O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 06 de Abril de 2012

Um dos grandes clichés, que estes dias desmontam, assegura que dos fracos não reza a história.

 

Não é isso o que Jesus nos mostra. Não é isso o que, por exemplo, S. Paulo nos atesta.

 

A Páscoa é, antes de mais, um mistério de fragilidade. De uma fragilidade inteiramente assumida, francamente exposta e abertamente oferecida.

 

Quando Se apresenta pronto para sofrer a morte, Jesus não esconde que «a carne é fraca» (Mt 27, 41).

 

A fragilidade é reveladora, é solidária.

 

As pessoas revelam-se mais quando não escondem a sua fragilidade.

 

Tony Blair percebeu isto quando escreveu que «ser humano é ser frágil».

 

Jesus não fez exibições de força. A Sua maior força radicou na Sua capacidade de assumir a fraqueza.

 

Os fortes podem ganhar batalhas. Mas são os frágeis que obtêm a maior vitória: a do amor.

 

Os fortes são vistos como vencedores porque eliminam os outros, porque se sobrepõem aos outros.

 

Os frágeis são apontados como vencidos porque se esquecem de si, porque vivem em função dos outros.

 

Mas não é nesta fragilidade que reside a nossa salvação? Não é, portanto, nesta fragilidade que está a maior força?

 

Os fortes vão destruindo vidas. Os frágeis são os que se sacrificam para que outros tenham vida.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua fragilidade. Porque recusaste o uso da força. Porque não quiseste exibir qualquer força. A não ser a do Teu imenso amor!

publicado por Theosfera às 21:36


Podemos dizer que, neste dia, também a Igreja se volta para um «neue mitte», um novo centro.

 

Hoje, não há Missa. Tudo está centrado na Cruz.

 

Não se trata de fazer a apologia da dor, mas de estar em comunhão solidária com tantos que continuam a actualizar a Cruz.

 

Com eles, acreditamos que é possível vencer a Cruz. E chegar à Ressurreição!

publicado por Theosfera às 20:36

 

É tão pesada a Cruz,

a Tua Cruz, Senhor,

que não sei como conseguiste erguê-la

nem como conseguiste erguer-Te

depois de, por três vezes,

ela Te ter feito cair.

 

Como foi possível, Senhor,

depois já de tanto sangue derramado?

Como foi possível, Senhor,

depois já de tantas atrocidades?

Como foi possível, Senhor,

depois da agonia, da flagelação, da coroação de espinhos?

 

Não concebo, mas percebo.

Tu conseguiste arcar com o peso do madeiro,

porque mais pesado que a Cruz era o peso do amor,

o peso do Teu infinito amor.

 

Não concebo, mas percebo:

o Teu amor emagreceu a Cruz,

o Teu amor encolheu a Cruz.

 

Quem olha para Ti, Senhor,

dá a impressão de que a Tua Cruz era leve.

Nada nem ninguém Te fez recuar.

 

Deixa-me, Senhor, pegar na Tua Cruz.

Ela está ao meu lado,

à minha beira.

 

A Tua Cruz continua pesada,

bem pesada,

em tantos lares, hospitais, ruas.

 

A Tua Cruz, Senhor,

tem hoje o nome de miséria,

injustiça, falsidade,

superficialidade e comodismo.

 

Deste-nos tanto,

dás-nos tudo.

E nós, tantas vezes,

recuamos e recusamos

dar-Te um tempo, uma hora, um dia.

 

Acorda-nos, Senhor,

desperta-nos da sonolência em que caímos.

Faz-nos olhar para Ti,

para a Tua Cruz, Senhor!

publicado por Theosfera às 11:28

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 11:22


O processo de Jesus configura a condenação da ousadia, da coragem de ser diferente, da liberdade de ser fiel à própria consciência.

Jesus corporizou maximamente o «franc parler» (falar franco) e o «free speech»(falar livre).

Pagou um preço elevado? Sem dúvida.

Já Eugénio de Andrade percebeu que «a independência tem um preço». Mas vale a pena pagá-lo!

publicado por Theosfera às 06:33

É ali, na Cruz, que se encontra a dura cátedra e a última lição.

 

Olhamos para ela. Mas será que aprendemos com ela?

 

O que vem da Cruz é despojamento, humildade. É presença. E é também abandono. É o divino que reluz numa humanidade que resplandece mesmo quando se apaga.

 

A Igreja, segundo um teologúmeno muito antigo, nasce aqui: numa morte, portanto.

 

Também a Igreja existe para morrer. Ou seja, para se descentrar. Ela existe não para si, nem por causa de si. Ela existe para ser aquela respiração divina na humanidade dos seus membros.

 

É por isso que só o poder desfigura a Igreja. Não é a humanidade.

 

A Igreja trouxe-nos Cristo. Levar-nos-á, hoje, até Cristo?

 

Não são as palavras que depõem. É o amor (ou a sua ausência) que decide.

 

O mundo continua a estremecer diante do Crucificado. E há uma luz de encantadora humanidade que se desprende de uma vida que se entrega.

 

A morte de Cristo é morticida. Mata a morte. Até a morrer se pode oferecer um autêntico padrão de vida.

 

Numa altura em que a questão de sentido adquire novos patamares de dramaticidade, eis uma preciosa oferta que nos vem da Cruz. De uma vida que se dá.

publicado por Theosfera às 05:03

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