O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Nesta vida, tudo (ou quase tudo) encalha no dinheiro.

O que se tem deve-se ao dinheiro. O que não se tem ao dinheiro se deve.

É por isso que a sua posse deslumbra muitos. É por isso que a sua falta atormenta tantos.

Como sair deste labirinto que nos esgana e que, tantas vezes, nos engana?

publicado por Theosfera às 10:14

Pensamos que a felicidade está em conseguir.

E quando conseguimos, afinal sentimos que ainda resta um vazio.

Foi talvez por isso que o Buda ensinava que a felicidade não está no fim no caminho.

Para o Buda, a felicidade é o próprio caminho.

Nunca desistamos de caminhar!

publicado por Theosfera às 10:09

Hoje, 12 de Fevereiro, é dia de Sta. Eulália de Barcelona e Sto. António Cauleas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:18

Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

1. A violência tem constatação fácil, explicação não muito difícil e justificação praticamente impossível.

 

2. Tudo começa pela evidência. A violência é, antes de mais, uma evidência. Não é preciso olhar para longe. Nem é necessário esperar muito.

Às vezes, nem será exigível sair de casa. Não raramente, a violência começa em casa. Desde cedo. Desde a infância. Portanto, desde sempre.

 

3. Como é sabido, os começos condicionam. Umas vezes, iluminam e tornam-se inspiração. Outras vezes, obscurecem e convertem-se em trauma.

Haverá certamente oscilações ao longo do tempo. Mas o que vem do princípio acaba por definir a nossa identidade. Ou seja, aquilo que somos é, em grande medida, aquilo que recebemos.

 

4. A primeira tendência do ser humano, como ensina René Girard, é para mimetizar comportamentos.

Se o ambiente é de violência, é natural — embora penoso — que a pessoa assimile violência e reproduza violência.

 

5. À partida, não há nada de estranho. O problema é que as pessoas, além de mimetizar, tendem a ampliar a violência que vêem.

De facto, qual é a resposta à violência? Para muitos, a resposta à violência é…mais violência.

 

6. Como sair deste cenário? Como desmontar este (monstruoso) labirinto?

A violência tem tanto de óbvio como de irracional. Passamos o tempo a denunciá-la, mas não somos capazes de a vencer. Pelo contrário, parece que nos enterramos, cada vez mais, nela.

 

7. Haverá, afinal, alguma justificação para a violência?

A violência não tem justificação; a violência é a justificação. É ela que dita formas de pensar e determina modos de agir.

 

8. É pela violência que muitos se regem, que muitos se afirmam, que muitos se impõem. A violência é uma estratégia, um filão, uma espécie de trunfo.

Há quem não hesite em deitar mão a toda a sorte de violência: à violência física certamente, mas também à violência verbal, à violência emocional, à violência familiar, à violência laboral, à violência política, à violência social.

 

9. A violência, como um tumor, dissemina-se por todo o lado. A existência parece um pasto de violência.

A violência de algumas praxes, que nos surpreende, é filha de toda uma praxe de violência, a que já nos acostumámos.

 

10. Dizem que a violência está inscrita na natureza. Que, ao menos, não esteja alojada na vontade.

O mal é também quando se pergunta «qual é o mal?». O mal é nem sequer dar conta do mal como mal. O mal é achar normal.

publicado por Theosfera às 11:47

Uma comunidade é feita de pessoas e dos ideais que irmanam as pessoas.

Quando alguns destes ideais se rompem, há problemas.

Habitualmente, não é apenas um a romper.

Às vezes, pensa-se que romper o ideal é mais vantajoso. Mas é uma ilusão.

Já dizia Edmund Burke que, «no meio de um povo geralmente corrupto, a liberdade não pode durar muito».

E, atenção, a corrupção alastra por acção dos que a cometem. E pela inacção dos que a consentem.

O preço da corrupção é sempre elevado. E, no final, ninguém ganha!

publicado por Theosfera às 10:38

Ver exige mais que ver.

O Padre António Vieira disse tudo: «Não basta ver para ver; é necessário olhar para o que se vê»!

publicado por Theosfera às 10:22

A tirania nunca acaba bem. Nem para os que a sofrem. Nem para os que a cometem.

Mariano da Fonseca notou: «A tirania não é menos arriscada para o opressor do que penosa para o oprimido».

O opressor acaba por ser engolido pela teia que montou!

publicado por Theosfera às 10:20

Estamos sempre em acção, até quando estamos parados.

Quando o corpo pára, o espírito trabalha. Caso contrário, é a morte.

Já Sénaca reparara: «O ócio sem estudos é como a morte e a sepultura do homem vivo».

Para morrer basta a morte. Não nos deixemos morrer em vida!

publicado por Theosfera às 10:14

Não sou, obviamente, apólogo da tristeza. Mas, por vezes, entristece-me mais a diversão fingida do que a tristeza sincera.

Alexandre Pope confessa: «O divertimento é a felicidade daqueles que não sabem pensar».

Não iria tão longe.

Quem pensa não tem de ser triste. Quem se diverte não tem de ser frívolo.

O equilíbrio é o caminho!

publicado por Theosfera às 10:08

Foi por amor à Igreja que João Paulo II entendeu permanecer até ao fim. Foi por amor à Igreja que Bento XVI decidiu sair antes do fim.

Neste sentido, não é correcto dizer que João Paulo II ficou apegado ao lugar nem que Bento XVI optou por fugir da missão.

João Paulo II optou por confiar naqueles que trabalhavam com ele. Bento XVI optou por confiar o trabalho a outro depois dele.

No fundo, é a mesma leitura crente da realidade. Sejam quais forem as nossas opções, é sempre Deus que conduz a história: antes de nós, connosco e depois de nós!

publicado por Theosfera às 00:56

Não posso esquecer, neste dia de Nossa Senhora de Lourdes, quem é acometido pelo mistério da dor, pelo mistério do sofrimento.

 

Penso na dor física, na dor moral, na injustiça. Penso nas vítimas da calúnia, da difamação, da inveja, da intriga malsã, da insinuação torpe. Estou com todos. Rezo por todos.

 

Não esqueço também tanta gente que, de perto ou de longe, me pede oração.

 

A minha oração é pobre, muito pobre. Mas ofereço-a com a melhor vontade.

 

Tenho a certeza de que todos irão melhorar. O sol da felicidade há-de brilhar me todos os corações!

publicado por Theosfera às 00:52

Confesso que sinto uma profunda nostalgia de tempos em que sorríamos de felicidade por ver acontecer aquilo em que acreditávamos.

 

Um dos dias em que experimentei essa (reconfortante) sensação foi precisamente o dia 11 de Fevereiro de 1990.

 

Nesse dia, um sorridente e muito calmo Nélson Mandela saía da prisão, onde estivera 27 anos.

 

Despojado, disse que vinha «não como profeta, mas como humilde servo do nosso povo».

 

Que belo o tempo em que se lutava e sofria, não por interesses, mas por ideais! Sobretudo por ideais como a justiça, a liberdade, a paz!

publicado por Theosfera às 00:47

Neste tempo em que quase tudo está previsto, ainda há acontecimentos que nos espantam e pessoas que nos surpreendem.

Há cerca de 700 anos que não havia uma decisão semelhante. E as renúncias de Celestino V e Gregório XII foram em contextos diferentes.

Gregório XII deixou o papado para resolver o problema do cisma do ocidente, já que havia outro papa em Avinhão. Já Celestino V nunca se sentiu adaptado à função.

Com Bento XVI, como ele próprio o diz, foi o desgaste.

É preciso notar que Bento XVI começou o seu «pontificado» muito antes de 2005.

O pontificado de João Paulo II teve muito de Joseph Ratzinger, seu colaborador directo (e dilecto) desde 1981.

João Paulo II nunca dispensou Ratzinger, mesmo quando este pediu que o deixasse descansar.

Há muitos preconceitos em relação a Bento XVI. É uma das personalidades mais discutidas.

Foi um homem que nos surpreendeu sempre. A maior surpresa foi esta.

Mas talvez ainda nos supreenda com algum livro.

Quanto à sua imagem, era bom que se lesse o livro «Bendita humildade. O estilo simples de Joseph Ratzinger», de Andrea Monda.

Bento retira-se como começou: humilde!

Obrigado, Santo Padre!
publicado por Theosfera às 00:45

Hoje, 11 de Fevereiro, é dia de Nossa Senhora de Lourdes, Sto. Adolfo e S. Bento de Aniano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

Na panóplia de doenças que nos afectam, o egoísmo ocupa um lugar determinante.

Para muitos, o interesse deles é tudo e a vida dos outros parece ser nada.

«Live and let die» parece ser o único lema que conhecem. Mas importa perceber que não se vive sem vida.

Só vivemos ajudando a viver. Não desesperemos, porém.

Em razão da serendipidade, uma qualquer surpresa pode surgir.

Quando esperamos muita coisa má, alguma coisa boa pode aparecer.

Há muito calor após este frio. Há bastante sol por cima das nuvens!

publicado por Theosfera às 12:24

Os erros devem ser lembrados. Mas não repetidos.

Devem ser lembrados para não serem repetidos.

Razão tinha Ortega: «O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro dos seus erros, a larga experiência vital decantada por milénios, gota a gota»!

publicado por Theosfera às 12:10

Carmen Sylva notou: «Lutamos contra os defeitos que nos fazem sofrer a nós mesmos; e afagamos os defeitos que fazem sofrer os outros».

Não devia ser assim. Mas, muitas vezes, é mesmo assim.

Lastimavelmente!

publicado por Theosfera às 10:19

Fedro achava que «a temeridade é boa para poucos e ruim para muitos».

Sinceramente, acho que ser temerário não é bom para ninguém!

publicado por Theosfera às 10:15

Hoje, 10 de Fevereiro, é dia de Sta. Escolástica (irmã de S. Bento), S. Luís Stepinac, Sta. Sotera e Sto. Arnaldo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:57

Domingo, 09 de Fevereiro de 2014

Uma vez mais aqui estamos, Senhor,

para ser envolvidos por Ti,

pela Tua presença amorosa,

pela Tua presença curadora,

sanante e salvadora.



Junto de Ti,

sentimo-nos curados de todas as nossas lepras,

sobretudo da lepra asfixiante do egoísmo e da falsidade.



Como há dois mil anos,

também nós, hoje, caímos de joelhos, a Teus pés,

e Te suplicamos: «Cura-nos, Senhor»!



Obrigado, Senhor, pela Tua bondade,

pelo Teu amor, pela Tua paz.



Tu és o melhor medicamento

e a única terapia.



Também hoje, estendes a Tua mão

e tocas-nos:

Tocas as nossas feridas,

tocas as nossas ansiedades,

tocas os nossos sonhos,

tocas o nosso coração,

tocas a nossa vida.



Que bom, Senhor,

é ser tocado por Ti,

abraçado por Ti.



Num mundo de tanto abandono e rejeição,

as crianças, os velhinhos,

os marginalizados e os oprimidos

sentem o Teu abraço.



Que nós não nos afastemos de ninguém.

Que nós não afastemos ninguém.



Que tenhamos para todos uma palavra de esperança

e gestos de ternura.



Que cada um de nós, lá fora,

seja o eco do Teu amor

e o prolongamento do Teu ser:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:10

Vivemos sob o efeito dos acontecimentos. Dos bons, que nos aliviam. Dos menos bons, que nos atormentam.

Já dizia Hugo von Hofmannsthal: «Os acontecimentos são ondas que ameaçam o espírito, mas também o sustentam»!

publicado por Theosfera às 08:08

Hoje, 09 de Fevereiro (V Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Apolónia e S. Miguel Febres Cordero.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 08 de Fevereiro de 2014

É, no mínimo, curioso que tanto se fale de um santo de que nem sequer se sabe se existiu.

E é igualmente sintomático que nada se diga acerca de dois santos cuja vida e obra são sobejamente conhecidas.

De facto, por esta altura muito se fala de S. Valentim. Sucede que, desde 1969, este santo deixou de ser celebrado oficialmente porque não há provas seguras de que tenha existido.

Repare-se.

Não se diz que não tenha existido. Apenas se adverte para a falta de indicações irrebatíveis que comprovem a sua existência.

O interessante é que, nesse dia, se celebra a festa de dois irmãos que foram santos: S. Cirilo e S. Metódio.

Os dois tiveram um papel determinante na evangelização e promoção cultural dos povos orientais.

Ainda hoje se fala do alfabeto «cirílico». Mas pouco (ou nada) se diz.

Se consultarem um calendário litúrgico, lá aparecem as referências a S. Cirilo e a S. Metódio.

É claro que algumas publicações mencionarão S. Valentim, mas com todas as ressalvas.

É óbvio que não há mal nenhum na evocação de S. Valentim, tenha ou não tenha existido. Mas muito bem haveria na invocação de S. Cirilo e S. Metódio!

publicado por Theosfera às 23:17

O seguidor de Cristo não pode limitar-se a analisar.

Ao seguidor de Cristo não basta ser um analista, um perito.

O seguidor de Cristo, acima de tudo, tem de saber escolher. E, na linha de Cristo, só tem uma escolha a fazer: pelos que estão em baixo, pelos pobres, pelos explorados, pelos pequenos, pelos simples.

Se não está com os de baixo estará com Cristo?

Tire as dúvidas em Mt 25, 40!

publicado por Theosfera às 13:42

Desde há vários séculos, cada geração tem vivido melhor que a geração anterior.

É claro que pensamos nos indicadores de conforto: salários, carreira, saúde, educação, condições materiais.

Esta linha ameaça inverter-se, segundo alguns estudos. A nova geração vai viver pior que a geração anterior.

É uma fatalidade? Que seja uma provocação.

Afinal, a realidade pode ser transformada. E o melhor até pode ressurgir, qual Fénix!

publicado por Theosfera às 11:43

É bem verdade que um ponto de vista é sempre a vista de um ponto.

Na juventude, o caminho a percorrer parece longo. Na ancianidade, a estrada percorrida parece breve.

Schopenhauer teve esta percepção: «Vista pelos jovens, a vida é um futuro infinitamente longo; vista pelos velhos, um passado muito breve»!

publicado por Theosfera às 11:36

Cresce cada vez mais a amargura perante a vida pública.

A esperança vê-se estilhaçada pois as decisões de uns afectam a totalidade.

É por isso que se fala de partidos, de partes. Alguma poderá ser diferente?

Antes de uma resposta, pensemos na recomendação de Agostinho da Silva: "Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as «tuas» ideias políticas, não as ideias do teu partido; o «teu» comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de «toda» a Humanidade, não os interesses de uma «parte» dela. E lembra-te de que «parte» é a etimologia de «partido»"!

publicado por Theosfera às 11:32

Cuidado com os maniqueísmos e juízos apressados.

Nem tudo é santo no santo. Nem tudo é pecado no pecador.

Daí o acerto do conselho de Diego Fajardo: «Quem quiser ser justo, deve desconfiar do que os bons têm de mau, e do que os maus têm de bom».

Eu não iria tanto pelo caminho da desconfiança. Importante é, acima de tudo, a atenção!

publicado por Theosfera às 11:27

Na vida tudo se encaixa.

Quando somos novos, achamos que tudo vai mudar para melhor.

Quando os anos avançam, notamos que, afinal, o mundo não muda assim tanto e, se muda, não é necessariamente para melhor.

Schopenhauer observou: «Na juventude, imaginamos o mundo repleto de felicidade e prazer, sendo que a única dificuldade é alcançá-los, enquanto na velhice sabemos que do mundo não há muito a esperar. Logo, acalmados por completo, fruímos um presente suportável e encontramos alegria até mesmo em miudezas».

É isso. Valorizemos a oferta de cada instante.

Muitas surpresas ainda estarão para vir!

publicado por Theosfera às 11:19

Hoje, 08 de Fevereiro, é dia de S. Jerónimo Emiliano, Sta. Jacoba ou Jacquelina e Sta. Josefa Fortunata Backhita.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 07 de Fevereiro de 2014

Muitas são as respostas para esta pergunta: qual a maior invenção de sempre?

Para Deus, segundo um célebre dito de Michel Quoist, a maior invenção foi «a Sua Mãe».

E quem não subscreveria esta resposta? Mas, depois da Mãe (e do Pai, pois não há Mãe sem Pai), a grande invenção é, sem dúvida, aquela que nos permite estar aqui.

A palavra e a escrita parecem coisas tão rudimentares e tão óbvias. Mas são as mais decisivas.

Há muitas formas de ler. Ver é uma delas.

Mas também há muitas maneiras de ver. Ler continua a ser uma das mais belas de todas elas!

publicado por Theosfera às 11:31

A verdade acompanha-nos sempre.

Ela está presente em tudo. E nem nos erros está ausente.

Os erros ajudam a coar a própria verdade. E mesmo quando passam, ela fica.

Assim verbalizou Denis Diderot: «Os erros passam, a verdade fica»!

publicado por Theosfera às 10:18

Sabemos que caminhamos. Não sabemos até quando estacionamos.

Já dizia Saint-Jonh Perse: «Os nossos caminhos são inumeráveis, mas incertas são as nossas estadias».

Só na eternidade (re)encontramos a estabilidade!

publicado por Theosfera às 10:15

Não dá para esquecer apesar de as estradas do tempo acelerarem, cada vez mais, a velocidade da existência.

 

Mas aquela madrugada nunca se apaga. Nem aquele rosto que se ia apagando, sem nunca se extinguir.

 

Eram 05h37 de 7 de Fevereiro de 1997. A respiração começou a enfraquecer até que, àquela hora, parou. A 7 de Fevereiro de 1997 meu querido Pai foi chamado para junto do eterno Pai.

 

Foi há dezassete anos. Parece que foi há instantes.

 

Por tudo, muito obrigado, meu querido Pai. Sei que continuas em mim, comigo. Sempre.

publicado por Theosfera às 05:37

Meu Pai,

de olhos embaciados,

voz soluçante

e mãos trémulas,

aqui venho,

aqui estou,

junto de ti.

 

Há dezassete anos

(completam-se às cinco e meia da manhã deste dia 7),

olhava para teus olhos

e registava o teu último suspiro.

 

 

Parece que foi ontem,

parece que foi há instantes.

 

 

Não nego que me custou esse momento

e que ainda me dói essa imagem:

teu rosto cansado

exalava uma derradeira respiração.

 

 

Mas sabes muito bem

que tudo foi como quiseste,

tudo foi como pediste.

 

 

Estavas em casa,

e eu estava a teu lado.

 

 

Nunca te senti longe.

Mas, humano como sou,

sinto a tua falta,

o teu apoio,

os teus conselhos e recomendações,

a tua energia indomável.

 

 

Sei que estás bem,

em Deus.

 

Tenho feito o que me pediste.

Em nenhuma Eucarista te esqueço.

Lembro-te sempre ao Senhor.

Tu tens-me amparado sempre.

 

 

Eu recordo-te não como um morto,

mas como vivo e muito próximo.

 

 

Obrigado, meu Pai.

Tu partiste,

mas nunca me deixaste.

 

 

Eu sinto a tua presença,

dezassete anos depois.

 

 

Um dia nos encontraremos aí,

onde tu estás,

nessa pátria maravilhosa

de felicidade e paz.

 

 

Aí nos abraçaremos

e abraçados permaneceremos para sempre

em Deus!

publicado por Theosfera às 05:37

D. Hélder da Câmara percebeu muito bem o sentido profundo do Evangelho e, particularmente, a identificação de Cristo com os pobres.

 

Para o bispo brasileiro, os pobres eram a sua família. E tomava esta convicção a peito. Até às últimas consequências.

 

Quando ouvia dizer que algum pobre era injustamente preso, telefonava logo para a polícia: «Ouvi dizer que prenderam o meu irmão».

 

Aparecia logo um polícia a desfazer-se em mil desculpas: «Lamentamos muito, senhor bispo. Não sabíamos que era seu irmão. Pode vir buscá-lo quando quiser».

 

Ao chegar à prisão, alguém interpelava D. Hélder. «Mas, senhor bispo, ele não tem um apelido igual ao seu».

 

E D. Hélder replicava que todos os pobres eram seus irmãos!

publicado por Theosfera às 00:02

Faz hoje cento e cinco anos que nasceu um grande crente, um grande pastor, um grande coração, um enorme ser humano.

 

Chamava-se Hélder. Viu Deus no Homem, sobretudo nos pobres.

 

Recebeu ameaças, mas não desistiu.

 

Espécimen de uma estirpe que já rareia, faz bem evocar D. Hélder da Câmara. Sobretudo para imitar o seu exemplo e para seguir o Jesus que ele tão belamente nos mostrou.

publicado por Theosfera às 00:01

Hoje, 07 de Fevereiro, é dia das Cinco Chagas do Senhor, Beato João Maria Mastai Ferretti (Pio IX), Sta. Coleta e S. Ricardo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 06 de Fevereiro de 2014

Não sei se já repararam na importância do zero.

Sozinho é nada.

No meio dos outros é muito.

Afinal, um milhão é feito de muitos zeros...

publicado por Theosfera às 13:07

O maior perigo, nesta hora difícil, é o cansaço.

Andamos cansados. Cansados do trabalho. E ainda mais cansados por não ter trabalho.

Andamos cansados do presente e já cansados do futuro.

Não cedamos, porém. A luta é difícil, mas a vitória não é impossível.

O melhor da vida costuma ter começos adversos.

Como avisa Edmund Husserl, se não nos rendermos, renasceremos «numa interioridade de vida e numa nova espiritualidade como penhor de um grande futuro».

A história ainda não terminou. O melhor ainda está para vir!

publicado por Theosfera às 11:54

Receava, mas não podia saber. Só Deus sabe.


Este dia, 6 de Fevereiro, há 17 anos, ia quente. Era o último dia de meu querido Pai nesta terra.


Já só comunicava por gestos. Foram momentos de muita dor, que deram lugar a tempos de profunda saudade.


Mas todos estes sentimentos foram emoldurados por um profunda e serena paz. Sei que, na madrugada seguinte, meu querido Pai encetou uma viagem que o levou ao seio do Pai, ao coração de Deus.


É lá que se encontra. É lá que o reencontro. Sempre.
publicado por Theosfera às 11:38

A arte diz sem dizer.

Como notou Samuel Beckett, ela «é interrogação pura, retórica sem a retórica»!

publicado por Theosfera às 11:38

Curiosa e muito pertinente a percepção do Padre António Vieira: «Pouco conhece a riqueza da saúde, quem cuida que por algum preço pode ser cara, quanto mais caríssima».

A saúde nunca é cara. Ela vale mais que todo o dinheiro.

O problema é que muitos podem não ter dinheiro para ter saúde.

E isso é que é triste. Muito triste.

publicado por Theosfera às 11:33

Os factos devem ser  tidos na devida conta. Mas as convicções são fundamentais.

Acontece que, como notou Walter Benjamin, «a construção da vida encontra-se, actualmente, mais em poder dos factos do que das convicções».

É pena.

As convicçôes de alguns são temíveis. Mas a falta de convicção de muitos é, simplesmente, aterradora!

publicado por Theosfera às 11:25

Um sofrimento acaba, alívio.

Outro sofrimento começa, preocupação.

Também este sofrimento acaba e há novo alívio.

E outro sofrimento começa e há outra preocupação.

Assim parece transcorrer a nossa viagem pelas estradas do tempo.

Camilo achava que «a escala dos sofrimentos humanos é infinita».

Infinita não será. Mas, se não é, parece!

publicado por Theosfera às 10:35

Faz hoje 406 anos que nasceu o Padre António Vieira.

 

 

Vieira é muito apreciado pela forma. Mas merece ser reapreciado sobretudo pelo conteúdo, pela profecia, pela coragem, pela fidelidade.

 

 

Leiamos Vieira. Hoje. E sempre.

 

 

Precisamos de reaprender a beleza do que ele disse e a intensidade do que ele escreveu.

 

 

É, realmente, um imperador. Da língua. E da coragem.
publicado por Theosfera às 00:06

Hoje, 06 de Fevereiro, é dia de S. Paulo Miki e seus Companheiros Mártires, Sta. Doroteia, Sto. Amândio e S. Mateus Correa de Magallanes.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 05 de Fevereiro de 2014

É o futebol um desporto colectivo, mas sujeito a fortes vendavais de individualismo.

Há, porém, excepções. Não muitas, mas saborosas.

Penso em Vela, em Carlos Vela. É um caso surrealista e, por isso, ainda mais edificante.

O jogador mexicano renunciou ao convite que todos os convites esperam: ser escolhido para o Mundial.

Ante o espanto geral, o jogador argumentou que foram outros os que participaram na fase de qualificação. Não seria curial, na sua óptica, que um deles ficasse de fora para lhe dar o lugar.

Muitos acharão estranha esta atitude. Eu considero-a uma atitude decente.

Vela pode ser tudo. Mas oportunista não!

publicado por Theosfera às 10:13

Deixemos acontecer.

Não entremos em depressão antes do tempo. E não festejemos antes da hora.

O povo, na sua sageza simples, aconselha: «Não deites foguetes antes da festa».

Aliás, já Esopo, na sua simplicidade sábia, exortava: «Não conte os seus pintos antes de saírem da casca»!

publicado por Theosfera às 09:59

Muito se exalta o sono dos justos. Mas será que o justo devia dormir?

Jules Renard é peremptório: «Sono do justo! O justo não deveria conseguir dormir».

O sono dos justos não deixará o terreno (ainda mais) livre à acção dos injustos?

O justo tem, obviamente, o direito de dormir. Mas terá, ainda mais, o (indeclinável) dever de vigiar!

publicado por Theosfera às 09:54

Hoje, 05 de Fevereiro, é dia de Sta. Águeda e S. Jacob.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 04 de Fevereiro de 2014

1. Nunca houve tanto conhecimento como hoje. Mas será que há muita sabedoria hoje?

Isaac Asimov notou que «o aspecto mais triste da vida actual é que a ciência ganha em conhecimento mais rapidamente do que a sociedade em sabedoria».

 

2. Como é que uma instituição é capaz de fornecer a excelência e, ao mesmo tempo, se mostra incapaz de extinguir a decadência?

 Como é que a mesma instituição tanto nos presenteia com conhecimentos de excepção como nos faz arrepiar com comportamentos de aflição?

 

3. O problema destas praxes é que matam sempre. Quando não matam o corpo, acabam por matar a alma.

Com pesar, temos de admitir que muitas praxes não correm bem e, frequentemente, terminam mal.

 

4. Muito se contesta a hierarquia. E, no entanto, não falta quem, contestando a hierarquia, exija a mais servil submissão às suas ordens e o mais rígido cumprimento das suas decisões.

Muito se exalta a diferença. E, não obstante, não falta quem, em nome da diferença, impeça os outros de serem diferentes.

 

5. Nesta hora, é urgente apurar o que aconteceu no Meco.

Mas não é menos prioritário reflectir, independentemente do que aconteceu no Meco, sobre as praxes.

 

6. A vida é sagrada e a dignidade é valiosa.

Concordo com quem defende a moderação. Mas não deve haver moderação apenas na análise das praxes. A moderação deve existir, antes de mais, na realização das próprias praxes. É aí que tem havido as atitudes mais radicais, mais imponderadas.

 

7. O figurino de certas praxes não se afastará muito da moldura do «bullying».

Num caso e noutro, não podemos acordar somente quando há vítimas. Se não actuarmos nas causas, continuaremos a sofrer as mais nefastas consequências.

 

8. Universidade, estado, família e sociedade em geral: ninguém se pode pôr de fora deste problema, ninguém deve ser colocado à margem na procura de uma solução.

Por natureza, os jovens são irreverentes. Gostam da mudança. Impressiona, por isso, que, por vezes, paire a sensação de que não admitem sequer questionar as praxes.

 

9. Os jovens são capazes de mais. Os jovens merecem (muito) melhor.

Não estacionem no passado, mesmo que seja um passado ainda perto do presente.

 

10. Inovem. Procurem ser mais criativos e positivos nas praxes.

Enfim, adoptem uma nova praxe nas praxes, uma nova praxe na escola, uma nova praxe na vida!

publicado por Theosfera às 11:40

Dizem que a corrupção alastra. E não dá sinais de estancar.

Não temos falta de leis. As leis são muitas e serão boas. O problema é que não as aplicamos.

A grande lei tem de estar na consciência, tem de ser a consciência.

Leva tempo? Leva muito tempo. Leva a vida toda.

Não adiemos mais este combate, este saudável desígnio.

A corrupção pode compensar no imediato. Mas só uma vida limpa faz sentido!

publicado por Theosfera às 11:06

É interessante notar a sensibilidade dos comentadores. É aflitivo anotar a insensibilidade dos decisores.

O mais curioso é que, não raramente, trata-se das mesmas pessoas.

Mostram sensibilidade antes de decidir. Parecem recuperar sensibilidade depois de agir.

E aparentam ignorá-la quando decidem e agem.

Alain bem reparou: «Todos os homens são sensíveis enquanto espectadores. Mas todos os homens se tornam insensíveis quando actuam».

Nem todos. Mas bastantes...

publicado por Theosfera às 10:53

O ódio é mau. Mas a inveja não é melhor.

Aliás, a inveja, sempre cega, é o maior caminho para o ódio.

Razão teria, pois, Ramón Cajal: «O ódio pode ser desarmado pelo amor e acabar por esquecer; mas a inveja às vezes nem se detém à beira da sepultura».

Só mesmo na sepultura!

publicado por Theosfera às 10:30

A concordância é um bem. Mas a discordância também não será um mal.

O importante é que, mesmo quando a concordância não for possível, que não falte o respeito.

De resto, já dizia Vergílio Ferreira: «Sobre poucas coisas, todos dizemos estar de acordo. Porque para todas, bastam os cemitérios».

Saibamos conviver pacificamente com a diferença, com o diferente.

Nem sempre podemos acordar. Mas podemos (e devemos) sempre respeitar!

publicado por Theosfera às 10:24

Este dia 4 de Fevereiro transporta recordações que não se apagam nunca. É o dia de anos do meu primeiro Vice-Reitor, aquele que, há 39 anos, me recebeu no Seminário e que continua a ser um grande Amigo. Era feriado no Seminário.


É o dia da festa na Paróquia de S. João de Brito, vivida com muita intensidade, seriedade e autenticidade por toda a gente.


Neste dia, há sempre mails, sms ou telefonemas que chegam. Há uma emoção muito grande e agradecida.


Ao contrário do que dizia Óscar Wilde, o passado não passa. Acompanha-nos ao longo da vida.Tudo isto permanece no mais fundo de mim.


Obrigado, Senhor!
publicado por Theosfera às 00:12

Hoje, 04 de Fevereiro, é dia de S. João de Brito, S. José de Leonissa, Sta. Maria de Matias e Sta. Catarina de Ricci.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 03 de Fevereiro de 2014

As coisas estão cada vez mais caras. Mas será que valem mais?

Oscar Wilde achava que, hoje (no hoje do seu seu tempo), «as pessoas conhecem o preço de tudo e o valor de nada».

Descontando algum exagero, é capaz de ter razão!

publicado por Theosfera às 10:21

A novidade de um tempo acaba por ser a monotonia de outro tempo.

Temos de nos estar sempre a recriar, a reiventar.

Já dizia Nabuco: «O que constitui o génio e a invenção de uma época ficará sendo a técnica, o lugar-comum, de outra. Uma onda de ideias novas, de frases bem cunhadas, que muito custaram aos seus autores, entra diariamente em circulação, e depressa se torna o palrar inconsciente dos iletrados»!

publicado por Theosfera às 10:17

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