O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

As receitas são menores que o previsto.

 

Não é preciso perceber muito de economia para perceber que seja mesmo assim.

 

Se as pessoas ganham menos, como é que podem contribuir mais?

 

Se, além disso, muitos não ganham nada, como é que podem contribuir com alguma coisa?

 

Se querem voar, porque é que cortam as asas?

 

Só deixando trabalhar e ganhar é que se pode crescer, partilhar e contribuir.

 

Se cerceiam as oportunidades, só fazem aumentar as adversidades.

 

Não admira, pois, que Portugal esteja mais perto de quem está atrás do que de quem está à frente.

 

Não sei qual é a a solução. Tenho a obrigação de saber que este não é o caminho!

publicado por Theosfera às 22:40

1. Não são de agora as dissonâncias entre Jesus Cristo e a Igreja. Quando esta se encontrava em gestação na missão de Jesus, já se notavam algumas clivagens. Estas centram-se especialmente em dois níveis: quanto à mensagem e quanto à estrutura.

 

O relato joanino da multiplicação dos pães apresenta-nos um desencontro entre Cristo e o Seu corpo, a Igreja, sinalizada nos Seus discípulos. Depois de ter saciado a fome à multidão, não faltava quem quisesse aclamá-Lo rei (cf. Jo 6, 15). Já quando explica o sentido profundo do milagre, muitos discípulos (que configuravam, por assim dizer, a Igreja emergente)contestam-No e abandonam-No (cf. Jo 6, 60-66). 

 

Não era, contudo, só a mensagem que não era percebida. A estrutura do grupo de Jesus também não estava a ser correctamente entendida. Jesus fala de serviço. Mas os Seus discípulos (pre)ocupam-se com o poder.

 

Jesus até tem o cuidado de apontar os pequenos como modelos. Todavia, os Seus discípulos entretêm-se a discutir sobre qual deles é o maior.

 

Sucede que este é um desencontro que nunca estará totalmente resolvido enquanto não incorporarmos a existência de Jesus de Nazaré na nossa vida.

 

Uma coisa não pode ser esquecida: Cristo é que é a cabeça da Igreja; não é a Igreja que é a cabeça de Cristo. 

 

A Igreja oferece-nos, sem dúvida, o critério para chegar até Jesus. Mas Jesus é que será sempre o definitivo critério para entendermos o que é a Igreja. É inevitável que cheguemos a Jesus a partir da Igreja. Mas é fundamental que saibamos olhar para a Igreja a partir de Jesus. 

 

 

2. Tendo em conta o modelo Jesus, a Igreja não tem poder para distribuir. Tem um projecto de amor para viver. Só que, em vinte séculos de história cristã, o amor tem sido uma proposta nem sempre acolhida e o poder aparece como uma tentação nem sempre rejeitada.

 

Também na Igreja, há a tentação de, ao arrepio do exemplo de Cristo, transformar o serviço em poder. É preciso reaprender, por isso, com Aquele que veio para servir e não para ser servido (cf. Mt 20, 28).

 

É pelo serviço, e não pelo poder, que se afirma a missão da Igreja entre os homens. É algo que está, aliás, no seu código genético. O eclesiólogo Santos Sabugal invoca, neste sentido, o modelo fontal (Jesus) e o modelo paradigmático (Maria). Jesus é o que assume a condição de servo (cf. Fil 2, 7). Maria é a que Se apresenta como serva (cf. Lc 1, 38). A Igreja só pode ter, por isso, uma configuração totalmente serviçal.

 

Em Maria, a Igreja encontra um paradigma para toda a comunidade e para cada um dos seus membros. A Sua proximidade com Jesus faz com que d'Ela ecoe o mesmo que brotou de Seu Filho: a recusa do poder e a centralidade no serviço.

 

É poderosamente significativo que Maria Se conceba como «a serva do Senhor»(Lc 1, 38) e que bendiga a Deus por ter reparado na «humildade da Sua serva»(Lc 1, 48).

 

Estamos, pois, diante da autodesignação preferida de Maria, aquela que, de acordo com Santos Sabugal, «melhor caracteriza e sintetiza o Seu ser e a Sua missão».

 

 

3. Na Anunciação (cf. Lc 1, 26-38), Maria dá o Seu sim declarando-Se como serva e assegurando total disponibilidade: «Faça-se em Mim segundo a Tua palavra»(L 1, 38). O contraponto com Eva atinge a sua máxima expressão. Enquanto Eva recusa ser apenas mulher e pretende ser como Deus (cf. Gén 3, 5-7), Maria recusa ser somente «a mãe do Senhor»(Lc 1, 43), proclamando-Se Sua serva.

 

Com o Seu «faça-se em Mim», Maria torna-Se a Mãe do Filho de Deus, daquele que veio para servir e não para ser servido (cf. Mt 20, 28). Ou seja, Ela participa «da condição serviçal do Seu Filho e, por isso, já previamente cheia do Espírito Santo, surge como a livre "co-serva" de Cristo, como também a humilde serva do Senhor».

 

É como serva que Maria Se apressa a visitar Isabel (cf. Lc 1, 39-40) e a prestar-lhe serviço. Não foi, portanto, uma mera visita de cortesia ou até de obediência ao anúncio da gravidez de Isabel (cf. Lc 1, 36). A visita de Maria «foi uma visita serviçal». Com ela permanece três meses (cf. Lc 1, 39.56), obsequiando-a com todos os cuidados. Foi, portanto, servir como doméstica. A Mãe do Senhor que Se faz servo começa cedo a exercer o Seu serviço e a antecipar o serviço de Seu Filho.

 

Em toda a missão de Jesus, aparece a intercessão serviçal de Sua Mãe. Basta olhar para as Bodas de Caná (cf. Jo 2, 1-12). O ápice desta presença é a Cruz, onde «Maria Se associa activamente ao sacrifício redentor de Seu Filho, sendo também o instrumento serviçal pelo qual, na pessoa do "discípulo amado", Ele nos entregou a "Sua mãe" como nossa mãe e mãe da Igreja». Ou seja, desde o princípio até ao fim, «a serva do Senhor esteve associada serviçalmente ao messiânico Servo de Deus».

 

No dia de Pentecostes, Ela volta a ficar cheia do Espírito Santo na companhia de todos os fiéis. Também aí ela partiicipa na inauguração do eclesial «serviço da Palavra»(Act 6, 4), prestado pelos colaboradores de Deus e de Cristo na proclamação do Evangelho.

 

 

4. Deparamos, por conseguinte, em Maria com um paradigma serviçal para toda a Igreja. Como Ela, todos os Seus filhos são convidados a evangelizar com urgência, anunciando, com a palavra dos lábios e com a palavra da vida, a Boa Nova de Jesus.

 

A Igreja só existe para servir. Jacques Gaillot foi mesmo ao ponto de sustentar que «uma Igreja que não serve, não serve para nada». Como Jesus, que veio «para servir»(Mt 20, 28), também a Igreja, novo corpo de Cristo, está no mundo para servir. A sua multímoda missão condensa-se aqui: em servir, nunca em servir-se.

 

Compreende-se, portanto, que o Vaticano II use o verbo servir cerca de 20 vezes e o vocábulo serviço umas 34 vezes.

 

No passado, no presente e no futuro, a Igreja só tem uma finalidade: reproduzir o que Jesus fez. Aliás, foi esse o Seu apelo: «Como Eu fiz, fazei vós também»(Jo 13, 15). 

publicado por Theosfera às 16:18

Este é o tempo em que tudo se subtrai e em que só o défice parece multiplicar-se.

 

Ele é o défice orçamental. Ele é o défice comercial. Mas existe, acima de tudo, um enorme défice de confiança entre as pessoas.

 

Quem o diz é Stephen Covey, autor do livro «A velocidade da confiança».

 

Segundo ele, nunca a confiança chegou a níveis tão baixos. Acontece que sem confiança não se progride. «Há um risco em confiar, mas há certamente um risco muito maior em não confiar».

 

Para inspirar confiança, é preciso que haja um comportamento expemplar.

 

O exemplo suscita confiança. Há que assumir compromissos e respeitá-los. E é fundamental estender a confiança aos outros para que os outros a estendam a nós. Trata-se da «confiança inteligente».

 

Daí que o carácter seja mais importante que a própria competência. A confiança faz aumentar a produtividade.

 

Em tempo de crise, a confiança pertence à solução. Os problemas surgem quando se perde a confiança!

publicado por Theosfera às 15:21

Primeiro, foi a sociedade agrícola. Seguiu-se a sociedade industrial.

 

Há quem julgue que estamos em plena sociedade do conhecimento. Mas, ao contrário do que alguns pensam, já não é o conhecimento que faz a diferença.

 

Repare-se.

 

Uma breve semana de leitura de um jornal permite ter acesso a mais informação do que aquela que teria uma pessoa do século XVIII em toda a sua vida.

 

O facebook já tem mais de 500 milhões de utilizadores. Se fosse um país, seria o terceiro maior de todos.

 

A rádio levou 37 anos a atingir 50 milhões de ouvintes, a televisão treze, a internet quatro e o facebook apenas dois.

 

Não basta, pois, possuir conhecimento. O importante é saber utilizá-lo da melhor forma.

 

Há quem considere que o futuro está na criatividade. Sem dúvida. Mas esta não chega. Ela tanto consegue abrir as portas ao bem como é capaz de escancarar as janelas ao mal.

 

Temos de apostar sobretudo no exemplo, que polarize os conhecimentos num projecto mobilizador em torno do Bem.

 

Nem tudo o que é bom será criativo. Nem tudo o que é criativo será bom.

 

Do que o mundo precisa, com extremos de urgência, é de bondade. Se esta puder ser oferecida com criatividade, tanto melhor. Mas o que não podemos diferir mais é a instauração de uma efectiva cultura da bondade. No exterior. E sobretudo no interior.

 

O futuro, se quiser ser diferente, tem de passar pela «sabedoria do coração»(Sal 90, 12).

 

Só ele tem as razões que até à razão escapam!

publicado por Theosfera às 11:13

Já perto da agonia, a morte veio a 3 de Junho de 1963, o Papa João XXIII continuava a comover o mundo.

 

Ernesto Balducci escreveu: «Quando Deus manda homens como o Papa João, não será certamente para que se escrevam livros sobre ele, mas para que seja impossível continuarmos a viver e a pensar como se ele nunca tivesse vivido»!

publicado por Theosfera às 10:18

Quando, em Março de 1963, disseram a João XXIII que não havia esperança de recuperar da doença (tinha um cancro no estômago), o Papa virou-se para o secretário e pediu: «Ajudai-me a morrer como convém a um Papa», rogando que entregasse na Secretaria de Estado o dinheiro que tinha. «Desejo que o Senhor me encontre pobre, como sempre fui».

publicado por Theosfera às 10:17

 Ninguém como um grande homem para falar de um homem grande.

 

Acerca de João XXIII, o Papa Bom, disse o teólogo Bernhard Haring: «É provável que nenhum homem, desde S. Frnacisco de Assis, tenha deixado uma imagem tão suave no coração dos seus semelhantes. Também ninguém estranhará se equipararmos João XXIII com a pequena Sta. Teresa de Lisieux. Ambos têm em comum o facto de saberem encontrar o caminho do coração, sobretudo o dos pequenos. Ambos estão marcados pela simplicidade e pela desenvoltura evangélica. Ambos sentem horror a discursos empolados, mas também não se deixam envolver pelas regras de uma superficialidade fácil. Ambos possuem, em certa medida, aquela inocência inata que conduz a actos grandes e ousados. Não atribuem a si próprios uma importância particular, mas acreditam na sua missão, que é a mensagem do amor».

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publicado por Theosfera às 10:15

Hoje, 11 de Outubro, é o dia litúrgico de João XXIII, o Papa Bom.

 

A sua memória ocorre neste dia porque é nele que se assinala o 49º aniversário do grande evento que ele inaugurou: o Concílio Vaticano II.

 

Lembrar um homem bom é trazer para a vida a bondade que ele irradiou e que nunca deve ser apagada nem extinta.

publicado por Theosfera às 07:39

Hannah Arendt oferece-nos dez luzeiros em forma de vidas alentadoras para a nossa vida.

 

Uma dessas vidas é a do Papa João XXIII, que a filósofa judia descreve como sendo «um cristão no trono de S. Pedro».

 

Curiosa a reacção de uma criada de servir aquando da morte do Pontífice: «Minha senhora, este papa era um verdadeiro cristão. Como é que isso foi possível? Como pôde um verdadeiro cristão sentar-se no trono de S. Pedro? Ninguém se terá apercebido de quem ele era?»

 

Há, obviamente, um exagero e até alguma injustiça. Os papas dos últimos séculos mostraram ser cristãos de fibra, até à medula do seu ser.

 

Mas não deixa de ser sintomática a reacção de uma pessoa simples.

 

Na sua maneira de ver, alguém que irradiava o espírito de Cristo não teria grandes condições de ascender naquilo a que, impropriamente, se chama carreira.

 

Sabemos que a bondade de João XXIII lhe trouxe não poucos dissabores. Às vezes, a incompreensão acendeu-se dentro da própria Igreja.

 

Não era em vão, porém, que um dos seus lemas era precisamente «sofrer e ser desprezado como Cristo».

 

João XXIII tornou-se uma figura querida porque assumiu, sem o menor constrangimento, o espírito de Jesus.

 

Para ele, todos, incluindo os ateus, eram filhos e irmãos. A justiça sempre o preocupou e mobilizou.

 

Conta-se que, um dia, terá perguntado a um trabalhador como ia a sua vida. Ele respondeu que ia mal. Então, o Papa garantiu que ia tratar do assunto.

 

Houve, no entanto, quem objectasse que, aumentando o salário aos trabalhadores, teria de haver um corte nas obras de caridade.

 

Resposta pronta do Pontífice: «Então é o que teremos de fazer. Porque a justiça está antes da caridade».

 

São estas atitudes que definem uma vida. E fazem com que as pessoas que as tomam brilhem. Mesmo nas sombras. Sobretudo nas sombras.

publicado por Theosfera às 00:36

Admiro imenso Bento XVI. Mas esta admiração não é excludente. Não impede que admire também (e bastante) todos os Papas que o antecederam. Permitia-me singularizar um deles.

 

Nasci e cresci a admirar (e a venerar) João XXIII. Foi minha querida Mãe que, desde sempre, me falou de que houve um Papa bom, um Papa que encantava pelos seus gestos, que mandava beijos para as crianças, que tinha um ar (e um porte) de verdadeiro pai.

 

Sem desdouro para ninguém (antes pelo contrário), João XXIII é uma das minhas referências de vida.
Mas João XXIII não está longe da Igreja. Ele está no coração dos crentes. Está no coração dos homens.

publicado por Theosfera às 00:27

Como se calcula, foi fatigante para João XXIII o dia 11 de Outubro de 1962. Inaugurara-se o Concílio Vaticano II.

 

O Santo Padre tem necessidade de repousar. Passado o tempo combinado, o secretário passa pelo quarto para despertar o Sumo Pontífice. Só que este não responde. Estava na capela.

 

Como vos sentis, Santo Padre? - inquire Loris Capovilla.

Com o que o Senhor me proporcionou, sinto-me bem. Mas, mais do que nunca, necessito de colóquio interior e de oração prolongada. Nós não somos nada. É o Senhor quem faz tudo.

 

À noite, ocorre uma procissão de velas na Praça de S. Pedro. João XXIII resolve vir à janela do apartamento e dirige-se à multidão como só ele sabia. Termina assim: Quando voltardes a vossas casas, encontrareis aí os vossos filhos. Fazei-lhes uma carícia e dizei-lhes: «É a carícia do Papa».

publicado por Theosfera às 00:25

«Ser manso e humilde não é a mesma coisa que ser fraco e negligente».

 

Esta frase pertence ao Papa João XXIII.

 

A mansidão aparenta ser ingénua, mas não deixa de ser incómoda.

 

Aprendamos com Jesus. Ele foi mansamente incómodo e incomodamente manso.

publicado por Theosfera às 00:25

Quando revisito palavras e gestos de pessoas como João XXIII, quando releio os textos do Concílio Vaticano II, fico com a estranha sensação de que a clareira de sol daquele amanhecer deu lugar a um entardecer cinzento.

 

Urge replantar a esperança nos corações.

 

Importa perceber que a história tem a sua própria cadência. Avança do passado para o futuro. Não regride do futuro para o passado. E nem sequer estaciona no presente. O presente é transcorrência.

 

O tempo do Espírito não está longe do espírito do tempo.

 

Entender o tempo é o primeiro passo para acolher o Espírito que nele flui.

publicado por Theosfera às 00:24

João XXIII teve a preocupação de reconciliar a Igreja com os tempos actuais.

 

A Igreja devia pôr-se ao dia - eis o que ele queria dizer com a conhecida palavra aggiornamento.

 

Também terá manifestado a vontade de ver entrar ar fresco pelas janelas da Igreja. Ou não se fosse o Papa bom um homem do espírito, que, em hebraico, se diz ruah e que significa brisa, vento.

 

Não faltou, porém, quem vaticinasse exposição desmedida a perigos futuros.

 

Na biografia que escreveu, Franco Nogueira conta que Oliveira Salazar viu com muita apreensão a abertura de João XXIII. Perante o referido aggiornamento, terá comentado algo do género: «Este Papa está a abrir as janelas; tem de se preparar para uma grande tempestade».

 

Só que a experiência mostra que, por vezes, é depois das tempestades que damos conta das debilidades da construção. É depois das tempestades que reparamos as casas. E o resultado até costuma ser melhor.

 

Afinal, os tempos estão sempre a emitir sinais. O Papa bom soube estar atento. A sua confiança era maior que o seu temor. A confiança em Deus e nos homens sobrelava o receio das tempestades.

 

Nenhum temor abala um coração magnânimo.

publicado por Theosfera às 00:23

Em tempos sombrios, a luz resplandece em forma humana.

 

Hannah Arendt escreveu precisamente Homens em tempos sombrios. É um conjunto de figuras importantes que não podemos esquecer. Uma dessas figuras é João XXIII, um cristão no trono de Pedro.

publicado por Theosfera às 00:23

Confesso que tenho uma saudade muito grande do bom Papa João, falecido há precisamente 48 anos.

 

Cada vez sinto mais a falta de homens desta estatura, desta largueza de horizontes e desta bondade ilimitada.

 

Parecem já tão distantes aqueles tempos que pareciam manhãs de dias sem ocaso.

 

Nasci e cresci a ouvir falar deste Homem. Minha querida Mãe estava sempre a invocar o nome desta figura enorme da Igreja e da Humanidade.

 

Quem acompanhou a sua trajectória e leu os seus escritos ficou sempre com esta impressão: João XXIII era indulgente com os outros e exigente consigo mesmo.

 

 O seu lema, tirado de Barónio, era «obediência e paz».

 

Escrevia em 1947: «Em casa, tudo vai bem. A paciência ajuda-me nos meus defeitos e nas minhas imperfeições e dos que trabalham comigo. O meu temperamento e a minha educação ajudam-me no exercício da amabilidade para com todos, da indulgência, da cortesia e da paciência. Não me afastarei deste caminho».

publicado por Theosfera às 00:22

Reencontrar João XXIII é sempre um conforto que nunca cansa. Saiu um livro (a edição é já de 2009) que compendia o essencial do seu pensamento.

 

O Papa Bom não podia deixar de insistir na centralidade da bondade. «Não há nada mais excelente que a bondade. A inteligência humana pode procurar outros dons eminentes, mas nenhum deles se pode comparar à bondade».

 

E, atenção, «o exercício da bondade pode sofrer oposição, mas acaba sempre por vencer porque a bondade é amor e o amor tudo vence».

publicado por Theosfera às 00:21

Deixo aqui o decálogo da serenidade composto pelo bom Papa João. Trata-se de um texto mais oportuno que nunca. São, na verdade, dez sugestões de conduta para quem aspira à paz consigo, com os outros e com Deus.

 

 

1. Hoje, apenas hoje, procurarei viver pensando apenas neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

 
 
2. Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, serei cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.
 
 
3. Hoje, apenas hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.
 
 
 
4. Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a adaptarem-se aos meus desejos.
 
 
5. Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.
 
 
6. Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi nada a ninguém.
 
 
7. Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e, se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.
 
 
8. Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado, talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei, e fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.
 
 
9. Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.
 
 
10. Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.

 

Caro Irmão, que o Bem-Aventurado João XXIII te ajude a seres feliz, muito feliz, hoje, apenas hoje. Amanhã e depois de amanhã, desejar-te-ei o mesmo.

Que nosso Senhor te abençoe.

publicado por Theosfera às 00:20

«Não estamos nesta terra para proteger um museu, mas para cultivar um jardim cheio de flores e de vida».

Assim escreveu (comovente e magnificamente) Sua Santidade o Papa João XXIII.

publicado por Theosfera às 00:18

Passados uns dias da sua eleição, João XXIII anota no seu diário: «Esta manhã devo receber cardeais, muitos príncipes e membros importantes de governos. Mas, de tarde, quero passar alguns instantes com homens comuns. que não possuam nenhum título nem nenhuma dignidade senão a de serem seres humanos e filhos de Deus».

 

E é neste espírito que, um dia, se dirige a operários e a agricultores: «Não viestes ver o filho de um rei nem de um imperador nem de um grande deste mundo, mas um padre que, filho de gente pobre, foi chamado pelo Senhor para carregar o peso do pontificado supremo».

publicado por Theosfera às 00:17

Há 49 anos começava em Roma o Concílio Vaticano II.

 

Há que lembrar. Há que recusar esquecer. Há que louvar. Há que agradecer. Há que ler. Há que aplicar.

 

No Concílio ressoou a palavra de sempre para a época actual: a Palavra de Deus revelada em Cristo e presente na Sua Igreja.

 

Há que voltar às fontes. Há que caminhar em frente. O Espírito não deixa de falar. Também no tempo presente. Também no tempo futuro.

publicado por Theosfera às 00:10

Em mais um aniversário do Concílio, valerá a pena empreender uma reflexão que, porventura, ainda não chegou a muitas latitudes.

 

Há quem teime em colocar o Concílio contra a Tradição e em estabelecer distinções entre cristãos pré-conciliares e cristãos conciliares ou, então, entre cristãos identitários e cristãos conciliares.

 

Ora, isto é um perigo e constitui uma leitura infundada. Revela, quase sempre, uma aproximação superficial e segmentada à letra e ao espírito do Concílio Vaticano II.

 

Não começa a Lumen Gentium por falar da identidade? E onde radica a identidade da Igreja? Não é no mistério, na Trindade, em Deus?

 

Há muitas leituras supostamente conciliares que se tornam anticonciliares. Desde logo porque são pouco conciliatórias. E, acima de tudo, porque, pretendendo espelhar o Concílio, se afastam do mesmo Concílio. 

 

É preciso ter presente que, numa altura em que se assiste a uma renovada busca de espiritualidade, há quem persista em atitudes de desalinhamento.

 

Há um problema sério que se vai manifestando em vastos sectores. O Concílio disse, na Dei Verbum, que a Igreja não é dona, mas serva da Palavra.

 

No entanto, há quem se comporte como proprietário da Igreja. Há quem não faça caso das referências e das normas da Igreja para, depois, se erigir a si mesmo em norma e em padrão.

 

Daí que, por vezes, quem queira, modestamente embora, viver o Concílio e tudo o que advém dele (como o Catecismo ou o Código) seja impedido e incomodado.

 

Na Igreja, há lugar para diferenças. Mas estas diferenças não podem atentar contra a unidade e o seu imperecível fundamento: Cristo presente na Sua Igreja.

 

Temos de estar precavidos que não falta quem ponha a correr uma série de máculas sobre quem procura estar com Cristo, sob a égide do Sucessor de Pedro e na esteira do que dimana do  sucedâneo do Colégio Apostólico.

 

A fidelidade é apresentada como eivada de tradicionalismo retrógrado e como padecendo de falta de espírito de grupo.

 

Temos de estar atentos. A Igreja, como diziam os escritores antigos, é um barco que vacila, mas não cai. Porque o seu piloto é Cristo e o seu mastro é a Cruz.

 

Basta estar em Cristo. Venham todas as adversidades, se tiverem de vir. A paz nunca se afastará do nosso coração.

publicado por Theosfera às 00:07

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