O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 04 de Novembro de 2011

Disse François Villon: «Quem morre tem o direito de dizer tudo».

 

O problema é que já não está em condições de o fazer.

 

Ou será que é na morte que se diz verdadeiramente tudo? Não com os lábios, mas com a vida. Nesse caso, com a vida inteira!

publicado por Theosfera às 21:50

Não tragas apenas o sonho até à realidade. Procura trazer também a realidade até ao sonho.

 

Os sonhos precisam de ser realizados. Mas a realidade precisa também de ser sonhada!

publicado por Theosfera às 10:50

Os líderes religiosos estão de acordo. A essência da religião é o amor.

 

Toda a gente o sabe. O problema é que nem toda a gente o vê!

publicado por Theosfera às 10:23

Quinta-feira, 03 de Novembro de 2011

Há momentos em que a silenciosa presença de um amigo vale mais (infinitamente mais) que os palavrosos conselhos de um sábio!

publicado por Theosfera às 20:52

1. A Igreja recebe de Maria um perfil de intervenção que exclui a punição ou a coacção e que só contempla a palavra e o exemplo.

 

Como sublinha Alejandro Martínez, a consideração do dogma da maternidade divina de Maria, dimensão inquestionavelmente importante, levou-nos porventura a «insistir no aspecto gerador silenciando o educador».

 

A educação é uma actividade que prima pela discrição. O importante são os frutos. Aliás, a própria localidade onde Jesus cresceu certifica esta opção pelo crescimento discreto. «A Igreja primitiva estava impressionada com o aniquilamento do Verbo na Sua vida terrena (cf. Fil 2, 6-7). Nazaré é a tradução, em factos concretos, desse aniquilamento. Nenhum gesto, nenhum clarão revelou a divindade oculta na humanidade do carpinteiro».

 

Assumir a forma de servo «não significa apenas ter um corpo real, mas partilhar a existência humana regada pelo suor de cada dia». A monotonia de Nazaré não constituiu «uma casualidade, mas fazia parte do plano de salvação».

 

Nazaré foi, por isso, uma cátedra para Jesus, «uma lição difícil de aprender. Tinha de a repetir incessantemente e de a ensinar sobretudo com o exemplo». Este é, de resto e como dizia Robert Turgot, a pedra de toque de tudo: «O princípio da educação é pregar com o exemplo».

 

Maria é uma mulher do povo, trabalhadora. «A Sua vida desenrola-se na monotonia e vulgaridade do lar. Dona de casa, cuida dos pormenores próprios de uma família modesta que vive da jorna, bastante escassa, de um trabalhador».

 

Também as mãos de Maria experimentaram a dureza do trabalho. A Sua grande riqueza advém da interioridade, da Sua forte personalidade. «É feliz porque Se sente plenamente realizada. Como mãe, está orgulhosa do Filho. Como esposa, vive alegremente a fidelidade ao amor. O trabalho dá-Lhe prazer porque reparte por mil pormenores a Sua capacidade de amar».

 

Maria mostra à Igreja que o segredo da santidade está «não tanto no que se faz, mas sobretudo na maneira concreta de o fazer». O melhor de Maria operou-se na Sua vida de fé. Tal como Maria, «também o crente é chamado por Deus e, por meio de um compromisso pessoal, orientou a própria vida de acordo com esse chamamento concretizado na vocação pessoal».

 

 

2. É por meio de Maria que Jesus conhece o amor humano. «A sensação do calor da face de Maria junto da Sua é a primeira experiência do amor como ternura». Com Ela aprendeu «também que o amor é serviço, entrega silenciosa, sacrifício pelo outro».

 

Maria desponta igualmente como educadora da fé. Certamente Jesus aprendeu com Ela «as primeiras orações e também a recitar os salmos. Nas tertúlias familiares, com certeza que os pais lhe contaram os factos mais relevantes da história de Israel que qualquer judeu tinha na memória».

 

Tal como Maria, a Igreja é convidada a ser pedagoga da oração. Nela, o que terá de reluzir, antes de mais, é a vibração espiritual, a experiência profunda do mistério.

 

A espiritualidade de Maria é «a espiritualidade dos pobres». Não pode ser outra, aliás, a espiritualidade da Igreja. Não falta, neste sentido, quem alvitre que «Jesus, ao pregar as Ben-Aventuranças, estaria a pintar o retrato de Sua Mãe». 

 

E o certo que «as Bem-Aventuranças traçam o esboço do pobre que elas propõem como modelo». Maria vivenciou-as no Seu coração: pobreza, mansidão, pureza, fome e sede de justiça e até perseguição por causa do Reino, na experiência da fuga para o Egipto. Terá de ser este o perfil existencial da Igreja: despojada, misericordiosa, tolerante, defensora da justiça e construtora da paz, perseguida se for caso disso, mas jamais perseguidora.

 

A Igreja não pode limitar a sua missão educadora à repetição de fórmulas e ao apelo ao cumprimento de normas. Antes de mais e acima de tudo, é urgente apostar na educação pelo exemplo, pelo testemunho, pela vivência.

 

As pessoas acumulam, nos tempos que correm, um capital de crítica que as torna mais sensíveis às incoerências. «A educação é semente que cria fortes raízes na alma». Ela pressupõe que haja um grande amor e implica uma forte experiência. Concretamente a fé «transmite-se eficazmente quando se torna vida e a vida brota da contemplação. É dessa contemplação que «nasce o conhecimento e o amor, e ambos são necessários o educador para que seja profunda a sua sementeira nos educandos».

 

 

3. A tarefa educativa não é de índole controladora, policial. Olhando para Maria, Augusto Cury mostra que «o melhor educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta os erros, mas o que os previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a reflectir. Não é o que observa o que é tangível, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste, mas o que estimula a começar de novo».

 

Uma Igreja mariana «abraça quando todos rejeitam, anima quando todos condenam, aplaude os que nunca subiram ao pódio, vibra com a coragem dos que ficaram nos últimos lugares. Não procura o seu próprio brilho, mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos grandes».

 

 

Educar, a esta luz, não é só transmitir o que se capta fora. É sobretudo partilhar o que se encontra dentro. Se falha a vivência, falha logo a credibilidade da comunicação. E nenhuma estratégia pedagógica conseguirá suprir esta carência primordial, este vácuo estrutural. Edith Stein fazia radicar aqui o (magno) princípio da empatia: ir da profundidade do eu à profundidade do tu.

 

 

«Educar é introduzir na realidade total».  Assim escreveu Jungmann e assim recorda Luigi Giussani num livro cuja versão portuguesa tem como título «Educar é um risco». Mas como introduzir na realidade se se renuncia, cada vez mais, a uma hipótese explicativa dessa mesma realidade? Se o apelo à tradição é cada vez mais esbatido? E como introduzir na realidade total se a fragmentação é a linha dominante dos programas e dos conteúdos sem haver, muitas vezes, um fio condutor entre eles?

 

 

 

A importância da unidade no projecto educativo ressalta como fundamental, determinante, decisiva. Está muito difundida a percepção de que, nos tempos que correm, há muita escolarização e não muita educação. Impõe-se atender a este dado e debruçar-se sobre o que lhe subjaz. Apesar do aumento do tempo escolar, o curto prazo ainda condiciona bastante.

 

 

 

Os agentes vêem-se compelidos a pensar no fim do período, no fim do ano. É hora de olhar mais longe. Não chega estudar para o teste. É urgente preparar para a vida. Até porque a vida é o maior teste e a permanente lição. É ela, a vida, que, em último caso, vai aferir o que se recebe na escola.

 

 

A educação, por sua vez, não é um exclusivo da escola. Ela começa, desde logo, na família. Constrange, enormemente, ver crianças com armas, envolvidas nas guerras. A educação não tem conseguido contrariar a tendência da humanidade para navegar nas águas tumultuosas da violência.

 

 

 

As pessoas habituam-se, desde cedo, à normalidade anormal da violência. É por isso que, antes de aprender a fazer, fundamental é ensinar a amar. Sebastião da Gama, emérito pedagogo, não tinha dúvidas: «Tenho muito que fazer? Não. Tenho muito que amar». E, antes ainda de Gama, já o genial Albert Einstein vertia esta percepção: «O amor é melhor professor que o dever».

 

 

 

Aliás, quando existe amor, não deixa de existir a identificação do dever. O amor não amolece. O amor fortalece. O amor é a maior força. Como adverte Augusto Cury, «o maior papel de um mestre não é educar para o mercado de trabalho, mas para a vida».

 

 

 

4. O processo educativo não é o que nos convence daquilo que sabemos. É o que nos mobiliza para aquilo que podemos vir a saber. Vladimir Nabokov estava certo quando defendeu que «a medida de uma educação é que adquirimos alguma noção da extensão da nossa ignorância». Por isso é que a educação nos capacita para o primeiro (e fundamental) saber, sem o qual nenhum outro existe: o não saber.

 

 

 

Receio, pois, aqueles que estão sempre prontos a ensinar sem manifestarem qualquer disponibilidade para aprender. Ser convincente é muito diferente de ser convencido.

 

 

Um dos tópicos passará por uma revolução nas mentalidades. Quando se fala de educação, fala-se de um processo limitado aos mais novos. Daí até a palavra pedagogia. A raiz paidós quer dizer criança. Só que a carência educativa envolve toda a gente. Os mais adultos continuam a precisar de educação. A andragogia (a raiz anêr, andrós significa homem) tem de ser um imperativo.

 

 

 

Há gente que passou por todos os graus de ensino e continua a revelar lacunas impressionantes: nos conhecimentos e nas atitudes. Também aqui, portanto, há um momentoso défice de produtividade.

 

 

 

Acresce, entretanto, um dado completamente inadmissível. O mercado de trabalho não assimila as pessoas que forma, que educa. Um em cada dez licenciados emigra. Ou seja, tem de ir lá para fora aplicar o que aprendeu cá dentro. Há muitos elos que estão a tombar. E há imensos laços que estão a desfazer-se. Somos uma sociedade cada vez mais deslaçada.

 

 

 

Precisamos de todos. Precisamos de técnicos, sem dúvida. Mas necessitamos sobretudo de sábios, de pessoas com uma visão global da existência que infundam horizontes de valores e alicerces de comportamentos.

 

 

 

A sabedoria vai muita para lá da ciência. Há estudos que documentam que uma das chaves do sucesso asiático está precisamente na aposta na educação como sabedoria. Entre nós, o acréscimo de escolarização não tem garantido uma maior qualidade da educação. Também os mais crescidos precisam de educação. Ela é sempre um fieri, jamais um factum. Não são apenas os mais pequenos que precisam de aprender. Os mais adultos também necessitam de ser ensinados. A pedagogia é para desaguar numa permanente andragogia.

 

Na educação, o método é alguma coisa, o conhecimento é muito, o exemplo é tudo.

 

 

 

publicado por Theosfera às 11:05

«A aventura não está fora do homem; está dentro».
Assim escreveu (notável e magnificamente) George Sand.

publicado por Theosfera às 10:14

Alguém estranha que um futebolista jogue, que um escritor escreva, que um cozinheiro cozinhe ou que um cientista passe muito tempo no laboratório?

 

A pergunta é, sem dúvida, despropositada e a resposta será óbvia.

 

Mas se alargarmos o espectro, o panorama parece mudar de feição.

 

Há, de facto, quem estranhe que um crente passe muito tempo a orar.

 

E também não escasseia quem se espante quando, mesmo em democracia, o povo é chamado a pronunciar-se.

 

Pedro Lomba anota, hoje, o seu empedernido espanto: «A Europa tem tão maus hábitos democráticos que entra logo em estado de choque porque um pequeno país quer ir às urnas dizer se aprova um plano preparado pelas inteligências internacionais»!

 

Pertinente, pois, a observação de Ricardo Alves: «Todos os Estados da União Europeia são democracias, mas a União Europeia não é uma democracia».

 

Esta é, de facto, uma carência gritante. Não terá de ser, por isso, uma urgência premente?

publicado por Theosfera às 10:09

A tarefa educativa não é de índole controladora, policial.

 

Olhando para Maria, Augusto Cury mostra que «o melhor educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta os erros, mas o que os previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a reflectir. Não é o que observa o que é tangível, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste, mas o que estimula a começar de novo».

 

Segundo Augusto Cury, «o mestre mais excelente não é o que sabe mais, mas o que tem mais consciência do quanto não sabe. Não é o viciado em ensinar, mas o mais ávido em aprender. Não é o que declara os seus acertos, mas o que reconhece as próprias falhas».

publicado por Theosfera às 00:01

Só há um lugar onde a paz depende de nós: o nosso coração.

 

Mas se um coração mudar, a mudança começará a acontecer.

 

Se num coração houver paz, já haverá (alguma) paz no mundo.

 

Habitualmente, a paz é entendida como consequência da negociação. É esse o sentido da palavra latina «pax». Mas o hebraico «shalom» e o grego «irene» significam algo mais fundo: um dom que está em nós.

 

Um dia, o paraíso vai descer à terra. Quando apostarmos no interior da pessoa, o exterior começará a ser diferente.

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 02 de Novembro de 2011

Tudo precisa do seu tempo.

 

A dor precisa de ser sofrida. A lágrima precisa de ser chorada.

 

Só depois o sorriso poderá ser mostrado.

 

Tudo tem o seu tempo. Não se deve recalcar o que vai na alma.

 

Sejamos inteiros em cada instante.

publicado por Theosfera às 22:11

Há coisas que se aceitam melhor quando são ditas por quem tem pouca idade ou por quem tem muitos anos.

 

A uma criança quase tudo se tolera. A um idoso quase tudo se desculpa.

 

Gillo Dorfles tem 101 anos e é filósofo. Não causou, por isso, grande hostilidade quando disse à jornalista que as suas perguntas eram absurdas.

 

Defensor da importância da arte, alega: «Se muda a arte, mudam as questões. A arte muda continuamente, nunca é a mesma. Como é possível haver um modelo único quando tudo muda?»

 

Importante é manter a curiosidade desperta pois, «sem curiosidade, não haveria progresso nem cultura; um homem que não seja curioso já está morto».

publicado por Theosfera às 10:26

Não são apenas os países. Não são somente as empresas. As próprias pessoas estão a colapsar.

 

Treze famílias entram em falência todos os dias!

 

Há que transformar a realidade. Reavivemos a esperança!

publicado por Theosfera às 10:23

Habitualmente, as chamadas questões últimas geram em nós, não esperança, mas preocupação, ansiedade e até temor.
 
Absorvidos como estamos pelo quotidiano, falta-nos a predisposição necessária para ultrapassarmos a barreira do imediato, do concreto e do sensível.
         
É assim que preferimos a evasão à reflexão.
         
Como se não pensar no fim último evitasse o confronto com ele.
         
Há, entretanto, uma segunda desfocagem relativamente a esta realidade.
         
Admitida a sua inevitabilidade, tendemos a conjecturar acerca da sua ocorrência.
         
Também Jesus foi abordado neste sentido.
         
E, como sempre, não satisfez a curiosidade dos Seus ouvintes.
         
A importância das questões últimas assenta, não no conhecimento antecipado da sua ocorrência, mas no convite a uma cuidada preparação para a sua vivência.
         
Ou seja, não interessa saber quando e como acontecerá tudo isso. Interessa, sim, estar preparado. No plano pessoal e à escala do próprio mundo.
         
De facto, estamos preparados quando orientamos a nossa vida em função do fim, da meta, da consumação.
         
Já Gandhi intuía, de forma assombrosa, esta orientação fundamental da existência, ao afirmar: O que importa é o fim para que sou chamado.
publicado por Theosfera às 00:08

O fim não é sinónimo de dissolução, de aniquilamento, de catástrofe, mas de acabamento, de realização, de plenitude.
         
 De resto, esta percepção povoa o imaginário colectivo da humanidade. Veja-se o caso do desporto. Todos os esforços de um ano visam um único objectivo: ser o primeiro no fim da competição.
 
Olhemos também para a vida estudantil. Noites em claro, horas a fio diante dos manuais, tudo se faz numa direcção muito nítida: ter aproveitamento no fim do ano lectivo.
         
Desde o começo, aponta-se logo para o fim. E isto justifica todos os sacrifícios, todas as provações, todas as contrariedades. O fim que se pretende alcançar é de tal modo mobilizador que os mais diversos obstáculos são enfrentados com entusiasmo e força de ânimo.
         
Centrar a vida em torno de um fim implica, como se compreende, uma grande disciplina.
         
Um desportista ou um estudante, para chegarem ao fim em boa posição, têm de renunciar a muitas coisas que, eventualmente, considerariam aprazíveis.
         
O fim de que Jesus nos fala não se atinge sem o abandono de muitas opções e de muitos comportamentos que, talvez, nos enchessem de satisfação.
         
O poder, a fama e a glória surgem-nos, com frequência, como objectivos atraentes.
         
Por causa de os conseguir, dispomo-nos a tudo. Acontece que a insatisfação não desaparece do nosso espírito. Os testemunhos, a este respeito, são abundantes e eloquentes.
         
Só Deus é um fim à altura do querer e do esperar humanos. No fundo, tudo aquilo a que aspiramos, nos é oferecido por Ele. Cabe-nos, portanto, ajustar a nossa existência em função deste fim. De que maneira?
         
Jesus é o caminho (Jo 14, 6). Seguir Jesus é enveredar pelo caminho que nos leva ao fim, à plenitude.
         
O próprio sofrimento não é capaz de impedir o acesso a Ele. Significativamente, foi quando atingiu o máximo de sofrimento que Jesus deu por cumprida a Sua missão.
         
Tudo está consumado — foram as Suas últimas palavras de acordo com o evangelista S. João (19, 30).
         
Dir-se-á que tudo isto é misterioso. Não o nego. Mas tudo isto é também muito belo. Pois, em Cristo, torna-se possível até encontrar o amor no ódio, o perdão na ofensa, a vida na morte, a eternidade no tempo.
         
Diante disto que importa saber o dia e a hora? Importa, sim, estar preparado.
publicado por Theosfera às 00:03

A Escatologia trata das eschata e do eschaton. Ela transita entre as coisas últimas e o último. As coisas últimas são os novíssimos: morte, juízo, inferno ou paraíso. O último é uma pessoa (Jesus Cristo) ligada a um acontecimento (a Salvação) e a uma atitude (a Esperança).

 

É fundamental preparar as coisas últimas a partir do último. Por isso é que, como advertia Moltmann, a Escatologia consiste também numa meditação sobre a esperança. E daí que a Escatologia não deva vir no fim, devendo figurar desde o princípio.

 

Toda a mensagem cristã é escatológica. Caminhamos para as coisas últimas vivendo sob a inspiração do último. Deste modo, a Escatologia constitui um poderoso impulso para a transformação do presente.

 

O presente tem de ser a imagem e a antecipação do futuro. É a partir do futuro que vivemos. Do futuro que não sucede ao presente, mas do futuro que o transforma, que o preenche, que o plenitudiza.

publicado por Theosfera às 00:02

Todos nos sentimos pequenos diante da morte, diante dos mortos. É por isso que recorremos à fé n'Aquele que, passando pela morte, venceu a morte. Se a fé é importante para lidar com a vida, é determinante para lidar com a morte.

 

Também na morte celebramos a fé, o mistério da fé que é, simultaneamente, um mistério de morte e de vida. Na verdade, o mistério pascal articula a passagem da morte à vida pela ressurreição de Jesus Cristo. N'Ele todos morremos. N'Ele todos ressuscitamos.

 

Daí que não seja completamente certo dizer que, num funeral, celebramos a vida. É verdade, mas é só uma parcela da verdade.

 

Na Eucaristia (inclusive na Eucaristia exequial) celebramos a vida e celebramos a morte: a morte de Cristo e a vida de Cristo, a morte e a vida dos que estão em Cristo.

 

 Também num funeral o protagonista é Cristo, o Seu mistério pascal. É neste sentido que o Catecismo da Igreja Católica recomenda que «os funerais cristãos são uma celebração litúrgica da Igreja. O ministério da Igreja tem em vista exprimir a comunhão eficaz com o defunto e fazer a comunidade reunida participar das exéquias anunciando a vida eterna».

 

 A liturgia propõe três tipos de celebração dos funerais, correspondendo aos três lugares onde acontece (a casa, a igreja, o cemitério) e segundo a importância que a ele atribuem a família, os costumes locais, a cultura e a piedade popular.

 

 A Liturgia da Palavra, por ocasião dos funerais, «exige um preparação bem atenciosa, pois a assembleia presente pode englobar fiéis pouco assíduos à liturgia e também amigos do falecido que não sejam cristãos. A homilia em especial deve "evitar género literário de elogio fúnebre", deve iluminar o mistério da morte cristã com a luz de Cristo Ressuscitado».

 

 Não é que não se deva falar do defunto. Ao falar do mistério pascal de Cristo, já se está a prestar a melhor homenagem ao defunto, integrando-o na vida do próprio Senhor Jesus. É Ele, só Ele, que tem o protagonismo.

 

 Há muito a melhorar neste campo. A abertura a Cristo é o ápice da vida. E o sentido da morte.

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 01 de Novembro de 2011

Se um sorriso passear pela tua face, não o comprimas. Sorri.

 

Mas se uma lágrima assaltar os teus olhos, não a sufoques. Chora.

 

Não te preocupes com as impressões dos outros.

 

Em cada momento, sê autêntico, inteiro.

 

Deixa que o teu rosto seja o espelho da tua alma.

 

Um coração puro não tem ornamentos nem suporta disfarces.

 

Um coração puro é o mais belo enfeite de uma vida limpa.

 

Muitos andam envolvidos com as aparências.

 

Uma só coisa, porém, é necessária: ser verdadeiro.

 

Apenas a verdade é bela.

publicado por Theosfera às 18:06

Este é um dia em que os cemitérios são o maior ponto de encontro.

 

Encontramo-nos nós, os vivos na terra. E encontramo-nos com os que acreditamos continuarem vivos na eternidade.

 

É muito bom rever quem não víamos há muito tempo.

 

E é reconfortante sentir que nunca deixamos de ser vistos por aqueles que já partiram. Mas cuja recordação nunca se apagou da nossa memória e do nosso coração!

publicado por Theosfera às 16:52

«O homem morre a primeira vez quando perde o entusiasmo».
Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Honoré de Balzac.

publicado por Theosfera às 16:52

Não me peçam para dizer que faz sol, quando os meus olhos só vêem nuvens.

 

Antes do optimismo, a verdade. Com a verdade, a esperança. Na esperança, o sonho. E, alimentando o sonho, tudo é possível. Até o que parece impossível.

 

Mas não nos digam para esconder a realidade. A realidade não é para esconder. É para encarar. E transformar!

publicado por Theosfera às 16:50

Neste dia, tudo parece ungido com uma certa timidez. Até o sol espreitou e a chuva se conteve. O vento pulava pelos cemitérios, enxugando as lágrimas que batiam a face e se sepultavam no coração.

 

Neste dia de todos os santos, recordamos tantos que surgem ante nós como modelos de bondade e referências de vida.

 

Foram nossos pais, vizinhos, amigos. Tornaram-se as vértebras do nosso caminhar.

 

Hoje, os sorrisos, sinceros, despontam um pouco feridos.

 

A nossa história mora já, em grande parte, debaixo da terra.

 

Lá cumpri também o meu ritual. Com toda a minha família, fui à Senhora da Guia.

 

E, no cemitério, além de orar por meu querido Pai, lembrei o que minha amada Avó me disse no dia 1 de Novembro de 1974: «Meu neto, para o ano, já me vens visitar aqui também».

 

Não estava sequer doente. Mas viria a falecer logo no mês seguinte, a 30 de Dezembro.

 

Os meus nove anos de então ficaram atordoados.

 

Uma vez mais, gostei de rever aquela gente que sempre me disse muito e que recordo tanto!

publicado por Theosfera às 16:36

Santo és Tu, Senhor,

 

Santo é o Teu ser,

 

Santo é o Teu amor,

 

Santa é a Tua generosidade.

 

Santos são os Teus gestos.

 

Tudo é santo em Ti, Senhor.

 

 

Hoje é, pois, o Teu dia,

 

Como Teus, Senhor, são todos os dias.

 

Mas Tu queres que também nós sejamos santos.

 

A nós parece-nos um sonho impossível.

 

Mas para Ti, Senhor, é tarefa realizável, é missão que está ao nosso alcance.

 

Não estás aí, no alto, à nossa espera.

 

Está connosco, aqui, ao nosso lado, dentro de cada um de nós.

 

 

Ser santo é, afinal, ser (ou procurar ser) como Tu:

 

Manso, humilde, despojado, puro, pacífico.

 

Ser santo não é deixar a vida: é colocar a Tua Palavra no centro da vida.

 

Ser santo não é deixar o mundo: é depositar o Teu amor no coração do mundo.

 

Ser santo não é ser desumano: pelo contrário, é ser autenticamente humano, inteiramente humano, plenamente humano.

 

Ser santo é ser irmão, é ser fraterno, é estender a mão, é abrir o coração.

 

 

A santidade está no Céu, mas não está ausente da terra.

 

Ser santo é ser feliz: não apenas depois, mas também agora, já.

 

E ser feliz não é só quando se ri; é também quando se chora.

 

Tu, Senhor, proclamaste felizes os que choram.

 

 

Ser feliz não é ser rico de bens materiais: Tu, Senhor, declaraste felizes os pobres.

 

Ser feliz não é vencer as guerras: Tu, Senhor, chamas felizes aos que constroem a paz.

 

Ser feliz não é passar por cima dos outros: Tu, Senhor, consideras felizes os que têm fome e sede justiça.

 

Ser feliz não é ter uma vida sem problemas: Tu, Senhor, até dizes que podemos ser felizes quando somos perseguidos e insultados.

 

 

Ser feliz é não ser fingido.

 

É ser autêntico.

 

É manter a serenidade.

 

É acender a luz da esperança por entre as nuvens do desespero.

 

 

Obrigado, Senhor, por todos os santos que estão no Céu.

 

De muitos sabemos o nome e conhecemos a vida.

 

Mas há mais, muitos mais, cujo nome ignoramos e cujo número nem sequer conseguimos imaginar.

 

Muitos pertenceram à nossa família.

 

Muitos foram nossos vizinhos.

 

Santos são aqueles que deixaram, no mundo, uma semente de bondade e um rasto de luz.

 

 

Obrigado também, Senhor, por todos os santos que continuam aqui na terra.

 

Obrigado por nos convidares a ser santos.

 

Apesar dos nossos defeitos, Tu, Senhor, continuas a acreditar em nós.

 

Grava, no mais fundo de nós, este texto maravilhoso das Bem-Aventuranças.

 

Ele é o programa a seguir, o caminho a trilhar e a meta a alcançar.

 

Que o conservemos na mente e o guardemos no coração para que o possamos aplicar na vida.

 

 

Nossa Senhora, Mãe da esperança,

 

Acompanha-nos na nossa jornada pelo tempo.

 

Faz brilhar em nós a luz do Teu sim.

 

Tu és a toda santa, a toda bela, a toda pura.

 

Dá-nos a graça de sermos simples e fiéis,

 

Persistentes e constantes.

 

Semeia em nós a santidade.

 

Que sejamos humildes como Tu.

 

Que deixemos Deus fazer através de nós as maravilhas que Deus realizou por meio de Ti.

 

 

Ajuda-nos no caminho,

 

Acompanha-nos na viagem.

 

Apoia-nos quando cairmos.

 

Enxuga as nossas lágrimas.

 

Dá-nos a Tu mão, agora,

 

E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade.

 

Que sejamos santos

 

E, por isso, felizes.

 

E, por isso, cada vez mais amigos,

 

Cada vez mais unidos,

 

Cada vez mais irmãos!

 

 

publicado por Theosfera às 16:05

De muitos sabemos o nome. Acerca de muitos mais nem sequer alvitramos a existência.

 

Uma coisa este dia põe à tona: são muitos mais os santos do que aqueles que conhecemos, do que aqueles que figuram no calendário.

 

A santidade é para todos. O Concílio Vaticano II falava da «vocação universal à santidade».

 

A santidade consuma-se na eternidade, mas constrói-se aqui, no tempo. A santidade é deixar que Deus aconteça em nós.

 

A santidade é a surpresa da paz, da harmonia, da superação do ímpeto do momento. A santidade não é estrepitosa. É silenciosa, mas interveniente, calma, interpelante.

 

A santidade está ao alcance de todos, de ti também, meu Irmão. Quanto mais longe te consideras, talvez mais perto te encontres. De Deus. De ti. Da vida.

 

Que ninguém se sinta à margem. A santidade não é a ausência de defeitos. Houve santos que pegaram em armas, que mataram, que defenderam a pena de morte. Mesmo assim, Deus não os abandonou. E eles deixaram-se tocar.

 

A santidade ocorre na estrada, na casa, no trabalho. A santidade é o mergulho no eterno. Ela tem de ser alimentada. O segredo? Vive a vida segundo a tua consciência. Deus mora lá. No fundo do teu ser.

 

Com Aquele que perdoou, aprendamos a perdoar. Com Aquele que deu, aprendamos a dar.

 

Com Aquele que amou, aprendamos a amar. Com Aquele que é bom, aprendamos a ser bons.

 

Vale a pena parar hoje, para melhor (re)começar amanhã.

publicado por Theosfera às 00:16

A morte está aqui. Mas a ressurreição mora já ali.

 

Entre a morte e a vida há uma diferença tão grande mas, ao mesmo tempo, uma distância tão pequena!

 

A morte não é fim, mas começo; não é termo, mas trânsito; não é catástrofe, mas passagem: para a plenitude, para o amor, para a vida.

publicado por Theosfera às 00:15

É Novembro e, apesar do sol, o ar é um pouco sombrio, carregado.

 

Este é o tempo em que pensamos mais no tempo, no fim dos tempos e nos tempos do fim.

 

Este é o tempo em que o tempo se auto-suspende e nos fixamos para lá do tempo.

 

Este é o tempo em que o tempo se senta. Só a eternidade voa. E se aloja em nós.

 

Este é, pois, um tempo de viagem: do tempo para a eternidade e da eternidade para o tempo.

 

De desencontro em desencontro, rumo ao encontro total e, assim o esperamos, feliz.

publicado por Theosfera às 00:00

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