O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Desde sempre gostei de música. Mas desde cedo percebi que iria limitar-me a ser um modesto ouvinte.

 

Dizem que o estudante faz-se e o músico nasce. E eu não nasci para a música.

 

Na música, sempre priorizei a mensagem, a intervenção, a melodia, a paz.

 

A música que se fazia quando cresci continua a tocar-me. Falava de manhãs que não envelhecem, embora estejam a ser devoradas pelo pragmatismo e pela injustiça.

 

Foi relativamente tarde que descobri Bach. Mas quando a ele cheguei, não mais dele consegui sair.

 

Não é tanto pela sumptuosidade barroca. É sobretudo pela harmonia e pela transparência.

 

Então as Paixões (de S. Mateus e de S, João) cativam-me completamente.

 

Ainda hoje, continuo a arrepiar-me quando as oiço. Bem mereceu, pois, o título de «quinto evangelista».

 

Confesso que, às vezes, faço umas deambulações e revisito músicas que eram entoadas na minha infância e juventude. Mas rapidamente me canso e depressa volto a Bach.

 

Pelo que dizem, é o que acontece a quantos admiram Bach. Volta-se sempre a Bach. Nunca satura. Há algo de divino naquilo tudo.

 

É indescritível. É sublime. É Bach!

publicado por Theosfera às 22:27

O paradoxo contém a chave que decifra o segredo da vida. Ele desmonta preconceitos e vence lugares-comuns.

 

Qual é o paradoxo da existência?

 

Recebemos quando nos damos. Reencontramo-nos quando vamos ao encontro.

 

Centramo-nos quando nos descentramos. Descobrimo-nos quando nos abrimos. Colhemos quando nos entregamos. Estamos em nós quando nos dispomos a ir além de nós.

 

A meditação é uma porta que nos faz aceder ao mistério e nos transporta até à felicidade.

 

Ela não requer grandes recursos. Ela pressupõe até que não tenhamos recurso nenhum.

 

Paremos. Fiquemos em paz.

 

Não nos preocupemos com palavras, nem sequer com orações.

 

Deixemos tão-somente que alguém nos habite. Deixemos que Deus nos visite.

 

Consintamos que Ele aconteça em nós. Fiquemos à escuta. Continuemos à espera.

 

Aceitar sair de nós é o caminho que nos reconduz a nós.

 

Deus restitui-nos a nós.

publicado por Theosfera às 18:39

W.H. Auden teve uma enorme lucidez quando sugeriu que as escolas fomentassem um espírito de oração em contexto secular.

 

Os alunos deveriam ser ajudados a concentrar-se, única e exclusivamente, naquilo que está diante deles: um texto, um problema de matemática, uma simples frase.

 

Afinal, a atenção é um acto de generosidade, de dádiva, de esquecimento de si, de cuidado pelo outro.

 

Hoje, a inteligência tende a ser dispersiva porque o eu quer tocar muitas coisas ao mesmo tempo.

 

Há, sem dúvida, uma grande agilidade. Mas só a concentração nos faz descer à profundidade: à nossa profundidade, à profundidade dos outros, à profundidade da vida.

 

E isso só se consegue colocando toda a atenção em cada coisa, em cada gesto. Como se cada momento fosse único. Porque, na verdade, cada momento é único, irrepetível.

 

Como desaproveitá-lo? Como não investir tudo nele?

publicado por Theosfera às 15:11

Judeu convicto, especialista em Direito Constitucional, Joseph Weiler defendeu perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos o direito de a Itália ter crucifixos nas paredes das escolas e o direito da França a não os ter. E diz que esse pluralismo europeu é que é bom. Ganhou por 15-2


Tinha acabado cinco horas de aulas, pediu apenas um prato de batatas fritas, que foi petiscando enquanto conversava. Joseph Weiler, nascido em 1951, é um judeu convicto. O que não o impediu de defender a possibilidade de haver (ou não) crucifixos nas paredes das escolas. Virou a opinião do tribunal, dos anteriores 17 a favor de retirar os símbolos religiosos da parede, para uns claríssimos 15 contra. Apenas dois juízes mantiveram a decisão anterior. E adverte: nem a Itália nem a França são neutros em matéria religiosa. Mas ambos devem educar para o pluralismo.

Especialista em Direito Constitucional europeu, Weiler é professor da Católica Global School of Law, da Universidade Católica Portuguesa, e, por isso, vem a Portugal várias vezes por ano.

Tem publicado Uma Europa Cristã (ed. Princípia). E publicará, até final do ano, um livro sobre o processo que condenou Jesus à morte. Nele defende que "o sentido de justiça, na civilização ocidental, provém do julgamento de Jesus", explica ao P2. O Papa disse, no seu último livro, que os judeus não foram responsáveis pela morte de Jesus. Weiler, judeu, irá dizer o contrário. E explicar porquê.

Defendeu o crucifixo nas salas de aula italianas...

Tive uma vitória famosa, 15-2...

Defendeu essa posição como jurista ou como judeu e crente, em solidariedade com outra fé?

Depois da decisão, recebi centenas de emails. Muitos diziam "obrigado por defender o crucifixo". Muitos outros, vindos da comunidade judaica, perguntavam: "Como pode o filho de um rabi defender o crucifixo?" A todos, aos que me felicitavam ou que me condenavam, respondi o mesmo: "Não defendi o crucifixo. Defendi o direito da Itália a ser Itália e o direito de França, onde a cruz é proibida, a ser a França."


Ou seja, a possibilidade de leis diferentes...

Acredito no valor do pluralismo nas relações entre a Igreja e o Estado, que existe na Europa, onde temos vários modelos: o modelo francês, o britânico, o alemão, etc. Isso é parte da força da civilização europeia. A decisão da câmara, por 17 contra zero, dizendo que a Itália estava a violar a Convenção Europeia por ter uma cruz nas salas de aula, parecia-me tão drástica que forçaria todos a ser como França. Isso parecia-me completamente contra o pluralismo e tolerância que existe na Europa.

E escreveu o editorial no European Journal of International Law...

Sim. Dizendo que era uma decisão terrível. Como podia o tribunal decidir que a tradição na Grã-Bretanha, na Alemanha, em Malta, na Grécia ou na Dinamarca era contra os direitos humanos e a Convenção Europeia de Direitos Humanos? Perguntaram-me se queria ir ao tribunal. Concordei, com uma condição: seria pro bono, não queria que dissessem: "Olha o judeu, por dinheiro até é capaz de defender a cruz". [ri] Decidi fazê-lo, porque acreditava que era a atitude certa.

Não foi só a Itália a defender essa posição.

Oito estados intervieram, convidando-me. A Itália defendeu a própria posição. O facto de ser judeu é irrelevante. Sou constitucionalista praticante e tal parecia-me errado, no âmbito da Convenção Europeia de Direitos Humanos. Há duas coisas mais importantes, que me parecem erradas, no âmbito da Convenção e que me ajudaram a reagir: estou verdadeiramente cansado do argumento, repetido à exaustão, de que o Estado é neutro, em matéria religiosa, quando não permite o crucifixo na parede.

E não é assim?

Tentei convencer a câmara de que esse é um argumento errado. Se o Estado quer que a cruz esteja na parede, não é neutro. De certa maneira, é tomar uma posição sobre a importância do cristianismo na identidade do país. Ou seja, há algo na identidade do país que se quer valorizar com a cruz na parede e essa não é uma posição neutral.

Mas quando o Estado, como em França, proíbe a cruz, não está a ser neutro. Porque não há uma parede nua, vazia. Qualquer coisa pode ser colocada na parede: se amanhã houver uma maioria comunista, podem dizer que em todas as escolas tem que haver uma foice e um martelo.

Podem?

Sim, e não há nada na Constituição que o impeça: pode ter uma fotografia de Karl Marx na parede, pode ter um sinal de paz, uma posição ecológica... De facto, em todas as escolas primárias de França, está escrito: Liberté, egalité, fraternité - o slogan mobilizador da Revolução Francesa.

Eu gosto disso, mas não é neutral. Se for monárquico, não é neutro, seguramente. Qualquer símbolo é permitido nas paredes: Karl Marx e Groucho Marx; o sinal de paz, a foice e o martelo, o símbolo "nuclear não". Há apenas um que não é permitido: a cruz, um símbolo religioso. Como é que isso é neutro?

Nem a estrela de David nem o crescente islâmico...

Sim... As crianças podem ir para a escola e usar uma t-shirt com uma fotografia de Che Guevara, podem ter escrito Love and Peace, podem ter um insulto a George Bush, qualquer posição política ou ecológica, podem levar o triângulo cor-de-rosa pelos direitos dos gays. A única coisa que não podem levar é a cruz, a estrela de David e o crescente.

Nem podem vestir o chador...

Não... Isso não é ser neutro, é dar uma mensagem clara às crianças: tudo é permitido, excepto um símbolo religioso.


Na minha arguição, não disse que a França viola a Convenção Europeia por ter essa regra. Na tradição europeia, o Estado laico é uma opção respeitável. Mas não pretendam que seja neutro. Ele diz que tudo é permitido, excepto a cruz ou a estrela de David, e está a dar uma mensagem sobre religião.

No sistema italiano, apesar da cruz, há um dever educacional de respeitar os ateus e outras religiões. No sistema francês, onde se proíbe a cruz nas paredes mas se permite tudo o resto, há o dever de explicar aos estudantes que, apesar de se permitirem todos os símbolos excepto os religiosos, se deve ensinar o respeito pelos crentes. Nenhum dos sistemas é neutro. Em ambos está implícita uma espécie de preconceito. E em ambos é tarefa do sistema educativo contrabalançar as coisas para que a escola não ensine o preconceito mas a tolerância.

Esse era o seu primeiro argumento...

O segundo era: acreditamos na autodeterminação como direito fundamental. Acreditamos no direito de os britânicos serem britânicos e de os irlandeses serem irlandeses. A razão por que temos a Irlanda independente da Grã-Bretanha, em 1921, é porque os irlandeses são diferentes dos ingleses.

Como podemos imaginar a identidade irlandesa sem o catolicismo? No preâmbulo da Constituição irlandesa, diz: "Acreditamos que o Divino Senhor Jesus Cristo é a fonte de todo o dever, justiça e verdade." Isto é o que são os irlandeses. O que vamos dizer-lhes? Não permitimos um sentido de nacionalidade que tem um tal conteúdo religioso?

O que é bonito na Europa, mesmo apesar da Constituição irlandesa, é que não há discriminação por causa da religião. Um judeu pode ser primeiro-ministro. Como um muçulmano ou um ateu. E aceitará que é impossível falar da identidade irlandesa sem o catolicismo e a cruz. Para o bem e o mal.

Mas é possível também que as sociedades mudem?

Mas compete às sociedades mudar. Na minha arguição - que é curta, eu só tinha 20 minutos -, dizia que, se um dia os ingleses decidirem deixar de ter o Anglicanismo como religião oficial, podem fazê-lo. Não é um país religioso, a maior parte dos britânicos não é religiosa. Mas faz parte da sua identidade.

Os suecos mudaram a Constituição e decidiram que a Igreja Luterana deixaria de ser a religião estabelecida no país. Mas foram eles que definiram a sua identidade sueca, não foi Estrasburgo. Não compete a Estrasburgo dizer que eles não podem ter uma cruz na bandeira. Eles deixaram de ter a Igreja oficial mas mantiveram a obrigação de o rei ser um luterano. O símbolo do Estado tem que ser um luterano.

Na sua arguição, afirmou também que este é um conflito entre o direito individual e o Estado. No caso italiano, tratou-se precisamente de uma mãe ofendida pela presença da cruz...

Em muitos casos, temos um conflito entre diferentes direitos fundamentais. O hino nacional inglês é uma oração: "God Save the Queen", dá-lhe vitórias e glórias. Na escola, canta-se o hino nacional. E se houver um estudante que diz "sou ateu, não creio em Deus e não quero cantar uma oração"? O direito individual estará comprometido se a escola forçar esse estudante a cantar o hino nacional e se o ameaçar de expulsão. Ninguém pode ser forçado a fazer um acto religioso, uma oração, mesmo quando não acredita...

Pode ser um republicano...

Claro, não tem que dizer "Deus salve a rainha". Isso eu aceito. Mas não aceito que esse estudante ou a sua mãe digam que mais ninguém deve cantar o hino. É um compromisso simpático: ele tem o direito de ficar em silêncio, os outros o direito de cantar. E todos têm direito à liberdade religiosa.

A minha mãe cresceu no Congo Belga. A única escola para brancos era um convento católico. Os pais dela fizeram um acordo com as freiras: cada vez que elas dissessem Jesus, a minha mãe diria Moisés. É um bom compromisso.

Não podemos permitir que a liberdade de [ter ou não] religião ponha em causa a liberdade religiosa. Temos que descobrir a via média. E essa é dizer não, se alguém quiser forçar outro a beijar ou a genuflectir perante a cruz. Mas, se houver uma cruz na parede, direi aos meus filhos que vivemos num país cristão. Somos acolhidos, não somos discriminados. A Dinamarca tem uma cruz na bandeira, a Inglaterra e a Grécia igual. Vamos pedir que, por causa da liberdade religiosa, tirem a cruz das bandeiras? Absurdo!...

É por causa disso que fala de argumentos iliberais?

Sim, porque o ponto de vista liberal é, muitas vezes, iliberal. As pessoas falam de liberdade religiosa, mas, de facto, muitas vezes é cristofobia. Não é neutralidade, é antes porque não gostam do cristianismo e da Igreja. Sei porquê: a Igreja tem uma história complicada...

É também por causa disso?

Claro. Compreendo, mas não devemos mascarar os factos. Vivemos numa sociedade em que algumas pessoas são religiosas, outras não. A questão é como vivemos juntos. Não podemos pretender que, se negarmos todas as religiões no espaço público, isso é neutro. É o que faz a França, mas não é o único modo de o fazer.

Então deveria ser possível ter uma cruz na sala de aula e educar os estudantes para o pluralismo?

Absolutamente. Seria uma lição de pluralismo. Porque diríamos: apesar de ter uma cruz na sala de aula ou uma cruz nas bandeiras, permitimos que um primeiro-ministro seja muçulmano ou judeu. A Itália teve primeiros-ministros, generais e ministros judeus.

Na Grã-Bretanha, o chefe de Estado é o chefe da Igreja, há uma Igreja de Estado, o hino nacional é uma oração. Quem diria que o país não é tolerante? É o país de eleição para muitos muçulmanos emigrantes. O facto de haver uma identidade religiosa e uma prática de não-discriminação é um sinal de uma sociedade pluralista e tolerante.

De certa maneira, a Grã-Bretanha com a cruz é mais pluralista e tolerante do que a França, sem a cruz. Porque na Grã-Bretanha, apesar de afirmar a identidade religiosa do Estado, é não discriminatória em todos os aspectos da vida. Financia escolas anglicanas, mas também católicas, judias, muçulmanas e seculares. Os países laicos financiam escolas seculares, mas não escolas religiosas. Quem é mais tolerante e pluralista?

Evocou a herança cristã da Europa, debatida a propósito da Constituição Europeia. Se ela tivesse avançado, também devia referir a herança judaica e muçulmana e a Revolução Francesa?

Deveria ter uma referência às raízes cristãs.

E judaicas e muçulmanas. Na Península Ibérica, por exemplo...

Na Europa, também há vegetarianos. É uma questão de grau. Temos que mencionar judeus, muçulmanos, baha"ís? Eu também falaria de raízes judaicas e muçulmanas na cultura hispânica. Mas, na Europa, a maior parte é cristã. Não falaria de raízes cristãs no Egipto, mesmo havendo uma minoria cristã no país.

De um ponto de vista cultural, o cristianismo jogou um papel decisivo na definição da civilização europeia. Para o bem e para o mal. As raízes cristãs são também a Inquisição, judeus queimados. Quando eliminamos as raízes cristãs, obliteramos também a memória das coisas más que a cristandade fez.

Não há uma cidade na Europa sem uma catedral, onde o museu não esteja cheio de pintura sacra. E os direitos humanos não derivam apenas da Revolução Francesa, derivam da tradição judaico-cristã. Porque queremos negar isso? O que se vê no Prado, no Museu Gulbenkian? Madonna con bambino... Isso não é a Europa? É um absurdo.

É possível coexistir a laicidade francesa e outros modelos?

Claro, essa é a riqueza da Europa. A Europa lidera pelo exemplo, não pela força. Gostaríamos que por todo o mundo houvesse democracias pluralistas e tolerantes. Que possibilidades há de persuadir alguns países muçulmanos a abraçar o pluralismo se dissermos que a religião deve ficar na esfera privada?

Podemos dizer à Arábia Saudita: podem tornar-se uma democracia, reconhecer os direitos humanos e manter a vossa identidade muçulmana. Reparem no que se passa na Grã-Bretanha, reparem no pluralismo europeu: há um modelo francês, um britânico, um grego. Não somos apenas como os franceses.

Tem amigos entre os católicos conservadores, mas também defende os direitos dos homossexuais, o que não é simpático para esses católicos...

Que posso eu fazer? Vieram ter comigo, quando começaram a falar dos direitos dos homossexuais. A questão não era o casamento homossexual, mas porque têm os homossexuais de ser discriminados? Não há razão para isso.

Mesmo hoje, ensino os meus alunos como crente, mas digo-lhes: ninguém deve perder o emprego por ser homossexual, a ninguém deve ser negado alojamento por ser homossexual. Nos campos nazis, exterminaram os judeus e os homossexuais. Não posso esquecer isso.

publicado por Theosfera às 14:38

O Concílio Vaticano II termina a Constituição Dogmática sobre a Igreja com um capítulo dedicado a Maria.

 

A mensagem que, no fundo, pretende veicular é:

 

1) aquilo que se diz sobre a Igreja já foi plenamente realizado por alguém; não se trata, portanto, de algo irrealizável até porque já foi concretizado na vida de Maria;

 

2) quem quiser encontrar um modelo para a sua vivência eclesial tem em Maria a referência maior e o auxílio supremo.

publicado por Theosfera às 12:58

Maria não se destaca tanto pela palavra proferida com os lábios como pela palavra pronunciada com a vida.

 

O contraste entre a fé e a vida é a maior debilidade que muitos atribuem à Igreja. Se esta é, pois, a grande carência, há-de ser também a maior urgência.

 

Maria é espelho porque é exemplo. Ela é educadora na fé pelo que diz com a vida. O sim que saiu dos Seus lábios já tinha saído da Sua vida, do Seu coração.

 

Não há dúvida de que a eloquência do exemplo é muito superior à persuasão do discurso. Albert Schweitzer recordou que «o exemplo não é a melhor maneira de convencer os outros; é a única»!

 

 

 É que, se falha a vivência, falha logo a credibilidade da comunicação. E nenhuma estratégia pedagógica conseguirá suprir esta carência primordial, este vácuo estrutural.

 

 Também na missão, a vontade é alguma coisa, a palavra é muito, o exemplo é tudo.

 

Só o exemplo consegue sufragar o que a vontade pretende e a palavra veicula.

 

É por isso que a consistência da fé é mais da ordem testemunhal que da ordem conceptual. Paulo VI já o reconhecera em 1974: «O mundo escuta mais as testemunhas que os mestres».

 

Maria dá-nos, por isso, o testemunho perfeito porque Ela é o exemplo total

 

Com Ela, a Igreja reaprende incessantemente a ser crente, orante, fiel, servidora, humilde, despojada.

 

A Igreja tem, assim, para o seu futuro aquilo que transporta desde o seu começo. Aquilo que a Igreja quer ser, afinal, já conseguiu ser. Em Maria.

 

Ela poderia subscrever o convite imperativo de Paulo: «Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo»(1Cor 4, 16).

 

Como lembra José Aldazábal, «Ela é quem melhor seguiu o Seu Filho, aquela que mais radicalmente cumpriu o Seu Evangelho».

 

O que nós nunca chegaremos a atingir já Maria o alcançou. Isto não é uma frustração para cada um de nós. É um estímulo para todos nós. Mesmo sabendo que nunca obteremos o mesmo padrão de santidade, fica sempre o apelo a não desistir.

 

Por assim dizer, Maria é o óptimo que nos convida a dar o máximo.

 

Eis, portanto, como Ela nos incentiva à procura. Ela desponta como «um roteiro vivo de toda a comunidade cristã».

 

Ela é o futuro que derrama luz sobre a obscuridade do nosso presente.

 

 

publicado por Theosfera às 12:20

Desde há uns tempos a esta parte (Charlene Spretnak assinala os meados dos anos 90 como o momento da viragem), assistiu-se a uma espécie de ressurgimento mariano.

 

Já tinha havido um Ano Mariano (1987-1988). Curiosamente, está a decorrer, neste momento, uma petição ao Papa para que haja um novo Ano Mariano em 2012-2013, para assinalar o vigésimo quinto aniversário do anterior.

 

Começou a aumentar a afluência aos santuários marianos, a qual, actualmente, atinge níveis impressionantes, ainda que, qualitivamente, este dado careça de uma triagem muito séria.

 

As orações marianas estão a ser reintroduzidas em muitas igrejas e escolas católicas. Até, no plano da discografia, as composições marianas estão a ter uma saída muito apreciável.

 

Em 1999, apareceu um artigo na revista «Christos» com o sugestivo título «O regresso da Virgem Maria», que começava assim: «Depois de uma longa ausência, Maria regressou».

 

É óbvio que a ausência não era de Maria em relação aos cristãos, mas de alguns cristãos em relação a Maria.

 

O autor do sobredito texto propugnava uma espiritualidade mariana revitalizada, longe daquilo que denominava «racionalismo desidratado» que afectara a Igreja.

 

Numa linha próxima da de Hans Urs von Balthasar, o articulista defendia que «a dimensão mariana da Igreja precede a de S. Pedro».

 

Daqui extraía uma ilação de relevância supina: «A Igreja é mais carismática do que hierárquica. Maria revela-nos a identidade da Igreja, o coração da aliança, o feminino».

 

Acontece que esta interacção entre o carisma e a instituição raramente alcança o grau de equilíbrio desejado. A história mostra que a acção propende para a acentuação da instituição e só no âmbito de alguma reacção se vinca a centralidade do carisma.

 

Deste modo, parece que o carisma é mais reactivo que proactivo. Sucede que se alguma coisa Maria nos oferece, é precisamente a centralidade do mistério. O ministério está ao serviço do mistério: para o propor, para o vivenciar.

 

Daí que Hans Urs von Balthasar, num livro que escreveu em parceria com o então Cardeal Joseph Ratzinger, tenha recordado que «a Igreja, antes de ser masculina em Pedro, é feminina em Maria».

 

Como acontece com todo o ser humano, toda a Igreja é composta pelo masculino e pelo feminino.

 

Cada pessoa, assegurou Carl Jung num célebre estudo, transporta consigo o masculino e o feminino, o animus e a anima.  

 

A delicadeza da relação entre masculino e feminino na Igreja é semelhante às dificuldades que se revelam no equilíbrio entre carisma e instituição, entre mistério e ministério.

 

Olhando para os fundamentos bíblicos do Cristianismo, Hans Urs von Balthasar chegou ao ponto de dizer que, se Pedro orienta visivelmente a Igreja, é Maria que «a governa escondidamente».

publicado por Theosfera às 11:50

Benjamin Franklin perguntou: «Se os homens são assim tão maus apesar da religião, como seriam eles sem ela?»

 

Confesso que não sei responder. Alguém sabe?

 

Há pessoas sem religião que são de uma correcção extrema, de uma conduta irrepreensível e de uma bondade imensa. Também há pessoas sem religião que cometem grandes delitos.

 

Há pessoas religiosas capazes dos maiores gestos de amor. Mas também há pessoas religiosas que não se coíbem de praticar os piores crimes. De os praticar e, mais grave, de os justificar.

 

Até parece que, em muitos casos, a religião funciona como uma «almofada» que dá para tudo.

 

Para concluir, Deus não está presente apenas na religião. Às vezes, até pode estar «oprimido» em muitas atitudes religiosas.

 

Deus não tem fronteiras. Se Ele está presente na religião, alguém pode garantir que esteja ausente fora da religião?

 

Em relação a Deus, há muitos que se presumem perto e, de facto, estão longe. E pode haver muitos que, julgando-se longe, acabam por estar mais perto.

 

Se há bondade, verdade e generosidade, há uma respiração divina.

 

É aí, no amor repartido e na paz construída, que a atmosfera se converte numa permanente teosfera!

publicado por Theosfera às 10:52

«Não julgueis e não sereis julgados» (Mt 7,1).

 

Assim falou o Mestre dos Mestres.

 

Muitas vezes, repetimos (enfaticamente) estas palavras. Mesmo quando passamos o tempo a fazer exactamente o contrário do que elas dizem.

 

Em que mais se passa o tempo? Haverá maior passatempo que julgar e, como se tal não bastasse, condenar?

publicado por Theosfera às 10:14

Hoje é dia de S. Vicente de Paulo. Dedicou a sua vida a duas causas que se mantêm pertinentes: aos pobres e aos padres.

Não vou descrever a sua vida. Vou apenas recordar alguns pensamentos:

«Os pobres são os vossos senhores; um dia serão os vossos juízes».

«Não percorreu muitas estradas; percorreu apenas uma: a do amor. E o amor é exclusivamente construtivo. Por isso, no seu programa, não se propõe polemizar, censurar, demolir. São caminhos já batidos e repetidos mil vezes, e sempre sem êxito».

Um apelo à  calma, à serenidade: «Quem age com pressa atrasa-se sempre nas coisas de Deus».


publicado por Theosfera às 06:16

Hoje, 27 de Setembro, é o Dia Mundial do Turismo.

 

É sabido que, em muitos casos, o turismo está ligado ao religioso. Nada a opor.

 

O único problema é quando o religioso se reduz mesmo ao turismo. Isto acontece quando as pessoas vão aos templos só para fruir do lado turístico.

 

Há quem, mesmo assim, o faça com respeito. E, quando assim é, nada a opor também.

 

Mas é fundamental que, na casa de Deus, não estejamos como turistas. Que nos sintamos como verdadeiros peregrinos. Que são sempre acolhidos pelo Pai!

 

Não é a vida, toda ela, uma incessante peregrinação.

 

Nem todos podem ser turistas. Mas todos somos peregrinos!

publicado por Theosfera às 06:15

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