O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 09 de Março de 2014

1. Muitas e sapientes são as palavras que nos servem neste tempo da Quaresma.

 

Tantas e tão variadas são as propostas que, num primeiro olhar, somos tentados a concluir que toda a gente tem muito para dizer. Será que existe a mesma disponibilidade para escutar?

 

A Quaresma tem tudo para ser um tempo de silêncio, um tempo de espera, um tempo de esperança.

 

É importante haver um tempo em que se possa pensar mais no tempo, no que andamos a fazer no tempo.

 

É necessário agir. É fundamental que haja acção. Mas é vital não reduzir a acção a mera agitação.

 

Parece que quem não se move não vive. Parece que quem não grita não comunica. Parece que quem não corre não caminha.

 

Até na fé corremos o risco de ser hiperactivos. Fazemos, refazemos e, por vezes, desfazemos.

 

 

2. Haja em vista que também Jesus era uma pessoa muito ocupada. Frequentemente, nem tempo tinha para comer nem para descansar. E, no entanto, parecia sentir uma profunda necessidade de silêncio e de solidão.

 

Sempre que podia, Jesus retirava-Se para os montes ou para o próprio deserto. As Suas grandes decisões são antecedidas de longas permanências em locais ermos.

 

Não é possível seguir Jesus sem O acompanhar no Seu silêncio, na Sua solidão. Desde logo, porque só na medida em que O acompanharmos no silêncio, estaremos em condições de assimilarmos a Sua palavra.

 

Não é fácil criar silêncio no mundo barulhento de hoje. Vivemos cercados de toneladas de ruído: de ruído sonoro e de ruído visual.

 

Se o silêncio não nos procura, temos de ser nós a procurar o silêncio. Fazer silêncio é muito mais que estar calado. É criar uma predisposição para a escuta do outro, para o acolhimento da sua presença.

 

O silêncio despoja-nos dos nossos preconceitos acerca das pessoas e das coisas. Faz-nos estar de coração limpo, completamente desarmadilhados.

 

Hoje em dia, há uma pressão enorme para estar sempre em cena, para nunca deixar o palco ou o «prime time».

 

 

3. A vida humana é um equilíbrio entre o relacionamento e a solidão. A solidão não é necessariamente corte. Pode até ajudar a aprofundar os nossos relacionamentos.

 

Anthony Storr assinala que os grandes génios e os maiores sábios nunca abdicaram de longos períodos de solidão.

 

Tal como o trabalho do dia ganha muito com o descanso da noite, também a qualidade da missão beneficia bastante com algum silêncio.

 

Como nota Albert Nolan, «temos de encontrar uma forma de nos desligarmos, de tempos a tempos, do fluxo imparável de palavras, de sons e de imagens que nos bombardeiam a toda a hora». Mais importante ainda, «precisamos de um silêncio interior que desligue a nossa torrente interior de pensamentos, imagens e sentimentos».

 

 

4. Neste espírito, a Quaresma é uma oportunidade preciosa para perceber o que se passa no mundo e na nossa vida.

 

É um tempo para perceber que, antes de ter uma opinião sobre tudo, é necessário alcançar uma visão acerca de cada coisa.

 

Faz falta uma pastoral que escute, que pense nas perguntas e que procure meditar nas interpelações.

 

Precisamos de uma pastoral que não queira ter uma resposta pronta para tudo e para todos.

 

Precisamos de uma pastoral que estacione nas pessoas e nas situações e que não remeta logo para planos, programas e projectos.

 

A diferença cristã não está tanto nas palavras ditas às pessoas, mas na atenção dedicada às pessoas.

 

Enzo Bianchi alerta que tal diferença cristã «deve expressar-se sobretudo na atenção aos pobres, aos mais humildes».

 

Por muito que nos sintamos em minoria, não nos podemos demitir de escutar a dor e a expectativa de uma imensa maioria que peregrina ao nosso lado.

 

O silêncio do Sábado Santo é uma boa terapia quaresmal. Nele fermentará a alegria da Páscoa como a chegada do futuro ao nosso presente.

 

O silêncio ajuda a suspender o mesmo, o igual. O silêncio surpreende-nos com a beleza do diferente, com a visita do que é novo!

 

publicado por Theosfera às 23:05

O deserto não é só local físico. É também (e bastante) um lugar teológico (locus theologicus). E um lugar teológico de singular relevância e primeira grandeza.

 

João viveu no deserto. Jesus esteve no deserto. Muita gente procurou o deserto. Não como fuga. Mas como apelo. Como aviso. Como terapia. Como profecia. Como acto de coragem.

 

O deserto é aridez. Mas é sobretudo teste. Teste à resistência. Teste à persistência. Teste à fidelidade. Não se pode ser fiel apenas quando o ambiente é favorável. Fiel é preciso ser sempre.

 

Tudo isto continua a ser actual, pertinente. Se não podemos ir ao deserto, urge fazer deserto. Todos os dias. O momento inicial é determinante. Começar o dia por um encontro profundo com Deus é essencial. Mais de uma hora era excelente, mas é difícil. Mesmo uma hora de contemplação não é fácil. Mas viver um dia de missão sem, pelo menos, uma hora de oração é um risco muito grande.

 

Só quem mergulha em Deus se habilita a mergulhar no Homem, na Vida, no Mundo.

publicado por Theosfera às 11:50

Nem a fome, nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem o perigo, nem a espada. Nada disto nos afasta de Cristo.

 

A única coisa que nos pode afastar de Cristo é a falta de compaixão.

 

Jesus era procurado porque as pessoas sabiam que podiam contar com Ele.

 

Ouvimos dizer, neste Domingo, que Jesus se retirou para um local deserto. Mas o deserto não é ruptura. O deserto desperta até uma maior vontade de comunicar. Em hebraico, deserto diz-se midbar, que tanto significa silêncio como eu falo.

 

É por isso que o deserto surge a par da multidão.

 

O deserto não gera indiferença. Pode até intensificar a relação.

 

E o cerne da relação é a compaixão, é o amor.

 

Não é possível agradar a Deus e ignorar os pobres.

 

Não podemos esperar que o Estado faça tudo na solidariedade.

 

Um dos homens mais sábios de sempre, Kant, pagava do seu bolso pensões mensais a várias pessoas.

 

Compreendeu que, para ajudar os outros, Deus não tem outra mesa além da nossa mesa.

 

É esta a lição nunca totalmente apreendida depois de Jesus.

 

Tantas vezes, em nome de Jesus (e de Deus) vivemos nos antípodas da compaixão.

 

Onde não compaixão, não há fé.

 

Sem compaixão, não convencemos ninguém.

publicado por Theosfera às 09:46

A esperança é necessária para encontrar o esperado. E diria que é ainda mais decisiva para procurar o inesperado.

Já Heráclito notava: «Sem esperança, não encontrarás o inesperado».

A esperança não se limita a presentear-nos com as expectativas. A verdadeira esperança obsequia-nos com a surpresa!

publicado por Theosfera às 08:31

Dizem que o destino da humanidade se joga na Crimeia.

É para lá que todos os olhos se voltam. É lá que todos os nossos medos estão alojados.

Na Crimeia está, pois, o nosso destino. E talvez, ainda mais, o nosso desatino!

publicado por Theosfera às 08:27

Eis-nos chegados, uma vez mais,

ao tempo da conversão,

ao tempo da mudança,

ao tempo da transformação.



Quaresma é tempo de penitência,

mas não é tempo de tristeza.



É oportunidade de sermos diferentes,

de nos abrirmos a Deus

e de pensarmos mais nos outros.



É convite a vencermos o egoísmo

e a partilharmos o que somos e o que temos

com os que mais sofrem.



É sermos o sorriso de Deus na penumbra triste do mundo.

É sermos o ombro onde repousam as mágoas de tantos corações.

É sermos o rosto onde desagua o pranto de tantas vidas.



A Quaresma não nos rouba a alegria

e até nos pode acrescentar felicidade.



Vamos fazer jejum e abstinência da comida e da bebida,

mas também das palavras agressivas e dos sentimos violentos.



Vamo-nos abster da superficialidade e do egoísmo,

dos juízos apressados e dos julgamentos implacáveis.



Vamos acompanhar Jesus pelo deserto e pelas ruas de Jerusalém.

Ele acompanha-nos em cada instante da nossa vida.



Vamos acolher o dom.

Vamos ser dom.

Vamos ser a ressonância do grande dom, do único dom:

JESUS!

publicado por Theosfera às 08:10

Não basta olhar para o que existe. É mister (e cada vez mais urgente) olhar para o que pode existir.

George Bernard Shaw analisa e confessa: «Alguns homens vêem as coisas como são e dizem: Porquê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: Porque não?».

publicado por Theosfera às 08:08

O poder, como tudo, vem de Deus.

Mas, pela amostra, o exercício do poder parece ter sido capturado pelo Diabo. Este, pelo menos, reclama-o como seu.

Ainda ontem ouvíamos no Evangelho: «Dar-Te-ei todo este poder e a sua glória porque me foi entregue, e dou-o a quem quero» (Lc 4, 6).

E, de facto, o poder parece ter muito de diabólico, tal é a opressão que provoca e a injustiça que faz alastrar.

Será impossível libertar o poder da captura a que se mantém (prolongadamente) submetido?

publicado por Theosfera às 00:47

Hoje, 09 de Março (I Domingo da Quaresma), é dia de S. Domingos Sávio, Sta. Francisca Romana e S. Gregório de Nissa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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