O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Desde 1960 que não se morria tão pouco nas estradas de Portugal.

2011 foi o ano em que se morreu menos.

Mesmo assim, ainda se morre muito.

689 foram as vítimas mortais no pretérito ano!

publicado por Theosfera às 10:08

1. Educar é, sem dúvida, a missão mais apaixonante, mas também a tarefa mais perigosa. Ela está cheia de vastas potencialidades, mas encontra-se também ameaçada por muitos equívocos.
 
Um dos maiores equívocos com que a educação tropeça consiste em achar que a liberdade e a felicidade não são compatíveis com regras.
 
Como queremos que os mais novos sejam livres e, portanto, felizes, propendemos a reduzir as regras ao mínimo.
 
Sucede que este é um engano tremendamente nocivo. Pode agradar à criança, mas não ajuda a criança.
 
Ao contrário do que muitos ainda pensam, sublinha Teresa Sá, «uma criança sem limites não é uma criança livre». Torna-se«escrava das suas pulsões e não é feliz, vive angustiada».
 
Entregue a si própria, «não tem outro guia senão a satisfação imediata». Se quer uma coisa, agarra-a, se não está contente, bate.
 
Este procedimento alavanca, a longo prazo, «um verdadeiro sofrimento psíquico, visto que o sujeito não consegue dizer não a si próprio, e não somente ao educador».
 
A pessoa vai desenvolvendo «não apenas uma vontade de dominar os outros, mas, de igual modo, uma incapacidade de se dominar a si mesmo, de se limitar».
 
Ora, isto é contraproducente. Como nunca se satisfaz, a tendência para a frustração aumenta: «Parecendo dono do mundo, o sujeito está na verdade desmunido, pois não se sente dono do seu próprio mundo interno».
 
 
2. Daí a importância da autoridade na educação. Para Carmo Sousa Lima, a capacidade de lidar com os limites «é um poder muito bom, indispensável».
 
Há que ter em conta especialmente «o poder de dizer "não" na justa medida das coisas que são razoáveis dizer que não. E de dizer que "sim" naquilo que ajuda a criar uma melhor pessoa». 

Trata-se, segundo Teresa Sá, da autoridade «exercida pelos educadores (pais, professores, instituição) que permite à criança e ao jovem integrar os interditos fundamentais ligados à socialização».
 
É que «um adulto que permite tudo não é, para a criança, um adulto que lhe dê segurança».
 
Sem autoridade, «a criança sentir-se-á insegura, deixada só nas perigosas marés da sua impulsividade e destrutividade, abandonada, negligenciada».
 
Acontece que, como alerta Pedro Strecht, a alternativa à falta de autordade não passa pelo «regresso ao autoritarismo».
 
O que tem de haver é uma «autoridade protectora», que proteja as crianças «dos seus próprios movimentos mais primitivos, mais agressivos», como anota Carmo Sousa Lima.
 
Essa autoridade protectora tem de ser exercida desde o princípio. Caso contrário, os consultórios dos pedopsiquiatras e dos psicólogos continuarão a encher-se de «pequenos ditadores», crianças sem limites, algumas a caminho da delinquência, que  deixam os pais aflitos e os professores exaustos.

A prepotência das crianças decorre da falta de limites que, por sua vez, resulta de uma organização social desregrada, sem tempo para o investimento emocional na criança. 

3. É por isso que Raymond Bénévenque tem razão quando defende que «é no mundo dos adultos que se deve lutar por um outro futuro das crianças».
 
Elas replicam o que se passa nos mais crescidos. Por muito que as crianças façam sofrer os pais e os professores, elas acabam por reproduzir o que se passa na sociedade. Não é a sociedade, a começar pela família, que se mostra (teimosamente) desestruturada?
 
Por trás do problema das crianças sem limites, existe a falta de tempo, a velocidade que muitas vezes não deixa pensar. E a incapacidade de pensar dá lugar à depressão que tem como uma das manifestações a chamada «omnipotência infantil».
 
Na educação, o principal requisito é o tempo. Como refere Pedro Strecht, «os pais passam muitas horas a trabalhar, muitas crianças chegam a estar 10, 11 horas na escola. O reencontro, no final do dia, acontece numa situação de grande vulnerabilidade emocional com crianças cansadas, com birras, com pouco tempo para cumprir as rotinas e com pais extremamente cansados do trabalho, portanto num ponto de desencontro, de choque e de conflito. Pela falta de tempo e pela culpabilidade dos pais em relação a isso, a permissividade aumentou».
 
O que faltou ou o que tiveram a mais estas crianças para se tornarem assim? Pedro Strecht recua até aos primeiros tempos da vida da criança e da sua relação com os pais.
 
Donald Winicott aponta a ideia de «holding» para explicar a necessidade do envolvimento da criança «num círculo de amor e de força» juntando o afecto à fixação de limites.
 
A explicação para as manifestações de tirania por parte destas crianças passa então pela pergunta acerca do que tiveram elas a mais.
 
Como acentua Carmo Sousa Lima, «o excesso de "sim" perturbou a capacidade das crianças tolerarem o "não", mas «é o "não" que faz valorizar o "sim" e não o inverso».
 
Depois do período de encantamento que envolve o bebé nos primeiros tempos, os pais devem educar os filhos para a realidade.
 
Há pais que «são de uma ansiedade tal que a criança não pode sair de dentro delas e continua a viver numa espécie de uma bolha protectora, mas que a vai destruindo em termos de autonomia e de identidade».
 
 
4. No fundo, falta perceber que «são os limites que protegem a criança». Os limites têm a sua importância. A ausência de limites, ao invés, é que se mostra inteiramente prejudicial.
 
Uma vez que educar é introduzir na realidade e tendo em conta que na realidade do mundo há limites para tudo, então educar tem ser educar para os limites.
 
Quem não tem em conta os limites não respeita os outros nem se respeita a si mesmo!



 

publicado por Theosfera às 00:08

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

«As crianças e os tolos dizem sempre a verdade».

Pelo que acabei de ver, é um provérbio alemão.

Encontra-se no livro-entrevista de George Ratzinger: «O meu irmão, o Papa».

A versão portuguesa é da Leya/D. Quixote. A condução pertence ao jornalista Michael Hesemann.

Quanto à frase, é caso para concluir: era bom ser sempre um pouco tolo e nunca deixar de ser criança.

A verdade nunca devia prescrever nos nossos lábios!

publicado por Theosfera às 10:15


Não se deixe deslumbrar no êxito.Não se deixe abater na adversidade.

Olhe para trás. Mas caminhe sempre em frente.

A vitória não é só dos que ganham. É sobretudo dos que não desistem!

publicado por Theosfera às 10:14


Por que razão nos deixa Deus sofrer?

Eis a pergunta suprema, a interrogação total.

Muitas têm sido, ao longo dos séculos, as respostas intentadas.

Uns dizem que o sofrimento decorre da natureza. Outros apelam para a liberdade. Outros falam da provação ou até de um teste para a outra vida. E a insatisfação persiste.

O grande Karl Rahner não se furtou ao questionamento. E, depois de analisar tudo, apela para a incompreensibilidade estrutural do sofrimento e para a incompreensibilidade congénita de Deus.

Há que olhar para Jesus Cristo na Cruz. Nem Ele foi poupado. Nem tudo é para perceber!

publicado por Theosfera às 10:13


A Páscoa não convida a olhar para o passado, mas a olhar para o começo.

E no começo havia entusiasmo, ardor, despojamento, partilha.

A partir de certa altura, optou-se pela estratégia da «justaposição».

Houve uma vontade de conciliar a mensagem de Jesus com o sistema imperial romano.

Ora, isso está nos antípodas do Evangelho.

Jesus tem um paradigma novo. Que continua novo. Quase por estrear!

publicado por Theosfera às 10:11


Ser pessimista traz vantagens?

Todos achamos que não, mas Roger Scruton pensa que sim. E até escreveu um livro sobre o tema.

Nos antípodas da corrente dominante, pelo menos previne-nos das falsas esperanças.

Usando um estilo próximo da provocação, tem a virtude de nos reconciliar com a realidade.

Há o perigo do conformismo. Mas subsiste o apelo à lucidez.

É, sem dúvida, uma tese discutível. Mas não é tarefa dos filósofos convocar-nos para a discussão?

publicado por Theosfera às 10:10


O êxito não é tudo. E o fracasso pode não ser o fim.

Estacionar no êxito pode ser o princípio da decadência.

Superar o fracasso é, quase sempre, o estímulo para o triunfo.

O fracasso não é só adversidade. Também pode ser oportunidade.

Bem dizia Henry Ford: «O fracasso é a oportunidade de começar de novo com mais inteligência e redobrada vontade».

Aliás, é do fundo que se sobe. É de trás que se avança!

publicado por Theosfera às 10:08

Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Como foi a tua Páscoa?

 

Eis a pergunta mais ouvida na manhã dos dias que se seguem ao Domingo da Ressurreição.

 

Como foi? A Páscoa não foi. A Páscoa é.

 

Liturgicamente, a Páscoa tem uma oitava e um tempo que se estende até ao Pentecostes. Kairologicamente, estamos sempre em Páscoa.

 

Certo estará o uso do tua. De facto, a Páscoa de Cristo é a Páscoa de cada um de nós.

 

Vivamos Páscoa. Transportemo-la para o nosso presente.

 

A ressurreição de Jesus Cristo é acontecimento, apelo e prioridade.

 

Ela ocorreu em Cristo. Ela ocorre em nós. Ela transformou Cristo. Ela há-de transformar o novo Corpo de Cristo.

 

publicado por Theosfera às 11:12


Nos patamares da qualidade, há quem tenha uma escrita profunda, há quem tenha uma escrita erudita, há quem tenha uma escrita enigmática, há quem tenha uma escrita envolvente. E há aqueles que têm, como corolário, uma escrita limpa.

 

José Mattoso pertence a este grupo.

 

Nele a palavra não é um biombo ou um adorno. É um espelho.

 

«Levantar o Céu. Os labirintos da Sabedoria» é a sua mais recente publicação.

 

Imperdível!

publicado por Theosfera às 10:24


A Páscoa não é a festa da arrogância, da ostentação, do exibicionismo.

 

O nervo do mistério pascal mostra-nos que aquele que triunfa é aquele que morre, aquele que sobe é o que tinha descido.

 

A pascalidade é uma cultura totalmente diferente daquela a que estamos habituados.

 

Por isso, no Oriente usa-se muito a palavra «anástase», que se pode traduzir por elevação. Deus olha para os humildes!

publicado por Theosfera às 10:23

«Tenho muito que fazer? Não. Tenho muito que amar!».

 

Esta frase é um puro decalque do Evangelho.

 

Para Jesus, fazer é amar, amar a todos, amar sempre.

 

Mas o autor do pensamento é Sebastião da Gama, que, se fosse vivo, faria hoje 88 anos.

 

Nasceu a 10 de Abril de 1924.

publicado por Theosfera às 10:22


Na era dos estudos, dos inquéritos e das sondagens, há quem pretenda mensurar tudo, mesmo o que será mais imensurável: a felicidade.

 

Há um relatório mundial sobre a felicidade.

 

O trabalho foi feito em 156 países. Portugal está em 73º lugar, sensivelmente a meio. Ou seja, nem felizes, nem deprimidos.

 

O nosso estado corresponde à nossa linguagem. «Vamos andando» é o que assoma mais aos nossos lábios. Indefinidos é o que somos?



 

Albert Camus confessou: «Não há que ter vergonha de preferir a felicidade». Mesmo que nunca seja alcançada.

 

A felicidade é um caminho. Tem marcas de singularidade, mas é plural.

 

Ganha-se quando se oferece. Nunca é «solteira».

 

Quanto mais se divide, mais se multiplica. Quanto mais se partilha, mais se obtém!



publicado por Theosfera às 10:20


O velho continente corre o risco de se tornar um continente envelhecido.

 

Por falta de gente.

 

E por falta de esperança e de ideais no coração da (envelhecida) gente!

publicado por Theosfera às 10:19


Vítor Malheiros pergunta com extremos de pertinência: «Como é possível que tantos continuem a acreditar nas mentiras de tão poucos?»

 

Talvez porque a mentira seja apresentada de forma mais refinada.

 

A propaganda tem esse (cínico) sortilégio: faz com que o mal pareça bem, com que a mentira seja disfarçada de verdade.

 

No mundo que cultua o disfarce, é muito fácil ser enganado. E, às vezes, é (irremediavelmente) tarde quando nos apercebemos do logro!

publicado por Theosfera às 10:18

Há governos em guerra contra o povo.

 

Nuns casos como na Síria, através das armas. Noutros casos, através das leis, das políticas.

 

Em ambas as situações, as vítimas não param de aumentar!

publicado por Theosfera às 10:17

Muito se fala dos mercados. Eles são a justificação para tudo o que nos acontece.

 

Mas, afinal, o que são os mercados?

 

Onde estão os mercados? Que fazem os mercados?

publicado por Theosfera às 10:16

Segunda-feira, 09 de Abril de 2012

A Páscoa não é apenas acontecimento. É acontecimento e itinerário.

É também proposta, projecto e imperativo.

A Páscoa inaugura a pascalidade.

Trata-se de uma cultura do inconformismo, da inquietação.

Não esqueçamos jamais que Páscoa é passagem.

Na vida e na fé, nunca podemos estar sentados nem devemos estar acomodados.

Na vida e na fé, somos sempre passageiros de muitos caminhos, viandantes de muitos percursos.

Só no fim seremos nós. So nó termo encontraremos tudo.

Até lá, sempre a andar, sempre a tentar e nunca a desistir!

publicado por Theosfera às 09:50


Não diga «Como foi a Páscoa?».

A Páscoa não foi. A Páscoa é.

A Páscoa não passa. Não é passado.

Ela inaugura o hoje sem fim, o dia sem ocaso. Os Apóstolos têm sucessores. Jesus não. Ele continua vivo. Em si também.

Não estamos, por isso, em 2012 d.C., mas em 2012 c.C. (com Cristo)!

publicado por Theosfera às 09:47


O elementar do respeito, segundo Confúcio: «Respeita-te e outros te respeitarão»!

publicado por Theosfera às 09:47

Domingo, 08 de Abril de 2012

Há palavras que parecem ter um qualquer encontro marcado com o destino.

 

Se repararem, a palavra Aleluia (que significa Louvai o Senhor) tem inspirado, ao longo dos séculos, composições onde a melodia atinge altíssimos patamares de comoção.

 

Uma palavra tão pequena a inspirar obras tão grandiosamente belas.

 

A beleza salvará o mundo!

 

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 20:06

Pela manhã, foram as pessoas ao encontro de Jesus. Pela tarde, é Jesus que vem ao encontro das pessoas.

 

Pela manhã, prevalece a ansiedade. Pela tarde, é oferecida a paz.

 

Em ambos os momentos, os obstáculos são removidos.

 

Havia, pela manhã, uma pedra que não se sabia como afastar. Afinal, já estava afastada.

 

Pela tarde, as portas estavam fechadas. Mesmo assim, Jesus (re)surgiu.

 

Nada (nem a morte) consegue deter Jesus.

 

Nem sempre há paz na força. Mas existe sempre força na paz. A única força está na paz.

 

Santo Agostinho, embora num contexto diferente, distingue entre a cognitio matutina (conhecimento da manhã) e a cognitio vespertina (conhecimento da tarde).

 

A manhã é o vislumbre da eternidade. A tarde é o retrato do tempo, do percurso da vida.

 

Na tarde do primeiro dia, Jesus vem ter com os discípulos. Está vivo, mas mantém as marcas da dor.

 

Deixa-Se tocar. S. João, que nos oferece este relato, anota, na sua primeira carta, que anuncia aquele que viu, aquele ouviu, aquele que pôde tocar.

 

Tomé representa o senso comum. Quem diria outra coisa se estivesse no seu lugar?

 

A evidência que ele conhecia era a morte. Haverá evidência mais eloquente?

 

Como João, também Tomé viu e acreditou.

 

Jesus declarou felizes os que haveriam de acreditar mesmo sem ver.

 

O essencial é mesmo invisível aos olhos. O essencial deixa-se ver pelo coração. Apenas e sempre.

publicado por Theosfera às 19:38

A Páscoa traz muita gente à volta da Igreja. São mobilizados os crentes e envolvidos os não crentes.

 

Sucede que esta afirmação de pujança pode (insisto: pode) denunciar um certificado de debilidade.

 

O que atrai mais pessoas não é a liturgia. São as procissões, as tradições.

 

O problema não está no seu valor, que é grande. Está, cada vez mais, no seu enquadramento, que é problemático.

 

É que já não falta quem venda a Semana Santa como um cartaz turístico. E, de facto, há multidões que se arrastam para as localidades onde se promovem acções nesta altura do ano.

 

E não falta mesmo quem já fale de espectáculo!

 

Aqui é que bate o ponto. Um espectáculo implica não só acção, mas também actores e espectadores.

 

Ora, o que se representa, muitas vezes, é apreciado sobretudo pelo seu efeito cénico. Há uma certa distância entre quem representa e quem assiste.

 

E nota-se também uma cada vez maior ausência de espiritualidade, recolhimento.

 

Como agir?

 

É um novo desafio que temos pela frente: vivenciar o momento central da fé ou apostar numa oferta turística de grande consumo?

 

Viver é optar, como dizia Zubiri.

publicado por Theosfera às 09:26

1.    A Páscoa não é uma circunstância vaporosa de uma época distante.

 

 Ela é a novidade perene oferecida ao homem e inscrita no tempo.  Em cada tempo. Também no nosso tempo.

 

 O Evangelho, até no mais ínfimo pormenor,  tem a preocupação de realçar tal novidade.

 

 A referência ao «primeiro dia da semana» (Jo 20, 1) surge em nítido contraste com o dia anterior, o último dia.

 

 No ocaso do último dia, respira-se morte. Já no alvorecer do primeiro dia, volta a despontar a surpresa da vida.

 

 O dia começa cedo, ainda escuro. A escuridão mora em quem procura alguém que julga estar morto.

 

 Maria de Magdala nem sequer se apercebe de que já se encontra num tempo novo.

 

 Ela está persuadida de que a morte levou a melhor. As evidências parecem inultrapassáveis.

 

 

2. Mas eis que o sinal da morte está removido. A pedra no sepulcro seria como um ponto final num texto. Afinal, o texto iria continuar.

 

 Sucede que, num primeiro momento, a reacção é de alarme. Não se trataria de uma vitória da vida, mas do furto de um cadáver (cf. Jo 20, 2).

 

 Resolve então avisar dois dos discípulos de Jesus: Pedro e João, duas personalidades e dois sinais.

 

 Aliás, o autor do quarto Evangelho insiste bastante na categoria sinal. Quando fala de milagres, emprega sempre a palavra sinais (semeia).

 

Pedro representa a autoridade, João iconiza o amor.  Já na Última Ceia, Pedro está perto de Jesus, mas pede a João para Lhe perguntar acerca de quem O iria entregar (cf. Jo 13, 23-26).

 

 Por aqui se vê como a autoridade, na Igreja emergente, não vale por si mesma. Ela só age através do amor, pela mediação do amor.

 

 

3. Depois da ressurreição, ocorre o mesmo. Pedro sai com João rumo ao sepulcro. Ou seja, a autoridade não dispensa o amor na procura de Jesus.

 

 Mas, a determinada altura, João antecipa-se. Na verdade, o amor vai sempre à frente e chega sempre primeiro.

 

 Como refere o comentário de Mateos-Barreto, «corre mais depressa o que tem a experiência do amor, o que foi testemunha do fruto da Cruz».

 

 De facto, na hora da morte, só o amor (João) esteve presente. A autoridade (Pedro) ausentara-se. Só o amor é capaz de vencer o medo.

 

 João chega primeiro ao sepulcro. É pelo amor que se atinge a meta e que se chega a Deus.

 

 Só que, como reconhece S. Paulo, o amor também sabe ser paciente, também consegue esperar e, aspecto nada negligenciável, nunca é invejoso (cf. 1Cor 13, 4).

 

 João vê o sepulcro vazio, mas não entra. Aguarda que Pedro venha.

 

 O amor respeita a autoridade. Até porque sabe que, na Igreja, a autoridade está ao serviço do amor.

 

 Não se trata de um mero gesto de deferência. É, sobretudo, um gesto de reconciliação.

 

 É que, com as negações de Pedro (cf. Jo 18, 15-17.25), era a autoridade que vacilara, vacilara no amor.

 

 Agora, o amor dá uma nova — e definitiva — oportunidade à autoridade.

 

 João, que estivera junto à Cruz, não se arroga uma qualquer superioridade, estatuto tão fácil de avocar e sentimento tão pronto a exibir.

 

 O amor é humilde. Sabe que a autoridade tinha negado Jesus, mas, por isso mesmo, deixa-a entrar em primeiro lugar para que, em primeiro lugar também, expresse o seu amor.

 

 

4. O amor é mesmo assim: uma sucessão de começos. A autoridade sente-se reabilitada e segura por correr atrás do amor.

 

Na Igreja de Jesus, a autoridade só faz sentido em função do amor.

 

 Só correndo atrás do amor, a autoridade alcança o seu destino. É o amor que aponta o caminho à autoridade. Sem amor, a autoridade perde o norte, a bússola.

 

 Eis, por conseguinte, uma novidade jamais superada. Pedro e João a caminho do sepulcro sinalizam, assombrosamente, o perfil da Igreja pelas estradas do mundo.

 

 A autoridade é necessária. Mas ela é apenas instrumental. Existe para tornar presente o essencial. E o essencial é o amor.

 

 Porque, como alvitra o Evangelho (cf. Jo 20, 8), só com o amor se vê, só pelo amor se acredita.

publicado por Theosfera às 06:07

A Páscoa é acontecimento.

A Páscoa é itinerário.

A Páscoa é hoje.

A Páscoa prossegue amanhã.

É sempre Páscoa!

publicado por Theosfera às 00:05

O cristianismo é, geneticamente, paradoxal. Ele oferece Deus no Homem, o Eterno no Tempo.

 

Na visita pascal, anunciamos a ressurreição e transportamos o Crucificado.

 

 Antes de mais, é muito difícil figurar um corpo ressuscitado. Nem os discípulos reconheceram Jesus: era o mesmo mas com uma configuração diferente.

 

Tem muito sentido transportar a Cruz em dia de Páscoa porque o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida; se não morresse não ressuscitaria; o grão de trigo, para dar fruto, tem de morrer.

 

 Não é, pois, em vão que Jürgen Moltmann usa paradoxais expressões como «ressurreição do Crucificado» e «cruz do Ressuscitado».

 

O mistério de Cristo é sempre global, não se pode segmentar ou clivar. Foi a pensar n'Ele que von Balthasar escreveu que «a verdade é a totalidade». Jesus integra a glória no sofrimento e eleva o sofrimento à glória.

 

Eis, por isso, a maior fonte de esperança para quem sofre: Ele sofre connosco, nós sofremos com Ele. Nós podemos vencer o sofrimento e a própria morte. Com Ele. Só com Ele. Sempre com Ele.

 

publicado por Theosfera às 00:03

O Ressuscitado aparece sempre desejando a paz: «A paz esteja convosco»!

 

Vivamos Páscoa. Sejamos Paz!

publicado por Theosfera às 00:02

Já é Páscoa no tempo,

há alegria e esplendor,

vivacidade e contentamento.

Os foguetes vão estourar,

as flores vão brilhar,

as pessoas vão vibrar,

as casas vão encher

para Te acolher, Senhor.

Há dois mil anos,

removeste a pesada pedra do Teu sepulcro.

Pedimos-Te, Senhor,

que, hoje mesmo,

removas alguma pedra que ainda endureça os nossos corações:

a pedra do pecado,

a pedra do egoísmo,

a pedra da falsidade,

a pedra da injustiça, do ódio e da violência.

Aqui nos tens, Senhor,

não queremos ser sepultura mas berço.

Queremos que nasças sempre em nós

e queremos renascer sempre para Ti.

É tempo de Páscoa.

Exulta a natureza.

Vibram as crianças.

Cantem as multidões.

Que a Páscoa traga Paz,

Amor, Partilha e Felicidade.

Que os rostos sorriam,

que as mãos se juntem,

que os passos se aproximem,

que os corações se abram.

Obrigado, Senhor,

por morreres por nós.

Obrigado, Senhor,

por ressuscitares para nós.

Voltaste para o Pai e permaneces connosco.

Na Eucarista, és sempre o Emanuel.

Que Te saibamos receber

e que Te queiramos anunciar.

Hoje vais entrar em nossas casas.

Que nós nunca Te afastemos da nossa vida.

É Páscoa no tempo.

Que seja Páscoa na vida,

na nossa vida,

na vida da humanidade inteira.

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 07 de Abril de 2012

Deus não é neutro. E a Sua opção não é difícil de apurar.

 

O Talmude judaico apresenta-nos o seguinte:

 

«Deus está sempre ao lado do perseguido.

 

Se um justo persegue outro justo, Deus põe-Se ao lado do perseguido.

 

Se um perverso persegue um justo, Deus põe-Se ao lado do perseguido.

 

Se um perverso persegue um perverso, Deus põe-Se ao lado do perseguido.

 

Se um justo persegue um perverso, Deus põe-Se ao lado do perseguido».

 

Deus não está com o justo só por ser justo. Deus está com ele desde que ele não persiga ninguém. O perseguido pode nem ter sido justo, mas nada justifica que seja perseguido.

 

Mesmo quando está em causa a verdade ou a razão, tudo cai diante da força ou da violência. Quem se julga na posse da verdade ou da justiça e parte para a violência, não conte com o apoio de Deus.

 

Os perseguidos, sim. Podem não ter razão. Podem não ter apoios. Mas Deus está com eles.

 

Muito temos todos que aprender com Deus. A começar pelas próprias igrejas. Também nelas houve perseguições, perseguidores e perseguidos.

 

Os perseguidores invocam o nome de Deus. Mas só os perseguidos podem estar certos da Sua presença.

publicado por Theosfera às 12:21

 

Segundo a vontade expressa de Jesus (cf. Jo 19, 27), o Discípulo Amado recebeu Maria em sua casa. Isto na Sexta-Feira Santa, após a morte do Senhor.

 

De que casa se trataria? De uma morada em Jerusalém? Ou de um simples local de apoio aos peregrinos que se dirigiam da Galileia para Jerusalém por altura da Páscoa?

 

De que falaram Maria e João naquelas horas, naquele sábado?

 

Escutemos Carlo Maria Martini: «Contemplo Maria: manteve-se em silêncio ao pé da Cruz, na dor imensa da morte do Filho, e em silêncio se mantém enquanto espera, sem perder a fé no Deus da vida, enquanto o corpo do Crucificado jaz no sepulcro. Neste tempo, que decorre entre a escuridão mais densa e a aurora do dia de Páscoa, Maria revive as grandes coordenadas da sua vida, coordenadas que resplandecem desde a Anunciação e que caracterizam a sua peregrinação na fé».

 

 

E os discípulos? Como passaram eles este dia? Novamente Carlo Maria Martini: «Os discípulos trazem em si a memória de tudo o que viveram com o Mestre. Trata-se, porém, de uma recordação carregada de nostalgia e fonte de tristeza, porque tudo por que tinham ansiado e que tinham esperado com Ele e por Ele parece irremediavelmente perdido.

 

O Sábado Santo é vivido pelos discípulos no medo e no temor do pior, porque o futuro parece reservar para eles derrotas e humilhações crescentes.

 

No sábado do tempo em que nos encontramos é necessário redescobrir a importância da espera; a ausência de esperança talvez seja a doença mortal das consciências, nesta época marcada pelo fim dos sonhos ideológicos e das aspirações a eles associadas».

publicado por Theosfera às 09:55

O Sábado Santo é uma espécie de entretanto entre a comemoração da morte e a celebração da vida. Entre a Cruz e a Ressurreição, há a sepultura.

 

O trânsito ocorre aqui. A Páscoa está, literalmente, em marcha. A passagem da morte para a vida faz-se no silêncio da espera.

 

Nada há mais distante. Nada existe tão próximo. A morte é a negação da vida. A vida é a superação da morte. Entre uma e outra um dia de espera, de expectativa.

 

Há, aqui, uma realidade e um sentido, um significante e um significado.

 

Desde logo, não é para o alto que devemos olhar. É para as profundidades que temos de nos dirigir.

 

Estamos no fundo? Mas é do fundo que tudo parte.

 

A grande lição do Sábado Santo é que não há motivos para o derrotismo (próprio de Sexta-Feira Santa), mas também não há ainda razões para a euforia (aceitável em Domingo de Páscoa).

 

O Sábado Santo é a grande metáfora da vida humana. É preciso nunca deixar de acreditar, nunca desistir de trabalhar. Não há obstáculos intransponíveis.

 

Deixo, a este propósito, um texto magnífico de Carlo Maria Martini: «Estamos no sábado do tempo, caminhando em direcção ao oitavo dia: entre o "já" e o "ainda não", devemos evitar absolutizar o hoje com atitudes de triunfalismo, ou, pelo contrário, de derrotismo.

 

Não podemos deter-nos na escuridão de Sexta-Feira Santa, numa espécie de "cristianismo sem redenção"; mas também não devemos apressar a plena revelação da vitória da Páscoa em nós, que se realizará na segunda vinda do Filho do Homem.

 

Somos convidados a viver como peregrinos na noite iluminada pela esperança da fé e acalentada pela autenticidade do amor».

publicado por Theosfera às 09:44

No Sábado Santo não há nenhuma liturgia oficial. As igrejas estão vazias. Os altares desnudados. Os tabernáculos abertos e vazios. As velas apagadas. O silêncio pervade todos os ambientes. É uma experiência de recolhimento e atitude de espera.

Tudo para lembrar que Cristo desce à mansão dos mortos e assume o destino e a limitação do ser humano. Ele é solidário até o fim e faz a descida da morte, entra no seu mistério, para sair vitorioso e abrir para todos um caminho de luz e esperança.

 

Não é, por isso, sábado de aleluia: aleluia é só a partir de Domingo.

 

A Vigília Pascal, cronologicamente, começa no sábado. Mas, kairologicamente, decorre já no Domingo.

 

Isto porque o povo a que Jesus pertenceu considera que o dia começa quando o sol se põe. 

 

Portanto, o sábado é um dia de reflexão, meditação e expectativa.

 

O Senhor ressuscitará.

publicado por Theosfera às 00:07

Sexta-feira, 06 de Abril de 2012

Um dos grandes clichés, que estes dias desmontam, assegura que dos fracos não reza a história.

 

Não é isso o que Jesus nos mostra. Não é isso o que, por exemplo, S. Paulo nos atesta.

 

A Páscoa é, antes de mais, um mistério de fragilidade. De uma fragilidade inteiramente assumida, francamente exposta e abertamente oferecida.

 

Quando Se apresenta pronto para sofrer a morte, Jesus não esconde que «a carne é fraca» (Mt 27, 41).

 

A fragilidade é reveladora, é solidária.

 

As pessoas revelam-se mais quando não escondem a sua fragilidade.

 

Tony Blair percebeu isto quando escreveu que «ser humano é ser frágil».

 

Jesus não fez exibições de força. A Sua maior força radicou na Sua capacidade de assumir a fraqueza.

 

Os fortes podem ganhar batalhas. Mas são os frágeis que obtêm a maior vitória: a do amor.

 

Os fortes são vistos como vencedores porque eliminam os outros, porque se sobrepõem aos outros.

 

Os frágeis são apontados como vencidos porque se esquecem de si, porque vivem em função dos outros.

 

Mas não é nesta fragilidade que reside a nossa salvação? Não é, portanto, nesta fragilidade que está a maior força?

 

Os fortes vão destruindo vidas. Os frágeis são os que se sacrificam para que outros tenham vida.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua fragilidade. Porque recusaste o uso da força. Porque não quiseste exibir qualquer força. A não ser a do Teu imenso amor!

publicado por Theosfera às 21:36


Podemos dizer que, neste dia, também a Igreja se volta para um «neue mitte», um novo centro.

 

Hoje, não há Missa. Tudo está centrado na Cruz.

 

Não se trata de fazer a apologia da dor, mas de estar em comunhão solidária com tantos que continuam a actualizar a Cruz.

 

Com eles, acreditamos que é possível vencer a Cruz. E chegar à Ressurreição!

publicado por Theosfera às 20:36

 

É tão pesada a Cruz,

a Tua Cruz, Senhor,

que não sei como conseguiste erguê-la

nem como conseguiste erguer-Te

depois de, por três vezes,

ela Te ter feito cair.

 

Como foi possível, Senhor,

depois já de tanto sangue derramado?

Como foi possível, Senhor,

depois já de tantas atrocidades?

Como foi possível, Senhor,

depois da agonia, da flagelação, da coroação de espinhos?

 

Não concebo, mas percebo.

Tu conseguiste arcar com o peso do madeiro,

porque mais pesado que a Cruz era o peso do amor,

o peso do Teu infinito amor.

 

Não concebo, mas percebo:

o Teu amor emagreceu a Cruz,

o Teu amor encolheu a Cruz.

 

Quem olha para Ti, Senhor,

dá a impressão de que a Tua Cruz era leve.

Nada nem ninguém Te fez recuar.

 

Deixa-me, Senhor, pegar na Tua Cruz.

Ela está ao meu lado,

à minha beira.

 

A Tua Cruz continua pesada,

bem pesada,

em tantos lares, hospitais, ruas.

 

A Tua Cruz, Senhor,

tem hoje o nome de miséria,

injustiça, falsidade,

superficialidade e comodismo.

 

Deste-nos tanto,

dás-nos tudo.

E nós, tantas vezes,

recuamos e recusamos

dar-Te um tempo, uma hora, um dia.

 

Acorda-nos, Senhor,

desperta-nos da sonolência em que caímos.

Faz-nos olhar para Ti,

para a Tua Cruz, Senhor!

publicado por Theosfera às 11:28

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 11:22


O processo de Jesus configura a condenação da ousadia, da coragem de ser diferente, da liberdade de ser fiel à própria consciência.

Jesus corporizou maximamente o «franc parler» (falar franco) e o «free speech»(falar livre).

Pagou um preço elevado? Sem dúvida.

Já Eugénio de Andrade percebeu que «a independência tem um preço». Mas vale a pena pagá-lo!

publicado por Theosfera às 06:33

É ali, na Cruz, que se encontra a dura cátedra e a última lição.

 

Olhamos para ela. Mas será que aprendemos com ela?

 

O que vem da Cruz é despojamento, humildade. É presença. E é também abandono. É o divino que reluz numa humanidade que resplandece mesmo quando se apaga.

 

A Igreja, segundo um teologúmeno muito antigo, nasce aqui: numa morte, portanto.

 

Também a Igreja existe para morrer. Ou seja, para se descentrar. Ela existe não para si, nem por causa de si. Ela existe para ser aquela respiração divina na humanidade dos seus membros.

 

É por isso que só o poder desfigura a Igreja. Não é a humanidade.

 

A Igreja trouxe-nos Cristo. Levar-nos-á, hoje, até Cristo?

 

Não são as palavras que depõem. É o amor (ou a sua ausência) que decide.

 

O mundo continua a estremecer diante do Crucificado. E há uma luz de encantadora humanidade que se desprende de uma vida que se entrega.

 

A morte de Cristo é morticida. Mata a morte. Até a morrer se pode oferecer um autêntico padrão de vida.

 

Numa altura em que a questão de sentido adquire novos patamares de dramaticidade, eis uma preciosa oferta que nos vem da Cruz. De uma vida que se dá.

publicado por Theosfera às 05:03

Quinta-feira, 05 de Abril de 2012

Hoje é Quinta-Feira-Santa.

Termina a Quaresma. Inicia-se o tríduo pascal. É, portanto, um dia em três dias.

Celebra-se a paixão, morte, sepultura e ressurreição de Jesus.

Hoje, concretamente, assinalamos as duas grandes «invenções» de Jesus: a Eucaristia e o Sacerdócio.

Deixou-nos um único mandamento: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou, como Ele nos ama.

Pediu-nos a simplicidade, a humildade, o despojamento.

Nestes dias, há uma certa tentação para as pompas, para o esplendor. Mas isso não congraça com a mensagem de Jesus.

Ele merece o melhor. E o nosso melhor será (procurar) ser como Ele: na humildade e na paz!

publicado por Theosfera às 14:40


Terá sido na Quinta-Feira a Última Ceia?

Sempre se pensou que sim, mas alguns estudos recentes têm colocado alternativas.

Em português acaba de sair um livro de Colin J. Humphreys, «O Mistério da Última Ceia», que afirma que o dia mais provável para a Ceia terá sido a Quarta-feira.

Isso não é o mais importante. A vivência fraterna do legado de Jesus é o fundamental!

publicado por Theosfera às 14:39

Estes são dias em que olhamos mais (embora não necessariamente melhor) para a identidade da Igreja, designadamente para a ontologia do padre.

Fácil é radicar essa identidade, essa ontologia: em Jesus Cristo.

Entre Cristo e a Igreja existe, portanto, uma proximidade total. O problema é que, entre Cristo e a Igreja, se pressente também uma distância infinita.

Uma coisa é o plano ontológico. Outra coisa, bem diferente, é o plano existencial.

Uma coisa é o âmbito do ser. Outra coisa, bem diferente, é o âmbito do agir.

Cristo é a verdade. Mas quem diz a verdade acaba por ser condenado.

Em Jesus sempre se notou a parrhesia, a coragem e a franqueza.

Esse é o caminho de Cristo. Esse é o caminho Cristo.

Esse tem de ser o caminho da Igreja. Na pobreza. E ao lado dos mais pobres!
publicado por Theosfera às 14:36


As crianças sabem ler e sabem ver. São, sem dúvida, mestres do discernimento.

William du Bois afiança: «As crianças aprendem mais a partir do que somos do que daquilo que lhes ensinamos».

No contacto com elas, a palavra é muito, a competência é bastante, mas o exemplo é tudo!

publicado por Theosfera às 14:34

1. A esta hora, grande é a azáfama. Já se preparam as casas e as ruas. Já se ultimam os folares. Já se encomendam os foguetes.

 

Apesar da crise, há muita alegria no ar e bastante vibração nos corações. Os mais pequenos anseiam pelas prendas. Os mais idosos multiplicam recordações.

 

A Páscoa está perto. Está perto no tempo. Já faltam poucos dias.

 

Eu gostava que a Páscoa também estivesse perto da vida: da vossa vida, da vida do mundo inteiro.

 

 

2. Páscoa, como sabeis, quer dizer «passagem».

 

Outrora, a Páscoa assinalava a passagem, pelo Mar Vermelho, da escravidão para a liberdade. Agora, celebra a passagem da morte para a vida.

 

Queria que soubésseis que, na Páscoa, não recordais um acontecimento do passado. Na Páscoa, sois chamados a reviver um acontecimento de cada presente.

 

Às vezes, fazemos muita coisa importante e acabamos por esquecer o principal.

 

Nesta altura da Páscoa, não faltam actividades no exterior. Mas falta um pouco de recolhimento no interior.

 

 

3. Queria que soubésseis que Eu continuo a vir ao vosso encontro. Continuo a falar-vos, como há dois mil anos.

 

Continuo a falar a cada um de vós no alto da Cruz. Muitas vezes, falo muito alto.

 

Como há vinte séculos, continuo a gritar. Continuo a gritar contra a violência, contra a opressão.

 

Continuo a gritar por mais fraternidade, por maior igualdade.

 

Continuo a gritar para que os grandes repartam com os pequenos. Continuo a gritar para que as dívidas sejam perdoadas.

 

Mas quem Me ouve?

 

 

4. Não penseis que deixei a Cruz. Não. Não deixei a Cruz.

 

Hoje, em cada dia, continuo a levar uma pesada Cruz. É Cruz de tantas pessoas que são atiradas para a berma das estradas da vida.

 

A Minha Cruz, hoje, é a Cruz dos que têm fome, é a Cruz dos que estão no desemprego, é a Cruz dos doentes, é a Cruz das vítimas da injustiça, é Cruz dos idosos abandonados.

 

Há vinte séculos, houve alguém chamado Simão de Cirene que Me ajudou a levar a Cruz. Nos tempos que correm, sou Eu que faço o papel de Cireneu. Sou Eu que ajudo a levar a Cruz de tanta gente. E como continua a ser pesada, horrivelmente pesada, a Cruz!

 

 

5. Queria que soubésseis que também vos falo do silêncio do sepulcro. Ou seja, também vos falo quando (aparentemente) não digo nada.

 

Hoje, eu continuo a estar nas profundidades da vida, da vossa vida. Eu moro nos vossos corações.

 

Posso estar em silêncio, mas não estou escondido. Eu acompanho-vos sempre. Estou convosco, como prometi há dois mil anos.

 

Estou convosco nas horas de alegria. E estou convosco nos momentos de aflição.

 

As vossas alegrias são as Minhas alegrias. E as vossas dores nunca deixaram de ser as Minhas dores.

 

 

6. Muitas vezes, pensais que o fracasso é uma derrota.

 

Naquele tempo, também não faltou quem achasse que o sepulcro era como o ponto final num texto.

 

Pensavam que tudo estava terminado. Mas Eu ressuscitei. Voltei para o Pai e voltei para vós.

 

O próprio fim tornou-se um novo começo. Uma tarde de pesadelo deu lugar a uma aurora de esperança.

 

Tudo voltou a começar. Por isso, nunca comeceis a desistir e nunca desistais de começar.

 

Às vezes, temos de bater no fundo para recomeçar a subir e temos de ficar para trás para voltar a avançar.

 

Nem tudo está perdido quando muito parece perder-se. É quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa.

 

 

7. Desejo-vos, pois, uma Páscoa com muita alegria, com muito amor, com muita paz.

 

Eu continuo a estar convosco. No próximo Domingo, entrarei em vossa casa. Vou na Cruz. Mas aquela já não é a Minha Cruz. É a Cruz de cada um de vós.

 

No próximo Domingo, Eu vou trazer as vossas dores. E vou deixar-vos a Minha paz.

 

De vós só quero uma coisa: que sejais felizes. Hoje. Amanhã. E sempre.

 

Jesus de Nazaré

Aquele que morreu por vós,

 Aquele que ressuscitou para todos!

publicado por Theosfera às 11:04

Há lágrimas que, não correndo pela face, escorrem pela alma.

 

A humildade de Jesus, o amor de Jesus, o despojamento de Jesus, a paz de Jesus não são apenas para ser evocados em rituais. São, acima de tudo, alicerces para uma vivência.

 

Muito se fala de Jesus por estes dias. Que se viva Jesus em cada dia.

 

Ele morre por nós. Que Ele viva em nós.

 

Muitas vezes, a presença de Jesus é percebida em forma de uma ausência, de uma distância. Não d'Ele em relação a nós, mas de nós em relação a Ele.

 

Muito há para celebrar, sem dúvida. Muito mais há para viver. Inquestionavelmente.

publicado por Theosfera às 09:00

Nos últimos dias, surgiu uma discussão com pretensões de novidade em torno de um problema que não é novo.

 

Quando foi a Última Ceia? Para Colin Humphreys, da Universidade de Cambridge, terá ocorrido na quarta e não na quinta-feira.

 

A posição aparece no livro The Mystery Of The Last Supper, onde o autor analisa os calendários, os dados da história e as conclusões da exegese.

 

Refira-se, antes de mais, que esta questão não é original. Bento XVI, no seu último livro sobre Jesus, também a contempla. A própria Bíblia não permite dirimi-la totalmente.

 

Os Sínópticos (Marcos, Mateus e Lucas) apontam para «o primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa» (Mc 14, 12). Era, com efeito, na tarde desse dia que, no templo, se imolavam os cordeiros pascais. Seria uma quinta-feira. Era nessa noite que começava a Páscoa e se comia a ceia. Terá sido no final que Jesus foi preso e apresentado a tribunal. Na manhã de sexta-feira, foi condenado e, à tarde, morreu. Como no outro dia era sábado, dia sagrado para os judeus, o corpo de Jesus tinha de ser sepultado antes do anoitecer de sexta-feira.

 

Surge, entretanto, uma dificuldade. Naquele ano, a Páscoa judaica era na sexta-feira. Será crível que Jesus fosse julgado e crucificado num dia tão solene? Não falta quem assegure que o processo e a crucifixão eram compatíveis com a Páscoa. Contudo, dois dias antes dos Ázimos, os sumos sacerdotes desaconselhavam que se matasse Jesus durante a festa para que o povo não se revoltasse (cf. Mc 14, 2). Como é que se mudou tão rapidamente de opinião?

 

O Evangelho de S. João apresenta uma nuance a respeito de tudo isto. Desde logo, não assegura que a Última Ceia tenha sido uma ceia pascal e até dá a entender que o julgamento de Jesus foi não durante a Páscoa, mas antes da Páscoa. Trata-se da alusão ao facto de as autoridades judaicas, que levaram Jesus a Pilatos, não terem entrado no pretório «para não se contaminarem e poderem celebrar a Páscoa» (Jo 18, 28). Isto significa que o processo e a morte de Jesus acontecem não durante a Páscoa, mas na véspera da Páscoa. Neste caso, naquele ano a Páscoa seria não numa sexta-feira, mas num sábado. Só que, como os judeus contam os dias a partir do crepúsculo do dia anterior, Jesus teria morrido na sexta-feira antes do ocaso.

 

Assim, Jesus teria tido a Última Ceia na quinta-feira, mas sem o carácter pascal judaico, e teria sido executado na sexta-feira, a qual seria véspera da Páscoa e não dia de Páscoa. Neste caso, o cordeiro pascal estaria a ser comido pelos judeus quando Jesus já estava morto. Como diz Joseph Ratzinger, «Jesus morre como o verdadeiro Cordeiro, que estava apenas preanunciado nos cordeiros».

 

Não faltou, entretanto, quem procurasse harmonizar as duas cronologias. Quem mais se destacou foi Annie Jaubert, que estudou a fundo os calendários judaicos. Encontrou um que, não atendendo à translação da Lua, previa um ano de 364 dias, dividido em quatro estações de três meses, dois dos quais com 30 dias e o outro com 31. Cada trimestre teria, então, 13 semanas e cada ano 52 semanas. Deste modo, as festas seriam sempre no mesmo dia da semana. Concretamente, a Páscoa judaica seria à quarta-feira. Por conseguinte, a Última Ceia teria sido na terça-feira à noite.

 

O curioso é que um texto do início do século III, Didascália dos Apóstolos, fixa a data da Ceia de Jesus na terça-feira. O problema é que a tradição mais antiga aponta para quinta-feira como a data mais segura da Última Ceia.

 

É certo que a terça-feira seria mais ajustada ao desenvolvimento posterior dos acontecimentos. Não é fácil admitir que, numas curtas horas (de quinta para sexta-feira), tenha acontecido tanta coisa: interrogatório no Sinédrio, transferência para Pilatos, sonho da mulher de Pilatos, envio a Herodes, regresso a Pilatos, flagelação, condenação, caminho para o Calvário e crucifixão.

 

Em síntese, a data da Última Ceia continuará a suscitar muitos estudos e a despertar compreensível curiosidade. Mas o mais importante não é quando aconteceu. É o que aconteceu.

 

E o que aconteceu, desde o lavar dos pés até à consagração do pão e do vinho passando pelo longo discurso, foi tão impactante que jamais foi esquecido. Fundamental é que nunca deixe de ser vivido.

publicado por Theosfera às 05:50

Quarta-feira, 04 de Abril de 2012

O discurso oficial até pode ser consistente. Mas dificilmente será convincente.

 

Oficialmente, pode haver números para apresentar. Mas, na realidade, há pessoas para ver.

 

E o que vemos?

 

Os que vendem não conseguem vender. Os que compram não são capazes de comprar.

 

O que vemos é o despedimento compulsivo de pessoas. O que vemos é o encerramento constante de empresas.

 

Um dia, havemos de inverter o rumo. Mas não creio ser para já. Nem para breve.

 

Quero ser optimista. Mas tenho de ser realista.

 

Limito-me a ser um (humilde) porta-voz da realidade que me circunda!

publicado por Theosfera às 11:23


«A amizade não precisa de palavras - é a solidão sem a angústia da solidão».

Cada vez aquiesço mais ao que foi dito por Dag Hammarkskjod.

publicado por Theosfera às 10:43


«Mais aptos e capazes são dos grandes lugares os que pretendidos os recusam, que os que ambiciosos os pretendem».

Revejo-me cada vez mais no que sustentou o Padre António Vieira.

A apetência raramente converge com a competência!

publicado por Theosfera às 10:42


La Rochefoucauld anotou uma evidência quase lapalissiana: «O mundo recompensa mais as aparências do mérito do que o próprio mérito».

Em cada dia recebemos sucessivas confirmações de que (infelizmente) assim é!

publicado por Theosfera às 10:41


Uma bela frase de Carl Sagan: «A ausência da evidência não significa evidência da ausência».

A realidade visita-nos num misto de revelação e escondimento.

A discrição é o seu lema. A subtileza é a sua estratégia. Reclama a nossa atenção!

publicado por Theosfera às 10:39


«O objectivo da oratória considerada isoladamente, não é a verdade, mas a persuasão».

Muitas vezes é verdade o que disse Macaulay.

publicado por Theosfera às 10:38

Terça-feira, 03 de Abril de 2012

1. O feriado foi extinto. Mas a vivência não se extingue. E, aproveitando o andar do tempo, valerá a pena recuar um pouco nele para reavivar o que aconteceu a 1 de Dezembro de 1640.

Foi nesse dia que Portugal viu a sua independência restaurada. Era um saboroso ponto de chegada. Mas havia ainda muito por fazer. Uma das prioridades do novo rei era obter o mais amplo reconhecimento internacional.

Com esse propósito, D. João IV organizou uma embaixada ao Vaticano. Queria prestar obediência ao Papa e conseguir que este o reconhecesse como rei.

Nada melhor que colocar um clérigo à frente de tal embaixada. E quem foi o escolhido?

Não foi o bispo de Lisboa, nem do Porto, nem de Braga, nem de Coimbra, nem de Évora. O escolhido, por sinal, até nasceu em Évora, mas era bispo de Lamego!

Curiosamente, tinha sido proposto para o episcopado pela corte espanhola, em 1635. Mas, apesar disso, as suas convicções patrióticas deviam ser bem conhecidas.

Restaurada a independência nacional a 1 de Dezembro de 1640, D. Miguel foi chamado a Lisboa logo a 8 de Janeiro de 1641 para chefiar a referida missão diplomática com o título de «embaixador extraordinário».

O rei admirava-o não só pelo seu saber, mas também «pela sua delicadeza natural» e, repare-se, «pelo facto de residir continuamente na sua igreja de Lamego». O que, naqueles tempos, não era habitual.

É claro que esta era uma missão deveras melindrosa. Sabia-se que os representantes de Espanha iriam fazer tudo para impedir a audiência papal.

Por isso, o rei já se contentava com um encontro privado. A audiência pública poderia esperar.

 

2. A partida ocorreu a 15 de Abril. Em Paris, o Núncio Apostólico rescusou-se a receber a delegação portuguesa. Não era bom augúrio, mas nem isso foi motivo para desistir.

D. Miguel chegou a Roma a 20 de Novembro, sete meses depois de ter saído de Lisboa, recebendo escolta pontifícia porque constava que os espanhóis já mobilizavam pessoal e armas. 

O Papa Urbano VIII esteve a par de todas as movimentações, mas nunca chegou a satisfazer as pretensões portuguesas. 

A Espanha moveu as suas influências e conseguiu que o Sumo Pontífice não recebesse D. Miguel: nem como embaixador nem sequer como bispo!

O máximo que conseguiu, depois de muita insistência, foi uma recepção pelas portas secretas. Mas isso foi rejeitado pelo bispo de Lamego.

Como refere Gonçalves da Costa, a Espanha «moveu uma verdadeira guerra diplomática enviando à cúria pontifícia longos e sucessivos memoriais contra o direito de D. João IV, libelos que os portugueses procuravam rebater pelo mesmo processo».



 

3. Assim se foi passando o tempo. Concretamente, o ano de 1642 foi todo passado em Roma, com diligências portuguesas e obstáculos espanhóis. Estes não olharam a meios e, a 20 de Agosto, organizaram mesmo um atentado contra D. Miguel, que regressava de uma ceia em casa do embaixador francês.

O bispo de Lamego não foi atingido. Conseguiu chegar à sua residência. Mas do confronto resultaram vários mortos: cinco do lado português e oito do lado espanhol!

D. João IV, que era cristão devoto, ficou ressentido e determinou que, se até 20 de Novembro (quando se completava um ano de permanência em Roma), o Papa não recebesse D. Miguel, este regressaria a Portugal.

Desiludido e exausto, abandonou Roma a 20 de Dezembro de 1642. O Papa nem a bênção apostólica deu ao representante do monarca português.

A missão não teve o resultado desejado, mas D. Miguel não deixou de ter o reconhecimento devido. D. João IV ficou-lhe sempre grato e quis nomeá-lo arcebispo de Évora. Só que o Papa (uma vez mais!) não atendeu o seu pedido.

Mas ele também faleceu pouco depois, a 3 de Janeiro de 1644. Morreu porventura desapontado com o que se passou em Roma, mas certamente reconfortado por ter servido o seu país.

 

4. Lamego não o esqueceu. A sua figura está imortalizada em frente ao Museu, que, como se sabe, foi, durante muito tempo, a Casa Episcopal.

O monumento foi inaugurado em 1951 e é uma obra do escultor madeirense Francisco Franco.

Quem por ali passar terá oportunidade de evocar alguém que tinha Portugal no nome e no coração. E que fez tudo para que o país fosse reconhecido no mundo.

Eis um grande ensinamento para o presente. Eis uma preciosa lição para o futuro.



publicado por Theosfera às 13:59

Creio
na Igreja nascida do Pai, gerada pelo Filho e alimentada pelo Espírito.
Creio
numa Igreja totalmente voltada para Deus e completamente virada para o Homem.
Creio
numa Igreja que fala de Deus aos homens e que fala aos homens de Deus.
Creio
numa Igreja que faz da oração prioridade e da justiça imperativo.
Creio
numa Igreja que não esconde a verdade que lhe foi entregue
nem mitiga a mensagem que lhe foi confiada.
Creio
numa Igreja que prefere ser criticada pela sua fidelidade
do que festejada pela sua incoerência.
Creio
numa Igreja que está de pé diante dos homens e de joelhos (só) diante de Deus.
Creio
numa Igreja que opta por servir em vez de agradar.
Creio
numa Igreja que não fala por cálculo nem cala por conveniência.
Creio
numa Igreja que não olha à posição nem ao título das pessoas.
Creio
numa Igreja que denuncia e anuncia a propósito e fora de propósito.
Creio
numa Igreja pobre e despojada.
Creio
numa Igreja humilde e serva.
Creio
na Igreja do perdão e da misericórdia.
Creio
na Igreja do amor e da concórdia.
Creio
numa Igreja que assume os seus erros
e que sabe acolher os que erram.
Creio
na Igreja que chora com os que choram.
Creio
numa Igreja de portas abertas para os pequenos e para os pobres.
Creio
na Igreja da esperança e da alegria.
Creio
numa Igreja que nunca desiste de acreditar nem de amar.
Creio
na Igreja de Cristo.
Creio
numa Igreja para todos!

publicado por Theosfera às 13:02



O primeiro concílio ecuménico não consagrou apenas o pensamento ortodoxo. Também sufragou o paradoxo.

Ou seja, o ortodoxo é paradoxal.

Em Niceia, foi afirmado que Jesus não era apenas Deus. Foi sustentado que Jesus não era apenas Homem. Foi defendido que Jesus não era metade Deus e metade Homem. Foi proclamado que Jesus era totalmente Deus «e» totalmente Homem.

Querem maior paradoxo? Mas nem sempre isso tem sido compreendido e integrado. 

 O diferente não é, necessariamente, negação. E o próprio contrário pode não constituir oposição.

Trazer o mesmo para novos lugares não é desfigurar o perene. É dar voz ao eterno.

Recear o questionamento é que será bloquear a incessante transumância da verdade.

Ela não estaciona num tempo. Ela peregrina em todo o tempo!


publicado por Theosfera às 11:22


Era bom que se meditasse no processo de Jesus.

Foi entregue por inveja (cf. Mt 27, 18).

Pilatos fez tudo para O poupar. Só que as pressões do poder religioso, as ameaças de denúncia em Roma e a pressão de uma multidão ligada aos funcionários do Templo ditaram o veredicto.

Pilatos nada tinha contra Jesus, mas entre a defesa de um inocente e a preservação do seu lugar, a opção foi óbvia.

A desordem pública não seria bem vista em Roma. No entanto, seis anos mais tarde, viria a perder o lugar, como nos diz Flávio Josefo.

Já a «oclocracia» é a coisa mais volátil que existe. As multidões dão para tudo e para o seu contrário. Variam tão rapidamente como o vento!

publicado por Theosfera às 11:21


Hoje, dia 3 de Abril, fazia anos um grande benfeitor de Lamego e região: Mons. Ilídio Fernandes, que faleceu a 23 de Janeiro de 2005.

Apaixonado por Deus e devotado à pessoa humana, dedicava uma atenção especial ao mundo rural.

Ainda hoje, as obras por eles fundadas dão trabalho a muitas pessoas.

Não deixemos esquecer quem nunca nos esqueceu!

publicado por Theosfera às 11:17




Quando alguém morre, devemos calar. Quando alguém é morto, além de calar, devemos parar e pensar.

O que aconteceu numa universidade dos Estados Unidos não é tão frequente como poderemos supor, mas também não é tão raro como gostaríamos.

Porquê, meu Deus?



publicado por Theosfera às 11:16


A função da medicina não é só eliminar a doença. É também ajudar a pessoa a conviver, duradouramente quanto possível, com a enfermidade.

Marcel Proust percebeu isto e verbalizou a sua percepção com siblina ironia: «A natureza parece quase incapaz de produzir doenças que não sejam curtas. Mas a medicina encarrega-se da arte de prolongá-las»!

O segredo da felicidade não está só na superação dos problemas. Está também (e bastante) na convivência pacificante com eles, com os problemas!

publicado por Theosfera às 11:14


Mal tê-lo-emos sempre.

Mistério, como refere Miguel Real, acaba por ser o bem, tão disseminado está o mal.

O segredo da «ars vivendi» está, pois, em extrair o maior bem do maior mal.

Não é fácil. Mas também não é impossível.

publicado por Theosfera às 11:12

Segunda-feira, 02 de Abril de 2012

João Paulo II foi um mestre enquanto pai.
Bento XVI é um pai enquanto mestre.

João Paulo II foi um místico que transmitia paz.
Bento XVI é um estudioso que irradia saber.

João Paulo II tinha gestos firmes.
Bento XVI tem ideias fortes.

João Paulo II deu amplos passos.
Bento XVI vai emitindo abundantes sinais.

João Paulo II foi a toda a parte.
Bento XVI está em todo o lado.

João Paulo II fez teologia na missão.
Bento XVI faz missão na teologia.

João Paulo II tinha um enorme amor à fé.
Bento XVI mostra ter uma imensa fé no amor.

João Paulo II falava bem.
Bento XVI fala claro.

João Paulo II deixou o mundo diferente.
Bento XVI não deixa ninguém indiferente.

Não há, pois, contradição, mas complementaridade.
É o mesmo Espírito que sopra
e a mesma Igreja que caminha
ao encontro do Homem!

publicado por Theosfera às 11:13

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