O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Um dos grandes clichés, que estes dias desmontam, assegura que dos fracos não reza a história.

 

Não é isso o que Jesus nos mostra. Não é isso o que, por exemplo, S. Paulo nos atesta.

 

A Páscoa é, antes de mais, um mistério de fragilidade. De uma fragilidade inteiramente assumida, francamente exposta e abertamente oferecida.

 

Quando Se apresenta pronto para sofrer a morte, Jesus não esconde que «a carne é fraca» (Mt 27, 41).

 

A fragilidade é reveladora, é solidária.

 

As pessoas revelam-se mais quando não escondem a sua fragilidade.

 

Tony Blair percebeu isto quando escreveu que «ser humano é ser frágil».

 

Jesus não fez exibições de força. A Sua maior força radicou na Sua capacidade de assumir a fraqueza.

 

Os fortes podem ganhar batalhas. Mas são os frágeis que obtêm a maior vitória: a do amor.

 

Os fortes são vistos como vencedores porque eliminam os outros, porque se sobrepõem aos outros.

 

Os frágeis são apontados como vencidos porque se esquecem de si, porque vivem em função dos outros.

 

Mas não é nesta fragilidade que reside a nossa salvação? Não é, portanto, nesta fragilidade que está a maior força?

 

Os fortes vão destruindo vidas. Os frágeis são os que se sacrificam para que outros tenham vida.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua fragilidade. Porque recusaste o uso da força. Porque não quiseste exibir qualquer força. A não ser a do Teu imenso amor!

publicado por Theosfera às 11:13

Podemos dizer que, neste dia, também a Igreja se volta para um «neue mitte», um novo centro.

 

 

Hoje, não há Missa. Tudo está centrado na Cruz.

 

 

Não se trata de fazer a apologia da dor, mas de estar em comunhão solidária com tantos que continuam a actualizar a Cruz.

 

 

Com eles, acreditamos que é possível vencer a Cruz. E chegar à Ressurreição!
publicado por Theosfera às 08:16

O que mais me impresssiona, nesta hora que é o nosso tempo, é o cansaço de Jesus, o sofrimento de Jesus e, simultaneamente, a persistência de Jesus.

Jesus aparece-nos cansado, doído e muito fatigado em tantas pessoas atiradas para as margens, em tantos rostos sofridos.

É Jesus que, neles, continua a sofrer, a gemer, a chorar.

Mas, ao mesmo tempo, Ele persiste. Ele nunca desiste.

Ele permanece. Ao seu lado. Na sua vida. No nosso mundo!

publicado por Theosfera às 07:34

O mundo continua a estremecer diante do Crucificado.

E há uma luz de encantadora humanidade que se desprende de uma vida que se entrega.

A morte de Cristo é morticida. Mata a morte.

E semeia torrentes de vida. Em forma de amor!

Muita paz e muita esperança! Especialmente para si!

publicado por Theosfera às 06:04

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 02:17

O processo de Jesus configura a condenação da ousadia, da coragem de ser diferente, da liberdade de ser fiel à própria consciência.

 

Jesus corporizou maximamente o «franc parler» (falar franco) e o «free speech»(falar livre).

 

Pagou um preço elevado? Sem dúvida.

 

Já Eugénio de Andrade percebeu que «a independência tem um preço». Mas vale a pena pagá-lo!
publicado por Theosfera às 00:18

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