O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 05 de Março de 2014

É pena que nós, católicos, não atribuamos o devido valor ao jejum. Em muitos casos, ele é confundido com a mera abstinência.

 

Se olharmos para Jesus Cristo, a referência normativa por excelência, verificamos que o jejum teve uma importância determinante. Foi pelo jejum que Ele começou a Sua vida pública. O mal só é vencido com a oração e o jejum.

 

Neste sentido, faz pensar o que disse um patriarca monofisita do Egipto no fim de uma visita a Roma: «Compreendi que a nossa fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, é idêntica. Mas fiquei a saber que a Igreja Romana aboliu o jejum [o que não é totalmente verdade, diga-se] e sem jejum não há Igreja».

 

Sendo a alimentação um dos actos centrais da vida biológica do Homem, o jejum é uma expressão eloquente do primado absoluto de Deus.

 

Como refere Joseph Ratzinger, «sem uma expressão também corporal, o primado de Deus dificilmente se torna o momento decisivo da vida humana».

publicado por Theosfera às 23:23

Para Charles de Foucauld, é possível imitar Jesus de três formas: pela pregação, pelo deserto e por...Nazaré. Esta última foi a via escolhida pelo Irmão Universal. Em que consiste? Na reprodução da vida de Jesus em Nazaré ao longo dos trinta anos de vida oculta. Trata-se, então, de uma via feita de:

- imitação;

- obediência;

- contemplação (isolamento, recolhimento, oração, prece);

- sacrifício;

- glorificação de Deus.

 

Eis uma proposta interessante a seguir neste tempo santo da Quaresma.

publicado por Theosfera às 23:07

1. Eis a verdadeira — embora quase ignorada — espiral recessiva: deixámos de saber estar.

 

Não sabemos estar numa escola, não sabemos estar numa igreja, não sabemos estar na rua. Saberemos estar na vida?

 

 

 

2. Estranho é o ar estranho de alguns quando alguém chama a atenção. «Qual é o problema?» — questionam.

 

A natureza parece não merecer a menor intervenção. Tanto se acolhem os seus ideais mais elevados como se seguem os seus impulsos mais baixos.

 

 

 

3. A falta de cuidado no falar, no vestir ou no pentear deixou de ser um simples desleixo.

 

Passou a ser uma ideologia: a «ideologia do descuido», da desmontagem, da desconstrução.

 

 

 

4. Hoje em dia, o descuido parece um trunfo e a falta de aprumo desponta como um meio de afirmação.

 

No fundo, desfazer aparenta ser mais compensador do que refazer!

 

 

 

5. Como é óbvio, o mais preocupante não é o descuido no falar ou no vestir. O mais preocupante é este descuido ser o primeiro passo num caminho com um penoso final.

 

Quando se tenta dar um passo no precipício, acaba-se por só se terminar no fundo!

 

 

 

6. A mediocridade que nos sufoca não se faz, como seria de esperar, de um equilíbrio entre a excelência e a decadência.

 

Ela tem sido feita, quase exclusivamente, pelo predomínio do que é primário, do que é decadente, do que é baixo.

 

 

 

7. Há mais baixezas do que grandezas nos tempos que correm. Nem os que se julgam grandes se mostram capazes de gestos de grandeza.

 

E — o que é mais grave — o pensamento crítico, que se mostra tão cáustico perante todas as instituições e normas, parece claudicar diante da moda, da onda.

 

 

 

8. A linguagem corrente é quase imperceptível, praticamente encriptada. Uma coisa boa é vista como «bué». Uma pessoa admirada é descrita como «fixe».

 

Neste primarismo, a roçar o «basic to basic», o mau gosto chega a ser apresentado como sublime.

 

 

 

9. O problema é que a mediocridade é agressiva, não respeita o diferente e propende a eliminar quem não alinha. A «ditadura da pose» não costuma tolerar o porte, a compostura, a rectidão.

 

E quando o enfermo não adverte sequer que está doente, como pode ser curado?

 

 

 

10. Não desistamos, porém. Apostemos tudo no testemunho, na coerência. Ainda sobram muitos amanhãs na estrada do tempo.

 

A mudança germinará numa qualquer madrugada de luz!

 

publicado por Theosfera às 10:15

O Público faz , hoje, 24 anos e, desde há 24 anos, passou a ser o meu jornal.

Na altura, 5 de Março de 1990, estava em Lisboa e o jornal que costumava comprar (O Comércio do Porto), chegava um pouco tarde à capital.

Como também comprava o Expresso e uma vez que foi deste jornal que partiram os principais artífices do Público, passou a ser este o meu jornal.

Confesso que a fase em que o apreciei mais foi mesmo a primeira: no conteúdo e na forma.

Era um jornal muito bonito, atraente, convidativo.

Compreendo (e admiro) a necessidade de não estagnar e o imperativo de mudar. Mas o que tem vindo a seguir não me consegue envolver tanto.

Já pensei várias vezes em mudar de jornal, embora também procure ler outros, mas, invariavelmente, mantenho-me fiel ao Público.

Admiro a independência, embora nem sempre me reveja nos ângulos de análise e nos posicionamentos.Mas também é verdade que não temos de concordar para consumir.

Às vezes, é díficil aceitar algumas coisas. Mas assumo que é impossível passar sem o Público.

Mesmo quando não há tempo para o ler ou mesmo quando o consulto na net, gosto de olhar para o lado e ver a edição de papel.

Um jornal acaba por ser um companheiro, mais que um informador.

Leio o Público da última para a primeira página. Leio-o cada vez mais depressa. Não tanto eu porque tenha mais que fazer. Mas sobretudo porque noto que ele tem cada vez menos para oferecer.

Esta edição de aniversário revela muito trabalho, mas é desmedidamente centrada num tema.

Percebo a intenção, mas decepciona o resultado.

Parabéns pelo aniversário. O jornal não estará bom. Mas os outros ainda não me convenceram de que estão melhor!

publicado por Theosfera às 10:07

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 07:17

Hoje é dia de jejum.

Façamos jejum da carne e do peixe caro.

Façamos jejum das palavras ofensivas,

dos sentimentos torpes,

das insinuações cruéis,

da ostentação,

dos juízos temerários,

das mentiras,

da luxúria e do prazer fútil.

Façamos jejum dos excessos e da desesperança.

Inoculemos a paz de Jesus

no nosso coração.

Santo Jejum!

publicado por Theosfera às 06:21

1. Depois da Terça-Feira de Carnaval a Quarta-Feira de Cinzas. Após o Entrudo a Quaresma. (Aliás, chama-se Entrudo por ser precisamente entrada na Quaresma). E, de facto, já estamos na Quaresma.

 

 

Dir-se-ia que é o tempo litúrgico que mais se assemelha à vida humana. Muito mais que o Carnaval. Poucos, com efeito, encontrarão motivos para folia. Pelo contrário, o que mais nos pedem são sacrifícios.

 

 

A Quaresma é um tempo de penitência e o que mais se vê, hoje em dia, são pessoas com uma vida inteira de penitência.

 

 

Temos a penitência da crise. Temos a penitência de ouvir falar da crise e, ainda por cima, a toda a hora. Temos a penitência do desemprego. Temos a penitência da criminalidade. Temos a penitência da injustiça. Temos a penitência da pobreza, da exploração, da fome.

 

 

Pode parecer, por isso, pouco oportuno (e até desumano) vir apelar a mais penitência. Que maior pode ser a penitência de quem não tem pão para comer ou casa para habitar? Que maior pode ser a penitência de quem perdeu o emprego?

 

 

Como bem lembrou o Padre Ignacio Ellacuría, a Cruz tem uma permanente actualização histórica. Há pessoas crucificadas nas esquinas da existência. Cristo continua a ser torturado, condenado e morto em tantos deserdados da sorte, em tantos abandonados da vida: Ele está neles.

 

 

 

2. É fundamental, portanto, que quem faz apelos à penitência apresente também gestos visíveis de despojamento.

 

 

Isto significa que aquilo de que nos privamos há-de ser oferecido a quem precisa. Veremos então que muitos passam mal porque nós não nos importamos. E notaremos que o nosso supérfluo é essencial para eles.

 

 

Se somos capazes de jejuar por razões egoístas, porque é que não havemos de jejuar por razões altruístas? Não falta quem reduza ao alimento para perder peso, para ser elegante. Porque não reduzir ao alimento para ajudar quem tem menos, quem tem quase nada?

 

 

 

3. Urge que nos habituemos a fazer do outro o centro do nosso ser, o centro da nossa preocupação, o centro da nossa vida.

 

 

Temos, pois, de nos des-centrar para nos re-centrar. O nosso centro só pode ser o centro de Cristo.

 

 

O centro de Cristo foi sempre Deus e o Homem. O centro dos membros da Igreja de Cristo só poderá ser Deus e o Homem. Daí o grande tripé que alavanca toda a trajectória quaresmal: a oração (relação com Deus) e o jejum e a esmola (partilha com o ser humano).

 

 

Sabemos, por exemplo, que, no dia 25 de Janeiro de 2010, 120 milhões de cristãos de 39 países promoveram uma jornada de oração e de jejum pela justiça no Zimbabwe.

 

 

Muita coisa poderá ser feita. Porque não, por exemplo, oferecer o peditório de um mês nas paróquias para ajudar os mais carenciados?

 

 

Uma Igreja pobre será sempre uma Igreja próxima, uma Igreja capaz de interpelar.

 

 

 

4. Façamos penitência apoiando quem tem de fazer penitência. A penitência por opção é um gesto de comunhão para com quem tem de fazer penitência por imposição.

 

 

Despojemo-nos da carne e do peixe caro, levando um pouco de pão a quem nada tem para comer.

 

 

Mas porque não fazer também, de vez em quando, jejum do automóvel desanuviando o ambiente? Porque não fazer jejum do cigarro, contribuindo para a minha saúde e para a saúde do meu semelhante? Porque não fazer jejum de televisão ou na net, dando mais atenção aos outros?

 

 

Façamos também jejum de imagens e de palavras. E não deixemos de fazer jejum dos juízos precipitados, das acções agressivas e dos sentimentos violentos.

 

 

Deixemos que a bondade brilhe. Que a paz se instale. Que a justiça floresça. E que o amor vença.

 

 

Não foi por tudo isto que Ele [Jesus] deu a vida?
publicado por Theosfera às 00:01

Hoje, 05 de Março (Quarta-Feira de Cinzas, dia de Jejum e de Abstinência), é dia de S. João José da Cruz, S. Teófilo e Sto. Adriano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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