O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

 

1. Nem só de palavras é feita a comunicação. A comunicação é feita de palavras e de gestos.

As palavras enchem páginas, os gestos preenchem a vida. Mas há palavras que se fazem eco de gestos. Há páginas com muito saber e imenso sabor. Há páginas com sabor a vida.

 

2. É por isso que a comunicação vai muito para lá do que é emitido pelos lábios ou do que é vertido pelos textos.

A verdadeira comunicação é um sopro da alma, uma emanação da profundidade da pessoa.

 

3. A mensagem da «Lumen Fidei» transcende as palavras que a compõem. Antes dos conteúdos que ela veicula, há que fixar a atenção nas atitudes que a alimentam.

Trata-se de uma poderosa lição de humildade e simplicidade. É notória a humildade de Bento XVI, que entrega o fruto do seu trabalho ao seu sucessor. E é notável a simplicidade de Francisco, que aceita falar ao mundo com palavras e ideias que, em grande parte, são do seu antecessor.

 

4. Entre Bento XVI e Francisco não existe apenas uma sequência. Subsiste, assumidamente, um entrelaçamento.

Este é, pois, um texto que irmana duas vidas. E que, no fundo, visa fraternizar todas as vidas: as nossas próprias vidas.

 

5. Avulta uma retrospectiva do que foi o pontificado de Bento XVI e uma prospectiva do que poderá vir a ser o pontificado de Francisco.

Salta à vista que esta é uma encíclica escrita a quatro mãos e que reflecte dois percursos. É um texto que constitui o espelho de um contexto: o contexto de duas trajectórias, de dois percursos de missão.

 

6. Importante será, desde logo, perceber que a luz da fé permite-nos entrever a fé como luz.

A fé não é obscuridade. A fé  é companhia na obscuridade. A fé transporta uma luz que incendeia a própria obscuridade. Pelo contrário, «quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor» (n. 4).

 

7. A fé oferece-nos «olhos novos» e «uma luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo» (n. 4).

Esta luz não nos subtrai às nossas responsabilidades cívicas. Ela «desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história» (n. 8).

 

8. Definitivamente, a fé não é uma ilha. Não pode ser isolada nem insulada.

A fé nunca é fé se não se exercita no amor: «O crente é transformado pelo amor, ao qual se abriu na fé» (n. 21). É pelo amor que se conhece verdadeiramente Jesus. É pelo amor que se recebe, de algum modo, a visão própria de Jesus» (n. 21).

 

9. O amor é o corolário e, nessa medida, o certificado da fé. Só há fé quando se ama. Transmitir a fé é viver — e testemunhar — o amor.

É por causa da sua ligação com o amor que «a luz da fé se coloca ao serviço concreto da justiça, do direito e da paz» (n. 51).

 

10. A fé é irredutivelmente pessoal e indestrutivelmente comunitária. Nessa medida, a história de fé foi — e terá de ser sempre — «uma história de fraternidade» (n. 54).

Afinal, «quem crê nunca está sozinho» (n. 60). Os «olhos de Jesus» olham-nos também nos olhos de cada ser humano!

publicado por Theosfera às 11:31

Será que «o conhecimento encolhe à medida que a sabedoria cresce»?

Pelo menos, era o que pensava Alfred North Withehead. Mas não creio que tudo seja assim tão linear.

Há quem, não tendo grandes conhecimentos, mostre um profundo conhecimento.

Em francês, conhecimento diz-se, sintomaticamente, «connaissance». Ou seja, o conhecimento acaba por ser o nascimento de cada um de nós para a vida e o nascimento da vida em cada um de nós.

Quando a realidade se instala em nós e nos abrimos aos outros, estamos na rota do verdadeiro conhecimento. E no encalço da autêntica sabedoria!

publicado por Theosfera às 11:04

Há discursos que parecem só espuma. De substância pouco ou quase nada.

Como reparou Sacha Guitry, «há pessoas que falam, falam, até encontrarem, finalmente, qualquer coisa para dizer». Outras haverá, entretanto, que falam, falam sem que nada consigam transmitir.

Apenas enchem o tempo e secam o espírito!

publicado por Theosfera às 10:48

Muitos se preocupam com a glória. Não é fácil conquistá-la.

Quem, verdadeiramente, se preocupa com a honra? Infelizmente, não é difícil perdê-la.

Schopenhauer recomendava: «A glória deve ser conquistada; a honra, por sua vez, basta que não seja perdida».

O problema é que não depende só de nós. O fundamental, porém, é que, naquilo que depender de nós, a nossa conduta seja sempre honrada!

publicado por Theosfera às 10:43

A esperança é o alimento da alma e o dínamo da vida.

Pena é que, muitas vezes, ela seja ofuscada pelo calculismo e degolada pelo medo.

Voltaire já nos preveniu: «A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo».

Não vença, pois, o medo a nossa esperança.

Possa triunfar sempre a esperança sobre os nossos medos!

publicado por Theosfera às 10:29

A vida é movimento. Mesmo quando pensamos que não anda, a vida não pára.

Mas uma vez que viver é conviver (viver com), então mover terá de ser sempre comover (mover com).

Albert Einstein achava que «não acontece nada até que qualquer coisa se mova». E Xavier Zubiri defendia que pensar é «comover-se».

Por isso, não receie comover-se. Comova-se à vontade.

Comova-se com todos. Comova-se sempre!

publicado por Theosfera às 10:20

Disse José Saramago que a pessoa mais sábia que encontrou na vida foi o seu avô Jerónimo que não sabia ler nem escrever.

Devo reconhecer, pela minha parte, que, entre as pessoas que melhor me têm falado de Deus, encontro gente de enxada na mão.

Entre os melhores teólogos, há seguramente quem nunca tenha frequentado uma Faculdade ou um Seminário.

Mas é gente que comunica Deus porque sente Deus, porque vive Deus, porque ama a Deus, porque projecta Deus.

publicado por Theosfera às 05:00

Ficou sempre retida na minha lembrança uma frase de Herman Hesse: «Todos os homens são crianças».

Só é pena, acrescentaria, que muitos só tenham mantido a imaturidade; não a inocência!

 

publicado por Theosfera às 00:20

A Cartuxa é apreciada porque o seu maior objectivo é que não se fale dela.

 

Não faz campanhas vocacionais nem cultiva acções promocionais.

 

É, aliás, com custo que abre as suas portas a visitantes.

 

Quando Eusébio veio para o Benfica, veio também um jogador para o Sporting.

 

Já ninguém se lembra dele. Foi para a Cartuxa. Parece que está em Nápoles. Creio que mais nada se sabe dele.

 

Na Cartuxa, importante é ser santo e não que se seja chamado santo. Tudo está centrado no essencial, em Deus. Tudo se apaga para que Ele brilhe. Tudo se silencia para que Ele fale. Na brisa, no ruah.

 

Não se fazem ensaios. Quem vem de novo integra-se na oração com os outros.

 

Os cartuxos são inflexíveis em muitos aspectos. No despojamento, por exemplo. Não aceitam dignidades, distinções ou condecorações por parte da Igreja.

 

Um dos seus lemas é «non sanctos patefacere sed multos sanctos facere», que pode ser traduzido assim: «Fazer santos, não fazer propaganda deles».

 

Não tomam, por isso, iniciativa para conseguir a canonização dos seus membros. Nem sequer possuem um catálogo dos seus santos.

 

Quando morre alguém com uma vida excepcionalmente santa, ninguém lhe escreve a biografia. Habitualmente, sobra apenas um comentário: «Laudabiliter vixit».

 

Os princípios por que se norteia o monge são a quietude, a solidão, o silêncio e a procura do sobrenatural.

 

A Cartuxa não quer a fama. Se ela existe, são outros que a propagam.

 

Quando um cartuxo passa por outro não diz nada. Ou talvez diga sem dizer. O silêncio é capaz de captar o essencial. E o essencial vem do fundo. Se houver atenção, somos capazes de lá chegar.

 

Certas palavras, muitas palavras só ofuscam.

publicado por Theosfera às 00:15

Uma conhecida parábola de Lessing diz, mais ou menos, o seguinte.

Se Deus me ofecerer, na Sua mão direita, a verdade e, na Sua mão esquerda, a vontade de descobrir a verdade, eu agarrar-me-ia à Sua mão esquerda.

Ainda que errasse e errasse constantemente, ainda que me perdesse no caminho, não hesitaria em agarrar-me à mão esquerda de Deus para Lhe dizer: «A verdade, a verdade pura, és Tu, só Tu».

No fundo, na procura já existe encontro. É na procura que nos sentimos pessoas. E na procura dificilmente fugimos à verdade do encontro e ao encontro da verdade.

É quando nos recusam a condição de pessoas, é quando decidem por nós, que mais facilmente podemos fugir.

No limite, é preferível um equívoco na procura a uma verdade na imposição.

Uma verdade imposta nem sequer respeita o estatuto de verdade.

A verdade é um evento da liberdade. Da liberdade de quem procura. Da liberdade de quem se deixa procurar.

publicado por Theosfera às 00:11

Hoje, 10 de Julho, é dia de Sta. Verónica Giuliani, Sta. Felicidade e seus Sete Filhos e S. Pacífico.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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