O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

1. A «era do vazio» (aquela em que, segundo Lipovetsky, nos encontramos) não nos atira inevitavelmente para o nada. Pode conduzir-nos também para tudo.

O vazio torna-nos permeáveis a qualquer coisa. O vazio não significa necessariamente ausência. Pode significar, acima de tudo, falta de critérios.

O nosso tempo continua a ter valores. O problema é que os valores dominantes não são os valores do espírito, mas os valores do dinheiro. Este impõe-se até quando falha.

Nesta época (dita de crise), a preocupação é mais salvar os bancos do que ajudar as pessoas. A economia condiciona mais a política do que a política a economia. A moral e a espritualidade são postas à margem.

É por isso que a sociedade massificada e o homem tecnificado desvaloriza a verdade, a beleza, a sabedoria e a justiça. 

O pensamento é cada vez mais acrítico. O que nos chega de novo é visto como melhor só por ser novo. 

A novidade não é avaliada. O antigo não é integrado. Resultado? Perde-se o que se tinha e não se ganha o que se quer ter.

 

2. De tudo isto (e muito mais) nos fala Rob Riemen, que esteve recentemente em Portugal e que, nas suas obras, tem denunciado o logro civilizacional em que nos arrastamos.

Neste sentido, entende ser obrigação dos intelectuais devolver algumas palavras ao seu real significado.

Por exemplo, é fundamental explicar que «não é em torno do dinheiro que a vida se joga». Quem quiser viver com dignidade «tem de cultivar a nobreza de espírito».

Para isso, é fundamental promover o acesso à arte, à cultura, aos livros. É por aqui que teremos sensibilidade aos valores que nos precedem e nos transcendem: a verdade, a bondade, a beleza, a justiça.

Os próprios valores políticos e económicos devem assentar em valores espirituais. Sem estes valores, corremos o risco de vegetar numa mera democracia de massas. Sem valores espirituais, facilmente derivamos para o populismo, o imediatismo.

 

3. Tudo isto faz relevar, de novo, a centralidade da educação. 

Sucede que, como alerta Rob Riemen, «criámos um sistema de educação que não está interessado em dar a toda a gente a oportunidade de desenvolver os seus talentos. Porque deixámos de nos interessar pela humanidades e pela filosofia».

O actual sistema de educação só se preocupa com a economia, com o Estado, com o emprego. Não se preocupa, a montante e a jusante disso, com a pessoa, com a sua criatividade.

Não raramente, o sistema educativo formata as pessoas, nivela-as a partir de ideias preconcebidas. Não as prepara para as surpresas, para as adversidades, para o imprevisto.

Não basta, pois, dizer que o Estado assegura o acesso de todos ao ensino. É preciso ver o que se faz com esse sistema de ensino. 

As pessoas pensam melhor, mais profundemente, mais criativamente? As pessoas têm uma conduta mais decente, mais activa, mais cidadã, mais solidária?

Há que proporcionar, antes de mais, uma forma diferente de pensar. É nessa base que perceberemos que a nossa crise não é financeira; é de civilização.

Muitos nos disseram que não é por causa da economia estar bem que tudo corre bem. Por baixo dessa aparência, alerta Rob Riemen, «pode acontecer qualquer coisa que tem que ver com os valores morais».

E, no entanto, quais são as nossas referências, quais são os nossos heróis? Desde há décadas que as referências e os heróis deixaram de ser os poetas, os artistas e os pensadores. Passaram a ser os ricos, os famosos, os homens e as mulheres do espectáculo!

 

4. É preciso reaprender que a pessoa, cada pessoa, não vale pelo que tem.

Não é a roupa, o relógio, os sapatos que definem a pessoa. Também não é a presença nas redes sociais que sinaliza o seu valor.

O nosso sistema educativo oferece muitas e boas técnicas. O seu objectivo é conseguir uma profissão. Mas não é pensar.

É preciso que a sociedade volte a apostar nas pessoas como pessoas e não como meros activos. Urge investir de novo no perene, na amizade e na permanência na amizade.

O ruído e a pressa são os sintomas do vazio que nos inunda. Como não temos nada, andamos afanosamente à procura de qualquer coisa para nos preencher.

Só que aquilo que momentaneamente nos prenche dificilmente nos enche.

O ser humano precisa de mais. A humanidade merece melhor!   

publicado por Theosfera às 12:30


A imaturidade não é uma questão etária, não é uma questão de idade.

A imaturidade dos mais novos começa, muitas vezes, nos mais adultos.

Quem não cresceu poderá ajudar a crescer?

Quem não amadureceu poderá ajudar a amadurecer?

publicado por Theosfera às 10:07


Concordo inteiramente com o Padre António Vieira: «A maior capacidade que criou a natureza foi a do coração humano»!

publicado por Theosfera às 10:00


O que é a expectativa?

Muitas vezes, é só o desejo de ter mais tempo. Muitas vezes, ela é invocada quando não se sabe que fazer.

Expectativa foi definida por Ambrose Bierce como «estado mental que é precedido pela esperança e seguido pelo desespero».

Nem sempre. Mas muitas vezes!

publicado por Theosfera às 09:59


O normal até pode ser a maldade. Mas, tal como José Mattoso, continuo a ter esperança na bondade humana.

Também não acredito muito nas ideologias. Acredito mais nos ideais.

Mesmo que estes nunca sejam totalmente atingidos, inserem-nos num horizonte motivador: «o ideal da pureza, da beleza, da abnegação».

Ainda que não cheguemos lá, pele menos podemos tentar. Continuamente!

publicado por Theosfera às 09:58


O tempo muda. O tempo corre. O tempo voa.

A resposta à mudança não pode ser insistir no que está gasto. A resposta tem de passar pelo perene.

Neste campo, a estratégia da Igreja, refere José Mattoso, «deve ser a vivência do Evangelho, na sua autenticidade».

Não se trata, defende o historiador, de apostar tanto no pietismo e na ritualidade, mas numa atitude «vivencial e esclarecida»!

publicado por Theosfera às 09:57

«Pratique a simplicidade e a humildade e não se preocupe com as críticas deste mundo».
Assim falou (espantosa e magnificamente) S.Pio de Pietrelcina.
publicado por Theosfera às 09:56


Se, ontem, ouviu buzinas destemperadas, não foi o que está a pensar.

Não se tratava de condutores desesperados, mas de adeptos eufóricos.

O Porto jogara no sábado, mas o empate do Benfica no domingo depositou mais um título de campeão no seu currículo.

Parabéns. Esta noite não foi escura. Esta noite foi azul!

publicado por Theosfera às 09:54


Dizem que ontem foi o Dia Mundial do Sorriso.

Para muitos, só um dia mundial serve de pretexto para sorrir.

Mas ainda que esteja triste, não deixe de sorrir.

O sorriso pode não apagar a dor. Mas é importante sentir que nem a dor é capaz de apagar o sorriso!

publicado por Theosfera às 09:51


Por muito que achem o contrário, é verdade o que disse Goethe: «Escrever é um ócio muito trabalhoso».

publicado por Theosfera às 09:50


O que leva os defensores da austeridade a insistirem no mesmo? O que os leva a não ouvirem outras vozes? O que os leva a não tentarem outros caminhos?

Talvez duas coisas: não querem se habituaram a conviver com a diferença e, pessoalmente, nada sofrem com a crise.

Se os problemas são sentidos «em baixo», como é que as soluções hão-de vir «de cima»?

publicado por Theosfera às 09:49

São mais de vinte séculos de influência judaica. O mundo está muito marcado pelo que veio da Judeia. Não apenas ontem. Mas ainda hoje.

Da Judeia não veio só o Judaísmo. Veio também o Cristianismo. E veio igualmente o Marxismo.

George Steiner analisa, abundantemente, este percurso.

Moisés, Jesus e Marx eram judeus. Mas Freud, o fundador da Psicologia Analítica, também era. Albert Einstein igualmente.

Houve, no passado distante e no passado próximo, quem quisesse destruir este povo.

Mas o que conseguiram foi que ele se espalhasse por todos os povos!

publicado por Theosfera às 09:48

1. Que dizer de um sistema familiar onde os filhos não só não obedecem aos pais como dão ordens aos pais?

E que dizer de uma escola onde os alunos raramente fazem o que devem e frequentemente (só) fazem o que lhes apetece?

 

2. O drama da educação nota-se mais nas escolas, mas é nas famílias que ele germina.

O que não se obtém em casa dificilmente se alcança na escola. Se não há educação em casa, o ambiente para o ensino fica bloqueado na escola.

Há pais com receio. Há professores com medo. Na hora que passa, está mais à vontade um filho ou um aluno para prevaricar do que um pai ou um professor para corrigir.

 

3. A escola integra mas não diferencia. O mérito não é correctamente valorizado e o esforço não é devidamente estimulado.

Tanto progride quem trabalha como quem se esquiva. A avaliação é mais indicativa que selectiva.

No limite, é mais fácil que os medíocres contagiem os melhores do que os melhores contagiem os medíocres.

 

4. Todos aceitam que a educação é o maior investimento para o futuro. Mas ninguém ignora que ela é também o grande problema no presente.

Retiram-lhe condições, subtraem-lhe espaço e sobrecarregam os seus agentes.

 

5. O pior não é o orçamento para a educação ser reduzido. O mais grave é não perceber que a educação não é um exclusivo da escola.

O problema da educação não começa quando se entra na escola. O problema nota-se, desde logo, quando se sai de casa!

Quem não se habitua a respeitar a autoridade dos pais, como é que se habituará a respeitar a autoridade dos professores?

Enquanto intervenientes no processo educativo, os pais deveriam ser os grandes aliados dos professores. Não raramente, porém, posicionam-se como os seus maiores adversários.

 

6. Compreende-se que seja difícil definir a educação. Mas se não é fácil dar-lhe uma definição, não é impossível assinalar-lhe uma identidade.

A educação não se reduz à escolarização. Ela inclui os conhecimentos, mas não pode excluir os comportamentos.

É por isso que a educação começa quando se nasce e só termina quando se morre.

 

7. Há crianças que não suportam uma sugestão, que não atendem um conselho nem, muito menos, admitem uma ordem. Falam quando lhes apetece, brincam quando lhes apraz, trabalham quando lhes ocorre.

Acontece que esta é a via para o desastre. A educação não é um passatempo; é uma transformação.

Só há crescimento quando existe mudança. Só se chega à excelência pelo caminho da exigência.

 

8. A educação é, sem dúvida, um direito. Mas ela também comporta deveres.

É fundamental que haja igualdade de oportunidades. Mas isso não implica que haja igualdade de resultados.

Igualizar o que é diferente é não só uma afronta à verdade, mas também um atentado contra a justiça!

 

9. O Estado podia estimular uma alteração deste quadro desolador. Mas o Estado só quer que a escola aplique as suas normas.

Sucede que a função primacial da escola devia ser não a aplicação, mas a transformação.

Sendo a escola o berço do pensamento por antonomásia, causa arrrepios sentir como ela está quase impedida de pensar: de pensar a realidade e de se pensar a si mesma.

 

10. É fundamental libertar a escola, deixá-la actuar em todo o campo: na transmissão de conhecimentos e na vivência dos valores.

É urgente que o Estado deixe respirar a escola. E é decisivo recuperar o liame com a família. A escola começa na família!

publicado por Theosfera às 00:50

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