O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 19 de Abril de 2014

Onde esteve Jesus desde a Sua morte até à Sua ressurreição?

 

Eis um dos mais estimulantes convites à procura do saber e, ao mesmo tempo, um dos mais poderosos certificados do não-saber. Não é ilícito procurar aquele, mas é importante aceitar este: não é o não-saber uma das expressões mais vivas do saber?

 

Escutemos o que diz Hans Urs von Balthasar: «Eloquentes quando descrevem a paixão de Jesus vivo até à morte e sepultura, os Evangelhos tornam-se naturalmente silenciosos quando se trata do tempo

que medeia entre o sepultamento e a ressurreição.

 

Devemos estar-lhes gratos por isso. O silêncio pertence à morte, não apenas no que se refere à tristeza dos que sobrevivem, mas, principalmente, em relação ao paradeiro e à situação do morto».

 

Mas, sinceramente, quem lê este magnífico texto fica com a impressão de que von Balthasar até presenciou o que aconteceu.

 

O saber que resulta deste não-saber primordial permite-nos chegar ao essencial: este acontecimento (descida de Jesus à terra) «é sobretudo salvífico, significa a introdução dos frutos da Cruz no abismo da perdição e da morte».

 

Há uma passagem no Evangelho de Nicodemos que ilustra esta afirmação: «À meia-noite, um clarão de sol penetrou naquelas trevas e todos os recantos do Hades tornaram-se luminosos»!

 

Mas, amigo leitor, leia mesmo este texto de von Balthasar. Ficará como eu: extasiado!

publicado por Theosfera às 17:48

Bento XVI foi eleito Papa há nove anos.

Ele foi o timoneiro visível de uma barca que, como diziam os antigos, vacila mas não cai.

Porquê? Porque, repetiam os mesmos escritores de antanho, o seu piloto é Cristo e o seu mastro é a Cruz.

Bento XVI continua connosco. Obrigado pelo seu testemunho, Santo Padre!

publicado por Theosfera às 11:40

Hoje, 19 de Abril (nono aniversário da eleição do Papa Bento XVI), é dia de S. Leão IX, S. Vicente Colibre, Sta. Ema, Sto. Hermógenes, S. Caio e Sto. Expedito.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 11:36

De um autor antigo, provavelmente do século IV:

 


«Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos.

Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: "O meu Senhor está no meio de nós". E Cristo respondeu a Adão: "E com o teu espírito". E, tomando-o pela mão, disse: "Acorda, tu que dormes, levante-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará"».

No silêncio, somos convidados a fazer uma viagem até ao nosso interior e meditar sobre o sentido da nossa vida e avaliar a qualidade da nossa relação com o Senhor. Silêncio que nos leva perceber o mistério que envolve a nossa vida e nos fala da necessidade de estarmos com Deus.

Sábado Santo é dia de recolhimento, de encontro com o Ressuscitado, na oração e na contemplação. É preparação para liturgia da Vigília Pascal, a grande festa, a mãe de todas as vigílias e a fonte de todas as liturgias.

publicado por Theosfera às 10:10

Hoje não é sábado de aleluia: o aleluia é só a partir de Domingo.

 

A Vigília Pascal, cronologicamente, começa no sábado. Mas, kairologicamente, decorre já no Domingo.

 

Isto porque o povo a que Jesus pertenceu considera que o dia começa quando o sol se põe.

 

Portanto, o sábado é um dia de reflexão, meditação e expectativa.

 

O Senhor ressuscitará.

publicado por Theosfera às 06:03

O Sábado Santo é uma espécie de entretanto entre a comemoração da morte e a celebração da vida. Entre a Cruz e a Ressurreição, há a sepultura.

 

O trânsito ocorre aqui. A Páscoa está, literalmente, em marcha. A passagem da morte para a vida faz-se no silêncio da espera.

 

Nada há mais distante. Nada existe tão próximo. A morte é a negação da vida. A vida é a superação da morte. Entre uma e outra um dia de espera, de expectativa.

 

Há, aqui, uma realidade e um sentido, um significante e um significado.

 

Desde logo, não é para o alto que devemos olhar. É para as profundidades que temos de nos dirigir.

 

Estamos no fundo? Mas é do fundo que tudo parte.

 

A grande lição do Sábado Santo é que não há motivos para o derrotismo (próprio de Sexta-Feira Santa), mas também não há ainda razões para a euforia (aceitável em Domingo de Páscoa).

 

O Sábado Santo é a grande metáfora da vida humana. É preciso nunca deixar de acreditar, nunca desistir de trabalhar. Não há obstáculos intransponíveis.

 

Deixo, a este propósito, um texto magnífico de Carlo Maria Martini: «Estamos no sábado do tempo, caminhando em direcção ao oitavo dia: entre o "já" e o "ainda não", devemos evitar absolutizar o hoje com atitudes de triunfalismo, ou, pelo contrário, de derrotismo.

 

Não podemos deter-nos na escuridão de Sexta-Feira Santa, numa espécie de "cristianismo sem redenção"; mas também não devemos apressar a plena revelação da vitória da Páscoa em nós, que se realizará na segunda vinda do Filho do Homem.

 

Somos convidados a viver como peregrinos na noite iluminada pela esperança da fé e acalentada pela autenticidade do amor».

publicado por Theosfera às 06:02

Hoje, as igrejas estão vazias. Os altares desnudados. Os tabernáculos abertos e vazios. As velas apagadas.

O silêncio invade todos os ambientes. É uma experiência de recolhimento e atitude de espera.

Tudo para lembrar que Cristo desce à mansão dos mortos e assume o destino e a limitação do ser humano.

Ele é solidário até ao fim e faz a descida da morte, entra no seu mistério, para sair vitorioso e abrir para todos um caminho de luz e esperança.

Muita paz e muita esperança! Especialmente para si!

publicado por Theosfera às 05:59

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