O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

1. Nunca se usou tanto a palavra como hoje. E talvez nunca nos tenhamos sentido tão saturados de palavras como hoje.

Em causa não está a palavra, mas o uso que lhe temos dado. E é por isso que o silêncio desponta não como uma recusa da palavra, mas porventura como a sua reabilitação, o seu reencaminhamento, a sua redenção.

 

2. O problema não está na palavra. O problema é o que nós estamos a fazer com as palavras.

O que avulta é a palavra da suspeita, a palavra da calúnia, a palavra da glória vã e da vanglória, a palavra como arremesso.

O que sobressai é o eclipse da palavra de alento, da palavra da esperança, da palavra da verdade. É tudo isto que faz do silêncio não apenas um refúgio ou uma nostalgia, mas também uma necessidade ou até uma terapia.

Aqui, o silêncio não é a ausência de palavra. É o chão da sua sementeira. E o fermento para a sua plena fruição!

 

3. Hoje em dia, as palavras gastam pelo ruído que provocam. E desgastam pelo vazio que veiculam.

Às vezes, nem quando se está calado se faz silêncio. Pode não haver ruído no exterior, mas pode faltar silêncio no interior.

 

4. Manuel António Pina tem razão quando sustenta que «as palavras esmagam-se entre o silêncio que as cerca e o silêncio que transportam».

Que será melhor, então? Falar é difícil. Mas calar também é arriscado. O poeta confessa: «Já não é possível dizer mais nada, mas também não é possível ficar calado».

Eis o paradoxo em toda a sua crueza: «Faltam-nos as palavras» nestes tempos em que «se fala de mais»!

 

5. E o certo é que, ao lado das palavras, há um silêncio no universo que nem todos os discursos conseguem abafar.

É desse silêncio, não tumular mas primordial, que flui o sentido e o horizonte que o conceito tenta captar, mas não é capaz de verbalizar. É nesse silêncio marsupial que importa habitar.

 

6. Pelo menos, nesse silêncio respira-se. Há palavras, as deste tempo ruidoso, que afogam!

Acresce que, como notava Gustave Le Bon, «quem se gasta em palavras, raramente se gasta em acções».

 

7. Há quem aposte tudo na linguagem verbal. Mas a linguagem não verbal é mais poderosa.

Daí o lancinante apelo de Sto. António: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios».

Se repararmos e como dizia Erik Geijer, «o que se faz de grande faz-se em silêncio». A própria palavra, para ser valorizada, precisa de ser condimentada pelo silêncio. Caso contrário, é a banalização.

 

8. Hoje em dia, não há muita comunicação. O que há é muito ruído!

Há muito ruído de dia, mas também de noite. Há muito ruído nas ruas, mas também em casa, mas também nas escolas, mas também nas igrejas.

 

9. Na maior parte das vezes, nem temos motivos para falar. O que já não conseguimos é ter vontade para calar ou disponibilidade para escutar! Quem ouve, nestes tempos, as palavras ditas, as palavras gritadas?

Há momentos em que falar é um imperativo. Mas há instantes em que calar é uma urgência e um bom indicador de sabedoria.

 

10. Uma onda de silêncio pode ser o melhor antídoto para curar os estragos provocados pela tempestade de certas palavras.

Às vezes, não é preciso falar muito para dizer bastante.

A vida não se diz só com os lábios. E há gestos que dizem tudo!

publicado por Theosfera às 13:00

Vivemos no presente. Mas será que vivemos do presente?

Para Fernando Pessoa, «vivemos ou da saudade ou da esperança».

Somos um povo sempre à espera do regresso de D. Sebastião.

Somos um povo sempre à espera que ele chegue do passado ou que venha de fora.

Mas Fernando Pessoa já tinha dado conta de que «é dentro de nós, em nós e por nosso esforço, que tem de vir, e virá, D. Sebastião»!

publicado por Theosfera às 10:57

«Quem se gasta em palavras, raramente se gasta em acções».

Gustave Le Bon anotou uma lacuna muito grande na vida de não poucas pessoas.

Há, de facto, quem aposte tudo na linguagem verbal. Mas a linguagem não verbal é mais poderosa.

Daí o lancinante apelo de Sto. António de Lisboa e de Pádua: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios».

Só a linguagem da vida consegue suprir o vazio que, não raramente, se evola da linguagem dos lábios.

publicado por Theosfera às 10:41

Juan Vives deixou um alerta cheio de pertinência: «O sal da vida é a amizade».

O problema é que, não faltando quem ostente o título de amigo, vai escasseando quem, efectivamente, se destaque pela amizade.

A amizade não vem pelos lábios. A amizade vem pela vida. Sobretudo pelas horas difíceis da vida. Quando (quase) todos se ausentam!

publicado por Theosfera às 10:40

O êxtase de Francisco de Sales: «Ó Deus, eu não sei se devo mais amar a vossa infinita beleza que uma tão divina bondade me ordena amar, ou a vossa divina bondade que me ordena amar uma tão infinita beleza».

publicado por Theosfera às 10:39

O maior (a bem dizer, o único) pecado é o egoísmo.

Paul Tillich: «Nós não pecamos como uma individualidade, mas em conexão com todo o ser. Esta é a necessidade do pecado. Nós não pecamos enquanto coisa, mas como um ser apropriado de si. Esta é a responsabilidade do pecado».

publicado por Theosfera às 10:38

A Europa tem raízes cristãs. Mas o Cristianismo também tem raízes europeias.

Há uma tal interdependência simbiótica entre o Cristianismo e a Europa que, por vezes, se pressente alguma dificuldade em operar a devida triagem.

É natural que o Cristianismo tenha as marcas da Europa na Europa. Mas na Ásia, na América e na África também terá de ser assim?

Será que evangelizar terá de ser, obrigatória e automaticamente, «europeizar»?

Esta questão tem ocupado a Teologia nas últimas décadas.

Karl Rahner assinalou que a «desocidentalização» entreaberta pelo Concílio Vaticano II era o segundo momento de abertura mais importante da História da Igreja.

O primeiro tinha sido a «desjudaização» encetada por S. Paulo.

É interessante recordar que, na década de 1960, o famoso cardeal Malula enunciou: «Até agora, procurámos evangelizar a África; a partir de agora, é preciso também africanizar o Evangelho»!
publicado por Theosfera às 10:36

A situação está má, mas o pior ainda está para vir.

É o que diz o Relatório da Unicef sobre a pobreza infantil.

Mais de 27% das crianças portuguesas vivem em situação de carência.

No arco de 29 países da OCDE, o nosso país ocupa um indesejável 25º lugar.

O problema é que estes dados se reportam a 2009. O que estará a acontecer agora?

publicado por Theosfera às 10:34

Hoje, 29 de Maio, é dia de S. Maximino, Sta. Úrsula Ledoschowka (fundadora das Adoradoras do Coração Agonizante de Jesus) e S. José Gérard.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 07:19

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