O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 06 de Julho de 2012

Como se a realidade já não fosse suficientemente dolorosa, ainda temos de suportar um repetido discurso oxidante.

Dissolvido o ruído e espremidas as palavras, nada se altera. Ou, melhor, tudo parece mudar. Para pior.

Cada interveniente dá a impressão de possuir a bússula que nos levará a Ítaca. Acontece que a austeridade que nos impõem assemelha-se, cada vez mais, aos sinuosos trabalhos de Sísifo. São trabalhos que agravam penas, mas que aparentam não valer a pena.

O acórdão do Tribunal Constitucional, invocando o princípio da equidade, tanto dá para repor os direitos (o que é improvável) como para estender os sacrifícios (o que se mostra iminente).

Há, no entanto, uma ressalva que ainda não vi comentada. Quando se alega que o fim dos cortes dos subsídios não ocorrerá em 2012, para não comprometer as metas do défice, abriu-se uma precedência e ter-se-á feito jurisprudência.

Cumprir as metas do défice voltará a ser uma prioridade em 2013 e nos anos seguintes. Voltará o Tribunal Constitucional a aceitar que os subsídios sejam cortados? O argumento será (fatalmente) invocado.

Também espanta que as múltiplas «excepções» ao fim dos referidos cortes não tenham sido escrutinadas. Essas «excepções», que faz com que quem ganha mais não tenha reduções, é que ferem (e muito) o princípio da equidade.

É sabido que a situação não é fácil e que a realidade é muito poderosa. Mas o povo já não aguenta mais!

publicado por Theosfera às 19:25

Joseph Maistre tem toneladas de razão:«É muito menos difícil resolver um problema do que pô-lo».

É preciso ter muita sabedoria para resolver um problema. Mas é necessário possuir muita coragem para pôr um problema, para enfrentar um problema.

O habitual é fazer de conta que o problema não existe ou, então, optar pelo sussurro, pela insinuação, sem nada assumir em público.

Mas, parafraseando um sábio da antiguidade, o que não é assumido nunca será resolvido!

publicado por Theosfera às 10:38

A vitória é muita coisa, mas não é tudo.

Há quem triunfe quando ganha. Mas também há quem se degrade quando vence.

E quem não sabe ganhar acaba por não vencer. A vitória tem muitas faces.

Antoine de Saint-Exupéry elencou algumas: "Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam"!

publicado por Theosfera às 10:37

Andamos (praticamente todos) à procura das oportunidades.

Andamos (praticamente todos) a fugir das dificuldades.

Daí o perfil cinzento e as atitudes híbridas do homem contemporâneo.

A nossa época é mais para gestores do que para heróis.

Mas é quando enfrentamos as dificuldades que nos revelamos. Mesmo sendo devorados por elas, não deixamos de ser quem somos.

Mais vale morrer pelo que se é do que (sobre)viver deixando de ser!

publicado por Theosfera às 10:36

Hoje em dia, cultua-se cada vez mais o dinheiro, o poder, a ambição, a fama.

Toda a gente (ou quase toda a gente) quer estar no centro, quer estar no palco, quer estar no alto.

O problema é que pode haver muita audiência, mas haverá pouco (ou nenhum) aplauso.

Aliás, já há cerca de cem anos, Ramalho Ortigão anotava: «O homem sem educação, por mais alto que o coloquem, fica sempre um subalterno»!

publicado por Theosfera às 10:35

A experiência oferece muito, quase tudo.

Ninguém tem de se sentir diminuído por não ter um curso superior.

Entre as pessoas mais sábias que conheci encontro muitas pessoas que frequentaram qualquer universidade e que nem sequer sabem ler.

O conhecimento não substitui a experiência. Mas a experiência também não substitui o conhecimento. Quem quiser crescer no conhecimento nalguma área científica é bom que ingresse numa escola.

O que não é curial (ainda que a legislação o permita) é que se tome o conhecimento pela experiência e a experiência pelo conhecimento.

Aprende-se muito na vida. Aprende-se muito na escola.

Na vida e na escola, o ojectivo deve ser o conhecimento. Mais do que o diploma!

publicado por Theosfera às 10:34

O veto ao fim dos cortes na função pública até é capaz de ser uma (inesperada) ajuda para o Governo. Provavelmente, irá resultar num aumento da receita do Estado. Se os cortes forem estendidos a todos, o aumento está garantido.

É claro que a equidade é um princípio importante. O problema está a montante. Será este o caminho? Com tanta gente a passar dificuldades, a actividade económica tenderá a ser menor.

As pessoas venderão menos e comprarão menos. O desemprego crescerá. Haverá, pois, um menor número de pessoas a pagar impostos.

A austeridade só parece atrair mais austeridade. Mas, como diz o Salmo (41, 8), abismo atrai abismo!

publicado por Theosfera às 10:32

Hoje, 06 de Julho, é dia de Sta. Maria Goretti, Sto. Isaías, Sta. Maria Teresa Ledochovska, Sta. Inácia Mesa e Sta. Rosalina.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:15

1. Deus está em toda a parte: no grande, no pequeno e no pequeníssimo. Até a uma partícula subatómica, extremamente difícil de localizar, deram o nome de «partícula de Deus»!

Com a sua descoberta, a ciência terá dado o último passo para chegar ao primeiro instante, aquele em que cada organismo recebe condições para existir. Esta, no fundo, é a aspiração de sempre: conhecer os inícios. 

 

2. Os métodos refinaram-se, mas as preocupações mantêm-se. A actualidade apura o engenho, mas não esvazia as ânsias dos começos. 

E é interessante notar como a ciência hoje acaba por ter as mesmas inquietações da filosofia de outrora. Ambas se empenham na procura da «archê», ou seja, do que está no início de tudo.

É claro que a ciência actual tem recursos infinitamente maiores. Mas é significativo verificar que a direcção da procura é semelhante: o que está na origem, o que desencadeia tudo.

 

3. Naqueles tempos, uns achavam que era o «ar», outros a «água», outros a «terra», outros o «fogo», outros o «indeterminado» («apeiron»).

No nosso tempo, a busca da «archê» tomou uma dupla orientação. A Cosmologia já identificou o momento inicial do universo: o «Big Bang». A Física acabou de localizar o elemento primordial da matéria: o «Bosão de Higgs», a partícula que dá massa às outras partículas!

 

4. A descoberta desta partícula corresponde, desde logo, a um postulado, a uma espécie de exigência.

Há cerca de 50 anos, vários físicos procuravam uma explicação para a existência da matéria. O que é que explica que a matéria exista?

Sabia-se que é necessário haver uma partícula que confira massa às outras partículas. Sem essa partícula (ínfima), o universo (enorme) nunca teria surgido. Nem as galáxias, nem as estrelas, nem os planetas, nem nós, humanos. Em suma, nada do que existe existiria. Uma vez mais se certifica como o múltiplo depende do uno e como o grande radica no pequeno!

 

5. Não foi fácil, porém, detectar essa partícula, que, pelos vistos, é deveras instável.

Trata-se de uma partícula subatómica que aparece nas colisões de protões lançados uns contra os outros a uma velocidade próxima da da luz.

Nos aceleradores de partículas, esta partícula desintegra-se para dar origem a uma série de outras partículas: fotões e quarks.

Estas colisões (na casa das 500 milhões) têm sido analisadas desde 2010 na expectativa de encontrar sinais de que um bosão por aí tenha passado, ainda que durante uma pequeníssima fracção de segundo.

 

6. Já agora, refira-se que um bosão é uma partícula que possui spin inteiro (este é um termo que se associa às possíveis orientações que partículas subatómicas podem apresentar num campo magnético) e obedece à estatística de Bose-Einstein. Ele tem este nome em homenagem ao físico indiano Satyendra Nath Bose.

 

7. Joe Incandela, físico norte-americano, entende que «estamos a começar a olhar para o "tecido" do universo como nunca o tínhamos feito até aqui. Este bosão é algo de muito profundo. Ocupa um lugar diferente, tem uma relação com o estado do universo, encarna de facto a substância das partículas com as quais vivemos».

A importância desta descoberta é tanto maior quanto ela era tida por impossível até há pouco. Stephen Hawking, por exemplo, chegou a apostar que tal partícula jamais seria encontrada.

 

8. Esta partícula é conhecida por duas designações. Há quem lhe chame «Bosão de Higgs» porque foi Peter Higgs e outros cinco cientistas que, em 1964, postularam a sua existência.

Em 1972, Benjamin Lee associou o nome de Higgs ao bosão, ficando as outras pessoas remetidas para notas de rodapé.

 

9. Mas o mais curioso é que esta é também denominada «Partícula de Deus»!

Tal expressão surge no título de um livro de Leon Lederman. Parece que a sua vontade era que a obra fosse intitulada «Goddamn particle»(literalmente, «o raio da partícula»). Só que o editor não aceitou. Optou-se, então, por deixar cair a segunda parte da palavra e o livro passou a chamar-se «God particle», ou seja, «Partícula de Deus»!

 

10. É espantoso como, também neste aspecto, subsiste uma similitude relativamente à antiguidade. Também nessa altura, o divino era postulado como a explicação última de tudo. Recorria-se a Deus para explicar o mundo.

Deus era, portanto, visto como o fundamento. Com uma subtileza refrescante, o divino era descrito por alguns como a alma do que existe. Ele é o ser que faz com que tudo seja. Daí a tendência para não categorizar o divino. Usavam-se termos como «pneuma», que tem que ver com ar, e «theós», que originalmente significa hálito!

«Pneuma» costuma traduzir-se por «Espírito» e «theós» por «Deus». E, a bem dizer, Deus é esta «aragem» que nos cerca e este «hálito» que, vindo das alturas ou das profundezas, nos envolve.

 

11. O «Bosão de Higgs» será, provavelmente, um dos últimos passos que nos transporta aos primeiros instantes.

As questões quanto ao «como» do funcionamento da natureza estarão à beira das respostas definitivas. Mantém-se, entretanto, a pertinência do grande «porquê».

Deus não é, obviamente, uma partícula. Mas pode ser procurado a partir do estudo dessa partícula.

 

12. A ciência presenteia-nos, uma vez mais, com um forte «caudal». de respostas. E deixa-nos a «ponte» para continuarmos atentos às perguntas.

Este é, pois, um momento prodigioso para o conhecimento humano e para o prosseguimento da escuta, da procura, do debate.

Nada está arrumado. Tudo permanece cada vez mais em aberto!

publicado por Theosfera às 00:41

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