O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 03 de Outubro de 2011

O hífen está a cair. Mas não é só entre as palavras. É também (e cada vez mais) entre as pessoas.

 

O hífen cai entre as palavras por causa do Acordo. E vai caindo entre as pessoas por causa de tantos desacordos.

 

Mas pode ser que o hífen consiga fazer o seu caminho. E, se liga menos palavras, que possa ligar mais as pessoas.

 

Bem precisamos todos de ser «hifenizados».

publicado por Theosfera às 15:10

A repórter foi à Cartuxa e veio de lá impressionada.

 

Tinha falado com quem habitualmente não fala. E, mesmo cá fora, pressentiu o que se passa lá dentro: muita felicidade e alegria.

 

As palavras mostram o que vem de dentro para fora. O silêncio permite descer da superfície à profundidade.

 

As poucas palavras dos monges tocaram a jornalista porque não vinham dos lábios. Provinham da alma. Sabiam a paz. E, mesmo na terra, tocavam o céu!

publicado por Theosfera às 13:08

Era manhã. Saí à rua. Olhei o céu. Não vi nuvens. Só vi o sol.

 

Também vi rostos e pude ver almas. Vi preocupação. Também vi apreensão.

 

Não vi muita esperança. Ainda não terá acordado?

publicado por Theosfera às 10:42

Num mundo cada vez mais interdependente, é impossível ser indiferente.

 

Cada texto leva-nos para uma infinidade de textos. Cada realidade transporta-nos para um mundo de realidades.

 

Tudo tem que ver com tudo.

 

Definitivamente, não podemos ser indiferentes. Nem sequer em relação à indiferença.

publicado por Theosfera às 09:57

Primeira era preciso dar «pancada». Agora, será imperioso dar uma «sova».

 

Serão apenas metáforas, eu sei. Mas porquê toda esta beligerância?

 

Será que a política ter de ser, como dizia Klausewitz, uma forma de guerra, embora não sangrenta?

publicado por Theosfera às 09:53

Eu sei que a publicidade tem a sua própria linguagem. Mas, mesmo assim, ela faz parte do mundo e não devia ser vista como um mundo à parte.

 

Toda a gente sabe que Mourinho é muito bom e já foi, reconhecidamente, considerado o melhor.

 

Mas ouvi-lo dizer «eu sou o melhor do mundo» soa a arrogância desnecessária.

 

Se foi um guião que lhe puseram à frente, ele tinha condições única para recusar.

 

É bonito ver alguém, sobretudo numa hora de crise, reafirmar o orgulho que tem em ser português. Embora preferisse «alegria» a «orgulho».

 

Mas dizer que é o maior é algo que não fica bem. O elogio nunca deve vir por boca própria.

 

Deixemos que a obra fale por si. E, falando a obra, o que os lábios possam dizer é redundante. Logo, não necessário.

publicado por Theosfera às 09:50

Eu sei que, no início de mais uma semana, sente que há tantos caminhos tapados.

 

Mas, se reparar, há uma janela que está permanentemente aberta: a janela do seu coração.

 

Deixe entrar o mundo dentro de si. Tente captar o melhor que vai emergindo. Não deixe adormecer a esperança.

 

Tenha um excelente dia.

publicado por Theosfera às 06:42

1. Muitas são as vezes em que as pessoas vão à Igreja procurar Deus e deparam com uma estrutura que consideram pesada. E com um aparato organizativo e institucional que quase ofusca a possibilidade de uma vivência do mistério.

 

A Igreja, em virtude da sua bimilenar peregrinação pelo tempo, tem um vasto património doutrinal, litúrgico e até canónico que impressiona. Mas que, ao mesmo tempo, pode obscurecer o essencial, o que lhe dá razão de ser.

 

À força de hábitos tão vastamente instalados, quase não nos apercebemos de que, frequentemente, incidimos a nossa atenção mais nos acrescentos colocados ao longo dos séculos do que na experiência fontal que é Deus. 

 

A certa altura, pode adquirir renovada pertinência a admoestação feita, em 1973, pelo teólogo Joseph Ratzinger: «Se, antigamente, a Igreja era a medida e o lugar do anúncio, agora apresenta-se quase como o seu impedimento».

 

Em causa poderá estar um distanciamento, na Igreja, entre a sua identidade e a sua configuração, entre aquilo que ela é e aquilo em que ela se vai tornando.

 

 

2. Crescemos a ouvir dizer que a Igreja era o espaço vital para a vivência do mistério santo de Deus. Os primeiros teólogos vinculavam irreversivelmente a relação com Deus à pertença à Igreja.

 

S. Cipriano de Cartago, que apresenta a Igreja como o povo formado pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, proclamou que «ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja por Mãe».

 

Um pouco mais tarde, Sto. Agostinho mantinha a mesma convicção: «Para viver do Espírito de Cristo, é preciso viver no Seu Corpo».

 

E, muito mais recentemente, Henri de Lubac deixa um aviso: «Não nos jactemos de que, situando-nos fora da Igreja, podemos permanecer na "sociedade de Cristo"».

 

Na adversidade até pode despontar uma oportunidade: «É possível que nos desiludam muitas coisas que fazem parte da contextura humana da Igreja. Se tal acontecer, saibamos que o que mais vale é a palavra e o silêncio amoroso. Estejamos seguros de que nunca a Igreja nos dá melhor Jesus Cristo como nestas ocasiões em que nos brinda com a oportunidade de sermos configurados à Sua Paixão».

 

Subsiste, no entanto, o apelo a que não se faça erodir o essencial: «A Igreja tem a única missão de tornar presente Jesus Cristo nos homens. Ela deve anunciá-Lo, mostrá-Lo e dá-Lo a todos. Tudo o resto não é mais que acrescento. Ela é, e será sempre, Igreja de Jesus Cristo. Mas é preciso que o que é em si mesma o seja também nos seus membros. O que ela é para nós, é fundamental que o seja também através de nós».

 

 

3. Sucede que, desde há umas décadas a esta parte, cresce a propensão para estabelecer uma clivagem. «Cristo sim, Igreja não» foi um lema que não poucos assumiram. Martín Velasco notava, por seu lado, que o Cristianismo rejuvenesce ao passo que a Igreja envelhece.

 

Será neste mesmo registo que devemos situar uma afirmação de José Pacheco Pereira: «Quanto mais perto da Igreja, mais longe de Deus».

  

 O facto é que existe uma tendência crescente, em muitas pessoas, para desligar a relação com Deus e a relação com a Igreja.

 

Tomando como referência a afirmação de S. Cipriano, dir-se-ia que não falta quem sinta Deus como Pai e, apesar disso, não consiga sentir a Igreja como Mãe.

 

Por muito que isso nos magoe, há um número cada vez maior de seres humanos que não prescinde de Deus, mas que, ao mesmo tempo, se afasta da Igreja.

 

A sociedade não está a distanciar-se de Deus. Não é a presença de Deus que está em queda. O que estará em baixa é a articulação institucional em que essa presença costuma chegar até nós.

 

As pessoas estão a enveredar, cada vez mais, por alternativas: busca pessoal, religiões orientais, etc. Sociologicamente falando, nem sequer encontra acolhimento a tese do suposto eclipse de Deus. Boaventura Sousa Santos até assinala que passámos do «êxodo de Deus ao êxito de Deus». 

 

 

 

4. Muito longe já vai a época secularista, que alguns (apressadamente) qualificaram como, irremediavelmente, pós-religiosa. Poderemos é estar no limiar de uma era que poderão denominar pós-eclesiástica. No entanto, julgo ser mais adequado acolhê-la como sendo uma era de apelo à refundação da própria Igreja.

 

Tratar-se-á de uma refundação que acentue a experiência de Deus. E nem sequer a laicidade impede alguém de cultivar uma relação com Deus. Pelo contrário e a avaliar por certas reacções a determinadas intervenções, o que muitos lastimam é que a Igreja não se mostre mais identificada com Jesus e a Mãe de Jesus.

 

Isto não deve conduzir-nos a uma trincheira nem tão-pouco nos há-de levar a um olhar pessimista e zangado sobre o mundo. O mais sensato é optar pela via da conversão, da mudança, da humildade.  Tenhamos em vista que muitos afastam-se da Igreja porque entendem que a Igreja está a afastar-se de Jesus.

 

 

José María Castillo reconhece que «muita gente vê um contraste entre Jesus e a Igreja. Um contraste que, por vezes, chega a ser tão forte que, para não poucas pessoas, representa um escândalo». É, aliás, esta a justificação a que alguns recorrem enquadrar a «sua falta de fé, o seu afastamento de Deus, a sua resistência a qualquer forma de prática religiosa, etc».

 

No espírito de muitos, «o que representa Jesus, por um lado, e o que representa a Igreja, por outro, são duas coisas incompatíveis na mentalidade, na forma de pensar e no modo de viver».

 

Por muita superficialidade que haja nesta avaliação, «é um facto que são muitos os que asseguram: “eu creio em Jesus e interessa-me o Seu Evangelho; já o que diz ou faz a Igreja, nem me interessa nem acredito”. Assim estão as coisas em demasiados casos, seja qual for a opinião que cada um tiver sobre esta questão».

 

 Nos tempos de cristandade, havia perguntas que nem sequer eram formuladas. Nos tempos que correm, há inquietações que as pessoas exigem ver correspondidas. Deus é o maior amante e, por isso, é também, o maior crítico da Igreja.

 

 

 

 5. Com todos os defeitos que ela possa ter, é esta a Igreja que Deus quer. Ele não quer outra Igreja. Quererá, sim, uma Igreja outra.

 

À luz da vivência de Maria, Deus quer uma Igreja esvaziada de si e totalmente aberta aos outros. Dietrich Bonhoeffer talvez fosse radical, mas não deixou de ser pertinente: «A Igreja só é Igreja quando existe para os outros. Para começar, deve dar aos pobres tudo quanto possui. Deve colaborar nas tarefas da vida humana, não dominando, mas ajudando e servindo».

 

Diante do enviado de Deus, Maria apresenta-Se completamente despojada. As suas palavras são a resposta à proposta do Anjo. Uma Igreja de perfil mariano respeita sempre a iniciativa de Deus. E, quando fala, nada diz em nome próprio. Apenas se faz eco da palavra divina: «Faça-se em Mim a Tua Palavra»(Lc 1, 38).

 

 

Uma Igreja modelada em Maria não procura tanto falar de Deus como deixar transparecer Deus. Não é uma Igreja palavrosa, mas uma Igreja onde se acolhe a Palavra de Deus. Como serva (cf. Lc 1, 38), a Igreja é, usando uma expressão de Xavier Zubiri, um contínuo mistério de «dar de si».

 

Quem se aproxima de uma Igreja marcada por Maria não tropeça em opulências de qualquer espécie. Ela permite que se faça imediatamente o encontro vital com Deus.

 

 

6. O ideal será até que nem se fale muito da Igreja. Aliás, o enviado de Deus, ao saudar Maria, começou por nem referir o Seu nome. Ressaltou logo o que mais se notava em Maria: «Avé, ó cheia de graça»(Lc 1, 28).

 

Maria é referida como sendo Kecharitomene («a cheia de graça»). Como observa Raniero Cantalamessa, «na graça encontra-se a identidade mais profunda de Maria». Não é Ela que existe. É Deus que existe n'Ela (cf. Gál 2, 20-22).

 

Em Maria, encontramos o exemplo de uma Igreja que se realiza maximamente quando aceita apagar-se voluntariamente. É Deus que brilha. E é nesse brilho de Deus que ela se sente soberanamente feliz.

 

Quanto mais se esvaziar, mais a Igreja se realizará. Trata-se de cultivar um vazio que, no fundo, não esvazia. Porque no vazio de si a Igreja abrir-se-á à plenitude de Deus. Ele é que será tudo em todos os seus membros.

 

 

7. A graça não é somente uma dádiva de Deus. É o próprio Deus. Deus é graça. E, nessa medida, é instaurador de uma cultura da gratuidade.

 

A Igreja incoada em Maria não dá para receber; recebe para dar. É por isso que o revestimento organizativo deve ser mínimo e muito recatado. Para que sobressaia sempre a presença de Deus.

 

 

8. Tudo isto requer um esforço de conversão permanente e de despojamento constante. Quando menos a Igreja possuir, mais ela será.

 

A riqueza no ter acarreta, quase sempre, um esvaziamento no ser. Maria apareceu pobre diante de Deus. Esvaziou-se totalmente de Si. Para Se deixar preencher completamente por Deus!

publicado por Theosfera às 00:17

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

18
19
21
22

23
24



Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro