O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 25 de Março de 2012
«Nasci adulta. Morrerei criança».
 
Assim escreveu Agustina Bessa-Luís.
 
O problema é que só damos conta disso bastante tarde.
 
Mas antes tarde que nunca.
 
Vale sempre a pena perceber que a maturidade está na pureza, na autenticidade!
publicado por Theosfera às 14:14

Uma vez mais, Senhor,

eis-nos na Tua escola

para aprender conTigo,

para beber das lições que nos dás,

com a Tua Palavra e sobretudo com a Tua vida.

 

Tu não páras de nos surpreender.

Será que alguma vez aprenderemos

a profundidade e o alcance das Tuas lições?

 

Para Ti, Senhor, só ganha quem perde,

só volta à vida quem dá a vida.

 

A Tua hora é a hora da glória

e a a tua glória está na Cruz,

está na oferta total da vida,

na entrega plena do ser.

 

Que nós sejamos, Senhor, como o grão de tigo.

Que não tenhamos medo de descer à terra.

É do fundo que se sobe.

É de trás que se avança.

 

Que não tenhamos medo da obscuridade.

Porque a Tua luz, Senhor,

brilha em todo o lado.

 

Ensina-nos, Senhor,

a não fugir dos problemas

e a não ter receio das dificuldades.

 

Tu nem da morte fugiste

e, abraçando a morte,

venceste a morte.

 

Como os Teus contemporâneos,

também nós, hoje, Te queremos ver.

Que todos Te possam ver em nós

e que, através do nosso testemunho,

Te possam encontrar,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:30

Sábado, 24 de Março de 2012
Muito se lê a Bíblia. E tão pouco se extrai da Bíblia.
 
Para a presente crise que dilacera a Europa, alguém já se lembrou de aplicar a receita bíblica?
 
A Bíblia também tem uma proposta para a questão da dívida.
 
Não defende, porém, a sua negociação, mas a sua eliminação.
 
No Ano Sabático, que ocorria de sete em sete anos, as dívidas dos mais pobres deviam ser perdoadas (Dt 15, 1-3).
 
Os frutos da terra deviam estar à disposição dos mais pobres (Ex 23, 10-12).
 
Foi neste espírito que, já em 1994, João Paulo II propôs um «perdão total da dívida internacional»!
publicado por Theosfera às 17:11

As coisas têm preço. As pessoas têm dignidade.
 
Alguém poderia fazer o favor de encaminhar este (imortal) ensinamento de Kant a quem decide o nosso destino?
publicado por Theosfera às 17:10

Quando olhamos para trás não nos limitamos a mergulhar no passado.
 
Aprendemos também a preparar o futuro.
 
Foi no passado, às vezes no passado mais distante, que o futuro começou a germinar.
 
Quem não dá atenção ao passado compromete o futuro.
 
Quem lê, por exemplo, os textos de Zubiri (com quase cem anos) fica extasiado com a sua excruciante actualidade!
 
publicado por Theosfera às 17:08

O mais significativo, para mim, não é quem possa vir a ganhar as eleições em Timor.
 
O mais significativo para mim é a forma como Ramos-Horta soube perder!
publicado por Theosfera às 17:07

Conhecemos as coisas como se manifestam. Não as conhecemos, porém, como elas são.
 
Kant já o advertiu.
 
E acerca das pessoas poder-se-á dizer o mesmo. Há sempre uma surpresa à nossa espera. O que nos chega é o que as pessoas mostram.
 
O que as pessoas são fica, muitas vezes, envolvido numa nuvem de mistério.
 
Tudo, em síntese, pode ser pensado. Mas nem tudo pode ser conhecido!
publicado por Theosfera às 17:05

O terceiro volume dos «Cursos Universitários» de Zubiri não será muito empolgante.
 
Nota-se que se trata de bases para palestras orais.
 
Mesmo assim, é de realçar a profundidade analítica do Autor e a sua visão integradora.
 
Despertar será, pois, despertar para a luz!
publicado por Theosfera às 17:04

Deus poder ser pensado. Mas, acima de tudo, deve ser sentido.
 
É por isso que Ele é mais para ser mostrado que demonstrado.
 
E é por isso também que o silêncio e os gestos valerão sempre mais que as palavras e os conceitos!
publicado por Theosfera às 17:03

«Nunca chegamos aos pensamentos. São eles que vêm».
 
Heidegger sabia bem o que dizia. Daí a importância do que nos deixa como uma evidência e um alerta.
 
É que existe a tendência de subordinar a verdade à conveniência quando o importante é subordinar a conveniência à verdade.
 
Boris Pasternak advertiu: «Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibidade que se esforçam ao máximo por ignorar a verdade»!
publicado por Theosfera às 17:01

Trayvon Martin tinha um pacote de rebuçados e uma lata de chá na mão. Andava na rua numa noite chuvosa.
 
O vigilante de um condomínio suspeitou do jovem. Chamou a polícia. Esta disse para não fazer nada. Entretanto, o vigilante disparou. O jovem morreu.
 
Era negro!
 
É claro que há as alegações de legítima defesa. Mas também começaram a chover suspeitas de que o negro é sempre uma ameaça.
 
O debate está acelerado nos Estados Unidos!
publicado por Theosfera às 17:00

Não é a capacidade que faz a diferença. É o esforço, a persistência, a dedicação.
 
Albert Einstein disse tudo quando disse (somente) isto: «Não tenho nenhum talento especial. Sou apenas apaixonadamente curioso»!
publicado por Theosfera às 16:59

Palpita-me que não estamos a usar devidamente o maior capital de que dispomos: o tempo.
 
Pior, quer-me parecer que estamos a gastá-lo e não a aproveitá-lo, a investi-lo, a optimizá-lo.
 
E enquanto gastamos o tempo, o tempo vai-nos desgastando a nós!
publicado por Theosfera às 16:58

Quem já não tomou comprimidos para a memória? Mas quem já não pensou também em recorrer a comprimidos para o esquecimento?
 
Ao que parece, esse desejo está em vias de poder ser satisfeito.
 
Um grupo de investigadores descobriu uma proteína (PKMzeta) que estabiliza ligações entre os neurónios responsáveis pelas lembranças.
 
Bloqueando essa proteína, a memória poderá ser apagada.
 
Os referidos investigadores estão à procura de um medicamento que opere tal bloqueio. O método não consiste em reprimir as más recordações.
 
A pessoa será convidada a recordar-se, mas sem aquela proteína, não haverá ligações neuronais e a memória negativa deixará de existir.
 
Viável?
publicado por Theosfera às 16:57

D. Óscar Romero, intrépido defensor dos mais pobres em El Salvador, foi assassinado neste dia, em 1980, quando celebrava a Eucaristia.

 

D. Óscar foi morto por causa da sua verticalidade. Porque nunca tergiversou.

 

Recebeu ameaças sucessivas para que se calasse. Mas não se calou. Humilde, considerava não ser digno da «graça do martírio».

 

Só que as balas surgiram e irromperam, cruéis, pela Igreja em que oficiava.

 

O seu exemplo marcou-me bastante. Na minha vida de padre, o seu testemunho interpela-me constantemente.

 

Um Homem de Deus é sempre um Homem para os Homens.

 

D. Óscar Romero levou a Eucaristia à vida e à morte.

 

Foi alguém que leu o Evangelho nos livros e o reescreveu na vida.

 

Morreu com um tiro no coração. Porque era o seu coração que mais incomadava.

 

Curiosamente é no coração das pessoas que D. Óscar sobrevive.

 

E é no coração de Deus que D. Óscar se mantém vivo e vivificante.

 

Vale a pena viver assim. Vale a pena morrer assim. Tanto mais que quem assim morre nunca falece. Permanece para sempre!

publicado por Theosfera às 06:19

Sexta-feira, 23 de Março de 2012
O êxito é agradável. Mas o fracasso pode ser mais fecundo.
 
Já na Antiguidade, Ésquilo sustentava que «o saber foi dado aos homens por meio do fracasso».
 
É o fracasso que leva a questionar, a procurar e a superar-se.
 
Os fracassos são sempre nascentes de grandes vitórias.
 
Jesus acabou como um fracassado e ressurgiu como um vencedor, como um definitivo aniceto (invencível).
 
Agostinho de Hipona tinha razão: «É quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa»!
publicado por Theosfera às 09:47

«A solidão é essencial à fraternidade».
 
Cada vez me revejo mais neste pensamento de Gabriel Marcel, que só aparentemente é contraditório ou aporético.
 
De facto, um solitário é quase sempre solidário.
 
Na solidão costuma fermentar a solidariedade.
 
Quando estamos sós, percebemos melhor a dor de quem (também) está só.
 
Ao invés, na multidão é habitual haver muitos atropelos e toneladas de indiferença!
publicado por Theosfera às 09:45

Quando não se pensa a montante, estamos condenados a penar a jusante.
 
A Europa tem dado sobejos sinais de confundir unidade com uniformidade.
 
Acontece que uma união não implica a eliminação das diferenças. Pelo contrário, uma união é a convivência entre diferenças.
 
Este pressuposto devia matriciar um entidade que, com o passar do tempo, se foi tornando cada vez mais heterogénea, praticamente continental.
 
Uma moeda única desde Portugal até à Estónia é um sonho bonito, mas também um passo arriscado.
 
Há quem fale, agora, da possibilidade de haver duas moedas. Mas isso soa a remendo.
 
Nisto, como em tudo, importa perceber que as diferenças não têm de nos separar. Elas podem (e devem) servir também para unir!
publicado por Theosfera às 09:44

A greve não foi geral.
 
A adesão foi menor que a esperada. E a violência foi maior que a desejada.
 
Não é assim que saímos daqui!
publicado por Theosfera às 09:43

Quinta-feira, 22 de Março de 2012
Sentimos que, nesta crise, começa a faltar dinheiro, a faltar sensatez, a faltar visão.
 
Ainda temos um recurso precioso: tempo.
 
Não deixemos que o tempo falte. Apostemos nele. E não só no instante.
 
O tempo não é apenas o momento. É também a duração, o horizonte!
publicado por Theosfera às 10:28

O que faz a diferença num líder não é apenas a visão do que acontece.
 
É também (e sobretudo) a antevisão do que pode vir a acontecer!
publicado por Theosfera às 10:28

Terão alguns de perder os direitos adquiridos para que outros não percam os seus privilégios adquiridos?
 
Estarão os privilégios acima dos direitos?
publicado por Theosfera às 10:27

A gasolina vai continuar a subir em 2012. A crise passar em 2013?
 
A experiência impõe duas interrogações.
 
Porque é que, regra geral, o que tememos acontece?
 
E porque é que, habitualmente, o que desejamos não ocorre?
publicado por Theosfera às 10:17

Palpita-me que esta greve (recurso que defendo) vai atingir mais as vítimas da crise do que os causadores da crise.
 
Ela vai ser feita por aqueles que ainda têm emprego. Não poderá ser feita por aqueles que já não têm trabalho.
 
Os responsáveis pela crise virão dizer que não podem mudar a situação. As vítimas da crise é que continuarão a sofrer.
 
Julgo que é tempo de repensar certas formas de actuação. Também é preciso inovar nas formas de intervenção cívica!
 
De uma greve esperar-se-ia que fosse sobretudo uma acção cidadã. Os protagonistas deviam ser os trabalhadores.
 
Mas se a realidade está na comunicação, o que nos é mostrado é que a greve tende ser uma manifestação sobretudo política.
 
A toda a hora, neste dia, surge sempre o mesmo líder sindical e o mesmo líder partidário.
 
É óbvio que, num país lívre, ninguém está impedido de intervir. Mas era salutar que o espaço mediático fosse mais aberto!
 
A propósito deste dia, evoco Camilo José Cela: «Uma greve de intelectuais, que é um pressuposto improvável, paralisaria a marcha do mundo»!
publicado por Theosfera às 10:13

Quarta-feira, 21 de Março de 2012

O silêncio não só evita muitos problemas, mas abre também muitos caminhos.

 

Sobre o silêncio, nem sempre nem nunca.

 

O discernimento é vital.

 

O Mestre dos Mestres foi tão eloquente quando falou como quando calou.

 

E disse-nos tanto no grito da Cruz como nos silêncio do sepulcro.

 

O silêncio é o nada donde vem tudo. Não é esse o transe da criação?

publicado por Theosfera às 11:03

«Se abolíssemos o que não é essencial das várias religiões - disse Kahil Gibran -, viveríamos em união e partilharíamos fraternalmente uma grande fé e religião».

 

E o que é essencial?

 

Silêncio e fraternidade.

 

Silêncio para acolher o grande murmúrio que Deus faz ecoar no mundo.

 

E fraternidade para estender a mão àqueles que vão caindo nas estradas do tempo.

 

Se ficássemos só com o essencial, perderíamos muito. Mas ganharíamos tudo.

 

A totalidade não está nas parcelas. Está na alma.

 

A fé não pode ser rígida como a morte. A fé só pode ser leve (e refrescante) como a vida!

 

A rigidez em nome de Deus acaba por constituir uma enorme malfeitoria ao próprio Deus.

 

Pretender impor um único caminho para chegar a Deus significa não perceber que Ele mesmo percorre muitos caminhos para chegar até nós.

 

Kahil Gibran percebeu tudo: «Deus fez a Verdade com muitas portas, para receber todos os que a elas baterem»!

 

publicado por Theosfera às 10:41

É bem verdade o que escreveu Schopenhauer: «Sentimos a dor mas não a sua ausência».
 
Parece que a dor nunca se ausenta. Uma vez instalada, nunca se afasta.
 
Saberemos, alguma vez, conviver com ela?
publicado por Theosfera às 10:21

«Todo o despertar é despertar para a luz».
 
Eis o que disse Xavier Zubiri, há quase 80 anos, e que se encontra numa obra que só agora apareceu, quase 30 anos após o seu passamento.
publicado por Theosfera às 10:20

Confesso que nunca tinha visto as coisas por este prisma, mas, vistas as coisas, até parece ter razão Miguel Real.
 
Segundo ele, o mistério não o mal; é o bem.
 
«O mal é o que existe por toda a parte. O mistério reside na existência do bem, na existência de equilíbrios estáveis conquistados ao caos primitivo e às forças da destruição»!
publicado por Theosfera às 10:19

A vida é uma grande (e permanente) escola.
 
Pena é que nem sempre haja quem, nela, se disponha a aprender.
 
Tantas são as lições que a vida dá. Discretamente. Subtilmente. Mas também tão intensamente!
publicado por Theosfera às 10:18

«A felicidade é uma flor que não se deve colher».
 
Concordo com André Maurois. A felicidade é sempre para semear!
publicado por Theosfera às 10:18

«Falamos mais do que pensamos».
 
Henri Bergson tem razão.
 
Se só falássemos quando pensamos, o mundo seria um enorme (e saudável) ermitério!
publicado por Theosfera às 10:17

«O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais do que o necessário».
 
Séneca está certo: basta o sofrimento que os factos provocam. Para quê sofrer antes que eles venham?
publicado por Theosfera às 10:16

Jacinto Benavente y Martínez foi irónico, mas também pertinente quando escreveu: «Convém deixar, ao morrer, algumas dívidas incobráveis, para que alguém nos chore com sinceridade».
 
Infelizmente é verdade. Pelo menos, parcialmente verdade!
publicado por Theosfera às 10:15

Chamamos louco a quem pratica o mal. Mas também chamamos louco a quem nos avisa desse mal.
 
Acontece que só a «loucura» dos que avisam nos previne da loucura dos que aviltam!
 
Loucos não seremos nós quando chamamos loucos aos que denunciam antes o mal que está para acontecer?
publicado por Theosfera às 10:14

No Dia Mundial da Poesia, nada como revisitar os poetas.
 
Eugénio de Andrade dizia que «a poesia ajuda-nos a suportar o peso do mundo».
 
Os poetas comovem-nos e surpreendem-nos. Eles desmontam, numa palavra ou numa frase, o que parece montado em certezas inamovíveis.
 
Nicanor Parra deixou-nos dois pregões que, nesta hora, estarão ungidos de pertinência: «A esquerda e a direita unidas jamais serão vencidas».
 
Por isso, «capitalistas e comunistas de todo o mundo, uni-vos, antes que seja tarde»!
publicado por Theosfera às 10:13

A autonomia das pessoas e a soberania dos povos surge, cada vez mais, como uma realidade soporífera. Vacila a olhos vistos.
 
Estamos cada vez mais condicionados. No mundo da interdependência, não falta quem ache que a autonomia e a soberania são dois anacronismos.
 
Eu continuo a acreditar que cada pessoa e cada povo, devendo cooperar, hão-de ser respeitados na sua integridade irredutível.
 
O único limite deve ser a protecção dos outros quando alguém a põe em causa. Só aí se deve invadir a autonomia de cada um!
publicado por Theosfera às 10:10

O IVA aumentou. A receita do IVA diminuiu.
 
Como explicar? Até um iletrado percebe aquilo que aos peritos parece escapar. Aumentando o IVA, diminui a capacidade de investir, de comprar.
 
Assim vai ser difícil sair do logro. A «gula» dá mau resultado!
publicado por Theosfera às 10:09

Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Alguém pode dizer que conhecia o actual treinador do Sporting? Duvido.
 
Com ele, o clube já ganhou e já perdeu. E, não obstante, vemos uma pessoa ponderada, serena, madura, amortecedora de tensões, comedida, magnânima, contida.
 
Ninguém diga que, a partir de certa altura, é impossível mudar.
 
O autodomínio é uma conquista que está sempre ao alcance. Leva tempo, mas obtém-se.
 
Sá Pinto tem dado treino físico e táctico. Mas tem mostrado muito treino mental e psicológico.
 
A equipa pode perder. Mas o timoneiro está a mostrar-se um vencedor!
publicado por Theosfera às 23:56

 1. Quando falamos de Deus, se repararmos bem, não falamos de Deus. Falamos de nós. Falamos do que nós dizemos sobre Deus.

 

Falamos do nosso discurso, dos nossos esforços, das nossas tentativas de dizer algo sobre Deus.

 

Até a palavra «Deus» é uma palavra humana, portanto imprópria para se referir ao divino.

 

No entanto e segundo Karl Rahner, de todas será a palavra menos imprópria para falar de Deus. Trata-se de uma palavra tão pequena que quase termina quando começa.

 

É claro que não é preciso falar de Deus para O pressupor, para pensar n’Ele.

 

Fale-se de qualquer coisa, pressupomos a sua origem primeira, o seu fundamento último.

 

Este último pode ter muitos nomes ou pode não ter nome algum. Pode ser o Inominado.

 

Trata-se de uma presença imanente a tudo, mas que estará também além de tudo. Que podemos saber acerca dela?

 

 

2. Todos dizem que Deus é infinito. Mas, no fundo, o que discutimos são fórmulas finitas sobre Deus.

 

Também ninguém contesta que Deus é a totalidade. E, apesar disso, estamos sempre a debater elementos parciais sobre Ele: palavras, conceitos, fórmulas, etc.

 

Afirmamos que Deus é a resposta, mas esquecemos que Deus também pode ser a pergunta.

 

Achamos que Deus está nas palavras, mas não damos conta de que Ele também Se encontra no silêncio. 

 

Defendemos que Deus é a confirmação do que pensamos, mas ignoramos que Ele é também o questionamento do que dizemos.

 

Deus vai muito além das nossas conjecturas. Acerca de Deus, é bom estar pronto para falar. Mas é fundamental nunca deixar de estar disponível para escutar!

 

 

 

3. As religiões costumam ser vistas como lugares de respostas. Mas não faria mal que se assumissem também como ressonâncias das perguntas.

 

Um perito em teologia saberá muito sobre Deus? Saberá, antes de mais, o bastante acerca do conhecimento humano sobre Deus.

 

As religiões deviam ser o espaço privilegiado da procura, do acolhimento, da espera e da esperança.

 

Deus está nas igrejas, mas é muito mais que as igrejas. Deus está na liturgia, mas fórmulas doutrinais. Deus está no escrito e no dito. Mas está também (e bastante) no não escrito, no não dito.

 

 

4. De Deus sabe mais quem mais O deixa transparecer. É possível ser teólogo sem ter curso de Teologia.

 

Deus resplandece em todo aquele que acolhe, que se supera, que não se resigna à mediania.

 

Deus reluz nas vidas que não se contentam com o programado, com o previsível.

 

Deus flui nas surpresas e brilha nas esperanças de quem não desiste nas horas de obscuridade.

 

Deus «passeia-Se» na brisa que palpita em corações que acreditam no amanhã. E que, por isso, continuam a dar tudo no hoje de cada dia.

 

 

5. Neste campo, a linguagem não verbal é mais eloquente que a linguagem verbal.

 

Sobre Deus, o decisivo não é dizê-Lo; é transparecê-Lo. Deus não cabe em nenhum conceito. Mas sentimos que vai passando em muitas vidas. Nas vidas daqueles que O respiram, amando.

 

O conhecimento pode demonstrar Deus. Mas só o amor O conseguirá mostrar.

publicado por Theosfera às 11:12

Neste mês do Pai,

agradecemos-Te, Pai,

pelo dom dos nossos pais.

 

São eles que,

juntamente com as nossas mães,

sinalizam o Teu amor junto de nós.

 

Obrigado é pouco para dizer

o quanto lhes estamos agradecidos.

Mas é tudo o que nos resta

para mostrar a nossa gratidão

e para lhes fazer sentir o nosso amor.

 

Também Teu Filho Jesus

quis nascer numa família.

Também Ele na terra

chamou a alguém «Pai».

 

Que o exemplo de S. José

ilumine todos os nossos pais

e inspire todas as nossas famílias.

 

Que S. José abençoe os nossos pais

e que nós, seus filhos,

saibamos agradecer todo o bem que nos fazem.

 

Que a bênção de S. José

chegue a todas as casas

e se instale em todos os corações.

 

Obrigado, bom Deus,

pelos nossos pais.

 

Obrigado pelo seu carinho,

pela sua doação.

 

Obrigado por existirem.

Obrigado pelo que são.

Obrigado por tanto.

Obrigado por tudo.

Obrigado sempre!

publicado por Theosfera às 10:55

É bom ser feliz. Trata-se, aliás, da suprema aspiração do ser humano. Mas cuidado com a tutela da felicidade.
 
Há ideologias que prometem a felicidade e que acabam por oprimir.
 
Karl Popper defendia que o nosso dever não é promover a felicidade dos outros. Isso é tarefa de cada um.
 
O nosso dever é impedir o sofrimento humano evitável. Às vezes, nem deixamos os outros encontrarem o seu caminho para a felicidade.
 
A infelicidade, muitas vezes, quando alguém quer impor a felicidade aos outros!
 
Karl Popper era também muito cauteloso (diria sensato) acerca do alcance das mudanças. É importante mudar o que está ao nosso alcance.
 
Quanto ao resto, o fundamental é protegermo-nos.
 
Quando chove, não nos passa pela cabeça mudar as leis da física. Elementar é usar um guarda-chuva!
publicado por Theosfera às 10:01

A crise pode ser a grande oportunidade se aprendermos a questionar, a reflectir e a inflectir.
 
Em contra-corrente, Serge Latouche questiona a idolatria do crescimento, que nos colocou na rota do essencial e também do supérfluo.
 
Ele chega a dizer que «é estúpido trabalhar cada vez mais, para produzir cada vez mais, para desperdiçar cada vez mais».
 
A economia acena-nos com a felicidade, mas só nos dá consumo.
 
É por isso que a infelicidade não afecta só os países subdesenvolvidos. Por isso, a alternativa ao crescimento frenético poderá ser o «decrescimento sereno».
 
É importante criar condições para uma «abundância frugal».
 
De facto, é melhor que todos tenham acesso ao essencial do que alguns terem acesso a (quase) tudo!
 
publicado por Theosfera às 09:58

Neste dia de S. José, é pertinente reflectir, maduramente, sobre o drama por que passou.

 

O Evangelho aponta-o como homem justo.

 

Título apropriado, sem dúvida, para quem pôs a justiça acima da lei.

 

Não sei se já pensamos alguma vez no seguinte. Se José seguisse, de forma estrita, os ditames da lei, Jesus não teria nascido.

 

É que (como iremos ouvir no próximo Domingo) a lei preceituava que a mulher apanhada em adultério devia ser apedrejada até à morte.

 

É óbvio que Maria não praticou adultério. O que nela se passou foi obra do Espírito Santo.

 

Só que José não sabia. E o que ele via pouca margem dava para dúvidas.

 

Ainda não viviam em comum e Maria estava grávida. Um verdadeiro drama, o drama de José!

 

Aparece, aqui, o crédito da confiança. Embora não sabendo o que se tinha passado, José sabia que Maria era incapaz de o trair.

 

Dada, porém, a situação, estava disposto a fazer tudo em segredo, em afastar-se. Denunciá-la é que jamais.

 

As pessoas não são todas iguais. Ainda há quem seja diferente. E as aparências também iludem. Oh se iludem!

 

Foi nesta situação que Deus veio em seu auxílio. E também José ficou cônscio do que acontecera.

 

Nem sempre a justiça está na lei. A justiça é maior que a lei. Em caso de colisão, não há que hesitar.

 

Jesus viria a dizer: «Procurai, antes de mais, o Reino de Deus e a Sua justiça» (Mt 6, 33).

 

Jesus foi muito claro na primazia dada à justiça. Fê-lo com desassombro.

 

José também fez o mesmo. De um modo mais contido, quase imperceptível. Mas igualmente eficaz. E prodigamente coerente.

publicado por Theosfera às 00:02

Obrigado, Senhor,

obrigado por S. José,

homem de silêncios e de canseiras,

de sofrimento e de paz.

 

Obrigado por todos os pais,

porque nos deram a vida

e porque nos dão exemplo, testemunho e disponibilidade.

 

Que nós aprendamos com a sua dedicação,

com o seu amor e a sua bondade.

 

Que cada um de nós seja digno do seu suor e do seu trabalho.

publicado por Theosfera às 00:01

Meu Pai já está está no Céu.

 

Meu Pai continua em mim.

 

Neste dia de S. José, Pai (adoptivo) de Jesus, recordo meu querido Pai, oro por todos os pais.

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 18 de Março de 2012
Para muitos, a alegria é parcial, passageira e efémera.
 
Para muitos, a alegria vê-se sobretudo pela pose, dura enquanto há contactos públicos e passa muito depressa.
 
Há quem se sinta na obrigação de ser alegre ou, melhor, de mostrar alegria.
 
Haverá coisa mais triste que o fingimento?
 
Haverá coisa mais deprimente do que fingir alegria mesmo estando triste?
 
Já vi muita alegria regada em lágrimas. E já entrevi imensa tristeza disfarçada de risos convulsos.
 
O segredo da alegria está em ser autêntico!
publicado por Theosfera às 23:07

Obrigado, Senhor, pelo Teu amor,

pelo Teu imenso amor.

 

Ninguém ama como Tu.

Amar assim, como Tu,

só ao alcance de Deus,

só ao alcance de Ti, que és Deus.

 

Tu amas dando a vida,

dando o sangue,

dando tanto,

dando tudo.

 

Tu, Senhor, não vens condenar.

Tu, Senhor, só vens salvar.

 

Tu sabes tudo,

Tu és a sabedoria.

 

Só não sabes conjugar o verbo «mandar»,

o verbo «impor», o verbo «oprimir».

 

Tu, Senhor, só sabes conjugar

o verbo «dar»,

o verbo «oferecer»,

o verbo «entregar»,

o verbo «servir»,

o verbo «amar».

 

Obrigado, Senhor, pela Luz.

Tu és a Luz.

Ilumina os nossos passos,

os passos do nosso caminho.

 

Que caminhemos na verdade.

que caminhemos na luz,

na luz que vem de Ti,

na luz que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:29

Sábado, 17 de Março de 2012
Os mais pequenos são capazes de gestos muito grandes!
 
A grandeza dos gestos pequenos mostra que os pequenos são maiores do que muitos que se presumem grandes.
 
A grandeza não está no tamanho, mas na dignidade.
 
É pela nobreza dos gestos que se vê a altura de uma pessoa!
publicado por Theosfera às 11:47

As pessoas mais necessárias não se fazem notar pela sua presença. Fazem, sim, notar a sua falta pela ausência!
 
As pessoas discretas deixam perfume por onde passam. Não abafam. Fazem voar. E, deste modo, ajudam a crescer!
 
Quando estão presentes, parece que não se notam. Quando se ausentam, é que reconhecemos o seu valor.
 
Mas, aí, poderá ser tarde!
publicado por Theosfera às 11:44

Uma vez mais, os textos litúrgicos mostram-nos Deus a conjugar o verbo «amar».
 
É o único verbo que Ele sabe conjugar. Mas também o conjuga no modo imperativo: «Amarás»!
 
Se o Homem é imagem e semelhança de Deus, só amando se aproximará d'Ele. Esta é a lição primordial, jamais apreendida.
 
Muito do que se diz e do que se escreve não faz mais que espumar ausência de amor. Tantos julgamentos impiedosos.
 
Confunde-se crítica serena de situações com censura inclemente de pessoas.
 
Às vezes, não dizer ou não escrever (quando só há ataques para desferir) pode ser uma bela maneira de comunicar!
publicado por Theosfera às 11:43

Há muita agitação. E não é só no mar. É também (e bastante) na alma das pessoas. Olhemos para os sinais.
 
Falamos aos gritos e com pressa. Esbraceja-se e gesticula-se enquanto se fala. E não falta até quem agite desenfreadamente o teclado de um qualquer computador.
 
Andamos descompensados. Falta calma no interior. E escasseia serenidade no exterior!
publicado por Theosfera às 11:41

Há muita dignidade na decisão de João Paulo II de não abandonar a missão. Mas também existe imensa grandeza no gesto de Rowan Willians de deixar o lugar.

 

O despojamento é um sinal muito eloquente!

publicado por Theosfera às 11:41

Os grandes problemas não estão nos gabinetes, nas fábricas ou nas escolas.
 
Os grandes problemas, dizia Nietzsche, estão na rua.
 
É por aí que passa o barómetro das percepções, dos acontecimentos e dos estados de alma. E o que que se vê nas ruas não é a revolta incendiária, não é a ameaça violenta. O que se vê na rua é a descrença, o desânimo, a desprotecção, o abandono, a solidão, a rejeição.
 
É preciso injectar vitamina Esperança nas avenidas do nosso (actual) descontentamento!
publicado por Theosfera às 11:40

Gandhi não respondia às provocações, mas nunca recuou no caminho.
 
Deixo estas palavras, amassadas em sangue, que servem de luzeiro para a estrada da nossa existência: «Se vos baterem, não retribuais a pancada. Se vos derem um tiro, não riposteis ao fogo. Se vos injuriarem, não respondais às injúrias. Continuai sempre a andar. Alguns de nós poderão ter de morrer antes de chegar ao destino. Alguns de nós poderão ter de ir para a prisão antes de lá chegar, mas nós continuaremos sempre a andar».
publicado por Theosfera às 11:39

Muito falamos de sacrifícios e muito deixamos de falar na misericórdia. Ora, Deus assume claramente preferir a misericórdia aos sacrifícios.
 
Ainda hoje, lemos no Ofício um texto de Gregório Nazianzeno, onde ressoa um apelo a que sirvamos Cristo nos pobres!
publicado por Theosfera às 11:38

«O limite extremo da sensatez é o que o público baptiza de loucura».
 
Jean Cocteau foi perspicaz quando escreveu isto.
 
De facto, muitas vezes são os loucos que acusam os sensatos de loucura.
 
Um tagarela (que, segundo, Dostoiesvsky, é aquele que nada mais tem que fazer) é capaz de chamar louco a quem se cala.
 
William Shakespeare lamentava viver num tempo em que «os néscios guiavam os cegos».
 
A medida justa é muito difícil de encontrar. E mais difícil ainda de seguir!
publicado por Theosfera às 11:36

Diderot foi subtil quando afirmou que «a superstição ofende mais a Deus do que o ateísmo».
 
É que, ao menos, ao ateísmo assume que nega ao passo que a superstição transfere a condição divina para os astros, as cartas, o mau-olhado, as pragas, as mezinhas, etc. 
 
O ateísmo presume não acreditar em nada. O supersticioso aceita acreditar em tudo!
publicado por Theosfera às 11:35

Abraham Lincoln asseverou: «Lembrem-se de que a determinação em sermos bem-sucedidos é mais importante do que tudo o resto».
 
Nunca comecemos a desistir. E nunca desistamos de começar!
publicado por Theosfera às 11:34

Muito sói falar-se dos «mesmos». Para o povo, são sempre os «mesmos» que nos governam, são sempre os «mesmos» que são prejudicados, são sempre os «mesmos» que são beneficiados.
 
E são sempre os «mesmos» que escolhem os «mesmos».
 
Como sair deste labirinto que, por muitas variações que ofereça, parece sempre o «mesmo»?
 
Quando é que saímos do «mesmo» sítio, isto é, da penúria?
publicado por Theosfera às 11:34

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Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
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Só o bem faz bem! Concordo.
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Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
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