O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 23 de Junho de 2013

Obrigado, Senhor, pelo Teu amor,

pelo Teu imenso amor.

 

Ninguém ama como Tu.

Amar assim, como Tu,

só ao alcance de Deus,

só ao alcance de Ti, que és Deus.

 

Tu amas dando a vida,

dando o sangue,

dando tanto,

dando tudo.

 

Tu, Senhor, não vens condenar.

Tu, Senhor, só vens salvar.

 

Tu sabes tudo,

Tu és a sabedoria.

 

Só não sabes conjugar o verbo «mandar»,

o verbo «impor», o verbo «oprimir».

 

Tu, Senhor, só sabes conjugar

o verbo «dar»,

o verbo «oferecer»,

o verbo «entregar»,

o verbo «servir»,

o verbo «amar».

 

Obrigado, Senhor, pela Luz.

Tu és a Luz.

Ilumina os nossos passos,

os passos do nosso caminho.

 

Que caminhemos na verdade.

que caminhemos na luz,

na luz que vem de Ti,

na luz que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 12:09

Com a crise sofremos. Mas também podemos aprender.

Na actual conjuntura, vai-se desenhando (embora timidamente, para já) um pensamento alternativo.

Não falta quem proponha o decrescimento, e não o crescimento, como via de solução. Há quem defenda o «poder do menos». Afinal, não será impossível mais (ser) com menos (ter).

Saint-Exupéry assinalava que «o amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte».

Talvez ainda haja toneladas de egoísmo a emperrar o nosso caminho na história.

Estaremos, finalmente, a enxergar a luz que nos vai tirar do fundo do poço?

publicado por Theosfera às 08:55

Já não é a primeira vez que deparamos com estas notícias.

Hoje, um jornal assinala que o salário de um jogador que actua em Portugal é considerado muito elevado na Holanda.

Sendo a Holanda um país muito mais rico do que Portugal, seria de esperar que os salários na Holanda fossem mais altos.

E são. Em tudo. Excepto no futebol!

publicado por Theosfera às 08:50

Cuidado na hora de atribuir o poder.

Há experiências que é melhor não fazer e riscos que é prudente não correr.

Manon Roland avisa: «É mais fácil não dar o poder a certos homens do que impedir que abusem dele».

A tendência para o abuso é muito forte. Atenção pois!

publicado por Theosfera às 08:47

Definitivamente, agradar não rima com servir.

Importante é servir. Difícil é agradar. E impossível é agradar a todos.

E, afinal, querer agradar é um desígnio que tem como resultado o contrário.

Jean-Jacques Rousseau afirmou: «Quem quer agradar a todos não agrada a ninguém»!

publicado por Theosfera às 08:44

Um estimulante conselho do grande Agostinho da Silva: «Nada peças nem perguntes, inventa o mundo»!

publicado por Theosfera às 08:41

Nem tudo será mal no plágio.

Disraeli atribuiu-lhe uma vantagem: a preservação. «Os que plagiam preservam pelo menos o mérito da preservação».

Mas que não se atribua a outrem a autoria do que não lhe pertence.

Preserve-se a qualidade. Mas não se subestime a autoria.

Homenagear uma obra implica homenagear o seu autor.

No fundo, criar é uma espécie de plágio da criação. Em último caso, não é de Deus que tudo vem?

publicado por Theosfera às 08:39

Hoje, 23 de Junho, XII Domingo do Tempo Comum, é dia dos Mártires de Nicomédia e de S. Bento Menni.

À tarde, a Missa e as Vésperas são da Solenidade do Nascimento de S. João Baptista.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:09

Sábado, 22 de Junho de 2013

A estrada da vida é curvilínea, acidentada e, por isso, surpreendente.

Gostaríamos, sem dúvida, que o caminho da existência fosse em linha recta. Que nele víssemos tudo claro e à distância.

Mas, como dizia Ruy Belo, «ao templo não se vai directamente».

A Deus chegamos mesmo quando parece que nos afastamos.

Para Deus subimos ainda que pareça que desçamos.

Atenção aos caminhos menos óbvios, às quedas e aos recuos.

A longo prazo, tudo fará sentido. Não olhemos só para o instante nem nos fixemos no momento seguinte.

Busquemos uma luz que nos faça ver mais longe.

E não desbaratemos o mais precioso capital com que o Criador nos obsequiou: a paciência.

Na paciência está o parto da inteligência!

publicado por Theosfera às 22:59

Quem recorre a baixezas é porque não é capaz de grandezas.

Quem reage a baixezas é porque não está verdadeiramente seguro do que é grande. 

A infâmia dói. Mas reagir a ela acaba por levar a alastrá-la.

Há legitimidade para a reacção. Mas existe maior grandeza na superação.

Os antigos diziam que «de minibus non curat praetor». Em tradução um pouco livre: «As pessoas importantes não cuidam de coisas insignificantes».

É que, como rezava a sabedoria latina, «aquila non capit muscas». Ou seja, «a águia não apanha moscas».

A consciência limpa é o melhor travesseiro e o mais estimulante despertador!

publicado por Theosfera às 19:20

Grande filão está a ser Francisco: o nome e a pessoa ou, talvez melhor, as pessoas.

Francisco de Assis é uma inspiração para Francisco de Roma. E Francisco de Roma é, cada vez mais, uma respiração ecóica de Francisco de Assis.

Daí a tendência para, nos últimos tempos, reeditar obras sobre o fundador da Ordem Franciscana.

Uma das mais célebres foi escrita por Chesterton há precisamente 90 anos.

Nela, avulta Francisco como uma espécie de precursor da modernidade. Sintomas não faltam: «o amor aos animais, a compaixão social, a noção dos perigos sociais que resultam da prosperidade e mesmo da propriedade».

Até os não-cristãos são contagiados por um cristianismo assim, em forma de Assis.

De facto, S. Francisco era tão prático «que não conseguia ser prudente», amando o mundo através do despojamento das coisas do mundo.

Segundo Chesterton, havia em S. Francisco «uma espécie de esperança de desarmar o inimigo pela via da generosidade; uma espécie de necessidade bem-humorada de espantar o mundo com atitudes inesperadas».

Uma preciosa gramática é, pois, Francisco de Assis para perceber Francisco em Roma!

publicado por Theosfera às 11:53

Disse Joseph Joubert: «A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade».

 

Enquanto esta não chega, aquela visita-nos.

 

Enquanto esta não sacia, aquela vai-nos alimentando!

publicado por Theosfera às 11:39

Nem sempre se vence quando se ganha. Nem sempre se é derrotado quando se perde.

Foi talvez por isso que Rudyard Kipling advertiu que, em rigor, «a vitória e o fracasso são dois impossíveis. É necessário recebê-los com idêntica serenidade e com uma saudável dose de desdém». E, depois, é tão rápida a transição entre a vitória e o fracasso que quase não vale a pena estacionar nem na vitória nem no fracasso.

Importante é acreditar. Sempre!

publicado por Theosfera às 07:38

Os preconceitos são o alimento da vulgaridade.

Por isso, estão tão difundidos. Por isso, são tão difíceis de desmontar.

Curiosa a advertência intimista de Voltaire: «Os preconceitos, meu amigo, são os reis do vulgo».

Cabe-nos remover esta «tirania»!

publicado por Theosfera às 07:36

Na vida, temos de conviver com o perigo. Em tudo e sempre.

Aliás, a palavra «experiência» contém a dupla ideia: «perícia» e «perigo».

Mas o medo do perigo pode ser mais prejudicial que o próprio perigo. O medo pode tolher a perícia.

Daí o aviso de Daniel Defoe: «O medo do perigo é mil vezes pior do que o perigo real».

Há que não ficar imobilizado pelo perigo.

É normal ter medo. Mas é fundamental não ficar tolhido por ele!

publicado por Theosfera às 07:34

Muito se fala hoje do poder e muito se tende a esquecer o dever.

O poder é importante. Mas o dever é decisivo.

É pelo poder que mostramos o que queremos. Mas é pelo dever que revelamos o que somos.

A sentença de Confúcio mantém-se, pois, actual: «Aprende a viver como deves e morrerás bem»!

publicado por Theosfera às 06:18

Hoje, 22 de Junho, é dia de S. Paulino de Nola, S. João Fisher, S. Tomás Moro e S. José Cafasso. Refira-se que S. Tomás Moro não foi padre nem bispo. Foi um político, um político íntegro. Por causa da sua integridade, foi assassinado pelo rei, a 06 de Julho de 1535.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 06:05

Sexta-feira, 21 de Junho de 2013

André Malraux terá dito: «O século XXI será religioso ou não será».

Já o Abbé Pierre proclamou: «O século XXI será fraterno ou fracassará».

No fundo, trata-se de uma circunlocução. A verdade contida nas duas afirmações é a mesma.

A alma da religião terá de ser a fraternidade.

Se Deus de todos é Pai, que outra coisa serão os homens senão irmãos?

Sem fraternidade, falha a religião e colapsará a humanidade!

publicado por Theosfera às 12:52

Habituados fomos a ver manifestações lideradas por partidos ou aproveitadas por partidos.

Nos últimos tempos, as manifestações tendem a ser feitas à margem dos partidos ou até contra os partidos.

Isto é sinal de vitalidade dos cidadãos. Mas é também factor de preocupação para a democracia.

Não sendo os únicos detentores da democracia, os partidos são essenciais para a democracia. Mas importa que façam um exame de consciência.

Outrora, a máxima das manifestações era: «O povo unido jamais será vencido». No Brasil, por estes dias, já há quem tenha ouvido: «O povo unido protesta sem partido».

Muitos dados para a reflexão!

publicado por Theosfera às 10:38

Nos últimos tempos, o mundo achava que o Brasil era só futebol e (quase) só PT.

Toda a gente parecia deslumbrada com o futebol e inebriada com o PT.

Afinal, o Brasil é um país alerta com muita gente desperta.

Afinal, o futebol não faz esquecer a realidade. E o PT não parece ser capaz de transformar a realidade.

Muita coisa tem mudado no Brasil. Muita coisa parece persistir no Brasil.

A injustiça ainda não morreu!

publicado por Theosfera às 10:24

Nem sempre as leis revelam o sentir de um povo. Às vezes, revelam o contrário do sentir do povo.

Pertinente, pois, esta percepção de Nietzsche: «É equivocar-se grosseiramente ver no código penal de um povo uma expressão do seu carácter; as leis não revelam o que é um povo, mas o que lhe parece estranho, bizarro, monstruoso, exótico».

Também aqui, o discernimento é fundamental!

publicado por Theosfera às 10:12

Em grande desacordo com Emil Cioran: «Só tem convicções aquele que não aprofundou nada».

Eu creio que só tem convicções quem aprofunda tudo.

Quem nada aprofunda será teimoso, não convicto!

publicado por Theosfera às 10:08

Habituados estávamos a ver o Brasil como um gigante estádio, onde o futebol era a preocupação dominante.

Agora, vemos que, afinal, existe um outro Brasil. Um Brasil que não desiste de ser diferente, de procurar ser melhor.

Pelé, desta vez, não fez uma jogada brilhante.

A selecção pode ser importante. Mas a vida das pessoas é que é decisiva.

É na vida que importa concentrar a atenção. Sempre!

publicado por Theosfera às 07:31

Ainda não se sente muito. Mas o solstício já ocorreu às 06h04.

Oficialmente, encontramo-nos em pleno Verão!

publicado por Theosfera às 06:23

Hoje, 21 de Junho, é dia de S. Luís Gonzaga e S. Raul.

Refira-se que o Papa Pio XI declarou, em 1926, S. Luís Gonzaga padroeiro da juventude.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 06:03

Quinta-feira, 20 de Junho de 2013

O problema não é o desenvolvimento.

O problema é quando o desenvolvimento é só para alguns e para algumas coisas.

O problema é quando o desenvolvimento deixa de lado os mais necessitados e deixa de fora o mais necessário.

O problema é quando os mais ricos são os que mais prosperam.

O problema é quando aparece dinheiro para estádios e não aparece dinheiro para a alimentação, a educação, a habitação e o transporte.

O problema é quando o desenvolvimento não é para todos.

O problema é quando o desenvolvimento, não sendo para todos, marginaliza os que já estão nas margens.

O problema é quando o desenvolvimento, não chegando para tudo, não chega para o mais importante.

Muita atenção ao que se passa no Brasil!

publicado por Theosfera às 22:47

Admiro quem brilha. Mas admiro ainda mais quem ajuda a brilhar.

É bom não esquecer que, como notou o Padre António Vieira, «há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros».

É na sombra da humildade que brilham as maiores luzes.

Os aplausos vão para quem brilha. Mas a gratidão deve ir para quem trabalha para que outrem possa brilhar.

O essencial não vem à tona. O essencial labuta na profundidade!

publicado por Theosfera às 22:29

Antes de saber, é preciso sonhar?

Jean Rostand acha que, «antes de sonhar, é preciso saber»!

publicado por Theosfera às 22:23

Cristopher Morley opinava: «Só existe um êxito: a capacidade de levar a vida que se quer».

Eu diria que o grande êxito é levar a vida que se deve.

A decência é a alma de uma vida limpa!

publicado por Theosfera às 20:04

Paul Valéry é que tinha razão: «O futuro já não é o que era».

Quando lá chegamos, quando o futuro se torna presente, é muito diferente das previsões.

Mas não será essa a única forma de o futuro ser...futuro?

Daí o conselho de Antoine de Saint-Exupéry: «O futuro, não tens de o prever, tens de o permitir»!

publicado por Theosfera às 00:05

Hoje, 20 de Junho, é dia de Sta. Sancha, Sta. Mafalda e Sta Teresa (filhas de D. Sancho I), S. Francisco Pacheco e companheiros mártires e Sta. Gema.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:01

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

1. Uns dizem que foi em Março. Outros atestam que foi em Junho. Quanto ao ano, porém, não restam dúvidas.

Foi em 313 que Constantino e Licínio escreveram ao governador da Bitínia. Essa carta passou a ser conhecida como Édito de Milão ou Édito da Tolerância.

 

2. Os 1700 anos deste documento não devem ser esquecidos. O seu alcance não pode ser negligenciado.

Uma nova era se inaugurava. Terminavam as perseguições aos cristãos e era dada paz à Igreja.

 

3. Mas não só. Se pensarmos bem, proclamava-se um valor inestimável e instaurava-se um princípio da maior relevância: a liberdade de consciência.

De facto, tal liberdade era reconhecida não apenas aos cristãos, mas também a quem quisesse seguir qualquer outra religião.

 

4. A opção religiosa deixou de caber ao Estado para passar a caber à pessoa, a cada pessoa.

Como nota Jean Comby, «todas as religiões ficam em igualdade de circunstâncias».

 

5. É claro que esta igualdade raramente se verificou. De religião perseguida o Cristianismo passou rapidamente — sobretudo com Teodósio — a religião preferida.

Não se pense, contudo, que esta posição de privilégio constituiu um reforço da liberdade. Pelo contrário. Se antes a liberdade era reprimida, a partir de agora a liberdade passa a ser fortemente tutelada.

 

6. Com efeito, é o imperador que convoca o primeiro Concílio ecuménico, em Niceia. Nele, chega a ser saudado como «o 13º apóstolo» quando nem baptizado era!

Assumindo-se como uma espécie de «bispo exterior» ou «presidente da Igreja», Constantino incorre numa aparente (e insanável) contradição. Haverá liberdade efectiva para o Cristianismo quando a sua existência fica tão marcada por esta dependência?

 

7. É preciso ter presente que, no século IV, uma separação entre o temporal e o espiritual era coisa impensável.

Quem geria o temporal achava-se no direito de orientar também o espiritual. Tudo (temporal e espiritual) dependia ultimamente da mesma autoridade: a do imperador.

 

8. Por aqui se vê como o Édito de Milão foi o primeiro passo de um caminho muito longo. E que, aliás, está longe da conclusão.

Ainda há povos onde a ingerência da política na religião se mantém. E ainda subsistem territórios onde a perseguição religiosa se perpetua.

Por conseguinte, nenhum direito está totalmente assegurado. Todos os direitos têm de ser, permanentemente, conquistados.

 

9. O descanso semanal, por exemplo, é uma herança que vem na sequência do Édito de Milão. Para os cristãos, o dia do sol (sunday) passa a dia do Senhor (domingo).

Constantino oferece o domingo como dia livre para os cristãos poderem ir à igreja e para os não cristãos terem possibilidade de celebrar os seus cultos.

 

10. Justiça seja feita ao imperador. Era sua vontade expressa, como nos diz o biógrafo Eusébio de Cesareia, que «cada um conserve o que a sua alma quer ter e que ninguém atormente ninguém».

Não será actual (gritantemente actual) este preceito?

publicado por Theosfera às 12:46

Já houve um tempo (há muito tempo) em que não havia Europa, nem Ásia, nem África, nem América, nem Oceania. Havia a Pangeia.

Era um continente que reunia todos os continentes.

A natureza separou os territórios. Seremos capazes de reunir as pessoas?

Quando perceberemos que o comum prevalece sobre as particularidades?

Quando teremos consciência de que, antes de sermos europeus, somos humanos?

publicado por Theosfera às 10:07

Muito fácil (mas bastante frequente) é onerar os outros com as responsabilidades que nos cabem.

Jacinto Benavente y Martínez assinalou que, «para os que não conseguem governar a própria casa nem os povos, uma boa desculpa é dizer que estes são ingovernáveis».

O bom líder não justifica fracassos nem aponta culpados. O bom líder assume responsabilidades e procura inverter o sentido da realidade.

Bom líder não é apenas aquele que reflecte. Bom líder é sobretudo aquele que inflecte. E ajuda a inflectir!

publicado por Theosfera às 09:59

Jorge Luís Borges, escritor da predilecção do Papa Francisco, achava que «a filosofia é um sistema de dúvidas».

É na convivência com a dúvida que muitos caminhos são desbravados, que muitas certezas caem e que muitos ideais se erguem.

A intimidade com a dúvida faz-nos crescer porque põe em causa os nossos preconceitos e as nossas presunções.

As dúvidas que a vida nos traz desinstala-nos. Coloca-nos sempre em viagem!

publicado por Theosfera às 09:51

No tempo de Tucídedes achava-se «vergonhoso reconhecer a própria pobreza».

Mas o próprio Tucídedes considerava «pior do que isso não esforçar-se para escapar dela».

Diria, porém, que ainda mais grave é quando muitos impedem que outros escapem à pobreza.

Mais grave é quando muitos condenam tantos à pobreza!

publicado por Theosfera às 09:45

O espelho é a memória onde vemos os presentes. E, segundo Joseph Joubert, «a memória é o espelho onde observamos os ausentes».

No fundo, no fundo, ninguém está totalmente ausente.

E mesmo os que se ausentam acabam por se tornar presentes: pela saudade umas vezes, pelas mágoas tantas vezes!

publicado por Theosfera às 09:41

«Diz-me quem te admira e dir-te-ei quem és».

É possível que Charles Saint-Beuve tenha alguma razão.

No fundo, trata-se de uma variável da célebre máxima orteguiana. Cada um de nós é ele mesmo e a sua circunstância.

Aqueles que estão perto de nós acabam, de alguma maneira, por mostrar aquilo que nós somos!

publicado por Theosfera às 09:36

Por estes dias, muitos estão a ser avaliados. Estão a ser testados os conhecimentos.

Mas o crescimento de uma pessoa não pode ser aferido apenas pelos conhecimentos.

Os conhecimentos são importantes, mas os comportamentos são decisivos.

E se o panorama quanto aos conhecimentos não é animador, a situação no que toca aos comportamentos chega a ser desoladora.

A escola não pode fazer tudo. A família terá de fazer mais.

Estamos todos de acordo quanto ao diagnóstico. Mas ainda não se vê uma alternativa.

Mentes brilhantes são necessárias. Pessoas de bem são fundamentais!

publicado por Theosfera às 06:15

Hoje, 19 de Junho, é dia de S. Romualdo, S. Gervásio e S. Protásio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 06:09

Terça-feira, 18 de Junho de 2013

Admiro o Brasil.Espanto-me com o Brasil. E, neste momento, preocupo-me com o Brasil.

Afinal, o progresso não é o fim dos problemas. O progresso até pode constituir o agravamento de muitos problemas.

É que o progresso, por vezes, retira a lucidez e leva a desguarnecer a justiça e o sentido das prioridades.

Se há dinheiro para construir estádios, porque é que não há dinheiro para baixar (ou, pelo menos, manter) o preço dos transportes?

É possível jogar futebol nos estádios antigos. Mas pode não ser possível a muitos usar os transportes a preços mais elevados.

Muita atenção ao Brasil.

O problema da Europa tem uma génese semelhante.

Não soubemos usar os recursos na hora da prosperidade. Penamos, agora, no momento da adversidade!

publicado por Theosfera às 16:12

A maior ignorância não é a de quem assume que não sabe. É a de quem pensa que sabe.

Já na Antiguidade, Epicteto percebeu o logro: «É impossível um homem aprender aquilo que ele acha que sabe».

Pode ser tarde quando descobre que, afinal, não sabe!

publicado por Theosfera às 10:14

Um desígnio para a vida, um propósito para este dia: «Dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma».

Que se cumpra o desejo de Fernando Pessoa!

publicado por Theosfera às 10:09

A arte do génio é dar vida ao que parece não ter vida. É uma atitude que o aproxima do Criador.

Clarice Lispector assinalou que «manifestar o inexpressivo é criar».

E é assim que do (aparente) vazio se faz o esplendor da criação!

publicado por Theosfera às 10:06

Senhor Jesus, ajuda-me no meu trabalho.

Sê o meu Mestre e a minha Luz.

 

Eu dou o meu esforço,

dá-me a Tua inspiração.

Ajuda-me a estar atento e a ser concentrado.

 

Não Te peço para ser o melhor,

só Te peço que me ajudes a dar o meu melhor,

a trabalhar todos os dias.

 

Que eu não queira competir com ninguém

e que esteja disponível para ajudar os que mais precisam.

 

 

Que eu seja humilde, que nunca me envaideça,

que nunca me deslumbre no êxito,

nem me deixe abater na adversidade.

 

Que eu nunca desista.

Que eu acredite sempre.

 

Que eu aprenda a ciência e a técnica,

mas que não esqueça que o mais importante é a bondade, a solidariedade e o amor.

Que eu seja sempre uma pessoa de bem.

 

Ilumina, Senhor, o meu entendimento

e transforma o meu coração.

 

Dá-me um entendimento para compreender o mundo

e um coração capaz de amar os que nele vivem!

publicado por Theosfera às 10:02

A competência do mestre é fundamental. Mas a vontade do discípulo é decisiva.

O mestre pode ser muito competente a ensinar, mas se o aluno não tiver vontade de aprender, qual o efeito?

Às vezes, até pode haver vontade de aprender, mas nem sempre existe disponibilidade para ser ensinado. Já Churchill reparara: «Estou sempre disposto a aprender, mas nem sempre gosto que me ensinem».

Grandes mestres são os acontecimentos. Mas parece que nem sempre gostamos de receber as suas lições.

Na noite de ontem, todos surgiram a reclamar vitória e ninguém foi capaz de assumir a derrota.

Estranho.

Como é possível que todos cantem vitória quando é notório que ninguém ganhou?

Não ganharam, obviamente, os alunos: alguns porque não conseguiram realizar o exame, todos pela instabilidade criada.

Não ganhou o poder porque não mostrou subtileza em lidar com esta situação e não tem revelado sensibilidade em lidar com muitos problemas.

E os professores perceberam desde há muito que estão a perder.

Não estão a perder apenas no salário. Estão a perder sobretudo em condições de trabalho, cada vez mais reduzidas e cada vez mais menorizadas.

O dia de ontem foi um mais um alerta para aquilo que tem vindo a ser perdido e desperdiçado.

É tão difícil compreender que a melhor forma de qualificar os alunos é não (continuar a) desqualificar a missão dos professores?

publicado por Theosfera às 09:57

É interessante a visão que o Papa Francisco tem da missão do pastor.

Para ele, o pastor não é só o que está à frente. O pastor é o que está à frente, no meio e atrás do povo.

O pastor está à frente para conduzir, no meio para acompanhar e atrás para proteger.

Não foi assim Jesus?

publicado por Theosfera às 09:27

Dizem que quando Deus criou o homem branco, deu-lhe um relógio. E quando criou o homem negro, deu-lhe tempo.

Nós, ocidentais, temos tudo excepto o essencial.

Que é preferível: o relógio sem tempo ou o tempo sem relógio?

publicado por Theosfera às 09:18

«Tem inimigos? Isso é bom. Quer dizer que, alguma vez na vida, se empenhou em defesa de qualquer coisa».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Winston Churchill.

publicado por Theosfera às 09:07

Hoje, 18 de Junho, é dia de S. Gregório Barbarigo e Sta. Osana. Refira-se que S. Gregório Barbarigo foi alvo de «canonização equipolente». Ou seja, o povo já o venerava como santo e o Papa acabou por reconhecer esse culto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 06:04

1. Não se pense que Deus só está presente na vida daqueles que O confessam. Ele está também — e bastante — no coração dos que O negam.

 

Entre a fé e o ateísmo, há uma simetria na experiência e, ao mesmo tempo, uma assimetria na direcção que ela acaba por tomar.

 

É por isso que Miguel Torga bem pode servir de fonte de inspiração para sintetizar a trajectória (a)teologal de José Saramago: «Deus. O pesadelo dos meus dias. Tive sempre a coragem de O negar, mas nunca a força de O esquecer».

 

Saramago nunca esqueceu Deus. Mesmo (sobretudo?) quando se assumiu como ateu.

 

E o certo é que foi dos escritores que, nos últimos tempos, mais concorreram para a permanência da questão de Deus como questão central na literatura e, mais vastamente, na vida pública.

 

Acerca de Deus, como alertou Xavier Zubiri, o mais difícil não é descobri-Lo; é encobri-Lo.

 

Se quisesse encobrir Deus, o ateu — sublinha Karl Rahner — «não só teria de esperar que essa palavra desaparecesse por completo, mas também deveria contribuir para esse desaparecimento, guardando completo silêncio, abstendo-se inclusive de se declarar ateu».

 

 

2. No fundo, José Saramago não deixava de ser crente. Acreditava que Deus não existe. Poderá alguém garantir mais do que isto?

 

A crença não é um exclusivo da atitude teísta. Ela abrange também (e bastante) a posição ateísta.

 

André Comte-Sponville, que se considera ateu, assegura que o ateu só pode dizer que acredita que Deus não existe.

 

É que, como nota Hans Küng, «se todas as objecções dos ateus tornam questionável a existência de Deus, não chegam, contudo, a tornar inquestionável a Sua não-existência».

 

Xavier Zubiri assinalava que a relação com Deus pode fazer-se pela via da afirmação, pela via da negação e até pela via da indiferença.

 

Nesta diversidade, os pontos de contacto não escasseiam. Miguel de Unamuno percebeu isto muito bem quando rubricou a célebre frase: «Nada nos une tanto como as nossas discordâncias».

 

A indiferença não foi, seguramente, a via seguida por José Saramago.

 

Deus nunca lhe foi indiferente. Pelo contrário, manteve com Ele uma relação intensa, embora tumultuosa.

 

 

3. Para Saramago, o Homem relativamente a Deus é como o murmúrio de uma ausência: «Deus é o silêncio do universo e o ser humano o grito que dá sentido a esse silêncio».

 

Nos Cadernos de Lanzarote, chegou a escrever que «a existência do Homem é o que prova a inexistência de Deus».

 

Mas não há tantos que fazem exactamente a prova do contrário? Não são tantos os que encontram no Homem a maior epifania de Deus?

 

No passado, Gregório de Nissa falava do Homem como «pequeno Deus» e, mais perto de nós, Xavier Zubiri, apontava o ser humano como «maneira finita de ser Deus».

 

Aqui, prova funciona não como evidência, mas como percepção.

 

A discussão jamais estará concluída. Como refere Philippe van den Bosch, «não há qualquer prova racional da inexistência de Deus. Não há senão convicções individuais e pressupostos».

 

 

4. O que há a destacar é a persistência da procura e a insatisfação do encontro que, por sua vez, desencadeia uma nova procura.

 

Nesta inquietação não laboram apenas os que negam. É conhecido o convite de Santo Agostinho: «Procuremos como quem há-de encontrar e encontremos como quem há-de voltar a procurar».

 

O ateu é alguém que não descansa na procura. É inquieto e inquietante. As suas interpelações não anulam a fé. Espevitam-na e ajudam ao seu aprofundamento.

 

Até o ateu mostra que Deus é uma questão humana. Deve ser também uma questão humanizante, fraternizante.

 

Nem sempre é o isso o que se vê. Deus é vítima de tantas imagens desfocadas e de tantos discursos distorcidos.

 

Em qualquer caso, Ele está em todos. Nos que dizem acreditar. E nos que, não dizendo, acabam por não estar longe d’Ele!

publicado por Theosfera às 06:02

Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Há quem veja o exagero como uma confirmação da verdade. Mas o exagero é capaz de ser, antes, um ofuscamento.

Quando se está no caminho da verdade, não há exageros.

Já Kahil Gibran nos punha de sobreaviso quanto a isto: «O exagero é a verdade que perdeu a calma».

Não percamos a calma. A verdade também não costuma perdê-la. Ainda que tarde, ela aparece!

publicado por Theosfera às 20:14

A austeridade é limitadora, mas o crescimento também não é ilimitado.

Aliás, como é que num mundo finito pode haver um crescimento infinito?

O único crescimento infinito que pode haver num mundo finito é o crescimento na esperança, o crescimento interior.

Porque o interior de uma pessoa não tem fronteiras. O seu horizonte é infinito.

Se olharmos mais para dentro poderemos chegar (muito) mais longe!

publicado por Theosfera às 11:30

Sibilino, Voltaire perguntava: «Haverá alguém tão esperto que aprenda pela experiência dos outros?»

Sensatamente, só podemos responder: aprendemos com todas as experiências. Com as nossas, sem dúvida. E com as dos outros.

Haverá quem, assediado pelo orgulho, não o assuma. Mas mesmo que nós não queiramos aprender, a experiência está sempre a ensinar!

publicado por Theosfera às 09:48

Léon Blum sustentou: «Não há exemplos na História de se ter conquistado a segurança pela cobardia».

A grande segurança vem pela coragem, pela consciência tranquila. Não por uma vida ociosa!

publicado por Theosfera às 09:45

Luminoso foi o Padre António Vieira ao escrever: «Para não mentir, não é necessário ser santo, basta ser honrado, porque não há coisa mais afrontosa, nem que maior horror faça a quem tem honra, que o mentir».

No fundo, isso é ser santo. A santidade é a honradez.

Afinal, uma pessoa honrada é uma pessoa santa. Está no caminho de Deus!

publicado por Theosfera às 09:41

No fundo, Sofocleto tem razão: «O saber é a parte mais considerável da felicidade». Não apenas o saber, mas também (e sobretudo) o saber acolher, o saber ouvir, o saber estar, o saber viver.

Quem não sabe viver saberá alguma coisa?

publicado por Theosfera às 09:36

Hoje, 17 de Junho, é dia de S. Rainério de Pisa, S. Manuel, S. Jobel e Sto. Ismael (mártires), S. Manuel (arcebispo de Adrianópolis) e Sta. Emília de Vialar.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 06:27

Domingo, 16 de Junho de 2013

É tempo de agradecer.

É hora de louvar.

É o momento de fazer sentir a nossa gratidão.

 

Obrigado, Senhor,

por fazeres de nós a terra onde lanças a Tua semente.

 

Obrigado por acreditares em nós.

Apesar das nossas limitações e resistências,

Tu continuas a estar ao nosso lado

e a habitar na nossa vida.

 

Nós somos pequeninos.

Mas Tu, Senhor, apostas sempre no que é pequeno,

naquilo que quase nem se nota.

 

Obrigado, Senhor, por nos ensinares

que a grandeza é sempre humilde

e que a humildade é sempre grande.

 

Semeia em nós, Senhor,

a Tua semente e o Teu grão de mostarda.

 

Que nós sejamos terra arável, terra fecunda.

Que não sejamos nós, mas que deixemos ser Tu em nós.

 

Transforma o nosso ser.

Sê Tu a vida da nossa vida,

o tempo para o nosso tempo,

o horizonte do nosso caminhar pelo tempo!

 

Ajuda-nos a crescer na escuta da Tua palavra.

Dá-nos a força da serenidade,

a simplicidade da confiança

e a energia da paz.

 

Que nós nunca deixemos de Te procurar

e de convidar outros para esta procura,

sabendo e sentido

que na procura já existe encontro

e que cada encontro é convite para nova procura.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

Obrigado pelo pão.

Obrigado pelo amor.

Obrigado por seres quem és,

JESUS!

publicado por Theosfera às 16:10

Há, hoje em dia, uma obsessão quase patológica com a exterioridade. Com a imagem. Com o aspecto. Com o aparato.

Esquece-se amiúde que o exterior é a epifania do interior.

Se não cuidamos deste, esvaziamos aquele.

E, no entanto, que desvelos dispensamos aos adornos, às pinturas, aos penteados!

Em contrapartida, descuidamos, quase por completo, a meditação, o recolhimento, a espiritualidade.

Nesta época, em que tanto se pensa nos excessos de celulite, seria bom que se reflectisse no défice de interioridade.

Olhemos para fora…mas a partir de dentro!
publicado por Theosfera às 08:35

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