O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 24 de Setembro de 2011

A ética protestante, tão prolixamente invocada desde Max Weber, não tolera o disfarce.

 

É por isso que não nos deve surpreender o que, ontem, disse Nikolaus Schneider após um encontro com Bento XVI. O encontro foi «profundo e fraterno», mas também «insatisfeito».

 

Parece que quase 500 anos ainda não são suficientes para encontrar as respostas desejadas para as perguntas levantadas.

 

Bento XVI entende que a fé é para viver, não para negociar. Reconhece, entretanto, que Deus era a grande paixão de Lutero.

 

Os passos que falta dar para a unidade plena não podem prescindir deste salto. Alguém pode estar longe de quem Deus está perto?

publicado por Theosfera às 12:00

Jesus não seria Jesus se fosse submisso, se não exercesse a crítica.

 

A crítica não é, ao invés do que se pensa, maledicência. Ser crítico é ter critérios. É olhar e agir em função deles.

 

Trata-se, portanto, de um serviço inestimável. Se um professor não corrige o erro do aluno não está a ser sério.

 

A crítica permite a mudança e facilita o crescimento. Mas quem, habitualmente, critica a crítica deveria ser um pouco mais coerente e abster-se de criticar.

 

É saudável, porém, a circulação da crítica.

 

O Papa está a dar o exemplo de uma atitude autocrítica. Isso é de profeta. Mostra coragem e uma grande dose de liberdade e lucidez.

 

Os que alegam que não se deve criticar a Igreja não se importam, contudo, de criticar os seus membros mais humildes.

 

A ausência de crítica configura, no fundo, uma carência de esperança.

 

Acha-se que não é possível mudar, que é impossível melhorar.

publicado por Theosfera às 11:03

O instante e o instinto.

 

Assim se poderá resumir a vida para muitos.

 

Falta, de facto, o sentido do tempo e a dimensão da história. Para não poucos, a vida é o instante. E o instante é dominado pelo instinto.

 

Urge alargar horizontes. William Ward adverte: «Para te preparares para o futuro, examina o presente. Para compreenderes o presente, estuda o passado».

 

Preceito elementar, este. Mas preceito, tantas vezes, ignorado.

publicado por Theosfera às 05:51

«A traição nunca prospera; porque não? Porque, se prosperasse, ninguém ousaria chamar-lhe traição».
Assim escreveu (atenta e magnficamente) John Harrington.

publicado por Theosfera às 05:49

Na sua vida, o melhor ainda está para acontecer!

 

Acredite. E descanse.

 

Uma santa noite. Em Jesus manso e humilde!

publicado por Theosfera às 00:06

Com tanta coisa importante que o Cristianismo transporta, há o risco de obscurecer o essencial.

 

O essencial da fé cristã (e que compendia tudo o resto) está no seguimento de Jesus: em procurar ser como Ele, amar como Ele, sentir como Ele, orar como Ele, dar a vida como Ele.

 

Para isso, bastará fixar um texto: o Sermão da Montanha. Bastará ter presente um pedido: «Amai-vos uns aos outros». E bastará não ignorar uma palavra: amor.

 

Se até Deus é amor (1Jo 4, 8.16), a fé não pode desaguar em mais nada senão no amor.

 

Não continuemos a insistir no contrário do que Jesus disse.

 

Ele não pediu sacrifícios. Pediu misericórdia. E convidou-nos a sermos felizes. Hoje. Agora. Já.

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

As palavras que circulam (e que ora animam, ora ferem) não são apenas as vêm dos lábios. São também as que brotam da vida.

 

As palavras são mais que sons.

 

A linguagem não verbal é tão eloquente como a linguagem verbal.

 

Há palavras que não precisam de vir à lingua. Elas são escutadas na nascente, no coração.

publicado por Theosfera às 23:36

Há palavras que o vento leva. Há palavras que atraem tempestades.

 

O problema é que as palavras que o vento leva são as que deviam ser guardadas.

 

As que provocam tempestades são as que mais ficam.

 

Tumultuam constantemente. Vão-nos destroçando.

publicado por Theosfera às 23:04

Palavras.

 

Umas vezes, são asas. Outra vezes, parecem brasas.

 

Há palavras que, assim que se soltam dos lábios, voam pela vida, pairam pelo tempo e alojam-se na alma.

 

Marcam-nos continuamente. E mudam-nos para sempre.

 

Elas são a paz sonhada, a luz acesa, o amanhã antecipado.

 

Mas também há palavras que queimam, que que magoam, que agridem. Que matam?

 

A dor por elas trazida parece que nunca se ausenta. Jamais cicatriza.

 

Gostaríamos de as esquecer. Mas eis que elas, obstinadamente, teimam em permanecer. Em torturar.

 

Uma só palavra pode fazer toda a diferença.

 

Tanto pode abrir-nos um horizonte como tapar-nos um caminho...

publicado por Theosfera às 20:01

A fé diz-nos que a vida não acaba, apenas se transforma.

 

Mas nem a fé retira a nossa humanidade. Ai de uma fé que desumanize, desmundanize ou desfraternize!

 

Como ser humano (dotado, portanto, de sensibilidade), é impossível não sentir pesar ante a morte de José Niza.

 

Quem lidou com ele assinala que era um «homem bom, humilde».

 

De facto, é o maior elogio que se pode fazer a respeito de alguém.

 

Mas Niza, talvez por ser um homem bom, era um artista, alguém que sonhava.

 

Foi ele que compôs «E depois do adeus», a canção que ficou associada ao 25 de Abril.

 

É impossível passar ao lado desta coincidência. Aquele que ficou associado ao início da Primavera nas nossas vidas apagou-se num dia em que o Outono começa.

 

Sinal de que muitas esperanças estão a entrar em pousio?

 

RIP

publicado por Theosfera às 16:13

Martinho Lutero foi muito marcado pelas situações do seu tempo e bastante influenciado por duas figuras intemporais: Sto. Agostinho e S. Paulo.

 

De Sto. Agostinho (referência que, curiosamente, partilha com o actual Papa) colheu a gratuidade da fé e um grande pessimismo antropológico.

 

A humanidade é uma «massa damnata». A degradação é completa. O que vale é a salvação trazida por Cristo. O ser humano está corrompido. Só Cristo o reabilita.

 

Com S. Paulo, Lutero bebeu a importância da dialéctica.

 

A «analogia fidei» prevalece sobre a «analogia entis». Ou seja, não há grande afinidade entre o mundo e Deus. O pecado fez com que o mundo se afastasse de Deus. Só pela fé suprimos este défice estrutural.

 

No mundo, Deus, muitas vezes, está escondido, passa despercebido. E é no supremo ocultamento da Cruz que, por estranho que pareça, ocorre o ápice da revelação.

 

Para Lutero, Deus quanto mais Se esconde mais Se revela e quanto mais Se revela mais Se esconde.

 

É por isso que não perfilha uma «Teologia da Glória», do fausto, do esplendor, tipicamente gótica e barroca.

 

Para Lutero, o caminho passa por uma humilde «Teologia da Cruz», do despojamento.

 

Só Aquele que Se torna um de nós constitui uma oferta de esperança para todos nós!

publicado por Theosfera às 15:58

Acautele-se. E preparemo-nos. Em breve, a gasolina vai voltar a subir.

 

Já estamos habituados ao cenário que, uma vez mais, está a ser montado.

 

O anúncio de pequenas descidas costuma ser o prenúncio de fortes subidas.

 

Para segunda-feira, prevê-se uma descida de 0,007 euros na gasolina.

 

Ou seja, um ligeiro alívio para uma (mais que provável) forte carga.

 

É o que experiência dita...

publicado por Theosfera às 15:46

Cresci (e as imagens da infância nunca se apagam) a ouvir falar de Lutero como sendo quase a encarnação do mal.

 

Recordo um livro de catequese que o figurava à beira de umas chamas incandescentes. E eram reportadas estórias em que ele aparecia a dizer à esposa: «Vês o Céu? Mas não é para nós»!

 

A verdade está sempre condicionada pelo tempo. Vim, mais tarde, a descobrir que Lutero foi um apaixonado por Jesus e que, pesem alguns excessos, quis uma profunda reforma na Igreja.

 

Ao contrário do que se diz, Lutero teve sempre uma grande veneração por Maria.

 

Viveu uma vida atormentada no Convento de Erfurt (que o Papa visitou esta manhã), pensando que Deus o ia condenar.

 

Foi, por isso, com alívio que, em 1513, encontrou «a justificação pela fé»(Rom 3,28).

 

A salvação é, antes de mais, um dom. Não somos nós que a merecemos.

 

Lutero tinha um temperamento sanguíneo, impetuoso. Mas foi um homem de Deus.

 

Depois de tantos desencontros, não terá chegado o momento do reencontro definitivo com a herança de Lutero?

 

Afinal, continuamos todos irmãos. Apesar de (ainda) separados.

publicado por Theosfera às 13:36

Como é que pode ensinar quem nunca soube aprender?

 

Educar não é só transmitir o que se capta fora. É sobretudo partilhar o que se encontra dentro.

 

Se falha a vivência, falha logo a credibilidade da comunicação. E nenhuma estratégia pedagógica conseguirá suprir esta carência primordial, este vácuo estrutural.

 

Edith Stein fazia radicar aqui o (magno) princípio da empatia: ir da profundidade do eu à profundidade do tu.

 

Na educação, o método é alguma coisa, o conhecimento é muito, o exemplo é tudo.

publicado por Theosfera às 10:35

Façamos justiça a Bento XVI.

 

Esteja onde estiver, o Papa não foge aos problemas. Nem aos problemas externos, nem, mais notável, aos problemas internos.

 

Mesmo quando não lhe cabe resolvê-los, pelo menos assume-os, enfrenta-os.

 

E nem sequer se refugia naquele torturante lugar-comum de que não se deve falar mal da Igreja.

 

O mal não vem quando se reconhecem certos actos. O mal está quando eles são cometidos e, pior, repetidamente praticados.

 

Acresce que, pela sua natureza, a verdade nunca é para esconder, mas para revelar.

 

Ainda assim, impressiona como é que uma voz tão suave é capaz de proferir verdades tão fortes, por vezes tão duras.

 

Bento XVI não coloca um manto sobre a verdade. Pelo contrário, retira-lhe o véu.

 

Na viagem que o levou ao seu país natal, o Santo Padre disse perceber as pessoas que abandonam a Igreja por causa de certas atitudes. «Posso compreender que alguém diga: "Esta já não é a minha Igreja. A Igreja era para mim a força da humanização do amor. Se os representantes da Igreja fazem o contrário, não quero estar mais nesta Igreja"».

 

Não está em causa o erro, a falha. Aí, a misericórdia é o caminho e a tolerância tem de ser a regra.

 

Em causa está a desumanidade, a violação reiterada de direitos humanos.

 

Se a Igreja é o Corpo de Cristo e nela ocorrem, sistematicamente, certas situações, temos de aceitar que alguns pensem que o melhor é sair. Para continuar a estar com Cristo.

 

Por vezes, a obscuridade é tal que as pessoas são impelidas a acorrerem, logo, à fonte da luz.

 

Só a humildade cura. Só a mudança ajuda a recuperar a credibilidade perdida.

publicado por Theosfera às 10:31

Tudo inclui o seu contrário.

 

Não foi em vão, aliás, que a filosofia antiga assinalava que os extremos tocam-se.

 

Mantenhamos a esperança. Mas não deixemos de estar de sobreaviso.

 

A humanidade também inclui o seu contrário: a desumanidade, a monstruosidade!

publicado por Theosfera às 10:13

Quando apareceu, a pós-modernidade, disseram-nos Lyotard e Vattimo, ficou logo marcada pelo fragmento.

 

Estamos a viver mais um episódio nesta espiral da cultura fragmentária.

 

O que se passa na Madeira é grave. Mas não é inédito, nem único.

 

Ocultar dívida é, infelizmente, um procedimento a que nos fomos habituando. Nos últimos anos, o défice das nossas contas teve de ser ajustado mais de uma vez.

 

Isto não justifica o que agora se comenta. Mas explica o que, habitualmente, se faz.

 

Acresce que o problema não é só político. É político porque é cívico.

 

Os cidadãos também gastam muito no acidental. E, depois, exigem apoios para o essencial.

 

A diferença entre política e sociedade está na amplitude. No mais, a política é um espelho. Não gostamos do que vemos? Ou, no fundo, não gostamos de nos vermos?

 

Nesta altura, é necessária a crítica. Mas é ainda mais urgente alguma autocrítica.

 

E cada um pense na máxima de Gandhi: «Sê tu mesmo a mudança que queres para o mundo»!

publicado por Theosfera às 10:07

Logo à noite, o Benfica vai jogar «com» o Porto e o Porto vai jogar «com» o Benfica.

 

Insisto: «com» e não «contra».

 

Que seja um jogo sereno. Podem acreditar que o meu clube é o desportivismo e o «fair-play».

 

Tenho simpatia pelos três grandes e por todos os outros.

 

O futebol motiva-me cada vez mais pelo que se passa à volta dele. Pelos comportamentos que revela.

 

O futebol é um compêndio de antropologia cultural.

 

Que vença a moderação e o equilíbrio.

publicado por Theosfera às 09:54

Espantosa esta descrição de François Varillon: «Deus é humilde. Quando eu rezo, dirijo-me ao mais humilde que eu. Quando eu confesso o meu pecado, é ao mais humilde que eu que peço perdão. Se Deus não fosse humilde, eu hesitaria em dizer-Lhe que o amo infinitamente. É este aspecto do mistério que me convence acerca da verdade da revelação».

publicado por Theosfera às 09:52

Deus deu-me o dom de ser gago.

 

Por isso, habituei-me a nunca chegar a uma palavra — falada ou escrita — sem ser por via de sucessivas tentativas e repetidos balbucios.

 

A gaguez ensinou-me que o melhor texto é o que ainda não foi escrito e que a palavra última é a que ainda está por pronunciar.

 

Temos, pois, que continuar a buscá-la, não estacionando jamais naquilo que já fomos encontrando.

publicado por Theosfera às 09:31

A soberba revolta.

 

A presunção finge.

 

A arrogância repele.

 

A ofensa magoa.

 

A rejeição esmaga.

 

Só a humildade convence, atrai, liberta e faz crescer.

publicado por Theosfera às 09:29

Uma sociedade com idosos não é uma sociedade envelhecida.

 

Envelhecida é a sociedade que não sabe respeitar os seus idosos.

publicado por Theosfera às 00:17

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Nada acontece por acaso. Não é no acaso que creio.

 

É no sentido que provém do amor.

 

A primeira expressão da Bíblia é no princípio. Uma das últimas palavras da Bíblia é ámen.

 

E, na verdade, a Palavra de Deus é princípio, alicerce e âncora da nossa vida. É dela que somos chamados a partir. É ela que nos alenta, interpela e acompanha. Deus é Palavra em forma de amor quando estamos mais abatidos.

 

Por isso, a nossa resposta (mais pela vida do que pelos lábios) só pode ser um imenso ámen. Quando tudo faltar, que não falte o ámen.

 

Ámen é assim seja, assim se faça, assim se viva.

 

Recorde-se que foi ámen o que Maria disse ao Anjo. Nossa Senhora não falava latim. Não disse fiat como aparece na Vulgata. Mas o sentido é o mesmo.

 

Quando aceitamos que a Palavra de Deus se faça (como se fez em Cristo), tudo muda. Como? Experimentemos.

publicado por Theosfera às 15:56

A beleza não está no aparato externo. Está no interior, brota da alma, nasce do coração.

 

A beleza está na entrega, na doação.

 

Só há beleza na vida quando se dá a vida. A beleza maior reside na dádiva total.

 

Razão tem, pois, Leonardo Boff: «A vida é bela para quem a faz bela».

publicado por Theosfera às 13:36

Estamos a viver «dias metuendos», diz o escritor.

 

Gonçalo M. Tavares lembra que a crise serve para muitas coisas. Serve até para resgatar algumas palavras que já tinham caído em desuso. Não passavam de peças de museu, arrumadas nos dicionários.

 

Bem dispensávamos, porém, que estas palavras revivescessem. Era preferível que continuassem defuntas.

 

Mas algumas adequam-se à realidade presente.

 

Até quando perdurarão estes tempos metuendos?

publicado por Theosfera às 13:35

A acusação não mostrou a arma. Ninguém apresentou provas físicas do crime: a morte de um polícia.

 

Troy Davis declarou-se sempre inocente. Mesmo assim, passara já 22 anos na prisão. E esta noite foi executado.

 

Na única superpotência do planeta, a «Comissão dos Perdões»(!) recusou os pedidos de clemência que chegaram de todo o mundo.

 

Pormenor (não sei se) relevante: Troy Davis era negro!

publicado por Theosfera às 10:40

Incomodamo-nos com quem protesta, mas não questionamos os que provocam os protestos.

 

Carl Oglesby, falecido no dia 13, tocou na ferida: «Não são os rebeldes que causam problemas ao mundo. Os problemas é que fazem com que haja rebeldes».

 

O terrorismo é um grande mal, mas ele não é praticado apenas por quem faz detonar bombas.

 

«O totalitarismo nunca constituiu um remédio contra o terrorismo. O próprio totalitarismo é uma forma de terrorismo. Promovem-se e reproduzem-se mutuamente porque cada um deles legitima o outro».

 

Pura verdade, embora dura. Mas só no desassossego da verdade encontraremos a tranquilidade para a consciênca.

publicado por Theosfera às 10:37

Portugal vai crescer mais que a Alemanha.

 

Não é um facto. É uma previsão. Para daqui a cinco anos. Tem a chancela do FMI.

 

Se a previsão estiver certa, ainda falta muito tempo.

 

Mas como as previsões positivas têm sido continuamente desmentidas, é melhor ficarmos de sobreaviso.

 

De qualquer modo, há já quem veja uma luz ao fundo do túnel. Ao fundo. Muito ao fundo...

publicado por Theosfera às 10:36

O fim não fecha as portas que o começo abre.

 

O fim rasga novos caminhos, conduz a novos horizontes.

 

Em cada fim, nasce um novo começo.

 

O fim não é o sonho desfeito, mas o sonho realizado. Não é a acção interrompida, é o projecto concretizado.

 

Por isso é que Gandhi dizia que «o que importa é o fim para o qual eu sou chamado».

 

A vida é assim: uma sucessão de começos e uma sequência vertiginosa de fins.

 

Em cada começo, apontamos para o fim. Em cada fim, apontamos para um novo começo.

 

Cada começo é uma sementeira. Cada fim é uma colheita.

publicado por Theosfera às 10:34

O cristão não pode ficar-se pela análise. Tem de primar pela opção e distinguir-se pela militância.

 

Jesus não foi um simples mestre. Foi um mestre que era um profeta.

 

Escolheu sempre um lado: o lado de baixo. Era o lado mais difícil, o da pobreza e dos pobres.

 

A imparcialidade é, muitas vezes, um pretexto. Mas não deixa de ser uma opção.

 

Quem nada diz ou nada faz já está a optar. O silêncio é uma opção pelo poder, pelo lado de cima.

 

Quem cala é porque, pelo menos, consente.

 

Tal atitude pode ser relevada pela prudência. Mas não se diga que é cristã.

 

Jesus optou sempre. Mesmo e sobretudo quando as suas opções implicavam riscos!

publicado por Theosfera às 06:05

Quam se recusa a aprender com o passado, avisa Santayana, arrisca-se a repeti-lo.

 

O tempo é feito de mudança. Mas a mudança não impede a integração.

 

Quando se esquece o passado e se desleixa o presente, o futuro fica comprometido.

 

Churchill apelava à harmonia: «Se iniciarmos uma querela entre o passado e o presente, o futuro ficará perdido».

publicado por Theosfera às 06:03

Sinal dos tempos, sobretudo destes que estamos a viver: falamos tanto do que é fútil e calamo-nos imenso acerca do que é importante.

 

Só que, adverte Luther King, «a nossa vida começa a acabar no dia em que nos tornamos silenciosos acerca de coisas importantes».

 

O problema é que falar das coisas importantes acarreta riscos e a coragem, quase sempre, fenece.

 

As pessoas de excepção são as que não fogem.

 

Dizia Zubiri que «viver é optar». E Luhter King não fugia às implicações da opção.

 

A sua vida foi, toda ela, um hino à coerência. E o seu sangue torna ainda mais comovente a vitalidade do seu discurso: «Optei por identificar-me com os desfavorecidos, com os pobres. Optei por dar a minha vida pelos famintos. Optei por dar a minha vida por aqueles que foram deixados fora da luz do sol da oportunidade. Este é o caminho. Se isso significar sofrer um pouquinho, vou por esse caminho. Se isso significar fazer sacrifícios, vou por esse caminho. Se isso significar morrer, vou por esse caminho porque ouvi uma voz a dizer-me: "Faz alguma coisa pelos outros"».

 

Magnífico Luther King!

publicado por Theosfera às 00:01

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Uma homilia não é só para compreender a Palavra no tempo em que foi escrita. É sobretudo para transportar, vivencialmente, essa Palavra para o nosso tempo.

 

Poucos conseguiram operar tal transporte, com extremos de veemência, como Luther King: «Durante quanto tempo teremos de sofrer injustiças? Não muito, porque o arco moral do universo curva-se em direcção à justiça. Durante quanto tempo a justiça será crucificada e a verdade enterrada? Não parem agora. Continuem a andar»!

publicado por Theosfera às 23:22

Primeiro, o tempo está. Depois, o tempo passa. A seguir, o tempo corre. Finalmente, o tempo voa.

 

As nossas sensações, diante do tempo, também vão oscilando.

 

Inicialmente, temos muito tempo. Depois, temos algum tempo. A seguir, temos pouco tempo. Finalmente, não temos tempo.

 

Nós gastamo-nos no tempo. O tempo desgasta-nos a nós!

publicado por Theosfera às 22:47

Fazemos tudo para prolongar a vida, mas vamos a caminho da morte.

 

Ainda que vivamos mais cem anos, estamos mais perto da nossa morte do que estávamos ontem.

 

Ansiamos por uns momentos de paragem e nem nas férias deixamos de andar.

 

Sentimos necessidade de poupar, mas não conseguimos deixar de consumir.

 

Zygmut Baumann diz que somos «turistas consumidores». Gilles Lipovetsky, num registo semelhante, assinala que nos tornamos «consumidores viajantes».

 

O paradoxo habita-nos. Devora-nos?

publicado por Theosfera às 22:42

Senhor Jesus, ajuda-me no meu trabalho.

Sê o meu Mestre e a minha Luz.

 

Eu dou o meu esforço,

dá-me a Tua inspiração.

Ajuda-me a estar atento e a ser concentrado.

 

Não Te peço para ser o melhor,

só Te peço que me ajudes a dar o meu melhor,

a trabalhar todos os dias.

 

Que eu não queira competir com ninguém

e que esteja disponível para ajudar os que mais precisam. 

  

 

Que eu seja humilde, que nunca me envaideça,

que nunca me deslumbre no êxito,

nem me deixe abater na adversidade.

 

Que eu nunca desista.

Que eu acredite sempre.

 

Que eu aprenda a ciência e a técnica,

mas que não esqueça que o mais importante é a bondade, a solidariedade e o amor.

 Que eu seja sempre uma pessoa de bem.

 

Ilumina, Senhor, o meu entendimento

e transforma o meu coração.

 

Dá-me um entendimento para compreender o mundo

e um coração capaz de amar os que nele vivem!

publicado por Theosfera às 20:45

1. Ainda hoje muitos se interrogam como é que um profeta incómodo foi sendo transformado num chefe poderoso. E, concomitantemente, como é que uma mensagem centrada no serviço deu lugar a uma instituição fortemente organizada e a um sistema de poder.

 

Como é sabido, o momento determinante é o século IV, com o fim das perseguições e a progressiva integração da Igreja no Império. Assistimos, a um tempo, à cristianização de Roma e à romanização do Cristianismo.

 

A Igreja passa não apenas a legitimar as decisões do poder político (mesmo as mais controversas, como a guerra e a pena de morte), mas organiza-se também internamente num sistema similar.

 

Quando o Império Romano se extingue, a Igreja faz subsistir, nos seus traços gerais, a sua estrutura orgânica. Também nela existe poder legislativo, poder executivo e poder judicial.

 

Mas, anteriormente, já tinha havido um esforço de institucionalização, embora não tão estruturado. Foi logo no século II. Dele fala-nos um livro acabado de surgir.

 

 

2. «Assim começou o Cristianismo» é o título de uma obra colectiva, que agrega nomes conhecidos como Fernando Rivas, Esther Miquel, David Álvarez, Carlos Gil, Santiago Guijarro, Carmen Bernabé, Elisa Estevez e Rafael Aguirre, que coordenou.

 

A institucionalização do Cristianismo arranca com força no século II. Até então, notava-se uma confluência geral no meio de importantes diferenças entre comunidades de diferente tipo: judeocristãs e helenocristãs.

 

Quando nos aproximamos dessa época, destaca-se, antes de mais, o grande impacto que a figura de Jesus de Nazaré provocou nos Seus seguidores.

 

A forma de vida daquelas comunidades, a sua organização, a aceitação do diferente (universalismo), a sua capacidade de resistência (criaram-se comunidades que sabiam fazer a leitura da realidade) e as relacões estavam marcadas pelo espírito daquele que foi o seu líder. Daí que não haja tanto a preocupação de dar catequese ou de fazer religião, mas de recuperar a dimensão profética de Jesus.

 

 

3. O Cristianismo foi o resultado de um processo complexo.

 

A origem foi Jesus, mas não foi fácil a articulação entre as diferentes tendências.

 

O encontro entre Pedro e Paulo foi a chave. Dele decorre um processo de convergência que vai desembocar na grande Igreja.

 

Com isto ocorre igualmente a aceitação do valor das Sagradas Escrituras.

 

Houve intentos de ficar apenas com um Evangelho, mas, no final, viu-se que era melhor entender tudo aquilo a partir de diferentes dimensões.

 

Foi aí que se procedeu à determinação de ritos própios acolhidos por tradições distintas: a Eucaristía e a criação de ministérios.

 

A organização foi-se, assim, consolidando até se chegar, mais tarde, à adopção de um sistema de poder.

 

 

4. A memória viva (e vivificante) de Jesus há-de ser sempre a pedra angular e a instância crítica a que tudo há-de estar submetido.

 

É pela Igreja que vemos Jesus. É por Jesus que urge, cada vez mais, rever a Igreja. Para que se seja outra. Para que seja ela. Igreja de Jesus. Para toda a humanidade.

publicado por Theosfera às 16:13

Começámos por saber que há muito para saber e acabaremos por saber que, afinal, fica muito por saber.

 

A aprendizagem é um caminho que nos vai oferecendo vislumbres de um saber que, quanto mais se multiplica, mais nos capacita de que nunca abarcaremos a totalidade do saber.

 

Aliás, o segredo do saber não é dominar nem fechar. É abrir. É estar aberto.

 

Haverá sempre saber para entrar. Haverá sempre muito mais saber por entrar do que aquele que já entrou.

 

Quanto mais se avança na sabedoria, mais se cresce na interrogação.

 

É por isso que fico abismado com algumas certezas. Como se tudo estivesse descoberto. Como se a realidade já não nos surpreendesse.

 

George Steiner, um mestre do saber, põe de sobreaviso um certo ateísmo dogmático.

 

O homem não é dono do mundo, nem senhor da história. «Somos hóspedes da criação. E devemos ao nosso "hospedeiro" a cortesia da interrogação».

 

O mínimo é nunca deixar de perguntar. O máximo é continuar à escuta. A última resposta já soou?

publicado por Theosfera às 15:19

Vergílio Ferreira, na sua famosa «Carta ao Futuro», assumia que o sentimento estético não é um exclusivo das obras da arte.

 

Mas são precisamente as obras de arte que patenteiam o sentimento que está disseminado pela vida.

 

A arte é o ápice da existência em forma de belo e em tons de sublime.

 

Júlio Resende conseguiu dar corpo a todo este sentimento estético que flutua pelas avenidas da existência.

 

A sua morte não configura, pois, o seu desaparecimento. O belo é imortal.

publicado por Theosfera às 15:17

Há um país com um défice grande e uma dívida colossal, maior que a portuguesa.

 

Apesar disso, os mercados mostram-se tranquilos.

 

E nem sequer consta que as «agências de rating», sempre tão pressurosas a desclassificar outras economias, tenham feito qualquer advertência.

 

Esse país é o que mais tem crescido na zona euro, sete vez mais que a poderosa Alemanha.

 

Não há cortes em perspectiva. O défice vai diminuir e a dívida será paga.

 

Tudo isto apesar desse país não ter governo. Tudo isto por causa desse país não ter governo?

 

O governo de gestão, que sobrevive com o orçamento de há dois anos, está impedido de aplicar medidas de fundo.

 

Mesmo que o quisesse, não pode aplicar planos de austeridade.

 

Os cidadãos agradecem.

 

Trabalham, vêem os resultados do seu trabalho e a economia cresce de forma saudável.

 

Produzem. Conseguem dinheiro para si. Contribuem, com os impostos, para o bem comum. Em suma, fazem circular a riqueza.

 

A Bélgica é um país cheio de sorte.

publicado por Theosfera às 12:51

Tantas vezes por causa da verdade, que presumimos possuir, ferimos a integridade de quem a procura e de quem a encontra por outros caminhos.

 

Quando, pelo contrário, apostamos na paz interior e na paz com o próximo, descobrimos o suporte de toda a verdade: surpresa constante, revelação do que está escondido.

 

Zubiri dizia que o importante «não é possuir a verdade, mas deixar-se possuir pela verdade».

 

A paz está na verdade. Mas só há verdade na paz!

publicado por Theosfera às 09:46

Só entrei verdadeiramente em contacto com Xavier Zubiri após a sua morte, ocorrida faz hoje 28 anos.

 

Foi o título de um dos seus livros que me aproximou dele. Sobretudo aquele «y» de «El hombre y Dios».

 

Para ele, acerca de Deus, «o mais difícil não é descobri-Lo; é encobri-Lo».

 

Tudo fala de Deus. Até a Sua alegada ausência. Porque Deus, quanto mais Se esconde, mais Se revela.

 

Uma das frases que Zubiri mais citava era um pensamento de Sto. Agostinho: «Procuremos. Procuremos como quem há-de encontrar e encontremos como quem há-de voltar a procurar. Pois é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa».

publicado por Theosfera às 07:51

É noite. Mas já falta pouco para a manhã.

 

Algumas lágrimas podem estar a tumultuar no seu descanso.

 

Saiba que o sol da manhã devolver-lhe-á o seu sorriso.

 

Fique bem. Com Deus.

publicado por Theosfera às 00:05

1. Vemos, ouvimos e lemos. E, como poetava Sophia, «não podemos ignorar».

 

Tudo está diferente, hoje, mas não necessariamente melhor.

 

A alternativa já não é entre esquerda e direita. É, cada vez mais, entre humanismo e tecnocracia.

 

Há, por toda a parte, uma crise de substância, de horizontes, de discurso. No reino das especialidades, quem se abre ao todo?

 

 Há muitos conhecimentos dispersos. Falta uma sabedoria omni-abarcante e motivadora.

 

Não basta, com efeito, aplicar os conhecimentos apreendidos. É fundamental pôr em marcha uma sabedoria que responda às dificuldades com oportunidades.

 

 

2. A criatividade não se limita a debitar o que se recebeu na escola. Ela abre-se ao que vai palpitando na vida, a maior escola.

 

O conhecimento permite acolher a realidade. Mas só uma grande sabedoria conseguirá transformá-la.

 

É preciso tratar das contas, sem dúvida. Mas é muito mais necessário revitalizar a esperança.

 

Se forem cerceadas oportunidades de realização, como é que as pessoas vão poder tratar das suas contas e das contas do Estado?

 

O povo anda deprimido. Está saturado de quem semeia ilusões. E mostra-se agastado com quem só sabe sacrificar os que já estão deveras sacrificados.

 

Um líder tem de ser mais que um contabilista. Tem de mostrar rasgo. Tem de apontar um rumo. Tem de remar na direcção certa. Tem de mobilizar recursos.

 

Não lhe basta cumprir. Tem de surpreender. Não pode limitar-se a reconhecer o que todos vêem. Tem de ser o primeiro a acreditar e o último a desistir.

 

Não pode estar esmagado pela realidade. De um líder não se pode ouvir expressões como «não é possível»; «não estamos em condições de assegurar»…

 

O líder há-de ser o que descobre uma janela aberta no meio de tantas portas fechadas.

 

 

3. O pessimismo, muitas vezes, não é uma opção pessoal. É uma imposição da realidade.

 

Estamos numa altura em que o crepúsculo surge mais cedo e a noite vai ganhando terreno.

 

E, de facto, vivemos uma época crepuscular. As esperanças parecem decapitadas pela berraria do discurso e pela dureza cruel da realidade.

 

Mas desponta já o sinal de um novo dia. Todos estão de acordo num ponto: como estamos não podemos continuar a estar.

 

É por isso que nunca terei estado tão optimista.

 

 O que salta à vista é tão aviltante que funciona como estertor de uma época e como despertador que prenuncia um novo amanhecer.

 

 Ainda estaremos na noite. Mas as vozes da sentinela não estão longe.

 

Enquanto o sol não desponta, não nos privem de uns vislumbres de luz.

 

A tecnocracia dominante sufoca. A cultura humanista está longe dos círculos do poder. Limito-me, pois, a implorar um pouco de decência.

 

O problema é que os que a têm não aparecem muito. E os que aparecem não parecem tê-la.

 

É natural que um cidadão com um mínimo de decência se sinta exilado no tempo que lhe é dado viver.

 

Nos tempos que correm, a obra conta muito e a imagem parece contar tudo. Será suficiente?

 

 

4. Não é por inércia que o melhor virá. Para que tudo piore, não é preciso fazer nada.

 

As maiorias tanto se fazem eco dos oprimidos como se resignam a ser ressonância dos opressores.

 

Há vitórias que não são oferecidas pelos votos.

 

No fundo, falta perceber que todos perdemos quando alguns ganham.

 

Carecemos, urgentemente, de homens bons à frente da coisa pública.

 

A obra não é tudo.

 

publicado por Theosfera às 00:03

Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

Corrijo-me em relação ao que, aqui, verti há dias.

 

Achava eu que a alternativa devia ser não entre esquerda e direita, mas entre tecnocracia e humanismo.

 

À medida que o tempo passa, noto que é pedir muito. Limito-me, pois, a implorar um pouco de decência.

 

O problema é que os que a têm não aparecem. E os que aparecem não parecem tê-la.

 

Até deste mínimo vamos ficar privados?

publicado por Theosfera às 21:07

Nesta altura do ano, o crepúsculo surge mais cedo e a noite vai ganhando terreno.

 

Eis um significante com um poderoso significado.

 

Vivemos, de facto, uma época crepuscular. As esperanças parecem decapitadas pela berraria do discurso e pela dureza cruel da realidade.

 

Mas desponta já o sinal de um novo dia. Um consenso já se conseguiu. Todos estão de acordo num ponto: como estamos não podemos continuar a estar.

 

Outras pessoas e novas atitudes farão surgir a manhã.  Ainda estaremos longe?

 

O pessimismo, hoje, não é uma opção pessoal. É uma imposição da realidade.

 

Quem olha para o que é mostrado tem alternativa?

 

Mário de Carvalho dizia que «o pessimista é um optimista bem informado».

 

Confesso, porém, que nunca estive tão optimista.

 

O que salta à vista é tão aviltante que funciona como um estertor de uma época e como o despertador que prenuncia um novo amanhecer.

 

Ainda estamos na noite. Mas a voz da sentinela não está longe.

 

Ela clama (por enquanto, silenciosamente) na alma das pessoas.

publicado por Theosfera às 21:02

Para quem acredita que um mínimo de decência subsiste à erosão, não deixa de se arrepiar com algumas imagens que lhe são servidas.

 

Há, no país, uma situação de enorme delicadeza e extrema gravidade.

 

Os buracos que se descobrem na Madeira atingem um montante colossal e talvez ainda não tenhamos chegado ao cume.

 

E, no entanto, anda-se em festa. Como se nada acontecesse.

 

É surrealista.

 

Houve também um navio onde se tocava e dançava. E, contudo, ele ia-se afundando...

publicado por Theosfera às 16:10

Na vida, somos sempre aprendizes. Todos nos podem ensinar.

 

Uns mostram-nos o que devemos realizar. Outros dão-nos a conhecer o que nunca podemos fazer.

 

Uns abrem-nos portas. Outros fecham-nos janelas.

 

Há quem nos estimule a progredir na esperança. E quem nos ajude a crescer na paciência.

 

É por isso que aprendemos com os amigos. Mas também é verdade que não desaprendemos com os inimigos.

 

Para o Dalai Lama, «os nossos maiores mestres são os nossos inimigos, pois são eles que mais nos interpelam para a virtude da complacência».

 

Quando se mantém a serenidade no meio da tormenta, é sinal de que se assimila a grande lição da existência. 

 

Quando estamos preparados para a adversidade, estamos preparados para tudo.

publicado por Theosfera às 13:47

Ouvindo Alexandre Soares dos Santos, não vale a pena continuar com análises e recriminações.

 

O que pode correr mal, corre quase sempre pior.

 

A sucessão de buracos na Madeira abriu uma cratera no pouco que restava da confiança. Para o gestor da Jerónimo Martins, Portugal está falido.

 

É, por isso, chegada a hora de recomeçar.

 

O problema é o seguinte. Será com aqueles que nos arrastaram para o abismo que vamos sair dele?

 

A vida mostra que os passos mais difíceis de dar são o primeiro e o último.

 

Às vezes, é um grande serviço saber retirar-se.

 

No que depender de nós, vamos em frente. A vida é uma sucessão de começos. Aprendamos com os erros, mas não falemos muito deles.

 

De novo, Alexandre Soares dos Santos: «A única coisa a fazer, todos em conjunto, é não assistir a este espectáculo triste de nos estarmos sempre a queixar na televisão, mas darmos as mãos e recuperarmos o país a trabalhar».

publicado por Theosfera às 13:13

1. Na hora que passa, a Igreja volta a mostrar algumas dificuldades em redescobrir os horizontes do futuro e em reencontrar a energia dos começos.

 

O Concílio Vaticano II foi uma tentativa de recolocar a Igreja nessa dupla direcção, levando-a a seguir em frente sem deixar de olhar para trás (ante et retro oculata).

 

As duas palavras fortes do Concílio apontavam nesse duplo sentido: aggiornamento (adequação à realidade de cada dia) e refontalização (voltar às fontes da fé).

 

Volvidas quase cinco décadas, pressente-se alguma quebra de vigor, um certo amolecimento e, mais preocupante, uma acentuada desmobilização.

 

É neste contexto que, em determinados sectores, germina a necessidade da convocação de um novo Concílio.

 

A esta sugestão é habitual responder que mais importante que um Concílio Vaticano III será estudar e aplicar o Concílio Vaticano II.

 

Sucede que não falta quem replique que um eventual Concílio Vaticano III teria como principal objectivo relançar as propostas e sobretudo o espírito aberto pelo Vaticano II.

 

 

2. Uma nova assembleia conciliar visaria precisamente conformar as estruturas da Igreja à concepção de Igreja firmada no Vaticano II.

 

Na Lumen Gentium, foi dado não só um passo, mas um verdadeiro salto.

 

Não se trata, porém, de uma qualquer novidade. Trata-se de retomar o que vem do início mas que, às vezes, corre o risco de ficar obscurecido.

 

Nesse documento, a Igreja recentrou-se. A primeira frase diz tudo: «A luz dos povos é Cristo».

 

No centro não está a instituição. Está Jesus Cristo.

 

Era por isso, aliás, que os teólogos primitivos comparavam a Igreja à lua.

 

Tal como a lua, também a Igreja não tem luz própria. Ela é um reflexo da luz.

 

Só que, à semelhança do que sucede com a lua, também na Igreja a opacidade coexiste com a luminosidade.

 

O peso das questões institucionais e organizativas condiciona o essencial: o encontro pessoal e comunitário com Jesus e a vivência da Sua mensagem no tempo.

 

O Vaticano II reabriu um caminho. Mas, como se compreende, não concluiu a caminhada. Que, de resto, só estará concluída no fim da história.

 

Foi até feito mais. Há textos conciliares que apelam à «reforma perene».

 

No fundo, o que é proposto a cada membro da Igreja (conversão) é reclamado com urgência a toda a Igreja (mudança).

 

O percurso passa por transpor para as estruturas o que se afirma na doutrina.

 

 

3. Tudo isto passa não apenas por adaptações, mas por uma efectiva alteração de paradigma.

 

Habitualmente, os Concílios Ecuménicos (já se realizaram 21) incidem sobre a doutrina e sobre a missão. Penso que é chegado o momento de haver um Concílio que se debruce, acima de tudo, sobre o testemunho.

 

É por isso que o local, não sendo obviamente o mais importante, pode ter o seu valor simbólico. Daí que, em vez de um Vaticano III, pudéssemos conjecturar um Jerusalém I.

 

Seria uma forma de revitalizar o presente com a força das origens. O paradigma Jesus, por nós perdido e desperdiçado, está sinalizado na coroa de espinhos e sobretudo na cruz.

 

É o paradigma de uma Igreja que respeita os poderes, mas que está distante do poder e que não se concebe a si mesma como poder.

 

Foi a caminho de Jerusalém que Jesus, exorcizando cerce as veleidades de alguns, tornou bem claro que veio para servir e não para ser servido (cf. Mt 20, 28).

 

O reconhecimento que a Igreja teve para com o imperador levou a que, inevitavelmente, sufragasse muitos dos seus actos. Até a pena de morte chegou a ser justificada.

 

Só que, além de funcionar como suporte do poder, a Igreja também se foi estruturando a si mesma num sistema de poder. 

 

 

4. Na hora difícil que a humanidade atravessa, a Igreja de Jesus não pode ser mais uma carga. Ela só tem sentido se constituir, como Jesus, um alívio de todas as cargas (cf. Mt 11, 28-30).

 

O grande problema não é a culpa que, frequentemente, ajudamos a criar. O grande problema é a dor, é o sofrimento, são os dramas sem fim, é a desesperança.

 

Jesus é o rosto de um Deus que ama apaixonadamente o Homem.

 

É esse amor que o Homem precisa de reencontrar na Igreja.

 

Basta o amor, emoldurado pela verdade e ancorado na justiça, e tudo o resto virá por acréscimo.

 

Só o amor traz a bonança para acalmar as tempestades que se acendem nos corações.

 

É preciso que cada ser humano perceba que Deus só quer uma coisa: que todos sejam felizes!

 

 

 

publicado por Theosfera às 12:56

«Que alegre este sol. Há Deus. Tivera-O negado antes do sol, não O negaria agora».

 

Eis o apuro místico que se evola da poesia de Sebastião da Gama.

publicado por Theosfera às 11:06

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Não entre em pânico, não fique ansioso, não se perturbe em excesso diante do que aí vem.

 

Provavelmente, as coisas vão ser piores do que imaginamos e não vão correr como merecíamos.

 

Mas até esse futuro se tornará passado. E, quando o passar, será sublime o alívio que vai sentir!

publicado por Theosfera às 19:36

Muitas são as vezes em que não procuramos soluções para os problemas, mas apenas justificação para as nossas atitudes.

 

Daniel Pennac toca num ponto sensível ao sustentar que, quase sempre, «procuramos o abrigo da melhor doutrina, a protecção da autoridade, a caução do decreto, o selo branco ideológico. Depois, acampamos em certezas que nada abala, nem sequer o desmentido quotidiano da realidade».

 

É muito tarde quando acordamos.

 

Nessa altura, até queremos mudar. Mas dificilmente poderemos...

publicado por Theosfera às 19:33

Uns fazem obra e recebem aplausos e votos. Outros recebem a factura: nós.

 

Tudo se passa, porém, sem o nosso consentimento. E, como se tal não bastasse, ainda somos increpados e até insultados. Tratados como pobres trogloditas e, às vezes, chamados «cubanos».

 

Eis mais uma lição que vamos aprendendo a duras penas. E que nos vai sair muito cara. Não só (nem principalmente) no plano económico.

 

Civicamente, estamos a derrapar. Perigosamente...

publicado por Theosfera às 15:19

Eis como, nestes tempos torrencialmente mediáticos, seremos tentados a reescrever a palavra que Jesus nos dirige neste dia.

 

Que se guarda hoje?

 

Tudo, ou quase, se diz. Tudo, ou quase, se mostra. Tudo, ou quase, se insinua.

 

Hoje, o oculto não é tanto o que não é revelado. É sobretudo aquilo a que não se presta atenção no meio de contínuas «revelações».

 

A mente não pode acudir a tudo. Muita coisa é remetida para a irrelevância.

 

No meio de tanta «revelação», algo passará despercebido. O mais importante?

publicado por Theosfera às 11:06

«Quem não sente a ânsia de ser mais, não chegará a ser nada».

 

Foi o que disse Miguel de Unamuno.

 

Um seu contemprâneo, Xavier Zubiri, colocava a fasquia muito alta.

 

Para ele, a ânsia do Homem só culmina em Deus. O Homem é «o modo finito de ser Deus»!

publicado por Theosfera às 10:28

«É preciso ter consciência de que a história é um processo muito longo: por vezes, estamos no topo, outras vezes estamos no fundo; e há que aceitá-lo com elegância».

 

Não é difícil concordar com Dezcallar de Mazarredo. Mas não é, consabidamente, linear pô-lo em prática.

publicado por Theosfera às 10:27

Sérgio Godinho já vai nos 66 anos de vida e nos 40 de carreira (palavra de que não gosta).

 

Numa das entrevistas que deu, diz que não «é ateu no sentido clássico do termo».

 

«Acho que há forças inexplicáveis e que há qualquer coisa para lá disto que nos transcende. O próprio facto de nos interrogarmos é uma interrogação em si».

 

Profundo!

publicado por Theosfera às 10:25

Uma das maiores injustiças da história foi (parcialmente) reparada num dia 19 de Setembro. No caso, em 1899.

 

Alfred Dreyfus, oficial do exército francês, foi acusado de traição.

 

A condenação a prisão perpétua era para ser cumprida na Ilha do Diabo, que fica na Guiana francesa.

 

O irmão descobriu, entretanto, a identidade do verdadeiro culpado. Em novo julgamento, porém, a sentença manteve-se.

 

Houve uma onda de revolta de que o «J'accuse!» de Zola se tornou a expressão mais célebre.

 

Finalmente, foi amnistiado. Mas o anátema da culpa manteve-se!

publicado por Theosfera às 10:23

Não ceda à vingança quando procurar a justiça.

 

Nessas alturas, procure ainda mais a paz.

 

Desse modo verá que, pelo menos, não conseguiram desfigurá-lo.

 

Ficar em paz depende de si. Ela nunca toma a iniciativa de o deixar.

 

Repor a justiça dependerá de alguém. Um dia, ela ser-lhe-á feita.

 

E, nessa altura, verá que valeu a pena ter ficado em paz!

publicado por Theosfera às 00:00

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