O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 01 de Outubro de 2011

Todos clamam pela revolução. Mas quem se dispõe a fazer a mudança?

 

Há um única transformação que depende de cada um de nós: a transformação da nossa vida.

 

Cada homem, dizia Gregório Nisseno, é um pequeno mundo. A mudança na pessoa é o primeiro (e fundamental) passo para a mudança na humanidade.

 

Esta não é uma revolução que se faça com gritos ou com tiros. Esta é uma revolução que só se faz na paz!

publicado por Theosfera às 22:50

Uma das perguntas mais inquietantes que hoje se faz já não é apenas «qual é o mal?»

 

Esta resulta do espanto que nos provoca a observação dos outros aos nossos comportamentos. Já nem sequer nos apercebemos do mal que podemos fazer!

 

Hoje, outra das perguntas que se vai vulgarizando é «para que serve?»

 

Holderlin colocou uma questão semelhante, que detectara já no seu tempo: «para quê poetas?»

 

Actualmente, este género de perguntas é tributário do utilitarismo que nos domina.

 

É assim que questionamos a utilidade daquilo que, no imediato, não rende dinheiro nem leva a progredir na carreira.

 

Acontece que aquilo cuja utilidade pomos em causa é, porventura, o que mais falta nos faz: a poesia, a filosofia, a ética, a espiritualidade, a bondade.

 

A pergunta devia mudar de direcção: para que serve esta submissão à ditadura do lucro e da banalidade?

publicado por Theosfera às 21:34

Percebe-se alguma frustração, mas não há motivos para tanto desalento.

 

Afinal, o maior prémio são os resultados que os alunos alcançaram num passado próximo. Ainda melhor será a rectidão que possam mostrar e a bondade que consigam repartir num futuro não muito distante.

 

O prémio monetário era justo, mas não é o fundamental. Desmercantilizar o mérito até pode ser um sinal alentador.

 

Luther King, pouco antes de ser assassinado, pediu à família que não recordassem o Prémio Nobel que recebera. Preferia que o lembrassem como alguém que procurou ser bom.

 

O Padre António Vieira reconhecia que poderá ser bom ser importante. Mas acrescentava logo que o importante é ser bom.

 

O supremo entender, disse Agostinho da Silva, é a bondade!

publicado por Theosfera às 20:46

O poder não pode ser decidido na rua. O poder não pode ser insensível ao que se passa na rua.

 

Dois princípios que não devem ser esquecidos.

 

Dois factos que jamais hão-de ser negligenciados.

publicado por Theosfera às 16:01

Num mundo em que tanto se mata, parece que só não há vontade de matar a fome.

 

O pior é que não há falta de recursos. O pior é que há muito desperdício.

 

Sabia que 30% dos alimentos produzidos na Europa e 50% dos confeccionados nos Estados Unidos são desperdiçados no decurso da cadeia alimentar?

 

São números oficiais da FAO, que confirmam o que a observação já detectara.

 

No Ocidente da opulência, come-se muito, come-se mal e ainda se desperdiça. Isto quando um sexto da população mundial passa fome.

 

Somos nós que estamos em crise? Somos. Acima de tudo, porque nem sequer sabemos repartir.

publicado por Theosfera às 11:57

Convém não exagerar no pessimismo. Hoje, podemos não estar tão bem como estávamos há dois ou três anos. Mas estamos bem melhor do que há duas ou três décadas.

 

É bom que as expectativas sejam altas e que a exigência esteja no máximo.

 

A União Europeia pode ter muitos defeitos e é, sem dúvida, um projecto longe da perfeição.

 

Mas uma coisa (a mais importante) ela conseguiu: permitiu-nos viver (e conviver) em paz.

 

Já viram o que foi a história da Europa até ao fim da segunda guerra? Já olharam para o que se passa na Europa fora da União?

 

A Europa pode dar muito mais. Mas é importante não esquecer o que ela já nos ofereceu.

publicado por Theosfera às 11:56

Tudo parece ser diferente e, não obstante, tudo permanece igual.

 

Mais medidas. Mais sacrifícios. Mais impostos. Mais austeridade. Pormessas de mais cortes. E a crise mantém-se. O pior até ainda estará para vir.

 

Que falta então? O dinheiro já chegou. O memorando está a ser aplicado.

 

Tem faltado, porém, o essencial: tempo.

 

Confesso que fiquei logo preocupado quando o anterior Ministro das Finanças disse que o seu sucessor mal teria tempo para se sentar.

 

Ora, esse é o problema. É fundamental que haja tempo para pensar, para decidir.

 

Para já, limitamo-nos a aplicar o que outros pensam e decidem. E que, pelos vistos, já provou que nem sempre (quase nunca?) resulta.

publicado por Theosfera às 11:54

Tem 30 anos e é jornalista. Mas, confessa, «não tinha espaço para escrever sobre as coisas de que realmente gostava».

 

E que coisas são essas? «Devaneios, parvoíces, trivialidades»(sic)!

 

Foi então que se lembrou de fazer um blogue que, rapidamente, se tornou um fenómeno de popularidade: mais de 26 mil visitas por dia!

 

Isto muito de quem assim fala. Isto diz tudo de quem isto consome?

 

Ressalve-se a liberdade. Mas não se asfixie o que resta de um saudável espírito crítico...

publicado por Theosfera às 11:53

«O actual imaginário social e ético da sociedade está nos antípodas do Evangelho. O catolicismo já não está no centro. Os seus valores não forjam os valores predominantes porque ele encontra-se nas margens».
Assim escreveu (atenta e magnificamente) Josep María Carbonell.

publicado por Theosfera às 11:51

Muita gente diz, de modo preocupado, que não sabe rezar.

 

Eu diria que isso é óptimo. Pode ser o começo da verdadeira oração.

 

Quando quiser orar, não diga nada, tente não pensar em nada.

 

Deixe, como diz S. Paulo, que o Espírito reze dentro de si (cf. Rom 8, 26).

 

Não procure sequer falar com Deus; procure, antes, escutar Deus dentro de si.

 

Não somos nós que procuramos Deus. Quando vamos à procura, percebemos que Ele já nos encontrou.

 

No século XIV, Walter Hilton afirmou: «Tu nada faças; deixa apenas que Ele actue dentro de ti».

 

Experimente.

publicado por Theosfera às 06:02

1. Quando Maria é visitada pelo enviado de Deus, estava certamente em oração. No entanto, o evangelista não regista qualquer palavra que Ela tenha proferido antes de Gabriel chegar. E, mesmo depois, limita-Se a oferecer respostas às propostas que ouve. A iniciativa do diálogo não é d’Ela (cf. Lc 1, 26-38).

 

Trata-se, como conjectura Ignacio Larrañaga, de uma experiência «de alta intimidade», o que é notável para alguém que, segundo Paul Gechter, deveria ter uns 13 anos!

 

A maturidade precoce de Maria revela, como reconhece Larrañaga, «uma plenitude interior e uma estabilidade emocional muito superiores e desproporcionadas à sua idade».

 

Aquele é um momento em que, seguramente, «tinham desaparecido as palavras e a comunicação entre a serva e o Senhor fez-se em profundo silêncio». Este só foi interrompido «por uma visita extraordinária do enviado de Deus».

 

A espiritualidade de Maria é muito forte para a sua idade. Já a espiritualidade na Igreja é bastante débil para as suas necessidades.

 

Karl Rahner entrevia, com assomos de profética lucidez, que «o grande problema da Igreja contemporânea é continuar, com uma resignação e um tédio cada vez maiores, pelos trilhos de uma mediocridade espiritual».

 

No mesmo registo se pronunciou Ignacio Ellacuría quando, num curso que deu em 1980, proferiu esta frase lapidar, que vale a pena reter: «A única arma da Igreja é a santidade»! É ela, com efeito, que apõe credibilidade na credentidade do anúncio.

 

Trata-se de uma arma que não é selectiva nem limitada. É para ser usada por todos e para ser usada sempre! João Paulo II recorda enfaticamente que a santidade não é apenas para alguns. É para «os cristãos de qualquer estado» e destina-se a «moldar a existência cristã por inteiro».

 

Daí que, não obstante os vastos processos de secularização, se pressinta, um pouco por toda a parte, «uma generalizada exigência de espiritualidade, que se exprime precisamente numa renovada carência de oração».

 

 

2. Só que nem sempre esta exigência encontra o devido acolhimento e a deseja resposta. Há pouca predisposição espiritual no interior das pessoas. A intimidade está pouco trabalhada.

 

As próprias celebrações ressentem-se disto. São muito ruidosas e demasiado palavrosas.

 

Quando muito, ainda se reza, mas já quase não se ora. Orar e rezar são tidos como sinónimos, mas há algumas precisões a fazer entre estes dois verbos.

 

Costuma dizer-se que «rezar é falar com Deus». Não se tem em conta que, antes de mais, rezar é deixar que Deus nos fale. A iniciativa é sempre d’Ele.

 

Sucede que, além de se rezar pouco, não se reza correctamente. Com tantas palavras e fórmulas, quase não damos espaço para que o Espírito reze em nós. Para isso, é preciso silêncio no exterior e também no interior. Se não fazemos silêncio, como é que podemos escutar o Espírito?

 

De facto e se quisermos ser rigorosos, o que nós fazemos, muitas vezes, é rezar, não orar.

 

Rezar vem de recitare, implicando, portanto, o recurso a fórmulas, a palavras que todos conhecem.

 

Isto acontece quando se está em comunidade. Já orar não implica necessariamente palavras nos lábios. Basta fechar os olhos, abrir o coração, deixar que Deus aconteça em nós. Concluindo, rezar é um modo de orar. Mas orar não implica obrigatoriamente rezar (recitare).

 

 

3. Orar é esperar. Rezar é dizer. Há espaço para os dois momentos no encontro com Deus.

 

Mas antes de falar com Deus, urge deixar que Deus nos fale. Daí o apelo, ínsito no Sermão da Montanha, para que entremos no quarto, no santuário interior (cf. Mt 6, 6).

 

Aí, podemos estar de qualquer maneira. Até podemos fechar os olhos. Não nos preocupemos com palavras. Elas virão. Podemos usar repetidamente uma para facilitar a concentração: Pai, por exemplo. 

 

Será uma espécie de mantra cristão. Ou, mais adequadamente, tratar-se-á do hesicasmo, a oração do coração.

 

Antes de sermos nós a rezar a Deus, é (por assim dizer) Deus que nos reza a nós, que reza em nós.

 

É importante que a Igreja deixe que a Sua palavra ecoe. Na oração, Deus é a paz para a nossa inquietação.

 

Hoje, a Igreja corre o sério risco de se ver sobrecarregada pelo urgente, minguando o tempo para o importante.

 

E não há dúvida de que, não raramente, as justificações são ponderosas: solicitações de toda a parte, actividades de toda a espécie.

 

Só que, como observa Jacques Philippe, o problema maior da oração não está na falta de tempo, mas «em saber o que realmente conta na nossa vida».

 

É por isso que, «antes de dizer que não temos tempo para orar, comecemos por nos interrogar sobre a nossa hierarquia de valores, sobre o que é verdadeiramente prioritário para nós».

 

 Se pensarmos, por exemplo, no relacionamento humano, depressa verificaremos que «um dos dramas da nossa época é o de não sermos capazes de encontrar tempo uns para os outros, de estarmos presentes uns nos outros».

 

Quem dá tempo a Deus aprende, nesse mesmo momento, a arte de dar o tempo. «Se estivermos atentos a Deus, aprenderemos a estar atentos aos outros».

 

Há uma promessa de Jesus que passa também por este meridiano: «Quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por Minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, no tempo presente» (Mc 10, 29).

 

 Concretizando, «quem renunciar a um quarto de hora de televisão a favor da prece receberá o cêntuplo, não em quantidade, masem qualidade. A prece dar-me-á a graça de viver de maneira bastante mais fecunda em cada instante da minha vida».

 

 

4. Importa ter presente que «o tempo dado a Deus nunca é um tempo roubado aos outros, roubado àqueles que precisam do nosso amor e da nossa presença. Pelo contrário, é a fidelidade em estarmos presentes a Deus que garante a nossa capacidade de estarmos presentes aos outros e amá-los verdadeiramente».

 

Trata-se de um dado da experiência, testada ao longo de séculos: «É junto das almas de oração que se encontra o amor mais atento, o mais delicado, o mais desinteressado, o mais sensível ao sofrimento alheio, o mais capaz de consolar e de reconfortar. A oração tornar-nos-á melhores e os nossos próximos não se lamentarão disso!».

 

 Uma coisa convém nunca perder de vista. Sem vida de oração, «não há santidade».

 

De resto, a hagiografia testifica à saciedade que todos os santos foram pessoas de oração. Os mais empenhados no serviço do próximo também foram grandes contemplativos.

 

S. Vicente de Paulo começava cada um dos seus dias com duas ou três horas de oração.

 

 É por isso que S. João da Cruz sentencia que «quem evita a oração evita tudo o que é bom». E nem sequer basta rezar enquanto se trabalha como, tantas vezes, costumamos dizer, certamente com a melhor das intenções.

 

É claro que, como reconhece Jacques Philippe, «o trabalho oferecido a Deus e realizado em Sua honra se torna de algum modo uma prece». 

 

Todavia, o mesmo autor convoca-nos para o mais elementar realismo: «Não é nada fácil permanecer unido a Deus quando se está mergulhado nas ocupações. A nossa tendência natural é deixarmo-nos absorver completamente pelo que estamos a fazer».

 

Daí que, «se, de vez em quando, não conseguirmos parar completamente e encontrar uns momentos durante os quais só nos ocupemos de Deus, ser-nos-á muito difícil mantermo-nos na presença de Deus enquanto trabalhamos. Precisamos de uma prévia reeducação do coração: a fidelidade à oração é meio mais seguro de alcançá-la».

 

publicado por Theosfera às 00:11

Quase não nos apercebemos do princípio. Quase não damos conta do fim. E, afinal, é tão veloz o caminho que nos leva do princípio até ao fim.

 

Parece que ainda ontem foi segunda-feira. Hoje já é sábado.

 

É tudo a correr: do princípio ao fim da semana, do princípio ao fim do mês, do princípio ao fim do ano, do princípio ao fim da vida!

 

Mas o fim não é apenas termo de viagem. É sobretudo realização de sonhos.

 

Viva o futuro em cada instante, como se fosse o único. E, na verdade, ele é único.

 

Uma excelente noite. Na paz de Jesus manso e humilde!

publicado por Theosfera às 00:08

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