O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 03 de Junho de 2014

1. À primeira vista, os dualismos são estimulantes porque distinguem. Mas tornam-se perigosos já que, quase sempre, opõem.

O maior perigo ocorre precisamente quando o dualismo confunde distinção com oposição.

 

2. Não falta quem estabeleça uma relação (quase) dualista entre Maria e Cristo.

O ponto de partida é inatacável: nada pode ofuscar a centralidade de Cristo. Só que a consequência é totalmente indefensável: o louvor a Maria poria em causa essa mesma centralidade de Cristo.

 

3. Há até quem atinja o escrúpulo de ressalvar que somos «cristãos» e não «mariãos»!

Sucede que a experiência demonstra que uma subalternização de Maria não redunda numa maior concentração em Cristo.

 

4. Concretizando, não se relaciona mais com Cristo quem se relaciona menos com Maria.

A história certifica exactamente o oposto: quem está perto de Maria não está longe de Cristo. O próprio Cristo esteve não só perto de Maria como esteve dentro de Maria.

 

5. É bom não esquecer que Maria, além de discípula, foi receptáculo de Cristo.

Aliás, como poderia afastar de Cristo quem contém Cristo?

 

6. Não admira, pois, que Hans Urs von Balthasar descreva Maria como «cálice do Verbo» e «primeiro sacrário da história».

Em síntese, pode dizer-se que Maria é a primeira cristã, uma cristã antes do próprio Cristianismo.

 

7. Os melhores educadores da fé, os santos, nunca tiveram dúvidas.

S. Luís de Montfort notava que por Maria se chega a Jesus. E, mais recentemente, S. João Paulo II proclamou: «Se dizes “Maria”, Ela repete: “Deus”».

 

8. É por isso que, como bem observou Joseph Ratzinger, «a Igreja abandona qualquer coisa que lhe foi confiada quando não louva Maria».

Seria bom que, mesmo fora do mês de Maio, o Terço se fizesse ouvir em vigílias e outros momentos de oração.

 

9. Há quem lembre que o Terço não é a única oração. Mas há quem esqueça que o Terço também é oração. Ainda por cima, uma oração sábia e simples, profunda e popular.

Ela faz correr pelos nossos lábios (e escorrer pela nossa vida) os mistérios de Cristo.

 

10. O Terço não dificulta nada e facilita tudo. Pode ser mesmo a melhor preparação para a Eucaristia, a oração mariana por excelência.

Sim, porque, como reparou Madre Teresa de Calcutá, aquela que foi o «primeiro altar ofereceu o Seu Corpo para formar o Corpo de Deus»!

publicado por Theosfera às 11:49

Quem vai para a vida pública não tem de pensar apenas na missão que se propõe realizar.

Tem de ponderar também (e bastante) a exposição que vai ter e os ataques que (inevitavelmente) irá receber.

Estou certo de que, muitas vezes, este duplo factor condiciona muitos e acaba por afastar muitos dos nossos melhores valores.

Dir-se-á que são as regras do jogo. E é verdade que já Henri Truman avisava: «Se não suportas o calor, evita a cozinha».

Mas reconheçamos que a «temperatura da cozinha» pode aumentar desmedidamente e tornar impossível o acesso.

Urge introduzir moderação e (sobretudo) decência na vida pública!

publicado por Theosfera às 10:06

A 3 de Junho de 1963, falecia, em Roma, o Papa bom, João XXIII.

 

Nasci e cresci a ouvir falar deste Homem.

 

Minha querida Mãe estava sempre a invocar o nome desta figura enorme da Igreja e da Humanidade.

 

Quem acompanhou a sua trajectória e leu os seus escritos ficou sempre com esta impressão: João XXIII era indulgente com os outros e exigente consigo mesmo.

 

 

O seu lema, extraído de Barónio, era «obediência e paz».

 

Escrevia em 1947: «Em casa, tudo vai bem. A paciência ajuda-me nos meus defeitos e nas minhas imperfeições e dos que trabalham comigo. O meu temperamento e a minha educação ajudam-me no exercício da amabilidade para com todos, da indulgência, da cortesia e da paciência. Não me afastarei deste caminho».

 

Reencontrar João XXIII é sempre um conforto que nunca cansa: «Não há nada mais excelente que a bondade. A inteligência humana pode procurar outros dons eminentes, mas nenhum deles se pode comparar à bondade».

 

E, atenção, «o exercício da bondade pode sofrer oposição, mas acaba sempre por vencer porque a bondade é amor e o amor tudo vence».

publicado por Theosfera às 00:58

1. Apesar do sol, parecem sombrios os tempos que vivemos.

 

E é nestas alturas que mais sentimos a falta não tanto de ideias como de testemunhas. De pessoas de bem. De exemplos que resplandeçam como faróis.

 

Não há dúvida de que o mundo sente mais a ausência de testemunhas do que de mestres.

 

A vacuidade que se apoderou da hora presente não está, em primeira instância, nos conhecimentos. Está, acima de tudo, nos comportamentos.

 

É o vazio que, tingido pelo fútil, faz com que nem o trágico nos pareça tão trágico.

 

 

2. Até o trágico se vai tornando trivial, envolvente. Também ele é afectado pela ditadura da banalidade.

 

Habituamo-nos aos incêndios no Verão e às cheias no Inverno. Já não nos espantam os números da violência doméstica nem os dados da criminalidade.

 

Altera-se a legislação, mas não se muda a vida. Tudo escorre na direcção de um abismo que nem o mais optimista é capaz de suster.

 

No meio desta turbulência, os «heróis» (com umas aspas muito grandes) que fazemos desfilar são os que mostram tudo e não revelam nada.

 

Ficamos deslumbrados com as suas casas, com as suas roupas, com os seus casamentos e separações. Quase sem darmos por isso, somos arrastados pelo vazio que veiculam.

 

 

3. Não é a primeira vez que vivemos épocas destas.

 

Hannah Arendt recorda-nos que «a história já conheceu muitos períodos de tempos sombrios».

 

São tempos em que «a realidade é camuflada pelos discursos e pelo palavreado de quase todos os discursos oficiais que, ininterruptamente e com as mais engenhosas variantes, vão arranjando explicações para todos os factos desagradáveis».

 

As sombras chegam aos tempos «pelo discurso que não revela aquilo que é, preferindo esconder-se debaixo do tapete, e pelas exortações que, a pretexto de defender velhas verdades, degradam toda a verdade, convertendo-a numa trivialidade sem sentido».

 

 

4. Mas, mesmo (diria sobretudo) nestes tempos, «temos o direito de esperar uma luz. É bem possível que essa luz não venha tanto das teorias e dos conceitos como da chama incerta, vacilante e, muitas vezes, ténue, que alguns homens e mulheres conseguem alimentar em quase todas as circunstâncias».

 

A própria Hannah Arendt oferece-nos dez luzeiros em forma de vidas alentadoras para a nossa vida.

 

 

5. Uma dessas vidas é a do Papa João XXIII, que a filósofa judia descreve como sendo «um cristão no trono de S. Pedro».

 

Curiosa a reacção de uma criada de servir aquando da morte do Pontífice: «Minha senhora, este papa era um verdadeiro cristão. Como é que isso foi possível? Como pôde um verdadeiro cristão sentar-se no trono de S. Pedro? Ninguém se terá apercebido de quem ele era?»

 

 

6. Há, obviamente, um exagero e até alguma injustiça. Os papas dos últimos séculos mostraram ser cristãos de fibra, até à medula do seu ser.

 

Mas não deixa de ser sintomática a reacção de uma pessoa simples.

 

Na sua maneira de ver, alguém que irradiava o espírito de Cristo não teria grandes condições de ascender naquilo a que, impropriamente, se chama carreira.

 

 

7. Sabemos que a bondade de João XXIII lhe trouxe não poucos dissabores. Às vezes, a incompreensão acendeu-se dentro da própria Igreja.

 

Não era em vão, porém, que um dos seus lemas era precisamente «sofrer e ser desprezado como Cristo».

 

João XXIII tornou-se uma figura querida porque assumiu, sem o menor constrangimento, o espírito de Jesus.

 

Para ele, todos, incluindo os ateus, eram filhos e irmãos. A justiça sempre o preocupou e mobilizou.

 

Conta-se que, um dia, terá perguntado a um trabalhador como ia a sua vida. Ele respondeu que ia mal. Então, o Papa garantiu que ia tratar do assunto.

 

Houve, no entanto, quem objectasse que, aumentando o salário aos trabalhadores, teria de haver um corte nas obras de caridade.

 

Resposta pronta do Pontífice: «Então é o que teremos de fazer. Porque a justiça está antes da caridade».

 

 

8. São estas atitudes que definem uma vida. E fazem com que as pessoas que as tomam brilhem. Mesmo nas sombras. Sobretudo nas sombras.

publicado por Theosfera às 00:05

Hoje, 03 de Junho, é dia de Sto. Ovídio, S. Carlos Lwanga e seus companheiros mártires, Sto. Isaac de Córdova, S. Juan Diego e S. João grande.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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