O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 09 de Agosto de 2012

1. Muita gente se espanta por, apesar da crise, as festas se manterem com apreciável pujança e volumosos orçamentos.

Pode haver uma ligeira descida nos gastos, mas na substância não se notarão muitas oscilações.

 

2. É comum responder-se que o povo tem necessidade de festas. E, numa altura como esta, tal necessidade será ainda mais intensa.

O quotidiano é demasiado duro. Uma breve descompressão no Verão será, por isso, bem recebida. Daí os divertimentos e até os excessos «à custa» da Virgem Maria e dos Santos.

 

3. Acontece que, em tempos recuados, o quadro era semelhante. Na Idade Média, apesar da rigidez dos costumes, havia festas que ultrapassavam, em muito, os excessos actuais.

Basta pensar na chamada «festa dos tolos»(festum fatuorum). Decorria nos últimos quatro dias do ano e incluía não só actos profanos mas também a paródia de actos sagrados.

Havia clérigos que jogavam aos dados em cima do altar, envolviam-se em concursos de bebida, entoavam orações com arrotos, brincavam aos sermões, viravam os livros sagrados de pernas para o ar ou rezavam a vegetais. E mais não digo porque até eu me escandalizei quando, pela primeira vez, tomei conhecimento destes factos.

 

4. O mais curioso é que a comunidade intelectual dava uma justificação (quase metafísica) para estes desmandos.

Com efeito, em 1445, a Faculdade de Teologia de Paris defendia que era importante que «a loucura, que é a nossa segunda natureza, se pudesse esgotar livremente pelo menos uma vez por ano».

Invocava-se, de seguida, um termo de comparação que permitia extrair um argumento poderoso: «Os barris de vinho rebentam se não os abrimos de vez em quando para entrar algum ar». Surge, então, a conclusão: «Todos nós, homens, somos barris mal montados e é por isso que permitimos a loucura em determinados dias para, no fim, podermos voltar com maior zelo ao serviço de Deus»!

 

5. Tantos séculos depois, será que mudamos? Será que crescemos?

Será que a loucura continuará a ser a nossa segunda (ou, como alguns julgarão, a primeira) natureza? Será que a alegria não pode ser emoldurada com um manto de compostura e comedimento?

Sendo os excessos emocionalmente tão desgastantes e financeiramente tão dispendiosos, porquê todo este investimento neles?

 

6. Os programas de muitas das nossas romarias mostram como se passa, num horizonte temporal muito breve, de um acto de oração a uma noite inteira de diversão.

Para muitos, existe uma unidade entre aquilo que, à partida, é deveras contrastante. Supostamente, tudo é em honra do santo padroeiro: não só a Missa e a procissão, mas também o arraial, a farra e as bebidas. Para muitas pessoas, tudo faz parte da única festa.

 

7. Impressiona, de facto, que não haja o mais leve senso crítico. E que, na maioria das festas, a aposta na diversão corresponda a um esquecimento da solidariedade. Toda a gente parece muito satisfeita.

Só que a eficácia da oração não está na satisfação. Está, sim, no compromisso.

Aliás, já D. Óscar Romero apontava o critério decisivo acerca da qualidade da oração: «Como é que eu trato os pobres? Porque é neles que Deus está».

 

8. O compromisso com os pobres desponta, pois, como o grande cinzel da fé. A oração vacina-nos ante o perigoso (mas tão insinuante) contubérnio com os poderosos.

A oração é encontro com o grande Pobre de Nazaré. Do Pobre para os pobres — eis, em síntese, o movimento que se espera de todo o crente!

publicado por Theosfera às 22:37

A eficácia da oração não está na satisfação. Está, sim, no compromisso.

D. Óscar Romero, o arcebispo mártir de S. Salvador, aponta o critério decisivo acerca da qualidade da oração.

Para ele, a qualidade da oração passa por aqui: «Como é que eu trato os pobres? Porque é neles que Deus está».

O compromisso com os pobres desponta, pois, como o grande cinzel da espiritualidade.

A oração vacina-nos ante o perigoso (mas tão insinuante) contubérnio com os poderosos.

A oração é encontro com o grande Pobre de Nazaré.

Do Pobre para os pobres, eis, em síntese, o movimento que se espera de todo o crente!

publicado por Theosfera às 10:15

Para fora. Para dentro. Para cima. Para baixo. «Para onde quer que te vires, aí encontrarás a face de Deus».

Maomé estava certo. Deus é a face que se encontra em todos os rostos.

Ele surge, muitas vezes, como a ausência escondida em muitas presenças. E desponta, não raramente, como a presença incluída em muitas ausências.

É por isso que a oração é um mistério de encontro, que percorre até os próprios desencontros.

Como dizia Gandhi, «a oração é a chave da manhã e o ferrolho da noite».

Com ela acordamos. Com ela adormecemos. Nela repousamos!

publicado por Theosfera às 10:13

Ludwig Borne deu conta: «Nada é tão duradouro como a mudança».

De facto, tudo muda. Tudo muda mesmo depois de mudar.

Até o mudar mudou, dizia Bernardim Ribeiro.

E quando parece que tudo acaba, apercebemo-nos de que, afinal, tudo está a (re)começar!

publicado por Theosfera às 09:51

Há líderes que invocam méritos que não têm e que atribuem culpas que lhes cabem.

Inácio Dantas fez a distinção fundamental: «O chefe incomum, quando dá uma ordem errada, assume a culpa pelo erro; o comum atribui o erro ao executor»!

publicado por Theosfera às 09:50

Aldous Huxley bem se apercebeu: «Uma verdade sem interesse pode ser eclipsada por uma mentira emocionante».

Nós tendemos a ligar mais às emoções do que à verdade. Mas, mesmo que não pareça emocionante, a verdade é sempre o valor maior!

publicado por Theosfera às 09:49

Um corpo são é uma boa ajuda para manter a mente sã.

Os antigos já o sabiam: «Mens sana in corpore sano».

O curioso é que uma recente investigação confirma a percepção dos clássicos.

Segundo o estudo, os alunos que fazem exercício físico obtêm melhores resultados escolares!

publicado por Theosfera às 09:47

Viver é arriscar.

Quando se arrisca, há a possibilidade de perder. Mas o risco é a única possíbilidade que existe de se vir a ganhar.

Os antigos já diziam que «a sorte protege os audazes». E, mais recentemente, Edward Gibbon verteu com agudeza: «O vento e as ondas estão sempre ao lado dos melhores marinheiros»!

publicado por Theosfera às 09:44

Hoje, 09 de Agosto, é dia de Sta. Teresa Benedita da Cruz (nome religioso da filósofa Edith Stein), S. Carlos Maria Leisner, S. Samuel de Edessa e S. João de Fermo ou da Alvérnia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:09

Da universidade para o convento e do convento para o campo de concentração.

 

Assim pode ser condensado o percurso de uma das mulheres mais brilhantes do último século.

 

Edith Stein, transfigurada em Teresa Benedita da Cruz, investiu tudo na procura da verdade. Ao encontrá-la, mudou a vida, mudou de vida.

 

Deixou de ser discípula de um dos mais brilhantes filósofos do seu tempo para se tornar apóstola do mestre de todos os tempos.

 

De Husserl a Jesus, Edith Stein cresceu na sabedoria e desaguou na santidade.

 

Três anos antes do lançamento da segunda bomba atómica, esta mulher exalava o seu último suspiro.

 

Mas nem a morte apagou o rasto da sua vida.

publicado por Theosfera às 00:09

A segunda bomba atómica foi lançada neste dia. Há 67 anos. «Ontem», portanto.

Que tenha sido a última vez.

Este é o nosso desejo. Mas poderá ser a nossa certeza?

publicado por Theosfera às 00:08

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