O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Quando escreveu a «Introdução ao Cristianismo», onde exalta a beleza da fé, Joseph Ratzinger começou a ser apontado como sendo o «Mozart da Teologia».

Este qualificativo deve-se não apenas ao apreço que o teólogo tem pelo músico, mas também pela similitude na arte.

Em campos diferentes, ambos realçam a elegância da forma. Ainda hoje, aquela obra é uma referência.

Já agora, quem será o «Bach da Teologia»?

Eu julgo que Rahner e von Balthasar disputam o título: pela imensidão da obra, pela elevação do espírito e por ficarmos tocados mesmo por aquilo que (neles) nos parece inatingível!

publicado por Theosfera às 23:41

Mensurar o que não é, em si mesmo, mensurável torna-se uma tarefa árdua.

Fazer um estudo sobre a religiosidade das pessoas é importante, mas não é fácil.

O recente estudo da Universidade Católica ressente-se dessa dificuldade. Como tipificar as diversas situações?

O conceito de «católico praticante» foi abandonado. Em seu lugar, aparece «católico militante». Já o «não praticante» dá lugar a «católico nominal».

Releve-se o esforço, mas registe-se a persistência da debilidade.

Trata-se da linguagem de quem estuda. Mas será esta a linguagem de quem é estudado?

Um católico pode não ir regularmente à Missa, mas pode considerar-se militante. Não milita no culto, mas milita na solidariedade, por exemplo.

E «católico nominal» não abrangerá a totalidade? Os que participam no culto também invocam o nome «católico».

Como dizia há minutos Frei Fernando Ventura, é preciso «ir à Missa» e também «ir à Vida»: antes e depois da Missa!
publicado por Theosfera às 23:38

«A crise da Igreja, dizia Ratzinger nos finais dos anos 60, é resultado do abandono do essencial. O que resta é uma mera luta pelo poder. Essa luta já existe abundantemente no mundo, não precisamos dela na Igreja».

Mas, por vezes (muitas vezes, infelizmente), essa luta infiltra-se e cola-se a ela como lapa!
publicado por Theosfera às 22:28


Dá a impressão de que «a Igreja tem as rédeas demasiado curtas, uma quantidade excessiva de leis, algumas delas responsáveis pela queda do século na descrença, em vez da sua condução à salvação. A fé tem de sair desta carapaça, tem de se confrontar com a situação actual, com uma nova linguagem e uma nova abertura. Assim, também na Igreja, deve criar-se uma nova liberdade».

Palavras pertinentes estas.

Têm exactamente 50 anos.

Foram proferidas, em 1962, por um teólogo (então) emergente: Joseph Ratzinger!

publicado por Theosfera às 22:04


A falta de clareza nos pensamentos e nas decisões resulta, muitas vezes, de querermos pensar e decidir muitas coisas ao mesmo tempo.

É por isso que a meditação adquire uma importância determinante.

Dizia Buda: «A nossa vida é determinada pela nossa mente. Tornamo-nos naquilo que pensamos»!

A vida das pessoas assemelha-se à vida dos povos. Hoje, os extremismos são uma tentação e a moderação é uma ausência.

Os antigos diziam que a virtude está no meio. Buda não se sentiu bem quando levava uma vida de luxo no palácio. E sentiu-se mal quando optou por uma mortificação em excesso.

Advogou, por isso, o chamado caminho do meio. Evitava os extremos e apostava sobretudo na meditação!

A vida e a morte do Buda foram mananciais de ensinamentos. A humildade e o despojamento avultam em doses supinas.

Pouco antes de morrer, o Buda foi abordado pelo seu primo Ananda.

Queria este que indicasse um sucessor. Mas o Buda objectou: «Do mesmo modo que nunca tentei sujeitar a comunidade aos meus ensinamentos, também não lhe deixo instruções acerca do meu sucessor. Depois da minha morte, cada um terá a sua própria ilha, o seu próprio refúgio». Em cada um está o caminho para a verdade!

publicado por Theosfera às 10:07


Não se pense que é só a derrota a trazer dificuldades. Às vezes, as vitórias também trazem problemas.

Churchill exarou: «Os problemas da vitória são mais agradáveis do que os da derrota, mas não são menos difíceis».

Não raramente, é com os triunfos que começam as decadências.

Muitos só procuram chegar ao alto. Depois, não sabem estar nele!

publicado por Theosfera às 10:05


Ele disse que, se pudesse, faria tudo outra vez.

Ele matou 69 pessoas pacíficas.

Ele está a ser julgado e não mostra arrependimento.

Ele tem estudos e vive num país culto.

Ele acha que está a prestar um serviço à civilização.

Ele acha que os outros são uma ameaça. Não pelo que fazem, mas apenas por existirem.

Ele entende que as diferenças se resolvem não com diálogo mas com a agressão.

Quantos Anders Breivik estarão a germinar entre nós?

publicado por Theosfera às 10:04


Para se aferir a pujança de uma igreja, a multidão é pouco e o culto não é tudo.

O importante, embora alentador, não é reunir muita gente de vez em quando.

O decisivo, embora estimulante, não é juntar muitas pessoas com frequência.

O fundamental é viver o mandamento do amor: em cada instante, em toda a parte!

Esta é a maior carência. Esta tem de ser a maior urgência!

publicado por Theosfera às 10:03


Outrora, as ditaduras eram fruto da imposição de alguns. Hoje, correm o risco de ser fruto da desistência de muitos.

Há quem faça tudo para condicionar a democracia. Que estamos a fazer nós para salvaguadar a liberdade e a sua irmã gémea, a justiça?

Muitos avançam porque muitos outros se retraem.

Há que estar alerta. A história não oferece nada. Ela só conserva o nome daqueles que acreditam. E nunca desistem!

publicado por Theosfera às 10:01


Tanta gente a falar em nome de Deus. Tantos a arvorar-se em Seus putativos porta-vozes.

Tantas palavras Lhe são atribuídas.

O que Deus diz, na pessoa de Seu Filho e na consciência de todos os Seus filhos, permite inferir que Ele só quer uma coisa: que cada pessoa seja feliz.

Por isso Ele enviou o Seu Filho. Por isso Ele deu a vida. Para que todos tenham vida. E vida feliz!

publicado por Theosfera às 07:22


Um grande sábio chamado Agostinho disse há séculos: «É quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa».

Os que só vêem nuvens não conseguem impedir que as estrelas brilhem.

Demos tudo no presente.

E deixemos que o futuro seja futuro. E não mera repetição (ou agravamento) do presente!

publicado por Theosfera às 07:20


D. António Couto, Bispo de Lamego, assinala hoje o seu aniversário natalício.

«Oremus pro Eum»!

publicado por Theosfera às 07:19

1. Há estudos que revelam o que ainda poucos sabem. E há estudos que mostram o que toda a gente já conhece.

 

A sondagem realizada pela Universidade Católica documenta o que temos sido capazes de ver mas incapazes de inverter. Ou seja, o número de católicos, apesar de continuar elevado, está a cair. Ainda são muitos (79,5%), mas são cada vez menos (há doze anos, eram 86,9%).

 

Acresce que — aspecto importante — os portugueses não estão a ficar descrentes (estes não chegam a 10%). Estão, sim, a optar por outras confissões cristãs, por outras religiões ou, então, por cultivar a fé longe de qualquer enquadramento institucional.

 

Tudo somado, temos vasta matéria para reflexão e muitas pistas para a missão.

 

Desde logo, importa retomar a interpelação deixada por Joseph Ratzinger nos anos 70: estará a ser a Igreja uma via ou um obstáculo para a busca de Deus e o anúncio de Cristo?

 

 

2. Para se aferir a pujança de uma igreja, a multidão é pouco e o culto não é tudo.

 

Estes indicadores, embora relevantes, são insuficientes para conferir a totalidade do que está em causa.

 

Eles tipificam o que se refere ao ocasional, isto é, ao que se passa durante certos momentos do ano, do mês ou da semana. Mas não permitem colher o que ocorre de forma constante.

 

Os estudos avaliam o mensurável, designadamente o envolvimento com a instituição Igreja. Mas a fé tem muito que não é mensurável: a relação com Deus e com as pessoas a partir de Deus.

 

 

3. Estes trabalhos quantificam, habitualmente, o que se refere ao «vir». O que se apresenta são números e percentagens sobre aqueles que «vêm» à Igreja.

 

Sucede que, sendo a Igreja por natureza missionária (como recordou Paulo VI), o primeiro movimento é «ir». E este «ir» há-de visar não apenas «atrair», mas também (e acima de tudo) «repartir».

 

Num tempo em que muitos chamam seu ao que é comum, é determinante que cada um se disponha a chamar comum ao que é seu.

 

Trata-se daquele «comunalismo» desenhado nos Actos dos Apóstolos e que tanto impressionava os contemporâneos dos cristãos da primeira hora (cf. Act 4, 32).

 

 

4. Nos tempos que correm, a fenomenologia da descrença mantém-se residual.

 

Ora, isto contradiz, uma vez mais, a ideia, difundida por alguns, do «eclipse de Deus» na sociedade. O encanto por Deus mantém-se. O desencanto pela Igreja é que se acentua. Como inverter esta última tendência?

 

Propostas haverá muitas, mas todos os caminhos terão de passar por um duplo eixo: espiritualidade e solidariedade.

 

As pessoas valorizam, cada vez mais, a vivência de Deus no seu interior e anseiam por um testemunho de Deus no exterior. Trata-se, em suma, de uma «sócio-espiritualidade».

 

A Igreja cai sempre que se aquieta e cresce sempre que se inquieta. A Igreja tem de se «des-centrar» para se «re-centrar». Tem de se «des-centrar» de si para se «re-centrar» naquele que era o duplo centro para Jesus: Deus e o Homem.

 

Tal como para Jesus, também na Igreja Deus tem de ser a prioridade e o Homem o caminho.

 

Já dizia o apóstolo João: «Quem ama a Deus, ame também a seu irmão»(1Jo 4, 21)!

publicado por Theosfera às 00:15

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