O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

O mundo é tão belo que tenho pena que só olhem para aqueles que o estragam.

 

Porque é que não reparam naqueles (tantos) que o embelezam?

 

Eu sei que a bondade e a beleza primam pela sobriedade. São discretas.

 

Por isso é que a nossa atenção está focada nos que desfiguram a vida.

 

A maldade exibe ares imperiais.

 

Mas era tempo de estarmos mais atentos. Há tanto bem a ser semeado. Talvez em si. De certeza em si!

publicado por Theosfera às 23:16

1. Numa altura em que tanto se fala de revolução, todos sentimos que continua a faltar o essencial: mudança.

 

No caso da Igreja, a mudança não é só para fazer diferente. É sobretudo para ser melhor. Não basta mudar. É fundamental mudar para melhor. E o melhor da mudança é realizar na vida o projecto de Deus.

 

Nenhuma criatura humana se equipara a Maria nessa determinação e nessa disponibilidade. O Seu desígnio foi sempre que, n’Ela, se cumprisse a Palavra de Deus (cf. Lc 1, 38). É por isso que, para a Igreja, Jesus é a fonte e Maria o paradigma.

 

Mudar será, por conseguinte, seguir os passos de quem conduziu essa mudança ao seu grau mais elevado de transparência e de fidelidade.

 

Acontece que, quando se fala de mudança, a discussão incide nas estruturas, propondo-se a sua alteração.

 

Esta é, sem dúvida, uma necessidade, mas a prioridade deverá ir (muito) mais longe: a mudança a partir do interior da pessoa. A esta luz, haverá mudança na Igreja sempre que houver esforço de conversão por parte dos seus membros.

 

Neste aspecto, Maria é mais que uma referência. Ela sobressai como um modelo e um verdadeiro espelho do que é ser Igreja. Não admira. Ela transportou dentro de si o Fundador e perene Fundamento da Igreja.

 

No fundo, isto significa que já houve alguém que conseguiu o que cada um de nós é chamado a realizar: a fidelidade a Deus.

 

 

2. Sintomaticamente, porém, não existe uma reflexão muito abundante em torno da ligação entre Maria e a Igreja. A meditação sobre Maria fica-se muito pela devoção pessoal. Esta é, sem dúvida, pertinente e deveras edificante, mas não esgota toda a fecundidade do testemunho da Mãe de Jesus. É por isso que importa apostar incessantemente na eclesialidade de Maria e na marianidade da Igreja.

 

Como sublinhou Bruno Forte, Ela é «o todo na parte». O todo é, obviamente, «o mistério, o plano divino da salvação, que se realiza no tempo mediante a missão do Filho eterno, saído do silêncio do amor do Pai para Se fazer homem e dar a vida ao mundo». Já a parte «é a vida da humilde escrava do Senhor». Ela converte-Se na «imagem densa pela presença não só da obra de Deus no mundo, mas também da resposta que o homem é capaz de dar a Deus».

 

Em Maria, é Deus que vem à humanidade fazendo-Se homem. É que, como bem anotou Edward Schilebeeckx, «o homem é a palavra de que Deus Se serve para escrever a Sua história».

 

Maria é essa palavra (aparentemente) silenciosa que se faz receptáculo da palavra eterna de Deus. É n’Ela que o humano atinge o maior nível de aceitação da proposta de Deus. Daí que funcione belamente como critério para aferir a fidelidade da Igreja.

 

No nº 6 do documento sobre o ecumenismo, o Concílio Vaticano II relembra que a Igreja vive em estado de «reforma perene». Ora, reformar é voltar a dar a forma: a forma de Cristo, a forma da Trindade.

 

Onde é preciso mudar? O Santo Padre sustenta que a mudança tem de ocorrer «no estilo de organização» e «na mentalidade dos membros». Duas tarefas nada despiciendas, mas bastante motivadoras.

 

Como referência, Sua Santidade aponta o Concílio Vaticano II, sublinhando sobretudo o seu «ritmo» e ressaltando, assim, a sua permanente actualidade e vitalidade. A melhor homenagem ao Concílio passa pela construção de «caminhos de comunhão» que permitam, na diversidade, que «todos se sintam um».

 

Bento XVI propõe, como primeiro passo, a «ablatio». Esta consiste em suprimir tudo aquilo que não é autêntico a fim de que possa resplandecer a verdadeira figura da Igreja.

 

Tudo isto requer um contínuo trabalho de purificação, de conversão, de abertura à graça. Em síntese, trata-se de assumir que é Cristo quem conduz a Igreja e que o Espírito Santo é o seu primeiro bispo: o «bispo invisível», como Lhe chamou Sto. Inácio de Antioquia.

 

 

3. Existe uma lacuna que, não raramente, muitos assinalam. Transportando a Igreja uma mensagem tão valiosa, como compreender que a sua credibilidade esteja tão afectada?

 

As respostas convergem, praticamente em uníssono, na debilidade do testemunho. Muitos confrontam a mensagem com as atitudes e, dado o distanciamento, propendem a abandonar.

 

Trata-se, aliás, de uma opção que até o Papa considera legítima. Bento XVI, na viagem que o levou à Alemanha, em Setembro de 2011, confessou: «Posso compreender que alguém diga: "Esta já não é a minha Igreja. A Igreja era para mim a força da humanização do amor. Se os representantes da Igreja fazem o contrário, não quero estar mais nesta Igreja"».

 

Daí a necessidade de indicar modelos de coerência, que, graças a Deus, abundam. Nenhum, porém, se iguala a Maria. O Concílio Vaticano II termina a Constituição Dogmática sobre a Igreja com um capítulo dedicado a Ela.

 

A mensagem que, no fundo, pretende veicular é:

 1) aquilo que se diz sobre a Igreja já foi plenamente realizado por um membro da mesma Igreja; não se trata, portanto, de algo irrealizável até porque já foi integralmente concretizado na vida de Maria;

 2) quem quiser encontrar um modelo para a sua vivência eclesial tem em Maria a referência maior e o auxílio supremo.

 

É que Maria pertence à Igreja, verdade que nem sempre parece ser devidamente valorizada. Não desejando funcionalizar a figura e a missão de Maria, o que está ao nosso alcance é corporizar um perfil mariano da Igreja. 

 

 

4. Trata-se de um perfil com marcas de fidelidade e com sabor a muita beleza. Diz o Pseudo-Mateus que o rosto de Maria «era tão encantador e luminoso que tinha dificuldade em suportar a sua beleza».

 

Ela faz parte do mesmo povo que nós. É o seu membro mais eminente. O que Maria foi é o que a Igreja é convidada a ser. Continuamente!

publicado por Theosfera às 10:44

Os europeus anseiam por mudança, mas verificam que a Europa não muda. E se muda, é para pior.

 

É por isso que os novos governos da Grécia e da Itália já não infundem esperança.

 

Nas ruas de Atenas e de Milão, já começaram os protestos.

 

As pessoas intuem, na linha de Lampedusa, que, por muito que mudem os protagonistas, ninguém dá mostras de conseguir mudar a realidade!

publicado por Theosfera às 10:00

Muita atenção se dá, hoje em dia, à imagem, à aparência e ao aparato.

 

Político que se preze e empresa que se tenha em boa conta não dispensam consultores nesta área.

 

É pena que a prioridade não vá para lá da imagem.

 

Estamos muitos dominados pelo visível. Só que o essencial, como garante Saint-Exupéry, é «invisível aos olhos».

 

Muitas vezes, vê-se mais com os olhos fechados. É quando os olhos se fecham que outros olhos se abrem: os olhos da alma, os olhos do coração!

publicado por Theosfera às 09:58

A política é o exercício mais nobre da cidadania.

 

É ela que permite ter acesso a tudo.

 

É por isso que, hoje em dia, ela está em decadência. Porque está a condicionar (e até a obstar) o acesso a quase tudo.

 

Em não poucos casos, nem a liberdade fica a salvo.

 

Sem liberdade terá sentido falar de política?

 

Dizia Hannah Arendt que «o sentido da política é a liberdade».

publicado por Theosfera às 09:57

Ainda não começou o Advento e já se fala no Natal. E nem sequer é nas igrejas. É sobretudo nas lojas comerciais.

 

Apesar da crise, continuamos afogados no consumismo. Mas se já há sinais de Natal no exterior, faltam sinais de Natal no interior.

 

É no interior que Cristo renasce para nós e que nós renascemos para Ele.

 

Será Natal todos os dias quando, em cada dia, deixarmos que o amor de Jesus aconteça em nós. E, por nós, contagie a humanidade!

publicado por Theosfera às 09:56

Coisa estranha. O Evangelho nunca diz que Jesus Se tenha rido. Mas, em várias ocasiões, assinala que Jesus chorou.

 

O texto da Missa de ontem é um exemplo.

 

Mais. No Sermão da Montanha, Jesus declara felizes não os que riem, mas os que choram!

 

Num tempo de sorrisos telegénicos, que não revelam alegria e escondem muita tristeza, é bom olhar para o Mestre dos mestres.

 

O fundamental é ser autêntico sempre.

 

Quando um sorriso vier à face, não o abafemos. Mas quando uma lágrima passear pelo nosso rosto, não tenhamos vergonha dela.

 

Sejamos inteiros em cada momento!

publicado por Theosfera às 00:30

É o ruído uma forma de poluição. Em último caso, conduz à surdez. Ou seja, à força de tanto se ouvir, corre-se o risco de se deixar de ouvir.

 

Com a nossa fragilidade espiritual, a atenção deixou de ser sensível ao silencioso.

 

A nossa atenção é, cada vez mais, despertada pelo ruído. Neste sentido, há quem aposte não apenas no «ruído sonoro», mas também no «ruído visual».

 

O calendário da Benetton não precisa de esperar por 2012. Já obteve o que queria: que se falasse da marca.

 

E não foi por causa da qualidade dos seus produtos. Foi (imagine-se!) por causa de uma montagem com o Papa e um Imã a beijarem-se na boca!

publicado por Theosfera às 00:29

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