O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013

Uma coisa é tolerar. Outra coisa, bem diferente, é branquear.

E, para cúmulo, a lógica é muito variável: ao sabor dos interesses e das afinidades.

Há pessoas a quem não perdoamos o mais leve deslize. Há pessoas a quem deixamos passar até o pior desmando.

Já Pascal advertia: «Nunca se faz tão perfeitamente o mal como quando se faz com boa vontade».

Alegações do género «foi com boa intenção» escondem, muitas vezes, o que há de mais aviltante!

publicado por Theosfera às 19:47

1. A demissão do Papa será tudo menos um acto de resignação. Será, acima de tudo, uma reforma de quem não se conforma. Será, certamente, uma renúncia que transporta uma denúncia.

Trata-se, em suma, de um gesto inovador de um Papa que muitos (apressadamente) viam como conservador.

 

2. Muitos se espantam diante da veemência das mais recentes palavras de Bento XVI. Finalmente, dispuseram-se a escutar aquele que, durante anos, se recusavam a ouvir.

De facto, nos últimos dias o Papa conquistou atenção. Aliás, nos últimos anos, já tinha alcançado bastante auditório. Mas, desde cedo, tinha conseguido o que, só muito tarde, alguns quiseram ver: credibilidade, competência, acutilância.

 

3. Não foi agora que o Papa reparou em muitas feridas. Não foi agora que o Papa alertou para a hipocrisia, as divisões e as rivalidades que gangrenam muitas instituições eclesiais.

Antes de ser Papa — e até muito antes de ser Bispo — já o tinha feito. Dir-se-ia que esta foi uma preocupação que sempre o acompanhou desde o princípio e que acabou por desgastá-lo até ao fim.

 

4. Ele, que sempre se mostrou contido nas atitudes, nunca foi avaro nas palavras.

Ficou célebre — e calou muito fundo — o diagnóstico que traçou na Via-Sacra de 2005, apoucos dias de ser eleito: «Quanta sujidade existe na Igreja! A Igreja parece uma barca que mete água por todos os lados. As vestes e os rostos da Igreja estão sujos. E somos nós mesmos a sujá-los».

Contudo, já nos idos de 70, o então Padre Joseph Ratzinger remetia em direcção parecida e apontava responsabilidades semelhantes: «Se, antigamente, a Igreja era a medida e o lugar do anúncio, agora apresenta-se quase como o seu impedimento»!

 

5. Não é de fora que vêm as dificuldades maiores. De fora surgem — como é natural que surjam — as interpelações. Mas é de dentro que emergem os obstáculos.

Identificá-los torna-se, por isso, uma prioridade. E removê-los desponta, pois, como um imperativo.

 

6. A renúncia do Papa em tempo de Quaresma torna (ainda) mais urgente o apelo à conversão.

Não são apenas os outros que precisam de se arrepender. É cada um de nós que tem de se converter.

 

7. No início da Eucaristia, ninguém aponta os pecados do vizinho do lado. Todos nos confessamos pecadores.

Sendo assim, é internamente que a mudança tem de ser desencadeada. Porque é internamente que as coisas são o que são e que poderão ser o que têm de vir a ser.

 

8. A lição do Papa encerra uma alternativa muito clara e uma opção bastante simples: mudar ou mudar-se.

O Papa concluiu que as suas forças estavam a diminuir quando a necessidade de mudança continua a crescer.

 

9. Ele acha que não está em condições de que continuar a fazer. Mas tem perfeita noção do que tem de continuar a ser feito.

O Papa está cansado, porventura um pouco condoído, mas nada vacilante.

 

10. Ele retira-se para que outro possa prosseguir o que ele não se cansou de tentar: promover a mudança. A mudança das estruturas. E, sobretudo, a mudança de vida!

publicado por Theosfera às 19:44

No início dos exercícios espirituais que o Santo Padre está a realizar, o Cardeal Ravasi refere quatro verbos que estão associados ao acto de rezar. 

Diz ele: «Rezar é respirar, porque a oração é como o ar para a nossa vida; rezar é pensar, é conhecer Deus, como fazia Maria que guardava os eventos no seu coração; rezar é também lutar com Deus, sobretudo quando se está na aridez, na escuridão da vida, quando elevamos ao céu o nosso grito desesperado; rezar, por fim, é amar, poder abraçar Deus».

publicado por Theosfera às 10:54

O poder, como tudo, vem de Deus.

Mas, pela amostra, o exercício do poder parece ter sido capturado pelo Diabo. Este, pelo menos, reclama-o como seu.

Ainda ontem ouvíamos no Evangelho: «Dar-Te-ei todo este poder e a sua glória porque me foi entregue, e dou-o a quem quero» (Lc 4, 6).

E, de facto, o poder parece ter muito de diabólico, tal é a opressão que provoca e a injustiça que faz alastrar.

Será impossível libertar o poder da captura a que se mantém (prolongadamente) submetido?

publicado por Theosfera às 10:48

Reza um conhecido adágio: «Se queres ir depressa, vai sozinho; se queres chegar longe, vai acompanhado».

Todos queremos andar depressa e todos gostamos de andar acompanhados.

O vencedor é, muitas vezes, o que vai sozinho. Torna-se único, incompreendido, solitário.

A Igreja não está no mundo para vencer, mas para convencer.

É por isso que a sua paciência exaspera tantas vezes e tanta gente.

Mas é também por isso que ela congrega tantas pessoas.

Nenhuma terra lhe é desconhecida: está em toda a parte.

Nenhuma época lhe é estranha: já conta com dois mil anos de percurso.

Alguém chegou tão longe?

publicado por Theosfera às 10:40

Achava Carlos Drummond de Andrade que «há muitas razões para duvidar e uma só para crer».

Mas esta única razão sobreleva todas as outras: Deus, o amor Deus, o Deus amor!

publicado por Theosfera às 10:24

Charles Dickens: «Uma mudança de atitude pode fazer-nos cometer grandes erros em qualquer momento».

Mas, ousaria dizer eu, uma mudança de atitude pode fazer-nos também cometer grantes feitos a toda a hora!

publicado por Theosfera às 10:20

Hoje, 18 de Fevereiro, é dia de S. Teotónio, Sta. Bernardette Soubirous, S. João de Fiésole (Fra Angélico), S. Francis Régis Clet e Sta. Gertrudes Comensoli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:07

1. Nem tudo acaba quando parece terminar. Há bastante que fica no muito que aparenta passar. E, afinal, surge sempre um novo começo após cada fim.

Para lá do fim, o que resta é o rasto. E nunca fica no passado quem deixa rasto. Quem se torna presente em cada presente.

 

2. Nestes tempos, não são apenas os factos que são novos. Os próprios tempos, onde ocorrem os factos, também despontam como novos, como radicalmente novos.

Outrora, era fácil presumir que o Papa não adoece e que, portanto, não abdica. O Papa raramente aparecia e praticamente nunca saía.

 

3. As doenças do Papa eram escondidas. E a abdicação do Papa dificilmente seria ponderada. Por incrível que pareça, o Papa, noutras eras, seria mais notado quando morria.

A sua morte tornava-o mais visível — e até mais visitado — com o cortejo de peregrinos que desfilavam diante do seu túmulo.

 

4. Acontece que, na era da comunicação, é praticamente impossível a uma figura como o Papa não ser visto. A sua fragilidade passeia-se à nossa frente.

João Paulo II foi adoecendo praticamente em directo. Bento XVI vai-se despedindo (também) em directo. Primeiro, um Papa só escolhia a data de entrada. Agora, também pretende escolher a data de saída.

 

5. Mas, atenção, Bento XVI abdica, mas não capitula. Retira-se, mas não desiste. Recolhe-se, mas não se submete.

Olhando para os dois últimos Papas, ficamos com a certeza de que é preciso ter muita ousadia para fazer o que João Paulo II fez. Mas habita-nos também a convicção de que uma não menor coragem é necessária para dar o passo que Bento XVI deu. Afinal, o Papa mostra uma grande força quando assume a sua fraqueza. Quando revela a sua fraqueza com uma enorme franqueza.

 

6. Bento XVI é um homem de hábitos simples e porte frugal. Mas, ao mesmo tempo, é consensualmente reconhecido como um aristocrata do pensamento e um exímio escultor da palavra.

Ele, que sempre quis ser um homem comum, nunca se revelou banal. Nos textos de maior fôlego ou no mais leve improviso, foi sempre capaz de ser brilhante, profundo e acutilante.

 

7. Foi sempre alguém que iluminou com a fé as questões colocadas pela razão. Neste sentido, não se posiciona apenas como um defensor da transcendência ante o excesso de imanência. Também não é somente o advogado do absoluto diante das incursões do relativismo. Acaba por ser igualmente um protector da ciência perante os excessos do cientismo. Ao apontar os seus limites, ajuda-a a reencontrar o seu lugar.

 

8. Daí que até os eruditos que não o seguem como líder religioso o respeitem imenso como um intelectual de primeira grandeza. Basta evocar Jurgen Habermas, Umberto Eco ou Paolo Flores d'Arcais.

Todos eles reconhecem a excelência do pensamento e a excepcionalidade da obra.

 

9. Bento XVI é um arauto da fé e um príncipe da cultura. Não foge às interrogações. Não dribla as respostas.

Deu sempre dimensão pastoral à sua produção teológica. E sempre conseguiu oferecer profundidade teológica à sua acção de pastor. Exemplar!

publicado por Theosfera às 00:44

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