O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 19 de Abril de 2014

Hoje, as igrejas estão vazias. Os altares desnudados. Os tabernáculos abertos e vazios. As velas apagadas.

O silêncio invade todos os ambientes. É uma experiência de recolhimento e atitude de espera.

Tudo para lembrar que Cristo desce à mansão dos mortos e assume o destino e a limitação do ser humano.

Ele é solidário até ao fim e faz a descida da morte, entra no seu mistério, para sair vitorioso e abrir para todos um caminho de luz e esperança.

Muita paz e muita esperança! Especialmente para si!

publicado por Theosfera às 05:59

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Um dos grandes clichés, que estes dias desmontam, assegura que dos fracos não reza a história.

 

Não é isso o que Jesus nos mostra. Não é isso o que, por exemplo, S. Paulo nos atesta.

 

A Páscoa é, antes de mais, um mistério de fragilidade. De uma fragilidade inteiramente assumida, francamente exposta e abertamente oferecida.

 

Quando Se apresenta pronto para sofrer a morte, Jesus não esconde que «a carne é fraca» (Mt 27, 41).

 

A fragilidade é reveladora, é solidária.

 

As pessoas revelam-se mais quando não escondem a sua fragilidade.

 

Tony Blair percebeu isto quando escreveu que «ser humano é ser frágil».

 

Jesus não fez exibições de força. A Sua maior força radicou na Sua capacidade de assumir a fraqueza.

 

Os fortes podem ganhar batalhas. Mas são os frágeis que obtêm a maior vitória: a do amor.

 

Os fortes são vistos como vencedores porque eliminam os outros, porque se sobrepõem aos outros.

 

Os frágeis são apontados como vencidos porque se esquecem de si, porque vivem em função dos outros.

 

Mas não é nesta fragilidade que reside a nossa salvação? Não é, portanto, nesta fragilidade que está a maior força?

 

Os fortes vão destruindo vidas. Os frágeis são os que se sacrificam para que outros tenham vida.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua fragilidade. Porque recusaste o uso da força. Porque não quiseste exibir qualquer força. A não ser a do Teu imenso amor!

publicado por Theosfera às 11:13

Podemos dizer que, neste dia, também a Igreja se volta para um «neue mitte», um novo centro.

 

 

Hoje, não há Missa. Tudo está centrado na Cruz.

 

 

Não se trata de fazer a apologia da dor, mas de estar em comunhão solidária com tantos que continuam a actualizar a Cruz.

 

 

Com eles, acreditamos que é possível vencer a Cruz. E chegar à Ressurreição!
publicado por Theosfera às 08:16

O que mais me impresssiona, nesta hora que é o nosso tempo, é o cansaço de Jesus, o sofrimento de Jesus e, simultaneamente, a persistência de Jesus.

Jesus aparece-nos cansado, doído e muito fatigado em tantas pessoas atiradas para as margens, em tantos rostos sofridos.

É Jesus que, neles, continua a sofrer, a gemer, a chorar.

Mas, ao mesmo tempo, Ele persiste. Ele nunca desiste.

Ele permanece. Ao seu lado. Na sua vida. No nosso mundo!

publicado por Theosfera às 07:34

O mundo continua a estremecer diante do Crucificado.

E há uma luz de encantadora humanidade que se desprende de uma vida que se entrega.

A morte de Cristo é morticida. Mata a morte.

E semeia torrentes de vida. Em forma de amor!

Muita paz e muita esperança! Especialmente para si!

publicado por Theosfera às 06:04

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 02:17

O processo de Jesus configura a condenação da ousadia, da coragem de ser diferente, da liberdade de ser fiel à própria consciência.

 

Jesus corporizou maximamente o «franc parler» (falar franco) e o «free speech»(falar livre).

 

Pagou um preço elevado? Sem dúvida.

 

Já Eugénio de Andrade percebeu que «a independência tem um preço». Mas vale a pena pagá-lo!
publicado por Theosfera às 00:18

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014
Hoje é Quinta-Feira-Santa.

 

Termina a Quaresma. Inicia-se o tríduo pascal. É, portanto, um dia em três dias.

 

Celebra-se a paixão, morte, sepultura e ressurreição de Jesus.

 

Hoje, concretamente, assinalamos as duas grandes «invenções» de Jesus: a Eucaristia e o Sacerdócio.

 

Deixou-nos um único mandamento: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou, como Ele nos ama.

 

Pediu-nos a simplicidade, a humildade, o despojamento.

 

Nestes dias, há uma certa tentação para as pompas, para o esplendor. Mas isso não congraça com a mensagem de Jesus.

 

Ele merece o melhor. E o nosso melhor será (procurar) ser como Ele: na humildade e na paz!
publicado por Theosfera às 11:19

Tudo o que se celebra nesta semana santa está sob o signo do mistério.

 

O omnipotente surge-nos sem poder. Ou, então, revestido do poder maior: o de Se entregar à morte.

 

Jesus está sempre com o Pai, mas confessa-Se abandonado pouco antes de expirar.

 

É por isso que as palavras deveriam estar amassadas em silêncio. As palavras, por vezes, podem apagar mais do que revelar.

 

Jesus aparece-nos descentrado de Si. Tudo n'Ele é amor, é dádiva, é entrega.

 

Importa não aprisionar Jesus em conceitos, até porque tudo em Jesus é libertação, justiça e verdade.

 

É nos caminhos da humanidade sofredora que, hoje, O voltamos a encontrar.

publicado por Theosfera às 11:08

A Quaresma não termina sábado, termina hoje.

A Hora Intermédia deste dia assinala o fim da Quaresma.

A Missa da Ceia do Senhor inaugura o tríduo pascal.

A Vigília Pascal começa cronologicamente no sábado, mas toda ela decorre em dia de Domingo.

Haja em vista que os dias, para o povo em que Jesus viveu, começam quando o sol se põe no dia anterior.

A Vigília Pascal é, toda ela, uma celebração (a primeira grande celebração) da Ressurreição de Cristo!

publicado por Theosfera às 06:23

Há lágrimas que, não correndo pela face, escorrem pela alma.

A humildade de Jesus, o amor de Jesus, o despojamento de Jesus, a paz de Jesus não são apenas para ser evocados em rituais.

São, acima de tudo, alicerces para uma vivência.

Muito se fala de Jesus por estes dias. Que se viva Jesus em cada dia.

Ele morre por nós. Que Ele viva em nós.

Muita paz e muita esperança! Especialmente para si!

publicado por Theosfera às 06:01

Estes são dias em que olhamos mais (embora não necessariamente melhor) para a identidade da Igreja, designadamente para a ontologia do padre.

Fácil é radicar essa identidade, essa ontologia: em Jesus Cristo.

Entre Cristo e a Igreja existe, portanto, uma proximidade total. O problema é que, entre Cristo e a Igreja, se pressente também uma distância infinita.

Uma coisa é o plano ontológico. Outra coisa, bem diferente, é o plano existencial.

Uma coisa é o âmbito do ser. Outra coisa, bem diferente, é o âmbito do agir.

Cristo é a verdade. Mas quem diz a verdade acaba por ser condenado.

Em Jesus sempre se notou a parrhesia, a coragem e a franqueza.

Esse é o caminho de Cristo. Esse é o caminho Cristo.

Esse tem de ser o caminho da Igreja. Na pobreza. E ao lado dos mais pobres!
publicado por Theosfera às 00:55

Hoje, 17 de Abril (Quinta-Feira Santa), é dia de Sto. Aniceto, Sta. Maria Ana de Jesus, Sta. Catarina Tekakwitha e S. Benjamim Mantuano.

Um santo e abençoado dia para todos

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Creio
na Igreja nascida do Pai, gerada pelo Filho e alimentada pelo Espírito.
Creio
numa Igreja totalmente voltada para Deus e completamente virada para o Homem.
Creio
numa Igreja que fala de Deus aos homens e que fala aos homens de Deus.
Creio
numa Igreja que faz da oração prioridade e da justiça imperativo.
Creio
numa Igreja que não esconde a verdade que lhe foi entregue
nem mitiga a mensagem que lhe foi confiada.
Creio
numa Igreja que prefere ser criticada pela sua fidelidade
do que festejada pela sua incoerência.
Creio
numa Igreja que está de pé diante dos homens e de joelhos (só) diante de Deus.
Creio
numa Igreja que opta por servir em vez de agradar.
Creio
numa Igreja que não fala por cálculo nem cala por conveniência.
Creio
numa Igreja que não olha à posição nem ao título das pessoas.
Creio
numa Igreja que denuncia e anuncia a propósito e fora de propósito.
Creio
numa Igreja pobre e despojada.
Creio
numa Igreja humilde e serva.
Creio
na Igreja do perdão e da misericórdia.
Creio
na Igreja do amor e da concórdia.
Creio
numa Igreja que assume os seus erros
e que sabe acolher os que erram.
Creio
na Igreja que chora com os que choram.
Creio
numa Igreja de portas abertas para os pequenos e para os pobres.
Creio
na Igreja da esperança e da alegria.
Creio
numa Igreja que nunca desiste de acreditar nem de amar.
Creio
na Igreja de Cristo.
Creio
numa Igreja para todos!

publicado por Theosfera às 16:25

Dizem que hoje é o Dia Mundial da Voz.

Pensemos não apenas nos que a usam. Pensemos também nos que não a podem usar, nos que são impedidos de a usar.

E habituemo-nos a ouvir não só os que falam. Habituemo-nos a ouvir também os que, calando, falam de outras formas.

Há murmúrios de vidas que nos passam ao lado.

Há silêncios que gritam e que reclamam uma oportunidade. A começar pelo próprio Deus.

Muito nos magoa o silêncio de Deus. Mas, como perguntava Sertillanges, «é Deus que está em silêncio ou somos nós que estamos surdos»?

publicado por Theosfera às 11:42

1. A esta hora, grande é a azáfama. Já se preparam as casas e as ruas. Já se ultimam os folares. Já se encomendam os foguetes.

 

Apesar da crise, há muita alegria no ar e bastante vibração nos corações. Os mais pequenos anseiam pelas prendas. Os mais idosos multiplicam recordações.

 

A Páscoa está perto. Está perto no tempo. Já faltam poucos dias.

 

Eu gostava que a Páscoa também estivesse perto da vida: da vossa vida, da vida do mundo inteiro.

 

 

2. Páscoa, como sabeis, quer dizer «passagem».

 

Outrora, a Páscoa assinalava a passagem, pelo Mar Vermelho, da escravidão para a liberdade. Agora, celebra a passagem da morte para a vida.

 

Queria que soubésseis que, na Páscoa, não recordais um acontecimento do passado. Na Páscoa, sois chamados a reviver um acontecimento de cada presente.

 

Às vezes, fazemos muita coisa importante e acabamos por esquecer o principal.

 

Nesta altura da Páscoa, não faltam actividades no exterior. Mas falta um pouco de recolhimento no interior.

 

 

3. Queria que soubésseis que Eu continuo a vir ao vosso encontro. Continuo a falar-vos, como há dois mil anos.

 

Continuo a falar a cada um de vós no alto da Cruz. Muitas vezes, falo muito alto.

 

Como há vinte séculos, continuo a gritar. Continuo a gritar contra a violência, contra a opressão.

 

Continuo a gritar por mais fraternidade, por maior igualdade.

 

Continuo a gritar para que os grandes repartam com os pequenos. Continuo a gritar para que as dívidas sejam perdoadas.

 

Mas quem Me ouve?

 

 

4. Não penseis que deixei a Cruz. Não. Não deixei a Cruz.

 

Hoje, em cada dia, continuo a levar uma pesada Cruz. É Cruz de tantas pessoas que são atiradas para a berma das estradas da vida.

 

A Minha Cruz, hoje, é a Cruz dos que têm fome, é a Cruz dos que estão no desemprego, é a Cruz dos doentes, é a Cruz das vítimas da injustiça, é Cruz dos idosos abandonados.

 

Há vinte séculos, houve alguém chamado Simão de Cirene que Me ajudou a levar a Cruz. Nos tempos que correm, sou Eu que faço o papel de Cireneu. Sou Eu que ajudo a levar a Cruz de tanta gente. E como continua a ser pesada, horrivelmente pesada, a Cruz!

 

 

5. Queria que soubésseis que também vos falo do silêncio do sepulcro. Ou seja, também vos falo quando (aparentemente) não digo nada.

 

Hoje, eu continuo a estar nas profundidades da vida, da vossa vida. Eu moro nos vossos corações.

 

Posso estar em silêncio, mas não estou escondido. Eu acompanho-vos sempre. Estou convosco, como prometi há dois mil anos.

 

Estou convosco nas horas de alegria. E estou convosco nos momentos de aflição.

 

As vossas alegrias são as Minhas alegrias. E as vossas dores nunca deixaram de ser as Minhas dores.

 

 

6. Muitas vezes, pensais que o fracasso é uma derrota.

 

Naquele tempo, também não faltou quem achasse que o sepulcro era como o ponto final num texto.

 

Pensavam que tudo estava terminado. Mas Eu ressuscitei. Voltei para o Pai e voltei para vós.

 

O próprio fim tornou-se um novo começo. Uma tarde de pesadelo deu lugar a uma aurora de esperança.

 

Tudo voltou a começar. Por isso, nunca comeceis a desistir e nunca desistais de começar.

 

Às vezes, temos de bater no fundo para recomeçar a subir e temos de ficar para trás para voltar a avançar.

 

Nem tudo está perdido quando muito parece perder-se. É quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa.

 

 

7. Desejo-vos, pois, uma Páscoa com muita alegria, com muito amor, com muita paz.

 

Eu continuo a estar convosco. No próximo Domingo, entrarei em vossa casa. Vou na Cruz. Mas aquela já não é a Minha Cruz. É a Cruz de cada um de vós.

 

No próximo Domingo, Eu vou trazer as vossas dores. E vou deixar-vos a Minha paz.

 

De vós só quero uma coisa: que sejais felizes. Hoje. Amanhã. E sempre.

 

Jesus de Nazaré

Aquele que morreu por vós,

Aquele que ressuscitou para todos!

publicado por Theosfera às 11:22

Era sábado santo, aquele 16 de Abril de 1927.

Às quatro e quinze da madrugada nasce um menino a quem puseram o nome de José.

Passadas quatro horas, já estava santificado pelas águas do Baptismo acabadas de benzer.

Tudo foi santo: o sábado santo, o baptismo santo, o padre santo e o santo padre.

José foi para o seminário. Foi ordenado presbítero em 1951 e bispo em 1977.

Em 1981 foi chamado para Roma a fim de colaborar com o Sumo Pontífice.

Quando pensava que a missão estava cumprida, viu que ela se tornou mais...comprida.

Faz, neste dia, 87 anos que nasceu o Papa Emérito.

Ontem José, hoje Bento.

Obrigado por tudo. Parabéns por hoje.

Saúde e felicidades para sempre!

publicado por Theosfera às 00:57

Hoje, 16 de Abril (87º aniversário do Papa Bento XVI), é dia de S. Bento José Labre, Sta. Engrácia de Saragoça e S. Magno da Escócia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 15 de Abril de 2014

1. A Páscoa não é uma circunstância vaporosa de uma época distante.

Ela é a novidade perene oferecida ao homem e inscrita no tempo. Em cada tempo. Também no nosso tempo.

 

2. A referência ao «primeiro dia da semana» (Jo 20, 1) surge em nítido contraste com o dia anterior, o último dia.

No ocaso do último dia, respira-se morte. Já no alvorecer do primeiro dia, volta a despontar a surpresa da vida.

 

3. Maria de Magdala nem sequer se apercebe de que já se encontra num tempo novo.

Ela está persuadida de que a morte levou a melhor. As evidências parecem inultrapassáveis.

 

4. Mas eis que o sinal da morte está removido. A pedra no sepulcro seria como o ponto final num texto. Afinal, o texto iria continuar.

Resolve então avisar dois dos discípulos de Jesus: Pedro e João, duas personalidades e dois sinais.

 

5. Pedro representa a autoridade, João iconiza o amor. Pedro sai com João rumo ao sepulcro.

Ou seja, a autoridade não dispensa o amor na procura de Jesus.

 

6. Mas, a determinada altura, João antecipa-se. Na verdade, o amor vai sempre à frente e chega primeiro.

Como refere o comentário de Mateos-Barreto, «corre mais depressa o que tem a experiência do amor, o que foi testemunha do fruto da Cruz».

 

7. De facto, na hora da morte, só o amor (João) esteve presente. A autoridade (Pedro) ausentara-se.

Só o amor é capaz de vencer o medo.

 

8. João chega primeiro ao sepulcro. É pelo amor que se atinge a meta e que se chega a Deus.

Só que, como reconhece S. Paulo, o amor também sabe ser paciente (cf. 1Cor 13, 4). João vê o sepulcro vazio, mas não entra. Aguarda que Pedro venha.

 

9. Não se trata de um mero gesto de deferência. É, sobretudo, um gesto de reconciliação.

É que, com as negações de Pedro (cf. Jo 18, 15-17.25), a autoridade vacilara, vacilara no amor. Agora, o amor dá uma nova — e definitiva — oportunidade à autoridade.

 

10. Na Igreja de Jesus, a autoridade só faz sentido em função do amor. A autoridade é necessária. Mas ela apenas existe para tornar presente o essencial. E o essencial é o amor.

Porque, como alvitra o Evangelho (cf. Jo 20, 8), só com o amor se vê, só pelo amor se acredita.

publicado por Theosfera às 11:58

A Páscoa traz muita gente à volta da Igreja. São mobilizados os crentes e envolvidos os não crentes.

 

Sucede que esta afirmação de pujança pode (insisto: pode) denunciar um certificado de debilidade.

 

O que atrai mais pessoas não é a liturgia. São as procissões, as tradições.

 

O problema não está no seu valor, que é grande. Está, cada vez mais, no seu enquadramento, que é problemático.

 

Há quem venda a Semana Santa como um cartaz turístico. E, de facto, há multidões que se arrastam para as localidades onde se promovem acções nesta altura do ano.

 

E não falta mesmo quem já fale de espectáculo!

 

Aqui é que bate o ponto. Um espectáculo implica não só acção, mas também actores e espectadores.

 

Ora, o que se representa, muitas vezes, é apreciado sobretudo pelo seu efeito cénico. Há uma certa distância entre quem representa e quem assiste.

 

E nota-se também uma cada vez maior ausência de espiritualidade, recolhimento.

 

Como agir?

 

É um novo desafio que temos pela frente: vivenciar o momento central da fé ou apostar numa oferta turística de grande consumo?

 

A pastoral do turismo não pode ser reduzida ao turismo na pastoral.

 

Viver é optar, como dizia Zubiri.

publicado por Theosfera às 11:02

Estender o amor aos inimigos não significa esticar o ódio aos amigos.

Por isso, Nietzsche não tem razão: «O homem do conhecimento não só deve poder amar os seus inimigos, deve também poder odiar os seus amigos».

Se alguém odeia os amigos, como pode amar os inimigos?

Quem tem ódio dentro de si acaba por soltá-lo diante de todos.

Uma coisa, porém, é certa. Há quem odeie mais pelo bem que lhe é feito do que pelo mal que lhe possa ser realizado.

Mistérios que a vida vai tecendo...

publicado por Theosfera às 10:39

Há, em todo o nosso comportamento, uma vontade de futuro.

Sacrificamo-nos no presente por causa do que possamos ter no futuro.

Nietzsche considerou: «Como a ilusão da espécie, a moral força o indivíduo a sacrificar-se pelo futuro: atribui-lhe, aparentemente, um valor infinito, para que, com a consciência do seu valor, tiranize as outras tendências da sua natureza, o subjugue e o impeça de estar satisfeito consigo».

Não creio que tenha de ser exactamente assim.

Não se trata de tiranizar ou subjugar. Tratar-se-á, sim, de integrar. De nunca deixar de acreditar!

publicado por Theosfera às 10:24

Hoje, 15 de Abril, é dia de S. Crescente, Sta. Basilissa e Sta. Anastácia, S. César de Bus e S. Damião de Molokai.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:24

Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Um novo perfil de guerra se desenha.

Os combates não decorrem nos territórios dos países que se confrontam.

Desta vez, a Rússia e o Ocidente pelejam em solo ucraniano.

Ensaio geral para uma luta posterior? Ou demonstração final de que ninguém sairá a ganhar?

Estaremos, pois, perante um teste de força ou diante de uma prova de fraqueza?

publicado por Theosfera às 11:32

Contradição flagrante em 40 anos de democracia: o Estado exige cada vez mais e dá cada vez menos.

A relação entre os cidadãos e o poder ameaça, assim, inverter-se totalmente.

É o Estado que existe para os cidadãos? Ou são os cidadãos que existem para o Estado?

As dúvidas aumentam!

publicado por Theosfera às 11:26

O pior erro e a maior mentira são a ilusão.

Porque encobre. Porque não deixa olhar para o erro como erro nem para a mentira como mentira.

O problema é que a ilusão é apelativa. Cuida muito da apresentação. Aposta muito no aspecto.

É muito tarde quando se descobre a ilusão. E, nessa altura, a dor é maior.

Só se desilude quem se ilude. E, às vezes, é preciso embater fortemente na realidade para acordar das ilusões.

É por isso que a desilusão magoa!

publicado por Theosfera às 11:21

Dizem que a Índia é a maior democracia do mundo. E não será só pelo seu desmesurado número de habitantes: mais de 800 milhões.

As eleições também demoram quase um mês. E o número de partidos faz jus à desmesura.

São 1593 os partidos que se apresentam aos cidadãos.

Pelo menos, de falta de opções não se podem queixar os indianos!

publicado por Theosfera às 11:15

Há quem diga que tudo começa pela imaginação.

George Bernard Shaw assegurava: «Imaginar é o princípio da criação. Nós imaginamos o que desejamos, queremos o que imaginamos e, finalmente, criamos aquilo que queremos».

Mas é importante que a imaginação esteja habitada pelo sentido do bem comum!

publicado por Theosfera às 11:07

A constância não garante nada. Mas a inconstância leva a perder tudo.

Henri Amiel deu conta: «A inconstância deita tudo a perder, na medida em que não deixa germinar nenhuma semente».

A constância significa cuidar da semente!

publicado por Theosfera às 10:52

A liberdade é uma espécie de nada onde cabe tudo.

É assim que muitos pensam. É assim que muitos agem.

A liberdade é um vazio que pode ser preenchido pelo que cada um quiser.

Penoso equívoco, este.

A liberdade tem de estar cheia. Pela regra. Pelo bem. Pela verdade. Pela paz.

Uma liberdade vazia só esvazia. Uma liberdade cheia preenche!

publicado por Theosfera às 10:39

O Titanic tinha tudo para não falhar.

 

Houve até quem dissesse que nem Deus conseguiria afundá-lo.

 

Faz hoje 102 anos que os factos desmentiram (tragicamente!) as pretensões.

 

O deslumbramento não é bom conselheiro.

 

No Titanic perderam-se muitas vidas e naufragaram muitas ilusões.

 

A lei das proporções verificou-se: grandes empreendimentos, grandes fracassos.

 

A «omnipotência» pode albergar uma «omnifragilidade»!
publicado por Theosfera às 00:12

Hoje, 14 de Abril, é dia de Sta. Ludovina, S. Pedro González Telmo e Sto. Hermenegildo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 13 de Abril de 2014

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado por seres Tu:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:17

Era bom que se meditasse no processo de Jesus.

 

Foi entregue por inveja (cf. Mt 27, 18).

 

Pilatos fez tudo para O poupar. Só que as pressões do poder religioso, as ameaças de denúncia em Roma e a pressão de uma multidão ligada aos funcionários do Templo ditaram o veredicto.

 

Pilatos nada tinha contra Jesus, mas entre a defesa de um inocente e a preservação do seu lugar, a opção foi óbvia.

 

A desordem pública não seria bem vista em Roma. No entanto, seis anos mais tarde, viria a perder o lugar, como nos diz Flávio Josefo.

 

Já a «oclocracia» é a coisa mais volátil que existe. As multidões dão para tudo e para o seu contrário. Variam tão rapidamente como o vento!
publicado por Theosfera às 08:23

A criatividade está em alta? Talvez não.

Os nossos são tempos de padronização do pensamento e de estereótipos na acção.

No entanto, subsiste o sonho e a esperança.

Já dizia Truman Capote que «todas as pessoas têm a disposição de trabalhar criativamente. O quer acontece é que a maioria nunca dá por isso».

Mas se desse por isso, haveria criatividade?

publicado por Theosfera às 08:12

Esta é uma semana que reclama, sobretudo, interioridade, recolhimento.

 

Há uma densidade muito grande e um apelo muito fundo que nenhuma palavra conseguirá descrever.

 

O que nos é oferecido não pertence ao enigma, mas pertence ao mistério.

 

Isto significa que o quadro que nos surge não é inatingível, mas também não é manipulável.

 

Esta é, porém, a tentação, o peirasmós de sempre.

 

O Cristianismo deve ser a única religião em que o Fundador é um mártir e morre como um abandonado.

 

A Sua proximidade com Deus não impede que experimente toda a amargura do drama humano.

 

Divino, a partir de Cristo, não é, pois, a distância ontologicamente intransponível entre Deus e o Homem. Divino não é tanto o poder infinito, a imortalidade ou a imutabilidade.

 

Divina é esta humanidade sem freio, é esta franqueza sem constrangimentos, é este amor sem vacilação, é esta entrega sem limites.

 

Não é quando nos distanciamos do humano que nos aproximamos de Deus. É quando aterramos na sua maior profundidade que tocamos o divino.

 

Para Deus sobe-se descendo. Foi das profundidades da terra que Jesus irrompeu para Deus.

 

Há atitudes que se atribuem a Deus que são demasiado humanas. Não passam de projecções. O castigo, a vingança e uma justiça sem misericórdia não honram a transcendência. São excessivamente imanentes.

 

Já o humano tão puramente humano (tão inteiramente humano!) de Jesus é uma respiração divina, um enclave da eternidade pelas inclementes estradas do tempo.

 

O desfecho de toda esta meditação não pode ser apenas o anúncio. A Páscoa não é só para proclamar. É, acima de tudo, uma oportunidade para melhor viver.

 

Há um convite que fica. O caminho de Jesus não é tanto para ser explicado. É, sem dúvida, para ser conhecido. E é tão fascinante conhecer Jesus. O mais aliciante, contudo, é procurar viver.

 

Jesus é uma lição sem fim. Lição que não vem de qualquer cátedra, mas que tem a argamassa de uma vida tão humanamente cheia.

 

Haverá algo mais divino que esta humanidade de Jesus?

publicado por Theosfera às 07:20

Há uma panóplia de hábitos associados a esta época que têm o seu encanto.

 

Neste dia, são muitos os que vão benzer os ramos para oferecer aos padrinhos. Que, por sua vez, ofertam o folar na Páscoa.

 

E assim vemos muitos carros com crianças e ramos ao colo. Dão um colorido acrescidamente pulcro a este dia belo.

 

São formas de aprimorar o relacionamento entre as pessoas.

 

São hábitos que faz bem manter.

publicado por Theosfera às 06:18

A Igreja nascente pautava a sua conduta pela parrhesia, por uma grande coragem.

 

Nem os tribunais conseguiam deter o ímpeto testemunhal dos apóstolos.

 

Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens.

 

D. António Ferreira Gomes (que morreu faz hoje 25 anos) fez ecoar esta máxima: «De joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens».

 

Vale a pena ser cristão assim. Só assim. Sempre assim.

publicado por Theosfera às 00:08

Hoje, 13 de Abril (Domingo de Ramos na Paixão no Senhor e Dia Mundial da Juventude), é dia de Sta. Ida de Bolonha, S. Martinho I e Sta. Margarida de Métola.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 12 de Abril de 2014

É agradável vencer. Mas fundamental é não desistir de lutar.

Deus não manda vencer. Deus manda lutar.

Nem sempre vence quem luta. Mas nunca triunfa quem desiste de lutar!

publicado por Theosfera às 16:12

Nem tudo termina quando parece acabar.

Agostinho da Silva até achava que «todo o fim é contemporâneo de todo o princípio: só a nossos olhos vem depois».

É importante estar atento, pois.

O que termina é também o que recomeça!

publicado por Theosfera às 16:08

Hoje, 12 de Abril, é dia de S. Júlio I, S. Zenão de Verona, S. Vítor de Braga e Sta. Teresa de Jesus (chilena).

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Tornamo-nos conhecidos por aquilo que mostramos. E permanecemos desconhecidos por aquilo que ocultamos.

A nossa identidade não está só naquilo que se mostra. Está também naquilo que se oculta.

Para conhecer plenamente alguém, seria necessário conhecer cabalmente o seu segredo.

Mas isso é praticamente impossível. Não só pela vontade que se tenha de manter segredos. Mas igualmente pela manifesta impossibilidade de tudo revelar.

Somos sempre mais do que mostramos.

Cada ser humano transporta sempre um pouco de mistério. Para os outros. Para si!

publicado por Theosfera às 13:29

A história não é só o palco das ocorrências nem das respectivas interpretações.

A história é também uma permanente fornecedora de sobrevivências.

Há coisas que não passam mesmo quando muita coisa vai passando: o sonho e a dor, a sombra e a luz, as ameaças de fim e os constantes vislumbres de recomeço.

A história é um contínuo recomeço.

Na história há lugar para tudo. Só não pode haver lugar para a desistência!

publicado por Theosfera às 10:40

A vida de um político passa por opções.

É inevitável. E é também perigoso.

Um político não gostará de optar entre a racionalidade e a popularidade.

Precisa da primeira e não deixa de necessitar da segunda.

Só que a racionalidade não traz popularidade. E a popularidade nem sempre traz racionalidade.

Uma vez que ambicionam as duas coisas, os políticos tendem a não ir até ao fim nem na racionalidade nem na popularidade.

Esta indeterminação desperta nas populações os toques de alarme. Quem quer tudo, arrisca-se a não ter nada.

Os povos lamentam que não haja políticos muito racionais nem muito populares.

Continuamos à espera!

publicado por Theosfera às 10:29

Faz, hoje, 51 anos que foi publicado este documento notável.

Faz, dia 3 de Junho, 51 anos que faleceu o seu autor.

Por que não assinalar estas duas efemérides?

Reler a «Pacem in terris» é sempre necessário. Trilhar os passos de João XXIII nunca é excessivo.

Acresce que este documento e este Papa nos ajudam a perceber um pouco melhor os tempos que estamos a viver e a manhã que se sente despertar.

Há muito de João XXIII no Papa Francisco!

publicado por Theosfera às 05:59

Hoje, 11 de Abril (dia de abstinência), é dia de Nossa Senhora dos Prazeres, Sto. Estanislau, Sto. Isaac e Sta. Helena Guerra.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:57

Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Apesar do sol, há uma neblina na alma.

Os passos vão-se arrastando porque há obstáculos que teimam em erguer-se.

Quem consegue removê-los?

Há feridas que nunca cicatrizam. Parafraseando Nadine Gordimer, diria que há feridas que nunca acabam.

Quem sofre, sofre sempre. Sofre a dor que já veio. Sofre o eco da dor que não cessa de vir.

Mas nesse mar alto da dor, não é impossível abraçar a paz!

publicado por Theosfera às 09:43

Hoje, 10 de Abril, é dia de Sto. Ezequiel, S. Terêncio, S. Macário, S. Fulberto, Sto. António Neyrot e Sta. Madalena de Canossa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 09 de Abril de 2014

Nada de bom resulta da guerra, de qualquer tipo de guerra.

Victor Hugo anotou: «A guerra com o estrangeiro é uma escoriação no cotovelo; a guerra civil um abcesso que nos devora».

Afinal, quando compreenderemos que uma guerra contra alguém acaba por ser uma guerra contra todos, uma guerra contra nós?

publicado por Theosfera às 10:06

Mais uma noite da bola. Mais uma noite em que se vitoriam justamente os vencedores.

Pela minha parte, queria honrar os vencidos. Os que pugnaram, os que não desistiram.

Não conseguiram? Mas tentaram. E tentar é que é importante.

Os vencidos nem serão inferiores aos vencedores.

As coisas não lhes correram bem hoje. Hão-de correr melhor noutro hoje!

publicado por Theosfera às 00:42

Hoje, 09 de Abril, é dia de Sta. Cassilda, Sto. Acácio de Amida e Sta. Maria Cléofas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 08 de Abril de 2014

1. Estamos à beira da semana que tem o qualificativo de santa.

É uma semana que nos junta e que nos deve unir. É uma semana que nos faz correr, mas que também nos deve fazer parar. É uma semana que nos envolve no exterior e que nos deve transformar no interior.

 

2. É uma semana em que sentimos próximo o que é mais distante. Na Sexta-Feira Santa assinalamos a morte. Poucas horas depois, festejamos a vida.

Grande lição esta: a morte está aqui; a ressurreição mora já ali. Entre a morte e a vida há uma diferença tão grande e, ao mesmo tempo, uma distância tão pequena!

 

3. Jesus morreu? Jesus morre. Ele está na morte de tantas pessoas, sufocadas no patíbulo desta desumanidade infrene.

É por isso que a Cruz não foi, a Cruz é.

 

4. A fé não é alienante.

Não nos retira da vida. Atira-nos para as profundezas (mais obscuras) do mistério da existência.

 

5. Nesta semana em que somos confrontados com a dor do mundo na dor do Filho de Deus, fique a baloiçar em nós a palavra de Dietrich Bonhoeffer: «O Homem está chamado a sofrer com Deus no sofrimento que o mundo sem Deus inflige a Deus».

Em Cristo, Deus sofre connosco, em nós. Mesmo que não O sintamos.

 

6. Na visita pascal, iremos anunciar a ressurreição transportando o Crucificado.

Parece uma contradição. Mas é a verdade. E faz todo o sentido.

 

7. Antes de mais, é muito difícil figurar um corpo ressuscitado. Nem os discípulos reconheceram Jesus: era o mesmo mas com uma configuração diferente.

Depois, porque o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida. Se não morresse, não ressuscitaria.

 

8. Não é, pois, em vão que Jürgen Moltmann usa expressões como «ressurreição do Crucificado» e «cruz do Ressuscitado».

O mistério de Cristo é sempre global, não se pode segmentar ou clivar. Jesus integra a glória no sofrimento e eleva o sofrimento à glória.

 

9. Eis, por conseguinte, a maior fonte de esperança para quem sofre: Ele sofre connosco, nós sofremos com Ele.

E n’Ele podemos vencer o sofrimento e a própria morte.

 

10. A Páscoa vai chegar ao tempo. Que ela chegue à vida.

À vida de cada um. À vida da humanidade inteira!

publicado por Theosfera às 12:17

A verdade dispensa grandes palavras e recordações.

Já dizia Mark Twain: «Quando dizemos a verdade não é preciso lembrarmo-nos de nada».

A verdade é sóbria. Prescinde de adornos.

A verdade é o maior adorno que a vida pode ter!

publicado por Theosfera às 12:13

Somos seres tecidos de harmonias e contradições.

É isso faz o nosso drama. É isso que não desfaz a nossa grandeza.

Suspiramos por uma harmonia, mas vamos aspirando as teias das contradições que nos habitam.

Dizia Nélson Mandela: «As contradições são uma parte essencial da visa e nunca deixam de dividir a pessoa».

Mas também nunca são capazes de eliminar o sonho de uma unidade sonhada e, quem sabe, conseguida!

publicado por Theosfera às 10:57

Não se mata só quando se mata.

Também se mata quando se agride, quando se insulta, quando se difama, quando se calunia.

A morte de uma pessoa não ocorre apenas quando o organismo deixa de funcionar.

A morte mais deletéria pode ocorrer quando se cometem assassínios de carácter.

Acresce que existe uma propensão para ser crédulo em relação a essas mortes (implacavelmente) infligidas. Mas eu acredito na ressurreição dos que são eliminados.

A Escritura assegura que o oculto acaba por se descobrir.

Muita coisa é velada. Mas mesmo o velado acaba por se desvelar.

Na sua sageza simples, o povo testifica que o mal e o bem à cara vem.

Há um momento em que a verdade deixa as profundezas.

Há um momento em que a verdade acorda.

Há um momento em que nós havemos de acordar para a verdade!

publicado por Theosfera às 10:53

1. Estamos na Primavera e chove. Vivemos em democracia e temos medo. Já nem Abril parece Abril.

 

2. Antes de Abril, havia medo, sim. Havia medo de falar, de falar sobre certos assuntos, de falar sobre determinadas pessoas.

Acontece que, neste Abril, o medo parece ter perdido o medo. Neste Abril, todos aparentam ter medo de tudo.

 

3. Há medo de falar, medo de estar na rua, medo de ficar em casa, medo de perder o emprego, medo de que acabe o subsídio de desemprego.

Neste Abril, há medo do presente e há até medo do futuro.

Sentimo-nos vigiados e vemo-nos ameaçados.

 

4. Há ministros e sinistros que estão muito presentes na televisão e parecem muito ausentes da realidade.

Há ministros e sinistros que só lançam e comentam novas más. Mas já nem as novas são novas. Tudo parece demasiado previsível e requentado.

 

5. Nesta época de temporais, estamos a ser devorados por aquilo que Carlo Maria Martini denominou «tempestade ideológica». É um momento em que já nem sequer parece subsistir a «consciência de fazer mal».

A violação sistemática de direitos fundamentais é apresentada sob a bandeira de uma normalidade arrepiante.

 

6. As pessoas não se revêem nas decisões, nem se entusiasmam com as alternativas.

O país e a Europa parecem, usando uma imagem de Karl Jaspers, um enorme automóvel que ninguém conduz. E, sem condução, a possibilidade de desastre aumenta.

 

7. A desesperança espreita e já encontrou habitáculo em muitos espíritos.

Não nos deixemos derrubar por ela. Como dizia Bernanos, «a esperança é a maior e a mais difícil vitória que um homem pode ter».

 

8. A esperança é o triunfo da convicção sobre a evidência.

Tudo parece estar em ruínas. Tudo aparenta ruir.

 

9. Mas, como avisa o grande Agostinho de Hipona, «é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa»!

publicado por Theosfera às 00:57

Hoje, 08 de Abril, é dia de S. Dionísio, S. Gualter Abade, Sta. Constança de Aragão, Sta. Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus e S. Domingos do Santíssimo Sacramento.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 07 de Abril de 2014

1. Diz a experiência que, para qualquer necessidade, os primeiros a dar são os pobres, os humildes e os simples. Afinal, são os mais ricos. Sim, ricos em generosidade, em coração.

Mas, apesar disso, são quase sempre os últimos a receber um agradecimento, uma palavra, um alento. São remetidos para os últimos lugares. Os que não dão — ou dão do que lhes dão —, esses, ocupam os primeiros lugares.

 

2. Não importa. Deus sabe olhar para quem dá. Olha para os lugares de baixo, para os lugares do fim.

Para Deus, os últimos são sempre os primeiros (cf. Mt 20, 16).

 

3. Vivemos entalados entre revoluções. Cultivamos a nostalgia das revoluções do passado. E alimentamos o sonho das revoluções do futuro.

Entre umas e outras estagnamos. Falta, segundo Gilberto Gil, «fazer a revolução de cada dia», a «revolução do viver». Importante é tentar. Decisivo é não desistir de tentar. A partir de agora.

 

4. Não se esgota na política a política. A política é maximamente abrangente. Já notava André Chamson: «Todos os nossos pensamentos tocam na política».

A política nunca devia esquecer donde vem nem para onde vai: a sociedade, o bem comum. Tudo o resto é instrumental, espuma e muita retórica.

 

5. É preciso que a política se descentre (de si) para que se recentre (fora de si).

Quanto mais a política se voltar para fora de si, tanto mais ela reencontra a sua razão de ser: o ser humano, a justiça, a paz.

 

6. O génio é feito de talento. Mas é possível que o génio tenha algo mais que o talento.

Schopenhauer aponta a diferença: «Os talentos atingem metas que ninguém mais pode atingir; os génios atingem metas que ninguém jamais consegue ver».

 

7. E isso é o que falta, hoje. Mas o curioso é que há gente humilde que parece ver melhor que muitos que se reputam de génios. Será que os verdadeiros génios estão na base? Eu não tenho dúvidas.

Os simples e humildes sabem olhar para a vida. O problema é que muitos não sabem (nem querem) olhar para a mesma vida com os olhos dos simples e dos humildes.

 

8. Jesus é o Médico e o Medicamento, a Cura e o Curador, o Evangelho e o Evangelizador, a Revelação e o Revelador, a Salvação e o Salvador.

Ele devolve a vida a quem sente perder a vida. Ele é a saúde para quem está doente. Ele é o sentido que paira sobre o sem-sentido em que andamos.

 

9. «Basta que tenhas fé», diz Jesus, outrora, a Jairo. E repete-nos hoje a cada um de nós.

Esta fé, entrelaçada com a esperança e emoldurada pelo amor, conseguirá mudar, mudar-nos.

 

10. Deus fala até quando Se cala. A palavra é veículo. O silêncio é fonte. Deus não está ausente das nossas palavras. Mas, muitas vezes, está mais presente na escuta do silêncio.

Fechemos, então, os olhos. Não apenas para dormir. Mas também para meditar. Para acolher!

 

 

publicado por Theosfera às 10:55

Ensina-se de muitas formas.

Pelo conhecimento seguramente. E, ainda mais, pelo exemplo.

Séneca já tinha observado: «Os progressos obtidos por meio do ensino são lentos; já os obtidos por meio de exemplos são mais imediatos e eficazes».

O problema é que os maus exemplos também não costumam ser falhos de eficácia.

É preciso discernir. E optar sempre pelos bons exemplos!

publicado por Theosfera às 10:49

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