O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 29 de Maio de 2013

Alguém chamou palhaço a alguém.

O primeiro ofendido nem terá sido a pessoa em causa. A primeira ofendida foi a verdade.

É que o visado é economista, professor e político. Logo, não é palhaço.

Depois, palhaço indica uma actividade tão digna como todas as outras. Não é curial, embora seja frequente, fazer de uma profissão uma arma de arremesso.

Acresce que é estranho que a ofensa seja mais vista na óptica do ofensor do que na óptica do ofendido.

E o mais delicado nem sequer é o facto de se tratar do presidente da república. O mais grave é tratar-se de um ser humano.

Pode haver mil razões para discordar. Mas não haverá um único motivo para ofender.

Para aferir uma ofensa, não basta atender uma parte. É prudente escutar todos os envolvidos, designadamente os atingidos.

E é preciso perceber que, mesmo não havendo intenção de ofender, há quem se tenha sentido ofendido.

A crise já é funda. Não aprofundemos mais a decadência.

O melhor é reflectir, inflectir e seguir em frente. Se possível, mais serenos.

O ambiente já está crispado e suficientemente anuviado. Urge preservar uma reserva de concórdia, decoro e moderação.

publicado por Theosfera às 19:08

1. Não há pessoas iguais, mas pode haver pessoas parecidas.

Quando o Papa Francisco foi eleito, muita gente se lembrou de João XXIII.

 

2. Os seus percursos até são bastante distintos. Mas quem nega haver entre eles muitos traços comuns?

Não faltou, desde o princípio, quem visse no Papa Francisco uma espécie de reprodução do Papa João.

 

3. Mas será que Francisco pode ser descrito como um continuador de João? E, consequentemente, fará sentido apontar João como um antecipador de Francisco?

José Manuel Vidal e Jesús Bustamante não perderam tempo e, pouco depois do Conclave, publicaram um livro com o título: «Francisco, o novo João XXIII»!

 

4. É claro que as leituras apressadas correm o risco de ser redutoras e, muitas vezes, enviesadas.

Mas é um facto que quem conheceu o Papa João parece que o está a reconhecer no Papa Francisco. E quem visita o Papa Francisco fica com a sensação de que está a revisitar o Papa João.

 

5. Compreende-se, pois, que o perfil de João XXIII possa despontar como uma possível chave de leitura do que pode ser o pontificado do Papa Francisco.

Não se trata de uma condicionante, mas de uma inspiração.

 

6. Baruch Tenembaum, candidato por várias vezes ao Prémio Nobel da Paz, auspicia que o Papa Francisco vai introduzir a Igreja num tempo diferente.

Já o Papa João, que foi eleito no Outono, inaugurou uma Primavera. O Papa Francisco, escolhido no final do Inverno, tem sido apontado como prenúncio de uma nova Primavera.

 

7. Tenembaum assinala que «os dois provêm de lares humildes».
Como João XXIII, também o Papa Francisco «fala com simplicidade. Para ele, o importante é que as pessoas o entendam».

A bondade, que fluía em cada gesto do Papa João, é um tema recorrente na trajectória do Papa Francisco. Em Buenos Aires, já confessava o seu receio «de uma ética sem bondade».

 

8. Como o Papa João, o Papa Francisco não quer afastar a Igreja do nosso tempo, mas pretende sobretudo aproximá-la dos começos.

Na linha do Papa João, o Papa Francisco deseja que a Igreja esteja no mundo, mas sem ser mundana. Daí os gestos que sinalizam uma Igreja despojada, uma Igreja peregrina, uma Igreja acolhedora.

 

9. Como fazia o Papa João, também o Papa Francisco fala com todos e acolhe cada um. Afaga os mais pequenos, acarinha os doentes, pára junto dos idosos, quebra os protocolos, faz humedecer os olhos e vai comovendo todos os corações.

Acontece que, tal como se notava no Papa João, também a bondade do Papa Francisco não é ingénua. Ele é determinado e sabe o que quer. Ou, melhor, sabe o que Deus quer dele.

 

10. João XXIII morreu faz dia 3 de Junho cinquenta anos. Mas a chama que acendeu nunca se apagou.

Sentimos que está a renascer nestes primeiros passos do Papa Francisco!

publicado por Theosfera às 12:11

Não se mata só a tiro nem à bomba. Não se mata apenas quando se tira a vida.

Também se mata quando se impede que a vida tenha vida.

Quando uma pessoa morre de fome, não morre; é assassinada.

A fome é um homicídio em que só reparamos quando há vítimas.

Mas a fome também tem causas e causadores. E a indiferença não é isenta de culpa!

publicado por Theosfera às 12:03

«A arte é a recaída de um fervor».

André Gide percebeu o essencial.

A arte é a somatização de uma palpitação intensa, de uma chama de nunca deixa de arder.

É por isso que a arte, antes de subir ao palco ou de surgir na tela, tem de nascer na alma.

É na alma que flui o fervor que se transforma em arte!

publicado por Theosfera às 11:57

Palavra pequena, mas talvez seja a palavra mais necessária. É uma palavra não só para dizer com os lábios, mas para pronunciar com a vida.

Hoje em dia, há que redescobrir o valor do «não». Não a tanta coisa supérflua, não a tanta coisa violenta.

José Saramago anui: «A palavra mais necessária nos tempos em que vivemos é a palavra não. Não a muita coisa, não a uma quantidade de coisas que eu me dispenso de enumerar».

publicado por Theosfera às 11:54

Luigi Pirandello toca no busílis da sensibilidade e da subjectividade: «O prazer que um objecto nos proporciona não se encontra no próprio objecto. A imaginação embeleza-o, cercando-o e quase o irradiando com imagens estimadas. Em suma, no objecto amamos aquilo que nós mesmos colocamos nele».

No fundo, no fundo, as coisas não são (apenas) o que são. As coisas são o que nós vemos nelas!

publicado por Theosfera às 11:50

Millôr Fernandes pergunta : «A saudade diminuiu ou fomos nós que envelhecemos?»

A saudade não deixa envelhecer.

A saudade traz o que vivemos para o que estamos a viver.

A saudade transporta o que fomos para o terreno do que somos!

publicado por Theosfera às 11:47

1. Nunca se usou tanto a palavra como hoje. E talvez nunca nos tenhamos sentido tão saturados de palavras como hoje.

Em causa não está a palavra, mas o uso que lhe temos dado. E é por isso que o silêncio desponta não como uma recusa da palavra, mas porventura como a sua reabilitação, o seu reencaminhamento, a sua redenção.

 

2. O problema não está na palavra. O problema é o que nós estamos a fazer com as palavras.

O que avulta é a palavra da suspeita, a palavra da calúnia, a palavra da glória vã e da vanglória, a palavra como arremesso.

O que sobressai é o eclipse da palavra de alento, da palavra da esperança, da palavra da verdade. É tudo isto que faz do silêncio não apenas um refúgio ou uma nostalgia, mas também uma necessidade ou até uma terapia.

Aqui, o silêncio não é a ausência de palavra. É o chão da sua sementeira. E o fermento para a sua plena fruição!

 

3. Hoje em dia, as palavras gastam pelo ruído que provocam. E desgastam pelo vazio que veiculam.

Às vezes, nem quando se está calado se faz silêncio. Pode não haver ruído no exterior, mas pode faltar silêncio no interior.

 

4. Manuel António Pina tem razão quando sustenta que «as palavras esmagam-se entre o silêncio que as cerca e o silêncio que transportam».

Que será melhor, então? Falar é difícil. Mas calar também é arriscado. O poeta confessa: «Já não é possível dizer mais nada, mas também não é possível ficar calado».

Eis o paradoxo em toda a sua crueza: «Faltam-nos as palavras» nestes tempos em que «se fala de mais»!

 

5. E o certo é que, ao lado das palavras, há um silêncio no universo que nem todos os discursos conseguem abafar.

É desse silêncio, não tumular mas primordial, que flui o sentido e o horizonte que o conceito tenta captar, mas não é capaz de verbalizar. É nesse silêncio marsupial que importa habitar.

 

6. Pelo menos, nesse silêncio respira-se. Há palavras, as deste tempo ruidoso, que afogam!

Acresce que, como notava Gustave Le Bon, «quem se gasta em palavras, raramente se gasta em acções».

 

7. Há quem aposte tudo na linguagem verbal. Mas a linguagem não verbal é mais poderosa.

Daí o lancinante apelo de Sto. António: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios».

Se repararmos e como dizia Erik Geijer, «o que se faz de grande faz-se em silêncio». A própria palavra, para ser valorizada, precisa de ser condimentada pelo silêncio. Caso contrário, é a banalização.

 

8. Hoje em dia, não há muita comunicação. O que há é muito ruído!

Há muito ruído de dia, mas também de noite. Há muito ruído nas ruas, mas também em casa, mas também nas escolas, mas também nas igrejas.

 

9. Na maior parte das vezes, nem temos motivos para falar. O que já não conseguimos é ter vontade para calar ou disponibilidade para escutar! Quem ouve, nestes tempos, as palavras ditas, as palavras gritadas?

Há momentos em que falar é um imperativo. Mas há instantes em que calar é uma urgência e um bom indicador de sabedoria.

 

10. Uma onda de silêncio pode ser o melhor antídoto para curar os estragos provocados pela tempestade de certas palavras.

Às vezes, não é preciso falar muito para dizer bastante.

A vida não se diz só com os lábios. E há gestos que dizem tudo!

publicado por Theosfera às 07:05

Hoje, 29 de Maio, é dia de S. Maximino, Sta. Úrsula de Ledochowska e S. José Gérard.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:02

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