O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 03 de Abril de 2012

1. O feriado foi extinto. Mas a vivência não se extingue. E, aproveitando o andar do tempo, valerá a pena recuar um pouco nele para reavivar o que aconteceu a 1 de Dezembro de 1640.

Foi nesse dia que Portugal viu a sua independência restaurada. Era um saboroso ponto de chegada. Mas havia ainda muito por fazer. Uma das prioridades do novo rei era obter o mais amplo reconhecimento internacional.

Com esse propósito, D. João IV organizou uma embaixada ao Vaticano. Queria prestar obediência ao Papa e conseguir que este o reconhecesse como rei.

Nada melhor que colocar um clérigo à frente de tal embaixada. E quem foi o escolhido?

Não foi o bispo de Lisboa, nem do Porto, nem de Braga, nem de Coimbra, nem de Évora. O escolhido, por sinal, até nasceu em Évora, mas era bispo de Lamego!

Curiosamente, tinha sido proposto para o episcopado pela corte espanhola, em 1635. Mas, apesar disso, as suas convicções patrióticas deviam ser bem conhecidas.

Restaurada a independência nacional a 1 de Dezembro de 1640, D. Miguel foi chamado a Lisboa logo a 8 de Janeiro de 1641 para chefiar a referida missão diplomática com o título de «embaixador extraordinário».

O rei admirava-o não só pelo seu saber, mas também «pela sua delicadeza natural» e, repare-se, «pelo facto de residir continuamente na sua igreja de Lamego». O que, naqueles tempos, não era habitual.

É claro que esta era uma missão deveras melindrosa. Sabia-se que os representantes de Espanha iriam fazer tudo para impedir a audiência papal.

Por isso, o rei já se contentava com um encontro privado. A audiência pública poderia esperar.

 

2. A partida ocorreu a 15 de Abril. Em Paris, o Núncio Apostólico rescusou-se a receber a delegação portuguesa. Não era bom augúrio, mas nem isso foi motivo para desistir.

D. Miguel chegou a Roma a 20 de Novembro, sete meses depois de ter saído de Lisboa, recebendo escolta pontifícia porque constava que os espanhóis já mobilizavam pessoal e armas. 

O Papa Urbano VIII esteve a par de todas as movimentações, mas nunca chegou a satisfazer as pretensões portuguesas. 

A Espanha moveu as suas influências e conseguiu que o Sumo Pontífice não recebesse D. Miguel: nem como embaixador nem sequer como bispo!

O máximo que conseguiu, depois de muita insistência, foi uma recepção pelas portas secretas. Mas isso foi rejeitado pelo bispo de Lamego.

Como refere Gonçalves da Costa, a Espanha «moveu uma verdadeira guerra diplomática enviando à cúria pontifícia longos e sucessivos memoriais contra o direito de D. João IV, libelos que os portugueses procuravam rebater pelo mesmo processo».



 

3. Assim se foi passando o tempo. Concretamente, o ano de 1642 foi todo passado em Roma, com diligências portuguesas e obstáculos espanhóis. Estes não olharam a meios e, a 20 de Agosto, organizaram mesmo um atentado contra D. Miguel, que regressava de uma ceia em casa do embaixador francês.

O bispo de Lamego não foi atingido. Conseguiu chegar à sua residência. Mas do confronto resultaram vários mortos: cinco do lado português e oito do lado espanhol!

D. João IV, que era cristão devoto, ficou ressentido e determinou que, se até 20 de Novembro (quando se completava um ano de permanência em Roma), o Papa não recebesse D. Miguel, este regressaria a Portugal.

Desiludido e exausto, abandonou Roma a 20 de Dezembro de 1642. O Papa nem a bênção apostólica deu ao representante do monarca português.

A missão não teve o resultado desejado, mas D. Miguel não deixou de ter o reconhecimento devido. D. João IV ficou-lhe sempre grato e quis nomeá-lo arcebispo de Évora. Só que o Papa (uma vez mais!) não atendeu o seu pedido.

Mas ele também faleceu pouco depois, a 3 de Janeiro de 1644. Morreu porventura desapontado com o que se passou em Roma, mas certamente reconfortado por ter servido o seu país.

 

4. Lamego não o esqueceu. A sua figura está imortalizada em frente ao Museu, que, como se sabe, foi, durante muito tempo, a Casa Episcopal.

O monumento foi inaugurado em 1951 e é uma obra do escultor madeirense Francisco Franco.

Quem por ali passar terá oportunidade de evocar alguém que tinha Portugal no nome e no coração. E que fez tudo para que o país fosse reconhecido no mundo.

Eis um grande ensinamento para o presente. Eis uma preciosa lição para o futuro.



publicado por Theosfera às 13:59

Creio
na Igreja nascida do Pai, gerada pelo Filho e alimentada pelo Espírito.
Creio
numa Igreja totalmente voltada para Deus e completamente virada para o Homem.
Creio
numa Igreja que fala de Deus aos homens e que fala aos homens de Deus.
Creio
numa Igreja que faz da oração prioridade e da justiça imperativo.
Creio
numa Igreja que não esconde a verdade que lhe foi entregue
nem mitiga a mensagem que lhe foi confiada.
Creio
numa Igreja que prefere ser criticada pela sua fidelidade
do que festejada pela sua incoerência.
Creio
numa Igreja que está de pé diante dos homens e de joelhos (só) diante de Deus.
Creio
numa Igreja que opta por servir em vez de agradar.
Creio
numa Igreja que não fala por cálculo nem cala por conveniência.
Creio
numa Igreja que não olha à posição nem ao título das pessoas.
Creio
numa Igreja que denuncia e anuncia a propósito e fora de propósito.
Creio
numa Igreja pobre e despojada.
Creio
numa Igreja humilde e serva.
Creio
na Igreja do perdão e da misericórdia.
Creio
na Igreja do amor e da concórdia.
Creio
numa Igreja que assume os seus erros
e que sabe acolher os que erram.
Creio
na Igreja que chora com os que choram.
Creio
numa Igreja de portas abertas para os pequenos e para os pobres.
Creio
na Igreja da esperança e da alegria.
Creio
numa Igreja que nunca desiste de acreditar nem de amar.
Creio
na Igreja de Cristo.
Creio
numa Igreja para todos!

publicado por Theosfera às 13:02



O primeiro concílio ecuménico não consagrou apenas o pensamento ortodoxo. Também sufragou o paradoxo.

Ou seja, o ortodoxo é paradoxal.

Em Niceia, foi afirmado que Jesus não era apenas Deus. Foi sustentado que Jesus não era apenas Homem. Foi defendido que Jesus não era metade Deus e metade Homem. Foi proclamado que Jesus era totalmente Deus «e» totalmente Homem.

Querem maior paradoxo? Mas nem sempre isso tem sido compreendido e integrado. 

 O diferente não é, necessariamente, negação. E o próprio contrário pode não constituir oposição.

Trazer o mesmo para novos lugares não é desfigurar o perene. É dar voz ao eterno.

Recear o questionamento é que será bloquear a incessante transumância da verdade.

Ela não estaciona num tempo. Ela peregrina em todo o tempo!


publicado por Theosfera às 11:22


Era bom que se meditasse no processo de Jesus.

Foi entregue por inveja (cf. Mt 27, 18).

Pilatos fez tudo para O poupar. Só que as pressões do poder religioso, as ameaças de denúncia em Roma e a pressão de uma multidão ligada aos funcionários do Templo ditaram o veredicto.

Pilatos nada tinha contra Jesus, mas entre a defesa de um inocente e a preservação do seu lugar, a opção foi óbvia.

A desordem pública não seria bem vista em Roma. No entanto, seis anos mais tarde, viria a perder o lugar, como nos diz Flávio Josefo.

Já a «oclocracia» é a coisa mais volátil que existe. As multidões dão para tudo e para o seu contrário. Variam tão rapidamente como o vento!

publicado por Theosfera às 11:21


Hoje, dia 3 de Abril, fazia anos um grande benfeitor de Lamego e região: Mons. Ilídio Fernandes, que faleceu a 23 de Janeiro de 2005.

Apaixonado por Deus e devotado à pessoa humana, dedicava uma atenção especial ao mundo rural.

Ainda hoje, as obras por eles fundadas dão trabalho a muitas pessoas.

Não deixemos esquecer quem nunca nos esqueceu!

publicado por Theosfera às 11:17




Quando alguém morre, devemos calar. Quando alguém é morto, além de calar, devemos parar e pensar.

O que aconteceu numa universidade dos Estados Unidos não é tão frequente como poderemos supor, mas também não é tão raro como gostaríamos.

Porquê, meu Deus?



publicado por Theosfera às 11:16


A função da medicina não é só eliminar a doença. É também ajudar a pessoa a conviver, duradouramente quanto possível, com a enfermidade.

Marcel Proust percebeu isto e verbalizou a sua percepção com siblina ironia: «A natureza parece quase incapaz de produzir doenças que não sejam curtas. Mas a medicina encarrega-se da arte de prolongá-las»!

O segredo da felicidade não está só na superação dos problemas. Está também (e bastante) na convivência pacificante com eles, com os problemas!

publicado por Theosfera às 11:14


Mal tê-lo-emos sempre.

Mistério, como refere Miguel Real, acaba por ser o bem, tão disseminado está o mal.

O segredo da «ars vivendi» está, pois, em extrair o maior bem do maior mal.

Não é fácil. Mas também não é impossível.

publicado por Theosfera às 11:12

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