O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Março de 2013

Há quem não ponha etiquetas só nos produtos. Há quem também se apresse a colocar rótulos nas pessoas.

Do Papa Francisco (como, aliás, acerca de João Paulo II e de Bento XVI) se diz que é aberto no social, mas conservador na doutrina.

Releve-se o carácter depreciativo deste último qualificativo, quase a saber a decepção ou reprimenda.

Acontece que o Papa não é dono, mas servo.

A doutrina não é do Papa, é de Cristo. O Papa recebe, não cria doutrina.

E, quanto a ser conservador, depende da perspectiva. Quem é mais conservador? É a doutrina em relação ao nosso tempo ou é o nosso tempo em relação à doutrina?

Se pensarmos bem, a doutrina incomoda porque questiona, porque convida à mudança.

E mudar (sobretudo mudar a vida) custa muito e dói bastante!

publicado por Theosfera às 13:32

O dia de S. José é o dia do Onomástico do Papa Bento XVI, cujo nome de baptismo é Joseph.

Bonito foi, por isso, o gesto do Papa Francisco, que aludiu ao facto acrescentando que «o acompanha com a oração, cheia de estima e gratidão».

Não só neste dia, mas sobretudo neste dia, não esqueçamos o Papa Bento: pelo que disse, pelo que fez, pelo que sofreu (e sofre) pela Igreja e pela humanidade!

publicado por Theosfera às 13:09

O Papa Francisco telefonou hoje ao início da manhã, madrugada em Buenos Aires, para saudar os fiéis da sua antiga diocese que se encontravam numa vigília de oração na capital argentina.

«Peço-vos que caminheis todos juntos, tomando cuidado uns dos outros», disse, numa ligação à vigília de oração que decorreu na Praça de Maio, reunindo milhares de pessoas.

O telefonema foi feito diretamente pelo Papa ao Padre Alejandro Russo, reitor da Catedral de Buenos Aires, às 03h30 da Argentina, duas horas antes do início da missa do pontificado.

«Não se esqueçam deste bispo que está longe, mas que gosta muito de vocês. Rezem por mim», pediu.

O Papa argentino, primeiro do continente americano, deixou votos de que «não haja ódio, que não haja lutas, que não haja inveja» e as pessoas «dialoguem».

A intervenção incluiu um desafio do Papa à proximidade com Deus que «é bom, perdoa sempre, compreend».

«Não tenham medo dele, é pai», acrescentou.

O Padre Alejandro Russo disse à Rádio Vaticano que a chamada do Papa foi uma surpresa que gerou um sentimento «incompreensível, gigantesco».

publicado por Theosfera às 11:52

Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de início do ministério petrino na solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: é uma coincidência densa de significado e é também o onomástico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a oração, cheia de estima e gratidão.
Saúdo, com afecto, os Irmãos Cardeais e Bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos. Agradeço, pela sua presença, aos Representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial saudação aos Chefes de Estado e de Governo, às Delegações oficiais de tantos países do mundo e ao Corpo Diplomático.

Ouvimos ler, no Evangelho, que «José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa» (Mt 1, 24). Nestas palavras, encerra-se já a missão que Deus confia a José: ser custódio, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: «São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo» (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1).
Como realiza José esta guarda? Com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. Desde o casamento com Maria até ao episódio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusalém, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos difíceis da vida, na ida a Belém para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dramático da fuga para o Egipto e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazaré, na carpintaria onde ensinou o ofício a Jesus.

Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!

Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!
E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.

Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.
A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!

Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger.

Na segunda Leitura, São Paulo fala de Abraão, que acreditou «com uma esperança, para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18). Com uma esperança, para além do que se podia esperar! Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! E, para o crente, para nós cristãos, como Abraão, como São José, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus.
Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!
Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: rezai por mim! Amen.

publicado por Theosfera às 10:23

«São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!»

publicado por Theosfera às 09:48

Há oito anos, a 24 de Abril de 2005, Bento XVI disse que o seu programa era «não fazer a minha vontade».

O Papa Francisco acaba de sublinhar que o verdadeiro poder é servir.

Na linha de S. José, ele pretende «guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração».

publicado por Theosfera às 09:37

A cátedra não é a cadeira. A cátedra é a palavra de quem está na cátedra.

O Santo Padre não fala na cadeira, embora fale perto dela.

Fala de pé para todos os que caminham!

publicado por Theosfera às 09:31

Há que destacar, em toda esta celebração, o papel de Mons. Guido Marini. Está ao lado esquerdo do Santo Padre. Discreto, sereno, atento.

Tudo está preparado com antecipação. Não se dá conta da sua presença.

Um cerimoniário é assim. Não é o que faz. É o que faz fazer!

publicado por Theosfera às 09:08

Uma luminosa simplicidade se desprende de toda esta solenidade.

A solenidade da liturgia não litiga com o preceito da simplicidade.

S. Francisco de Assis, que levava a humildade até ao escrúpulo (nem sequer queria tocar em dinheiro), estipulava que o altar da Santa Missa não só estivesse limpo mas também ricamente ornado.

Os santos são sabiamente paradoxais.

A humildade diante dos homens decorre, antes de mais, da humildade perante Deus!

publicado por Theosfera às 08:38

Advertimos a importância de uma coisa quando sentimos que a podemos perder.

Chesterton apercebeu-se: «A maneira de apreciarmos uma coisa é dizermos a nós próprios que a podemos perder».

O problema é que não é só com as coisas que isto acontece.

O problema é que também só valorizamos as pessoas quando pensamos que as podemos perder. Ou, pior, quando já as perdemos!

publicado por Theosfera às 08:32

Diz uma jornalista italiana que a simplicidade do Santo Padre está a tocar toda a gente.

De facto, a simplicidade é sapiente e envolvente.

A simplicidade, no fundo, explica quase tudo e cativa quase todos!

publicado por Theosfera às 08:22

Neste momento, o Santo Padre passa junto das pessoas.

Para a Santa Missa de hoje, ninguém foi especialmente convidado. Todos são igualmente bem-vindos.

Não se trata de uma desconsideração pelas pessoas importantes. Trata-se de uma enorme consideração pelas pessoas simples.

Palpita-me, entretanto, que a segurança vai ter trabalho acrescido neste pontificado. O Santo Padre usa o «papamóvel», mas sem o vidro de protecção.

É arriscado. Mas é bonito!

publicado por Theosfera às 08:06

Hoje, 19 de Março (dia do Pai e da Missa de início do ministério petrino do Papa Francisco), é dia de S. José (padroeiro da Igreja, dos pais, dos trabalhadores, dos fabricantes de carro, dos marceneiros e da boa morte) e de S. Marcello Callo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:07

Neste mês do Pai,

agradecemos-Te, Pai,

pelo dom dos nossos pais.

 

São eles que,

juntamente com as nossas mães,

sinalizam o Teu amor junto de nós.

 

Obrigado é pouco para dizer

o quanto lhes estamos agradecidos.

Mas é tudo o que nos resta

para mostrar a nossa gratidão

e para lhes fazer sentir o nosso amor.

 

Também Teu Filho Jesus

quis nascer numa família.

Também Ele na terra

chamou a alguém «Pai».

 

Que o exemplo de S. José

ilumine todos os nossos pais

e inspire todas as nossas famílias.

 

Que S. José abençoe os nossos pais

e que nós, seus filhos,

saibamos agradecer todo o bem que nos fazem.

 

Que a bênção de S. José

chegue a todas as casas

e se instale em todos os corações.

 

Obrigado, bom Deus,

pelos nossos pais.

 

Obrigado pelo seu carinho,

pela sua doação.

 

Obrigado por existirem.

Obrigado pelo que são.

Obrigado por tanto.

Obrigado por tudo.

Obrigado sempre!

publicado por Theosfera às 07:05

Neste dia de S. José, é pertinente reflectir, maduramente, sobre o drama por que passou.

 

O Evangelho aponta-o como homem justo.

 

Título apropriado, sem dúvida, para quem pôs a justiça acima da lei.

 

Não sei se já pensamos alguma vez no seguinte. Se José seguisse, de forma estrita, os ditames da lei, Jesus não teria nascido.

 

É que (como iremos ouvir no próximo Domingo) a lei preceituava que a mulher apanhada em adultério devia ser apedrejada até à morte.

 

É óbvio que Maria não praticou adultério. O que nela se passou foi obra do Espírito Santo.

 

Só que José não sabia. E o que ele via pouca margem dava para dúvidas.

 

Ainda não viviam em comum e Maria estava grávida. Um verdadeiro drama, o drama de José!

 

Aparece, aqui, o crédito da confiança. Embora não sabendo o que se tinha passado, José sabia que Maria era incapaz de o trair.

 

Dada, porém, a situação, estava disposto a fazer tudo em segredo, em afastar-se. Denunciá-la é que jamais.

 

As pessoas não são todas iguais. Ainda há quem seja diferente. E as aparências também iludem. Oh se iludem!

 

Foi nesta situação que Deus veio em seu auxílio. E também José ficou cônscio do que acontecera.

 

Nem sempre a justiça está na lei. A justiça é maior que a lei. Em caso de colisão, não há que hesitar.

 

Jesus viria a dizer: «Procurai, antes de mais, o Reino de Deus e a Sua justiça» (Mt 6, 33).

 

Jesus foi muito claro na primazia dada à justiça. Fê-lo com desassombro.

 

José também fez o mesmo. De um modo mais contido, quase imperceptível. Mas igualmente eficaz. E prodigamente coerente.

publicado por Theosfera às 07:04

Obrigado, Senhor,

obrigado por S. José,

homem de silêncios e de canseiras,

de sofrimento e de paz.

 

Obrigado por todos os pais,

porque nos deram a vida

e porque nos dão exemplo, testemunho e disponibilidade.

 

Que nós aprendamos com a sua dedicação,

com o seu amor e a sua bondade.

 

Que cada um de nós seja digno do seu suor e do seu trabalho.

publicado por Theosfera às 07:02

Meu Pai já está está no Céu.

 

Meu Pai continua em mim.

 

Neste dia de S. José, Pai (adoptivo) de Jesus, recordo meu querido Pai, oro por todos os pais.

publicado por Theosfera às 06:28

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