O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012

1. A humanidade reconhece que está doente, mas os seres humanos têm dificuldade em reconhecer a natureza, a profundidade e o alcance das suas doenças. Somos como aqueles pacientes que não se sentem bem. Mas que nada fazem para serem curados nem sequer procuram saber qual é a sua enfermidade.

Javier Aranguren detectou uma tríplice doença no mundo: o ruído, a pressa e o êxito. Não obstante, continuamos afogados em ruído, mantemo-nos em correrias constantes e não desistimos do êxito a todo o custo nem da fama a qualquer preço.

 

2. Mário Vargas Llosa acha que a raiz de tudo está na falta de cultura humanista. Assistimos «a um extraordinário empobrecimento da linguagem e a uma deterioração da comunicação e da racionalidade».

Resultado? «As máquinas pensam por nossa conta. A cultura do ecrã é muito mais conformista, mais letárgica, desmobilizando o espírito crítico».

Talvez sem nos apercebermos, hoje em dia, lemos mais relatórios que livros. Deste modo, limitamo-nos a gerir o presente e não preparamos o futuro.

 

3. É que, «com a literatura, a imaginação desenvolve-se, criando sociedades e mundos melhores, mais justos e mais livres».

A literatura está «sempre a expor-nos às ideias da perfeição, da beleza, da coerência, de uma ordem que não existe no mundo real; nesse sentido, têm servido como o motor do progresso da civilização».

É certo que também se pode ler no ecrã, via net. Mas a experiência dita que não é a mesma coisa. A interacção com o texto parece outra.

 

4. Não se trata de diabolizar a cultura do ver. Mas importa perceber que ler é diferente: é ver duplamente, decuplamente, desmedidamente. Ler é ver com o espírito.

Ver é olhar para as coisas como elas são. Ler acaba por ser olhar para as coisas como elas podem vir a ser!

 

5. A democratização da cultura retirou-lhe alguma exigência, alguma elevação. Muitas vezes, a democratização é confundida com banalização.

Exemplo.É bom que a comida chegue a todos. Mas é mau se a comida que chega a todos não tem qualidade. E pior é se nem sequer estamos em condições de perceber que há comida que não tem qualidade.

 

6. Vargas Llosa pode parecer excessivo, mas não deixa de ser pertinente. O que é a cultura? Talvez tudo. Talvez nada. Quando é tudo, acaba por ser nada. Tanto se chama cultura ao livro, ao pensamento e à arte como ao «pimba» e à mera diversão.

Outrora, era o pensador que sobressaía. Hoje, é o «entretainer», o futebolista e o apresentador televisivo que surgem avassaladoramente. O que conta não é a qualidade, não é a substância. É o espectáculo.

 

7. Vargas Llosa rebela-se: «Seria uma tragédia que a cultura acabasse em puro entretenimento». Mas a frivolidade já triunfou. O vazio tem o espaço ocupado.

No limite, parece não ser possível «saber o que é belo e o que é feio. Nos tempos que correm, classificar alguma coisa de belo é quase uma aberração». Isto sente-se na música, na literatura, na vida cívica em geral. E, mais grave, é que já nem se adverte o estado da decadência.

 

8. O mais valioso não pode ser medido pelas audiências ou pelos aplausos.

Não pode ser o mercado a mandar. Tem de (voltar a) ser o espírito a decidir!

publicado por Theosfera às 19:40

No fundo, quando falamos de verdade, falamos de percepções.

É que, como já avisava Aristóteles, só há uma verdade. «A única verdade é a realidade».

Acontece que a realidade imprime-se no espírito de cada um e é natural que a leitura que se faz dessa impressão seja variável.

A realidade pode ser objectiva. Mas o ser humano é subjectivo.

A aproximação à verdade supõe, por isso, uma purificação, um despojamento.

A verdade mostra-se, desvela-se. É preciso acolhê-la com simplicidade, sem preconceitos!

publicado por Theosfera às 12:30

Julgo que ninguém discordará de Thomas Jefferson quando confessou que «os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos, que pude passar em minha casa, com a minha família».

O povo, na sua sageza chã, diz que «boa festa faz quem em sua casa está em paz».

E, de facto, precisamos muito (diria: imenso) de interioridade. Estamos descompensados por dentro. E é por isso que andamos descontrolados por fora.

Apenas uma leve precisão.

No fundo, a nossa casa não é só a nossa casa e a nossa família não é unicamente a nossa família.

A nossa casa é o mundo. A nossa família é toda a humanidade.

Foi esta a mensagem de Jesus quando veio até nós!

publicado por Theosfera às 12:23

Tácito disse o óbvio, mas nem por isso deixa de ser necessário.

É que, às vezes, o mais óbvio passa por ser o mais esquecido. Afirmou então o preclaro escritor: «Todas as coisas que hoje se crêem antiquíssimas já foram novas».

Grande lição e enorme ilação.

De facto, todas as coisas novas passarão um dia a antigas e, nessa medida, hão-de ser sucedidas por outras mais novas.

O que é novo não pode despedaçar o que é antigo. Até porque se o antigo não existisse como é que poderia haver o novo?

Afinal, é bem capaz de ser como dizia Lord Byron: «As novidades agradam menos do que impressionam».

No fundo, gostamos das novidades enquanto elas não aparecem nem nos incomodam.

Mudar é mais difícil do que parece. Mas também é mais urgente do que imaginamos!

publicado por Theosfera às 12:12

Hoje, 26 de Dezembro (segundo dia da Oitava de Natal), é dia de Sto. Arquelau, Sto. Estevão (protomártir) e Sta. Vivência Lopes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 06:25

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