O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

1. Muitas e sapientes são as palavras que nos servem neste tempo da Quaresma.

 

Tantas e tão variadas são as propostas que, num primeiro olhar, somos tentados a concluir que toda a gente tem muito para dizer. Será que existe a mesma disponibilidade para escutar?

 

A Quaresma tem tudo para ser um tempo de silêncio, um tempo de espera, um tempo de esperança. 

 

É importante haver um tempo em que se possa pensar mais no tempo, no que andamos a fazer no tempo.

 

É necessário agir. É fundamental que haja acção. Mas é vital não reduzir a acção a mera agitação.

 

Parece que quem não se move não vive. Parece que quem não grita não comunica. Parece que quem não corre não caminha.

 

Até na fé corremos o risco de ser hiperactivos. Fazemos, refazemos e, por vezes, desfazemos.

 

 

2. Haja em vista que também Jesus era uma pessoa muito ocupada. Frequentemente, nem tempo tinha para comer nem para descansar. E, no entanto, parecia sentir uma profunda necessidade de silêncio e de solidão.

 

Sempre que podia, Jesus retirava-Se para os montes ou para o próprio deserto. As Suas grandes decisões são antecedidas de longas permanências em locais ermos.

 

Não é possível seguir Jesus sem O acompanhar no Seu silêncio, na Sua solidão. Desde logo, porque só na medida em que O acompanharmos no silêncio, estaremos em condições de assimilarmos a Sua palavra.

 

Não é fácil criar silêncio no mundo barulhento de hoje. Vivemos cercados de toneladas de ruído: de ruído sonoro e de ruído visual.

 

Se o silêncio não nos procura, temos de ser nós a procurar o silêncio. Fazer silêncio é muito mais que estar calado. É criar uma predisposição para a escuta do outro, para o acolhimento da sua presença.

 

O silêncio despoja-nos dos nossos preconceitos acerca das pessoas e das coisas. Faz-nos estar de coração limpo, completamente desarmadilhados.

 

Hoje em dia, há uma pressão enorme para estar sempre em cena, para nunca deixar o palco ou o «prime time».

 

 

3. A vida humana é um equilíbrio entre o relacionamento e a solidão. A solidão não é necessariamente corte. Pode até ajudar a aprofundar os nossos relacionamentos.

 

Anthony Storr assinala que os grandes génios e os maiores sábios nunca abdicaram de longos períodos de solidão.

 

Tal como o trabalho do dia ganha muito com o descanso da noite, também a qualidade da missão beneficia bastante com algum silêncio.

 

Como nota Albert Nolan, «temos de encontrar uma forma de nos desligarmos, de tempos a tempos, do fluxo imparável de palavras, de sons e de imagens que nos bombardeiam a toda a hora». Mais importante ainda, «precisamos de um silêncio interior que desligue a nossa torrente interior de pensamentos, imagens e sentimentos».

 

 

4. Neste espírito, a Quaresma é uma oportunidade preciosa para perceber o que se passa no mundo e na nossa vida.

 

É um tempo para perceber que, antes de ter uma opinião sobre tudo, é necessário alcançar uma visão acerca de cada coisa.

 

Faz falta uma pastoral que escute, que pense nas perguntas e que procure meditar nas interpelações.

 

Precisamos de uma pastoral que não queira ter uma resposta pronta para tudo e para todos. 

 

Precisamos de uma pastoral que estacione nas pessoas e nas situações e que não remeta logo para planos, programas e projectos.

 

A diferença cristã não está tanto nas palavras ditas às pessoas, mas na atenção dedicada às pessoas.

 

Enzo Bianchi alerta que tal diferença cristã «deve expressar-se sobretudo na atenção aos pobres, aos mais humildes».

 

Por muito que nos sintamos em minoria, não nos podemos demitir de escutar a dor e a expectativa de uma imensa maioria que peregrina ao nosso lado.

 

O silêncio do Sábado Santo é uma boa terapia quaresmal. Nele fermentará a alegria da Páscoa como a chegada do futuro ao nosso presente.

 

O silêncio ajuda a suspender o mesmo, o igual. O silêncio surpreende-nos com a beleza do diferente, com a visita do que é novo! 

  

publicado por Theosfera às 12:14

Não sou preconceituoso, mas a experiência inclina-me a aquiescer cada vez mais ao que foi, há séculos, verbalizado por Confúcio: «O homem de palavra fácil e personalidade agradável raras vezes é homem de bem».
publicado por Theosfera às 10:05

Para Karl Jaspers, o conhecimento começa com o espanto.
 
Segundo Ralph Waldo Emerson, é o mesmo que está na origem da ciência: «O homem adora maravilhar-se e isso é a semente da ciência»!
publicado por Theosfera às 10:04

Em horas difíceis da sua história (v.g. Segunda Guerra Mundial), a Europa bateu às portas da América.
 
Nesta altura de soluções únicas e pensamento dominante, não faria mal prestar um pouco de atenção ao debate político nos Estados Unidos.
 
Não é que seja tudo para importar. Mas há muito para aprender.
 
O país também está em crise. Mas o que se equaciona não é a subida de impostos. O que se pondera é a sua descida!
publicado por Theosfera às 10:03

Não há dúvida de que a reforma de uma sociedade passa pela educação. É ela a alavanca e o alicerce do futuro, a vértebra da realização de todos os sonhos.
 
Mas para oferecer mudança, a educação tem de constituir alternativa. É por isso confrangedor que um dirigente estudantil venha propugnar um ensino centrado no aluno.
 
Ora, por muito estranho que pareça, tal centramento não ajuda o aluno.
 
O ensino tem de estar centrado não naquilo que o aluno é, mas naquilo que o aluno pode vir a ser. Tem de ser saudavelmente exigente e, nessa medida, poderosamente estimulante.
 
Os alunos têm muito para dar. Não devem resignar-se ao que são no presente. O seu «habitat» é o futuro!
publicado por Theosfera às 10:01

A chuva virá.
 
Enquanto não chove, façamos nós chover esperança, luz e paz para este mundo!
publicado por Theosfera às 10:00

Quando os anos se vão somando e a vida se vai sumindo, damos conta de que a paisagem da cidade que nos acolhe mudou (quase) completamente de fisionomia.
 
Todos os dias, as montras estão pejadas de prospectos anunciando o passamento de pessoas. Trata-se de pessoas que nos habituáramos a ver, a cumprimentar.
 
Já cá não moram. Sobrevivem na nossa recordação.
 
Continuam connosco. Continuamos com eles. Mas a cidade não é a mesma!
publicado por Theosfera às 09:59

O cenário está a ser preparado. Corre por aí que as receitas fiscais estão aquém do esperado.
 
Nada que nos espante. Com o desemprego a subir, a disponibilidade para contribuir decai. Isto para não falar da endémica fuga.
 
A consequência é elementar: daqui a uns tempos (não muitos), alguém virá dizer que, infelizmente, os impostos vão voltar a subir!
publicado por Theosfera às 09:58

Não fiques mudo. Mas faz silêncio.
 
É diferente o mutismo e o silêncio.
 
Estar mudo é recusar comunicar. Estar em silêncio é alimentar a comunicação. Pela escuta!
publicado por Theosfera às 09:57

O paradoxo habita-nos. Nem a política fica de lado.
 
A Itália estuda, afanosamente, o que se passa com o seu Governo.
 
Mário Monti é popular por se mostrar capaz de tomar medidas impopulares.
 
Mas eu penso que não é só isso. Tratar-se-á também da capacidade de marcar um corte com a linha que vinha a ser seguida. E, acima de tudo, da mensagem que está a passar.
 
Há um rumo que é apontado. Falta a prova dos factos!
publicado por Theosfera às 09:56

Deus ofereceu-lhe uma consciência. Deixe que ela se inspire por Ele. Mas não permita que (mais) ninguém se aproprie dela.
 
Não consinta que alguém seja dono da sua consciência.
 
Entre em si. Decida por si. E, a partir de si, abra-se aos outros, à vida, ao sol, à esperança!
publicado por Theosfera às 09:55

Um ministro fecha escolas. Outro encerra serviços de saúde. Outro acaba com tribunais. Outro quer terminar com juntas de freguesia.
 
O interior tem cada vez menos gente. Com estes «estímulos», como pretender que volte a ter mais população?
publicado por Theosfera às 09:54

Não faltam propostas para bem viver a Quaresma. Livros, textos, mensagens, iniciativas. Tudo aparece com o selo da urgência e de alguma pressão.
 
Era bom que este tempo fosse marcado por uma certa sobriedade no discurso.
 
Que cada um se sinta livre para entrar no santuário da sua consciência e para se abrir ao seu semelhante. Há um grande livro inscrito na vida que não podemos desperdiçar.
 
Já agora, se quiser, aproveite as caminhadas nocturnas para ir fazendo a Via-Sacra.
 
Toda a vida é uma via. Que seja sacra!
publicado por Theosfera às 09:52

Se tudo não for bastante, recomece de novo.
 
A vida é uma sucessão de começos. E onde parece que existe um fim, eis que acaba por surgir um novo início!
publicado por Theosfera às 09:52

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