O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

As palavras gastam pelo ruído que provocam. E desgastam pelo vazio que veiculam.

Manuel António Pina tem razão quando sustenta que «as palavras esmagam-se entre o silêncio que as cerca e o silêncio que transportam».

Vivemos num tempo de indefinição. Que será melhor?

Falar é difícil. Mas calar também é arriscado.

O poeta confessa: «Já não é possível dizer mais nada, mas também não é possível ficar calado».

Eis o paradoxo em toda a sua crueza: «Faltam-nos as palavras», nestes tempos em que «se fala de mais»!

publicado por Theosfera às 13:56

Kierkegaard tocou num ponto muito sensível: «E esta é uma das mais cruciais definições de todo o Cristianismo; que o oposto de pecado não é virtude, mas fé».

No fundo, a fé capacita-nos de que o pecado nos habita como fragilidade que pode ser suprida pela confiança e superada pelo amor.

A exibição da virtude não passa, muitas vezes, de um acto de sobranceria e um repetido assomo de arrogância.

Regra geral, os (soi-disant) virtuosos não atraem, só afastam.

Já os que assumem a sua fragilidade cativam com a sua humildade e estimulam com a su persistência.

Aan Su-Ky acertou em cheio quando disse que «santo é o pecador que não desiste».

Que não desiste de pecar. Que não desiste de vencer o pecado!

publicado por Theosfera às 13:54

Há um silêncio no universo que nem todas as palavras que há no mundo conseguem abafar.

É desse silêncio, não tumular mas primordial, que flui o sentido e o horizonte que o conceito tenta captar, mas não é capaz de verbalizar.

É nesse silêncio marsupial que importa habitar.

A palavra será sempre uma ressonânicia, um eco e também um convite.

Pelo menos, no silêncio respira-se. Há palavras, as deste tempo ruidoso, que afogam!

publicado por Theosfera às 11:00

Numa daquelas notícias a que não se dá muito destaque, encontro, hoje, a referência a uma iniciativa dos estudantes do Instituto Superior Técnico.

Recusam-se a aplicar o português do novo Acordo Ortográfico.

Independentemente da avaliação que se possa fazer, é sempre salutar registar esta opção corajosa.

A corrente dominante é muito poderosa. Fazer-lhe frente não é fácil. Acabei de saber que o ensino de Latim e de Grego já não é obrigatório nos cursos superiores de humanidades e literatura.

Como é possível ensinar a nossa língua se descuramos ir ao encontro da sua proveniência?

A esta luz, talvez se entendam as decisões do Acordo.

A etimologia é cada vez mais uma evocação.

Há quem considere inevitável. Penso que se não se pensou maduramente.
publicado por Theosfera às 10:59

Cada instante é único. Mas há momentos que se tornam decisivos.

O século IV, por exemplo, foi absolutamente determinante para a história da Europa, da Humanidade e do Cristianismo.

Logo em 303, acontece a grande e cruel perseguição de Diocleciano contra os cristãos. O ambiente é pesado até 311.

Em 312, dá-se a batalha de Ponte Milvius, em que Constantino derrota Maxêncio.

Em 313, publica o famoso Édito de Milão em que concede liberdade religiosa.

Em 324, Constantino afasta Licínio e torna-se o único senhor do império romano.

O império romano passa a ser uma cristandade.

Que teria acontecido se as perseguições continuassem?

O Cristianismo não se extinguiria porque já Tertuliano anotara que «o sangue de mártires era semente de cristãos».

Mas a configuração do Cristianismo seria diferente.

Constantino libertou o Cristianismo da violência. Mas amarrou o Cristianismo a uma tutela: a do (seu) poder!
publicado por Theosfera às 10:57

O futuro estimula. Mas o passado ensina.

É bom ter o olhar no futuro, mas é fundamental não perder de vista o passado.

Do futuro chega-nos um grande ponto de interrogação.

Ele pode ser o que quisermos. Mas também é possível que seja o que não queremos.

Daí a atenção que o passado nos deve merecer.

Conhecendo-o, estamos em melhores condições para não o repetir!

publicado por Theosfera às 10:56

Alguém fez a pergunta: onde estão, por esta altura, os intelectuais?

Ninguém os vê, ninguém os ouve.

Quando aparecem, surgem munidos de um pensamento analítico e desprovidos de um pensamento alternativo.

Explicam o que se passa e chegam até a decretar que não é possível diferente.

Às vezes, parecem mais apostados em formatar do que em formar.

Além de ânimo, precisamos de criatividade. Numa altura em que tantos fecham portas, que haja pelo menos alguém a abrir-nos uma janela.

Necessitamos não apenas de quem comunique o que pensa, mas também de quem pense no que comunica.

O sistema educativo é muito ágil, interventivo, mas pouco inovador.

Falta educar para escutar. Falta educar para aprender.

Não falta quem repita o que todos dizem.

Faz falta quem transmita o alguns podem captar.

A vida tem mais para dizer do que muitas cátedras e do que tantas sebentas!
publicado por Theosfera às 10:53

Hoje, 22 de Maio, é dia de Sta. Rita de Cássia, Sta. Júlia, S. João Baptista Machado de Távora, Sta. Joaquina Vedruna e S. Luiz Palazzolo.

Refira-se que Sta. Rita é invocada como «advogada das coisas impossíveis».

É também a padroeira das viúvas e dos esposos infelizes.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 10:52

«É um bom soldado o que não aspira a ser general».

Pogosski deixou um alerta. A ambição pode ser um estímulo, mas também pode ser uma cegueira.

A qualidade não está no estatuto que se exibe, mas no trabalho que se faz e na dedicação que se mostra.

Um soldado é tão importante como um general!

publicado por Theosfera às 10:51

Um grande (enorme) verdade exarada por Cervantes: «O louvor vale pela pessoa que o dá».

Certos louvores deveriam sobretudo fazer-nos pensar. E penar!

publicado por Theosfera às 10:51

Agostinho da Silva descobriu o segredo do intelectual: dizer fora o que muitos sentem dentro.

«Se as pessoas me procuram não é por eu ser um génio coisa nenhuma. Sou uma pessoa inteiramente normal. É por de repente verem do lado de fora dito aquilo que elas pensaram sempre do lado de dentro, e, por exemplo, os tais processos de educação aprenderam a reprimir».

publicado por Theosfera às 10:50

A violência é um disfarce da fraqueza e um recurso dos fracos.

Bismark já o anotara: «Quanto mais fortes somos, menos provável é a guerra».

A grande (a maior e, a bem dizer, a única) força é a que vem de dentro!

publicado por Theosfera às 10:49

Aproxima-se a época de exames para os estudantes.

Para o país, o exame é constante.

E o (troikano) examinador já cá está mais uma vez.

Neste caso, também precisamos de (boas) notas!

publicado por Theosfera às 10:48

Continuo a pensar que o problema maior não é a crise, mas a prosperidade.

É a prosperidade que provoca a crise.

Muitas vezes, não se sabe viver em prosperidade. Não se partilha.

Só se pensa em desfrutar. O deslumbramento é uma tentação. O resultado é conhecido. É do alto que a queda é maior e dói mais.

O Ocidente viveu épocas douradas de prosperidade.

Descurou o espírito e menoscabou a solidariedade.

A crise é um problema. Saberemos transformá-la em oportunidade?

Há medidas no exterior. Seremos capazes de tomar medidas no interior?

publicado por Theosfera às 10:47

O Prémio Camões deste ano é alguém da estirpe de Herberto Hélder e Ramos Rosa.

Dalton Trevisan pertence ao restrito grupo de escritores que antes quer mostrar a obra do que mostrar a cara.

Publica livros (e bons livros), mas não dá entrevistas nem se deixa fotografar.

É uma opção que respeito e saúdo.

Num tempo em que a mediocridade é alçada ao patamar de vedeta, é salutar ver pessoas de excepção destacar-se pela humildade!

publicado por Theosfera às 10:46

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