uma decorrência da criação.

Dizem que há 22103 espécies em vias de extinção.

Mas como cada fim auspicia um novo começo, aguardemos por outras espécies em vias de...aparição!

publicado por Theosfera às 10:43

Parafraseando Madre Teresa e citando a experiência, diria que é fácil odiar os que estão longe.

E é ainda mais fácil odiar os que vivem ao nosso lado.

O melhor da vida vem de quem está à nossa beira. Mas o pior também chega de quem não está distante.

Tantas mortes entre familiares. Tantas calúnias entre vizinhos.

Uma coisa é estar perto. Outra coisa é ser próximo!

publicado por Theosfera às 09:58

1. Cada dia transporta muitos outros dias dentro de si. Em cada dia são-nos oferecidos muitos outros dias.

Quem já não leu o famoso «Diário» de Anne Frank?

Acontece que tal diário começou a ser escrito neste dia, há 72 anos. E a sua autora também nasceu neste dia, há 85 anos.

 

2. A última entrada é de 1 de Agosto de 1944.

Dias depois, era conduzida para um campo de concentração onde, alguns meses mais tarde, viria a morrer.

 

3. O livro oscila entre o trivial (o que se compreende) e o profundo (o que se admira).

Aos 15 anos, em Maio de 1944, verte o seu espanto, a sua grande perplexidade, ao anotar este enorme contraste: «O mundo está virado do avesso. As pessoas mais decentes estão a ser enviadas para campos de concentração, prisões e celas, enquanto os piores governam sobre jovens e velhos, ricos e pobres».

 

4. Setenta anos depois, Anne Frank continua bem actual. O «avesso» mantém-se: na história dos povos e na vida das pessoas.

Anne Frank percebera, com rara argúcia, que as birras não são (apenas) coisa de crianças.

Acresce que as birras dos mais crescidos — que consequências tão grandes costumam ter — são desencadeadas, por vezes, por questões mais pequenas que as dos mais pequenos.

 

5. Do alto dos seus 13 anos, Anne Frank «achava estranho que os adultos discutam tantas vezes, e tão facilmente, por questões tão mesquinhas. Até agora, sempre pensei que as birras eram algo que as crianças faziam e que acabava por passar com a idade».

Mas a vida mostra que, em vez de passar, as birras alargam-se, alastram-se e agravam-se. Apesar de tudo, não percamos a esperança nem nos percamos dos ideais.

 

6. Quando tudo perdermos, não percamos a esperança.

A realidade até nos pode esmagar. Mas, ao menos, esmagar-nos-á na companhia da esperança.

 

7. Pouco antes de ser detida, Anne Frank tinha consciência de que «o mundo estava a ser transformado num deserto».

E, no entanto, também «tinha a sensação de que tudo vai mudar para melhor, de que a crueldade acabará, de que a paz e a tranquilidade regressarão».

 

8. Nada (ou quase nada) tendo, agarrava-se «aos seus ideais. Talvez chegue o dia em que possa realizá-los».

Sabemos que esse dia não chegou. Mas os ideais de Anne Frank não morreram com ela. Sobreviveram para além dela. E ela sobrevive com eles.

 

9. Os ideais perpetuam quem neles acredita. Quem neles vive.

E quem por eles é capaz (até) de morrer!

 

 

publicado por Theosfera às 09:27

Hoje, 12 de Junho, é dia de Nossa Senhora do Sameiro, S. João de Sahagún, Sto. Onofre, Sta. Jobenta, Sta. Mercedes de Jesus Molina e S. Lourenço Salvi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

A crise que atravessamos tem muitos factores e algumas raízes.

Ela é tecida de muitos défices.

Falta crédito e falta dinheiro. Falta justiça e falta educação.

E, como reconhecia Eça de Queiroz, parecem faltar homens: «Os raros que há são postos na sombra».

Por isso, acrescentava o mesmo Eça, «esta é a crise pior - e sem cura».

Creio, porém, numa terapia. Como notou Hannah Arendt, em tempos sombrios aparecem sempre homens luminosos. Que resistem às sombras!

publicado por Theosfera às 11:30

Também acredito no progresso. Mas não creio no progresso infinito nem no progresso sem retrocesso.

Com Balzac, prefiro acreditar «no progresso do homem em relação a si mesmo».

Não basta exigir à sociedade. É fundamental contribuir para a sociedade.

Não é só a sociedade que tem deveres para com cada um. Cada um também não deixa de ter deveres para com a sociedade.

Não os esqueçamos!

publicado por Theosfera às 11:18

1. É muito o que ensina a ciência. Mas é muito mais o que se aprende com a experiência.

A ciência traz-nos muita coisa. Mas só a experiência é a mãe de todas as coisas.

 

2. Sobre a oração, a experiência diz-nos, desde logo, que ela é vital.

Acontece que, na era da suspeita, só não suspeitamos da suspeita. Quanto ao resto, nada aparenta escapar.

 

3. Nem o lastro da história servirá de defesa. Como notou Roland Barthes, para muitos, «o antigo é sempre suspeito».

Mesmo que continue a ser válido, mesmo que nunca deixe de ser novo, o que vem do passado é visto como — irremediavelmente — ultrapassado.

 

4. Quem perde, porém, não é a coisa perdida. Quem perde somos nós, que a perdemos, que nos perdemos ao perdê-la.

 Olhando para a história, teremos de perguntar. Houve algum santo que não fosse pessoa de oração?

 

5. Há, por vezes, o risco de confundir oração com inacção.

Acontece que a oração não só não impede a acção como se posiciona como alento e alimento da acção.

 

6. O orante não é inactivo. Diria que ele é acrescidamente activo: a partir da base, a partir do fundo, a partir de dentro.

Os mais activos foram sempre grandes contemplativos. Aliás, duplamente contemplativos: contemplativos na oração e contemplativos na acção. Todos eles souberam encontrar Cristo na oração e reencontrar Cristo na acção.

 

7. O abandono do tempo da oração não aumenta necessariamente a quantidade  do tempo da missão e acaba por fazer perigar a sua qualidade.

A atrofia espiritual degenera em paralisia pastoral, da qual, porventura, nem nos apercebemos. Uma espiritualidade dissolvente acaba por desencadear uma pastoral decadente. Que se limita a gerir em vez de fermentar.

 

8. Não cedamos ao risco de agir mais como patrões do que como pastores.

Não somos donos do rebanho e os seus membros são pessoas, não são criados.

 

9. Não nos julguemos proprietários da sua vontade. Procuremos surgir como servidores das suas ânsias.

A religiosidade popular continua a alimentar-se do Terço diário e da Eucaristia semanal.

 

10. Na sua sabedoria simples (e na sua simplicidade sábia), o povo não está errado. Estejamos com o povo em oração. E espraiemos a oração na missão. A oração postula a missão.

O «ide em paz» não é uma despedida; é um envio. Termina a Missa, começa a Missão!

publicado por Theosfera às 11:16

Não basta descobrir a verdade. É fundamental pô-la em prática.

Às vezes, só dizê-la pode ser o mesmo que comprometê-la, adiá-la, quiçá negá-la.

Quem não é a favor da paz no mundo? Mas que se faz pela paz no mundo?

Esquece-se que só há paz no mundo promovendo a paz em cada pessoa, com cada pessoa.

Parece pouco. Mas é o princípio de tudo!

publicado por Theosfera às 11:07

Há quem nada tenha para fazer e, mesmo assim, faça.

Há quem nada tenha para dizer e, mesmo assim, diga.

José Saramago confidencia: «Seria incoerente que me opusesse a que um escritor coma do que escreve, o que me parece, isso sim, condenável, é que escreva quando não tem nada para dizer».

Será impossível dizer o não-dito ou o não-dizível?

publicado por Theosfera às 10:55

Aquém do lugar e além das posições, existe a pessoa.

A montante da função e a jusante das opiniões, subsiste o ser humano.

É natural que nem sempre nos apercebamos disso. Mas há momentos em que se impõe que tudo o resto pare. Por exemplo, quando a saúde vacila.

Não só nessas alturas, mas sobretudo nessas alturas, o que conta é a pessoa, o que vale é o ser humano.

Discordar é legítimo. Protestar pode até ser necessário. Mas sempre com respeito.

Há quem tenha competência, há até quem tenha razão, mas sem mostrar possuir respeito.

Só que quem o exige tem de o revelar. Mesmo por aqueles de quem discorda.

Mas, no limite, se não houver respeito, que, ao menos, se pense na regra de ouro. Gostaríamos que dissessem de nós o que, por vezes, dizemos dos outros?

É certo que há muitos dramas e imensas decepções. Mas falemos nos locais próprios e da forma adequada.

Compreendo a desilusão. Mas continuo a crer na força da moderação.

Os bons modos (também) dão bons resultados!

publicado por Theosfera às 10:43

Hoje, 11 de Junho, é dia de S. Barnabé, Sta. Paula Frassinetti, Sta. Maria Rosa Molas e Vallvé e Sta. Maria do Divino Coração.

Refira-se que S. Barnabé é chamado Apóstolo por S. Paulo porque com ele participou na primeira viagem missionária.

Foi, aliás, Barnabé que apresentou Paulo aos cristãos de Antioquia. No entanto, desentenderam-se.

Na segunda viagem, Barnabé queria levar o seu sobrinho Marcos, que os acompanhara na primeira viagem, mas que desistira.

Paulo foi intransigente. Barnabé era mais clemente (a apreciação é de S. Jerónimo).

Por isso é que a Bíblia faz uma apreciação do carácter de S. Barnabé que diz tudo: «Homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé»(Act 11, 24).

Um santo e abençoado dia para todos!
publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 10 de Junho de 2014

Com impostos tão altos sobre salários tão baixos, como iremos sair do sufoco da crise?

O relógio da austeridade pode ter parado a 17 de Maio.

Mas já estamos a 10 de Junho e ainda não se viu andar o relógio do crescimento!

publicado por Theosfera às 10:28

«Et pour cause», é tempo de evocar Camões: «Sempre por via irá direita quem do oportuno tempo se aproveita».

O problema é discernir o tempo oportuno.

O que é oportuno para uns pode não ser oportuno para outros.

Muitas vezes, a oportunidade não passa de uma montra de oportunismos!

publicado por Theosfera às 10:18

Deserto.

É nesta palavra que muitos pensam quando pensam em Portugal.

Uma parte do país já não tem pessoas. Outra parte do país tem cada vez menos pessoas.

O interior, nos últimos tempos, perdeu 200 mil pessoas e 7 mil serviços públicos.

Estamos a fazer o contrário de d. Sancho. Estamos a despovoar, a desertificar.

Não precisamos de ir para longe para ver o deserto. O deserto está cada vez mais perto!

publicado por Theosfera às 10:04

A vida da Igreja, como sucede certamente com quase tudo, é feita de muitas presenças e de bastantes ausências.

 

Num olhar de relance, notamos que na Igreja estão presentes normas, regras, práticas, hábitos, costumes, tradições, imposições, riquezas, anjos e também demónios.

 

A respeito destes últimos aliás, é assustadoramente espantosa a recorrência de livros, de conferências, de preconceitos, de certezas e de quase nenhumas dúvidas.

 

Isto diz muito do depauperamento do nosso interior colectivo e da forma como nos deixamos guiar pelo negativo.

 

Parece que, para alguns, a Igreja é mais «demonocêntrica» que «teocêntrica».

 

Parece que, para não poucos, o medo do demónio é maior que o amor de Deus.

 

É tudo muito estranho, quase deprimente.

 

E é assim que aquilo que, na Igreja, devia resplandecer como mais presente se arrisca a pairar como maior ausência: Deus, o Espírito, a paz, a bondade, a compaixão, a humanidade.

 

Quando alguns me dizem que têm de sair da Igreja para (re)encontrar Deus, eu questiono, questiono-me.

 

Deus está certamente na Igreja. Mas, em Igreja, nem sempre O deixamos ver. Quase O «abafamos» com a nossas gritarias, com os nossos interesses.

 

Deixemos que as pessoas «respirem» Deus.

 

Façamos da «eclesiosfera» uma refrescante «teosfera»!
publicado por Theosfera às 00:15

1. O 10 de Junho não é só um feriado para nós. É também um feriado sobre nós, sobre Portugal.

 

Tirando as cerimónias e discursos oficiais, além de mais um estendal de condecorações, que vestígios há de uma paragem para reflectir?

 

No limite, cada um vai meditando sobre si e sobre os seus. Os problemas de cada um já são suficientemente aflitivos. Pouco — ou nenhum — espaço sobra, assim, para a comunidade.

 

 

2. Somos um país pequeno, mas que, mesmo assim, não cabe em si.

 

Conseguimos dar novos mundos ao mundo e, apesar disso, não resolvemos os problemas que asfixiam o nosso viver colectivo.

 

Temos passado, mas parece que não temos memória. Guardamos a história, mas não aparentamos ter muita vontade de continuar a fazer história.

 

A síntese angustiada de Pessoa mantém-se pertinente: «Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez. Falta cumprir-se Portugal».

 

Hoje, voltam a dizer-nos que somos um país adiado, mas, nesse caso, já o somos há muitos séculos.

 

 

3. Não somos perfeitos. Às vezes, até nos mostramos contrafeitos.

 

Temos defeitos. Eis o nosso drama, eis também a nossa sorte. Se não fossem os nossos defeitos, o que nos motivaria? Se tudo já estivesse feito (e bem feito), que futuro nos restaria?

 

Houve algum momento em que Portugal não esteve em crise? Em que altura não se disse que vinham aí tempos difíceis?

 

A tudo temos sobrevivido. Temos sobrevivido à realidade, cruel. E temos sobrevivido aos diagnósticos, nada estimulantes.

 

Somos, enfim e como afirmava o Padre Manuel Antunes, uma excepção.

 

Constituímos um paradoxo vivo. Somos «um povo místico mas pouco metafísico; povo lírico mas pouco gregário; povo activo mas pouco organizado; povo empírico mas pouco pragmático; povo de surpresas mas que suporta mal as continuidades, principalmente quando duras; povo tradicional mas extraordinariamente poroso às influências alheias».

 

 

4. Seja como for, continuamos a sentir Portugal, a fazer Portugal e, não raramente, a chorar Portugal.

 

Tantas vezes, são essas lágrimas que nos identificam e pacificam. Aquilo que soa a desespero acaba por saber a esperança.

 

Apesar das tardes sofridas, acreditamos sempre que uma manhã radiosa voltará a sorrir.

 

É por isso que nunca desistimos de nós. É por isso que, não obstante as nuvens, há sempre um Portugal a brilhar em milhões de corações espalhados pelo mundo!

publicado por Theosfera às 00:10

Hoje, 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, é dia do Anjo de Portugal, Sta. Olívia e S. João Dominici.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:09

Segunda-feira, 09 de Junho de 2014

A não ser Deus, que nunca passa, tudo passa. Até o ódio.

Charlie Chaplin alertou: «O ódio dos homens passará, os ditadores morrerão e o poder que eles roubaram ao povo retornará ao povo».

O problema é que, no meio do povo, também não faltam aprendizes de ditadores!

publicado por Theosfera às 11:10

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