O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

Hoje, 23 de Julho, é dia de Sta. Brígida (Padroeira da Europa), Sto. Apolinário, Sta. Cunegundes e S. Nicéforo e seus Companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:11

1. Um dos indicadores que os nossos tempos mostram é a crescente capitulação da palavra perante a realidade.

Já sabíamos que a realidade é forte. O que não suspeitávamos é que se a palavra se mostrasse tão fraca.

Hoje em dia, a palavra quase sempre vai atrás dos factos, (in)devidamente domesticada diante do império da realidade.

 

2. À partida, é estranho que, num tempo em que se fala tanto, se especule acerca de uma crise da palavra.

É possível que o problema radique precisamente aí, ou seja, na banalização da palavra, na instrumentalização da palavra.

A ruidosa proliferação de palavras parece ter-lhes retirado capacidade de intervenção. Parece ter-lhes subtraído os créditos que costumavam pontuar a sua actuação. Tudo parece reduzido a sons sem efeito.

 

3. A palavra, geralmente, resigna-se a justificar a realidade. Vê-se impotente para a transformar. Sente-se até incapaz de a explicar.

Limita-se a descrevê-la com a (inevitável) adenda de que «não há alternativa».

Seja a austeridade, seja o desemprego, seja até a corrupção, o tom não oscila muito. O que a palavra, em forma oral ou escrita, nos assegura é que tem de ser assim. Ou, o que é mais espantoso, que sempre foi assim.

 

4. Isto é preocupante e profundamente empobrecedor. É que as grandes transformações ocorreram quando a palavra alterou o curso de ocorrências que pareciam irreversíveis.

Veja-se, a título de exemplo, a segunda guerra mundial. Os factos apontavam numa direcção. Mas a pertinácia da palavra (sobretudo) de Churchill alterou o rumo dos acontecimentos e fez inverter o decurso da história.

 

5. Esta degola da palavra, a que assistimos hoje, só será superada com pessoas que acreditem, que tenham esperança e que nunca se submetam. Os factos são teimosos. Mas a teimosia dos factos pode ser vencida!

Dir-se-ia que a realidade da palavra não pode manter-se submissa no contacto com a palavra da realidade. Não podemos continuar a subestimar a força da palavra.

 

6. George Steiner não se revê nestes tempos «epilológicos», nestes tempos de «pós-palavra». Não se trata do desaparecimento da palavra, mas da sua crescente subalternidade.

A palavra como que se submete, limitando-se a anotar, a aplaudir.

 

7. Os vencedores são sempre apontados como modelos, como critérios, alcandorados ao estatuto de norma e de padrão.

O êxito é a medida. Não se escrutinam os métodos. Não se questionam as atitudes. A história continua a ser feita a partir de cima.

 

8. A palavra não devia ter apenas uma função notarial, passiva. Ela devia apostar numa missão mais interventiva, mais performativa.

Eu sei que é difícil. Mas, por muito estranho que pareça, a palavra tem uma força que pode alterar muitos factos.

 

9. Actualmente, o pensamento tende a ser cada vez mais descritivo e cada vez menos criativo.

As soluções quase reproduzem (para não dizer que alastram) os problemas.

O sistema educativo tem um papel preponderante. A cultura humanista deve caldear a totalidade do ensino. As especialidades são importantes, mas precisam de ser animadas por uma abertura ao geral.

 

10. Não basta ler bem a realidade. É fundamental procurar transformá-la. E, além de soluções, carecemos de horizontes. São eles que nos farão (re)viver.

Faz falta quem acredite na palavra. Temos saudades da força da palavra. Estamos saturados do ruído de muitas palavras...

publicado por Theosfera às 00:30

Domingo, 22 de Julho de 2012

O conhecimento é, sem dúvida, uma grande forma de saber. Mas a mais alta sabedoria não vem do conhecimento.

Segundo Oscar Wilde, vem do amor: «O amor é mais sábio que a sabedoria».

Jesus, o Mestre dos mestres, aparece-nos neste Domingo, cheio de compaixão pelos famintos, pelas ovelhas sem pastor.

Ele não é o que teoriza. É o que (Se) dá. Inteiramente. Amorosamente. Omni-amorosamente!

publicado por Theosfera às 20:21

Quem são os maiores educadores? Os que mais sabem? Os que melhor ensinam?

Diria que os maiores educadores são aqueles que mais conseguem fazer transparecer o que são.

Os maiores educadores são transparentes como espelhos.

Os maiores educadores falam sem falar. Falam com o exemplo. Educam como que por osmose. Jacques Maritain disse que «os maiores educadores são os santos». São aqueles que realizam na vida o que encontramos nos livros.

Ainda há muitos santos neste mundo!

publicado por Theosfera às 19:07

Desengane-se quem achar que basta ter razão para vencer. Há tantos com razão que nunca vencem. Há tantos vencedores sem razão.

Albert Camus confessa ter sido em Espanha que a sua geração «compreendeu que se pode ter razão e ser derrotado».

Mas não há vitória que pague a convicção. Mesmo perdendo fora, nunca nos sentimos derrotados por dentro.

Uma pessoa com um ideal vale mais que milhares com armas!

publicado por Theosfera às 19:06

O mundo precisa tanto de uma revolução que nem se aperceberá da revolução que está em curso. Ou, melhor, de quatro revoluções que estão em marcha.

Jean-Claude Guillebaud enumera-as. Trata-se da revolução económica; da revolução numérica e cibernética; da revolução genética; e da revolução ecológica.

Que ninguém se demita de ter uma intervenção positiva no decurso desta (quádrupla) revolução!

publicado por Theosfera às 19:05

É certo que as palavras revelam. Mas, muitas vezes, também ofuscam e podem obscurecer.

Há palavras que condicionam. Por exemplo, quando pretendem descrever o futuro.

Marcel Proust deixou o aviso: "Às vezes, sem o sabermos, o futuro está em nós, e as nossas palavras supostamente mentirosas descrevem uma realidade que está próxima». Ou até distante!

publicado por Theosfera às 19:04

A vida da Igreja, como sucede certamente com quase tudo, é feita de muitas presenças e de bastantes ausências.

Num olhar de relance, notamos que na Igreja estão presentes normas, regras, práticas, hábitos, costumes, tradições, imposições, riquezas, anjos e também demónios.

A respeito destes últimos aliás, é assustadoramente espantosa a recorrência de livros, de conferências, de preconceitos, de certezas e de quase nenhumas dúvidas.

Isto diz muito do depauperamento do nosso interior colectivo e da forma como nos deixamos guiar pelo negativo.

Parece que, para alguns, a Igreja é mais «demonocêntrica» que «teocêntrica».

Parece que, para não poucos, o medo do demónio é maior que o amor de Deus.

É tudo muito estranho, quase deprimente.

E é assim que aquilo que, na Igreja, devia resplandecer como mais presente se arrisca a pairar como maior ausência: Deus, o Espírito, a paz, a bondade, a compaixão, a humanidade.

Quando alguns me dizem que têm de sair da Igreja para (re)encontrar Deus, eu questiono, questiono-me.

Deus está certamente na Igreja. Mas, em Igreja, nem sempre O deixamos ver. Quase O «abafamos» com a nossas gritarias, com os nossos interesses.

Deixemos que as pessoas «respirem» Deus.

Façamos da «eclesiosfera» uma refrescante «teosfera»!
publicado por Theosfera às 19:01

 

É costume dizer-se (repetidamente!) que a Igreja tem de sair da sacristia.
Eu penso que é tempo de revalorizar a importância simbólica da sacristia como lugar de passagem e também de preparação.
De facto, o nosso lugar não pode ser na sacristia.
É importante que, na sacristia, nos saibamos preparar para a celebração no templo e para a vivência no tempo.
É igualmente hora de reabilitar o valor simbólico do adro, essa instância que faz a transição entre o santuário e o quotidiano, entre a oração e a acção, entre a contemplação e a missão.
É necessário que a Igreja aposte em formas de envolver todas as pessoas em todas as decisões. Habituámo-nos a olhar para as figuras da Igreja como as pessoas a que levamos, em privado, os problemas pessoas.
É preciso que também as encaremos como aqueles com quem partilhamos, em público, o que nos é comum. As pessoas têm necessidade de ser escutadas.
Há temas que merecem ser debatidos. Era bom que houvesse um dia por semana (ou por mês) em que todos se encontrassem para orar, para acolher, para debater, para decidir, para participar.
Era bom que todos pudessem ter uma palavra acerca de tudo!

É bom que a Igreja continue a fazer uso do púlpito. Mas é importante que também se habitue a usar o adro.

Do púlpito um fala para todos. No adro todos falam com todos, todos escutam todos!

E a escuta, hoje, é decisiva!

publicado por Theosfera às 18:58

Neste tempo de férias,

pensamos, Senhor, naqueles que estão a repousar

e lembramos aqueles que não podem sequer descansar.

 

Neste tempo de contrastes,

pensamos naqueles que estão a trabalhar

e lembramos aqueles que nem sequer conseguem encontrar trabalho,

nem pão, nem casa.

 

Tu, Senhor, queres o nosso descanso.

Tu, Senhor, és o nosso descanso.

 

Como há dois mil anos,

Tu convida-nos a descansar,

a descansar conTigo,

a descansar em Ti.

 

Tu fazes-nos descansar quando nos ensinas.

Tu fazes-nos descansar quando nos acompanhas.

Tu fazes-nos descansar quando nos envolves com a Tua compaixão,

com o Teu amor, com a Tua infinita paz.

 

Dá-nos, Senhor, pastores como Tu,

que apascentem as ovelhas como Tu,

que dêem a vida como Tu.

 

Dá-nos, Senhor, pastores sem medo.

Dá-nos, Senhor, pastores com coragem.

 

Dá-nos Senhor, pastores que falem

e sejam a voz dos que não têm voz.

 

 

Dá-nos, Senhor, pastores que acalentem os anseios dos pobres e dos simples.

Dá-nos, Senhor, pastores que, como Tu, nos conduzam

e orientem os nossos passos pelos caminhos da verdade e da vida.

 

Dá-nos, Senhor, pastores que sejam fermento de paz e reconciliação.

Que apaguem os fogos da miséria e da violência

e que acendam as chamas do perdão, da justiça e da esperança.

 

Fica connosco, Senhor,

como ficaste com os Teus discípulos quando a barca parecia afundar-se na tempestade.

 

Dá-nos luz para vermos que só Tu és a vida, a paz e tranquilidade

mesmo que tudo ameace ruína.

 

Ensina-nos, Senhor, a perdoar e a pedir perdão,

a amar e a sermos amados,

a louvarmos as virtudes e a sermos tolerantes com os defeitos e os limites.

 

Fica connosco, Senhor.

Sê Tu mesmo o nosso confidente,

a nossa praia e o nosso passeio dominical,

o nosso travesseiro e o nosso sonhar.

Sê Tu mesmo, hoje e sempre,

o nosso amanhecer e o nosso acordar.

 

Queremos viver em Ti.

Queremos amar em Ti,

sorrir para Ti, chorar conTigo.

 

Queremos ir sempre ao Teu encontro,

toda a vida, hora a hora,

até que, um dia, Tu nos chames

e nos convides a repousar definitivamente

e a permanecer em Ti para sempre,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:37

Hoje, 22 de Julho, XVI Domingo do Tempo Comum, é dia de Sta. Maria Madalena e Sto. Agostinho Fangi.

Refira-se que Sta. Maria Madalena é invocada como padroeira dos vendedores de perfumes, dos surradores de peles finas, dos luveiros e dos arrependidos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:05

Sábado, 21 de Julho de 2012

Sabemos que morrer é parar. Mas será que, como diz o povo, «parar é morrer»?

Eu diria que nem sempre.

Parar pode não ser, necessariamente, morrer.

Parar pode ser uma oportunidade para andar por onde habitualmente não andamos.

Parar pode ser uma soberana oportunidade para andar por dentro, pelo fundo, pelas raízes, pelo coração, pela alma, pelo sonho!

publicado por Theosfera às 22:34

O nosso problema é que o mundo já tem demasiado passado. E é por isso que, muitas vezes, tendemos a olhar o futuro com a sua continuação. Ou até como o seu agravamento.

Kurt Vonnegut pergunta: «O que pode um homem ponderado esperar para a humanidade na terra, tendo em conta a experiência do último milhar de anos?»

A resposta é cortante: «Nada». De facto, do passado não podemos esperar muito.

Quero, porém, continuar a crer que o futuro nos pode dar muito. Ou, pensando melhor, nós é que temos o dever de dar tudo no futuro, de dar tudo ao futuro!

Eis uma responsabilidade enorme. Eis uma missão bela!

publicado por Theosfera às 16:37

José Hermano Saraiva era dotado não só de grandes dotes comunicacionais, mas também de uma prodigiosa imaginação.

Conta ele que, sendo Ministro da Educação e querendo aumentar o salário dos professores, alguém objectou que não havia orçamento para tal.

Ele logo replicou que tinha uma solução. Onde? «Na ponta do nariz»!

Estupefactos, os seus interlocutores ansiaram por uma explicação. E o professor, que fumava cachimbo, não demorou.

«Se o preço de cada maço de cigarros aumentar cinco tostões, teremos 15 mil contos no total»!

Eis como o vício pode ser fonte de sustento para a maior escola de virtudes!

publicado por Theosfera às 16:29

Para qualquer assunto, aparece (quase sempre) uma frase de Winston Churchill, o qual, curiosamente, não tinha qualquer licenciatura.

Acerca da China, de que tanto agora se fala, terá dito o estadista britânico: «Cuidado com o dragão que dorme. Quando ele acordar, a terra tremerá»!

Parece um oráculo!

publicado por Theosfera às 16:24

O atávico atraso português no conhecimento (as excepções acabam por certificar a regra) parece estribar, segundo alguns peritos, em duas decisões das quais nunca nos recompusemos.

Já foram tomadas há séculos, mas as suas sequelas persistem. Trata-se da expulsão de dois grupos que, entre nós, detinham a liderança na ciência e no ensino: os judeus e os jesuítas.

É curioso notar como, a propósito da nossa proverbial dificuldade com a Matemática, Jorge Buescu assinala que o Marquês do Pombal teve uma responsabilidade enorme.

Os jesuítas asseguravam o ensino não só das humanidades, mas também dos números.

É preciso ter muito cuidado antes de tomar certas decisões!

publicado por Theosfera às 16:20

O conhecimento é importante, mas o excesso de conhecimento (se é lícito falar de excesso neste campo) pode gerar bloqueios.

Conhecer também leva a preocupar. Quando procuramos saber demasiadamente o resultado de uma acção, hesitamos e, quiçá, recuamos ou desistimos.

Daí a (pelo menos) subtil observação de Bossuet: «Lastimamo-nos da nossa ignorância, mas é ela que produz quase todo o bem do mundo: não prever faz com que nos empenhemos»!

publicado por Theosfera às 16:10

No Evangelho deste Domingo também se fala de descanso. Não, curiosamente, do descanso em sítios agitados, mas do descanso em sítios ermos, solitários, recolhidos.

É para aí que o Mestre leva os Seus discípulos. É aí que os convida a descansar.

Hoje em dia, tudo é facilmente padronizado. E ao frenesim dos locais de trabalho fazemos suceder o frenesim dos lugares de descanso.

Tudo tende a tumultuar nestes tempos sem paragem, sem paz, sem norte e, aparentemente, sem destino.

Que falta faz a serenidade, o aconchego de uma presença, a oferta de um sorriso, a paz de um gesto feito com cortesia e compostura.

Tentemos ser diferentes neste tempo diferente!

publicado por Theosfera às 16:04

Há palavras que escondem. Há palavras que não mostram o ser. Há palavras que só pretendem convencer. Ou seja, há palavras que só pretendem aprisionar, domesticar, amestrar.

Daí a ansiedade inclusa em muitos discursos. Daí a infecudidade de não poucas linguagens.

Urge acolher a palavra que revela, que partilha e que, nessa medida, desoxida e refrigera.

A palavra mais cativante não é, necessariamente, a que é soltada pelos lábios. É a que vem emitida pela vida. E esta até pode fluir pelo silêncio!

publicado por Theosfera às 15:47

Hoje, 21 de Julho, é dia de S. Lourenço de Brindes, Sta. Praxedas, Stos. Mártires Escilitanos e S. Daniel.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:11

Há trinta e um anos, tinha eu dezasseis anos. Nesse dia 21 de Julho de 1981, eu estava a ajudar o meu Padrinho que era ecónomo e secretário do Seminário. Eram férias grandes.

 

Quando vínhamos para o almoço, ouvimos três estrondos de uma estridência supina. Houve janelas que partiram, suportes das fechaduras que tombaram e uma nuvem hiroshimiana encobriu toda a cidade.

 

Uma pirotecnia explodira. Situava-se mesmo em frente do Seminário. Várias pessoas (já não sei quantas) morreram. Vi pedaços de corpos espalhados pelas vias.

 

Foi um dia horrível. Lamego foi notícia. Por causa de uma tragédia. No dia seguinte, o Primeiro-Ministro, Dr. Pinto Balsemão, vinha à cidade inaugurar o Mercado Municipal.

 

Mas a dor da véspera tudo ensombrou. Pudera!

publicado por Theosfera às 06:16

Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
A realidade está cada vez mais na comunicação.

Dá a impressão de que a realidade já não é (só) o que acontece.

Dá a impressão de que a realidade é (sobretudo) o que é visto.

Deste modo, viver será mais aparecer do que ser. Aliás, já Fernando Pessoa percebera que morrer é não ser visto, dando a entender que viver é ser visto.

Daí a anotação de Oscar Wilde: «Se não se fala de uma coisa ela nunca aconteceu. É simplesmente a expressão que dá realidade às coisas».

Sucede que isto não devia ser tomado como uma fatalidade. Devia ser acolhido como um apelo.

Para conhecer a realidade, não basta a comunicação. É fundamental estar atento (também) ao que não é dito, ao que não é visto.

Para nossa surpresa, é possível que o essencial seja mesmo o indizível e o invisível!
publicado por Theosfera às 13:40

Eis o que afirmou o Duque de Lévis: «A crítica é o imposto que a inveja cobra do mérito».

Diria que nem sempre.

Nem sempre a crítica vem da inveja. Nem sempre a coisa criticada tem mérito. E, mesmo que o tenha, a crítica não obscurece o bem. Até pode incentivá-la a torná-lo melhor.

Hoje, oscilamos entre extremos.

Ora surge uma crítica que mais parece raiva. Ora surge uma estigmatização da crítica que mais parece não tolerar a discordância!

publicado por Theosfera às 11:27

Um aviso de Marcial: «Serás sempre pobre, se és pobre; a fortuna apenas é concedida aos ricos».

De facto, cada vez mais parece ser assim.

Mas há uma fortuna que ninguém tira aos pobres: a da sua simplicidade e humildade!

publicado por Theosfera às 11:26

Um excelente recomendação do Marquês Maricá: «A virtude é o maior e mais eficaz preservativo dos males da vida humana».

A virtude tem de começar cedo. Porque cedo começa também o assédio do mal!

publicado por Theosfera às 11:24

As generalizações são sempre indevidas e, nessa medida, perigosas.

Por exemplo, «para conhecer é preciso experimentar» é uma máxima correcta. Mas tem excepções. Se alguém quiser experimentar o veneno para se pronunciar sobre ele, ficará (irremediavelmente) subjugado pelo resultado.

Há que aprender também com as experiências dos outros. Daí o acerto da imprescritível recomendação de Confúcio: «Cuida de evitar os crimes para que não sejas obrigado a puni-los»!

publicado por Theosfera às 11:21

O país começa a arder.

Há coisas da natureza que ninguém controla. Mas há consequências que se poderiam acautelar. Por uma questão de princípio e por uma questão de lucro.

A ordem é para poupar. Mas, quanto aos incêndios, é bem provável que não estejemos a poupar...mesmo quando se poupa.

Está a aumentar a poupança na prevenção. Está a aumentar a área ardida e, consequentemente, estão a crescer os gastos com a sua recuperação.

A prevenção florestal perdeu 174 milhões de euros. Esse dinheiro, no fundo, não terá sido poupado.

Vai ter de ser gasto no combate às chamas e na recuperação da área ardida.

Os dados são alarmantes. No pretérito ano tinham ardido 9447 hectares nos primeiros seis meses. Este ano já arderam 35107 hecatres nos mesmos primeiros seis meses.

O que está a acontecer? A poupar é que não estamos!
publicado por Theosfera às 11:18

Hoje, 20 de Julho, é dia de Sto. Apolinário, Sto. Elias, Sta. Margarida, Sto. Aurélio e Sta. Vilgeforte ou Liberata ou Comba.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:13

Dir-se-ia que as chamas estão a deslocar-se (perigosamente) do interior para o exterior.

O interior permanece frio. O exterior começa a estar insuportavelmente cálido.

Enquanto o coração languidesce, a floresta arde.

Era bom importar algum deste calor para a alma.

Há incêndios a devastar paisagens. Há gelos a demolir vidas.

Um pouco de equilíbrio é necessário.

O exterior precisa de ficar um pouco mais fresco. O interior precisa de ficar um pouco mais quente!

publicado por Theosfera às 06:09

Quinta-feira, 19 de Julho de 2012

«O Cristianismo está apenas a começar».

A frase tem pouco mais de vinte anos e é do Padre Alexandre Man, assassinado em 1990.

Parece uma enormidade, mas é possível que encerre uma pertinente verdade.

É claro que, para o nosso tempo limitado, dois mil anos é muito tempo. Mas a história tem horizonte muito mais dilatados.

O Cristianismo é seguido praticamente por uma sétima parte da humanidade. Há uma proposta a fazer junto dos outros seis milhões de pessoas.

Por outro lado, além da difusão, existe uma reconversão a efectuar.

Há muitas cargas que temos colocado em cima das pessoas.

Ora, Jesus (ouvimo-lo na Missa de hoje) veio aliviar-nos de todas as cargas.

O Seu jugo não é pesado. A Sua carga é leve. O Cristianismo ainda está em fase de «incubação». Que neste recomeço ele se aproxime dos começos.

Que a nova evangelização respire o Evangelho da esperança e da mansidão.

O mundo espera uma Cristianismo que lhe ofereça Cristo. Apenas e sempre!

publicado por Theosfera às 22:58

1. Não será propriamente o tema mais exaltante. Pela sua natureza, a corrupção putrefaz tudo por onde passa. A própria linguagem que a denuncia não parece ficar incólume.

É por isso que se propende a ficar pelo sussurro, pela conversa privada ou, então, pela delação anónima.

 

2. É claro que a corrupção estará tanto mais disseminada quanto menos nos apercebemos dela, quanto mais nos acostumamos a ela.

Também salta à vista que a corrupção não é um exclusivo de nenhum sector. Ela estará presente, de forma consumada ou de forma tentada, em praticamente todos os compartimentos da sociedade.

 

3. Há portas que ora se fecham, ora se abrem de acordo com critérios ínvios. São critérios que quase ninguém escrutina e que poucos se dão ao trabalho de explicar.

Há uma espécie de mentalidade avuncular que vê o nepotismo como uma coisa trivial, quiçá sadia.

 

4. Todos se revoltam, mas aparentemente ninguém contesta. A corrupção só nos indigna quando nos toca, ou seja, quanto somos vítimas dela. Se nos beneficia, calamos e até agradecemos.

O «factor C» corre à velocidade da luz e invade todos os departamentos da vida de modo larvar. Mas, atenção, a corrupção não existe apenas para obter favores para alguém. Subsiste também quando se tenta prejudicar alguém.

 

5. É por isso que falar de corrupção exige não só coragem, mas também cuidado. Estamos a falar de pessoas. E uma pessoa é sagrada. Seja ela quem for.

Pessoalmente, o poder suscita-me desencanto. Mas a honra de quem o exerce merecer-me-á sempre o maior respeito.

Por conseguinte, que as discordâncias não façam cair as (necessárias) pontes. E que a espuma das palavras não nos impeça de descer até às raízes do problema. Tais raízes, creio, são muito mais fundas do que aquilo que parece.

 

6. Na verdade, a corrupção é discutida primordialmente em relação à lei. E tende a ser descrita como violação da lei. Mas será só isso?

Regra geral, a corrupção é tida como aquilo que é ilícito. Ou seja, como aquilo que não está contemplado na lei. Ou, pior, como aquilo que é contrário à lei.

Mas a corrupção será alçada aos mais altos patamares de gravidade quando, sem que ninguém se aperceba, ela encontra respaldo na própria lei.

 

7. De facto, nem sempre a legalidade é irmã gémea da moralidade. Nem sempre o que é lícito é recto. Nem sempre a lei consagra o que é justo.

Numa altura em que são pedidos sacrifícios a tantos, é estranho que se multipliquem tantas excepções. Estas são (oportunamente?) arrumadas no eufemismo dos «ajustamentos» ou das «adaptações».

 

8. A circunstância de tudo isto estar preceituado na legislação não é garantia automática de decência. É legal. Será aceitável?

É nestas horas que maior carência sentimos de uma oposição que se afirme como verdadeira alternativa. Não basta, com efeito, divergir agora para (eventualmente) continuar depois.

 

9. Este é, assim, um tema demasiado substancial para ser adjectivado.

Pertinente não é chamar corrupto a alguém. Até porque isso (além da possível injustiça) desencadeia mecanismos de defesa que inviabilizam qualquer discussão.

Importante é, com serenidade e lucidez, não deixar cair a corrupção no esquecimento ou nos convenientes pretextos do hábito.

 

10. Ela é tão pluritentacular que está sempre a bater à nossa porta. Ela é tão sedutora que nos pode arrebatar mesmo quando a pretendemos exorcizar.

Não desfoquemos o debate. E comecemos sempre a crítica por um (indispensável) auto-exame!

publicado por Theosfera às 21:03

Arthur Adamov reconheceu: «A única coragem é falarmos na primeira pessoa».

Todas as coisas devem ter as marcas de quem as faz.

Realizar mostra capacidade. Assumir o que se realiza revela coragem. E não é só na hora do aplauso que se deve aparecer.

Há quem goste de se «solteirizar» na hora dos êxitos e dispersar responsabilidades no momento do fracasso.

Ser inteiro em cada momento é o segredo de uma vida digna, limpa!

publicado por Theosfera às 11:09

A sabedoria está muito para lá de fazer tudo o que apetece. A sabedoria até pode estar em conseguir dominar os instintos.

Da sabedoria judaica vem-nos esta preciosa recomendação: «É considerado homem aquele que sabe dominar os maus desejos»!

publicado por Theosfera às 11:08

Gervaso confessou: «Quando um escritor se transforma num clássico, já não há necessidade de lê-lo: basta citá-lo».

Ainda assim, faz sempre bem ler o que é bom e reler o que é importante!

publicado por Theosfera às 11:07

Na escala da mobilidade social, o primeiro passo costumava ser o curso universitário. Agora parece ser o segundo.

O primeiro passo passou a ser conseguir uma carreira política e assegurar um lugar partidário.

O curso virá depois. Não tanto para obter conhecimentos. Mas sobretudo para alcançar um estatuto.

Eis o que a actualidade nos mostra!

publicado por Theosfera às 11:07

Cair não é agradável. Mas pode ser determinante. Uma queda pode ensinar mais do que um êxito. Séneca asseverava que um homem grande, quando cai, não deixa de ser grande.

E, mais tarde, Shakespeare sustentou: «Algumas quedas servem para que nos levantemos mais felizes».

Por isso, não tenha medo de cair. Só tenha medo se não tiver vontade de se levantar!

publicado por Theosfera às 11:05

Assistimos, hoje e cada vez mais, ao triunfo do facto sobre a palavra.

Muitos exultam com esta vitória. Mas também há quem a lastime.

George Steiner, por exemplo, não se revê nestes tempos «epilológicos», tempos de «pós-palavra». Não se trata do desaparecimento da palavra, mas da sua crescente subalternidade.

Se repararmos, a tendência é para a palavra ir, amestrada, atrás do facto. A palavra como que se resigna, limitando-se a anotar, a aplaudir.

Os vencedores são sempre apontados como modelos, como critérios, alcandorados ao estatuto de norma e de padrão.

O êxito é a medida. Não se escrutinam os métodos. Não se questionam as atitudes.

A história continua a ser feita a partir de cima.

A palavra não devia ter apenas uma função notarial, passiva. Ela devia apostar numa missão mais interventiva, mais performativa.

Eu sei que é difícil. Mas, por muito estranho que pareça, a palvara tem uma força que pode alterar muitos factos.

Tenho para mim que o curso da segunda guerra mundial foi alterado pela força da palavra. Churchill conseguiu, pela palavra, inverter uma história que parecia ter outro destino.

Faz falta quem acredite na palavra.

Temos saudades da força da palavra. Estamos saturados do ruído das palavras.
publicado por Theosfera às 10:57

Hoje, 19 de Julho, é dia de Nossa Senhora da Divina Graça, Sta. Justa. Sta. Rufina, Sto. Arsénio e Sta. Áurea.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:08

Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Assinala-se hoje o «Mandela Day», o dia internacional dedicado ao líder sul-africano que conseguiu, através do diálogo e da integração, mudar o futuro da África do Sul, no dia em que o estadista completa 94 anos.

Neste dia, a Fundação Nelson Mandela pede a todos os cidadãos que dêem 67 minutos do seu tempo a ajudar os outros. É uma singela (mas merecida) homenagem aos 67 anos de militância de Mandela em prol dos direitos humanos!

publicado por Theosfera às 13:46

Tristan Bernard foi muito subtil ao afirmar: «Os homens são sempre sinceros. Mudam de sinceridade, nada mais».

Cada vez se muda com mais frequência. E cada vez mais essa sinceridade estriba na conveniência, posicionando-se como uma coutada dos interesses e das ambições!

publicado por Theosfera às 11:06

Muitas vezes queremos encontrar um padrão ou divisar um fio condutor entre aquilo que é profundamente volátil e efémero.

Há denominadores comuns durante um certo tempo. Mas com o tempo tudo isso se altera.

Spencer nem a civilização deixou de lado: «A civilização é um progresso de homogeneidade indefinida e incoerente rumo a uma heterogeneidade definida e coerente».

Pode não ser muito coerente, mas heterógenea parece ser cada vez mais!

publicado por Theosfera às 11:03

Há muitos séculos, Plínio apercebera-se de como a glória é, mais do que uma recompensa, uma tentação.

O bem deve ser feito porque é bem. Não por causa da glória. A glória virá por acréscimo.

Mas, mesmo que não venha, ninguém deve desistir do bem.

Daí o acerto da recomendação do sábio: «Não pertence às nossas acções correrem atrás da glória; à glória é que pertence segui-las».

publicado por Theosfera às 11:02

Uma preciosidade da sabedoria judaica: «É melhor ir dormir sem jantar do que se levantar com dívidas».

A única dívida que devemos ter para saldar é a da estima e do respeito de uns para com os outros!

publicado por Theosfera às 11:01

Um ideal pode nunca ser atingido. Mas, mesmo que não seja atingido, é importante.

Serve sempre como estímulo. Diz-nos que estamos sempre a caminho. Que cada fim é um novo começo.

Joseph Joubert: «O objectivo não está sempre colocado para ser atingido, mas para servir de incentivo»!

publicado por Theosfera às 11:00

«Muita gente diz que é a inteligência que faz um grande cientista. Estão errados: é o carácter!»

Alguém discorda de Albert Einstein?

publicado por Theosfera às 10:59

Não é propriamente o tema mais exaltante. A corrupção putrefaz tudo por onde passa. A própria linguagem que a denuncia não parece ficar incólume.

É por isso que se propende a ficar pelo sussurro, pela conversa privada ou, então, pela delação anónima.

É claro que a corrupção estará tanto mais disseminada quanto menos nos apercebemos dela, quanto mais nos habituamos a ela.

Também salta à vista que a corrupção não é um exclusivo de nenhum sector. Ela estará presente, de forma tentada ou de forma realizada, em todos os patamares da sociedade.

Há portas que ora se fecham, ora se abrem de acordo com critérios ínvios. São critérios que ninguém escrutina e que poucos se dão ao trabalho de explicar.

Há uma mentalidade avuncular que vê o nepotismo como uma coisa normal, quiçá sadia.

Todos se revoltam, mas aparentemente ninguém questiona. A corrupção só nos indigna quando nos toca, ou seja, quanto somos vítimas dela. Se nos beneficia, calamos e até agradecemos.

O «factor C» corre à velocidade da luz e invade todos os departamentos da vida de modo larvar. Mas, atenção, a corrupção não existe apenas para obter favores para alguém. Subsiste também quando se tenta prejudicar alguém.

É por isso que falar de corrupção exige não só coragem, mas também cuidado.

Estamos a falar de pessoas. E uma pessoa é sagrada. Seja ela quem for.

Pessoalmente, o poder suscita-me desencanto. Mas a honra de quem o exerce (e exerceu) não me merece reparo.

Que as discordâncias não façam cair as (indispensáveis) pontes!
publicado por Theosfera às 10:55

Hoje, 18 de Julho, é dia do Bem-Aventurado D. Frei Bartolomeu dos Mártires e de S. Frederico.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:08

O mundo tornou-se uma aldeia. Mas esta aldeia ainda padece de desequilíbrios pilotados pelo esquecimento.

Neste mundo que se tornou uma aldeia, a Síria parece passar ao lado. Consumimos as imagens pavorosas que nos servem, mas pouco discutimos e quase nada fazemos.

Agora já se fala do uso de armas químicas.

Há um país que massacra o seu próprio povo. E há países que, na prática, se mostram aliados deste regime.

Como queremos progredir se situações como esta nos fazem regredir?

Como pretender andar para a frente se acabamos por recuar (muito lá) para trás?

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 17 de Julho de 2012
Não podemos esperar que o tempo faça tudo, designadamente aquilo que nos compete a nós fazer. Mas é indiscutível que o tempo consegue muita coisa.

Consegue, por exemplo, amortecer ânimos exaltados. Consegue também esclarecer questões dúbias. Às vezes, consegue também obscurecer questões que pareciam claras.

E, não raramente, consegue convencer mais do que a própria razão.

Thomas Paine dizia: «O tempo faz mais convertidos do que a razão».

O mais curioso é que, pensando bem, o tempo faz o que outro tempo não é capaz de fazer.

E, no fundo, a razão que não funciona numa altura acaba por funcionar noutra altura.

A Bíblia, afinal, está certa. Tudo tem seu tempo e sua hora.

O que parece impossível num tempo torna-se espantosamente exequível noutro tempo.

A determinação é importante. Mas a paciência mostra-se fundamental!
publicado por Theosfera às 10:04

Eis-nos em pleno tempo em que tempo não temos.

Andamos pelo tempo a lamentar a falta de tempo.

Andamos pelo tempo a perorar sobre as malfeitorias que sofremos com o tempo.

Mas apesar do que sofremos no tempo, alimentamos o desejo de termos mais tempo.

O tempo falta-nos. Mas será que nós também não faltamos?

Onde está o tempo para nós? Onde estamos nós no tempo?

publicado por Theosfera às 10:03

Madame de Stael deixa-nos um aviso eivado de suma pertinência: «Os homens em revolução têm muitas vezes mais a recear dos seus êxitos do que dos seus reveses».

As pessoas parece que se transfiguram com os êxitos. E não necessariamente para melhor.

Há quem não saiba perder. Mas também não falta quem não saiba ganhar!

publicado por Theosfera às 10:02

Uma discussão pode ser dada por terminada. Mas, em si mesma, nunca estará concluída.

Já Protágoras advertia: «Todo o argumento permite sempre a discussão de duas teses contrárias, inclusive este de que a tese favorável e contrária são igualmente defensáveis».

É claro que não existe uma simetria absoluta entre posições. Mas ela é, muitas vezes, alegada. E, não raramente, a posição mais indefensável à partida pode tornar-se vencedora à chegada.

O absurdo anda à solta. Alguém o segura?

publicado por Theosfera às 10:00

Há risos que são humilhantes. Que torturam. Que, não raramente, destroem.
E há sorrisos que são miraculosos. Dispensam palavras e argumentos.

Conseguem quase tudo. Sobretudo desarmar os desavindos e (re)aproximar os distantes.
Nem sempre será oportuno rir. Mas nunca deixe de sorrir!

publicado por Theosfera às 09:59

Hoje, 17 de Julho, é dia do Bem-Aventurado Inácio Azevedo e seus companheiros mártires, Sta. Teresa de Sto. Agostinho e suas companheiras mártires e Sto. Aleixo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:17

Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
À medida que o tempo passa, aumentam as certezas e não diminuem as dúvidas.

No fundo, ficam em causa muitas seguranças que nos seguraram. Nem cépticos seremos totalmente.

Já Fernando Pessoa notara: «A única certeza é que não há certeza. Diria mais: nem essa certeza temos. Mais do que com Sócrates estou com Francisco Sanches. Não digo "Só sei que nada sei", mas "Nem sei se não sei". O defeito dos cépticos é sê-lo incompletamente. É preciso duvidar do próprio cepticismo, estranhar a própria dúvida».

No meio desta turbulência o que sobra é a confiança. É sempre uma aposta. Envolve sempre um risco. Mas não se vive sem apostar. Nem se sobrevive sem alguma dose de risco.

Podemos perder arriscando. Mas perdemos, irreparavelmente, se não arriscarmos!
publicado por Theosfera às 19:15

Há pessoas que estão a ocultar as habilitações que possuem para conseguirem trabalho. Isto parece um absurdo enorme, mas é um drama imenso.

Já há muitos anos, aliás, houve um caso que muito me fez pensar. O Prof. Freitas do Amaral, como nos diz a sua Autobiografia, foi solicitar colocação à Fundação Calouste Gulbenkian.

O então director, Azeredo Perdigão, respondeu: «Pelo currículo que o senhor tem, só há um lugar para si: o meu. Como não lhe posso dispensar o meu lugar, não consigo disponibilizar lugar algum».

O que se me afigura, hoje, é que há um desencontro entre a escola e o mercado de trabalho.

O problema não estará só no excesso de procura e no défice de oferta. O problema estará também (e bastante) na percepção de que o diploma não traduz uma preparação.

Pensemos nisto: temos a geração mais diplomada de sempre. Teremos as pessoas mais qualificadas?

O diploma é uma indicação. Será uma garantia?
publicado por Theosfera às 10:33

Hoje, 16 de Julho, é dia de Nossa Senhora do Carmo, S. Sisenando, Sta. Madalena Alberici, S. Cláudio e S. Lázaro.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:11

Domingo, 15 de Julho de 2012
A palavra não é tudo, mas é fundamental para muita coisa.

A verdade não será tanto para dizer; será sobretudo para mostrar.

Já para corrigir a injustiça não basta mostrá-la. É necessário denunciá-la.

Pascal condensou belamente esta situação: «Pode-se fazer crer na verdade, mostrando-a; mas não basta mostrar a injustiça dos poderosos para os corrigir».

Estamos num tempo em que a palavra é banalizada. Mas este é também o tempo em que a palavra poderá estar em défice.

No que toca à justiça, existe uma demissão muito notória e bastante dolorosa.

Um cristão tem de ser profeta. É bom que use o coração ajudando quem precisa.

Mas é igualmente importante que recorra à palavra alertando para as causas das injustiças!
publicado por Theosfera às 19:20

Muito se discute por esta altura (a que alguns chamam a época da «silly season») se será um problema os Estados Unidos terem um presidente demasiado rico.

Parece que Mitt Romney detém uma colossal fortuna pessoal.

Como é óbvio, trata-se de uma questão lateral.

O que está em causa não é a conta dos candidatos; são as suas propostas.

Uma pergunta, no entanto, terá sentido colocar: será que alguém demasiado pobre teria acesso à presidência da república?

publicado por Theosfera às 19:19

A nova evangelização, de que tanto (e bem) se tem falado, tem de ser acima de tudo o resgate da prioridade do Evangelho.

A nova evangelização tem de começar por ser a superação do esquecimento do Evangelho.

O Evangelho corre o risco de ser ocultado na sociedade, incluindo a própria Igreja.

Eis um precioso tópico para exame.

Que estamos a fazer, nós cristãos, do Evangelho de Jesus?

publicado por Theosfera às 19:18

mais sobre mim
pesquisar
 
Julho 2012
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6
7

8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
hora
Relogio com Javascript

blogs SAPO


Universidade de Aveiro