O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 07 de Outubro de 2011

A economia parece estar a deixar de ser uma ciência para se reciclar numa espécie de crença.

 

São os próprios economistas, agastados talvez por tantas falhas, que surgem a introduzir as suas intervenções pelo verbo «crer»: «Creio que a crise passará».

 

O melhor é prepararmo-nos para a turbulência. E se 2011 foi tingido a cinzento, 2012 ameaçar despontar em tons de negro.

 

Os funcionários públicos terão mais um ano de salários congelados. E, como se isto não bastasse, os subsídios de férias e de Natal poderão ficar em risco.

 

Será que 2012 vai levar-nos a ter saudades de 2011?

 

Desejar feliz ano novo vai ser um acto complicado.

publicado por Theosfera às 20:50

Há um gelo muito grande a contrabalaçar este cálido outubro. É o gelo dos corações.

 

Será preciso arrefecer o tempo para percebermos que urge reaquecer a vida?

publicado por Theosfera às 16:30

 As liberianas Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman foram hoje distinguidas com o Nobel da Paz 2011.

 

O Comité Nobel Norueguês distinguiu as três mulheres «pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz».

 

Ellen Johnson-Sirleaf, economista, é a actual presidente da Libéria - primeira mulher a ter sido eleita democraticamente num país africano, em 2006 -,  Leymah Gbowee é uma ativista com destacada participação no movimento «Women of Liberia Mass Action for Peace», durante a segunda guerra civil liberiana (1989-2003).

 

Tawakkul Karman, do Iémen, é um dos rostos mais conhecidos da oposição ao regime do presidente Ali Abdallah Saleh.

publicado por Theosfera às 11:02

Deus tem uma proposta para te fazer, uma oferta para te dar: Ele mesmo!

 

O teu coração é o santuário que Ele quer habitar.

 

Ele está à tua porta.

 

Abre-lhe o teu ser.

 

Que a paz te inunde. E que a serenidade habite a tua vida!

publicado por Theosfera às 10:50

Há quem esteja apreensivo quanto à «presença institucional» do divino. É natural que, com algum recuo das religiões, haja motivos para preocupação.

 

Talvez fosse bom, por isso, estar mais atento à «presença ignorada» de Deus, de que falava Viktor Frankl.

 

Tratar-se-á de uma presença discreta, aqui e ali mesmo soterrada. Trata-se, porém, de uma presença constante.

 

Deus, afinal, continua a estar no lugar mais sagrado: no ser humano, no mundo, na vida!

publicado por Theosfera às 10:48

1. São estas as duas grandes carências e, ao mesmo tempo, as duas grandes urgências da nossa existência: a felicidade e a fé.

 

As pessoas sentem-se infelizes e deixaram de acreditar. As pessoas deixaram de acreditar e sentem-se infelizes.

 

A concentração excessiva no presente retirou horizontes de futuro e, uma vez que o presente é apresentado em tons sombrios, a tendência é para uma infelicidade tingida pela descrença.

 

O certo é que, durante séculos, a felicidade pareceu não constituir uma prioridade para a fé. Falava-se da felicidade, sim, para a vida depois da morte. E não se tinha na devida conta que, como diz um famoso texto do Papa João XXIII, Deus quer que o homem seja feliz «não só no outro mundo mas também já neste».

 

Havia, portanto, uma desligação entre a felicidade e a fé. Por vezes, subsistia até a impressão de que a felicidade eterna implicava uma certa infelicidade temporal. Uma compreensão distorcida da ascese sentenciava que, quanto mais infeliz se fosse agora, maior seria a felicidade depois!

 

Era assim que, se consultássemos um dicionário de Teologia e procurássemos nele a palavra felicidade (eudaimonia), nada encontraríamos.

 

Mas a Bíblia inclui um conjunto de macarismos, ou seja, expressões que começam por felizes. Além das oito Bem-Aventuranças, existem cerca de cem exortações à felicidade que se iniciam de modo semelhante: «Bem-Aventurados» ou «Felizes».

 

 

2. Paul-Dominique Marcovits seleccionou 37 desses convites e apresenta-os em forma de livro: «As pequenas Bem-Aventuranças».

 

O mais interessante e assaz comovente é que, segundo Jesus, a felicidade até pode visitar aqueles que, exteriormente, não estarão alegres.

 

Luís Osório perguntou, um dia, a José Saramago por que parecia sempre tão pouco alegre, depois de ter conquistado tudo. A resposta foi desconcertante: «Talvez porque a felicidade nunca é alegre».

 

 É claro que a alegria é um dos maiores sinais da presença de Deus. No final do enunciado das Bem-Aventuranças, Jesus proclama: «Alegrai-vos e exultai»(Mt 5, 12).

 

Não se trata de uma alegria necessariamente em forma de gargalhada, mas, como refere Paul-Dominique Marcovits, de uma «alegria que brota do nosso íntimo e que nos permite atravessar a noite e a tempestade».

 

Já Almada Negreiros estava convencido de que «a alegria é a coisa mais séria deste mundo». Para Paul Claudel, «onde há mais alegria, há mais verdade».

 

No mais fundo da mensagem bíblica (nem sempre tal sucede numa leitura superficial do texto sagrado), salta à vista que - alerta Paul-Dominique Marcovits - «Deus criou-nos para sermos felizes». Por isso, «a felicidade é o único horizonte da nossa vida».

 

Daí que, ainda segundo o mesmo autor, «a felicidade faça parte da nossa fé. É um tesouro que nos foi oferecido. Se a fé é um compromisso com Deus, a felicidade é também o seu fruto. Precisamos, contudo, de tempo para compreender que a felicidade pode estar no nosso íntimo quando vivemos provas difíceis, dolorosas, pois o Senhor não nos afastou do mundo, mas entregou-nos a Sua vida, a Sua força e a Sua paz».

 

 

3. É neste sentido que a Igreja aprende com Maria a reencontrar a felicidade na fé. É feliz quem acredita, quem nunca desiste de acreditar. A felicidade não está indexada ao possuir, ao poder, mas, antes de mais e acima de tudo, ao acreditar. 

 

É espantoso notar que o único elogio que Maria recebe no Evangelho é precisamente aquele que lhe é feito por Isabel. Trata-se do elogio da Sua fé. Maria é feliz porque acreditou (cf. Lc 1, 45).

 

Como acentua Paul-Dominique Marcovits, «quando olhamos para Maria, quando meditamos no Seu mistério, descobrimos a própria estrutura da nossa identidade cristã e a da Igreja». Esta existe, optimizando o seu perfil mariano, para que possa dar ao mundo a Vida que é o próprio Jesus Cristo.

 

Tal como o ventre de Maria, também a Igreja é fecunda. É que também nós, «ao recebermos o Senhor, descobrimos que Ele passa por nós, pela nossa pobreza, para salvar o mundo».

 

A fé de Maria é a fé de toda a Igreja e até de toda a humanidade. Num instante, assinala Karl Rahner, «a palavra de Maria foi a palavra da humanidade e o seu sim foi o ámen de toda a criação ao sim de Deus».

 

Nas palavras de Isabel louvando a fé de Maria, percebe-se como - sublinha Raniero Cantalamessa - «a maternidade divina de Maria é entendida não só como maternidade física, mas, muito mais, como maternidade espiritual, fundada na fé».

 

Sto. Agostinho reforça esta percepção ao escrever: «A Virgem Maria, acreditando, deu à luz aquele que, acreditando, concebera». Ou seja, «à plenitude da graça por parte de Deus corresponde a plenitude da fé por parte de Maria; ao "gratia plena" o "fide plena"». 

 

O sim é o ápice da fé. Convirá anotar, já agora, que tal sim, nos lábios de Maria, não assumiu a forma de fiat pela elementar circunstância de que Ela não falava latim. Também não disse génoito porque não falava grego. Com toda a certeza, a palavra que Maria usou é a mesma que ressoa na Igreja: ámen!

 

Esta é uma fórmula de assentimento que, já na liturgia judaica, se empregava como resposta de fé à Palavra de Deus. No fim de certos Salmos, quando na Vulgata se lê fiat, fiat (na versão dos Setenta seria génoito, génoito), o original hebraico, conhecido por Maria, traz ámen, ámen.

 

A tradução exacta desta palavra será: «Assim é e assim seja». Indica, simultaneamente, fé e obediência. Reconhece ser verdade o que Deus afirma e aceita-o. No fundo, é um sim dado a Deus.

 

 

4. A fé, pela qual Maria é feliz, desponta como um acto de amor e de docilidade. Ela é feliz não só porque traz Jesus no Seu seio, mas, desde logo, porque O traz no Seu coração. Quem mais do que Maria guardava as palavras de Deus no Seu coração? (cf. Lc 2, 19.51).

 

É natural que a fé de Maria também fosse posta à prova. Se Jesus foi tentado, seria estranho que Maria, sempre tão identificada com Ele, não o tivesse sido. A fé está sempre a ser provada, a ser testada (cf. 1 Ped 1, 7). Na Sua peregrinação de fé, Maria, tal como Jesus, terá sido certamente provada em tudo menos no pecado (cf. Heb 4, 15).

 

Percebe-se, assim, que tudo o que se diga acerca de Maria possa ser estendido universalmente à Igreja e singulamente a cada um dos seus membros.

 

É pela fé que nos tornamos sensíveis à graça. A fé torna-se tão importante porque é ela que reconhece à graça a sua gratuidade. Como sublinha Raniero Cantalamessa, «não procura inverter as coisas, fazendo de Deus um devedor e do homem um credor». A fé é a percepção de que nada é direito nosso. Tudo é dom e graça de Deus.

 

A fé e a graça são, por isso, «os dois pilares da salvação; são para o homem os dois pés para andar ou as duas asas para voar». Não são, porém, duas entidades paralelas, como se de Deus viesse a graça e de nós surgisse a fé. Também a fé surge como pura oferta de Deus.

 

 

5. Esta fé é sempre pessoal e sempre comunitária. «Não é suficiente uma fé se não realizar o contacto íntimo e pessoal, entre o eu e o tu, com Deus». Mas também não basta «ter uma fé apenas subjectiva, uma fé que se limite a um entregar-se a Deus no íntimo da própria consciência». Em síntese, «é preciso acreditar pessoalmente, mas na Igreja; acreditar na Igreja, mas pessoalmente».

 

A fé da Igreja «não anula o acto pessoal nem a espontaneidade do crer. Pelo contrário, resguarda-o e permite conhecer e abraçar um Deus imensamente maior que o da minha pobre experiência. Nenhuma criatura consegue abranger, com o seu acto de fé, tudo aquilo que se pode conhecer a respeito de Deus. A fé da Igreja é como uma objectiva grande, angular, que permite fotografar um panorama muito mais amplo do que com uma objectiva simples».

 

Dizer sim a Deus, pessoal e comunitariamente, não diminui a dignidade do ser humano. Antes a exalta e plenifica. É esse sim que abre, escancara, as portas da felicidade, ainda que no meio da tormenta da vida.


 

publicado por Theosfera às 00:53

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