O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 05 de Junho de 2013

1. A história não é feita só de grandes acontecimentos. Ela é também tecida de pequenas circunstâncias e não poucos incidentes.

Só que, habitualmente, a pequena história não chega ao grande público. E, se chega, não chega por via pública.

 

2. Chega, antes, pela via da inconfidência, do sussurro, muitas vezes da insinuação. Ou seja, vem por uma via que, na maior parte dos casos, não é documentada nem testada. É o que toda a gente comenta, mas quase ninguém confirma.

No fundo, trata-se daquilo que, em condições normais, não se deveria saber. Só que aquilo que não se pode saber acaba por ser aquilo que, geralmente, as pessoas mais gostam de conhecer.

 

3. É pela via desta pequena história que encontramos uma figura hoje praticamente desconhecida, mas que esteve à beira de ser Papa: não uma, não duas, não três, mas quatro vezes.

É, de facto, voz corrente que, em quatro dos oito conclaves que decorreram no século XX, o cardeal Giuseppe Siri esteve sempre entre os maiores favoritos.

 

4. Já em 1958, com apenas 52 anos, terá entrado nas cogitações dos cardeais.

Só que, após um pontificado de quase vinte anos (o de Pio XII), prevaleceu a opção por um pontificado mais curto. E, na verdade, João XXIII já tinha 77 anos quando foi eleito. O seu pontificado só durou cinco anos.

Consta, aliás, que o cardeal Pietro Ciriaci terá espirituosamente vaticinado que, se Siri fosse eleito, teríamos tido não um «Santo Padre», mas um «Eterno Papa»!

 

5. Tudo indicava, entretanto, que o momento da eleição de Siri tinha chegado em 1963. E o certo é que um conjunto de cardeais ter-se-á abeirado dele no sentido de que aceitasse.

Acontece que Siri não se terá mostrado receptivo. Parece que o Concílio Vaticano II, que João XXIII convocara e estava em pleno curso, não lhe suscitava especial entusiasmo.

As atenções viraram-se, então, para outros nomes. E o escolhido foi o cardeal Montini (Paulo VI).

 

6. No primeiro conclave de 1978, Siri foi o mais votado nos primeiros escrutínios. Todavia, nos seguintes, Albino Luciani passou para a frente. E aquele que Basil Hume qualificou como o «candidato de Deus» viria a ser o Papa João Paulo I.

O «candidato óbvio» não passaria de uma promessa? Para Siri, nem à terceira foi de vez!

 

7. Sucede que, volvido pouco mais de um mês, o «Papa do Sorriso» morre e mais um conclave se inicia.

Siri destaca-se desde o princípio, mas, quando parecia que pouco faltava, os votos começam a diminuir.

 

8. O que parecia inevitável transforma-se em impossível.

E é Karol Wojtyla, inicialmente com poucos votos, que se torna no Papa João Paulo II.

 

9. Que se terá passado? Há quem aponte dois factores.

Siri ter-se-á recusado a nomear Secretário de Estado, em caso de eleição, o segundo mais votado (cardeal Benelli).

Dizem, porém, que o que mais pesou foi uma entrevista que Siri deu à «Gazzetta del Popolo». Nela, fazia uma avaliação negativa das mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II, criticando (embora com respeito) a acção de João XXIII e Paulo VI.

 

10. Perante estas declarações, os poucos votos que faltaram nunca chegaram a aparecer. E foi assim que o outrora visto como «Eterno Papa» se converteu em «quase Papa», em «nunca Papa».

Há momentos em que o silêncio, mesmo não sendo eloquente, pode ser persuasivo. E muito mais convincente!

publicado por Theosfera às 15:56

A nossa vida não cabe em nós. Precisamos dos outros para sermos nós.

Umas vezes, os outros são a nossa aflição. Outras vezes, são a nossa pacificação.

Alexandre Dumas notou: «Falar dos próprios males já é um consolo».

Mesmo que os males persistam, parece que já não pesam tanto.

Quando os outros ajudam, a cruz torna-se mais leve. Ou um pouco menos pesada!

publicado por Theosfera às 10:48

Pertinente o que notou Augusto Comte: «Os maiores esforços dos génios mais sistemáticos não conseguiriam construir pessoalmente qualquer língua real».

A língua é uma coisa de gente simples que alguns peritos acabam por complicar!

publicado por Theosfera às 10:45

Importante é, sem dúvida, resolver os problemas. Mas, para isso, há uma condição prévia: descobrir os problemas.

Daí que Albert Schweitzer esteja certo quando disse: «Para nós os grandes homens não são aqueles que resolveram os problemas, mas aqueles que os descobriram».

Não é tão óbvio como se pensa. Às vezes, há problemas que não vistos como problemas.

A ilusão anda à solta pelo mundo. Não caia nas suas teias.

Procure não se deixar iludir. A amargura de uma desilusão é muito maior que o deslumbramento encantatório de todas as ilusões.

 

publicado por Theosfera às 10:39

Aprender e ensinar não são actos sucessivos; são atitudes concomitantes.

Aprende-se (também) quando se ensina. Ensina-se (sobretudo) quando se aprende.

Gracián y Morales não hesitava: «Não há mestre que não possa ser aluno».

O maior mestre é o que nunca deixa de ser aluno. É aquele que nunca se cansa de aprender.

E, como avisava Aquilino, «alcança quem não cansa». Alcança o saber quem não se cansa de aprender.

Afinal, quem não aprende como é que pode ensinar?

publicado por Theosfera às 10:34

Sou crente. Mas não me sinto anti-ateu.

Aliás, penso que nenhum crente pode ser anti-ateu e que nenhum ateu pode ser anticrente.

São duas posições com resultados simetricamente opostos, mas com percursos umbilicalmente ligados.

Um ateu nem sequer é um descrente. Um ateu também acaba por crer. Crê que Deus não existe.

Para um crente, o ateu não consegue provar que Deus não existe.

Para um ateu, o crente não consegue provar que Deus existe.

O crente testemunha que Deus existe. O ateu garante que Deus não existe.

Cada um, a seu modo, contribui para a actualidade da questão de Deus.

O crente faz sentir a Sua presença. O ateu faz notar a Sua ausência. O ateu entende que falta evidência à presença.

O crente responderá que da ausência de evidência não decorre a evidência da ausência.

O mais curioso é que muitos ateus acham que Deus está ausente em muitos que se dizem crentes. E, se calhar, acabará por estar presente em muitos que O dizem ausente.

Muito tenho aprendido com os irmãos ateus. Nunca deixo de encontrar Deus neles. Nunca deixo de os (re)encontrar em Deus.

O Deus em que acredito está presente em todo o Homem. Mesmo naquele que se diz ausente de Deus.

É bem verdade que Deus, quanto mais Se esconde, mais Se revela!
publicado por Theosfera às 00:28

Hoje, 05 de Junho, é dia de S. Bonifácio e S. Doroteu, o Moço.

Refira-se que S. Bonifácio era inglês e foi o grande cristianizador da Alemanha.

Fez suas as (fortes) palavras de S. Gregório, apelando aos pastores para não serem «cães mudos nem sentinelas silenciosas».

O silêncio da escuta tem de desaguar na palavra corajosa e habitada pela esperança.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:26

Habitualmente, estas efemérides assinalam aquilo que está em causa.

 

O Dia Mundial do Ambiente chama a atenção para o nosso (des)cuidado para com a natureza.

 

Nos últimos tempos, tem havido sobejos intentos de uma Teologia ecológica.

 

A partir da criação, há elementos de sobra para um crente se empenhar activamente na promoção de uma cultura de respeito para com a totalidade da obra de Deus.

 

Jürgen Moltmann, por exemplo, mobiliza-nos para a urgência de uma ética da reconciliação com Deus, com os homens e com a criação.

 

Haja em vista, desde logo, uma evidência: por cada vitória do Homem contra a natureza, surge uma revolta da natureza contra o Homem.

 

É que Deus perdoa sempre, o Homem perdoa às vezes, mas a natureza não perdoa nunca.

 

Ela sente-se. Estrebucha. Estremece. E revolta-se.

 

Saibamos, pois, respeitá-la e promovamos um ambiente são, harmonioso, sereno e pacificante.

publicado por Theosfera às 00:25

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