O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

 

1. Ainda nos seus começos, o Ano da Fé presenteia-nos, desde já, com duas certezas.

A primeira é que a Fé não há-de ser apenas para este ano. E a segunda é que este ano não pode ser apenas de fé.

 

2. A fé é para toda a vida e não somente para um ano na vida. E este ano, para revitalizar a fé, tem de nos ajudar a perceber que a fé nunca pode ficar só pela fé. A fé nunca é fé só na fé. A fé só é fé pelo amor. A fé será sempre fé no amor.

 

3. A fé não nos remete unicamente para a existência de Deus. A fé remete-nos sobretudo para o ser de Deus. E o ser de Deus é amor. Só amor. Nada mais que amor.

Para falar de Deus, Sto. Agostinho nunca saiu deste registo. Para ele (e para muitos com ele), o Pai é o amante, o Filho é o amado e o Espírito Santo é o amor.

 

4. Crer em Deus é muito mais do que acreditar que Deus existe.

Crer em Deus é acreditar que Deus ama, que Deus existe porque ama, que Deus existe para amar. Crer em Deus é acreditar que Deus é amor (cf. 1Jo 4, 8.16).

No fundo, crer em Deus é crer no amor. Consequentemente, crer é amar e amar é crer. Quem não crê raramente ama e quem não ama dificilmente crê.

Entende-se, assim, que a profissão de fé do povo eleito não seja introduzida pelo verbo crer, mas pelo verbo amar. «Amarás o Senhor, Teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Deut 6, 4-9).

 

5. A fé reclama a totalidade do ser. Exige a razão, mas requer muito mais que a razão. Nem sempre a razão tem amor. Mas o amor acaba sempre por ter razão. O amor consegue ver mais do que a razão.

Pertinente foi Óscar Wilde quando escreveu que «o amor é mais sábio que a sabedoria».

 

 

6. S. Paulo reconhece — e proclama — que o lugar da fé é o amor (cf. Gál 5, 6). É por isso que, como lembrava Hans Urs von Balthasar, «só o amor é digno de fé». É o amor que torna credível a fé.

 

7. Enzo Bianchi avisa: «O crente não deveria levantar apenas o problema dos motivos do seu crer, mas também o problema dos seus frutos». E o maior fruto da fé é o amor.

Daí que este Ano da Fé tenha de ser também (e intensamente) o Ano do Amor. Como refere Pedro Laín Entralgo, a fé desagua necessariamente no amor: num amor constante e num amor instante.

É o amor que nos faz ver que cada homem está rodeado de «outros como ele» e não apenas de «outros para além dele».

 

8. Passa por aqui o maior legado daquele que Bartomeu Benassar denominou «o Deus humaníssimo de Jesus».

E o certo é que o amor fez mais pela difusão do Evangelho do que os maiores tratados de Teologia. Tertuliano, um dos escritores cristãos mais antigos, notava que os outros, olhando para os cristãos, diziam: «Vede como eles se amam»! Ou seja, vede como eles vivem o que crêem.

 

9. O amor é o ápice da fé. É pelo amor entre as pessoas que se autentica o amor a Deus. Como recorda Karl Rahner, «o amor para com o próximo é o modo concreto de pormos em prática o amor para com Deus».

 

10. No seu recente livro O triunfo do Cristianismo, o sociólogo da religião Rodney Stark pergunta: «Como foi possível que uma obscura seita judia se tenha tornado na maior religião do mundo?» E a resposta é inequívoca. O sucesso do Cristianismo deveu-se sobretudo à vivência do amor.

Daí que Juliano, ao abandonar a Igreja, tenha declarado que da religião cristã só queria conservar uma coisa: o amor!

E deste modo não estaria, afinal, a manter a fé?

publicado por Theosfera às 18:53

É triste, mas é um facto. Nem sempre queremos aprender com a experiência.

Nem sequer mostramos vontade de aprender com os erros. Nota-se, por vezes, uma estranha atracção pelo abismo.

Quanto menos uma coisa resulta, maior é a tendência para a repetir. Instintivamente é assim.

Quando uma reunião é improdutiva, marca-se outra reunião.

Quando uma greve não alcança os objectivos, agenda-se outra greve.

Não admira, pois (embora nos entristeça), o que está à nossa vista.

A austeridade já provou que não resolve.

Consequência?

Anunciam mais austeridade, cada vez mais austeridade!

publicado por Theosfera às 09:47

No que concerne ao dinheiro, há um desencontro insanável entre poder e dever.

A vida, com a sua sapiência irrebatível, diz que quem pode não deve e quem deve não pode.

Quem tem possibilidades não tem dívidas. Quem tem dívidas raramente tem possibilidades.

Os líderes deviam perceber isto com muita nitidez e actuar em conformidade.

O enfoque obsessivo na dívida está a ter proporções assustadoras. No limite, está a limitar pessoas e povos, que, deste modo, não conseguem meios sequer para saldar o que devem.

É que, no fundo, são os que menos podem que continuam a ser sobrecarregados.

As dívidas dos povos são da responsabilidade de alguns. Mas o seu pagamento é remetido a muitos: aos que menos podem!

publicado por Theosfera às 09:46

Para os homens do poder, os outros não são importantes.

Charles de Gaulle não hesitou em afirmar: «Os homens não são importantes. O que conta é quem os comanda».

Para os poderosos, o que conta são as suas ideias, os seus desígnios, as suas decisões.

O problema é que tudo não interfere apenas com eles; interfere com os outros.

Mas o problema maior é que somos nós quem, muitas vezes, escolhe quem (não) cuida de nós, quem, no fundo, não quer saber de nós! A não ser, porventura, nas eleições!

É preciso olhar para a pessoa como pessoa. A pessoa é que vale. A pessoa é que conta!

publicado por Theosfera às 09:34

Desta noite sobra, além do sono e talvez do tédio, uma entrevista, não uma esperança.

A austeridade, nas palavras de quem governa, terá vindo para ficar e até para se estender.

A educação, pelos vistos, deixará de ser gratuita. Mas, atenção, ela já não é gratuita. Ela é paga com os impostos. Irá ser paga também com uma taxa?

Imposto atrai imposto.

 Vivemos na redundância. Anelamos por um sopro de novidade.

Quando o frio começa a apertar, não há nenhuma ideia refrescante?

publicado por Theosfera às 06:05

Hoje, 29 de Novembro, é dia de Sto. Avelino Rodriguez, S. Frederico de Ratisbona, S. Dionísio da Natividade e S. Redento da Cruz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 06:04

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