O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Às vezes, penso que são os contrários os maiores aliados (pelo menos, no plano táctico) dos contrários.

 

Exemplo: se a instituição eclesiástica tivesse estado sempre ao lado dos pobres, teria surgido o Marxismo?

 

Responde Luther King: «A grande tragédia é que o Cristianismo não percebeu que tinha em si a semente revolucionária. Não é preciso vir Karl Marx ensinar-nos a ser revolucionários. Eu não recebi a inspiração de Karl Marx; recebi-a de um homem chamado Jesus, um santo da Galileia. Um homem que estava ungido para resolver os problemas dos pobres».

publicado por Theosfera às 22:29

Num dos seus últimos (e mais célebres) discursos, Luther King observou que «a vida é uma história contínua de sonhos destruídos».

 

Mesmo assim, vale a pena não desistir de sonhar.

 

Diz o poeta que «é o sonho que comanda a vida».

 

Os senhores da «troika» têm o dinheiro. Os senhores do poder executam o que aqueles determinam.

 

Há sonhos que se vão esbatendo em muitos corações. Há lágrimas que correm, convulsas, em muitos rostos. Mas o sonho, mesmo regado com pranto, subsistirá.

 

E enquanto houver sonho, não desaparecerá a esperança!

publicado por Theosfera às 22:27

«Prefiro ficar no deserto até ao fim dos meus dias a atraiçoar a minha consciência».
Assim escreveu (profética e magnificamente) John Bunyan.

publicado por Theosfera às 22:25

O discurso mais célebre de Martin Luhter King. Aqui.

publicado por Theosfera às 22:21

Na véspera de ser assassinado, a 4 de Abril de 1968, Martin Luther King proferiu a sua última alocução. Trata-se de um discurso antológico de alguém que, embora não visse realizado os seus sonhos, considera ter cumprido a sua missão e chegado, desse modo, ao cimo da montanha. Nem sequer se esqueceu de dizer como gostaria de ser recordado. Vale a pena meditar.

 

«Frequentemente, imagino que todos nós pensamos no dia em que seremos vitimados por aquilo que é o denominador comum e derradeiro da vida, essa alguma coisa a que chamamos morte.

 

Frequentemente, penso na minha própria morte e no meu funeral, mas não num sentido angustiante.

 

Frequentemente, pergunto a mim mesmo o que é que eu gostaria que fosse dito então, e deixo aqui a resposta.

 

Se estiverem ao meu lado quando eu encontrar o meu dia, lembrem-se de que não quero um longo funeral.

 

Se conseguirem alguém para fazer a oração fúnebre, digam-lhe: para não falar muito; para não mencionar que eu tenho trezentos prémios, isso não é importante; para não dizer o lugar onde estudei.

 

Eu gostaria que alguém mencionasse aquele dia em que eu tentei dar minha vida a serviço dos outros; em que eu tentei amar alguém; em que eu tentei ser honesto e caminhar com o próximo; em que eu tentei visitar os que estavam na prisão; em que eu tentei vestir um mendigo; em que eu tentei amar e servir a humanidade.

 

Sim, se quiserem dizer algo, digam que eu fui arauto: arauto da justiça; arauto da paz; arauto do direito.

 

Todas as outras coisas triviais não têm importância.

 

Não quero deixar nenhum dinheiro, coisas finas e luxuosas. Só quero deixar uma vida de dedicação.

 

E isto é tudo o que eu tenho a dizer: Se eu puder ajudar alguém a caminhar; se eu puder animar alguém com uma canção; se eu puder mostrar a alguém o caminho certo; se eu puder cumprir o meu dever de cristão; seu eu puder levar a solução a alguém; seu eu divulgar a mensagem que o Senhor deixou, então, a minha vida não terá sido em vão»!

publicado por Theosfera às 22:06

«Pobre de quem procura e não encontra. Infeliz de quem espera e não alcança».

Assim poetou (lúgubre e magnificamente) António Gedeão.

publicado por Theosfera às 21:28

A pergunta, disse Heidegger, é «a oração do pensamento».

 

Acerca de Maria, pessoa sempre tão comedida, não faltará quem pergunte. Como é que alguém habitualmente tão circunspecto canta um hino como o «Magnificat»?

 

É bom que se tenha presente que se trata de um cântico que hoje seria classificado como «de intervenção».

 

Aí, Ela louva Deus não só pelo que fez na Sua vida, mas também pelas transformações que operou na história.

 

A resposta mais desconcertante é a de S. João da Cruz. Maria canta porque está apaixonada. «Todos os apaixonados cantam!»

 

Maria sente-Se pequena diante da grandeza de Deus. Como refere Tolentino Mendonça, «colocar a nossa vida nua, a nossa vida inteira e pequenina, nas mãos de Deus em nada nos diminui».

 

Tantas vezes nos perguntamos sobre o que nos falta para sermos felizes. E vamos acumulando, sem que jamais nos sintamos satisfeitos.

 

Um dia, um índio discursou no continente americano e lá denunciou a avidez pela posse que presenciava. «O homem branco torna Deus mais pobre», confessava.

 

Maria ensina-nos que, afinal, não nos falta nada. Nada falta a quem, como nota Tolentino Mendonça, «se deixa incendiar e transformar pela Graça de Deus».

 

Ele «ama-nos sem porquê, ama-nos porque nos ama». Isto não será o bastante, não será tudo?

 

No «Magnificat», a oração de Maria não é feita de fórmulas, embora esteja em ligação com a história de Israel.

 

Como observa Tolentino Mendonça, «Ela expõe a sua vida naquilo que diz».

 

A oração é isso: estabelecer um diálogo vivo com Deus.

 

Quando há sinceridade, há beleza.

 

Não espanta, pois, que Sophia de Mello Breyner tenha considerado o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe». Basicamente, porque «anuncia» um mundo novo.

 

Foi este cântico que provocou a conversão de Paul Claudel. Ao entrar na Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca; acreditei por dentro e com todas as forças».

 

Nele acendeu-se «uma convicção tão forte, uma segurança tão indescritível, que fez desaparecer todos os resquícios das anteriores dúvidas»!

 

publicado por Theosfera às 13:17

1. Ancorados no exemplo de Jesus, o Servo, e de Maria, a Serva, os primeiros membros da Igreja assumiram integralmente a sua identidade de servos. O serviço está no mais profundo do seu ser e na superfície dos seus actos.

 

Os que dirigem as comunidades cristãs fazem questão de se apresentarem sempre como servos. Paulo e Tiago (Tt 1, 1; Tgo 1, 1) é assim que se denonimam, tal como Paulo e Silas (Act 16, 17).

 

Esta condição de servo não contende, entretanto, com a liberdade. Quando mais se serve, maior é a sensação de liberdade. Por isso, surge também a expressão «servo livre» (Act 2, 18; 4, 25; Ap 2, 20). Sto. Agostinho assinala, por sua vez, que os cristãos são, ao mesmo tempo, «servos e libertos».

 

Por aqui se vê como o serviço é um requisito não secundário, mas essencial da constituição da Igreja; não marginal, mas central, não acidental, mas substancial. O Bispo de Hipona não hesita, pois, em proclamar enfaticamente que «servo de Deus é o Povo de Deus, é a Igreja de Deus».

 

Não admira, por conseguinte, que pastores e fiéis, consagrados e monges se designem a si mesmos como servos. Muitos bispos ilustres da Igreja antiga, como Sto. Agostinho, colocavam-se na missão como «servos dos servos de Deus». Desde S. Gregório Magno, foi assim que até os Papas começaram a ser definir-se a si próprios.

 

Quanto maior é a responsabilidade e mais alta é a missão, mais vincada é a consciência de que se é servidor. Trata-se, aliás, de uma ressonância epifânica do convite imperativo de Jesus: «Quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se servo de todos» (Mc 10, 43).

 

 

2. A Igreja dos começos era conhecida pelo serviço mútuo entre os seus membros (cf. Mc 10, 43-44), entre aqueles que devem lavar os pés uns aos outros como sinal de amor e estima (cf. Jo 13, 13).

 

O «vede como eles [os cristãos] se amam», de que fala Tertuliano, fez mais pela difusão credível do Evangelho do que muitos tratados e sermões. A vivência é mais eloquente que o conceito. Já no princípio, havia a percepção de que «o mundo ouve mais as testemunhas do que os mestres».

 

A centralidade do serviço afere-se inclusive pela denominação dos seus dirigentes. Eles são conhecidos como diáconos ou como ministros, designações que remetem imediatamente para a ideia de serviço. De resto, na raiz de ministro está minus, o menor, o mais pequeno. Sto. Agostinho vertia o desejo de que os pastores falassem «como ministros e não como mestres»!

 

Não se tratava de um ornamento retórico, mas de uma convicção profundamente arreigada. S. Paulo dá conta de que os cristãos tendiam a considerar os outros superiores a si mesmos (cf. Fil 2, 3). Desde logo, porque se sentiam seguidores daquele que se apresentara como «quem serve»(Lc 22, 27).

 

Como sintetiza Santos Sabugal, «o ministério eclesial é, essencialmente, um serviço ao Senhor glorificado que, através dele, continua a exercer a Sua presença salvífica em e para a Igreja». Toda a existência da Igreja pode ser descrita como uma diaconia prestada a Jesus Cristo.

 

Os membros da Igreja são convidados a consumar este ministério «servindo-se mutuamente com amor»(Gál 5, 13), apoiando-se uns aos outros. Trata-se de uma concretização do Mandamento Novo: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei»(Jo 13, 14).

 

Uma vez que o amor é difusivo e sumamente abrangente, os cristãos são motivados para estenderem a todos os seres humanos aquilo que partilham entre si. Trata-se de um amor que não é selectivo nem limitado. É para todos e é para sempre. A evangelização nunca pode ser feita através da via impositiva, mas apenas (e sempre) pela via propositiva. Quem ama propõe, nunca impõe.

 

 

3. O amor leva à repartição dos bens e à luta pela justiça. A denúncia das injustiças faz parte do serviço da Igreja e do seu amor pela humanidade. Calar perante a injustiça é um pecado. A indiferença nunca é possibilidade a encarar ante o sofrimento e a opressão. Jesus e Maria ensinam a Igreja a não ser imparcial, mas a tomar partido: não por partidos, mas por pessoas, por causas, por projectos de mudança e renovação.

 

A doutrina e a acção social têm uma dimensão serviçal muito notória. O preço, muitas vezes, é a incompreensão e até a hostilidade. Mas a profecia acarreta, quase sempre, a oposição. O Sermão da Montanha (cf. Mt 5, 1-7, 28) é um programa que está escrito em forma de texto para ser permanentemente reescrito em forma de vida.

 

Esta disponibilidade há-de ser alimentada por uma espiritualidade também ela serviçal. A primeira fonte do serviço é, sem dúvida, a escuta orante da Palavra de Deus. Também os sacramentos podem ser vistos como - diz Santos Sabugal - «sinais serviçais da graça comunicada pelo Espírito do Senhor».

 

Tudo isto faz com que a comunidade cristã prolongue a missão serviçal pré-anunciada por Jesus, o Servo, e corporizada belamente por Maria, a Serva.

 

 

4. Este serviço não está condicionado pelo resultado imediato. A sua fecundidade pode até passar pelo fracasso no curto prazo. A Igreja, enquanto serva, «deve aceitar o fracasso serviçal de "perder a própria vida" ou "morrer" para "dar a vida" ao mundo. Chegar à ressurreição implica passar pelo fracasso da Cruz. O Cristianismo é a religião do triunfo através do fracasso, do senhorio através do serviço».

 

Às vezes, o êxito imediato pode até ser um sintoma pouco estimulante. A dialéctica do Evangelho aponta para a morte como passo para a vida e defende o descer à terra como condição para dar fruto. Daí que Eberhard Jungel tenha notado que, cristologicamente falando, «quanto maiores são as dificuldades, maiores são também as possibilidades».

 

Por estranho que possa parecer, é pelas adversidades que se consegue realizar a missão.    

publicado por Theosfera às 00:12

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