O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 14 de Março de 2013

O Papa Francisco proferiu hoje a sua primeira homilia na missa que assinalou o final do Conclave, na Capela Sistina, com todos os cardeais que participaram na eleição que decorreu entre terça e quarta-feira.

«Caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo crucificado» foi a ideia central do primeiro Papa do continente americano na história da Igreja Católica, que convidou os presentes a «caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com irrepreensibilidade».

O sucessor de Bento XVI e os seus eleitores celebraram a chamada missa pro Ecclesia (pela Igreja), durante a qual foi ouvida a primeira homilia do pontificado.

Para o novo Papa, a Igreja é mais do que uma «ONG piedosa» e exige que os seus membros construam «sobre a rocha» e não «castelos de areia», sem consistência.

«Quando não se professa Jesus Cristo, professa-se a mundanidade do diabo, do demónio», alertou.

A celebração, vista como o primeiro momento em que o Papa apresenta o seu «programa», contou em 2005 com uma homilia em latim de Bento XVI, mas Francisco optou por falar em italiano, sem qualquer texto, durante seis minutos.

«Esta vida é um caminho e quando paramos, as coisas não correm bem», observou o Papa, de 76 anos, eleito após um Conclave que teve cinco escrutínios em pouco mais de 24 horas de votações à porta fechada.

Francisco admitiu que existem forças que impedem a caminhada e puxam «para trás» e que alguns querem seguir Jesus «sem a cruz».

«Quando professamos um Cristo sem cruz não somos discípulos do Senhor, somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, Papas, mas não discípulos do Senhor», observou.

Em conclusão, o Papa argentino convidou a «edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor, derramado na cruz, e confessar a única glória, Cristo crucificado: assim a Igreja avançará».

A celebração, transmitida pelo Centro Televisivo do Vaticano, incluiu uma oração por «sua santidade Bento XVI», para que «sirva a Igreja no escondimento, com uma vida dedicada à oração e à meditação».

 

publicado por Theosfera às 20:17

Da trajectória do cardeal Jorge Mario Bergoglio e dos primeiros sinais emitidos pelo Papa Francisco uma coisa, pelo menos, é de esperar. Os próximos tempos vão ser não para centralizar, mas para centrar.

A Igreja mostrará que não vai estar centralizada numa função, num lugar ou numa estrutura. Ela estará, cada vez mais, (re)centrada em Jesus Cristo.

A humildade do Papa não é só pessoal; é também ministerial. Ou seja, ele pretende que o exercício do seu ministério seja, todo ele, pautado pela humildade, pelo despojamento.

Na linha de João Baptista, também o Papa Francisco quer que seja Jesus a sobressair e ele a diminuir (cf. Jo 3, 30).

Não vamos, obviamente, ter um Papa iconoclasta, que acabe com todas as tradições, sinais e símbolos. Mas vamos ter seguramente um Papa que vai recorrer a tais tradições, sinais e símbolos com o máximo de sobriedade.

A repetida alusão ao Bispo de Roma (e não ao Papa) não indicia que Francisco não assuma a natureza do seu ministério. Mas ele mesmo teve o cuidado de, com palavras de Sto. Inácio de Antioquia, expor a sua compreensão de tal ministério.

Para ele, a Igreja de Roma preside à comunhão da Igreja na caridade e não no poder. Daí também a sua evocação da fraternidade.

Roma não quer ensombrar as outras Igrejas. Quer que elas brilhem com a luz do Evangelho.

Eis um pastor que quer conduzir o povo, não indo à frente dele mas caminhando ao lado das dele!
publicado por Theosfera às 19:46

Na primeira saudação do Papa, houve quem notasse a ausência de uma palavra forte.

Mas eu penso que a grande força esteve no gesto, eu diria nos gestos.

O que mais tocou foi o insistente pedido para que o povo rezasse pelo Papa. E, não por acaso, o Papa inclinou-se diante do povo quando o habitual é o povo inclinar-se diante do Papa.

Se repararmos, é a oração simples do povo que sustenta a vida e alimenta a fé.

Na sua simplicidade, o povo é sábio. Na sua humildade, o povo é mestre.

Captar essa sabedoria é um acto de profunda lucidez.

E, afinal, o Papa posicionou-se de uma forma genuína ainda que aparentemente pouco convencional.

O Papa apareceu como servo, como servidor. Não foi assim que Jesus veio até nós?

publicado por Theosfera às 16:15

Há no Papa Francisco alguns traços (até fisionómicos) que fazem pensar em D. Óscar Romero, o bispo mártir de El Salvador.

Enquanto arcebispo de Buenos Aires, nunca se coibiu de erguer a voz em defesa dos pobres.

Também não se calou diante do poder, sabendo que isso lhe acarretaria dissabores.

É curioso notar (até pela similitude com a situação portuguesa) que, em 2002, pediu aos argentinos para «não rezarem ao FMI», pois «não vamos a lugar nenhum, só nos vamos endividar ainda mais».

Como diria o teólogo Metz, Francisco mostra ser «um místico de olhos abertos». A partir de Deus, olha para o povo de Deus, sobretudo para os mais sofredores

publicado por Theosfera às 11:25

Defensor de uma Igreja pobre ao lado dos pobres, o Papa Francisco deixou bem claro que a única pobreza que se deve recusar é a pobreza espiritual.

Disse, em tempos, que urge «evitar a pobreza espiritual da Igreja. Entre uma Igreja que sofre acidentes na rua e uma Igreja que fica doente porque se tornou auto-reverente, não tenho dúvidas de que prefiro a primeira».

No fundo, já Karl Rahner, outro jesuíta, notara o mesmo: «O grande problema da Igreja contemporânea é continuar, com uma resignação e um tédio cada vez maiores, pelos trilhos de uma mediocridade espiritual».

Sem espiritualidade não se respira. Sem respirar Deus, não se vive!

publicado por Theosfera às 11:11

João Paulo II disse que vinha de longe. Francisco confessa que vem do fim do mundo.

João Paulo II levou o centro a todas as periferias. Trará Francisco as periferias para o centro?

Os sinais são promissores.

O novo Papa parece configurar uma Igreja samaritana, próxima das pessoas, ao lado dos pobres.

Os corações doídos bem precisam de quem lhes acenda um sorriso na alma!

publicado por Theosfera às 10:34

O novo Papa é conhecido por ser um homem íntegro: íntegro na fé, íntegro na doutrina, íntegro na conduta, íntegro na coerência.

É dialogante, mas também convicto. Acolhe, mas não vacila. É humilde, mas também determinado.

Não olha de cima para baixo. Caminha para cima (sobretudo) com os que estão em baixo!

publicado por Theosfera às 10:32

E eis que, oito séculos depois, Francisco volta a Roma.

Desta vez, não vai pedir aprovação ao Papa. Desta vez, reentra como Papa. De novo para responder ao apelo de Jesus: «Vai reconstruir a Minha Igreja»!

publicado por Theosfera às 10:28

Nesta altura, o importante é agradecer o dom e esperar pelas iniciativas.

Mas eu creio que a escolha do Papa Francisco I é prenunciadora de mudanças. E as mudanças estão insinuadas, desde já, na trajectória do Cardeal Jorge Bergoglio.

O actual Papa foi sempre um homem firme na doutrina e profundamente envolvido nas questões sociais.

Não são, por isso, de esperar mudanças na doutrina. A doutrina nem sequer é do Papa; é de Cristo. Mas, como é normal, são de aguardar mudanças na forma de agir. E alguns sinais já estão dados.

Desde logo, é impossível não reparar na escolha do nome.

S. Francisco foi o grande reformador da Igreja na linha da simplicidade e da pobreza. Há dois pormenores na primeira intervenção do Santo Padre que são sugestivos.

Se repararmos, ele apresentou-se só com batina, sem a mantelete. E, depois, inclinou-se diante do povo para receber a sua oração.

A força dos sinais é muito importante.

A humildade é tão (ou mais) necessária como a autoridade.

A Primavera está a chegar (também) à Igreja!
publicado por Theosfera às 10:23

«O meu pai sempre me ensinou que quando uma pessoa está a subir deve ir cumprimentando toda a gente porque são os mesmos que há-de encontrar quando começar a descer».

Eis um precioso conselho do Papa Francisco quando foi nomeado cardeal, em 2001!

publicado por Theosfera às 10:19

O pedido de Jesus a S. Francisco de Assis - «Vai, Francisco, e restaura a Minha Igreja em ruínas» - fez-se ouvir, de novo, ontem, em Roma.

 

S. Francisco foi chamado a restaurar aquela igrejinha, mas o estado de ruínas daquele edifício é um símbolo da situação dramática e preocupante da própria Igreja naquele tempo, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o arrefecimento do amor; de uma destruição interior da igreja, que envolve também uma decomposição da unidade, com o surgimento de movimentos heréticos.

 

Todavia, no centro daquela igreja em ruínas está o Crucifixo quee fala, convidando à renovação. Convida, de facto, Francisco ao trabalho manual para restaurar concretamente a igrejinha de S. Damião, símbolo do apelo mais profundo a renovar a própria Igreja de Cristo, com a sua radicalidade de fé e com o seu entusiasmo do seu amor por Cristo.

 

Este acontecimento, ocorrido provavelmente em 1205, traz à mente um outro incidente semelhante ocorrido em 1207: o sonho do Papa Inocêncio III.

 

Ele vê em sonhos que a Basílica de São João de Latrão, a igreja mãe de todas as igrejas, está a desmoronar-se e um pequeno e insignificante religioso sustenta em seus ombros a igreja para que não caia.

 

É interessante notar, por um lado, que não é o Papa que dá o auxílio para que a igreja não desabe, mas um pequeno e insignificante religioso, que o Papa reconhece ser Francisco que o visita.

 

Inocêncio III foi um Papa vigoroso, de grande cultura teológica, como também de grande poder político.

 

No entanto, não é ele que renova a Igreja, mas o pequeno e insignificante religioso: é S. Francisco, chamado por Deus.

 

Por outro lado, é importante notar que S. Francisco não renova a Igreja sem ou contra o Papa, mas só em comunhão com ele.

 

Os dois realmente caminham juntos: o Sucessor de Pedro, os bispos, a Igreja fundada sobre a sucessão dos Apóstolos e o carisma novo que o Espírito Santo cria naquele momento para renovar a Igreja. Ao mesmo tempo cresce a verdadeira renovação.

 

O Pobrezinho de Assis havia compreendido que cada carisma é dado pelo Espírito Santo a serviço do Corpo de Cristo, que é a Igreja; por isso agiu sempre em plena comunhão com a autoridade eclesiástica.

 

Na vida dos santos não há contradição entre o carisma profético e o carisma de governo e, se alguma tensão ocorre, eles sabem esperar com paciência o tempo do Espírito Santo.

 

Importa, entretanto, notar que é a um pobre que Cristo pede a restauração da Sua Igreja. Só pela pobreza e pela simplicidade acontece a renovação e a fidelidade.

 

Que estamos a fazer da pobreza e da opção preferencial pelos mais pobres?

publicado por Theosfera às 10:08

Quando o jovem disse ao abastado pai que queria fazer parte de uma ordem mendicante, a reacção não podia ser pior.

 

- «Pai, desejo ser frade».

 

- «O quê? Um frade descalço e esfarrapado?»

 

- «Sim, Pai».

 

- «E fazer voto de pobreza? E desistir da tua carreira? E andar faminto a esmolar pelas almas? Impossível!»

 

- «Foi possível a Francisco de Assis».

 

- «Era um louco», bradou o Pai.

 

- «Era um santo», corrige o Filho.

publicado por Theosfera às 10:06

«O Homem mais amável do Mundo». Foi assim que Bertrand Russell se referiu a S. Francisco de Assis.

 

 

Como Francisco, é urgente cultivar a pobreza, a humildade e a simplicidade. É fundamental criar uma cultura de reconciliação com a natureza, com as pessoas.

 

Hoje mesmo, vamos pugnar pela instauração de uma fraternidade universal, de uma filadélfia cósmica.

 

Num mundo de altos e baixos, de exploradores e explorados, de senhores e escravos, Francisco de Assis ensina-nos o melhor trato entre os seres humanos: irmão.

 

Ser homem é ser irmão. De todos os outros homens! Há muitos séculos, S. Francisco de Assis percebeu genialmente qual o caminho a percorrer no encontro entre cristãos e muçulmanos.

 

Este caminho nunca está totalmente percorrido. Eis o que diz S. Francisco ao sentir o chamamento: «Quando Deus me enviou para o meio deles, convivia com eles como com irmãos e amigos».

 

José Mattoso fez, recentemente, uma referência a S. Francisco de Assis e à sua pureza que consiste em viver «o Evangelho sem glosa». Trata-se do «Evangelho despojado das derivas que foram acontecendo ao longo dos tempos». Trata-se, enfim, de uma procura da «autenticidade inicial».

publicado por Theosfera às 10:04

Nesta altura, fará sentido aproximarmo-nos da visão de S. Francisco de Assis acerca da Igreja.
 
Ao longo dos séculos, houve muitas tentativas de reconduzir o Cristianismo a Cristo, à sua originalidade.

Isso foi feito através da acção e através da contemplação. Trata-se de movimentos que tinham uma organização mínima.

Só que o poder eclesiástico acabou sempre por intervir. Para aprovar, exercia a sua influência, acentuando o aspecto organizativo e, desse modo, desfigurando a vontade reformadora.

A este propósito, Ignacio Larrañaga imagina um diálogo entre S. Francisco de Assis e o cardeal Hugolino, que tentava convencê-lo a dar uma organização mais firme à Ordem Fransciscana.

Diz Francisco: «Essa é a linguagem dos quartéis. Poder! Conquista! A realidade é esta: ninguém quer ser pequeno nem nos tronos nem na Igreja. Todos somos, por instinto, inimigos da cruz e do presépio, a começar pelos homens da Igreja».

Mas se pensarmos bem, daremos conta de que não foi o poder que cativou as pessoas para a Cristo. Foi o testemunho que muitos deram (e dão) d'Ele, de Jesus.

Na humildade. Na simplicidade. No despojamento!
publicado por Theosfera às 09:59

Nesta altura, é prematuro antecipar o que vai fazer o novo Papa. O mais sensato, por agora, será meditar no que vai fazendo o Papa novo.

Seria interessante, por exemplo, prestar a devida atenção à escolha do nome. Francisco é mais que um nome. Trata-se de um verdadeiro programa, quase diria de um abalo.

Francisco Xavier foi alguém que quis levar o Evangelho para fora. Francisco de Assis foi alguém que pretendeu trazer o Evangelho para dentro.

S. Francisco foi um crente fervoroso, mas nada convencional. A sua preocupação passou por viver o Evangelho sem glosas. Para ele, os gestos eram fundamentais. Para ele, todos eram irmãos.

O Papa Francisco insistiu muito na fraternidade e mostrou muita humildade. Com ele, o aparato vai ser mínimo.

Pressinto que luminosas surpresas se preparam!

publicado por Theosfera às 09:51

Hoje, 14 de Março, é dia de Sta. Matilde, Sta. Florentina e S. Giácommo Cusmáno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:08

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