O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2012
Em momentos lúgubres, dominados pela nostalgia, nada como invocar um pensador tido como melancólico.
 
E, no entanto, Kierkegaard era habitado por doses torrenciais de sabedoria: «Ninguém entrou no mundo sem ser a chorar, ninguém nos pergunta quando queremos entrar, ninguém pergunta quando queremos sair».
 
Quando se sobe muito, a possibilidade de cair é maior e o estrondo corre o risco de ser demasiado ruidoso.
 
As expectativas mais altas dão lugar, muitas vezes, a decepções profundas, irreparáveis.
 
Há quem chegue ao estado de espírito de Kierkegaard, que dizia ter «apenas um amigo: o eco. Porque eu amo a minha mágoa e ele não ma tira».
 
Também assumia ter somente um confidente: «o silêncio da noite. Porquê? Porque cala».
 
Apesar do tom melancólico da paisagem da existência, creio ainda haver pessoas que cumprem, fielmente, a função do eco e do silêncio da noite!
 
Kierkegaard foi um pessimista militante, mas muito lúcido. Achava que a sua vida era uma «eterna noite» e «desprovida de sentido».
 
Considerava que tudo o que se consegue acba por decepcionar. A possibilidade não. Enquanto não se torna realidade. Terá de ser mesmo assim? Será a espera melhor que o encontro?
 
O absurdo persegue-nos e cola-se a nós como lapa. Kierkegaard debruçou-se sobre ele. «Os homens são mesmo absurdos.
 
Nunca usam as liberdades que têm e exigem aquelas que não têm: têm liberdade de pensamento, exigem liberdade de expressão».
 
Não é a dormir que se sonha. Ou que mais se sonha.
 
Kierkegaard achava que dormia metade do tempo e na outra metade sonhava. «Quando durmo, nunca sonho».
 
Só que a vida não é apenas sonho. É quase sempre a desrealização dos sonhos. E há-de procurar ser a tentativa da sua realização!
 
A vida é uma busca contínua e uma insatisfação constante. O ser humano nunca está bem onde está. Nem sequer quando diz que está.
 
Não está bem quando chora. E também não está bem quando ri.
 
Não está bem quando desconfia. E não parece estar bem quando confia.
 
Todos acham que o seu problema é o maior de todos. E que os outros é que estão bem. Os outros, porém, lamentam-se e gostariam de estar onde estão os que (igualmente) se lastimam.
 
A vida (decidamente) não é para explicar!
publicado por Theosfera às 22:42

A ficção nem sempre é irreal. Às vezes, é o que melhor espelha a realidade.
 
A nossa incoercível proclividade para o mando, para a vaidade e para a declinação de responsabilidades está bem ilustrada nesta história.
 
Numa competição de remo, uma equipa portuguesa perde com uma japonesa. Uma comissão parlamentar foi constituída para apurar as causas.
 
Descobriu que a equipa japonesa tinha dez remadores e um chefe ao passo que a portuguesa tinha dez chefes e um remador.
 
O veredicto foi contundente: a causa da derrota esteve no remador. Por isso, foi despedido!
publicado por Theosfera às 22:33

Não dá para esquecer apesar de as estradas do tempo acelerarem, cada vez mais, a velocidade da existência.

 

Mas aquela madrugada nunca se apaga. Nem aquele rosto que se ia apagando, sem nunca se extinguir.

 

Eram 05h37 de 7 de Fevereiro de 1997. A respiração começou a enfraquecer até que, àquela hora, parou. A 7 de Fevereiro de 1997 meu querido Pai foi chamado para junto do eterno Pai.

 

Foi há quinze anos. Parece que foi há instantes. 

 

Por tudo, muito obrigado, meu querido Pai. Sei que continuas em mim, comigo. Sempre.

publicado por Theosfera às 05:37

Muitas foram as vezes em que ouvi meu querido (e saudoso) Pai dizer: «Quem não aparece, esquece».

 

Mas, desde há uns tempos, confesso que o meu maior desejo tem sido mesmo esse: ser esquecido.

 

Só queria que lembrassem o Jesus que me fascina por completo e vejo resplandecer no coração de tanta gente boa, de tanta gente simples. De tanta gente que não esquece o Evangelho em forma de vida!

publicado por Theosfera às 05:36

Meu Pai,

de olhos embaciados,

voz soluçante

e mãos trémulas,

aqui venho,

aqui estou,

junto de ti.

 

Há quinze anos

(completam-se às cinco e meia da manhã deste dia 7),

olhava para teus olhos

e registava o teu último suspiro.

 

 

Parece que foi ontem,

parece que foi há instantes.

 

 

Não nego que me custou esse momento

e que ainda me dói essa imagem:

teu rosto cansado

exalava uma derradeira respiração.

 

 

Mas sabes muito bem

que tudo foi como quiseste,

tudo foi como pediste.

 

 

Estavas em casa,

e eu estava a teu lado.

 

 

Nunca te senti longe.

Mas, humano como sou,

sinto a tua falta,

o teu apoio,

os teus conselhos e recomendações,

a tua energia indomável.

 

 

Sei que estás bem,

em Deus.

 

Tenho feito o que me pediste.

Em nenhuma Eucarista te esqueço.

Lembro-te sempre ao Senhor.

Tu tens-me amparado sempre.

 

 

Eu recordo-te não como um morto,

mas como vivo e muito próximo.

 

 

Obrigado, meu Pai.

Tu partiste,

mas nunca me deixaste.

 

 

Eu sinto a tua presença,

treze anos depois.

 

 

Um dia nos encontraremos aí,

onde tu estás,

nessa pátria maravilhosa

de felicidade e paz.

 

 

Aí nos abraçaremos

e abraçados permaneceremos para sempre

em Deus!

publicado por Theosfera às 05:30

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