O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 08 de Outubro de 2011

Para triunfar, hoje em dia, não basta ter competência nem dignidade.

 

O principal trunfo, dizem os sociólogos, é aparecer e gritar. O que conta, acima de tudo, é a imagem e o som.

 

Quanto mais se aparece e quanto mais alto se grita, melhor.

 

António Barreto nota que, «em Portugal, para um partido ser forte e enérgico, significa berrar». Não se avalia o conteúdo. Olha-se para o aspecto. Ouve-se o tom. E deixamo-nos guiar.

 

A polidez não está, consabidamente, em alta. Ganham alguns. Mas não será que estamos a perder todos?

publicado por Theosfera às 16:09

Sinal destes tempos: «A ética é substituída pelo cálculo das consequências».
(Bento XVI).

publicado por Theosfera às 11:52

Confúcio, questionado acerca das condições de paz e estabilidade de um povo, enunciou: forças militares, alimentos e confiança nos dirigentes.

 

O discípulo perguntou-lhe: «Se tivesse só de ficar com duas condições, qual é que deixava cair?»

 

Confúcio respondeu: «As forças militares».

 

«E se tivesse de renunciar ainda a outra, insistiu o aluno, qual delas escolheria?»

 

- «Os alimentos», assegurou o mestre. É que, mesmo comendo, «as pessoas continuam sujeitas à morte; mas se o povo não confiam nos que governam, é o fim».

 

Sem confiança, é o fim!

publicado por Theosfera às 11:51

Muitas vezes e infelizmente, é mesmo como dizia Ambrose Bierce: «Trair é "retribuir" a confiança depositada».

 

A recompensa pelo execesso de confiança são extremos de traição.

 

Atenção, porém, que esta «lei» (não escrita em nenhum código, mas inscrita na vida) tem excepções.

 

Ainda há quem saiba honrar a confiança!

publicado por Theosfera às 11:50

Quando, na Somália, há 750 mil pessoas em risco de vida por causa da fome. E quando, ainda por cima, têm de lidar com o flagelo da guerra, é caso para perguntar: será que estamos em crise?

 

Estamos.

 

Entre outros motivos, porque não sabemos olhar solidariamente para os outros.

publicado por Theosfera às 11:49

É muito prejudicial a associação, sempre frequente, entre luta e violência.

 

A ideia que prevalece é a de que quem não é violento é porque não luta.

 

Daí que a ausência de violência seja conotada com o puro conformismo. Ainda bem, por isso, que o Comité Norueguês destacou, nas três galardoadas deste ano com o Nobel da Paz, a sua «luta não violenta».

 

Se pensarmos bem, a violência é um sinal de que não se acredita na eficiência da luta.

 

Quem crê nas suas causas por elas luta com as armas da verdade e da paz.

publicado por Theosfera às 11:48

1. A imagem mais difundida mostra-nos uma Igreja presente no tempo, mas não muito interveniente no curso da história.

 

Será mais um apoio na retaguarda do que uma força na vanguarda. Daí que sejam raros os momentos em que houve demarcação crítica do poder. E daí também que tenham sido múltiplas as ocasiões em que, por palavras ou sobretudo pelos silêncios, existiu uma espécie de apoio acrítico ao poder.

 

Jesus instaurou um paradigma imprescritível a este respeito. É o paradigma de uma Igreja que respeita os poderes, mas que está distante do poder e que não se concebe a si mesma como poder. Foi a caminho de Jerusalém que Jesus, exorcizando cerce as veleidades de alguns, tornou bem claro que veio para servir e não para ser servido (cf. Mt 20, 28).

 

Sucede que o reconhecimento que a Igreja teve para com o imperador que pôs fim às perseguições levou a que, inevitavelmente, sufragasse muitos dos seus actos. Até a pena de morte chegou a ser justificada!

 

O inconformismo dos inícios foi-se esbatendo. A Igreja integrou-se no sistema constituído, procurando aperfeiçoá-lo pontualmente, mas sem o questionar. Nas sociedades medievais, o clero era mesmo uma das classes instituídas.

 

A missão da Igreja era reduzida à oração e à caridade. A luta pela justiça e a profecia pareciam ficar de fora. A transformação da pessoa era desejada. Já a transformação da sociedade parecia não ser procurada.

 

A ideia que prevalece é a de que, ao contrário do que sucede nos textos bíblicos, a mística e a profecia são coisas separadas, quiçá inconciliáveis.

 

 

2. Sucede que Maria, modelo prototípico da Igreja, combina belamente a mística e a profecia. No entanto, a tendência prevalecente também foi a de fazer d'Ela uma figura ímpar, mas porventura propensa à resignação. Nada, contudo, mais longe da verdade.

 

É certo que Maria foi uma mulher orante, com um forte carácter meditativo. Mas, como já notavam os Padres, ao elemento místico Ela aliou um vincado elemento profético. Ela propende, sem dúvida, a guardar a Palavra no Seu coração (cf. Lc 2, 19), mas, quando é necessário, não Se exime a fazer ressonância dessa mesma Palavra nos Seus lábios (cf. Jo 2, 5).

 

Em qualquer caso, Maria não pode ser considerada como uma mulher resignada, conformada. Pelo contrário, Ela afirmou-Se sempre saudavelmente inconformista. Para Ela, a fé nunca foi uma anestesia, um tranquilizante. Na fé, Maria encontrou a paz, mas, usando uma célebre expressão de Lourdes Pintasilgo, «a paz da permanente inquietação». Trata-se da inquietação pelo cumprimento da vontade de Deus e pela salvação da humanidade.

 

O Magnificat revela a vertente profética de Maria, em consonância plena com a sua dimensão orante. Aliás, este hino constitui uma oração. É uma oração que eleva a Deus a leitura da realidade e a aposta na sua transformação.

 

Sendo um hino tecido a partir de elementos veterotestamentários, o Magnificat serve para Maria assumir por inteiro toda a expectativa messiânica. Como alerta Joseph Ratzinger, «Maria viveu tão profundamente a palavra da Antiga Aliança que esta se tornou inteiramente na Sua própria palavra».

 

No fundo, é a Palavra de Deus que passa pelos Seus lábios e «a Sua própria palavra surge no interior da Palavra de Deus: as fronteiras entre uma e outra tinham desaparecido, porque a Sua existência no seio da Palavra era vida no território do Espírito Santo».

 

 

3. Era fácil naquele contexto, em que Maria recebe um elogio de Isabel, exaltar-Se a Si mesma. Ela, porém, tudo concentra em Deus: «A Minha alma engrandece o Senhor» (Lc 1, 46). Não se pretende, como é óbvio, acrescentar algo a Deus, mas deixar que Ele revele a Sua grandeza em nós.

 

Como observa Hans Urs von Balthasar, engrandecer o Senhor «significa não se engrandecer a si próprio, ao seu próprio nome, ao seu próprio "eu", amplificar-se e reivindicar um lugar, mas dar-Lhe espaço a Ele para que Se torne presente no mundo».

 

Percebe-se, a esta luz, a alegria de Maria. Ela sente-Se realizada por ser oportunidade para Deus realizar a Sua obra. Conhecedora do Antigo Testamento, Ela sabe que Deus dirige o Seu olhar de predilecção para os humildes (cf. Is 66, 2). Desvanece-Se, agora, por Ele ter olhado para «a humildade da Sua serva»(Lc 1, 48).

 

É Ele que realiza, n'Ela, maravilhas (cf. Lc 1, 49), mostrando ser Todo-Poderoso. Mas, atenção, este poder não é o poder de mandar; é o incomparável poder de amar. Uma vez que Deus é amor (cf. 1 Jo 4, 8.16), então, como entreviu Paul Ricoeur, o Todo-Poderoso é sobretudo o Todo-Amoroso.

 

É o amor, onde radica o poder, que explica que a misericórdia divina se estenda de geração em geração, apesar da infidelidade do homem. O amor não sabe ser senão misericordioso, compassivo, magnânimo. O ápice desta misericórdia amorosa é, como assinala Elio Peretto, o envio do Messias.

 

 

4. A partir daqui, Maria opera uma reescrita da história com base na intervenção divina. Deus é diferente, nunca indiferente. Não é imparcial, toma partido. E, coisa espantosa, escolhe não o lado de cima, mas o lado de baixo, aquele onde se encontram os pequenos, os oprimidos.

 

Em Maria, a Igreja sabe que a sua missão não é apenas acompanhar ou interpretar a história. A sua grande função é participar na transformação da história.

 

O Magnificat certifica que a história não é apenas uma ciência; é sobretudo uma tarefa. O seu objecto não é o passado; é a mudança. Marc Bloch avisou-nos: «A história é a ciência da mudança no tempo».

 

Desde o princípio, a história tem sido o espaço da mudança. A novidade dos últimos tempos é a aceleração da mudança. Tudo muda. Mas agora tudo parece mudar mais depressa.

 

 

5. O Magnificat é um texto interpelante, que estimula a transformação da realidade e nunca a resignação perante ela. Maria, a mansa mulher de Nazaré, é aquela que louva o Senhor porque «dispersou os soberbos, derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens, aos ricos despediu de mãos vazias» (Lc 1, 52-53).

 

Numa primeira leitura, estaremos inclinados a ver aqui um programa subversivo. Daí a preocupação para concentrar o Magnificat no culto, retirando-lhe, quase sempre, a força transfiguradora que encerra.

 

Para lá de qualquer conotação ideológica, este é, indubitavelmente, um texto que contém um programa e que desautoriza todo e qualquer conformismo, todo e qualquer alinhamento com a ordem estabelecida.

 

Maria, como adverte Bruno Forte, é «a porta-voz da esperança dos pobres, que encontra o seu cumprimento na revolução de Deus». Nos lábios de Maria, «ressoa, por antecipação, a Boa Nova». Aqui, reflecte-se já nitidamente «a predilecção que Jesus vai ter pelos últimos». Isto significa que a chegada do Reino configura uma inversão na história (cf. Lc 16, 19-31). O mistério cristão «é oferecido aos pobres e realizado neles e para eles».

 

Raymond Brown, com base no Magnificat e na pregação de Jesus, regista que «a riqueza e o poder não são valores reais, pois não têm consistência aos olhos de Deus». Tudo o que aconteceu na humilde serva de Yahvé é - acentua Bruno Forte - «motivo de confiança e de esperança para os homens, provados e sofredores, das primeiras gerações cristãs e para todos os homens das gerações que, juntamente com elas, continuarão a chamá-La bem-aventurada». Este é, pois, um cântico de libertação de todo o povo, de todos os pobres, que louvam a Deus pelo cumprimento da promessa feita a Abraão e à sua descendência (cf. Lc 1, 55).

 

 

6. No Magnificat, a Igreja inspirada em Maria encontra o manifesto de «uma espiritualidade libertadora. que reconhece no presente concreto dos homens a revolução da promessa de Deus». É, sem dúvida e como dizia Jurgen Moltmann, «o hino de uma grande revolução na esperança».

 

Maria, aqui, não é apenas a alma de Israel; é também a humanidade a que Ela dá voz; é a humanidade humilhada e surpreendida pelo carinho de Deus.

 

Max Thurian vai ao ponto de defender que Maria, a «primeira cristã, é igualmente a primeira revolucionária dentro da novem ordem». Trata-se, sem dúvida, de uma mulher forte e corajosa, que invoca a justiça e anseia pela liberdade.

 

 

7. A Igreja é depositária deste programa, que jamais pode ser negligenciado nem, muito menos, esquecido. Remeter o Magnificat para a mera esfera do culto seria uma amputação da sua energia libertadora.

 

A Igreja, chamada a ser fiel ao seu Senhor, não há-de esquecer jamais o apelo que lhe chega da Sua Mãe: participar na acção de Deus em favor dos mais pobres!

 

publicado por Theosfera às 00:49

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