O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012

1. Muito se lamenta, hoje em dia, a agitação exterior. E, no entanto, pouco se alimenta, hoje em dia, o aprofundamento interior.

Gostamos de sair: de sair de casa, de sair de nós. Mas é importante também saber entrar: entrar em nós e, a partir de nós, entrar nos outros.

 

2. É cada vez maior a propensão para transportar o frenesim do quotidiano para a oração em vez de transportar a paz da oração para o quotidiano.

Se repararmos, até o orar está tolhido pela pressa, pela pressão. Dificilmente nos sentamos e raramente nos ajoelhamos.

Não escutamos quem, afinal, está no nosso íntimo. Na oração, falta esperar. Lutero tinha dito que «quanto menos palavras, melhor». O importante é escutar: escutar a palavra e escutar o silêncio que nos traz a Palavra!

 

3. Confesso que, às vezes, me assusto com a determinação, isenta de qualquer dúvida, dos que falam sem escutar. Dos que falam de Deus sem se disporem a escutar Deus. Dos que agem em nome de Deus. Dos que julgam em nome de Deus. Dos que condenam em nome de Deus.

Parece que têm uma «linha directa». Parece que Deus está totalmente neles em vez de serem eles a procurar estar em Deus. Deviam ouvir, todos esses, o apelo de Shakespeare: «Dobrai-vos, joelhos teimosos»!

 

4. A melhor oração não é aquela em que não damos conta de mais nada. A melhor oração é aquela que nos ajuda a dar conta de tudo.

Abel Herserg assinala que um rabino viu que o seu filho estava em profunda oração. Nem dava conta de um bebé que chorava.

«Filho, não ouves?». Responde o filho: «Pai, eu não ouvi porque estava mergulhado em Deus». Replicou o rabino: «Meu filho, quando mergulhamos em Deus, até vemos uma mosca a andar pela parede».

Se Deus está em tudo, estar em Deus significa procurar encontrá-Lo em tudo!

 

5. Como é óbvio, podemos pedir coisas a Deus. Mas a essência da oração não é pedir; é unir. E, no entanto, já George Bernard Shaw reconhecia que «a maior parte das pessoas não reza; só pede.

É preciso ir mais longe. S. Francisco de Assis defendia que, «quando rezamos, não devemos estar à espera de nada». Acrescentaria que, quando rezamos, devemos estar preparados para tudo. Devemos, nomeadamente, estar preparados para, em tudo, nos unirmos Àquele que nos conduz a Deus: Jesus.

 

6. Um jovem monge fez um longo caminho pelo deserto para visitar um grande santo.

Quando regressou, perguntaram-lhe: «Porque é que fizeste todo este caminho? Foste fazer alguma pergunta ao santo?» «Não» — respondeu o jovem. «Foste pedir algum favor espiritual?» «Também não». «Então, que foste fazer?» «Fui vê-lo bebericar a sua sopa!»

A oração é isto: procurar Deus, procurar ver como é Deus.

 

7. Não devemos rezar para que Deus faça um mundo à nossa medida. Essa tarefa cabe-nos a nós. Devemos rezar para aprender a viver rectamente no mundo tal como ele é. E Deus aparecer-nos-á em cada espaço, em cada tempo e sobretudo em cada pessoa desse mundo.

Daí o conselho de Maomé: «Para onde quer que te vires, aí encontrarás a face de Deus». Ele surge, muitas vezes, como a ausência escondida em muitas presenças. E desponta, não raramente, como a presença incluída em muitas ausências.

 

8. É por isso que a oração é um mistério de encontro, que percorre até os nossos próprios desencontros.

Como dizia Gandhi, «a oração é a chave da manhã e o ferrolho da noite». Com ela acordamos. Com ela adormecemos. Nela repousamos!

publicado por Theosfera às 22:12

São muitas as vezes em que fazemos de Deus um expediente, um recurso, uma solução.

E é com este espírito que nos aproximamos d'Ele. Com uma aflição, uma súplica, um pedido, uma lágrima, uma esperança.

Deste modo, chegamos a uma igreja e logo soltamos o que nos preocupa, colocamos uma flor, acendemos uma vela e...vamo-nos embora.

Era bom que olhássemos para Deus não como um expediente, mas como uma presença.

Ele é a presença. Ele é a constante. Nas horas de alegria. Nas horas de pesar.

Era bom que sentíssemos essa presença discreta, silenciosa, subtil.

E que belo seria entrar numa igreja e nada dizer. Apenas ajoelhar. E, depois, sentar. E ouvir. E escutar. E acolher!

publicado por Theosfera às 18:59

Muito estranha é a solidão. Diria quase enigmática.

Não gostamos dela. Fazemos tudo para a evitar.

Mas o certo é que, quando tudo falta, ela não falha.

A solidão está sempre pronta para nos acompanhar. Estaremos nós preparados para a acolher?

Charles de Gaulle achava que a solidão era a companhia dos grandes homens.

E Miguel Torga (que, se fosse vivo, faria 105 anos no Domingo) confessava ter conquistado a liberdade, a duras penas, na companhia da solidão.

Mistérios que a vida tece.

De uma coisa, porém, não duvide. Quando todos o deixarem (tantas vezes isso acontece), a solidão não o abandonará.

E verá que até consegue conviver bem com ela!

publicado por Theosfera às 16:12

«Quem te aconselha em vez de te ajudar não é bom amigo».

Giovanni Croce tem razão.

Um conselho é importante. Mas não é tudo.

Que importa tecer encómios à comida se não se dá pão a quem tem fome?

Os gestos valem mais que as palavras. Os gestos são a linguagem da vida!

publicado por Theosfera às 11:17

Blaise Pascal foi muito subtil quando reconheceu: «Todas as boas máximas se encontram no mundo: só falhamos ao aplicá-las».

Não temos necessidade de inventar mais palavras.

Só temos necessidade de olhar para as melhores e de as pôr em prática.

Esta é a altura de agir. É o momento de a vida falar!

publicado por Theosfera às 11:16

Paul Valéry, muito provavelmente, tem razão quando assinala: «Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a humidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo»!

publicado por Theosfera às 11:15

Hugo Hofmannsthal apercebeu-se de um paradoxo: «Os caracteres simples, não os complexos, são difíceis de entender».

Decididamente, não estamos muito orientados para a simplicidade.

Mas é pena. A simplicidade é sublime!

publicado por Theosfera às 11:14

Thomas Fuller confessou: «Mais vale uma paz magra do que uma vitória gorda».

Concordo.

A vitória em que Fuller pensa é a vitória sobre alguém, contra alguém.

Mas a verdadeira vitória não é essa. É a da paz que evita a guerra. É a da paz que congrega, que junta, que (se) alarga a tudo e a todos: aos consensuantes, mas também aos discrepantes!

publicado por Theosfera às 11:13

Muito se fala de Jorge Amado, que neste dia faria cem anos.

Muitos o conhecem mais por causa do que viram do que por causa do que leram.

Algumas das suas obras foram vertidas para a televisão.

Gostava do Brasil, mas amava também Portugal.

Sinalizou este duplo amor de uma forma muito curiosa: «Deus nasceu no Brasil, mas emigrou para Portugal»!!!

publicado por Theosfera às 11:12

O progresso é uma coisa recente. E, hoje em dia, não temos a certeza de que seja uma coisa totalmente boa.

Sabemos o que o progresso nos tem dado. Mas não estamos em condições de saber para onde o progresso nos leva.

Em muitos aspectos, sentimo-nos não a progredir, mas a regredir.

Na nossa vida, isto é traumático. Na história do mundo, não é nada inédito.

Durante milhares de anos, não houve praticamente progresso no nível de vida.

A revolução industrial marcou a diferença. Nos últimos 150 anos, o rendimento «per capita» na Europa foi multiplicado por dez. Mas nestes doze anos, estagnou.

Não sabemos o que vai acontecer. Mas temos obrigação de saber que a humanidade já viveu muito tempo sem progresso material. E nem assim desapareceu.

Não foi a ausência de progresso que fez desaparecer a humanidade!
publicado por Theosfera às 11:06

Hoje, dia 10 de Agosto, é dia de S. Lourenço e Sta. Filomena.

Refira-se que S. Lourenço é invocado contra o lumbago e os incêndios. É também o protector das bibliotecas. É ainda o padroeiro dos cozinheiros e dos hospedeiros.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:10

Uma oração que levasse à indiferença perante a realidade não seria oração. Seria alienação.

Os grandes mestres sempre souberam aliar a espiritualidade e a solidariedade.

Sobre eles ecoou certamente o preceito recordado por S. João: «Quem ama a Deus, ame também a seu irmão»(1Jo 4, 21).

A melhor oração não é, pois, aquela em que não damos conta de mais nada. A melhor oração é aquela que nos ajuda a dar conta de tudo. Até do silêncio.

Abel Herserg assinala que um rabino viu que o seu filho estava em profunda oração. Nem dava conta de um bebé que chorava.

«Filho, não ouves?». Responde o filho: «Pai, eu não ouvi porque estava mergulhado em Deus». Replicou o rabino: «Meu filho, quando mergulhamos em Deus, até vemos uma mosca a andar pela parede».

A oração é o zénite da atenção.

Se Deus está em tudo, estar em Deus significa procurar encontrá-Lo em tudo!
publicado por Theosfera às 00:21

Jesus disse que podemos pedir coisas a Deus. Mas a essência da oração não é pedir; é unir.

E, no entanto, já George Bernard Shaw reconhecia que «a maior parte das pessoas não reza; só pede.

É preciso ir mais longe. S. Francisco de Assis defendia que, «quando rezamos, não devemos estar à espera de nada». Acrescentaria que, quando rezamos, devemos estar preparados para tudo. Devemos, nomeadamente, estar preparados para, em tudo, nos unirmos Àquele que nos conduz a Deus: Jesus.

Um jovem monge fez um longo caminho pelo deserto para visitar um grande santo.

Quando regressou, perguntaram-lhe: «Porque é que fizeste todo este caminho? Foste fazer alguma pergunta ao santo?» «Não»-respondeu o jovem.

«Foste pedir algum favor espiritual?» «Também não».

«Então, que foste fazer?» «Fui vê-lo bebericar a sua sopa!»

A oração é isto: procurar conhecer Deus, como é Deus.

O orante é, pois, aquele que se senta e que olha, em silêncio, para Ele!

Não devemos rezar para que Deus faça um mundo à nossa medida. Essa tarefa cabe-nos a nós. Devemos rezar para aprender a viver rectamente no mundo tal como ele é.
publicado por Theosfera às 00:17

A juventude não é uma indicação de idade.

A juventude não é um exclusivo dos jovens. Há muita juventude nos mais idosos.

E um sorriso não deixa de ser belo por assomar a um rosto desgastado pelas canseiras, mas pujante pela energia, pela persistência, pela coragem, pela fé!

publicado por Theosfera às 00:15

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